Justiceiro : Bem vindo de volta Frank – Parte 2

Justiceiro : Bem vindo de volta Frank – Parte 2

Olá Quadrinheiro.

Bem Vindo de VoltaFinalmente consegui ler a segunda parte de Justiceiro: Bem vindo de volta, Frank. A primeira parte eu já coloquei aqui no blog, e você pode ler aqui. E a segunda parte é apenas a continuação da parte um. Eu li esta saga na Coleção Oficial de Graphic Novels da Editora Salvat, número 19. 

Depois de quase não sobreviver ao ataque da turminha da Mama Gnucci no final da edição anterior, Frank praticamente se arrasta pra casa pra se cuidar. Este cara tem uma resistência tremenda. Me faz lembrar do Darth Vader, que mesmo precisando de máquinas para se manter vivo, é o ódio que o motiva. E o mesmo acontece com o Justiceiro. E é bem no começo deste encadernado que os vizinhos de prédio dele descobrem seu segredo. O que foi também sua sorte, já que eles cuidaram dele, chamando médico e tudo o mais. 

KICK-Punisher502Acho que consegui detectar mesmo nesta história o grande ódio motivador de quase todos os personagens. Se não é o ódio, é o medo. Frank e a Mama são guiados pelo ódio. Os outros personagens parecem realmente guiados pelo medo. Penso que isso torne tudo mais simples, mais direto e visceral. O medo é uma das emoções básicas, ela eleva o instinto de luta/fuga. Ele injeta adrenalina. O ódio é um motivador emocional impulsionado pela raiva, assim como o amor é impulsionado pela alegria. Ambos são o mesmo sentimento, em sentidos opostos. A raiva e a alegria acontecem sem o seu consentimento, já o amor e o ódio são escolhas, caminhos. Veja da seguinte maneira, todo o amor do Castle por sua família se converteu em ódio por todo e qualquer criminoso. Ele paga um preço enorme por isso. O mesmo com Darth Vader, o mesmo com Magneto, Dr. Destino e outros grandes vilões. Só que o Castle fica na linha de escolher seus inimigos segundo uma linha de conduta moral que ele mesmo inventou e aceita por ele. Uma linha que é criminosa segundo a lei, mas que pra ele, não. Ele segue uma linha de justiça, segundo a sua própria percepção do que é justo. É conduzido por um código próprio. Eu acho isso muito legal. E ao menos isso, a maioria dos argumentistas respeitam ao escrever o personagem e o Garth Ennis também soube seguir. 

2047972-the_punisher_v3_9_p08O problema das HQ’s do Justiceiro mais recentes é que elas são muito previsíveis. A gente já sabe o que vai acontecer no final, mas o processo pra chegar lá é interessante de acompanhar. Neste processo, você já sabe que ele vai vencer a Mama Gnucci, sabe que o tal Russo que ela mandou pra matar ele vai se dar mal, mas quer ver como isso vai ser feito. E é possível perceber o quão inutil é a introdução daquele trio de imitadores. Entendo que queriam mostrar que ele incitava a violência apenas por fazer o que faz, mas acho que é um pouco de exagero colocar aqueles bananas. De qualquer forma, rendeu uma ou outra risada e o processo de introdução deles foi legal. Apenas o fechamento que entrega que foi : a) não tinhamos idéia do que fazer com eles e demos este final ou; b) a gente queria mesmo colocar assim. Espero que tenha sido a primeira hipótese.
MmBTzqzO desenho é do Steve Dillon, que está no personagem desde o inicio desta fase e ficou por anos.  Não gosto do traço dele pro Frank, embora ele não desenhe mal. Ele é bom, só  Justiceiro que fica estranho no traço dele. Pode ser que eu estranhe este rosto meio Italiano que ele coloca, por eu me acostumar com o traço dos anos 80/90, que eu realmente gosto mais. Mas ele sabe dar movimento embora falte expressão. Considerando que é pra quadrinho de guerra está bom.

Acho que é uma HQ que vale a diversão. O nível de sanguinolência e violência é muito grande, ao ponto de respingar, mas é mesmo uma leitura descontraída e divertida.

Eu preferia ver algo mais antigo do Justiceiro nesta coleção, mas como eu ainda não havia lido esta saga, eu já fico contente. Recomendo !

Abraços do Quadrinheiro Véio !

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Mercenário – Anatomia de um Assassino

Mercenário – Anatomia de um Assassino

Oi, Quadrinheiro !

Bullseye_Greatest_Hits_Vol_1_1E no post de hoje vamos falar de mais uma das edições que contam as origens de vilões da Marvel. Eu comentei recentemente o Thanos e também o Doutor Octopus, Doutor Destino, Loki, Caveira Vermelha e Rei do Crime ( em Justiceiro Max). Eu não sei se esta coleção tem um nome em especial, mas sei que é uma coleção que, embora boa, não caiu muito no meu gosto pessoal. E hoje eu comento Mercenário – Anatomia de um Assassino, cujo titulo original é Bulsseye: Greatest Hits. Curiosamente a tradução do título seguiu mais ou menos o esquema de tradução de títulos de filmes no Brasil, não é ? Não sei o que Anatomia de um Assassino tem a ver com Greatest Hits ( Melhores Momentos, em tradução mais usual ). Originalmente a HQ foi publicada como mini-serie nos EUA em 5 edições e cada uma era um dos “Grandes Momentos” do vilão. Acho que por encadernar aqui e mostrar toda uma trajetória, devem ter escolhido esta tradução e anatomia. Ok, faz sentido com o contexto da história, mas não tem a ver com o titulo original. As vezes penso que os tradutores de títulos de filmes e desta HQ em especial deve pensar que Brasileiro é meio burro… e precisa que o titulo seja adaptado pra ele. Pra mim, HQ é arte e por ser arte, a tradução precisa ser muito boa, porque senão muda a intenção original do artista. Imagina se toda obra fosse adaptada para o Brasil. Possivemente a Monalisa seria repintada pra uma mulata bonita de Copacabana, já que é pra adaptar. Ok, exagerei um pouco, mas é tipo isso. Tem até um video lá no meu canal de video do YouTube que comentamos sobre traduções de títulos de filmes. Assista aqui !

BullseyeMais uma vez estas mini-series buscam humanizar os vilões, dando a eles uma explicação psicológica e humana, justificando a maldade deles. Em especial, Mercenário – Anatomia de um Assassino justifica o comportamento psicopata do Mercenário como sendo a forma dele ter sido tratado pelo pai. Por ter um pai muito exigente, o pobrezinho acabou se tornando um vilão psicopata. Será que é só pra mim que isso estraga tudo ? O que interessa saber se o vilão teve uma infância difícil. Então, o verdadeiro vilão é o pai dele e não ele ? Afinal, ele não tem culpa ? Até onde é legal humanizar as motivações de um vilão ? Isso é tão chato… eu gosto muito de preto no branco. Eu sei que o mundo é cinza. Sei que não é 8 ou 80… existe tonalidades na vida real. Sim, aceito isso. Mas HQ é uma forma de diversão. Se eu quisesse vida real o tempo todo, eu assistiria jornal nacional. HQ é pra ser diferente, um escape criativo. Quando começam a3761275-0846666625-13850 justificar tudo, explicar tudo, fica complicado. Eu AMO Guerra nas Estrelas. Mas se você parar pra pensar mesmo, o grande vilão de Star Wars é o Imperador. Quando eu era criança e assisti os filmes na ordem certa, começando pelo Guerra nas Estrelas ( que hoje é o Episódio IV ), e logo em seguida assisti O Império Contra-Ataca, eu tinha certeza de que o Darth Vader era o grande vilão dos filmes. Ele era mal. Tão mal que cortou a mão do próprio filho ! Aí, no final de Retorno de Jedi ele se redime e salva o filho, matando o próprio demônio em pessoa, e morrendo em consequência disso. Um vilão tão forte, virando um herói. Ok, lindo, bonitinho… o amor por um filho que ele nem sabia que existia até um ano antes, salvando a alma do Anakin. Mas, ok. Isso passa. A gente ainda sabia que ele era mal ! Então vieram EP I, II e III e mostra a infância difícil e a conversão de um dos maiores mocinhos em Darth Vader. Amansou demais o personagem. O que aconteceu de verdade ? Esta tendência de humanizar vilões, dando explicações psicologicamente plausíveis para motivações de vilões. Como se isso fosse necessário. Eu acho isso um saco. Quero odiar o vilão. Quero que ele seja mal por ser mal. Como os vilões dos anos 50-70. Vilões que queria dominar o mundo, destruir o planeta, etc… O Mercenário é bem doidão, ele mata porque isso diverte ele. Ele é psicótico e gosta de ver o sofrimento de quem ele mata e de ver as pessoas próximas as suas vitimas sofrerem com isso. A morte da Electra é isso ! Ele mata a Electra pra degustar o sofrimento do Demolidor. Ele faz isso com um sorriso largo do rosto. E nesta mini-série, tudo parece explicado e justificado. Ainda bem que nenhuma destas HQs é canônica.

