Um Conto de Batman: De Volta à Sanidade

Olá Quadrinheiros !
 
batman volta sanidade
Bem vindo de volta. Hoje vou falar sobre uma série de mini-series que eu particularmente adorei acompanhar no meio dos anos 90, que se chamava Um Conto de Batman ( Legends of the Dark Knight ). Na época, saia em edições quinzenais, com 2, 3 ou 4 edições, contos individuais e de fora da cronologia do Morcegão, mas que em alguns casos se tornava canónico e em outros, não. Até mesmo porque em muitos casos era desnecessário, mas eram de tal forma bem escritos e marcantes que acabava deixando a gente muito pensativo depois, muitas vezes impressionado.
batman volta sanidadeEste é o primeiro de vários que eu pretendo postar no blog e isso aconteceu porque estive em uma feita de sebos de HQ e comprei uma que eu não tinha comprado na época ( ate porque era época de forte inflação, com os preços em tabelas que mudavam praticamente toda semana ) e a grana estava mais curta do que o normal.
Em De Volta a Sanidade ( Going Sane ), temos o vilão mor do Batman: O Coringa. E é uma história pra lá de interessante. Inevitavelmente você pode trombar com alguns spoilers aqui, ok ? Mas não é nada demais, prometo.
Eu acho genial quando as histórias tem um aspecto psicológico forte como aqui. E entra em debate um ponto mega importante: A dependência emocional do Coringa em relação ao Batman e vice-versa. Esta é uma das melhores representações do desequilíbrio mortal do palhaço e da loucura dele magistralmente retratada. Gosto quando o autor é criativo ao ponto de não precisar apelar para coisas mega grandiosas. É bacana ver o Batman enfrentando um cara tão mortal como o Coringa, enfrentando medos, pensamentos… vendo ele próprio no limiar da loucura. Sem comparação, batman volta sanidadequestionando seus atos, suas escolhas, suas reações… questionando a própria sanidade que nos faz pensar se o titulo se refere ao vilão ou ao Batman, servindo ao mesmo tempo para os dois, uma vez que em determinado momento parece que o maluco troca de lugar com o saudável. Acho que dramas psicológicos assim enriquecem demais e ao mesmo tempo que a trama é inteligente, prende a gente o tempo todo ao contraponto dos desenho serem bem caricatos, com um Coringa em traços exagerados, com queixo gigante que reforça muito mais seu sorriso maquiavélico e que quando ele passa por são deixaram imagem disforme, que não se encaixa. Neste roteiro de J. M. de Matteis vamos da raiva até a surpresa, chegando as lagrimas nos olhos quando uma inocente sente toda a tristeza de um relacionamento que, embora muito real pra ela, nunca existiu. Muito inteligente, uma historia triste e coerente, muita reflexão e muita exposição da alma verdadeira de um herói como só o Batman pode ser. Um lance meio o médico e o monstro, com pitadas de “two stories”. O paralelismo, o reencontro. Aliás fazer roteiros com forte teor de conflito psicológico parece ser uma das qualidades do autor, que também escreveu o excelente “A última caçada de Kraven”, que tem uma resenha só dela aqui.
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Os traços são do Joe Staton, e mesmo quem não gostar, precisa dar o braço a torcer pela narrativa, sequencia e expressão emocional dos personagens. Um traço aparentemente de qualquer jeito, mas todo pensado. É preciso entender que um bom artista se adapta à historia, se torna versátil para contar a historia, e não fica engessado apenas no seu estilo. Este desenho, cheio de achuras que parecem ter sido feitas as pressas, mas que na verdade era o que a historia pedia. Note que a própria achura varia dependendo do momento da narrativa. Tudo antagônico, tudo no contra ponto. Esta preocupação em narrar o inconsciente junto com o consciente, o invisível, junto com o visível, é de uma inteligência sinistra. Tudo em torno do Coringa e do Batman, sem nada mais.  Todo o resto é consequência, é pano de fundo, são apenas pessoas que não sabem porque estão ali, mas estão. Meros bonecos da trama, importantes apenas para dar cama aos principais e mesmo assim, batman volta sanidadedramáticos e necessários. Não é uma historia fácil de escrever. Crises e tramas gigantes cheias de protagonistas são fáceis de escrever, mas tramas assim, ricas na complexidade dramática e psicológica, não. Este cara, de Matteis, certamente bebeu dos livros de Jung e do Campbell. Tudo se resume a momentos, esta historia é um momento. Ela não muda nada na vida dos dois heróis, mas ao mesmo tempo muda muito a forma de pensarmos no relacionamento interior de ambos.
Sinto-me muito limitado a escrever sobre esta mini-serie porque senão revelaria muitos spans e acho isso tão desagradável, porque sem poder abrir mais da trama parece que estou tentando vender algo pra você e não é isso. Juro… rs… 
Então, se você gosta de ler uma boa trama e está meio cansado das historias rasas atuais, faça um favor a si mesmo e cave um sebo ou um scan pra poder ter acesso a isso.
Recomendo a série “Um Conto de Batman” de olhos vendados.
 
Abraços do Quadrinheiro Véio !
 

 

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Lendas do Cavaleiro das Trevas – Alan Davis

Olá amigos leitores de HQ’s, malucos de pedra como eu !

Acho que dentre os super-herois, de todos que existem e que eu leio desde sempre, fica difícil eleger o que eu mais gosto… mas o Batman fica certamente entre os principais pra mim. Não apenas pelo personagem em si ( embora eu adore os paranóicos, psicóticos e traumatizados como ele ), mas pela constância de boas historias. O tempo passa, entra e sai um monte de porcarias em todos os cantos, em todos os heróis, mas o Batman consegue ter bem menos porcarias do que a maioria ( fica aqui minha ressalva sobre o lixo corporação Batman )… de modo geral, ele sempre esta ma média pra cima nos roteiros e a versatilidade que tem entre ser apenas um `cuidador` de uma cidade e ao mesmo tempo, o maior estrategista do universo DC ( vencendo até os super grandes vilões e heróis, né azulão ? ) deixa ele como sendo um dos grandes, mesmo sem poder algum. E acho que você, mesmo não gostando, deve concordar com isso. Se não concorda, por favor, divida sua opinião comigo nos comentários. Aqui neste blog não tem censura. Se eu posso expor minha opinião, você também pode, ok ?
 
