segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Marvel Origens – A Década de 1960

Origens Marvel

Origens Marvel – A Década de 1960.

Olá Quadrinheiro,

decada-de-60-09233067d7a5151e9c22923f64560751-480-0O post de hoje é sobre um dos volumes da Coleção Oficial de Graphic Novels da Salvat, e justamente a edição Clássicos I, que em sua composição reune com qualidade 10 origens dos personagens Marvel que surgiram nos anos 60. Vale ressaltar a qualidade das publicações. Eu realmente ainda me surpreendo com os dias atuais, em que edições com este nível chega em nossas casas.

Em minha infância a gente acompanhava as edições naquele tamanho pequeno, o conhecido “formatinho“, que todo mundo fala mal. Mas quem cresceu lendo as “revistinhas” da Ebal e Abril tem muita gratidão por ter tido acesso, mesmo com papel esquisito e algumas mudanças do enquadramento. Afinal, quando a gente é criança, o que vale é a história. Adulto chato é que fica preocupado com o papel, no final das contas é a viagem proporcionada o que realmente conta.

022d79fecfb6face6624d58df5b9a972Cabe até um adendo: As histórias pré anos 90 tinham mais texto, mais narrativa. Os anos 90 foram uma grande transição, onde os quadrinhos começaram a ter o foco principal pra parte visual. Não é a toa que cada quadrinho parecia um pôster e os roteiros foram muito sofríveis. Talvez por isso que a qualidade do papel e da revista em geral, formato maior e como o original tenha precisado ir pra patamares melhores. Acho que agora estamos começando a chegar em um equilíbrio.

Mas retomando o assunto do post, este encadernado tem as origens de: Quarteto Fantástico (Fantastic Four 1), Homem-Aranha (Amazing Fantasy 15), Hulk (Incredible Hulk 1), Demolidor (Daredevil 1), Homem de Ferro (Tales of Suspense 39), X-Men (Uncanny X-Men 1), Vingadores (Avengers 1), Capitão América na era moderna (Avengers 4), Homem-Formiga (Tales to Astonishing 27) e Vespa (Tales to Astonishing 44).

Tudo se resume à emoção.

rsz_untitled-8000000-620x915Não tem sentido algum eu falar pra você sobre cada uma das edições que compõe o livro. Provavelmente você já leu ou já conhece o que está nestas histórias. Afinal, se você está aqui neste blog, é fã de quadrinhos como eu, ou até mais fã. Mas vou compartilhar um pouco do sentimento. O sentimento de ler isso tudo ( no meu caso, reler ).

Histórias em quadrinhos fazem parte de toda a minha vida. Ganhei minha primeira HQ aos 6 anos, e eu já lia fluentemente. Eu praticamente não sei o que é a vida sem HQ’s. Quando eu tive acesso as histórias desta edição, um bom tempo depois, e claro, não ao mesmo tempo, era em algum extra em alguma revista. Era muito raro ter re-publicações, não havia internet, o acesso era muito limitado.

As redes sociais eram a escola ou os amigos dos parentes. Era muita sorte conhecer alguém que tivesse alguma revista que você queria ler, e mais sorte ainda se esta pessoa emprestasse pra você. A gente tinha que ficar esperto nas sessões de cartas, onde os editores respondiam as duvidas e curiosidades dos leitores. Ou quando alguma origem era recontada ou referenciada em alguma outra história. Sinta-se privilegiado por poder ler isso com tanta facilidade nos dias de hoje. Aliás, hoje em dia o problema é outro. Se nos anos 80 nosso problema era a falta de acesso, hoje em dia não temos todo o tempo que precisamos pra ler tudo o que chega facilmente as nossas mãos.

Uma época emergente

antmanwithantsA inocência e o sensacionalismo imperam nestes quadrinhos. O que era tido como o “supra sumo“, ou “excelsior” nos anos 60/70 era o quanto era grandioso imaginar aqueles seres e aqueles poderes. Stan Lee não poupa frases de efeito, como: “Metade homem, metade monstro, o poderoso Hulk emerge da noite para ocupar seu lugar entre os mais estupendos personagens de todos os tempos!“. Era uma época de novidades. Os personagens sensacionais existiam em livros clássicos. Monstros sensacionais como o Monstro de Frankenstein, Drácula, Lobisomem, Múmia, Zumbis, etc… povoavam as mentes.