tumblr_l7lw5rFVSp1qbtkoto1_1280Resumir tudo do Mercenário à perseguição do pai dele é dar muito mole pro personagem. Deixa ele ser psicótico por que ele é e pronto !!! Gosto do sadismo que ele mostra em tudo que faz. Da loucura e da precisão. Fico pensando que as pessoas que traduziram os nomes deles pro Brasil, tanto Mercenário quanto Demolidor, estava muito afim de pregar peças na gente. Afinal Bullseye e Daredevil pouco ou nada tem a ver com Mercenário e Demolidor. O que será que o cara estava pensando ? As vezes isso me parece mais um descaso do que qualquer coisa. Incompetência em pensar que um dia estes nomes poderiam não fazer mais sentido em relação ao personagem ? É que nem o Motoqueiro Fantasma. Na época da tradução fazia sentido, já que só havia um personagem que “montava” algo e era uma moto. Depois, com a expansão da mitologia, apareceram outros “raiders” do passado que montavam cavalos. E a tradução passou a não fazer sentido. Afinal, “raider” é todo “montador“, seja quem está de moto, à cavalo, bicicleta, velotrol, etc…  E acho que no caso do MercenárioBullseye_Greatest_Hits_Vol_1_2
acabou acontecendo isso. Ele deve ter aparecido comum mercenário contratado para matar o Demolidor e o tradutor não deve ter pensado que isso não seria apenas uma única vez e o nome ficou assim no Brasil. Aliás, uma curiosidade. Ele não enfrenta o Demolidor nesta HQ, tudo é mais psicológico do que a ação em si. Isso é curioso e digno de ser notado. Um personagem tão físico em uma aventura tão psicológica. Bacana.

Ainda sobre a HQ, confesso que tem um final bacana. Gostei da virada que acontece, embora a gente vá tendo pistas o tempo todo e é possível prever que vá acontecer. Acho que acaba valendo o investimento como um entretenimento divertido.

V3WpKmhhRpkO traço é horroroso, do Steve Dillon. É o mesmo desenhista do Justiceiro dos anos mais recentes. Acho que nesta mini-série ele se supera na falta de expressão. Fica muito anti-natural. Não gosto mesmo do traço dele. Não gosto do enquadramento, e das pessoas. Ele não é ruim, tecnicamente falando. Apenas eu não gosto. Entendam que eu não acho que algo é ruim porque eu não gosto. Algo pode ser bom tecnicamente e eu não gostar. E algo pode ser bem ruim e eu gostar.

Acho que é isso. Se você curte o Mercenário e não se importa muito com esta mania de humanização dos personagens, vale a pena a leitura. Mesmo sendo fraco, é divertido.

Abraços do Quadrinheiro Véio !

 

Liga da Justiça de Stan Lee

Liga da Justiça de Stan Lee

Olá Quadrinheiro.

Liga da Justiça de Stan LeeEu estava pensando aqui em qual seria a revista que eu iria comentar e olhando na estante encontrei uma que eu havia lido a um bom tempo, que foi a Liga da Justiça de Stan Lee, dentro da linha Just ImagineCuriosamente eu não me lembrava muito bem como era a história. Na verdade, não me lembrava nada, e tive que dar uma rápida lida novamente para poder comentar aqui no blog e qual não foi a minha surpresa ao perceber que a medida que eu lia, eu ia lembrando uma coisa ou outra e a lembrança principal que me veio foi: “Cara, que história horrível !“.

Pois é, acho que é por isso que eu não me lembrava nada desta história. É rasa, boba, vazia, oca e todos os outros adjetivos que denotam algo que não preenche absolutamente nada. Acho que é uma defesa da mente, não permitir que se lembre de uma história ruim e não ficar se sentindo culpado com a perda de tempo que foi parar para ler, e agora reler, esta HQ. Pensando bem, seria mais inteligente lembrar que era ruim pra prevenir este momento de releitura e perda de tempo dupla. Enfim…

Liga da Justiça de Stan LeeLiga da Justiça de Stan Lee é uma história em que o mito criador da Marvel faz uma origem própria para a liga da DC. Aliás, houve uma série na época que esta foi lançada, com vários personagens sendo “re-imaginados” por ele. E, não sei qual foi a percepção de quem leu estas pérolas, mas é difícil imaginar que foi o mesmo Stan Lee que criou Homem-Aranha e cia. Aliás, ele não apenas re-imaginou a formação da Liga, mas também os heróis que a compõe. Preservou-se apenas seus nomes e identidades secretas. Suas cidades de atuação também se mantém, mas somente isso. Pra vocês terem uma idéia, o Super-homem é loiro, seu planeta natal não explodiu e está loiro. A Lois Lane é sua empresária e o herói só se preocupa com publicidade. O Flash é uma menina adolescente que fala pra caramba, a Mulher Maravilha recebe seus poderes de um bracelete místico e usa uma lança e um estudo de energia. Numa viagem muito louca, o líder da equipe é o Lanterna Verde, que recebe seus poderes de Yggdrasil, que aparentemente é o espirito da Terra. Curiosamente, não segui a mitologia Grega, que seria Gaia, mas sim a Nórdica, mesmo sem ter nenhum personagem da liga com alguma ligação com esta mitologia. Acho que ele fez homenagem a ele mesmo, já que o Thor é nórdico. Os poderes do Lanterna Verde vem desta magia e embora ele aparentemente seja muito, muito poderoso, ele fica a historia inteira “fraco“. O quinto herói a formar a Liga é o Batman, que é um Bruce Wayne negro, com um visual muito mais morcego do que o Batman que a gente conhece. Inclusive a capa dele são asas de morcego e o capacete é uma cabeça de morcego. Suas habilidades são as mesmas. Aliás, só a Mulher Maravilha que tem poderes diferentes e é bem insegura. Ela se transforma mesmo com o bracelete, mudando roupa e cabelo. O poder dela vem mesmo de magia, e não fica claro se tem algo com as Amazonas. Os heróis se reuniram para enfrentar uma ameaça até poderosa e bem interessante, que é a Patrulha do Destino. Eles são salvos de última hora de serem executados pela justiça e recebem poderes do grande vilão da história, o Reverendo Darrk, pai do menino Adam Strange, que está sendo perseguido pelos vilões recém empoderados. Não vou falar mais caso você queira ler esta bomba, tem uma viradinha curiosa no final.

Liga da Justiça de Stan LeeO argumento é fraco, eu acho que Stan Lee deve ter feito algo que meio a “toque de caixa“, como que no esquema de “camaradagem”, pois é pior do que as primeiras dele nos anos 60. Aliás, cabe aqui uma coisa importante. Eu GOSTO muito das primeiras histórias do Stan Lee pra Marvel. Mesmo respeitando a época que foi criado, as mentes da época e a forma de ver as coisas, eram boas histórias. Mas esta da Liga é realmente ruim, rasa.. a impressão que eu tenho é que ele fez por fazer. Não aprofundou nada. Não deu alma pra historia e os personagens são fracos. A história não se amarra, não convence, sabe ? Sei que cada herói teve sua edição própria e eu não li todas. Mas o que li era fraco também. Judiação… Lembro de me sentir enganado na época, porque era Stan Lee escrevendo e a expectativa estava bem alta. Mas, o bom velhinho das HQ’s está perdoado para todo sempre. Ele criou o meu predileto, então ok !

Liga da Justiça de Stan LeeO desenho é de Jerry Ordway e é bem competente, bem anos 90. É bem o traço dele mesmo. Levando em conta que a HQ foi publicada em 2002 aqui no Brasil, ainda pela Abril, e que hoje é fácil encontrar encalhada em qualquer sebo online ou offline. Aliás, eu diria que esta recriação é mais legal pelo visual dos personagens do que pela história. Gostei muito do visual do Lanterna Verde, Reverendo Darrk e da Mulher Maravilha. Ordway sabe dar movimento e drama aos personagens. Tenho a impressão que ele deve ter lido a história e pensado assim ” Preciso fazer isso ficar melhor, porque a história é fraca” e se esforçou para dar um visual bom pros heróis.

Como não é uma história tão boa, não vejo muito o que falar. Respeito muito seu tempo e não vou me estender mais. Se estiver com tempo e quiser ler por “valor histórico“, já que é escrita por Stan Lee, leia. Mas sem pretensão de ler algo “grande“.

