Capitão América : Tempo Esgotado e Soldado Invernal

Bom dia, amigos do Quadrinheiro Véio.
Hoje vou comentar sobre duas edições do Capitão América que foram lançados recentemente na coleção Marvel da Salvat:
Capitão América: Tempo Esgotado e;
Capitão América: Soldado Invernal
São as edições 44 e 45 da coleção e a lombada está certinha, a minha veio com apenas 1mm de diferença. Aceitável. 😀
Soldado InvernalSoldado InvernalBom, a primeira coisa a se considerar quando se lê sobre o Capitão América é que suas histórias são sempre sobre Guerras, sejam guerras abertas ou secretas, é sempre sobre espionagem, governo e liberdade. Tudo muito bonito, exceto que em sua maioria, no meu gosto pessoal, é muito chato. Entretanto como leio o Capitão desde que eu era um molequinho, achei muito bom este arco de histórias, que originalmente foi publicado no número de 1 a 14 do volume 5 de Capitão América. Nesta série vemos o Capitão em busca de deter ataques terroristas e percebe em certo momento que quem está por trás é um russo, resto da guerra fria, que tem como arma secreta o Soldado Invernal, que é uma lenda até então. Não vou contar mais detalhes do enredo, acho que é bacana você ler e ter a sua percepção pessoal, mas te digo que é boa. Não está entre as melhores do mundo, mas merece destaque pela importância.
Soldado Invernal

Acho bacana falar sobre ele já que em breve teremos o filme baseado neste arco, que mostra o retorno do parceiro adolescente do Capitão América, Bucky Barnes. E acho que o escritor Ed Brubaker foi muito feliz na forma que contou esta volta de um personagem que por muitos anos era considerado intocável assim como o tio Ben do Peter Parker. Soldado InvernalSendo bem sincero não está entre as melhores histórias que eu li do Capitão América, e nem o desenho merece tanto destaque assim. Alguns angulos são bem legais e a coloração é bacana, mas Steve Epting, embora um bom desenhista, não tem algo que destaque, ou chame a atenção digna de nota. É apenas uma boa história do Capitão com um acontecimento marcante pra caramba. Claro que convenhamos que o Capitão após seu retorno nos Vingadores nos anos 60 nunca foi um dos maiores da Marvel ( exceto atualmente, por conta dos filmes… ) como ele era na época original, da guerra mesmo, mas vale a pena a leitura porque o final é bom. A condução toda é meio cansativa, embora o escritor tenha se empenhado muito em dar um passado e preencher as lacunas do Bucky em todos os anos que ele esteve sumido e o preenchimento foi deveras excelente, criativo e crível, além de ser algo novo. Acho que a história toda serve muito mais como reset e referencial, algo para te localizar para o “grand finale” que é o retorno do Bucky no final.

O começo é chocante, já que logo de cara o Caveira Vermelha é morto. E temos uma visão mais clara do verdadeiro Cubo Cósmico, que não é a aberração inventada no filme dos Vingadores. Gosto muito do filme, aliás, vibrei em cada momento no cinema, mas não gosto quando mudam algumas naturezas… claro que tudo isso é a minha opinião e não acho que é melhor do que a de ninguém, é apenas a minha visão. E cada um tem a sua. 😉

 
Quem vemos também acompanhando o Capitão é o Falcão. O personagem está ótimo, verdadeiro, fiel. E também o Homem de Ferro, que ajuda pouco, já que a história se passa logo após o fim dos Vingadores e o Tony está meio ‘falido’. Também vemos o Ossos Cruzados, que de tão fiel ao Caveira Vermelha mesmo morto, vai buscar a filha dele que está sendo mantida em um quartel. Eu nem sabia que o Caveira tinha uma filha, e vemos que ela era mantida com a memória alterada. Apenas vimos este começo na história. Confesso que fiquei bem curioso pra saber o que viria a seguir sobre ela.
Soldado Invernal