AF15P07Mesmo a DC Comics tendo vindo antes, não preenchia uma lacuna que espertamente o visionário Stan Lee percebeu e preencheu. Inspirado no Dr. Jekyll / Mr. Hyde de o Médico o Monstro, aparecia o Hulk. O super-soldado americano que se sacrificou na guerra reaparece congelado. A ciência e a radiatividade trazendo grandes avanços e inseguranças, principalmente com a bomba atômica e a radiatividade inspirando a criação dos 4 Fantásticos, do Demolidor, do Cabeça de Teia e até do próprio Hulk. Os avanços da medicina criando o casal da Formiga e da Vespa. A tecnologia avançada de uma super-armadura no Invencível Homem de Ferro ao mesmo tempo que uma inspiração para trazer a tona a percepção do preconceito racial foi a tônica principal para a criação dos mutantes X-Men.

Toda inspiração de Stan Lee, veio de sua percepção de gerar de alguma forma, uma identificação entre os personagens e seus leitores. Suportado completamente pelos fatos mais atuais da época, em que as pessoas tinha acesso apenas pelos jornais e da recém criada televisão, que poucos tinham acesso, este gênio saiu criando ( ou re-criando ) muitos e muitos seres incríveis e inspiradores.

O traço de Jack Kirby, Steve Ditko e companhia é uma delicia de ver. São os pais do movimento, da fluidez. O pensamento não era sobre a beleza, mas em contar a história. Hoje em dia eu percebo que os desenhistas praticamente fazer uma capa por quadro… é muita pose e pouco movimento. Bem diferente do original. Não acho que algo seja ruim, é apenas diferente.

Apenas por um segundo.

tumblr_nnj5em2eaT1qc8b0ao6_1280Meu convite a você, amigo que acompanha este blog, não é na história pela história. Mas a um exercício de transporte da sua mente. Faça uma pequena dinâmica, se imagine sendo um jovem leitor de “comics” nos Estados Unidos dos anos 60. Localize-se temporalmente. Transporte-se pra lá. Imagine como seria ler uma revista em quadrinhos como estas, quando os Westerns e Contos de Terror dominavam as bancas, e uma nova área se expandiu.

A DC Comics estava recentemente retornando de seu hiato temporal, iniciando sua conhecida era de prata dos quadrinhos. Renovando os clássicos Super-Homem, Flash, Mulher Maravilha, Batman, Lanterna Verde e criando novos heróis. Cada vez mais e mais inspiradores e incrivelmente superiores aos outros mortais do planeta. Enquanto a Marvel chegava com heróis adolescentes, onde a identificação imperava. Inspiração e identificação. Esta é pra mim a principal diferença entre Marvel e DC. E, por favor, você não precisa escolher uma.

À você é dada a dádiva de ler e curtir ambas. Que grande época pra se gostar de Super-heróis. Quanto entretenimento temos, não é ? Como pode ver, uma longa caminhada aconteceu entre o surgimento dos personagens, seu amadurecimento, até chegar aos cinemas do mundo todo. Se tornaram conhecidos, reconhecidos e amados por pessoas de todo o globo. Sempre somos e seremos carentes de salvadores, seja alguém que nos inspire a sermos melhores, seja pra nos fazer perceber que já somos.

Esta edição não traz a origem do Thor e do Doutor Estranho, me parece que ela virá em outra edição da mesma coleção. Segue a galeria de capas ao final deste texto.

Saudosamente me despeço.

Grande abraço do Quadrinheiro Véio !

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About The Author

Sou um leitor de Quadrinhos e fã de cinema desde que me entendo por gente. Minha primeira “revistinha” ganhei da minha mãe em 1983 e desde então não parei mais de ler.
Portanto este é um blog de um cara que começou a ler HQs há mais de 30 anos e continua apaixonado por este universo !

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