Alan Davis
Pois bem, vamos para a coleção “Lendas do Cavaleiro das Trevas – Alan Davis“. Nestas duas edições que vou comentar aqui, estão reunidas boas historias do Batman da época dos anos 80, quando ele se consagrou como o maior detetive do mundo Aliás, como sou um grande fã de historias de detetives, Sherlock Holmes e etc… eu realmente vibrava quando lia estas historias, que aqui no Brasil saíram lá pelo final dos anos 80… E mesmo tendo lido e acompanhado na época, hoje ainda vibro ao reler em formato original estas historias. Como sempre costumo frisar aqui no blog, gosto do que me emociona, e ver o Sherlock Holmes ajudando o Batman emociona muito.
Alan DavisEstas publicações da Panini trazem historias desenhadas por Alan Davis e escritas por Mike W Barr. Curiosamente sai roteiros muito legais, divertidos e simples, mas com um peso enorme. E o mais legal é ver situações de um Batman que desde o Cavaleiro das Trevas e Crise nas Infinitas Terras, a gente passou a ver cada vez menos, que é aquele  vigilante amigo das pessoas, da policia, que anda por aí a pé no meio da rua, de dia. Acho bacana demais… adoro esta época. As historias eram mais mundanas, menos fantásticas, e ao mesmo tempo esta dose de surrealidade. Não acho que seja melhor ou pior do que hoje em dia, mas posso dizer claramente que gosto mais desta época, seja por nostalgia da minha infância, seja por gosto pessoal.
 
Alan DavisNas primeiras historias da edição 1, temos o morcego enfrentando o coringa, com um dos melhores traços dele. Eu gosto muito desta aparência que o Davis usou. E a loucura dele é uma delicia. Alias, adoro o Coringa justamente pela loucura. A Mulher Gato com aquele traje meio vestido, meio sobretudo, meio sei lá o quê e o Robin Jason Todd criança, bem criança mesmo. Em seguida ele enfrenta o Espantalho. Eu adoro esta inocência, este preto-no-branco desta época… roteiros mais simples, precisando explicar menos. Parece que a gente aceitava melhor as incoerências do que hoje em dia. Costumo brincar que a gente usava mais a imaginação, se permitia mais. E parece que hoje em dia a gente quer ver mais verdade, se permite viajar menos, se permite imaginar menos. Alan DavisNa minha infância, uma caixa de madeiras de frutas de uma quitanda, presa nas costas com corda de nylon de varal e meio cabo de vassoura amarrado na ponta com uma corda e a outra ponta na caixa nas costas já me fazia uma mochila de prótons dos Caça-Fantasmas e eu já me divertia muito… hoje em dia, se um brinquedo não brinca sozinho, as crianças parecem se desinteressar muito cedo.
 
Alan DavisA segunda edição traz o Cruzado Encapuzado ( hehehehe… termo engraçado ) enfrentando o Chapeleiro Louco e o Ceifador. Curiosamente, hoje em dia, fica difícil pra muitos conseguirem encaixar de modo verossível um personagem como o Chapeleiro, pelos mesmos motivos que eu apontei acima. Alias nesta edição tem uma sequencia que eu acho sensacional, começando na pagina 55… Provavelmente já entrando mais no espirito do que viria a ser uma grande marca do personagem, esta característica de “morar” nas sombras. Já o Ceifador teve um papel muito importante nesta época, e acho que só por isso, já vale a leitura. Fora que na opinião de muitos, o desenho animado “A Máscada do Fantasma” é o melhor roteiro do Morcego até hoje, melhor que muito filme e tem um ‘pezinho’ nesta fase. Se ainda não viu esta animação, assista. Tipo, assista hoje. Não, melhor ainda, assista agora… hehehe…
Alan Davis
 
Recomendo as duas edições. Vocês me conhecem a tempo suficiente pra saber que se eu acho ruim, eu falo mesmo. Estas são boas, principalmente pros saudosistas e de gosto simples. Entretenimento gostoso e nostálgico de qualidade.
 
Bom, é isso, acho que falei demais, ando meio empolgado. Espero que tenha gostado. Deixe sua opinião nos comentários ou lá na pagina do FaceBook.
 
Abraços do Quadrinheiro Véio!
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Shazam & a Sociedade dos Monstros

Olá, amigos fãs do esporte… err. digo, amigos leitores de HQ´s !!
Este post é mais simpático do que os que tenho feito, porque eu realmente gostei muito do que eu li em Shazam & a Sociedade dos Monstros, lançado pela Panini Books. Confesso que eu estava evitando desde dezembro comprar esta edição, mas acabei cedendo e estou muito feliz por isso. É uma das edições mais ‘gostosas’ que eu li em anos e sou muito grato por ter podido desfrutar de tamanho prazer.

Ok, pode parecer exagerado a principio, mas explicarei o meu ‘por quê’.

Pra começar, vamos à velha ladainha deste véio que vos fala, que é sobre o nome do personagem. É bom ler uma obra recente em que o herói é chamado pelo nome conhecido dele, e não pelo seu grito de guerra ( licença poética… hehehe ). Pra mim, este é, sempre foi e sempre será o Capitão Marvel da DC. Ponto final. Este lance de chamar ele de Shazam por motivos comerciais me incomoda em absurdo. Acho mesmo que é uma grande perda e sinal de decadência mundial quando a arte começa a dar lugar apenas ao dinheiro. Sei que em todas as áreas do mundo, em todo o período da humanidade isso sempre foi assim, mas isso não me faz mais contente por saber isso. Sei que todo artista precisa comer, vestir e ter um teto, mas penso que prostituição da arte e do idealismo é um grande desperdício de tempo e de talento humano. Ser fiel à sua própria mente eleva a humanidade, pois pensamentos diferentes, complementam-se e somam… pensamentos iguais não levam a nenhuma evolução. Mas como infelizmente a maioria das pessoas querem o conforto e o lugar seguro e comum, estagnamos e em algumas áreas até andamos pra traz. Aí, quando lemos um escritor mais ousado, como Alan Moore foi, Frank Miller, David Mazzucchelli, Byrne entre outros, achamos que é incrível. Mas a verdade é que estes mesmos já fizeram trabalhos meia boca e continuaram ousando, compartilhando com o mundo todo seus próprios pontos de vista, sem carecer de aprovação alheia. E entre seus erros e acertos, contribuiu pra evolução da maioria. Ou seja, ser ousado e falar o que pensa, dividir a opinião, criação e idéias, mesmo que isso não seja comercial ou monetizável através de uma pesquisa de mercado, colabora pro mundo. Vender mais e aumentar lucros, colabora apenas com os donos das editoras. Pena. Isso só pra citar no meio em que está a nossa paixão, que são as HQ´s. Porém sabemos que acontece em todos os campos da humanidade. Creio que isso tem chance de mudar, já que a internet elevou e libertou o pensamento, porém esta massificação também pode levar a uma estabilização da mediocridade. Cuidado, amigos… tenham pensamentos próprios ! Ousem !

