domingo, 22 de outubro de 2017

Marvels

Este é talvez um dos melhores trabalhos já escritos e desenhados da Marvel. 

As histórias foram escritas por Kurt Busiek, ilustradas por Alex Ross e editada por Marcus McLaurin. Uma mini série em 4 edições, lançado em 1994. Lembro-me que eu queria tanto esta história que eu encomendei de um rapaz de minha cidade que conseguia trazer de fora do país e depois, de um ano é que foi lançado no Brasil. Um detalhe bastante interessante é a capa, que na edição americana tinha esta borda preta impressa numa capa de plastico transparente e a pintura estava integral. Na edição brasileira, como sempre, isso se perdeu.

Uma das coisas mais legais e inusitadas desta série é a história da Marvel, colocando todos os heróis, as origens de seus principais personagens sob o ponto de vista das pessoas comuns, mais precisamente um repórter, um fotógrafo chamado Phil Sheldon.

Ao longo de 4 edições, um jovem fotógrafo começa sua carreira no Clarim Diário, tendo como colega de trabalho um também jovem J. Jonah Jameson que almeja se tornar o editor. Então, surgem os primeiros heróis, o primeiro Tocha Humana e Namor, o príncipe submarino. Durante uma das batalhas ele é atingido por um pedaço de pedra que se solta de um prédio e perde o olho esquerdo. Me pergunto se isso não é um simbolismo pra uma “Visão parcial” que ele dá sobre os eventos no universo Marvel. Confesso que é muito emocionante. Ao ver como as pessoas normais reagiam os novos seres, ao surgimento de pessoas com super-poderes, o nascimento do Capitão América, como isso chegou aos jornais e como era a reação das pessoas n dia a dia. As crianças se inspirando, os adultos temendo e mais de perto ainda, como era o dia a dia da família do Phil. Nos tornamos íntimos de uma família classe média e dos pensamentos de um fotógrafo que está no dia a dia. Ao longo de toda a história, Ross coloca referências aos mais diversos personagens e também homenagens aos artistas e pessoas ligadas a Marvel. É como revisitar uma era mais simples, porém sob uma ótica mais humana e simples. Nos faz sentir como transeuntes.

Na segunda edição, um pouco mais velho, o Phil se vê de frente com a onda mutante. O medo, o preconceito, todo estampado em todo lugar nas ruas, as grandes ameaças e ainda tendo que lidar com a histeria das ruas durante o ataque dos sentinelas. No meio disso, uma mutante criança aparece na casa da família Sheldon, gerando apego. Muitos pensamentos que são compartilhados nos levam a pensar muito sobre o que o preconceito causa na nossa sociedade. Simplesmente lindo ! 

A chegada do Galactus e seu arauto, o Surfista Prateado marcam a terceira parte desta série, onde todo mundo fica sem entender nada nas ruas. Até o casamento do Senhor Fantástico e da Garota Invisível ( sim, é garota invisível, o nome mulher invisível viria apenas no final dos anos 80, explico em outro post qualquer dia ) aparecem na história. E um Phil mais velho acompanha tudo.

Na última parte o velho Phil acompanha Gwen Stacy e toda a sua revolta com relação as “Maravilhas” ( por isso o nome da série, Marvels ) começa a mudar. Ele percebe pela inocência dela como ele estava inserido em tudo aquilo e como não conseguia mais ter o olhar de fora. É muito lindo ver como Gwen ficava maravilhada ao ver as máquinas atlantes invadindo a cidade. Ao mesmo tempo, lançava seu livro auto biográfico de fotografias da carreira,com o nome de Marvels. Vê-lo lamentar a morte da Gwen e toda a percepção dele sobre os acontecimentos foi muito, muito emocionante, quando finalmente fecha com chave de ouro com um jovem Danny Ketch distribuindo jornais de bicicleta.
A série também foi vencedora de vários prêmios em 1994, que alçaram a carreira do Alex Ross. Após Marvels, Ross produziu Reino do Amanhã, para a DC Comics, que em breve ganhará meus comentários aqui no blog.

  • Ganhou “Melhor Série Finita” Eisner Award.
  • Ganhou “Melhor Pintura” Eisner Award, para Alex Ross
  • Ganhou “Melhor Design de Publicação” Eisner Award, para a Comicraft
  • Concorreu a “Melhor Artista de Capa” Eisner Award, para Alex Ross
  • Concorreu a “Melhor Lançamento” (Best Single Issue), para a Marvels #2 “Monsters”
Esta mini-série está sendo relançada na coleção da editora Salvat. Uma coleção que acho que vale a pena, pela qualidade e pelas histórias muito bem escolhidas. Tenho intenção de fazer a coleção e também de ir comentando sobre ela aqui no blog.
 
Comente aí o que você achou também.
 
Abraços do Quadrinheiro Véio !
 
 
 

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2 Comments

  1. oquadrinheiroveio

    hehehe… que bacana que você leu aqui também, Vagner.
    Assino embaixo da sua percepção. Também detestei a saga do clone… me fez distanciar da Marvel.
    Rapaz, seus comentários enriquecem muito este blog !
    Obrigado mesmo !

  2. vagner araujo

    Olha…não tinha visto esta aqui!!!
    Que bom que vc colocou lá no face da salvat! rsrsrs
    Acredita que nunca tinha lido esta??? Só corrigi isto com a coleção da salvat…comprei e gostei muito! Me lembro que na época do lançamento eu estava desgostoso com HQ's (maldita saga do clone…e etc), além de andar meio quebrado com grana!!rsrsr
    Gostei muito da edição!! A idéia do roteiro é FANTASTICA!! O impacto dos heróis na sociedade…e parabéns à Marvel pela coragem de colocar um estilo de arte até então muito inovador para a época!!
    Acredite…me emocionei de novo em ver o triste fim da Gwen…tsc…e desta vez mais real do que nunca na mão do Alex Ross.
    Essa, junto com a última caçada de Kraven já valeram a coleção da Salvat.

    Abração

    Vagner

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