sábado, 16 de dezembro de 2017

Doutor Estranho – O Fim da Magia

Doutor Estranho – O Fim da Magia

Olá Quadrinheiro.

Doctor_Strange_Last_Days_of_Magic_Vol_1_1_Davis_VariantEste recomeço da Marvel pós Guerra Civil muda tudo. E o Doutor Estranho começa renovado com revista própria pela primeira vez em nosso país. Acho que só não é melhor porque não é uma boa hora pra ter nada Marvel no mundo, mas ao mesmo tempo, sinto-me grato pela oportunidade de ler o médico místico em uma revista apenas dele.

A nova revista do Dr. Estranho é competente. Tem magia, tem uma história que te prende. Mas parece que estou lendo Homem de Ferro. A base da história é ótima, é intrigante e deixa a gente curioso. A parte séria é legal, mas incomoda demais quando um personagem é tão transformado. Doutor Estranho sempre foi um cara mais sério, mais sisudo. Ele tem uma responsabilidade muito grande. Mas com a Starkização de tudo depois do MCU ( Marvel Cinematic Universe ), a gente percebe que o marketing virou pra esta tendência de piadinhas despretensiosas o tempo todo, mesmo de personagens que não tinham isso em sua essência. No artigo anterior, onde falo do Homem de Ferro nesta nova fase também ( leia aqui ), eu discorro um pouco sobre estas mudanças nos personagens e nesta aparente necessidade de agradar um público pós MCU.

Raio Starkizador !!!!

correndoO próprio Doutor Estranho do cinema tem esta pegada “Starkizada“, um cara super dotado, memória fotográfica, ricasso, piadista arrogante. Ok, faz jus à origem clássica do mago supremo. Tirando a parte das piadas. Comics do Strange sempre foram mais sérios. Acho que é um sinal dos tempos. Nos anos 60/70 as crianças era tratadas mais como adultos, elas não eram superprotegidas como as de hoje. Hoje em dia tudo é pra ser divertido, tudo é “fun“, tudo é leve. Jamais poderia imaginar uma cena do Mago Supremo correndo deste jeito ( figura ao lado ). Parece até o Homem-aranha do McFarlane.

Doctor_Strange_6_Guice_VariantNão entenda isso como uma reclamação. É uma constatação. Eu comecei a ler lá nos anos 80. Peguei resquícios dos anos 70 nas HQ’s. A mudança é natural. As pessoas mudam, as comics mudam. O drama é que eu leio a tempo demais. Vivi a mudança dos anos 80. Das HQ’s inocentes se tornando obscuras. O bem contra o mal, se tornou a batalha entre as opiniões. Nada mais era simples, tudo era cinza. Não se definia mais o vilão e o herói. As motivações, os métodos, os objetivos. Tudo isso era claro até chegar o Miller, o Moore, o Claremont. De repente, Magneto não era tão mal assim. Ele queria apenas defender os dele. Doutor Destino não quer mais dominar o mundo. Lex Luthor não quer apenas matar o Super-homem. Tanta coisa mudando… mas eu peguei isso no começo. Agora, depois de 30 anos, tudo muda de novo. Os heróis não são mais sérios, eles brincam o tempo todo. Estão mais infantilizados, assim como os adultos de hoje.

Um homem de 40 anos não lia quadrinhos na minha época de infância. Aos 30 anos, raros eram os adultos que ainda moravam com os pais. Aos 16 anos, era comum os adolescentes trabalharem pra ajudar em casa, e estudar de noite. Hoje tudo mudou, e as comics também. Natural, normal. Estranho pra quem estava na transição, natural pra quem nasceu na era do @, do #, do .com. Como eu peguei esta transição, ainda tem coisa que me acostumo lentamente, e outras que eu me adapto mais rápido. A mudança é grande e veloz.

Mas, e a história ?

Doctor_Strange_Last_Days_of_Magic_Vol_1_1_Brase_VariantEsta saga em que o Doutor Estranho inaugura sua revista solo em terras verde-amarelas é muito interessante. Praticamente um sujeito de outra dimensão que tem raiva de tudo ligado à magia se apoia na ciência pra matar todas as fontes de magia do mundo, e com elas, matar os magos também. Aliás, do mundo não, de todas as dimensões. E com isso, Stephen começa a perceber e sentir isso. Embora o enredo esteja bem competente, sinto falta de algo mais filosófico, mais estranho “Dr. Estranho” clássico.

Está muito aventuresco, até porque está visivelmente buscando o personagem como visto no cinema. De qualquer jeito, pretendo terminar a saga e depois penso se irei continuar comprando a revista. O roteiro é de Jason Aaron, que também escreveu as novas HQ’s do Thor e de Star Wars. Ele é bom, não me entendam mal, eu não gosto da nova conceituação do personagem, mas o roteiro é competente.

Doctor-Strange-12-01O desenho de Chris Bachallo é competente, tem visivelmente a “pegada” atual de quadrinhos mais comicos e eu particularmente gosto disso. Desenhos ricos em contraste com preto e o colorido psicodélico remete e referencia aos clássicos dos anos 70/80 do Mago Supremo da Terra. Muita riqueza em termos visuais, criaturas, monstros extra-dimensionais, magias e encantamentos. Uma delicia de olhar. É pra admirar mais de uma vez, certamente.

Por tudo isso, recomendo a leitura. Ter algo do Doutor Estranho é melhor do que não ter nada. Como eu sempre fui fã dos quadrinhos dele, até porque eu adoro assuntos místicos, filosóficos e aventurescos por dimensões que parecem saídas diretamente de uma bad trip de algum baseado mal preparado, espero que ele retorne e que acertem a mão na recaptura de sua essência. Historicamente, nunca deu certo com nenhum personagem em nenhuma editora, este tipo de reformulação.

Abraços do Quadrinheiro Véio

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About The Author

Sou um leitor de Quadrinhos e fã de cinema desde que me entendo por gente. Minha primeira “revistinha” ganhei da minha mãe em 1983 e desde então não parei mais de ler.
Portanto este é um blog de um cara que começou a ler HQs há mais de 30 anos e continua apaixonado por este universo !

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