Abraços do Quadrinheiro Véio !

Justiceiro : Bem vindo de volta Frank – Parte 1

Justiceiro : Bem vindo de volta Frank – Parte 1

Justiceiro Bem vindo de volta frankO Justiceiro é um dos personagens da Marvel que eu considero do “chão“.  Chamo ele de personagem porque se eu chamar ele de herói pode ser que fique estranho, já que ele atua como juiz, juri e executor, sem dó nem piedade e ainda curte isso. E fico receoso de chamar ele de vilão, porque lá no fundo, ele costuma acertar quem ele mata, que são verdadeiros bandidos que a gente sente até gosto por serem detonados de forma tão sangrenta…. rs… e quando digo que considero que ele é do chão, eu digo isso porque ele é um dos “sem poderes” da editora, que atua no mundo mais real, mais perto do dia-a-dia de pessoas como nós. Este “chão” não tem nada a ver com poderes ou com a qualidade do personagem. Aliás, o Castle já teve histórias que muitos dos ditos “grandões” ainda não tiveram. Pra você ter uma idéia, na minha escala de valores baseada no meu gosto pessoal, o Justiceiro está acima dos Vingadores em matéria de qualidade de argumentos. Veja bem… o meu caso é considerando anos 80/90. Não posso falar nada do Frank dos anos 2000.

Justiceiro Bem vindo de volta frankExceto, talvez por conta de Justiceiro : Bem vindo de volta Frank. Que foi lançada nos EUA entre 2000 e 2001. Acabei de ler e me diverti com a história. Não é nenhuma obra prima, mas não deixa aquela sensação de perda de tempo que algumas HQs tem gerado em mim ultimamente. Como sempre digo, é importante entender o momento histórico, não apenas dos personagens, mas do mundo. E o começo dos anos 2000 era uma época em que o consciente coletivo da humanidade comemorava que o mundo não havia acabado, um pouco antes do atentado de 11/9. Frank acabou de deixar uma fase horrenda em que ele caçava demônios ao lado de anjos (???) e está “retornando pra casa” e decide retomar a sua missão louca de limpar as ruas. Cá entre nós está mais para uma vingança do que efetivamente ser um “Bom Moço“. Desde que conheço o Justiceiro, eu sinto que ele nunca teve em momento algum aquele sentimento de “impedir que aconteça com os outros o que aconteceu com a minha família“. Tudo que o move é uma psicose doentia ( pleonasmo ) de “punir” quem desobedece as leis. Aliás, foi assim que ele começou na revista do Aranha. Ele atirava até em quem jogava jornal no chão. hahahahah!!! Sabe o que é pior ? Rir de um louco assim…

Ma GnucciEm Justiceiro : Bem vindo de volta FrankCastle parece revigorado. Ele sai matando a esmo. Escolhe um alvo e vai seguindo. A violência é enorme, sangue, amputações, sangue, machadadas, sangue, explosões, sangue, pescoços quebrados, sangue, arremesso de bandido do alto do prédio, sangue, padre matador de pecador e sangue. Aliás, já disse sangue ? ( hahahahaha ) Imagino que o extinto jornal “Notícias Populares” não teria terminado se o Frank andasse por estas bandas de SP. Lembra ? A gente torcia o jornal e escorria sangue. Bons tempos… hahahahaha


O Frank está tão contente nesta mini-série que a gente vibra junto. A gente sente que ele está de volta. O título é bem apropriado. Conveniente pra caramba. Porque a gente percebe que ele voltou e quer “arrumar a casa“, sabe assim ? Sabe quando você vai viajar um bom tempo e quando Justiceiro Bem vindo de volta frankvolta precisa arrumar a casa, tirar a poeira, tirar as ervas daninhas do jardim ? Ele faz exatamente isso. E a gente sente que é mais ou menos assim: Enquanto os bam bam bans estão mantendo o planeta inteiro, o Frank fica fazendo a limpa menor. Claro que se o mundo acaba, pouco importa o que ele fizer. Mas enquanto não acaba, Justiceiro e Demolidor ficam ali na faxina. Antigamente o Homem-Aranha também, mas elevaram ele a super fodão e ele fica lá misturado com os Vingadores de vez em quando. Coisa que pra mim nao tem nada a ver. Se você lê sempre meus posts no blog sabe que nunca curti misturar o Aranha com os Vingadores. O Homem-Aranha funciona muito bem sozinho, com aquele monte de vilões dele. Um pequeno crossover até funciona, mas regular, não rola. A sorte é que o Frank é de outra realidade, né… ele não encaixa mesmo. Pobre do diabo que inventar um motivo pra colocar ele no grupo. Tanto que ele se destaca demais na ridícula Guerra Civil, já que parece ser um dos poucos com bom senso naquela porcaria história.

vigsquadUm lance divertido é que com o retorno do Justiceiro, outros malucos começam a aparecer, como um Padre doido que mata os pecadores ( O Santo ),  um outro com uma máscara que lembra uma coruja, de nome Elite, que defende os ricassos ( até deles mesmos… ) e um tal de Sr. Troco,. Eu sei que dei algumas boas risadas com esta história que tem um bom equilíbrio entre a violência e piadinhas inteligentes, sem ser forçadas porque entra no espírito da revista. A mistura de humor negro com drama é o ponto chave. Aliás, o que ele faz com o Demolidor é de arrepiar. E completamente fiel. Você não sente que é exagero, já que se trata de Frank Castle.

JusticeiroA saga de Justiceiro : Bem vindo de volta Frank é escrita por Garth Ennis que praticamente se apossou do personagem e por não curtir muito super heróis, usava-os de alívio cômico. E foi ele também que introduziu o personagem Russo, que marcaria muitas aventuras deste quase “Batman” lunático da Marvel. Ok, não tem nada a ver com o Batman, só a loucura. Ainda assim, as histórias dos anos 80/90, com o Microchip, Retalho e cia. são as que eu gosto mais. O desenho fica por conta de Steve Dillon e ele condiz bem. Ele sabe trabalhar olhares e mesmo eu não gostando do rosto que ele deu pro Frank, eu acho que o movimento e violência que ele coloca estão na medida certa. Não é algo que se destaca, e nem de longe, incomoda.

the-punisher-2004-movie-posterEsta edição foi base em uma coisa ou outra do filme do Justiceiro de 2004, aquele com o Thomas Jane no papel principal e o vilão era o John Travolta. O lance de ele irritar a máfia e morar em um prédio com os 3 amigos introduzidos por Ennis nas aventuras do Justiceiro. Aliás, a loirinha é a Rebecca Romijin, que pouca gente reconheceu como a Mística da trilogia X-Men do cinema. Dentre os 3 filmes do Justiceiro, este é o meu predileto. Mesmo sendo bem fraquinho, sempre que encontro ele passando em algum canal eu acabo assistindo de novo. Ah é, e neste filme tem o Russo também.

Acho que se você curte o Justiceiro, deve ler esta edição. A parte 2 eu comentei aqui, dá uma lida também. Enquanto isso, tem esta outra materiazinha minha aqui, sobre Justiceiro Max: Rei do Crime.

Abraços do Quadrinheiro Véio !

Deus Ama, o Homem Mata – X-Men

Deus ama, o homem mata

Deus Ama, o homem MataEsta sim pode ser chamada de Graphic Novel com G maiúsculo. Até porque era assim na época em que Graphic Novels realmente eram uma obra-prima e não apenas uma coletânea de sagas de revistas regulares. Deu pra perceber que eu torço o nariz pra estas coleções de encadernados se auto intitularem Graphic Novels, né ? Não é a capa dura que faz uma Graphic Novel, mas seu conteúdo. Não entendam mal, gosto das coleções, não gosto de se auto denominarem como algo que não são. Soa mercadológico, enganador, cascateiro… parece que quer me enganar e isso não é preciso. Juro que não entendo o departamento de marketing de muitas empresas. Tem tanto profissional de marketing bom por aí que entende de mercados específicos e de produtos específicos, mas as empresas insistem em contratar pessoas por currículo, e estas fazem muitas besteiras em vários níveis. Bom, paciência… sou profissional de marketing e entendo bem isso, o que não me impede de ficar chateado. Ainda temos muito a evoluir, mas não é o caso neste post de hoje. De qualquer forma, se isso te der algo para refletir, já me sinto realizado.

Deus Ama, o homem Mata
“Humano?! Você ousa chamar aquela coisa… de humano?”

