segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Monstro do Pântano – Alan Moore

Monstro do Pantano

Olá Quadrinheiro !

Obrigado por estar sempre por aqui no blog. Isso me deixa bem contente. E mais contente ainda quando você me deixa um comentário com a sua opinião lá embaixo. Isso é um grande incentivo, viu ?

monstro-do-pantano-ed-abril-01-a0-19-alan-moore-14648-MLB3491044306_122012-OBom, Monstro do Pantano de Alan Moore. O que dizer ? Tem um tempinho ? Umas duas horinhas ? ( heheheh ) Brincadeira, não tem muito o que dizer, obras de arte falam por si mesmas.

Monstro do PantanoEu tive contato pela primeira vez com o Monstro do Pântano na revista dos Superamigos, lá nos anos 80 em HERÓIS EM AÇÃO pela EDITORA ABRIL, uma das três revistas que a Abril lançou em 1.984 em sua tentativa de publicar a DC Comics. Muitos em 84 conheciam o personagem da série e especiais publicados pela EBAL – algumas histórias já publicadas em dois volumes pela Panini. A fase de ALAN MOORE estreou em Os Novos Titãs, passou para Superamigos (revistas que substituiu Heróis em Ação) e esteve presente no almanaque trimestral SuperPowers (de onde vem a lenda que Monstro do Pântano vende pouco, pois foi a edição que vendeu menos, embora seja uma das melhores passagens do personagem) e eventualmente apareceu em Batman 2ª série até que deixou se ser publicado em Superamigos. Foi aí que no início dos anos 1.990, a Editora Abril decidiu retomar de onde parou e lançou uma série mensal, primeiro em formatinho, depois em formato americano.

Monstro do PantanoLembro-me bem de quando comecei a ler as historias do Monstro do Pantano. Eu até deixa-as para ler por ultimo, não era o que eu gostava mais, e por isso, priorizava as dos heróis mais famosos e só lia no final, quando não tinha mais o que ler. Lembro que eu até achava ruim ter Monstro do Pantano no lugar de outras que eu achava que seriam mais interessantes… rs… Só que em poucos meses eu fui ficando mais e mais preso àquele personagem, e não via a hora passar, esperando a continuação no mês seguinte. Monstro do PantanoE a leitura se inverteu. Eu começava pela historia do Monstro do Pantano e não as outras. E era fascinante… embora repita a jornada do herói com maestria, o monstro do pântano era um pouco menos clichê. Ele tinha uma dose a mais de sofrimento e a pitada de terror e lendas urbanas que eu lembro que amava ( e ainda amo ) ler em historias. Gosto quando o clássico é referenciado e até mesmo utilizado de suporte nas historias atuais, com um embasamento inteligente. E como todos sabemos, inteligente é tudo que vem do gênio Alan Moore. E nem é porque ele é meu xará não… hahaha… Toda a retomada do personagem é bonita, inteligente… a mistura da brutalidade, do sofrimento… a mistura com as lendas dos elementais, a inteligência dos diálogos, os pensamentos do monstro perante a grandeza do universo. Tenho pra mim que o mestre Moore faz parte de Monstro do Pantanoalgumas das sociedades secretas mais antigas e detentoras de conhecimentos humanos muito grandes, pela profundidade de seu entendimento sobre a vida, o universo e o tudo mais. Tem uns momentos que tiram o fôlego da gente. A fase do inicio dos anos 90, que saiu em formatinho próprio aqui no Brasil, é uma fase incrivelmente fascinante. Ele passeia por todo o mundo, entende a sua verdadeira natureza, seus poderes, sua ligação com o todo e com a fascinante ideia de que não somos nós que evoluímos espiritualmente das plantas e dos animais, mas sim o contrário. É algo tão maravilhoso que deixa a gente a pensar muito, muito mesmo. Eu gosto de pensar… sou grato a qualquer livro que me ajude a pensar. Se for HQ, melhor ainda.Monstro do Pantano

