quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Doutor Octopus – Origem

E aí, amigos Quadrinheiros !
Este post deve ser um pouco mais curto, já que, embora eu tenha gostado deste encadernado, não vi tantas coisas a comentar, mas acho que algumas coisas são bem relevantes.
Hoje falarei sobre Doutor Octopus – Origem, um volume lançado pela Panini Books que reune as edições 1-5 da mini-série Spider-Man – Doctor Octopus: Year One.
Como já mencionei no meu post sobre o Caveira Vermelha (aqui), não sou o maior fã de histórias que visam humanizar os personagens. Acho que isso tira um pouco o brilho e a simplicidade de vários heróis e vilões, tira um pouco do ‘romance’, deixando apenas um ar de realidade não-realista, saca ? É como querer tornar complexo e realista algo que foi criado pra ser apenas uma história fantasiosa. Nesta publicação, que pelo que soube não é canônica, vemos a origem da loucura do Octopus desde de a infância. Mais uma vez, talvez baseados em teorias psicológicas, temos uma humanização desnecessária de um vilão, como se toda pessoa pra ser ‘má’ precisasse ter tido uma infância ou passado traumáticos. Pode até ser que no mundo real seja assim, mas nas HQ´s isso nunca foi necessário. Por isso que sempre reclamo sobre a humanização de alguns personagens.

Deixando isso claro, vamos a parte legal do encadernado que é justamente o nível de profundidade que o autor conseguiu chegar. Pode parecer contraditório, e realmente é. E eu explico: Não acho bacana quando a intenção é humanizar o personagem. Ponto. Mas gosto de um roteiro muito bem pesquisado, cuidadosamente escrito e com textos bem engendrados. E acho que foi bem este o caso nesta edição.
O roteiro de Zeb Wells tem uma forma arrepiante de mostrar a loucura. E é de uma inteligencia tamanha que ele usa referencias dos mais diversos campos do conhecimento humano, tais como arte, psicologia, psicanálise e ciência. Quando ouvimos o Dr. Otto Octavius falando ( na nossa cabeça não lemos os balões, nós ouvimos… com voz e tudo… somos todos loucos, nem vem, assume aí !!! ) nós acreditamos no que ele está falando. A escalada da loucura dele é palpável, é um psicoticozinho desde criancinha, com uma mente perturbada,

porém de inteligência magnífica pra ciência. A ascensão do personagem, a condução das palavras e frases, a escolha erudita dos termos para mostrar a arrogância e genialidade do Otto são muito bem pensadas e faz a gente ficar mais e mais inserido na história. E os desenhos dão o suporte perfeito. Tudo preto, tudo é escuro, tudo é noite, inconsciente puro… A arte de Kaare Andrews com as cores de José Vilarrubia impressionam por dar suporte a narrativa. Não é como um Alex Ross que as pinturas falam sozinhas, mas a narrativa pede aquele tipo de traço e cor e é o que foi colocado. A preocupação com os óculos do Doc Oc, que são uma assinatura dele, estão lá desde sempre e a evolução e criação dos tentáculos é feita de forma gradual e posteriormente explicado como funcionam fundidos a sua espinha. Aquela postura de doutor, erudito, fiel a ciência. Uma postura de que a ciência

é o grande deus dos homens, uma arrogância sem limites, bem tipica do personagem é mostrado o tempo todo. Podemos perceber uma condução obscura apoiada em desenhos destituidos de aura quente…. traços e cores frias o tempo todo. Em alguns momentos me lembrei muito do trabalho do Greg Capullo no Spawn, pelos rostos no escuro, os dentes enormes e expressivos. Muita imagem de reflexo em lentes, vidros.. tudo com peso de condução de narrativa, pensamentos e sentimentos. Gostoso de ler, até mesmo porque nos deixa bem

pensativos e introspectivos, fragilizados por estar invadindo a psique de um homem louco. E tudo isso para revelar que aquele monstro é apenas uma criança que tem medo do bulling. Então me divido aqui. Entre uma narrativa e arte muito bem feitas, que causam uma desconstrução de um personagem que sempre foi um vilão mau magnífico, reduzido a uma pessoa com uma fixação na infância. Acho que tira grande parte do brilho do personagem. Mas a obra merece ser lida.

Recomendo a leitura pelos fãs do aracnídeo. Mas vão de mente aberta, curtam a história considerando que a mesma foi feita baseada nos personagens, mas que não é canônica. Curta as referencias ao universo Marvel, mas como um personagem que não é o doutor Octopus, talvez em uma realidade paralela… hehehe
Abraços do Quadrinheiro Véio !

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