Em Deus Ama, o Homem Mata somos introduzidos ao cerne do que torna os X-Men o que são de verdade: párias de uma sociedade. Aquele lance de ” uma sociedade que os teme e os odeia por não os conhecerem” é tudo o que vemos aqui. Só que de forma magistral, como um mestre pode fazer. Coisas de Chris Claremont. Aliás, nunca houve e nunca haverá ninguém tão foda forte no título dos X-Men quanto Claremont. Ele definiu tudo. Ninguém conseguiu definir os X-Men tão bem quanto ele. Vieram muitos depois, causaram e descausaram… mudaram esteticamente, mexeram em essências e personalidades, fizeram um monte de besteiras ( pra não usar a palavrinha de 5 letras que começa com M ). Tentaram, mas sempre pecaram num dos principais pontos: Mudar a personalidade dos personagens. Claremont nunca precisou disso para escrever histórias marcantes. Nunca mudou nada em mais de 10 anos à frente dos mutantes da Marvel. 09As situações, aventuras, vilões… tudo mudou, mas a essência sempre se manteve. Porque a essência é o que faz você se identificar com o personagem e quando você muda isso, é quando você perde o leitor. Por que os X-Men ainda tentam fazer sucesso ? Porque cada vez que você abre uma revista dos mutantes, você tem uma esperança lá no cantinho do seu coração de que os X-Men estarão lá… e não esta miscelânea sem nexo que fazem nos dias de hoje. Tentei ler Wolverine recentemente e quase vomitei na revista… muito ruim. Agora você entende porque a Marvel vive fazendo as péssimas histórias que faz atualmente ? Deus Ama, o homem MataPorque idiotas como nós ( sim, me incluo em vários casos ), vão chegar nas bancas e comprar as revistas mesmo sabendo que vai ter porcaria, mas lá no fundo a gente acredita que uma hora ele irão trazê-los de volta. Aí quando o interesse do pessoal cai com as péssimas histórias, os editores dão um jeito de zerar tudo e resgatar a essência outra vez. Como tudo no mundo de hoje se tornou medíocre pela facilidade de acesso, os gênios ficam escondidos na multidão e por isso, fica mais difícil de encontrar escritores decentes. Mesmo pras grandes editoras. É um momento triste esta transição mundial do “jeito de ser das coisas” em que vivemos, e em tudo se percebe este reflexo, seja na política, na economia, na religião e porque não, nos quadrinhos e no cinema. Normal, percebe aí pra você ver.

Deus Ama, o homem MataEste post de hoje está bem cheio de revoltas e isso tem a ver com a própria história da edição que comento aqui. Afinal, o preconceito é o assunto principal da revista, e o mais legal é que ele fica em voga o tempo todo, mostrando todos os lados da questão. A genialidade do Claremont está justamente no fato de que ele não toma um partido. O “lado” não é dos humanos, ou dos mutantes, mas sim do quanto o preconceito é ruim, do quanto as massas são facilmente manipuláveis por falta de  cérebro. E se você observar muito bem, perceberá o quanto estamos longe de acabar com isso. Acho que o preconceito é algo inerente à espécie humana. Não é um problema social, mas biológico. Pode ser quem um dia venha a sumir com a evolução social, cultural e atinjamos o nível que Star Trek nos mostrava. Uma era em que não se veria nem cor de pele. Mas, como pode ver em “Deus Ama, o Homem Mata”, mesmo uma historia de 1982 continua super atual nos dias de hoje. O que mudou apenas é que ter preconceito era normal naqueles dias. Era comum se expressar com preconceito. Hoje as pessoas ainda tem os mesmos preconceitos e se baseiam neles pra suas escolhas e decisões, só que não expressam. Se escondem e, cá entre nós, melhor você sofrer preconceito direto, olhando na cara do monstro do que sofrer o preconceito velado, pelas costas, sem saber de onde veio a bala.

img_0442Deus ama, o homem mata é pontual, afiada. Tem falas maravilhosas, cuidadosamente escritas para tocar fundo na alma. Numa época em que os mutantes eram amados por todos os leitores, vê-los sofrer preconceitos do mundo real foi doloroso e fez muita gente pensar no assunto. Eu acho confuso como que tem gente que ainda pensa que HQ’s são coisa de criança… ensinam mais do que muitos livros, porque os quadrinhos te fazem viver algo real, te colocam dentro da historia, fazem você sentir. Tem muita literatura por aí que é sim boa a seu modo, mas que não cria esta identificação com o leitor. E é por isso que hoje as pessoas se identificam tanto com os heróis do cinema. Eles são mais diretos. Assim como o Faroeste já foi um dia. Penso que a Panini deveria relançar esta edição em papel normal, com preço normal e fazer um favor a população ao torná-la acessível a todos. Ela  pode ajudar a nova geração super-protegida pelos adultos de hoje, a entenderem o que é o preconceito, seus diferentes níveis e suas consequencias.

ANX_21_Preview_1Uma coisa que gostei muito em “Deus ama, o homem mata” é que para ficar mais evidente como o preconceito funciona, Claremont se fez valer de artifícios inteligentes ao mostrar que mesmo uma pessoa doente pode guiar multidões com os argumentos certos, se estes argumentos se fizerem tocar de alguma forma com algo que se identifique dentro do outro. Isso não é diferente do momento político que vivemos em nosso pais. Aliás, não apenas aqui. Existe uma vertente de estudo que diz que 8% da população humana faz parte da solução, 2% faz parte do problema e 90% faz parte da paisagem. Imagine você que estes 2% fazem um baita estrago porque manipulam os 90% da paisagem e os 8% dos bons ficam ocupados tendo que corrigir esta paisagem o tempo todo, o que permite que os “cidadãos problema” continuem na vida boa… Pois é, pense aí onde você está localizado. Mas seja muito sincero com você mesmo. Porque é disso que esta HQ fala.

Deus Ama, o homem MataPode ser que este texto tenha ficado um tanto tenso, até pesado pra se falar apenas de uma HQ. Mas isso mostra que quando não uma pessoa se pronuncia sobre algo errado, o simples fato de que ela se cale, permite que o mau avance. E nesta Graphic Novel, o preconceito é o vilão. Não é o reverendo maluco, não é a religião, não é o Magneto, e não é a justiça. É o mal do julgamento sem razão/pensar. O julgamento sem coração. A ignorância levando ao medo, medo leva a insegurança, que leva a frustração, que leva ao ódio e este leva ao sofrimento. ( mestre Yoda ? ) O caminho é este. Este caminho ocorre dentro de cada ser humano, inconscientemente. E se não for levado ao consciente, se não for percebido com a atenção objetiva, ele domina nossos atos e nem percebemos. Aí, quando o pior acontece, quem você vai culpar? Os mutantes ? Os negros ? Os políticos ? Os ET’s ? As pessoas de olhos verdes ? Esta HQ também mostra o poder de indução de uma crença religiosa sendo abusado por uma única pessoa com o poder da oratória. Veja bem, religião não é problema. Religião é pura. A manipulação da fé alheia para atingir objetivos próprios é que são o verdadeiro mal. E isso é do ser humano, não do divino.

Deus Ama, o homem MataLeia esta HQ e pense, reflita sobre a tua vida, sobre os teus hábitos e na tua influência a sua volta. Não apenas leia por ler… não seja parte da paisagem, seja parte da solução do mundo. Creio que este seria o modo mais inteligente de agir no nosso mundo e torná-lo melhor. Porque pior pode ficar sim. Uma HQ de mais de 30 anos ainda é atual. Como você explica isso ? Lembra do livro/filme, a Máquina do Tempo ? As vezes penso que cada dia que passa, somos mais parecidos com os Elóis e nos permitimos e aceitamos ser capturados e devorados pelos MorlocksH.G. Wells era um visionário do começo do século, mas quem quer fazer algo a respeito ? Pois bem, este blog é uma das formas que encontrei, além das minhas atitudes do dia a dia… Fazer postagens por curtidas te leva onde ? Escrever o que todo mundo quer ler, te leva onde ? Reflita.

Como pode ver, Deus Ama, o Homem Mata leva a muito o que pensar. Eleva o pensamento, busca questões dolorosas dentro da gente. Apenas os fortes enfrentam a si mesmos. É a maior das lutas, a mais sangrenta das batalhas, e a verdadeira guerra a ser vencida. Os diálogos da HQ são muito fortes, inteligentes, profundos. É uma publicação inteligente. Precisa ter massa cinzenta pra sacar a amenidade, e olha que o Claremont fez de tudo pra ser o mais direto possível, pra que todo mundo entendesse… mas com o nível de cultura que vivemos hoje em dia, penso que é uma pena que muita gente apenas leia uma “historinha“… e isso explica a baixa qualidade das HQ’s de hoje.  

xmenglmk3Os personagens presentes nos X-Men são a melhor formação de todos os tempos ( segundo a minha opinião, claro… ): Wolverine, Ciclope, Tempestade, Noturno, Colossus e Kitty Pryde. Nunca houve equipe como esta. A mais coesa, mais irmã, mais realista. E é claro que ter o Carcaju no uniforme marrom só deixa melhor ( hehehe ). A participação do Magneto como o “outro lado da moeda” é muito densa, é bem orquestrada. Ainda mais com a situação em que o Xavier se encontra. A gente sempre ficou do lado do Xavier, mas nesta história, a gente começa a ver o Magneto com outros olhos. É quando começa todo a fase cinza nas HQs. É quando os vilões passam a ter motivações reais, plausíveis e questionaveis. É revista pra ler e dormir abraçado chorando pela honra de ter lido. Sabe assim ?