Curiosamente eu conheci o Caveira Vermelha quando era criança, no desenho animado do Capitão América dos anos 70… lembro-me que demorei pra acostumar com o nome Caveira Vermelha, já que no desenho ele era chamado de Crânio Vermelho. Coisas de véio… Até tenho alguns episódios desta época em minha videoteka, mas acho que se procurar direitinho acha alguma coisa no Youtube. Acho curioso como tem coisa inútil no youtube e estas coisas clássicas que poderiam estar todas lá, não tem nada… youtube, facebook, falecido orkut… locais de centralização do umbigo pessoal de cada um, não é ? hehehehe… ( Olha quem está falando…. hahhahaha )

Recomendo a leitura, acho que vale a pena porque é uma história que vai se tornar um clássico. Foi tão bem feita que não precisou ser refeita com flashbacks depois, já que a base criada aqui foi sólida. Talvez por isso tenha entrado na coleção, não apenas por conta do frenesi do filme. Fazia anos que nada de importante acontecia ao Capitão e acho que este retorno deu uma grande renovada nele. É uma história de guerra, emoção, reencontro. É Capitão América como ele mesmo, fiel a si mesmo, como gostamos.

Abraços do Quadrinheiro Véio.
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Thor – Renascer dos Deuses

– ” Não cabe aos deuses decidir se o Homem existe ou não… cabe aos homem decidir se os deuses existem ou não.”

Começo este post citando a frase que mais me chamou atenção nesta Graphic Novel. Uma das melhores que eu já li. E embora não tenha sido uma história escrita pra ser uma Graphic Novel e sim as 6 primeiras edições da revista do Thor após o Ragnarok.

Vamos situar um pouco a história, os acontecimentos até aqui. Para os deuses nórdicos, que é a base da história do Thor dos quadrinhos, o Ragnarok é o “fim do mundo”. É a grande batalha final, o armagedom dos deuses, quando todos morrem e Asgard tomba em destruição. ( Nossa, as vezes eu mesmo me impressiono… hehehe ).

Pois então. Após este evento, Thor acaba descobrindo que o Ragnarok não é o fim, mas uma mudança de ciclo de existência. Eles não morrem, eles são “rebootados”. E um dos grandes recriadores de quadrinhos é o J Michael Straczynski ( não vou nem tentar escrever este nome de novo, ok ? ). O tal JMS aí foi muito feliz neste retorno dos Asgardianos, que após o Ragnarok estavam adormecidos, esperando serem convocados e o primeiro deles a acordar é, convenientemente, o próprio deus do relâmpago e do trovão, que foi chamado pelo Dr. Donald Blake, trazendo o alter ego do Thor de volta as histórias de modo muito inteligente. É bem legal ver que a mudança dele, batendo a bengala no chão é usada várias vezes.


Gosto do tom da narrativa, é poético, é inteligente, é como deveria ser. Fico grato por poder ter lido isso. A forma que foram trazidos os asgardianos de novo, os 3 guerreiros, e até o Loki. Uma coisa curiosa é que o Loki voltou mulher. Não sei o que se deu depois disso, mas é bem interessante a forma como ele leva isso. E também uma das melhores passagens é a surra que o Thor dá no Tony Stark, mostrando pra ele quem é que realmente tem poder de verdade. Esta Graphic Novel se passa após os eventos da Guerra Civil, onde o Homem de Ferro traiu o Thor.
Acho que esta revitalização do deus do trovão foi incrível, e considero imperdível. Foi uma recriação mas que trouxe ele de certo modo mais próximo as suas origens nos quadrinhos, resgatando o Thor mais viking, mais durão, mais “deus nordico” mesmo. O traço do francês Olivier Coipel é muito lindo, a forma com que é retratada toda a narrativa é mesmo primorosa. Deu até pra sentir medo do Thor, e isso não tem preço.


Este foi o quarto lançamento da coleção da Salvat. Volume 52. Recomendadíssimo !

Espero que as próximas 6 revistas apareçam mais a frente nesta mesma coleção. Não gosto muito de ler em formato eletrônico ( sou véio, lembra ? ), mas por esta continuação eu passaria por cima disso caso não encontre impresso.

Abraços do Quadrinheiro Véio.

