domingo, 20 de Maio de 2018

Capitão América – A Escolha

Olá amigos Quadrinheiros !
O post de hoje é sobre a mais recente edição da coleção oficial de Graphic Noveis Marvel da Salvat aqui no Brasil: Capitão América – A Escolha. Este é o 15o lançamento, mas é o volume 55 da coleção e mais uma vez temos uma reunião de uma mini-serie de 6 partes do soldado bandeiroso da Marvel. ( deu pra notar que não é o herói que mais simpatizo, né… ) e nesta edição podemos ver como os americanos são forjados nas guerras. Claro que sendo um personagem que é um capitão do exercito americano e que foi criado durante a guerra mundial, não teria como ser diferente. E basicamente um thriller motivacional, inspirador, com falas heroicas e idealismo puro. Bem Capitão América, bem americano. Sem vingadores ou vilões fantásticos. Apenas os humanos e suas humanices.
De modo geral eu classifico a edição como boa.

Confesso que os traços do Mitch Breitweiser não me agradaram muito, mas a coloração de Brian Reber é primorosa e perspicaz. Não que o Mitch não seja um bom artista, porque é. Seu desenho tem movimento e sentimento, mas, não sei… acho que é um lance de “gosto pessoal” mesmo. Quem sou eu pra avaliar tecnicamente, né ? O fato de eu ser um leitor a 3 décadas não quer dizer que eu entenda tecnicamente, apenas apurou meu conhecimento do que eu gosto e do que não gosto.

Como ia dizendo, a coloração é bem sombria, fria, como uma guerra tem que ser. Tons claros, azuis e beges que dão mesmo um ar de distanciamento, como se ele quisesse que participássemos mesmo de fora da estória, sem estar lá dentro. Impossível, a gente sente um no na garganta, um gosto amargo o tempo todo porque a linha que o roteirista seguiu é tão emocional que faz a gente se sentir desamparado pelo que o Capitão está vivendo, ao mesmo tempo que faz com que vivenciamos um sentimento de “caraca, não faço nem metade do que este cara faz pelos outros… que M#&%@ de ser humano eu sou.”

É um roteiro que leva a gente a refletir. Tudo acontece durante a guerra do

Afeganistão, e o Capitão está morrendo e precisa escolher um sucessor. Esta é a escolha do título. Ao final, sentimos que ele está escolhendo a todos e não apenas o soldado que está com ele. O Capitão é mostrado como sendo realmente um grande soldado. Um que nunca existiu e nunca existirá, porque a dedicação dele não é humana. Mas é bonito de se ver e faz a gente se questionar porque ficamos esperando que uma pessoa seja o como Steve Rogers ao invés de todos nós nos tornarmos alguém como ele. Isso é utópico, mas imagine uma sociedade em que cada um faz o melhor possível a cada dia pra que o mundo seja melhor, utilizando de coragem, honra, lealdade e sacrifício. Pois é… pense aí.

Em alguns momentos você deseja que o livro termine logo porque o sofrimento é grande. Confesso que em certo momento a arte parou de me incomodar e eu só queria ser aliviado da angustia do soldado que o Capitão América escolheu pra ser seu substituto, a pessoa que deve sair da caverna pra descobrir quem é de verdade. David Morrell, o argumentista desta edição, mostra que entende de guerra, entende do coração e mentes de quem vai no frionte. Pra quem não sabe, nos anos 70 Morell escreveu o livro “Rambo – First Blood“, que viraria filme nos anos 80. Preciso dizer mais ?
A famosa metáfora da caverna é a base da transformação que esta HQ desvela a nossa mente. Se você ver esta edição e não ficar no mínimo pensativo sobre sua atuação no mundo, talvez devesse rever seus valores e princípios. Olhar pra dentro de você e descobrir o que te faz humano. Talvez descobrir da mesma forma que o Homem Molecular aprendeu com o Dr. Destino em Secret Wars: ” Seu limite é aquele que você mesmo se impôs“.
Bom, é isso.
Comentem, curtam, compartilhem.
Nada do que coloco aqui é só meu. Embora divida a minha opinião, gosto de saber a opinião de vocês, gosto de que discordem de mim, de conversar, saber opiniões e percepções diferentes da minha.
Abraços do Quadrinheiro Véio.

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6 Comments

  1. oquadrinheiroveio

    Bacana, Rodrigo. Acho que é o respeito pelas opiniões dos outros que torna a vida interessante. Acho que você tem toda a razão pra não gostar e gostar do estilo que você gosta. Obrigado e comente sempre !! Abração !

  2. rodrigo rosa dos santos

    Eu particularmente não gostei dessa historia, achei muito monótona. Mas essa é uma opinião minha e também pelo de gostar de historias mais intensas e agitadas que envolvam mais, como foi o caso de Guerras Secretas e Invasão Secreta(esta ainda não saiu pela Salvat), mas confesso que os traços de Mitch Breitweiser e a coloração de Brian Reber são muito boas mesmo

  3. vagner araujo

    olá, essa eu ainda não li…mas um dos fatores que me fizeram comprar foi a arte…que coisa não? Eu gostei de algumas páginas que vi na net…baixei a HQ para conferir bem a arte e resolvi comprar! Estou esperando chegar junto com mais um monte de quadrinhos que comprei na cultura…não li no pc pois detesto…curto mesmo é a revista na mão!! Ainda mais essa coleção da salvat que está com qualidade excelente e custo bem justo!! Se a narrativa for condizente com sua análise acredito que tenha sido uma ótima aquisição para minha coleção! Forte abraço e obrigado por compartilhar!!! 😀

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