Deus Ama, o homem MataA Arte é de Brent Anderson. O cara tem o típico traço dos anos 80. Direto, orgânico, visceral. Muito bem desenhado, expressões diretas, sinceras, sem esta mania de “toda página é uma capa” de hoje em dia. Ele soube fazer a história ser algo sequencial. Cabe dizer que ele foi muito bem na substituição de última hora do Neal Adams. Aliás, tiro meu chapéu pra ele. Ele não se traiu por dinheiro. Ele seguiu a sua ética. Ele é um símbolo de caráter. No Brasil, chamam este tipo de pessoa de “idiota“. E são os “não idiotas” que estão pagando o preço desta crise causada por eles mesmos… se houvesse um mínimo de ética em nossa cultura, teríamos um pais diferente… mas, enfim. Reclamar não resolve, atitude, sim.

Todo o roteiro do filme X-Men 2 foi baseado nesta HQ, mas nem de longe o filme chegou perto do drama da revista. O filme misturou alguns pontos desnecessários, embora tenha sido o melhor dos 3 primeiros filmes mutantes e o meu preferido. Se você não leu esta maravilha, está mais do que na hora de ler. Porque isso te dá cérebro, forma massa cinzenta, saca ? Tutano !

Vou ficando por aqui, possivelmente este é o post mais longo do blog até hoje. Agradeço a você que leu ele inteiro. Quem já sofreu algum tipo de preconceito vai entender esta edição como ninguém. Quem nunca sofreu, se for uma pessoa de baixa empatia, provavelmente não vai sacar o quanto ela é importante. ( Isso mesmo, é importante, no presente. Como já relatei acima, o quadro não mudou ).

Por favor, comente e compartilhe. Quanto mais pessoas lerem, melhor pro mundo das HQs.

Abraços do Quadrinheiro Véio.

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A Ascensão de Thanos

A Ascensão de Thanos.

Olá Quadrinheiro !

Ascensão de ThanosNaturalmente que hoje em dia, com a alta dos filmes de heróis nos cinemas e após 3 aparições no universo cinematográfico Marvel, poucos não sabem quem é a figura de Thanos. E creio que após os 2 últimos filmes dos Vingadores, a percepção deste vilão vai se consolidar como a do filme, assim como por muitos anos o Super-homem de Richard Donner, interpretado por Christopher Reeve definiu o kryptoniano nos anos seguintes, já que poucos liam HQs naquela época. E naturalmente isso se repete nos dias de hoje com os filmes Marvel que vieram a partir de Homem de Ferro, que foi um tremendo filme e conseguiu abrir a porta pra personagens que até então eram considerados medianos ( e por alguns até ruins ), conseguirem fazer fama e fortuna para a editora, agora também estudio de cinema. E não é algo mágico como as coisas acontecem ? Sei que isso mereceria um post só pra ele, mas pense como seria caso a Sony e a Fox não tivessem comprado da Ascensão de ThanosMarvel os direitos dos personagens pro cinema no final dos anos 90 e a Marvel tivesse, de fato, ido a falência. Foi o momento da reviravolta da editora, que a valorizou e acabou sendo comprada pela Disney e é hoje uma das mais rentáveis empresas do mundo. Claro que uma coisa não justifica ou compensa a outra, mas as pessoas deveriam levar isso  em consideração antes de malhar os filmes do Homem-aranha, Quarteto Fantástico e X-Men. Embora nos dias de hoje, o cinema esteja focado na turminha dos Vingadores, os verdadeiros ovos de ouro da editora só não foram usados porque seus direitos estavam comprometidos. Ou seja, se não fosse a Sony e a Fox, não teríamos Homem de Ferro, Thor, Capitão e etc tão cedo nas telas. Mais uma razão para sermos gratos.

Ascensão de ThanosRetomando o assunto do post de hoje, sobre esta edição encadernada “A Ascensão de Thanos”. Apenas uma curiosidade que provavelmente você já saiba, mas seu nome, Thanos, provavelmente vem do da personificação dos antigos gregos para a morte, Thanatos. Que era filho de Nix ( a noite primordial e também o feminino não luminoso ) e de Érebo, a escuridão primaria, mais precisamente o criador das Trevas. Então, Thanos por si já denota uma ligação com a morte. Aliás, a ligação do povo de Titã com a cultura da Grécia antiga é bem curiosa, já que seu irmão tem o nome de Eros, o deus grego do amor, filho de Afrodite e Hefeso. Na mitologia grega o irmão gêmeo de Thanatos é Hipnos, personificação do sono. Pra eles, a morte e o sono eram a mesma coisa, em intensidades diferentes. Sobre a HQ, eu realmente não sei o que dizer. Eu não sei se gostei ou não gostei. Como já comentei em outros posts da mesma linha de edições especiais de vilões como Dr. OctopusCaveira Vermelha e Dr. Destino, eu não sou fã de humanizações de vilões loucos. Esta mania de tornar humano os vilões clássicos, de dar um motivo para a maldade deles, de justificar é algo completamente desnecessário e, porque não dizer, não humano. Quem pensa em que motivos levou aquele moleque a te roubar o relógio na rua, ou aquele ladrão rouba seu carro na porta de uma igreja quando você esta saindo na Ascensão de Thanoschuva com seu bebê de colo ? Pra mim, humanizar personagens é a mesma cagada que George Lucas fez em Special Edition de fazer o Greedo atirar primeiro ou em “The Phantom Menace”, explicar a Força com Midi-chloreans. São respostas a perguntas que ninguém fez ( ódio mortal disso ). E nesta edição de Thanos é o que acontece. Mais uma vez, criatividade a serviço de vendas e não da arte. Quem leu as primeiras histórias do Thanos sabe do que estou falando. Ele era louco e pronto. Mas era mais plausível ele ser louco por ser louco do que uma suposta e inexplicável possível esquizofrenia, como deixa a entender nesta edição. Ela não deixa claro se ele realmente conversa com a entidade morte ou se ela é apenas criação da cabeça de um lunático mutante, cuja mutação pode não ter sido apenas no corpo, mas além da genialidade mental, pode ter vindo junto esta loucura esquizo. Vai saber… Dizem que esta série sobre os vilões não é canônica. E eu desejo que não seja mesmo.

Ascensão de ThanosA Ascensão de Thanos, o Titã louco tem um pouco de cada coisa que o personagem veio mostrando em suas historias ao longo de toda sua história. Começa em seu nascimento, e vai se conduzindo como todas as edições anteriores a ela, seu crescimento, sua formação moral, seus atos principais e tudo que o definiu como é, até o momento culminante que é a destruição da vida em seu planeta natal. Muito drama, diálogos bem legais e algumas referências a outras histórias dele que viriam posteriormente. É uma edição desnecessária, mas bem feita. Uma mini-série com ares de Graphic Novel, é o que este encadernado reune. Tem seu enredo girando em torno da sedução. Este seria o principal sentimento e o que incomoda um pouco quando se fala de um vilão que foi concebido como um genocida cósmico é a aparente manipulação do personagem. Esta mania de colocar vilões como ele em posição de vítima me incomoda em absurdo. Disse a cima que a historia não define se ele é esquizofrênico ou se a Morte realmente existe. No primeiro caso, se trata de uma doença e não é culpa dele. E no segundo caso, se a morte realmente existe, ele foi manipulado por ela desde criança, o que também tira a culpa dele. Poxa, que saco ! Deixa o cara ser mal porque ele quer ! rs…. que cansativo !

Ascensão de ThanosO roteiro é de Jason Aaron, que eu não me lembro de já ter lido algo dele antes. Não me entenda mal agora. Ele escreve bem, ele é bom, é criativo. Seria muito legal se não fosse o Thanos, e sim algum outro personagem. O roteiro é conciso, bem escrito, com ritmo certo pra uma biografia. Só não precisava ser o Thanos. Quem desenha a Ascenção de Thanos é Simone Bianchi e Riccardo Pieruccini. Bons desenhistas, sabem dar o tom certo e o clima de Graphic Novel vem do traço da HQ. O tom é épico, e o emocional dos rostos fica muito claro, perceptível. Odeio ter dó de vilão ! E o conjunto da obra fez isso. As cores são muito boas, gosto deste clima escuro, com uma pegada aquarela nos quadros de página inteira. Sombreados bem legais.