Recentemente foi republicado no Brasil pela Panini uma revista “Classicos do Monstro do Pantano – Raizes“, trazendo as primeiras historias do Alec pelas mãos de Len Wein, seu criador ( sim, o mesmo cara que criou o Wolverine ) e Bernie Wrightson. Eu não conhecia as primeiras historias do personagem, apenas a de lançamento que saiu em algum dos formatinho na época dos anos 80. E é um começo muito legal. Em seguida, foram republicadas em “A Saga do Monstro do Pântano“, volumes 1-4 temos a republicação de todas as historias de autoria de Moore, em formato americano, naquele papel meio “jornal”, mas na integra. Desde a época de Superamigos, até a fase que saiu na revistinha própria. E, cara, foi um prazer absurdo poder reler esta obra de arte. Historias do MdP são tão marcantes que até os diálogos foram me vindo a mente enquanto lia. Existe frases que eu aprendi nesta época que até hoje eu repito. Tomei posse delas na cara dura, de Monstro do Pantanotão inteligente e marcante. Eu gosto de frisar bastante neste blog o quanto era diferente acompanhar HQ nos anos 80/90. A falta de acesso à informação era enorme, e dependíamos demais das próprias editoras. Então, éramos gratos pelo que saía por aqui. Eu sou um dos que não reclama dos formatinhos. Tem muita gente aí que, da mesma idade/época que eu, vive reclamando, falando mal… mas cara, na boa. Aprenda com as HQs. O formatinho é o que tinha. Não adianta você ficar falando que “se” não houvesse o formatinho, alguma outra editora poderia ter lançado o formato americano original e etc… Porque o “se” não existe. Ficar confabulando estas coisas é um grande e gordo desperdício de tempo. As vezes eu tenho a impressão que muita gente parece que gosta de encrencar e reclamar. Como se isso mudasse alguma coisa. Você pode ( e deve ) exercer sua opinião e seu gosto sempre, de forma que os produtores ( seja de cinema, TV, HQ, etc.. ) possam sempre ter uma noção sobre a sua opinião. Mas ficar reclamando o tempo todo do que você não gostou, como se isso fosse mudar o passado, é algo que a historia já mostrou ser algo inutil. Ao inove disso, proponho pensar assim ” O que eu posso fazer de efetivo, para que as editoras façam as coisas de forma a satisfazerem o meu gosto?”. O que acha ? Sei lá, só pensando…

Monstro do PantanoA edição numero 1 já começa com Moore concertando e fechando as pontas soltas das historias anteriores. Como o arco que Len Wein criou era fechado, Moore precisou dar uma “ajeitada” no background da estória para poder escrever em cima. A historia vai se desenvolvendo pelas edições, passando pelo retorno do Tio Anton Arcane da bela Abigail. Arcane é um dos melhores vilões do MdP. Diria até o único, já que o Monstro do Pântano não teve nesta época um inimigo, ele apenas enfrentou a natureza má do mundo. E o que dizer da relação a Bela e a Fera que magistralmente ganha ares refinados quando monstro e mulher se apaixonam e permitem que seu amor aflore, para horror dos habitantes da pequena cidade onde vivem, que acabam descobrindo. Sensacional.

Em seguida, ele passa para uma fase mais ampla, participando até de Crise nas Infinitas Terras, só que cuidando do estrago no âmbito do sobrenatural, ao lado de Constantine, Desafiador, Vingador Fantasma e até do Espectro. O pensamento Monstro do Pantanosimples, lógico e vegetal do conturbado herói se mostra fundamental, já que a crise teria que ser resolvida tanto no fisico quanto no espiritual. E é muito louco pensar que no fisico, ele foi resolvido literalmente na porrada, e no espiritual através de um duelo mais mental. A jornada pra este final foi linda, passando por diversos níveis da psique humana, e é onde ele visita lendas como Lobisomem, Vampiros e Zumbis, passando por Caim e Abel ( guardiões de segredos e mistérios ), até enfrentar a Brujeria. Foi quando eu conheci um dos personagens mais legais das HQs: o Invunche ! Só de pensar na possibilidade de tamanha maldade, meu sono some. O diálogo no Parlamento das Árvores até hoje me é vivido na mente: ” Onde está o mal na mata?” Sublime ! E o batismo da Brujeria ? As viagens psicodélicas do pessoal que comeu o fruto que cai das costas do monstro ? A transformação da menina em pássaro ? Que legal ! E, sabe o que é pior ? Tudo embasado ! Entende porque eu acho que o Moore sabe mais do que diz ? hehehehe… Genial é pouco !

