terça-feira, 21 de novembro de 2017

Lanterna Verde – A Ira dos Lanternas Vermelhos

Lanterna Verde – A Ira dos Lanternas Vermelhos

Oi, Quadrinheiros.

Ira do Lanternas VemelhosPerdoem este longo período sem posts no blog. Estive concentrado no canal e por este motivo, dei um tempinho aqui. Mas agora vou retomar com tudo. E nada melhor pra retomar o blog do que com a continuação da Guerra dos Anéis do Lanterna Verde. Do encadernado “A Ira dos Lanternas Vermelhos“, que reune as edições de Green Lantern 26-28, 36-38 e Final Crisis: Rage of the Red Lanterns. Aqui no Brasil o encadernado foi lançado em setembro de 2015, mas originalmente nos EUA, a revista regular saiu em 2008.

Logo após os acontecimentos narrados na Guerra dos Anéis ( que você pode ler minha resenha da parte 1 aqui e a parte 2 aqui ), A Ira dos Lanternas Vermelhos começa imediatamente em seguida. Com Sinestro preso em Oa, aguardando julgamento, e Hal Jordan e os demais Lanternas Verdes retomando a rotina e arrumando toda a bagunça causada durante Guerra. Eu sempre gostei muito do Sinestro. Ele é um vilão simples, mas com uma mentalidade complexa. Aos olhos dele, ele não é um vilão. É apenas um policial melhor. Ele continua fiel à base de tudo que fundamenta os Lanternas Verdes, à única excessão de que ele acredita que o melhor modo de policiar e colocar as pessoas na linha seja através do medo. E baseado nisso, que se formou a tropa dos Lanternas Amarelos, ou Tropa Sinestro. Inicialmente, o korugariano abraçou o medo, mesmo sem sentir medo. Seu sinestrouniforme era azul ( que eu gosto mais, muito mais do que o amarelo ) e ele era sozinho. Não se tinha uma bateria central amarela, e nem se falava em tropa amarela. Sob o conceito de “espectro emocional” e baseado num número muito forte misticamente, o 7, foi desenvolvida uma “teoria”, de que as emoções são relacionadas a um espectro de cores, sendo o verde no meio, ou seja, o mais equilibrado, já que é a Força de Vontade que gera a energia verde, que os Guardiões canalizaram na Bateria Central de Oa. Já a Bateria Amarela se materializou no planeta oposto a Oa, em Qward, no universo de anti-matéria do Anti-Monitor. Como tudo lá seria oposto ao Multiverso positivo, naturalmente que o Medo seria a forma distorcida da Força de Vontade se manifestar. Enquanto a Força de Vontade se sobrepõe a qualquer sentimento, considerando que a pessoa que tem uma grande Força de Vontade é capaz de perceber suas emoções mas tomar decisões racionais sobre o que sente, e assim chegando ao resultado mais eficiente. O Amarelo faz justamente o contrário, já que retira o controle das mãos da pessoa e a torna suscetível ao seu instinto básico de sobrevivência e, desta forma, age “sem pensar muito“. Automaticamente ou Instintivamente. Mas isso tudo talvez você já saiba.

Ira dos Lanternas VermelhosNo livro A Ira dos Lanternas Vermelhos, temos a formação de uma tropa baseada em outra emoção, e esta na borda do espectro emocional: a Raiva. Curiosamente, a Raiva tem a cor vermelha, cor do sangue, cor do fogo, a cor de vibração mais baixa e por este motivo, é explicado que quando uma pessoa é dominada por um anel vermelho, ela perde o controle racional com mais facilidade, se deixando levar pela emoção da raiva em seu maior ponto de fúria cega: a Ira, chegando ao ponto de expelir uma labareda de napalm pela boca, literalmente, vomitando de raiva. Interessante notar que é a raiva e não o ódio. O ódio não é o mesmo que a raiva, já que o ódio ainda tem uma parcela racional envolvida, e a raiva é puro instinto animal. E no espectro emocional, que segue a formação do arco-iris, é possível perceber que os dois extremos são considerados os mais suscetíveis às suas respectivas emoções. De um lado a Raiva e do outro, o Amor. Mas aqui cabe uma ressalva muito importante. O amor é algo dentro do controle, a paixão, não. A paixão é instintiva, dominadora. Te tira do seu centro. É o amor irracional, nem de longe as Zamaronas, ou Lanternas rosas, deveriam dizer que dominam o amor, mas sim que são dominadas pela paixão. Esta é a grande ilusão das Safira-estrelas. Mas vamos tratar disso no post onde comento “Agente Laranja“, continuação direta deste livro.