Ascensão de ThanosUma última curiosidade é que esta edição tem páginas com o Marvel AR, que é a realidade aumentada que você pode ver com um aplicativo de celular especial. Só que a Panini esqueceu de dizer que este app só funciona até 3 meses após a publicação da revista nos EUA e o papel brasileiro não funciona também. E aí, você fica que nem um idiota tentando usar algo que não te avisaram que não funciona. Então amigo(a), nem tente.

Bom, é isso, espero que tenha gostado da resenha. Ficou um pouco longa, mas acho que passei a minha percepção.

Se você curte uma boa biografia, leia. Se curte o Thanos mas não teme que a imagem que você tinha de vilão do mal dele se desfaça, leia. Se não curte, nada disso, passe longe.

Abraços do Quadrinheiro Véio !

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Dinastia M

Bem vindo, Quadrinheiro !

Dinastia MMutantes ! Lembro até hoje quando eu conheci o termo. Achei mágico demais… foi numa historinha dos X-Men. O Colossus aparece com uma garra do Wolverine cravada no ombro e eu teimava com um amigo meu que aquele sujeito azul com cabelo em forma de chifre era o Wolverine com uma falha de impressão da revista, já que eu não conhecia o Fera que nesta época estava nos Vingadores. Curiosamente, como conheci nesta fase, demorei a enxergar o Fera como um mutante. Coisa de criança. Temos a mania de considerar que o nosso primeiro contato com algo é o verdadeiro, correto, canônico, etc…  Pois é, quando eu conheci os mutantes, era a equipe que eu Dinastia Mconsidero a mais legal e mais clássica de todas: Ciclope, Tempestade,  Colossus, Wolverine, Noturno e Kitty Pryde. Por razões emocionais e nostálgicas ( provavelmente ), acho que é a melhor fase. E o que isso tudo tem a ver com Dinastia M ? Não sei.  Sei que um leitor do blog me escreveu perguntando o que eu achei e em gratidão, resolvi fazer este post.

Dinastia MPor um tempo eu pensei que o M em Dinastia M se referisse ao Magneto e a sua família. E a verdade é que é isso mesmo. Mas após ler a HQ duas vezes, percebi uma coisa bem legal no caminhar da história. Será que a gente poderia considerar que este M de Dinastia M também se refere a Mutantes ? Sim, pois durante esta fase o mundo tem mais mutante do que humanos ( se não tem, aparentemente os mutantes são os atuais dominantes do planeta ). E eu não pude deixar de fazer esta associação. 

Dinastia M é uma das histórias mais bacanas da Marvel. Ela consegue promover um crossover inteligente entre X-Men e Vingadores após a crise que acompanhamos em “A Queda” ( que você pode ler o artigo do Quadrinheiro Véio aqui ) e ainda ter uma profundidade social e intelectual monstruosa que a muito tempo não se via. Alguns diálogos são de fazer a gente parar de ler pra pensar e coloca em xeque muitas crenças nossas. Bem como alguns momentos em que a pergunta “como é que não pensaram nisso antes” vem a nossa mente. É um material denso, mas com algumas pequenas falhas de coerência que passam numa boa, mas que comentarei a seguir, porque queria saber o que você acha. De repente, eu viajei na maionese, ou perdi algo e estou tendo uma impressão errada por simples ignorância.

Vou falar do que gostei e do que eu não gostei tanto assim. Existe a chance de alguns spoilers a partir daqui, ok ? Então, vá com calma na leitura se ainda não leu. Agora, se você não se importa de saber alguns passagens da história pra decidir se lê ou não, prossiga. 

Dinastia MLançada em 2006, Dinastia M começa com uma reunião entre os Vingadores e os X-Men para decidir o que fazer com a Wanda que aparentemente enlouqueceu de vez ao durante os eventos de A Queda, onde ela matou alguns colegas heróis como o Gavião Arqueiro, Homem-Formiga (Scott Lang) e seu marido Visão. Isso a deixou mais pirada ainda, porque ela fez de forma inconsciente e depois, ao saber disso, ela ficou ainda pior. A origem desta loucura está no fato dela ter se lembrado dos filhos que ela mesma criou com seus poderes, e que depois se soube que eles eram fragmentos da alma de Mefisto, nunca existiram de Dinastia Mverdade. Sendo a Feiticeira Escarlate uma mutante poderosíssima, com poderes capazes de alterar a própria realidade, e neste estado de desequilíbrio mental já tendo demonstrado que seu inconsciente age sem ela controlar, restou aos seus amigos e companheiros decidir o que fazer com ela. Neste ponto começa um dos melhores debates da revista. De um lado alguns heróis que acreditam que nada possa ser feito e ela deve ser morta pela segurança de todos e do outro, os que acham que ainda pode ser feito alguma coisa. Nesta fase o Homem-Aranha está nos Vingadores e mais uma vez fica claro o por que de eu nunca ter conseguido enxergar o Peter como parte desta equipe tão perdedora. Ele não foi feito para trabalhar em equipe. O Aranha não se encaixa, não tem NADA a ver, na boa. Até
hoje, não teve uma única historia que o Homem-Aranha tenha realmente se encaixado na equipe. Ele até conseguir trabalhar com o Quarteto Fantástico, e com um ou outro X-Men, mas ter ele nos Vingadores é uma besteira quântica. Se você acompanha meu blog, sabe que sempre que eu escrevo algo que possa gerar polemica eu me vejo na obrigação de dizer isso: Voce pode discordar de mim e deixar o que pensa nos comentários, ok ? Neste blog que não tenho compromisso com o politicamente correto e nem em fazer média com o pensamento da maioria ou mesmo com algum compromisso comercial. É sempre a minha opinião. E neste assunto, mesmo estando sempre aberto e torcendo pra queimar a minha língua, eu nunca encontrei uma historia decente do aranha nos Vingadores e se você tiver alguma pra me indicar, eu te serei muito agradecido. 

Dinastia MApenas fazendo um adendo e só pra você perceber como tudo muda e muda rápido. Quando conheci a Feiticeira, seus poderes eram principalmente a alteração das probabilidades. Depois ela conseguiu controlar as energias dos caos e ficar neste nível semi-deusa aí. Sei lá, meio forte, não ? Enfim, seguindo em frente pra não voar muito fora do assunto do post. Eu não entendi muito bem porque o Xavier se afastou dos X-Men antes desta historia. Se alguém puder me informar, eu agradeço. Mas é muito estranho vê-lo tão fragilizado, sem saber o que fazer. Logo ele. Desde que leio HQs é dito que o Charles é o mutante mais poderoso do planeta. Mas é incrível como ele vive se ferrando. Acho que deveria ter mais historia que mostrassem ele sendo o maioral e não apenas dizer isso em toda historia em que ele vai se dar mal, ser usado, ou etc… recentemente acho que os editores tem se referido a ele como o telepata mais poderoso do planeta. Até mesmo porque o filho do Reed Richards me parece mais poderoso do que ele. E se a gente parar pra pensar, até a Wanda Maximoff nesta historia é mais poderosa. O que pode ser mais poderoso do que um mutante que altera a própria realidade ? Ao ponto de ressuscitar os mortos ? Pois é… pois é… pois é… 

Dinastia MA discussão é de alto nível, argumentos muito válidos dos dois lados. Wolverine sempre soltando opiniões diretas e práticas e o Capitão sempre no idealismo. O Aranha quando no meio dos Vingadores sempre é colocado como um adolescente imaturo e burro, emocionalmente descontrolado, cheio de piadas mal encaixadas. Eu realmente preferia que ele tivesse sido poupado disso. Até no decorrer da história, o nível de sofrimento que ele é obrigado a passar é desumano e desnecessário. Diria injusto e muito fora da linha da essência do personagem. Não precisava, na boa. Mas foi feito. Eu tive vontade de chorar junto com ele a dor que ele viveu. 

