sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Black Hammer

Black Hammer

Olá Quadrinheiro.

Vamos falar sobre uma obra recente ( relativamente nova mesmo, já que recebeu até prêmio Will Eisner por melhor série original em 2017 ), que é Black Hammer. Só te adianto que faz um bom tempo que não leio algo tão legal.

Terminei de ler os 2 primeiros volumes lançados no Brasil pela editora Intrínseca desta obra prima da Dark Horse.  Estou bem contente com o que eu pude ler até aqui e como a história vem bem contada. Tem a medida certa de mistério, suspense e aventura. É uma história densa e intensa, naquela levada de pós-apocalipse pessoal, onde os dramas e mistérios do momento presente são lentamente revelados com flashbacks de cada personagem e a gente vai tentando montar o quebra-cabeças na nossa mente.

Referências

Uma das mais surpreendentes coisas que Black Hammer traz são as referências. Você percebe que não é apenas um autor, mas um fã de quadrinhos que escreveu. Alguém que cresceu lendo HQ’s. Diferente de muitos autores que vieram dos livros e criaram a linguagem das HQs. É uma homenagem muito bonita aos heróis clássicos, mas mais do que isso, é uma homenagem à essência do clássico do super-herói. Ser herói é diferente de ser super-herói. Não apenas pelos poderes, mas pela própria linha de vida. Ser um herói é possível pra pessoa comum, com vida comum. Ser um herói é sobre escolhas que estas pessoas fazem. O super-herói tem uma vida fora da vida normal. Quando se soma a parcela “super“, a vida normal não existe mais. Não é uma escolha. Ser vilão ou herói ainda é a escolha, mas o prefixo “super” muda tudo. Ser super é solitário. E é sobre estas pessoas que esta obra se baseia. Então, não são apenas referências ou cópias. São homenagens, mesmo.

Com base nisso, podemos ver as inspirações de cada personagem em sua essência. Como a alma do Capitão América presente no Abe Slam. Ou o Capitão Marvel ao contrário na pequena Garota de Ouro Gail. Ela é uma mulher que se transforma em criança pra ter os poderes ao desferir o nome do mago Zafram.  Ou Barbalien, o marciano. Claramente o Caçador de Marte da DC em tudo, até na base do nome, ou mesmo do seu disfarce e poderes. A bruxa misteriosa do pântano, Libélula, nos remete ao Monstro do Pântano. Além disso, temos referências à sagas com os Gêmeos opostos que nasceram da origem o universo e que vivem em guerra. Alusão ao Monitor e Anti-monitor de Crise nas Infinitas Terras da DC. E ao mesmo tempo, este “Monitor” é equivalente a Odin, tendo Black Hammer o martelo dos dignos que dá super poderes ao possuidor, como o próprio Thor.

Mas isso é apenas o pano de fundo. São elementos que foram usados pra contar uma história sobre a psiquê super-heróica, profunda. Reflexões sobre a existência. Sobre ser normal, sobre não ser normal.

Autoria premiada

O canadense Jeff Lemire criou e roteirizou tudo isso. É o “pai da criança“, podemos por assim dizer. Ele não cria algo novo, ou inédito. Mas faz algo tão mais bem feito, que eu diria que ele é aquele agente da evolução. Ele dá substância e relevância pra algo que já tem tantos seguidores apaixonados ( que são os Super-Heróis ), e faz com maestria. Sua obra mereceu realmente o prêmio Eisner de Melhor Série Original de 2017. O traço de Dean Ormston é tão competente que emociona. Tem personalidade, tem cara de quadrinhos, tem cara de arte. Ele se respeita e equilibra estilo da era de prata com personalização pessoal. E as cores de Dave Stuart dão todo o ar temporal e geográfico que você precisa. Você literalmente mergulha no novo mundo.

Fora das páginas, para a TV

Os direitos de Black Hammer foram adquiridos pela Legendary Entertainment, produtora de vários filmes de sucesso, como Batman Begins, Círculo de Fogo e Jurassic World. A história ganhará adaptações para as telas de cinema e para a TV, ainda sem data de estreia. Parece que vem série por aê !!!

Eu realmente gostei de Black Hammer. É muito bonito, e muito instigante. Parece mesmo feito pra quem leu quadrinhos a vida toda e ama a arte sequencial proporcionada super-heróica. Mal posso esperar pelo volume 3, viu Intrínseca ?

E um agradecimento especial à minha amiga Fabiana por colocar esta maravilha em minhas mãos !

Abraços do Quadrinheiro Véio !

About The Author

Sou um leitor de Quadrinhos e fã de cinema desde que me entendo por gente. Minha primeira "revistinha" ganhei da minha mãe em 1983 e desde então não parei mais de ler. Portanto este é um blog de um cara que começou a ler HQs há mais de 30 anos e continua apaixonado por este universo !

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