Guerra Secreta

Eu sei que eu havia combinado com vocês de colocar um post da DC, mas acontece que eu sentei pra ler mais uma edição dos Graphic Novels da Salvat e calhou de eu gostar. Não que se eu não gostar não vou escrever, irei sim. Só que achei que enquanto está fresco na memória é melhor pra escrever sobre uma publicação.

Esta guerra secreta não tem NADA a ver com as Guerras Secretas ( Secret Wars ) dos anos 80. Só a semelhança do nome. E, na boa, mesmo sendo uma saga caça-níqueis pra vender brinquedos, achei Secret Wars mais legal do que Guerra Secreta. Claro que devemos respeitar épocas diferentes e narrativas diferentes.

Tudo começa com um ataque fulminante ao Luke Cage. A partir daí, desenrola-se uma história cheia de flashback’s onde Homem-aranha, Wolverine, Capitão América, Demolidor e o próprio Cage haviam sido convocados pelo Cel. Nick Fury para uma missão secreta e escondida do governo americano à Lativéria.

Objetivo: derrubar o atual governo, que aparente mente financiava vilões com armaduras e armas high-tech, com dinheiro que a própria ONU havia doado a eles para reconstruir a nação, após a suposta morte do Dr. Destino.
Não vou contar todo o resto, mas é muito bacana ver como isso se desenrola no presente. Não acompanhei as histórias na época, mas ao final o Nick Fury some, já que havia feito este ataque em segredo e em seu lugar fica a nova diretora da Shield: Maria Hill.

Guerra Secreta é uma história boa, completa, com começo/meio/fim, estruturada e com tudo que a gente gosta em termos de narrativa. Tem suspense, tem segredo, tem reviravolta. Mas não sei se eu que estou ficando velhaco ou muito intuitivo, ultimamente sempre acabo descobrindo quem é o vilão no começo das HQ´s. E isso é triste. Gosto de ser mais surpreendido. E achei uma história boa, mais do mesmo, mas boa. Não posso dizer que achei ótima. Vale a percepção psicológica de cada personagem. O Brian Michael Bendis fez um trabalho muito bom neste sentido. E as fichas da Shield de cada herói e vilão que aparecem na Graphic Novel também é divertida. É sempre legar ler estas fichas.

Claro que é bacana em termos visuais. Só por isso ela já vale a compra. Ainda não sei dizer que estilo este Gabriele Dell’otto tem. ( Sim, antes de eu saber que era “ele”, pensei que era “ela”. Poxa vida… o cara se chama Gabriele e eu sou brasileiro, me desculpem se me enganei, ok ? ). Acho que ele desenha/pinta bem pacas e é um poster dele que vai formar a imagem final das lombadas da coleção da Salvat. Aliás, este é o volume 33, o famoso que deu problema e veio com a lombada torta. Mas como já disse no post anterior, a Salvat muito profissionalmente entrou em contato conosco e vai resolver o problema. Então, iremos aguardar.

Retornando… Adoro quadrinhos que são feitos como pinturas. Comecei a curtir isso com o Ross, quando li Marvels e agora me surpreendi com esta história do Dell’otto. Acho genial como ele usa as cores e fundos, os tons, pra dar a passagem de tempo, de clima emocional, como mais uma forma de contar a história. Gosto de artistas que rompem a comunicação direta, que embutem comunicação nos detalhes. Os ângulos dos personagens também são ótimos. A forma como ele desenha cada um dos heróis e vilões é bem do jeito dele, como o Wolverine com a trancinha na barba, os olhos pequenos e fechados da maioria deles, o Nick Fury original sempre nervosão em estado de ataque. Gosto, recomendo mesmo.

Recomendo a leitura.
Abraço apertado do Quadrinheiro Véio !!! 😉

Vingadores – A Queda

Bem vindo novamente, amigo do Quadrinheiro Véio.

Está parecendo que só gosto de Marvel, já que é o terceiro post do Blog e vou falar de mais uma passagem desta editora. Só que não… Gosto muito de DC Comics também. Prometo que o próximo será sobre uma saga bem legal da DC, que eu gosto muito e que está lá nos meus primórdios quadrinhísticos.