Dinastia MEm seguida, a turminha resolve ir atrás da Feiticeira em Genosha e quando chegam lá, de repente, a realidade aparentemente zera e o mundo é colorido e dominado pelos mutantes. Ninguém se lembra de nada do que aconteceu e tudo está lindo e redondo no novo planeta. Logo de cara uma discussão sobre mutantes e humanos entre o Fera e o Dr. Pym demostra uma inversão de valores e fica muito claro o domínio mutante do mundo, com uma aparente conformidade humana de que chegou o momento de sumirem como espécie dominante. Muito inteligente o diálogo. Magneto é chefe da Dinastia M, com Pietro e Wanda com ele e nesta realidade, a Feiticeira não sem poderes e seus gêmeos estão de volta. O roteiro vai nos situando sobre a vida de cada personagem e a gente saca que todo mundo está vivendo a vida dos sonhos. Menos o Wolverine, que é o único a se lembrar e uma menina que era capaz de trazer de volta a recordação de quem ela se concentra. E aos poucos vão sendo acordados, um a um, os principais heróis que vão partir pra cima de resolver a situação. Fiquei muito tempo pensando no motivo de ser o Wolverine a ser o primeiro a se recordar. A explicação dele de que já teve a memória zoada a vida toda não me agradou. Tão pouco o final em que ele acorda e se lembra de toda a vida dele, mas as memórias verdadeiras. Mas, isso é o de menos. É o tipo de coisa que vai repercutir mais pra frente. Depois que um monte de heróis é trazida de volta pela mutantezinha, acontece mais um diálogo existencial muito inteligente. Mesmo não gostando muito do Bendis, tenho que tirar o chapéu pra ele em alguns momentos. Agora, a discussão é sobre a necessidade de trazer o verdadeiro mundo de volta. Aparentemente eles fazem isso só porque é o certo, mas discutir isso foi muito legal. Faz a pessoa pensar se vale a pena viver num mundo de sonhos. É o mesmo dilema de Matrix. Vale a pena viver num mundo irreal e bonitinho, ou acordar e ver o mundo mais complicado e verdadeiro ? Eu confesso que não saberia o que escolher, por isso entendo o sofrimento do Parker. Acho que ele preferiria não ter sido “acordado” e ter continuado casado com a Gwen, ter seu filho com ela e o Tio Ben vivo. É muito zoado tirar isso dele.

Dinastia MO final é muito bom. Mais diálogo existencial e a revelação de quem realmente estava por trás de tudo o que aconteceu. Mas isso é o de menos, pois o grande acontecimento foi uma frase curta: – Chega de Mutantes.

E o mundo voltou ao que era, com uma pequena grande diferença: os milhares ou mesmo milhões de mutantes que haviam no mundo haviam sido reduzidos a menos de 200. Não morreram, perderam os poderes. Cara… pra mim isso foi uma coisa muito boa ! Quando eu comecei a ler, quase não tinha tantos mutantes assim… em pouco mais de 10 anos que eu acompanhei a leitura, parecia que a cada mês surgia mais e mais mutantes. Chegou uma hora que não tinha mais humano no planeta, só mutante. Então, eu considero isso um resgate aos tempos de exclusividade, sem precisar zerar o universo Marvel como a DC costuma fazer. Não, não acho que zerar o universo seja um problema. Apenas é uma saída diferente. O Brian Michael Bendis é um cara que “causa” nos X-Men. Pro bem ou pro mal. Esta foi uma mudança que eu achei que foi pro bem. Já o Fera com essência felina foi uma grande besteira. O final de Dinastia M é bem interessante, um fechamento mesmo. Fiquei muito curioso com a tal “energia rosa” que ficou do lado de fora do planeta. Alguém poderia me contar nos comentários o que aconteceu depois ?

Dinastia MO traço é de Olivier Coipel. Competente, mas não genial. Lembra muito o começo dos anos 90. Aquela geração dos rabiscos. Uma boa época. Acho que ele se inspira bastante em Jim Lee, Erick Larsen e companhia. Não é um cara que se destaca, mas ao menos a arte não atrapalha a leitura. Também não é um cara que é bom em material de movimento. É o típico “desenhista de capa de revista” em que cada quadrinho parece uma capa. Tudo tem pose, tudo tem algum estilo popstar. Isso incomoda um pouco mas é compensado pelos diálogos. Acho que o artista não precisa fazer de cada quadrinho um portfólio. Não se deve esquecer o movimento, a emoção. Não me entenda mal. O cara é bom sim. Só acho que é relevante esta percepção.

Bom, vou ficando por aqui. Acho que já escrevi demais e acho que este foi o meu maior post. Hoje estava bem empolgado, mas a profundidade da história pediu um pouco mais. É uma história densa. Quase não há alivio cômico.

Recomendo a leitura porque é importante não apenas pela sua qualidade, mas também pela sua importância dentro do universo Marvel. Esta história tem muito mais qualidade do que Guerra Civil ( matéria aqui ) e várias outras que poderiam nem ter existido. Aliás Guerra Civil mostra o quando Vingadores ainda é uma bela duma equipe B.

Abraços do Quadrinheiro Véio !

O Incrível Hulk – Gritos Silenciosos

Olá Quadrinheiro !

HulkSeja bem vindo. Este meu retorno ao blog me deixo animado. Não sei quanto a você, mas eu gosto muito de escrever e partilhar as minhas impressões sobre HQ’s, principalmente as mais antigas. E hoje eu comento O Incrível Hulk – Gritos Silenciosos, que reune as edições 370 à 377 de The Incredible Hulk, publicadas nos EUA entre 90/91. E esta publicação é muito legal, principalmente porque entra na Psique do Hulk de uma forma que não havia entrado antes. Colocando uma raiz mais emocional/psíquica do que apenas física para o “gatilho” da transformação do Banner e entrando no campo da psicologia/psicanálise que é um campo que eu, particularmente, adoro !

Hulk Gritos SilenciososBom a historia começa com o Hulk naquela fase cinza, em que o Mr. Tira Teima vivia em Dallas e era um “Leão de Chácara” de cassinos. Então ele resolveu sair de lá e procurar a Beth Ross, já que o Banner havia se casado com ela num período em que separaram o Hulk do Bruce. Pouco depois, tiveram que juntar os dois de novo e o Bruce ficou um tempo sendo dado como morto. Uma coisa bem legal deste período do Tira Teima é que ele aparecia de noite e o Bruce de dia. E eles mal se conversavam. Era realmente um período de Dupla Personalidade, em que ambos sabiam um do outro, sabiam que um dependia do outro, mas não sabiam os atos entre eles. Tanto que o Hulk teve uma namorada e o Bruce, não. Ao ponto de ela não saber que os dois eram a mesma pessoa. O Hulk namorava, mas o Bruce ainda era fiel a esposa, que nem sabia que ele estava vivo. Olha o tamanho da confusão.

Hulk Gritos SilenciososAo chegar em Nova Iorque, o gigante verde cinza, já começa a encontrar confusão logo de cara, ao encontrar os antigos companheiros dos Defensores e enfrentar um monstro de outra dimensão. E é aí que começa a aparecer este momento mais interno, da psique do Bruce, o ambiente dentro da cabeça dele. Logo de cara as partes mais legais da história vão dando sinais. A luta interna pelo controle é muito legal. Até mesmo porque mostra o que houve com o Hulk verde/burro. O conflito interno é muito louco : Bruce Banner / Hulk Cinza espero e malandro / Hulk Verde Burro e forte. Se a gente for comparar com as instancias instituídas por Freud, acho que poderíamos associar, respectivamente, mas não exatamente à Superego / Ego / Id. E aqui é um pouco da minha área de estudo. O Bruce representa o certo e o errado. Seus valores e limites. O Bruce não é o controle total, ele representa o que pode e o que não pode fazer. Seria o Superego da mente. O Hulk Verde é o Id, representa os desejos primários, o emocional mais puro. Hulk Gritos SilenciososÉ o que a gente poderia chamar de “criança”, que tudo quer, não mede consequências. Tudo é emoção pura e forte. E o Hulk Cinza, neste caso, poderia representar o Ego, justamente porque ele faz uma justa medida. Ele pensa, ele mede o que vale e o que não vale, mas faz uso das suas emoções. Isso é formidável, se não estivesse separado dentro da mente do Bruce. E esta separação realmente enlouquece. Como é uma história mais antiguinha, não vou segurar um spoiler ou outro,ok ? Mas no final da edição acontece a fusão dos 3, em um novo e formidável Hulk Verde. Com uma expressão mais inteligente, unindo os 3 em equilíbrio. E é quando logo em seguida começa a fase Panteão do Hulk, que muita gente execra, mas que eu acho que nem é tão ruim assim. Rendeu até jogo de video game. Uma coisa bacana é que a história já mostra que foi planejada toda bem antes, pois o Panteão começa a dar umas “aparecidas” durante este movimento. O que eu acho sensacional nesta fase, nestas 8 edições reunidas neste encadernado ( longe de ser um Graphic Novel ), é justamente a transição. Um dos poucos momentos inteligentes e respeitáveis do Hulk em vários anos. Eu gosto muito mais do Hulk Verde burro… acho ele mais real, mais legal, interessante e diferente. Mas é legal ver esta fase, que ao todo deve ter durado uns 4-5 anos. E é uma fase “ame ou deixe-o”, pois muita gente odiou e muita gente adorou.