Acho mesmo que é uma grande perda e sinal de decadência mundial quando a arte começa a dar lugar apenas ao dinheiro. Sei que em todas as áreas do mundo, em todo o período da humanidade isso sempre foi assim, mas não me faz mais contente saber isso. Sei que todo artista precisa comer, vestir e ter um teto, mas penso que prostituição da arte e do idealismo é um grande desperdício de tempo e de talento humano. Ser fiel à sua própria mente eleva a humanidade, pois pensamentos diferentes, complementam-se e somam… pensamentos iguais não levam a nenhuma evolução. Mas como infelizmente a maioria das pessoas querem o conforto e o lugar seguro e comum, estagnamos e em algumas áreas até andamos pra traz. Aí, quando lemos um escritor mais ousado, como

Voltando pro livro, em capa dura e tudo o mais, bem bonito, temos uma re-contada origem do Capitão Marvel, com o pequeno Billy Batson bem pequeno, mas naquela proporção tipica do Bone. Tem também sua irmãzinha, a Mary Batson, e ela está muuuuito engraçadinha. Pimenta de tudo e quando se torna a Mary Marvel, não fica adulta, mas criança mesmo… super divertida. Não sou o mais adepto de re-origens, mas esta ficou deliciosamente inocente, e é esta inocência que faz a leitura valer a pena. Com a presença do Sr. Cérebro e do Doutor Silvana, os vilões mais clássicos da família Marvel, esta publicação me deixou com uma alegria nostálgica, bem nos moldes da era de prata dos Quadrinhos, quando a inocência era muito usada e a preservação da mesma era importante. Então temos um traço simples e limpo, a colorização também é limpa e adequada, muito movimento, expressões e olhos grandes e os olhos apertadinhos do Capitão que são sua marca registrada principal. Ah é, e também tem o desabafo mais clássico dele logo de cara: Diacho !

Uma das coisas mais notávelmente criativas no Capitão Marvel é o Anagrama SHAZAM, que eu realmente acho que todo mundo deveria gritar todas as manhãs, logo ao acordar, porque invocar estes poderes todos é sempre positivo, se você o fizer conscientemente. Afinal, quem não quer ter a sabedoria de Salomão, a força de Hércules, a resistência de Atlas, o poder de Zeus, a coragem de Aquiles e a velocidade de Mercúrio? O Billy tem expressões bem infantis, seu movimento e gestual, o comportamento são mesmo de uma criança… muito clássico. Mas…. e tem sempre um mas… uma coisa que eu não curti muito foi este lance de ele não se ‘tornar’ o Capitão Marvel, mas ser o receptáculo dele e com o tempo acabarem se tornando um só. Eu nunca tinha ouvido falar disso. Pra mim, ele recebia os poderem do Capitão Marvel, mas era sempre o Billy. Claro que o Billy originalmente não era uma criança tão nova, era mais adolescente, mas isso de o Capitão ser um e o Billy ser outro, meio que… me desagradou um pouco.

Creio que tirando isso, as outras mudanças e criações foram bem interessantes, me agradaram muito e até a forma como o Tigre, o Sr. Malhado, foi colocado na história é legal. O Capitão sempre foi ligado a magia, e isso fica bem explicito. E não tem esta porcaria de poder de atirar raios que inventaram nos novos 52. Ufa !

Ainda bem que ainda fazem HQ´s pra eu ler. Principalmente por ainda ser o Capitão Marvel e não este Shazam novo, de gorrinho… Tá certo que na época do surgimento do personagem, o que era grande no mundo era a guerra e por isso muitos personagens são os “Capitães” alguma coisa. Mas, poxa, se querem um novo novo, criem um novo personagem, ué !

O Jeff Smith ( que é o criador do Bone ) deu uma dimensão diferente pro Capitão, deixou ele ao mesmo tempo mais moderno, e manteve a essência da inocência. E por tudo isso, eu realmente acho que é uma edição obrigatória.

A leitura é tão gostosa, que eu peguei pra ler sem compromisso no sofá e quando percebi, já tinha terminado, com um sorriso no rosto. Uma expressão que ultimamente me anda rara ao ler coisas novas. Pode ler Shazam Sociedade dos Monstros sem medo.
Acho que é isso, vou ficando por aqui !
Apareça sempre !
Abraços do Quadrinheiro Véio !

 

 

 

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Batman – Silêncio

Olá, Quadrinheiros ! Batman Silencio
A vida continua !
 
Batman Silencio
No post de hoje falarei sobre esta saga que é um grande momento do homem morcego: Batman – Silencio ( Hush ). Esta saga originalmente publicada em 2002/03, em Batman 608 até 618 tem uma pegada sensacional. E sendo o Batman um dos grandes personagens da DC, esta saga define e homenageia ele de muitas formas, seja ao usar vários dos inimigos dele, seja ao colocá-lo como o grande detetive que é, seus dramas, personalidade e pensamentos… e com um extra: mais uma pequena surra dele no Super-homem !! Não que eu não gosto de azulão, eu gosto… mas é legal ver o Batman bater no Super… muito legal. E uma coisa que mostra Batman Silenciobastante nesta HQ é que o esforço do Bruce pra manter seu foco é quase hercúleo. Ele só não é um louco por muito pouco… não pode se desviar nem um minuto, porque a depressão e culpa que ele sente são enormes, deixando-o numa linha bem fina entre a loucura e a paranoia e a sensatez. Também é possível perceber o nível de narcisismo que ele tem, por se achar responsável por tudo… mesmo quando as vezes a lucidez bate e ele percebe que não é bem assim, que todos tem escolhas, independente dos atos dele mesmo. 
Batman SilencioEm Hush somos introduzidos a um novo vilão, conhecido como Silêncio. Interessante perceber que este apelido é dado a ele pelos outros vilões. Ele mesmo não se auto denomina desta forma. Uma coisa legal de ler um encadernado ( como foi o meu caso, já que li as edições 1 e 2 da nova coleção de graphic novels da DC, lançada ainda em fase de testes pela Eaglemoss ) é que não temos que ficar um ano na angustia. Por outro lado, não temos tempo de ficar realmente angustiados por um período longo, consumindo muito rápido uma história que eu amaria ter degustado na época dela e no tempo dela. A angustia de não saber quem está por trás, mas com tudo tão bem amarrado, é uma dor gostosa de sentir. É muito legal a gente ficar tentando investigar junto com o maior detetive do mundo e, uma coisa mais legal ainda é quando você começa a deduzir tudo antes do próprio personagem e começa a torcer por ele. Quadrinhos tem que emocionar, sempre menciono isso, e em Silêncio, a gente é pego em diálogo interno e em conflito de sentimentos o tempo todo.
Batman Silencio