Bom, entrando no assunto do post: Os Vingadores – A Queda. Sabe, eu mesmo tive uma queda legal em quantidade de leitura de quadrinhos após o final dos anos 90 e pouca coisa dos anos 2000 eu acompanhei. Acho que uma sequencia enorme de roteiros bem fracos me fez achar que, ou eu estava ficando velho pra HQ´s ou os roteiros estavam ficando fracos. Percebi que a segunda opção era a que mais condizia com a realidade.A gota d´água foi a saga do Clone do Homem-aranha. Sério, eu a lí inteirinha, todinha, até o final, até o Peter ir embora e ainda li quando ele resolve começar a vida normal escondido no interior e juro que tentei acompanhar o Aranha Escarlate. Até gostei do uniforme do Aranha Escarlate, mas, na boa, aquele uniforme que colocaram no Aranha quando ele assumiu o lugar do Peter… Sério que alguém gostou ? Bom, gosto se respeita… eu já to falando demais pro meu tamanho… hehehe… Outro dia falo sobre esta saga em especial, até mesmo porque preciso encontrar minhas revistas, reler pra poder falar com a memória cheia.

Agora, colecionando esta fantástica coleção da Salvat, acabo de ler o fascículo 34 com esta estorinha espetacular que é a Queda dos Vingadores, no original: “Avengers Disassembled”. A série de autoria de Brian Michael Bendis e desenhada por David Finch começou na edição de Avengers #500 nos EUA e foi até a #504, tendo suas ramificações das demais revistas paralelas dos Vingadores realmente me surpreendeu, ainda mais que se passa em 2004/2005*.

Os Vingadores nunca foram um grupo muito interessante nos quadrinhos, sendo o segundo escalão da Marvel. Desde que eu os lia nos anos 80, sempre achei bem fraquinhas duas histórias, e acho que o Brian também devia achar isso, já que nesta série ele detona legal com a super equipe e de modo muito inteligente, ao ponto de fazer a gente perder o ar em alguns momentos.
Chega a ser delicioso ver a Mulher-hulk se descontrolando, agindo como o Hulk… A forma  surpeendente e repentina com que o autor mata Scott Lang ( Homem-formiga ), o Tony Stark perdendo “as estribeiras” na ONU, a explosão de Jack Hardt, e todo o caminhar pra este final que é uma virada. Todo o diálogo com o Dr. Estranho me pareceu tão bem pensado que não percebi pontas soltas no raciocínio todo. E em um momento de respiro todos que fizeram parte da equipe aparecem no portão da mansão destruída para ser solidários aos membros ativos e do nada uma armada Kree aparece e o pau come solto, logo após um androide Visão moribundo aparecer carregando 5 Ultrons dentro de si pra desespero dos heróis. Só não entendi porque o Thor não aparece, deve ter sido explicado em uma das revistas paralelas que eu não tenho. Se alguém puder me contar, agradeço.
 
Creio que as sacadas e as homenagens foram muito bem pensadas e o desenho está muito bom também. Gosto de pensar que tivemos um momento entre o começo dos anos 90 e meados dos anos 2000 em que foi estabelecido um equilíbrio entre roteiro e desenhos. Lembro-me que a mudança visual começou no começo dos anos 90 e ao mesmo tempo um declínio fenomenal nas qualidades das histórias. Atribuo isso tudo ao começo do Marketing 2.0. E olha que sou profissional de marketing, sei do que estou falando. Então, tivemos uma era com desenhos muito bons, com liberdade artística e de padronização de quadrinhos muito inovadora e linda, mas roteiros que beiravam ao amadorismo e a ausência de criatividade.