Monstro do PantanoNestas 4 edições da Panini, Moore é acompanhado por Stephen Bisssette e John Totleben. A arte é essencial para passar o sentimento. Impressiona. É quase um delirium tremis dos anos 70, se é que você me entende. O traço é rabiscado e borrado quando precisa. E preciso no momento certo. Como sempre, o emocional que sentimos é enorme e as historias e a narrativa passeia bastante nas duas praias: Terror e Ficção. Juntos !

Eu sou um grande fã do Monstro do Pantano, recomendo muito a leitura. Corre atrás e procure a sua !

A Fase atual eu pouco posso opinar, já que li muito pouco. E infelizmente, o pouco que eu vi é remendo mal feito. Certamente que o Monstro Verde merecia mais consideração,mas é aquele esquema… HQ’s começaram como arte que se torcia para que vendesse… hoje, é apenas produto que é feito para vender. Lastimável, mas é assim que é.

Abraços do Quadrinheiro Véio !

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Monstro do Pantano

About The Author

Sou um leitor de Quadrinhos e fã de cinema desde que me entendo por gente. Minha primeira “revistinha” ganhei da minha mãe em 1983 e desde então não parei mais de ler.
Portanto este é um blog de um cara que começou a ler HQs há mais de 30 anos e continua apaixonado por este universo !

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3 Comments

  1. Cristóvão Mangueira

    Oi
    Adorei o post.
    Também li nos anos 90 e tive a mesma sensação mágica de estar viciado no personagem e na história. Ansioso pra chegar o próximo número na banca…
    Quanto ao formatinho, lembro que na época, quando anunciaram que ia mudar, fiquei contrariado (rsrsrs). Porque tinha me acostumado com a revistinha e achei que a sensação de leitura não seria a mesma em outro formato… coisas de leitor iniciante…
    Abraços,

  2. O Quadrinheiro Véio

    Oi, Giulianno ! Que bacana !! Vou procurar seu blog !
    Fico contente demais que tenha gostado do post. Eu gosto de trocar estas ideias mesmo. Ainda mais com alguém na mesma época ! hehehe… espero que apareça sempre !
    Abração !

  3. Giulianno Liberalli

    Olá, quadrinheiro, sou colaborador do blog Planeta Marvel/DC, gostei muito do site e da matéria. Essa referência ao Superpowers onde foi publicado o arco em que Arcane estava possuindo o Matt Cable e se vinga do Monstro matando Abby foi meu primeiro contato com o Monstro do Pântano e me fisgou de primeira, de imediato percebi que tinha um trabalho sem igual ali e passei a acompanhar as histórias até o final da fase de Alan Moore no personagem, para mim é uma das maiores obras de arte das HQs, nunca antes tinha visto o elemento sobrenatural ser unido ao gênero dos super-heróis com tanta qualidade, depois disso corri em sebos para achar as edições anteriores. Infelizmente, perdi meus formatinhos (outra coisa que sinto falta também, somos mais ou menos da mesma época) e fiquei muito feliz quando a Panini lançou a Saga de Alan Moore nesses encadernados. Imperdível para quem admira um bom argumento e uma bela arte nas HQs acima das tradicionais sagas que só querem nosso dinheiro e subestimam nossa inteligência. Abraços.’

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