O fator psicológico envolvido em HQ´s do Batman são, para minha pessoa, o maior atrativo. Adoro os diálogos internos, os pensamentos, a forma como ele se move interiormente. A neurose dele beira a psicose e isso deixa ele muito apaixonante. Em “Silêncio” ele não chega perto de enlouquecer como na “Queda do Morcego” mas só porque o vilão não desejava isso. O vilão, louco demais também, queria apenas mostrar que era superior e ao final se mostrou um psicopata muito bem construído. De forma muito inteligente, Jeph Loeb amarra a saga do começo ao final e as Batman Silenciolembranças do passado vão dando pistas o tempo todo até o final. Aliás, acho que o final poderia ser um ‘pouquinho’ melhor, mas mesmo assim, a saga inteira é ótima. O envolvimento de quase todos os personagens da ‘familia morcego’, até mesmo a Caçadora, é algo gostoso de ler. Sou muito fã da fase do Neal Adams no cruzado emcapuzado, pelo fator detetivesco e Loeb traz isso de volta muito bem. As mudanças nos vilões de poio são ótimas, bem como suas motivações muito bem definidas. A obstinação do Batman em resolver o caso ficando dias sem dormir é muito bem pensado, deixa o personagem descuidado e isso voga em favor da história. A forma com que as amizades são exploradas também é muito legal. Se uma pessoa conhece pouco da história do Batman, ao ler Silêncio, consegue ficar a par de muitas passagens importantes na vida dele porque muito é citado e considerado para elevar o nível do conflito interno do Bruce Wayne.

Batman Silencio

 E nos desenhos, o grande Jim Lee, pra mim um dos grandes desenhistas que revolucionou os anos 90, junto com Todd Mc Farlane e alguns outros. E com o traço mais amadurecido sem perder a personalidade de suas achuras. Lee tem uma pegada que definiu o estilo de muitos desenhistas, mas ele tem uma vantagem que poucos puderam seguir: Seus quadros de movimento e ele não ‘posteriza’ o tempo todo. Odeio esta mania de alguns desenhistas de fazer uma capa por quadrinho ( hehehe ), acho tão forçado e narcisista… mas o Jim Lee não. Ele empolga. Só gostaria que ele colocasse orelhas maiores no morcego… hehehe…  Ao menos o Batman dele, mesmo bem escuro, é azul e cinza. Não curto muito o Batman de preto. ( véio é fogo !! ) E se precisa de mais motivos para ler esta edição, te dou dois: Mulher-gato e Hera Venenosa. Elas estão ótimas e não apenas no visual. Prefiro a Hera de cabelo liso, mas o cabelo crespo dela nesta história também ficou muito bom. E já ia  Batman Silencio me esquecendo, uma das características mais importantes do Jim Lee são os olhos. Passe um tempo só prestando atenção nos olhares que ele desenha. Os olhos são personagens a parte. Se ele desenhasse um quadrinho mudo, só pelos olhos entenderíamos todo um diálogo. Acho isso ótimo nele. É um dos poucos desenhistas pós anos 90 que eu digo que gosto, porque sou fã demais dos desenhistas dos anos 70 e 80. Adoro os Romitas, Byrne e Frank Miller. Gosto muito mesmo. E Jim Lee está num patamar que poucos dos anos atuais tem.

Bom, é isso… Batman Silêncio impressiona, resgata e emociona. Simples assim. Não está entre as maiores histórias do Morcegão, mas fica muito perto !
 
Abraços do Quadrinheiro Véio.
 
Batman Silencio
 
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Lanterna Verde – A Guerra dos Anéis ( 1 de 2 )

Olá amigos Quadrinheiros.

Começo agradecendo ao apoio de vocês, é sempre muito bom saber que tenho bons amigos que gostam do mesmo que eu.

Lanterna Verde Guerra dos AnéisHoje comento sobre a famosa Guerra dos Anéis, que está em um encadernado em duas partes e pode ser encontrado nas bancas, pela Panini Books. Esta é a primeira parte e eu como sou um fã muito grande do Lanterna Verde Hal Jordan desde criança ( adoro a edição Superamigos 15, que tem uma capa sensacional ) eu não pude deixar de pegar pra ler, já que fiquei afastado das HQ´s nos últimos 15 anos e retomei este ano. Antes de eu ler eu estava morrendo de medo. Este lance de inventarem tropas de tudo que é cor me irritou muito. Acompanhei meio por cima, mas achei uma zona, e por isso eu estava bem resistente a pegar esta edição em particular pra ler. Só que eu gosto demais do Lanterna Verde e acabei cedendo. Ainda bem. Me surpreendi positivamente. Sensacional !

Pra quem não sabe, a saga ‘A Guerra dos Anéis‘, conta basicamente o surgimento da Tropa Sinestro, publicada originalmente em 2007. Mostra como Sinestro começou a juntar os mais perigosos vilões do universo, principalmente os que são capazes de instilar grande medo. Até o Batman foi ‘tentado’, mas como sabemos, a força de vontade dele é uma das mais absolutas do nosso planeta, né… hehehe… 

