terça-feira, 18 de dezembro de 2018

O Dia mais Claro – DC Deluxe

O Dia mais Claro

Olá Quadrinheiro.

Vamos falar do fechamento da história do Lanterna Verde, sem nenhum lanterna verde, que é O Dia mais Claro. Mas… espere um pouco. Eu disse fechamento da história do Lanterna Verde ? Sim. Sem nenhuma tropa de nenhuma cor, nem verde, nem amarela, nem nada ? Sim. E isso eu achei muito curioso. A saga da Guerra dos Anéis fecha tendo apenas 1 anel e 1 bateria energética que é a branca. 

Pra não ser tão exagerado, deve ter um ou outro quadro com Hal Jordan, Sinestro e Safira Estrela. Mas nem de longe é uma historia centrada nas tropas arco-íris que eram o grande centro do que houve antes. Embora seja um desfecho, sim, da Guerra dos Anéis, esta saga segue um caminho diferente. Além de ser uma grande e boa história, ela serve também pra introduzir personagens, resgatar outros e reintegrar os ressuscitados que retornaram durante a noite mais densa e explicar a razão de terem retornado. Ela fecha a saga de maneira linda, ao mesmo tempo que mostra que nem tudo no universo gira em torno dos Lanternas.

Um novo e brilhante amanhã

Deixa eu te contar um pouco do que acontece e tentar resumir as mais de 660 páginas deste encadernado DC Deluxe da Panini: ao final de A Noite mais Densa, a bateria branca ajudou a derrotar Nekron e terminar com a “escuridão” primordial outra vez, mas desta vez sem precisar resetar o universo. Porém, ficaram uns resquícios e foi preciso restaurar o equilíbrio novamente do universo. Uma vez que a Terra é o planeta onde a vida começou e era onde a bateria e a entidade “Luz Branca” estava escondida e protegida, foram muitos heróis e vilões daqui que a tal luz branca trouxe de volta a vida para cumprirem seus “desígnios” e assim, a ordem ser re-estabelecida mais uma vez. Pra isso, Boston Brand é trazido de volta a vida e é o único a manter o anel branco. E outros personagens revividos ao final de “A Noite mais Densa” começam a descobrir que não foram restaurados a toa, mas com uma missão específica pra cumprir e ao fazer isso, poderiam continuar vivos e ter uma segunda chance. Desta forma, Aquaman, Ajax, Nuclear, Gavião Negro e alguns outros retornaram com umas pequenas diferenças em seus poderes, mas com missões específicas a cumprir. Ao final, o tal “escolhido” para proteger o planeta e a luz branca aparece, recebe o anel branco, derrota a escuridão final e tudo volta a normalidade.

O tal escolhido é o próprio Monstro do Pântano, o elemental da Terra e por isso, o perfeito campeão para protegê-la. Aliás, adoro quando misturam os elementos. Achei legal referenciarem Aquaman como a água, Ajax como a terra, os gaviões como o ar e Nuclear como o fogo. Com esta união, fortalecem o Monstro do Pântano que se utiliza de um ressuscitado Alec Roland pra enfrentar a entidade da escuridão, que se manifesta como um elemental “monstro do pantano” do mal.

Vale citar que isso tudo acontece no encadernado DC Deluxe da Panini: O Dia Mais Claro, que reune em 668 páginas as edições Brighest Day 0, 1 a 24. Na boa ? É material pacas !

Vamos analisar isso.

O próprio Geoff Johns assina este fechamento junto com Peter Tomasi. Acho que Johns não estava muito afim de fechar a história sozinho, mas nota-se claramente a mão dele na direção principal da edição. E a gente nota novamente, assim como em A Noite mais Densa, que O Dia mais Claro carrega o mesmo tipo de formula. A narrativa é rica, uma jornada profunda. A história entra mesmo na condução de alguns personagens, focando pesado em Nuclear, Ajax e Aquaman e pra este introduz um novo aprendiz na pele de Kaldur’ahn, filho do Arraia Negra que sofreu experimentos nas mãos do Rei de Xebel e adquiriu poderes aquáticos como os de Mera.  Muito bom mesmo ver a origem de um personagem que depois vai ser tão importante em Young Justice. Uma renovação diferenciada com a aplicação muito bem feita da Jornada do Herói. Fora que ver Aquaman perder a mão de novo, e lutas épicas comandando peixes mortos é bem bonito de se ver.

Eu acho que O Dia mais Claro se diferencia de A Noite mais Densa principalmente pela ausência do desespero e o foco na esperança. Enquanto na edição anterior você fica o tempo todo perdendo a esperança, nesta edição, embora tudo complicado, sentimos uma esperança o tempo todo. Você sente que algo positivo vai acontecer no final, embora não saiba bem o que, sente esperança. 

Temos um momento bonito do Ajax em Marte, algo parecido com a “Clemência Negra” que Alan Moore criou para Mongul usar no Super Homem durante a era de bronze. Onde ele é dominado mentalmente por uma marciana que deseja repovoar marte acasalando com J’onn e fazendo-o vê-la como sua falecida esposa. Claro que não dá certo, e ele dá uma surra na sua captora e se joga com ela no sol. A história do casal alado que tem suas vidas e reencarnações sempre resetadas também é muito bonita. Carter e Shiera Hall também tem momentos muito desafiadores pra cumprir suas missões de vida ao encontrar a mãe de Shiera e descobrir que ela faz parte do que aconteceu com eles desde o começo. O novo nuclear formado pelo retorno do Ronnie Raymond que se une a Jason Rushk também traz a despedida do Professor Stein com emoção forte.  Esta foi uma saga de revelações, sacrifícios, renascimento e muita luz. Mas poucos sofreram tanto quanto o Desafiador, realmente ele vive o maior dos dramas, já que não consegue se manter no mundo dos vivos e deve retomar a sua maldição de ficar entre os mundos. Nem morto, nem vivo. Apenas existindo.

É uma saga intensa e conclusiva, mas sem deixar de ter história.

Muito lápis no lance

Sendo uma saga enorme, não tem apenas um artista desenhando tantos momentos. É muito visível a mudança de traço durante toda e publicação. Fernando Passarin, Patrick Gleason, Ardian Syaf, Scott Clark, Joe Prado, Oclair Albert e o já conhecido da saga, e brasileiro, Ivan Reis, são os nomes que você deve agradecer depois de ler tudo.  Aliás, cabe dizer que as páginas são meio que intercaladas entre os artistas em uma mesma edição, não sendo cada um em uma edição inteira. Algumas páginas eu até assustei com a mudança de “pegada”, ou melhor dizendo, de “riscada” ou “traçado”. Isso não compromete a experiência, mas é estranho e notável. 

Se você está pensando se vale a pena ter este encadernado em sua coleção, levando em conta o preço aparentemente salgado, te digo que vale. Acho que é uma daquelas edições que são importantes, a história vale muito a pena e em algum momento você vai ter vontade de ler de novo. E ver todas juntas na estante, é lindo !

Abraços do Quadrinheiro Véio !

About The Author

Sou um leitor de Quadrinhos e fã de cinema desde que me entendo por gente. Minha primeira "revistinha" ganhei da minha mãe em 1983 e desde então não parei mais de ler. Portanto este é um blog de um cara que começou a ler HQs há mais de 30 anos e continua apaixonado por este universo !

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