Aí, aparece esta reviravolta e volto a ter esperanças nas HQ´s novamente. Porque achei muito show o que foi feito com a Feiticeira Escarlate. Todo o passado dela levou a este momento, acho isso muito bom… Fazer ela enlouquecer e com seu poder, inconscientemente, atacar os Vingadores, matando seu marido Visão, o Homem-formiga e o Gavião Arqueiro, e ao final ter o Mestre Místico da Marvel, Dr. Estranho, tendo que intervir e, sendo tão poderoso como é, derrotar ela em apenas 2 páginas… cara, sério… vibrei. Pra fechar, o papai Magneto ao final vindo buscar a filha pra ver se o Professor Charles Xavier consegue ajudar ela só mostra como os quadrinhos me pareceram voltar aos bons tempos. E é legal notar o toque avermelhado na colorização, acho que dando vazão a algo grave, sangrento, repleto de ira. E cá entre nós, que mulher não enlouqueceria ao saber que tinha criado dois filhos com seus poderes, que estes haviam sido tirados dela, que sua memória foi apagada pra não saber disso e ela resolve trazer eles de volta ? Sim, doidinha de pedra… judiação… mas foi uma sacada genial. Esta historia continua em “Dinastia M“, que eu comento aqui.

Não sei como anda o dia a dia das HQ´s, mas esta virada foi mesmo muito boa. E o Réquiem no final, o momento que se reuniem os sobreviventes, meses depois pra discutir o que fazer e serem recebidos no portão pela população grata, foi bem legal. Mais legal ainda se colocassem um velho Phil Sheldon lá fotografando tudo. ( hehehehe ) Aliás, nesta parte, vários artistas fazem páginas duplas quando os membros vão se lembrando das principais passagens dos Vingadores. Realmente, os Vingadores eram tão fraquinhos que nem tem muito o que lembrar, mas o que tem, é memorável. Espero que o que tenha vindo depois tenha sido a altura, porque ainda não li.
 
Bom, é isso. Recomendo esta edição. Mesmo com lombada torta, a coleção da Salvat é boa. E eles já se pronunciaram pra trocar as edições que vieram com defeito. Agora é esperar.
 
Abraços, obrigado e até o retorno do Quadrinheiro Véio.
 
*Como podem ver, tenho preconceito lascado com os anos 2000 e espero que isso mude com o passar do tempo e este blog. Afinal, resolvi voltar a ler algumas coisas, a partir desta coleção de Graphic Novels.  Mas já adianto que será difícil demais alguém conseguir me convencer que os Novos 52 da DC é algo legal… :p )

Os Supremos : Super-Humano

Hoje escreverei sobre os Supremos.
SupremosPelo que eu entendi, os Supremos são os Vingadores num Universo paralelo da Marvel, que foi criado e lançado em  2002. Neste universo paralelo, conhecido como Universo Ultimate, vemos os heróis um pouco mudados, com comportamentos mais “humanos”, com o objetivo marqueteiro de atualizar os personagens da década de 60.

Supremos - Salvat

Estou colecionando as Graphic Novels da Salvat e acabei de ler esta edição.
Particularmente eu gostei muito da história que eu lí. Não sou especialista nestas histórias mais novas. Como Quadrinheiro Véio, ( leio desde 1983, quando tinha lá meus 7 anos… ) tenho um perfil meio conservador. Claro que eu sei que nunca a minha percepção mais ingênua e infantil será repetida nos dias de hoje, mas sei também que muito dos valores que os quadrinhos visavam passar se perderam nesta modernização dos tempos. As vezes penso que a tecnologia é que deveria evoluir e nós deveríamos manter alguns valores originais positivos. Mas, enfim, opiniões de um leitor antigo, que é o propósito deste blog.
O visual dos personagens foi alterado, não muito, mas foi. Alguns a gente até se acostuma, outros percebemos pouco… Como o Homem de Ferro, que está com uma armadura um tanto diferente. Só que o Homem de Ferro vive mudando de armadura. Praticamente todo novo desenhista inventa uma nova. As vezes acho que as pessoas não sabem a diferença entre antigo e clássico. E pra mim, a Clássica é a melhor. Porém como o lance dele é tecnologia a gente até entende este monte de atualizações. Surpresa é ele não mudar de armadura a cada página, né ? Enfim.
Capitão está bacana, não gosto daquela calça que faz parece calça de cintura alta, mas a gente acostuma. Já o Thor, eu até curti este lance dele mais Hippie, ecologista, etc… o que faz sentido mesmo já que é um deus com poderes de ordem climática, mas o martelo novo dele, com um lado machado ficou ridículo. Sério, na boa… como engolir isso ? Mais uma vez o lance do clássico x antigo. Não se muda um ícone. Mjolnir não precisava atualizar. Mas é a minha opinião, ok ? A vespa se tornar mutante também achei digno de um tiro no rosto. Péssimo… e o que é aquilo de dizer que ela tem hábitos de insecto  ? Que nojo !