É durante esta saga que foi revelado que assim como o Parallax era a entidade do medo no universo, Ion é o nome da entidade da força de vontade. Isso acabou se tornando uma zona depois, quando expandiram pras outras cores. Voltando uns bons anos antes, se você se lembrar bem, após enlouquecerem o maior dos Lanternas Verdes, pra trazer ele de volta inventaram que Hal Jordan havia sido dominado por uma entidade que incorporava o medo de todo universo, e que a origem da fraqueza dos anéis verdes à cor amarela era pelo fato desta entidade estar sendo mantida presa dentro da bateria. Como podem ser tão criativos estes roteiristas, não ? rs… Bom, aí pra poder justificar a bela bagunça que fizeram com o Hal, disseram que ele estava possuído por esta entidade, de nome Parallax. ( Paralaxe é uma diferença na posição de um corpo devido a esse ser visto de duas posições diferentes. Ou seja, não tem nada a ver com uma entidade do medo, mas tem muito a ver com a mudança do Jordan, o que faz a gente perceber que a entidade foi idealizada bem depois do Hal ficar mauzão e matar uma porrada de gente… ).
Assim, conseguiram tirar a entidade que possuía o Hal Jordan e aprisionar ela nas ciencelas dos Guardiões. Na Guerra dos Anéis esta entidade é resgatada pela tropa Sinestro e é colocada dentro do Kyle Rayner, que fica com um visual irado, uma mescla do Hal Parallax com o uniforme original do Kyle. Interessante é que só neste momento ele fica sabendo que era hospedeiro da entidade da força de vontade. Muito criativo, muito louco e embora revolucionário deu uma super agitada no universo da policia verdinha e ainda lançou um monte de personagens novos, e alguns não tão novos foram trazidos de volta, como o Super-ciborgue, o Superboy Prime e um dos vilões que mais me impressionaram na infância: O Anti-monitor ! É uma delicia ter este cara de volta, mal posso esperar pra ler a continuação ! ( Já li, pode ler o artigo aqui )
Como sempre faço questão de mencionar, uma das coisas mais importantes em uma HQ não é somente a história, ou a base, mas sim como ela é contada. E toda história precisa emocionar. Esta faz isso muito bem. É uma história sobre medo, e a gente fica desesperado a edição toda, já que os verdinhos apanham feio, são mortos feito moscas e alguns tabus milenares são quebrados. Pensa que legal, a base de poder dos vilões é o medo e você sente isso o tempo todo ao ler o livro. Inclusive ao perceber o medo que os próprios Guardiões transmitem… e pra variar, como em todas as histórias dos LV, eles estão sempre enganados. Não entendo como conseguiram ser os Guardiões. Aliás, tem um momento que o Hal os define direitinho: Eles nunca voaram, mas querem comandar como os pilotos devem voar… bem inteligente. Fora os diálogos entre Guy Gardner, Hal e John Stuart, sobre coisas das épocas anteriores… para deleite dos velhinhos como eu. E tem uma parte adorável, embora seja apelativa e seja exatamente o que os amarelos querem: Os guardiões tiram a limitação de usar ‘força letal’ com os anéis. Ou seja, agora eles podem matar. Acho que não perceberam o quanto isso, embora aparente necessário, os torna tão ‘maus’ quanto os inimigos que eles querem derrotar.
Parabéns ao Geoff Johns e ao Dave Gibbons pela condução de uma história que nenhum fã da Tropa pode reclamar. E olha que sou um saudosista do uniforme azul clássico do Sinestro. Tem 4 desenhistas assinando este livro, entre eles o brasileiro Ivan Reis. A semelhança dos traços é tão grande que a gente nem percebe que mudou de desenhista. A HQ é muito bem desenhada, com destaque para as páginas inteiras e duplas que dão uma dimensão enorme do problema que a galerinha do anel verde vai enfrentar. Arrisco-me a dizer que esta saga é um grande clássico e que lamento muito terem inventado este lance de várias tropas após o sucesso desta saga. Podiam ficar só nestas duas e pronto. Mas como o que manda é o dinheiro, a editora precisa ficar inovando sempre. E como sempre acabo dizendo por aqui, deixei de ser o publico alvo das editoras de heróis a alguns anos, porque não é possível que novos 52 possa ser considerado algo bom por qualquer leitor dos anos 80/90, que tenha vivido esta época e não apenas lido depois. Aliás, digo pra vocês uma coisa com convicção: Ler na época de lançamento é essencial para sentir tudo o que a HQ propõe. Teve um post que vi recentemente de uma pessoa que leu Guerras Secretas da Marvel ( meu artigo aqui ) a poucos dias e que não achou nada demais. E ele tem razão, só tendo lido naquela época pra entender e sentir de verdade. Se você não souber se deslocar praquela época, infelizmente não conseguirá sentir nem esta e nem várias outras HQ´s poderosas dos anos 80. ( Claro que tem edições atemporais que podemos ler hoje e ver como são fodas… são as excessões que confirmam a regra, mas são poucas. )
Lanterna Verde Guerra dos Anéis
E se me permitirem uma dica, prestem atenção em toda simbologia presente neste livro. Não falo dos símbolos do peito dos personagens, mas dos símbolos das cores, dos rótulos, dos posicionamentos de cada um, de suas motivações. É muito legal e bem pensado. HQ é sobre simbolo. Sem isso, não temos como nos identificar e nos inspirar com o que nos é apresentado, com nos aventurarmos fora do corpo, como se estivéssemos escondidos atrás de uma pedra no meio de uma batalha.
Recomendo a leitura, principalmente se você é fã do Lanterna Verde.
Mal posso esperar pela segunda parte !
Abraços do Quadrinheiro Véio !
 
Lanterna Verde Guerra dos Anéis

 

Lanterna Verde Guerra dos Anéis
 
 http://oquadrinheiroveio.blogspot.com.br/2014/10/lanterna-verde-guerra-dos-aneis-1-de-2.html

Watchmen

Falar sobre Watchmen não é tarefa facil pra mim. Watchmen é simplesmente uma das principais publicWatchmenações dos anos 80, e é este o tom que darei neste post. Não vou ficar falando da obra hoje, do filme, e etc… mas do que foi ler Watchmen naquela época, durante a guerra fria. Durante um período de medo, quando ninguém sabia como e quando um doido poderia apertar um botão vermelho e uma guerra nuclear começar e destruir o mundo. E é neste clima que Alan Moore foi genial e escreveu sua obra prima, pra mim a mais definitiva.
 
WWatchmenatchmen fala sobre medo, mais diretamente sobre insegurança, sobre a paranoia que imperava sobre bomba nuclear. Não é sobre heróis, mas sobre pessoas que querem fazer a diferença, que querem salvar o mundo. Sério, gente. Nos anos 80 tudo que a gente mais via na TV era a Guerra Fria. Foi uma época de revoluções políticas no mundo todo, e a arte correspondia a isso. A arte ainda não era contaminada pelo marketing. Claro que ela queria vender, mas ela queria vender como arte e não como consumo. Havia uma preocupação em fazer estórias boas que vendessem e não estórias que vendessem muito mas não acrescentassem nada na vida das pessoas, como ocorre hoje. A arte anda tão perdida nos dias de hoje, que tudo que faz sucesso, seja HQ, cinema ou TV, nasceu antes de 1990. Podem reparar.
 
