sexta-feira, 22 de junho de 2018

Homem-Aranha: De Volta ao Lar

Escrever sobre o Homem-aranha é tarefa bem fácil pra mim. Ele foi meu primeiro super-herói, foi onde comecei a ele quadrinhos e é minha porta de entrada pra este mundo fantástico. Recordo-me até hoje da minha primeira revista dele, Homem-aranha número 37, que vinha com um decalque de camiseta do Homem-aranha. Ganhei a revista da minha mãe. Eu estava na casa da minha avó e fiz ela colocar o decalque numa camiseta branca que eu estava usando… hehehe… Doces recordações de um quadrinheiro veio.
Mas, retornando ao assunto do post, acabo de ler a primeira edição da coleção de Graphic Novels da Editora Salvat. Edição esta que acabou de começar a ser distribuída em todo território nacional e que um leitor da nossa página do Facebook gentilmente me pediu pra comentar. Então, mãos a obra, já que não é trabalho algum.
Bom, inicio apenas dizendo que pra mim existe uma grande diferença entre Graphic Novel e uma passagem dos quadrinhos regulares. Pra mim, uma GN é uma edição feita pra ser assim, com começo – meio – fim, não necessariamente canônica, preferencialmente atemporal. E não apenas uma encadernação especial em papel diferenciado. Juntar 6 edições de uma revista regular numa edição de luxo, pra mim, é só uma encadernação, ok ? Jóia. Que bom que esclarecemos isso.
Esta edição Homem-aranha: De Volta ao Lar é tudo de bom. Sério. A muito tempo não lia algo com qualidade no Homem-aranha. E esta sequencia da revista foi bem escolhida. Deu um up, um retorno aos bons roteiros dos anos 80 que eu tanto sentia falta. Um Homem-aranha crível, um Peter Parker problemático e comum. Os anos 90 foram duros com o cabeça de teia. Saga do clone me fez parar de ler. Li ela inteira, li até o retorno do Peter após a morte do Ben Reilly. Mas a cagada foi tanta que perdi o tesão de continuar. Apenas pra situá-los, a história se passa após a separação do Peter e da Mary Jane Watson, e reune as edições 30-35 do segundo volume de “The amazing Spider-Man“, lançado a partir de junho de 2001. ( Não entendo porque a Salvat não coloca a informação de data original em seus encadernados… se tem, está bem escondido, pois procurei).
J Michael Straczynski é um gênio do roteiro e ritmo. Ele sabe pausar, sabe correr, sabe andar, sabe dar emoção. Ele sabe escolher as palavras, sabe como deixar curioso. Gosto de ler histórias dele. Mas não gostei muito de Babilon 5. ( Respeite, cada um é cada um, ok ? ). Acho que nos quadrinhos ele demonstra mais o que sabe, mais a sua produtividade criativa. Ele nos dá um Peter resgatado após tantos anos de roteiros porcaria ( o final dos anos 90 foram mais duros com o Peter Parker do que qualquer inimigo que ele já teve… ). Vemos o Parker livre, adulto, sofrido, evoluído com o tempo. Uma tendencia natural de um personagem que se torna velho e mais conhecido e atualizado aos tempos atuais, mas mesmo assim procurando manter a sua inocência e visão puras como um super-herói precisa ter. Para ser herói é necessário certo sacrifício e é o que ele começa a demonstrar. E uma das principais características do personagem, que é a persistência, é colocada a prova aqui, já que o vilão da edição é o Morlun, um vilão genial como a muito tempo não se criava. Um vilão frio, que faz a gente sentir medo, faz a gente ficar preocupado mesmo. Quando ele fala “não é nada pessoal“, é de gelar o sangue. Estou meio bobo com esta edição, confesso. :p
Arte do JR Jr. Clique pra ver maior !
A arte dispensa comentários, né… Qualquer um com Romita no nome deve ser lido por todo e qualquer fã de HQ. Sou fã declarado dos Romita e o John Romita Jr arrebenta. Ele tem uma forma de mostrar movimento muito pessoal e isso torna as habilidades do Aranha mais visuais. Quadros grandes, hachuras nas sombras, traços finos… expressões… são um legado e tanto deste artista que, pra mim, é do panteão dos melhores. Pode ver aí nas páginas que estou expondo se estou exagerando. Véio tem por hábito exagerar um tanto, né… mas não é o caso. Fora a tendência de achar que tudo de novo é ruim, o que neste caso também não é. Ah, e soube ontem pelo site Omelete que ele acabou de assinar com a DC, pra desenhar o Super-Homem.
Vale a pena adquirir a edição, mesmo que não pretenda colecionar todos os volumes. E o preço é bom também.
Abraço apertado do Quadrinheiro Véio.

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6 Comments

  1. Bruno Nascimento

    O que gostei dessa história, e do Aranha, é a tensão! O Aranha não é o mais poderoso ms enfrenta mais poderosos que ele! E usa a cabeça pra compensar a balança! Muito boa a história! Eu tb sentia falta de uma boa história do Aranha! Parabéns pelo blog, cara! Sucesso!

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