sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Homem de Ferro – O destino de Tony Stark

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Homem de Ferro – O destino de Tony Stark

Olá Quadrinheiro.

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Logo após as mudanças resultantes da segunda Guerra Civil, o Homem de Ferro Tony Stark precisa se re-encontrar e se re-inventar. Quando foi criado nos anos 60, o Homem de Ferro tinha uma vantagem em sua idealização, que era a de uma época em que muitas tecnologias estavam ainda looonge de serem inventadas. Nos dias de hoje, em que tudo já foi usado em tantas histórias e mídias. Onde a criatividade já andou pra tanto canto e tudo começa a se tornar clichê, a seguinte pergunta se instala: Como um cara numa armadura é algo diferente ? Na época de sua criação, até transistor era novidade. Uma armadura transistorizada era algo muito inovador, fora o fato de que a tecnologia médica ainda não poderia salvar alguém do problema que o Tony teve com os estilhaços de granada no peito.

caindoMas, passado alguns poucos anos, de repente, isso tudo já é passado, e tem até carros mais tecnológicos do que a armadura inovadora dele. Estamos falando de um personagem com mais de 50 anos. Como se manter inovador ? Como ser ainda um “gênio” tecnológico ? É com esta questão que a revista começa. Com um Tony pensando: ” Eu deveria estar tão além da curva, que ninguém mais deveria conseguir nem enxergar a curva“.

A nova armadura e além…

Com esta necessidade de criar uma armadura melhor, mais impressionante e mais forte e até mais inédita possível, Brian Michael Bendis pega a responsabilidade de inovar o inenovável. ( será que existe esta palavra ? ) O Gladiador Escarlate já teve armadura que ficava praticamente dentro do seu corpo. Como ir além ? E é aqui que começa o problema, pra mim ao menos…

Posso contar um pequeno spoiler ? Se for o caso, pule para o próximo subtítulo e não leia este trecho a partir daqui.

iron-mans-sonic-boom-1A armadura do Tony está no seu relógio. Cara, na boa, no relógio ?? Eu até entendo que é uma idéia diferentona, que é HQ e que a gente faz algumas licenças poéticas. Mas, poxa vida… a armadura do cara precisa de espaço, ela tem peso. Como assim, um relógio vira armadura ? No filme do Capitão América: Guerra Civil, o relógio do Tony se transforma em uma luva da armadura. Até aí, ok. Fisicamente compatível em termos de massa e etc… mas, um relógio praticamente virar a armadura dele ? Até a maleta do filme Homem de Ferro 2 é verossímil. Mas um relógio ? Será que ele emprestou a tecnologia do anel do Flash ? E a armadura de alguma forma elimina o espaço entre os atomos e eletrons ? Converte matéria ? Mas, como fica o peso ?

Tem como piorar…

marvel2016-Iron-ManDepois disso, ele enfrenta o Doutor Destino. E de alguma forma a armadura normal dele “evolui” para uma HulkBuster sem novas partes chegar pra somar. A armadura praticamente dobra/triplica de tamanho, do nada. Acho que é isso que mais me incomodou nesta nova armadura, que não é mais biologicamente ligada ao Tony, mas que segue suas sinapses cerebrais.  Mas, ok… “vamo que vamo”. Só que o que me incomoda mais é que agora a Marvel tornou o Stark dos quadrinhos assumidamente igual ao dos filmes, na personalidade e até no rosto.

invincible-iron-man-3-awesome-facial-hair-brosEntendo que o marketing disso ajuda a conquistar novos leitores e entendo que quadrinhos são feitos para crianças. Eu aceito que sou uma criança de 40 anos de idade. Sei que as coisas vão mudando, se adaptando e que não é legal se apegar a algumas coisas. Elas precisam mudar, adaptar, evoluir e que a gente que lê a mais de 30 anos e acompanha o mesmo personagem começa a ter bagagem demais por tempo demais e que não tem como parar de comparar o que era com o que é e nem imaginar o que virá. Mas o fato é que muita coisa mudou, e nem tudo foi pra melhor. Cara, ele nem é mais um Stark de sangue. Ele descobriu que é adotado. Isso é tão senseless…

Não gosto muito do Bendis

iron-man-doomQuem acompanha o blog a um tempo, sabe que eu não sou o maior fã do Bendis. Acho que não bateu comigo. Ele tem umas idéias legais, mas no geral, não rolou uma identificação comigo. Gosto da história, mas não da nova essência dos personagens. Gosto de ver mais uma vez o contraste tecnologia/magia que esta fase resgata e até os questionamentos existenciais apresentados. A história principal é atraente e deixa curioso, mas não ao ponto de eu passar da edição numero 3. São tantas publicações hoje em dia, que a gente não consegue acompanhar tudo. Seja por tempo, seja pelo fator financeiro, hoje é preciso escolher o que ler. E infelizmente, não é o Homem de Ferro que vai se manter na minha leitura mensal, embora eu vá acompanhar o que acontece com ele com interesse. Os desenhos são de David Marques e ele resolve, mas não impressiona. A meu ver, no meu ponto de vista, a revista Homem de Ferro ( assim como várias outras ) é publicada “na obrigação“, então se é algo bom, ou não, é o de menos pra editora. Me passa um sentimento de industrialização, de pasteurização, em um lugar em que a criação como arte deveria ser melhor valorizada.

Pros novos fãs do herói, esta nova fase parece muito bacana. O pessoal que começou a se interessar por HQ depois do cinema tem um extraordinário material em mãos. Os fãs que já conhecem o quanto o latinha é um personagem fraco, não vão perceber muita diferença.

Abraços do Quadrinheiro Véio

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Foto de perfil de O Quadrinheiro Véio

Sou um leitor de Quadrinhos e fã de cinema desde que me entendo por gente. Minha primeira "revistinha" ganhei da minha mãe em 1983 e desde então não parei mais de ler. Portanto este é um blog de um cara que começou a ler HQs há mais de 30 anos e continua apaixonado por este universo !

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