Tive mesmo a sorte de ter vivido e lido estes vigilantes na época em que foi feito. Por isso que Alan Moore foi contra esta série “Before Watchmen”. Só entende que viveu aquilo, é uma arte vivida pra ser sentida e não apenas uma HQ a mais na banca pra nostalgicos comprar e se decepcionarem. Ou pros novos leitores, sem identidade, ficarem lendo algo feito pro dinheiro deles e não pra eles. Onde estão as estórias dos anos 2000 ? O que fala da realidade de hoje ? Não tem… o povo de hoje é mais alienado, prefere ser iludido, e deixar pros que pensam dominar o mundo atraves do consumo e do dinheiro. Paciência. Meu blog, minhas palavras, minha opinião. Mas nada disso é uma verdade absoluta, é só o que eu vejo. E na minha limitação humana posso e espero estar enganado. Discorde a vontade, mas pense sobre isso tudo que estou compartilhando com você neste momento.
Bom, dito isso, Watchmen é algo que deve ser lido e relido muitas vezes e em
várias fases da sua vida. O medo e a constante sensação de “fim de mundo” que ele projeta é muito bem feita. E isso é assim porque traduz pra HQ o sentimento dos americanos na época. Quando você vê um Dr. Manhattan surgindo, justamente como um “filho do átomo”, a pura e simples personificação da insegurança mundial. A transcrição de uma consciência tão mortal e superior que mostra como somos todos pequeninos, e simbolizado pela simplicidade do átomo mais simples que é conhecido, o hidrogênio. Ele resume tudo, o quanto a existência era efemera, ao menos era como nos sentíamos. Então, temos o Comediante, o linha dura realista, pé no chão, desesperado. O Rorschach que brilhantemente refletia o psicológico, o inconsciente coletivo na individualidade humana, fruto de toda a mudança e expectativa de morte da Guerra Fria. O genial Ozymandias simbolizando o conhecimento humano, a base de todo conhecimento egípcio que é a origem de 90% de todo conhecimento espiritual que vivemos hoje e o Coruja, o humano comum, com a humana comum, a Silk Spectre. A trama toda se resume em unir a humanidade, em fazer todo mundo entender que por mais que tudo pareça separado, aos olhos do cosmos, somos todos uma só coisa. E infelizmente é preciso um grande cataclismo pra todo mundo perceber isso, e é isso que o Ozymandias, o homem mais inteligente do mundo, percebe. E quando o “deus” Dr. Manhattan entende isso, ele mesmo aprova. Aliás, preste muita atenção na profundidade dos diálogos, todos os diálogos dizem mais do que estão dizendo.
Outra passagem muito fodastica é justamente o diálogo que o John tem com
a Laurie em Marte. A forma como ele percebe a magnificência da vida é muito linda. Um ser que pode ver tudo no universo físico percebendo que, mesmo ele, é apenas uma produção material, e que sempre haverá algo maior, algo que pra uma pessoa que dominou tudo no plano material, agora precisa, ele mesmo, entender o que é a vida e por isso opta por sair pra “criar”. Olha que majestoso ? Olha a espiritualidade disso. Moore consegue isso em tudo que ele escreve. Desde Monstro do Pantano à 300. O simbolismo de um simples pedaço de vidro desmoronar uma estrutura inteira… representando a fragilidade do pensamento.
 
E o que dizer de Dave Gibbons ? Sério gente… o traço e as expressões dele nesta série são tão bem desenhadas, que a gente gela a espinha. Watchmen dá medo, traz reflexão… e a quantidade de simbologia presente é tão grande, que leva uma vida pra encontrar e refletir sobre todas elas. A coloração é toda fria, o tempo todo John Higgins deixou ela plana e sóbria, falando por si só. Sério, ler Watchmen e não se emocionar, não ficar pensativo, não repensar sua vida, suas escolhas e seu papel no mundo, é perder tempo. Não faça isso com você. Não a leia por ler, vá ler qualquer porcaria dos anos 2000, mas só leia Watchmen se estiver disposto a entender que HQ pode ser arte.
Se você ainda não conhece ou leu, recomendo Watchmen… aliás, não, não recomendo não.
Creio que algumas HQs tem um conceito artístico tão ligado ao ambiente histórico, que pra entender ela na sua essência e profundidade, seria preciso ter vivido a época. O filme é muito bom, genial, mas não conseguiu transcrever isso, virou entretenimento. Aliás, como tudo que é entretenimento hoje em dia, descartável e consumível.
Era isso o que o meu xará Alan Moore queria dizer ao desaprovar a produção. Não tem nada a ver trazer Watchmen pro hoje, porque muita gente não pode entender a mensagem dele. E como artista, ele não quer só vender, ele quer ser compreendido. Ele quer que as pessoas entendam a mensagem e não apenas comprem a obra dele. Acho que o mundo precisa se tornar mais interessante de novo, ter pessoas originais fazendo suas idéias e não pensando “o que eu posso fazer que o outro possa querer”. 
Bom, falei demais pro meu tamanho. Em alguns assuntos, ainda sou um “Velho Ranzinza“.
 
Abraços do Quadrinheiro Véio.
 

 

Watchmen

 

Watchmen
 

Lanterna Verde e Arqueiro Verde

Normalmente eu costumo falar sobre Graphic Novels ou sagas mais fechadas, encadernadas, mini-séries e coisas do tipo. Mas hoje eu vou falar sobre uma pequena passagem muito marcante das HQ, em que houve a conjunção do Lanterna Verde com o Arqueiro Verde. E foi uma das mais memoráveis fases das HQ dos anos 70, redefinindo ambos os personagens. Inclusive sendo lançado em duas edições especiais pela Panini em 2006.
A época pedia uma mudança de comportamento, e os personagens precisavam
de algo que desse uma balançada. Então, a DC colocou Dennis O´Neill e Neal Adams pra dar esta nova “Cara” pra eles. Só que o resultado acabou ficando melhor do que o esperado. E é dificil falar sobre este momento sem recorrer ao saudosismo. Afinal, era uma época em que os quadrinhos experimentavam uma fase mais inocente, ao mesmo tempo que começava a haver uma preocupação em trazer pra realidade comum das pessoas tudo que se apresentava nas revistas. Em vista disso, dentre outras coisas, Hal e Ollie enfrentam situações de preconceito, discriminação, drogas, miséria e pobreza ao viajar de carro pelo interior dos EUA.

