sexta-feira, 22 de junho de 2018

Lanterna Verde e Arqueiro Verde

Normalmente eu costumo falar sobre Graphic Novels ou sagas mais fechadas, encadernadas, mini-séries e coisas do tipo. Mas hoje eu vou falar sobre uma pequena passagem muito marcante das HQ, em que houve a conjunção do Lanterna Verde com o Arqueiro Verde. E foi uma das mais memoráveis fases das HQ dos anos 70, redefinindo ambos os personagens. Inclusive sendo lançado em duas edições especiais pela Panini em 2006.
A época pedia uma mudança de comportamento, e os personagens precisavam
de algo que desse uma balançada. Então, a DC colocou Dennis O´Neill e Neal Adams pra dar esta nova “Cara” pra eles. Só que o resultado acabou ficando melhor do que o esperado. E é dificil falar sobre este momento sem recorrer ao saudosismo. Afinal, era uma época em que os quadrinhos experimentavam uma fase mais inocente, ao mesmo tempo que começava a haver uma preocupação em trazer pra realidade comum das pessoas tudo que se apresentava nas revistas. Em vista disso, dentre outras coisas, Hal e Ollie enfrentam situações de preconceito, discriminação, drogas, miséria e pobreza ao viajar de carro pelo interior dos EUA.

O Lanterna Verde é praticamente um policial espacial, tem aquele senso de certo e errado baseado em leis, mas nunca levava em consideração as graduações, as nuances de justiça. E o Arqueiro Verde estava mais em solo, morando num bairro pobre, simples, vendo o dia a dia das pessoas mais simples. E tudo isso nos anos 70. É bacana que o Arqueiro intima o Lanterna a ver as coisas da forma dele, e ele topa, até memso porque logo no começo, o Hal é chamado pra OA pra se explicar sobre abuso de poder e o Arqueiro convida-os para ir até lá e conhecer de verdade o
modo de vida humano da Terra. Um deles se oferece e passa a viajar de caminhonete com o os heróis e percebe que começa a ser tornar mais humano, ao questionar o uso da emoção sobre a razão. É muito bom pra reflexão, fazia a gente pensar, olhar em torno de nós mesmos, de nossa vida mesmo nos dias de hoje. E é também neste entre-meios que o sidekick do Arqueiro Verde, Roy Harper que na época era o Ricardito, se torna um viciado e com a ajuda da Canário Negro consegue se livrar do vício. O confronto dele com o Oliver, um confronto intelectual, de palavras, é emocionante. E é totalmente a cara dos anos 70. 


Vale mesmo a pena conferir, porque da forma que foi retratada esta passagem, virou um clássico. Não tenho certeza, mas creio que foi a primeira vez que foi tratado um assunto tão sério nas HQ´s e de uma forma tão forte, tão densa. E a reação do Arqueiro, sempre machão, sempre com pose de correto e justo, recorre a ira quando descobre seu protegido se drogando justamente porque sente falta de seu tutor. Ao invés de acolher o drogado, o expulsa de casa. Palavras fortes, reações emocionais… roteiro de gênio.

Os desenhos de Neal Adams dispensa qualquer comentário. Pra mim é de longe um dos melhores desenhistas da DC de todos os tempos. Desde Batman até o Lanterna, tudo que ele faz eu realmente gosto. Os traços femininos, as expressões nos olhos, a simplicidade porém com quadros bem pensados e o movimento dos personagens… tudo isso faz a gente se colocar dentro. O rosto da Canário está lindo, delicado, feminino… muito bom mesmo. Sou fã.
Recomendo a leitura. Seguem algumas capas abaixo.
Abraços do Quadrinheiro Véio.




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