Nick x Nick

Outra besteira homérica é a mudança absurda no visual do Coronel Nick Fury… Fala sério… a vida toda com ele branco, de suíças brancas ao lado da cabeça, e de repente ele vira o Samuel L. Jackson pirata. Cara, o visual é legal, mas poderia ser outro personagem. Porque mudar da água pro vinho ? Programa de cotas ? Nada mais preconceituoso do que ser obrigado a agradar a todos. A arte se perde quando é feita pra fora e não pra dentro. Quadrinhos perderam a arte quando os números começaram a ditar o rumo das histórias. Aliás, é culpa do Marketing 2.0. Em outro blog falarei sobre isso, sobre a perda de autenticidade humana. E o pior, as pessoas não querem mesmo ter pessoas autenticas no dia a dia delas, pessoas assim são imprevisíveis, mas impulsionam a humanidade. Imagina se pessoas como Steve Jobs, Michael Jackson e outros gênios fossem seguir tendencias de marketing pra criar ? Perderíamos muito… por isso que acho que o ápice humano acabou nos anos 90, como já previu Matrix.
SupremosMas, o roteiro é bom. O roteiro me impressionou um pouco e acho isso legal nos dias de hoje. Noto personagens mais humanos do que eram, e olha que o Stan Lee começou com isso de humanizar heróis quando lançou Namor, Homem Aranha e cia. Esta foi a grande sacada dele, aproximar os heróis de nós, meros mortais. Porém ao ler os Supremos cheguei a me desesperar com eles, a ficar com medo do Hulk, a perceber a fragilidade de uma pessoa como Bruce Banner ao ser exposto ao que ele foi. Ao ver a perda de controle do Pym quando atacou a vespa por ciúmes e quase a matou. Acho que a renovação trazendo personagens mais humanos, com vida pessoal interferindo na vida heróica foi uma sacada muito boa. Também acho muito divertida as referências ao cinema a até a editora rival. A passagem em que o Jarvis desmarca um encontro com o Alfred é impagável. E por este motivo, vale a leitura. Espero ter mais surpresas assim nesta coleção da Salvat.

DVDs Supremos

Este universo Ultimate também lançou mais personagens, como o Homem-aranha, Quarteto Fantástico, X-Men e etc… mas não adianta, não pegou. Também lançaram dois desenhos em DVD dos Supremos. Assisti os desenhos a uns anos, e até gostei. São bons roteiros, misturam um pouco de Ultimate com a série regular e o resultado é até legal. Mostra a origem nova desta equipe que foi B a vida inteira até o filme do Homem de Ferro lançar moda e os heróis mais B dos quadrinhos virarem mania pra uma população que, em uma parte, nem sabia da existência deles. Bom pros cofres da Marvel.
Abraços do ranzinza, oops, digo, Quadrinheiro Velho.

Marvels

Este é talvez um dos melhores trabalhos já escritos e desenhados da Marvel. 

As histórias foram escritas por Kurt Busiek, ilustradas por Alex Ross e editada por Marcus McLaurin. Uma mini série em 4 edições, lançado em 1994. Lembro-me que eu queria tanto esta história que eu encomendei de um rapaz de minha cidade que conseguia trazer de fora do país e depois, de um ano é que foi lançado no Brasil. Um detalhe bastante interessante é a capa, que na edição americana tinha esta borda preta impressa numa capa de plastico transparente e a pintura estava integral. Na edição brasileira, como sempre, isso se perdeu.