Hulk Gritos SilenciososDurante todo o trajeto desta mudança, Bruce reencontra a esposa Beth Banner, aliás uma das melhores capas é justamente os dois rindo juntos. Uma amostra de amizade, carinho… reciprocidade mesmo. Reencontra o Rick Jones ( fazendo piadinhas à-la Homem-Aranha ), Super Skrull, Dr. Estranho, Namor, Marlo e só faltou o General Ross. E, na boa… acho o Ross chato pra caramba ! Não tem nenhuma historia com ele ( que eu tenha lido ) que eu tenha curtido. Ele virar Hulk vermelho também é uma furada sem tamanho, não ? Eu acho… E também  seria legal ver o Hulk num pega com o Coisa. Sempre gosto de ver isso. Mas, não tinha onde encaixar. 

Peter David assina o argumento. O cara foi muito bem. Nestas 8 edições do encadernado a historia caminha coesa, integra e muito bem amarrada. Ela faz sentido, mesmo quando parece que não. Tudo que acontece serve de pano de fundo pra alguma coisa. A historia verdadeira corre ao mesmo tempo que estas passagens e contratempos aparecem no decorrer dos acontecimentos. Momentos de suspense, de curiosidade, de emoção forte. Faz a gente não conseguir largar o livro. Eu adoro esta pegada do final dos anos 80. Foi uma das melhores fases para se ler HQ ( na minha humilde opinião ). Como eu sempre digo aqui no blog, ler as historias na época em que foram lançadas é muito importante, pois dá um enredo diferente. As HQ’s, assim como toda arte ( e nesta época ainda se faziam historias sem pensar só e somente nas vendas ), refletem o mundo no momento. Por isso que hoje em dia, por melhor que tenham sido algumas HQ’s, ler algo de 1985 não dá tanta emoção quanto ter lido na época. Vide Watchmen e Cavaleiro das Trevas, só pra citar algumas. Se existe um “auge” das HQ’s, eu colocaria entre 83-94, mais ou menos. Em todas as editoras. Este é o meu ponto de vista. Pode discordar a vontade. Aliás, se discordar, comente aí. Isso só colabora pra um blog melhor.

Hulk Gritos SilenciososO desenho é de Dale Keown, que definiu esta nova aparência do personagem que ainda perduraria por um bom tempo. Aliás, tenho a impressão que o visual do Hulk do Filme O Hulk de 2003, com Eric Bana, foi inspirado neste traço. Até a origem dele, tendo o pai cientista gama opressor veio exatamente desta passagem, sem considerar claro a batalha interna na mente do Golias Esmeralda ( hahaha… me divirto com estes apelidos ). Este visual do Hulk mais clean, mais limpo, mais definido, é um traço bacana, embora a personalidade dele não seja a que eu mais gosto, é um dos traços que eu considero mais bonitos.

Se voce não é fã do Hulk mas gostaria de ler algo inteligente do personagem, esta é a oportunidade.
Recomendo a edição.

Abraços do Quadrinheiro Véio !

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Franklin Richards – Filho de um Gênio

Olá Quadrinheiro !

Franklin RichardsEste artigo é sobre uma publicação bem divertida e despretenciosa, que eu particularmente curti muito e conseguiu me tirar boas risadas. Quem acompanha meu blog a um tempo, sabe que minha equipe preferida da Marvel é o Quarteto Fantástico. E embora as principais historias do Quarteto sejam apenas com os 4 heróis, também existe nas HQ’s um garotinho muito “gente fina”, filho do Reed com a Sue: Franklin Richards ! Nas HQ’s ele tem um super poder muito grande: o de alterar a realidade. Franklin Richards é um mutante e futuramente vai acabar entrando pros X-Men. Aliás, em varias historias ele tem uma participação fundamental e em alguns futuros alternativos ele é peça chave. Na super clássica ” Dias de um futuro do Passado”, Franklin Richards é um dos mutantes do futuro alternativo que estão fugindo dos Sentinelas e acaba morrendo no comecinho. Franklin RichardsJunto com a Rachel Summers, sua namorada nesta realidade. Franklin Richards é considerado um mutante nível Omega, tão poderoso que certa vez se tornou adulto e quando percebeu que estava causando muito estrago, antes de retornar para a sua idade correta colocou travas mentais em si mesmo para que pudesse ter uma infância normal e retomar seus poderes apenas quando estivesse adulto. Mas em determinado momento, Onslaught ( durante a mega saga Massacre ), raptou o garoto para usar os poderes de alterar a realidade e criar um novo mundo. Isso culminou com a “morte” de vários heróis da Marvel e com o nascimento da saga “Heroes Reborn“, que depois se provou ser um micro universo criado pelo próprio Franklin para preservar os heróis vivos e traze-los de volta mais a frente.

Franklin RichardsBom, esta é apenas uma pequena passagem sobre os poderes do Franklin Richards e e todo sofrimento que este pequeno loirinho passou… mas a publicação que eu comento hoje aqui é outra. Fora da linha do tempo normal do universo Marvel e muito divertida. Nas revistas ” Filho de um Gênio“, temos várias historias muito divertidas e curtinhas, com Franklin no melhor estilo “Calvin”, aprontando todas e sabendo disso. Sempre acompanhado do seu robozinho Herbie, que nesta historia é sua babá ( e que podemos comparar ao Haroldo, sem sua natureza animal ), ele faz de tudo. Desde viagens temporais até virar o laboratório do pai de cabeça pra baixo… muito divertido, pra gente rir um pouco e sentir o privilégio de ser fã de super-heróis ao ponto de ter publicações de humor tão inteligentes como esta. Até o estilo do desenho é inspirado no traço do Bill Watterson. Aquele menino cabecudo, pernas Franklin Richardscurtas, loirinho do cabelo bagunçado. Que detesta esportes, adora ciência, sente tédio o tempo todo. Uma homenagem tanto ao Calvin quanto ao Quarteto. Aliás, dadas as devidas considerações e separando as coisas, pra mim é uma das melhores publicações ligadas ao Quarteto.

Franklin RichardsAs historias são escritas por Chris Eliopoulos e Mark Sumerak. Chris é um letrista que, inclusive, colocava as letras nas 100 primeiras edições de Savage Dragon de Erik Larsen e também tem uma tirinha baseada em Calvin e Haroldo, chamada de Desperate Times. Além disso, escreveu alguns títulos de Star Wars para a Dark Horse Comics. Mark é argumentaste de vários títulos da Marvel também. E com esta serie do Franklin Richards receberam uma nomeação para o Premio Eisner e o Premio Harvey em 2005. Os desenhos são todos do próprio Chris Eliopoulos.

Recomendo fortemente a leitura deste formidável livro. Eu gosto de ler este tipo de historia bem devagar… um pouco por dia, porque é tão legal que a gente não quer que acabe. Se você gosta de HQ e as vezes não quer ler coisa séria, esta é a pedida.

Abraços do Quadrinheiro Véio !

Franklin Richards

Franklin Richards

Franklin Richards

Franklin Richards – Wikipédia, a enciclopédia livre

Quarteto Fantástico 2015 – O Filme

Oláááá Quadrinheiros!

Acabei de colocar um novo filme lá no canal do YouTube. Este video está bem legal ( que modesto este véio 😛 ) e eu apenas dividi minhas impressões sobre o novo filme do Quarteto Fantástico 2015 !

E antes de mais nada, precisa saber que eu gostei do filme. O que não significa que eu tenha achado ele um filme bom.É mediano, mas com bons olhos, é divertido. E, na boa… é legal demais ver braços se esticando, uma montanha de pedra socando, um cara pegando fogo e uma mulher ficando invisível! hahahahah! Eu não entrei em aspectos mais psicológicos, porque não queria um filme de uma hora, mas tem muita coisa legal pra analisar no filme, assim como a clássica Jornada do Herói ( presente em 99% dos filmes de HQ ) e outros comportamentos. Infelizmente é um filme que poderia ser uma série de TV, tem muita coisa boa que poderia precisar de um episódio inteiro para mostrar/explicar, mas que acaba ficando de fora porque o filme precisa começar e terminar em 2 horas. Acho que este foi o principal… muito pra contar, pouco tempo… e é aquele esquema, quem quer tudo, não consegue fazer nada. Assista o video e me conte o que achou.

Então voce pode ir lá no canal e se inscrever e assistir ou pode ver aqui, agora mesmo !!

E comente o que voce achou !

De verdade, é importante pacas !

Abraços do Quadrinheiro Véio !