Ira dos Lanternas VermelhosEsta tropa dos Lanternas Vermelhos nasce do ódio de Atrocitus, um sobrevivente de um massacre que aconteceu no sistema 666, no planeta Ysmault. Assim, com esta raiva canalizada, surge o primeiro anel vermelho e a bateria central, que passa a varrer o cosmo em busca de seres capazes de sentir grande ira. Os anéis surgem do sangue de inimigos odiados sacrificados. Macabro ? Pode crer… hehehehe

Blue_Lantern_Corps_03Ao mesmo tempo que somos apresentados aos Lanternas Vermelhos, também temos uma pequena introdução aos Lanternas Azuis, que personificam a Esperança. O fundador desta tropa é ninguém menos que Ganthet, o mesmo anão azul que foi o único sobrevivente dos Guardiões quando Hal Jordan, dominado por Parallax, matou todo mundo em Oa. E que deu o anel pro Kyle Rayner. Azul é a cor que está imediatamente ao lado da verde no espectro emocional, e embora sejam fortalecidas por um sentimento muito nobre e puro, tem seus poderes dependentes da proximidade de um Lanterna Verde. Acho isso bem interessante. Cada tropa tem a sua particularidade, forças e fraquezas. E eu, que costumo torcer o nariz pra 90% do que foi feito depois do ano 2000 nas HQ’s em geral, abri grandes sorrisos e senti emoções variadas ao ler esta edição. Ela introduz os Azuis e também uma “tropa de elite”, uma corregedoria dentro da Tropa dos Lanternas Verdes: Os Lanternas Alfas. Pois é… as vezes acho que a DC gosta de complicar… hehehehe… mas, ok. Ficou legal, mas é assustador. Os Lanternas Alfas são os Lanternas que mais sentiram-se injustiçados na vida e por isso, foram considerados os mais capazes de detectar injustiças. São a corregedoria dos Lanternas Verdes, e passam por uma cirurgia, onde seus corpos e mentes são fundidos a uma bateria energética, tornando-os meio como os antigos robôs dos Guardiões, conhecidos como “Os Caçadores Cósmicos“. E como ele, também tem o poder de drenar a energia dos anéis dos Lanternas, deixando-os indefesos e podendo leva-los para julgamento em OA se necessário. Na boa, são realmente assustadores. Como tem a sua emoção removida, um Lanterna Alfa fica basicamente uma máquina, e  mesmo ainda com a memória de quem foram, seus comportamentos se tornam frios, expressões frias em seus rostos. É algo que não tem como não sentir medo. Se um Lanterna deveria ser destemido, é curioso ver como os Alfa deixam todos receosos quando passam.

Emotional_Spectrum-3

E, pra completar, é autorizado o uso de força letal por toda a tropa, não apenas contra a Tropa Sinestro, mas contra qualquer ser vivo. E é por isso que os Alfas foram criados, como forma de julgar se o uso da força letal foi mesmo necessário, ou se foi uma atitude autoritária.

Eu achei muito interessante. É uma grande quebra de paradigmas que esta guerra dos anéis deflagou e que seguiu adiante com a apresentação das demais tropas, cores, emoções e conceitos. Todo o universo DC é afetado, não apenas as revistas do Lanterna Verde. Até mesmo porque é daí que vai chegar na “Noite mais Densa”, uma profecia antiga dos guardiões, e que culmina em mudanças absurdamente grandes no universo pré novos 52 da DC.

Geoff Johns é a cabeça por trás de toda esta saga. Que incrível. O roteirista vai bem em tudo, na previsão, na deixa de dicas escondidas, nos mistérios, nos diálogos. Eu costumo dizer que existem as Graphic Novels e as Sagas Regulares. Não podemos misturar as coisas. Uma coisa é Watchmen, 300, Cavaleiro das Trevas, Reino do amanhã… sagas fechadas, começo/meio/fim. Outra diferente são as revistas de linha, regulares. É muito difícil fazer algo assim, e Geoff Johns faz magnificamente algo muito difícil, que é criar algo coeso, cheio de informação, redundância e peso. Não ficando apenas na ação, mas partindo pra filosofias, conceitos emocionais psicológicos profundos, associação das cores, coisas mais míticas, com a vibração energética emocional. Este cara deve ter bebido um pouco do conhecimento hermético. Isso me deixa muito contente, já que acredito que a física quântica está cada vez mais abundante e chegando ao cidadão comum. Um conhecimento que vai, certamente, mudar a forma de ser das coisas aqui neste terceiro planetinha em torno do sol.

A arte é de Mike McKone, Shane Davis e do brasileiro Ivan Reis. Toda a arte é bonita, bem feita, e o movimento é bem pensado. Como parte tudo da mesma cabeça, os artistas seguem uma linha muito parecida, tendo que forçar pra perceber quando é um e quando é outro, mesmo pra olhos acostumados com traços diferentes como os deste “Véio” que vos escreve.

Bom, recomendo a leitura. Acho muito interessante e bem feita. Vale a pena ler toda a saga da Guerra dos Anéis do Lanterna Verde.

Abraços do Quadrinheiro Véio !

About The Author

Sou um leitor de Quadrinhos e fã de cinema desde que me entendo por gente. Minha primeira "revistinha" ganhei da minha mãe em 1983 e desde então não parei mais de ler. Portanto este é um blog de um cara que começou a ler HQs há mais de 30 anos e continua apaixonado por este universo !

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