O Lanterna Verde é praticamente um policial espacial, tem aquele senso de certo e errado baseado em leis, mas nunca levava em consideração as graduações, as nuances de justiça. E o Arqueiro Verde estava mais em solo, morando num bairro pobre, simples, vendo o dia a dia das pessoas mais simples. E tudo isso nos anos 70. É bacana que o Arqueiro intima o Lanterna a ver as coisas da forma dele, e ele topa, até memso porque logo no começo, o Hal é chamado pra OA pra se explicar sobre abuso de poder e o Arqueiro convida-os para ir até lá e conhecer de verdade o
modo de vida humano da Terra. Um deles se oferece e passa a viajar de caminhonete com o os heróis e percebe que começa a ser tornar mais humano, ao questionar o uso da emoção sobre a razão. É muito bom pra reflexão, fazia a gente pensar, olhar em torno de nós mesmos, de nossa vida mesmo nos dias de hoje. E é também neste entre-meios que o sidekick do Arqueiro Verde, Roy Harper que na época era o Ricardito, se torna um viciado e com a ajuda da Canário Negro consegue se livrar do vício. O confronto dele com o Oliver, um confronto intelectual, de palavras, é emocionante. E é totalmente a cara dos anos 70. 


Vale mesmo a pena conferir, porque da forma que foi retratada esta passagem, virou um clássico. Não tenho certeza, mas creio que foi a primeira vez que foi tratado um assunto tão sério nas HQ´s e de uma forma tão forte, tão densa. E a reação do Arqueiro, sempre machão, sempre com pose de correto e justo, recorre a ira quando descobre seu protegido se drogando justamente porque sente falta de seu tutor. Ao invés de acolher o drogado, o expulsa de casa. Palavras fortes, reações emocionais… roteiro de gênio.

Os desenhos de Neal Adams dispensa qualquer comentário. Pra mim é de longe um dos melhores desenhistas da DC de todos os tempos. Desde Batman até o Lanterna, tudo que ele faz eu realmente gosto. Os traços femininos, as expressões nos olhos, a simplicidade porém com quadros bem pensados e o movimento dos personagens… tudo isso faz a gente se colocar dentro. O rosto da Canário está lindo, delicado, feminino… muito bom mesmo. Sou fã.
Recomendo a leitura. Seguem algumas capas abaixo.
Abraços do Quadrinheiro Véio.




Superboy – Revista de Aço

SUPERBOY

SuperboyHoje gostaria de relembrar um personagem que já teve várias encarnações diferentes, mas vou falar apenas da minha favorita. O Superboy, que seria uma versão adolescente do Super-homem.
Este Superboy surgiu logo após a morte do Super-homem, em 1994. Ele era uma das 4 pessoas que apareceram se intitulando o Azulão que havia retornado. Entre eles estavam o Erradicador ( um artefato kryptoniano feito pra preservar a cultura de Krypton que acaba adquirindo consciencia e um corpo ), o Super-cyborg ( Henry “Hank” Henshaw, um astronauta que consegue transferir sua consciência pra máquinas e que fez isso pela primeira vez na matriz onde o pequeno Kal-el veio pra terra e ali conseguiu seu DNA e clonou seu corpo), o Homem de Aço ( depois conhecido apenas como Aço ) e o Superboy, que odiava ser chamado Superboyassim, mas que depois que o Super-homem diz que ele fez por merecer o nome, começa a usar com orgulho. E este era o único nome dele, já que não tinha identidade secreta e nem um nascer humano como qualquer um.
Este Superboy, criado por Karl Kesel e Tom Grummett tinha uma personalidade muito divertida. Era mais desencanado, brincalhão e era a cara dos adolescentes dos anos 90. Com o uniforme mais cool, usando uma jaquetinha preta com a logo costurada atrás, um par de óculos redodinhos, luvas e um par de cintos, pra mim é um dos uniformes mais legais desenhados pro personagem até hoje.
Logo de cara ele participa de todo o arco de histórias do “Retorno do Superman“, ajudando o original a derrotar o Super-cyborg que se revela um vilão de grosso calibre.
 
Após esta turbulência ele se depara com a continuação de sua vida. Aparece um empresário bem meia boca Rex Leech que tem uma filha adolescente, Roxy Leech, que tem uma paixão pelo garoto, mas não admite. 
Na primeira edição da revista é revelado que o novo Superboy é fruto de um experimento do Cadmus que se preparava pra ter um novo Super-homem caso o original viesse a falecer. Entretanto, o DNA kryptoniano é indecifrável e eles preencheram os vazios como acharam melhor. Assim, este Superboy não tem todos os poderes do original, mas tem um poder interessantíssimo: Telecinese táctil, que simula a força e o poder de voo, bem como a invulnerabilidade. Assim, em uma turnê pelo país, ele passa pelo Hawaii e resolve fixar moradia lá quando conhece a Tanna Moon, uma reporter que ele acaba namorando. ( Coincidência, né… reporter… ). Então vive com o empresário, sua filha e com Dubilex que se

torna sua “babá“. Como ele fugiu antes de terminar sua maturação, o processo mental e corporal dele parou em 16 anos de idade. É divertido ver ele citando obras e referencias que ele nunca viu, mas as memórias implantadas davam a ele mesmo assim. Como quando ele diz ao Super-homem que vai seguir em direção a 2a. estrela, rumo ao amanhecer. Kal-el diz que citar Peter Pan é conveniente, e ele diz que quem disse isso foi o Capitão Kirk. ( hehehehe….véio adora… )

Achei muito inteligente e divertida esta fase do personagem. Ele tinha personalidade, estava num lugar diferente, de praia, enfrentando novos vilões, aprendendo, e as memórias dele, que não são dele, vão sendo mostradas pra gente. É curioso ver o “marketing” que o empresário dele faz. Tudo muito inteligente. Vale a pena procurar por esta fase se você não a leu. É muito anos 90, muito legal mesmo.

Nas revistas de série do Superboy que foi lançado na época também havia histórias do Super-homem cabeludo. Numa delas, ele enfrenta o Lobo e é legal ao final o Maioral admitir que o Super ainda é um babaca, mas o babaca mais barra pesada do universo… hehehe… 

Devido ao GAP de minha leitura ao final  dos anos 90 até uma ou outra edição durante os últimos 10 anos, eu não sei como ele virou este Connor Kent chato pra dedéu que está nas histórias dos Novos Titãs e que fez parte da Young Justice. Parece que um tempo depois, foi dito que o DNA que foi usado pra preencher os “buracos” no DNA kryptoniano era do Lex Luthor. Por algum motivo, após este retcon, ele perdeu a inocência e jovialidade, ficando um cara mala, com comportamento depressivo, frio e distante. Ou seja, cagaram no personagem, com todo respeito a você que lê isso. Se alguém puder me contar mais nos comentários, agradeço.
Outro fato curioso é o preço… a revista foi lançada no Brasil em novembro de 1994, por R$ 1,45. Fatidicamente, a edição número 10, já estava R$ 1,80. Olha só como era mais fácil comprar nesta época, mesmo com esta inflação, acho que pouco se justifica nos dias de hoje este preço excessivo das revistas da Panini. Quadrinhos hoje em dia é pra elite… na minha época, era cala-boca de criança, de tão baratinho.
 