Uma das coisas mais legais e inusitadas desta série é a história da Marvel, colocando todos os heróis, as origens de seus principais personagens sob o ponto de vista das pessoas comuns, mais precisamente um repórter, um fotógrafo chamado Phil Sheldon.

Ao longo de 4 edições, um jovem fotógrafo começa sua carreira no Clarim Diário, tendo como colega de trabalho um também jovem J. Jonah Jameson que almeja se tornar o editor. Então, surgem os primeiros heróis, o primeiro Tocha Humana e Namor, o príncipe submarino. Durante uma das batalhas ele é atingido por um pedaço de pedra que se solta de um prédio e perde o olho esquerdo. Me pergunto se isso não é um simbolismo pra uma “Visão parcial” que ele dá sobre os eventos no universo Marvel. Confesso que é muito emocionante. Ao ver como as pessoas normais reagiam os novos seres, ao surgimento de pessoas com super-poderes, o nascimento do Capitão América, como isso chegou aos jornais e como era a reação das pessoas n dia a dia. As crianças se inspirando, os adultos temendo e mais de perto ainda, como era o dia a dia da família do Phil. Nos tornamos íntimos de uma família classe média e dos pensamentos de um fotógrafo que está no dia a dia. Ao longo de toda a história, Ross coloca referências aos mais diversos personagens e também homenagens aos artistas e pessoas ligadas a Marvel. É como revisitar uma era mais simples, porém sob uma ótica mais humana e simples. Nos faz sentir como transeuntes.

Na segunda edição, um pouco mais velho, o Phil se vê de frente com a onda mutante. O medo, o preconceito, todo estampado em todo lugar nas ruas, as grandes ameaças e ainda tendo que lidar com a histeria das ruas durante o ataque dos sentinelas. No meio disso, uma mutante criança aparece na casa da família Sheldon, gerando apego. Muitos pensamentos que são compartilhados nos levam a pensar muito sobre o que o preconceito causa na nossa sociedade. Simplesmente lindo ! 

A chegada do Galactus e seu arauto, o Surfista Prateado marcam a terceira parte desta série, onde todo mundo fica sem entender nada nas ruas. Até o casamento do Senhor Fantástico e da Garota Invisível ( sim, é garota invisível, o nome mulher invisível viria apenas no final dos anos 80, explico em outro post qualquer dia ) aparecem na história. E um Phil mais velho acompanha tudo.

Na última parte o velho Phil acompanha Gwen Stacy e toda a sua revolta com relação as “Maravilhas” ( por isso o nome da série, Marvels ) começa a mudar. Ele percebe pela inocência dela como ele estava inserido em tudo aquilo e como não conseguia mais ter o olhar de fora. É muito lindo ver como Gwen ficava maravilhada ao ver as máquinas atlantes invadindo a cidade. Ao mesmo tempo, lançava seu livro auto biográfico de fotografias da carreira,com o nome de Marvels. Vê-lo lamentar a morte da Gwen e toda a percepção dele sobre os acontecimentos foi muito, muito emocionante, quando finalmente fecha com chave de ouro com um jovem Danny Ketch distribuindo jornais de bicicleta.
A série também foi vencedora de vários prêmios em 1994, que alçaram a carreira do Alex Ross. Após Marvels, Ross produziu Reino do Amanhã, para a DC Comics, que em breve ganhará meus comentários aqui no blog.

  • Ganhou “Melhor Série Finita” Eisner Award.
  • Ganhou “Melhor Pintura” Eisner Award, para Alex Ross
  • Ganhou “Melhor Design de Publicação” Eisner Award, para a Comicraft
  • Concorreu a “Melhor Artista de Capa” Eisner Award, para Alex Ross
  • Concorreu a “Melhor Lançamento” (Best Single Issue), para a Marvels #2 “Monsters”
Esta mini-série está sendo relançada na coleção da editora Salvat. Uma coleção que acho que vale a pena, pela qualidade e pelas histórias muito bem escolhidas. Tenho intenção de fazer a coleção e também de ir comentando sobre ela aqui no blog.
 
Comente aí o que você achou também.
 
Abraços do Quadrinheiro Véio !