Abraços do Quadrinheiro Véio.
 
 

  

 
Bonus:
O Superboy dos desenho animados dos anos 70/80.
 
 

Batman: Morte em Família

Escrever sobre o Batman é uma delícia. Pra mim, é simplesmente um dos melhores personagens já criados para os quadrinhos. É complexo e polêmico. É de tal profundidade e simplicidade que mesmo o mais certinho dos mortais se identifica com ele.
 
morte em família
Morte em Família é um arco de histórias dos mais importantes já feitos com o cruzado encapuzado de Gothan. É uma obra prima que revirou tudo numa época em que várias histórias na linha de reviravoltas e mortes importantes estava em alta. Matar um Robin era algo muito forte na época. Ainda mais o Jason Todd que era muito diferente do Dick Grayson. Jason era colérico, indisciplinado. Fora o ineditismo de deixar o final por conta de votação do público por telefone. Algo que até então não se fazia. Apenas muitos anos depois foi mostrada a página que seria lançada caso a votação fosse contrária, em 2006, em Batman Anual 25.
Sempre digo que o final dos anos 80 foram insuperáveis em termos de roteiros, argumentos e mudanças positivas nos quadrinhos. Não porque era meu comecinho de adolescência, mas porque realmente esta época foi o final das invenções… o começo dos anos 90, ali por 95 é marcado pelo começo das inovações, mas sem criações. Para pra olhar… pouca coisa foi inventada no mundo após esta época. Tudo é recriação e inovação. O mundo anda muito chato, né… hehehe…. ( Coisa de véio ).
 
morte em famíliamorte em famíliaEnfim, Morte em Família mostra a descoberta de Jason Todd para o fato de que sua mãe era viva e poderia ser encontrada. Ele fica obcecado por isso e parte pro mundo em busca dela com a ajuda do Bruce Wayne. Dentre 3 opções, sendo uma delas a Lady Shiva, eles viajam o mundo a procura. Entretanto ao encontrá-la descobre que ela está sendo chantageada pelo Coringa. E pra ajudar mais ainda, ela o trai, entregando-o ao vilão que o espanca sem dó. O marcante é o nível de violência do Príncipe palhaço do crime, é  muito forte, dramático, sufocante, ao ponto de ficar de olhos arregalados e se perguntando: ” Como assim ? “. E como se não fosse pouco, ao invés de matá-lo apenas espancado, ainda colocam ele vivo e absorvendo a explosão de uma dinamite para tentar proteger a mãe traidora. Acho que este é um dos pontos altos, ao se ver o quando o Jason é uma boa pessoa. A despeito de ter se tornado amargo e violento depois, quando retorna e com bom motivo, a essência dele ainda e a de ajudar mesmo as pessoas. E olha que esta rejeição materna, mesmo que devido a ela usar drogas, ser uma pessoa de mente fraca, escrava do emocional poderia e deveria pesar mais para a revolta de uma pessoa, mas no caso do Jason, apenas colaborou para que ele reforçasse seu compromisso em ser mais que um herói, mas um super-heroi. Ele ainda não é meu Robin favorito… aliás ele fica à frente apenas do detestável Damian ( que nunca deveria ter existido, convenhamos… ), mas é um Robin original.
 
morte em família
morte em famíliaA história é bem detetivesca até chegar a este ponto, mas quando chega, esquecemos do resto todo.
Após a morte vemos um Bruce soturno, sentindo muita culpa, mais violento. Fazendo de tudo pra encontrar o Coringa. Aqui, vem uma das coisas mais geniais deste arco, pois ao encontrá-lo, o Batman descobre que ele se tornou Embaixador do Irã na ONU e não pode tocar num fio de cabelo dele. Até o Super-Homem é enviado pra ficar de olho no homem morcego.
 
morte em famíliaJim Starlin foi genial em Morte em Família. Soube escrever uma boa história do Batman. A pegada e o ritmo são mesmo bons, a cara da época mesmo, a época das grandes mudanças. Jim Aparo desenhou toda a série com a arte-final de Mike DeCarlo. E devo confessar que eu realmente adoro este visual dele, com o manto azul e a logo oval amarela. E uma das melhores representações do Coringa pra mim. Aquela boca enorme, rosto fino, queixudo, mau. Mas não o mau apenas por ser mau. Um mau doido, doente. Aquele doido varrido, psicótico. O “cachorro que corre atrás do pneu do carro, mas que não sabe o que fazer se conseguir pega-lo“. O bacana deste desenhista é o movimento, o começo de uma tentativa de quebra de quadros. Pode-se notar que ainda seguia-se muito os quadrinhos certinhos, mas em alguns momentos há esta liberdade de misturar. Era uma época em que as histórias eram contadas com mais detalhes, com mais diálogos, sem depender exclusivamente dos desenhos. Um detalhe muito legal é a coloração de Adrienne Roy, mais dura, sem degrades. Uma forma mais colorida, mais viva, mais desenhada, com menos preocupação de ser mais do que apenas uma história muito boa, sendo bem contada. O que dizer ? Adoro !
morte em família
 
Bom, se ainda não leu, leia. Vale muito. Existe uma edição encadernada, que inclusive traz como o Tim Drake se tornou o Robin e aproveite pra ver os Titãs quando ainda eram legais e o Cyborg não era exagerado como é hoje. Saudades do simples… hoje, parece que tudo é “muito muito“. Comentarei sobre este arco num post só dele, porque merece. Chama-se “Um lugar solitário pra morrer“.
 
Abraços do Quadrinheiro Véio.
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Little Friends – By Rawlsy

Little Friends by Rawlsy

Encontrei estas imagens e achei bem engraçadinhas, comparando os heróis de poderes parecidos da Marvel e da DC.
Sei que foge um pouco da proposta do blog, mas…

Divirta-se.

O Quadrinheiro Véio