quarta-feira, 18 de julho de 2018

Open Bar – Eduardo Medeiros

Open Bar, de Eduardo Medeiros

Eu ainda estou em choque. Acabei de ler Open Bar e estou despedaçado. É complicado explicar sem expor spoilers, mas vou te dizer sobre o que eu senti, evitando falar sobre a história.

Começo confessando que não conhecia o trabalho do Eduardo Medeiros ainda. Achei super legal quando chegou o envio da Panini pra mim e ao abrir, uma edição nacional que eu nem imaginava que existia. Dei uma enrolada enorme pra ler devido a correria de final de ano, mas a edição me chamava sem eu nem saber o motivo. Curioso, pude abrir hoje e foi uma aventura quando finalmente sentei-me calmamente no sofá com a obra em mãos e, sem mais interrupções, comecei uma leitura que iria me surpreender muito mais do que eu poderia imaginar naquele momento. Explico:

Amizade, amor e fidelidade

Esta graphic novel merece este nome. É uma novela, como uma biografia. Barba e Léo são amigos desde a infância. Quando o pai do Barba morre, depois de uns anos de documentação e inventário, Barba recebe o bar do pai de herança com uma condição: deveria se mudar pra lá e manter o bar aberto por 3 ano para poder manter a propriedade. Léo é seu amigo de sempre, um irmão que sempre esteve com ele e ambos, quebrados financeiramente, se mudam pro bar e resolvem abri-lo e assim começa toda uma história muito legal. Entre brigas, reconciliações, casamento, traições e perdão, com vários flashbacks e muito humor pontual, às vezes escrachado e inteligente mas sempre no contexto da história, Eduardo Medeiros vai tecendo uma das melhores história de amizade que você vai ler. Aliás, um dos pontos legais é esta alternância do engraçado com situações pesadas. Você percebe que não são piadinhas, são realmente situações que tem uma conotação cômica sem ser forçado.

Tem gente que pode até achar que tem alguma coisa ou outra meio clichê, mas é bem utilizado na trama. A leitura transcorre simples, o desenho é cartunado, mas você não sente falta de arte melhor. Costuma ser assim quando a história é muito boa. Incrível como a emoção dos personagens consegue ser tão bem transmitida mesmo com o traço soando meio infantil as vezes. Coloração sempre laranja, com uns momentos em cinza. Esta monocromia tem tudo a ver, tem motivo. Aliás, a história é toda bem amarrada, pedindo uma segunda leitura em seguida, já que tem tantas pequenas dicas e informações jogadas durante a narrativa que vai sendo utilizada em outros momentos da história que demonstra muito cuidado e planejamento. Tem referência pra nerd nenhum botar defeito, mas a história não se calça nisso. Aliás até cabe aqui falar da inteligência do roteiro desta história. O autor tem tamanha desenvoltura ao contar a história, que você não percebe as raizes do afeto irem se agarrando em você. Com a leitura, os personagens se tornam seus amigos, você vibra com eles, fica feliz, fica triste, fica com raiva. O livro ganha vida e você se afeiçoa de tal forma pelos dois amigos que quando você já está ali amarradão, o final chega de maneira surpreendente e te coloca no mundo de novo. Tem impacto, sabe ?

Emocionante

O que eu preciso mesmo que você entenda, é que o livro tem uma grande condução, uma excelente pegada e um final tão bonito que me levou às lágrimas como a muito tempo não acontecia. Muito tempo mesmo. Sentia saudades de ler coisas que me emocionassem e este livro sabe fazer isso. Emocionar mesmo. Eu tirei risadas, sorrisos bobos, raiva e, sim, sem exagerar, chorei de tristeza, e ao terminar lamentei de saudades. 

A leitura me tomou algumas poucas horas, mas a sensação que eu tive é que foi uma vida. Pude sentir amizade profunda. Este é o maior mérito desta HQ Open Bar Edição Definitiva de Eduardo Medeiros publicada pela Panini Comics pelo selo Stout Club. Aliás, vale até explicar o que é este selo. O Stoul Club começou como um projeto experimental, idealizado pelo quadrinista Rafael Albuquerque, o designer Rafael Scavone e a fotógrafa Deb Dorneles que visava expor o ponto de vista de criadores de diversas áreas artísticas e sua relação com seu trabalho, de uma maneira descontraída e original. Diversos colaboradores embarcaram nessa idéia, contribuindo com colunas, web comics, e entrevistas exclusivas para o nosso website, inaugurado em julho de 2014.
No final de 2014 inauguraram um selo editorial, levando aos leitores de quadrinhos e cultura pop algo que fosse diferente. Com livros de processo criativo e quadrinhos incríveis. Materiais que dificilmente chegariam em pontos de vendas convencionais. Vale conhecer.

Open Bar tem recomendação pra idade acima de 16 anos porque trata de uns temas pesados. Afinal, assim é a vida. Agora eu preciso conhecer mais trabalhos do autor. Porque se todos tiverem este nível, tem grandes chances de ser um dos maiores escritores nacionais que eu já tive a alegria de ler.

Se eu recomendo ? Muito ! Adorei a leitura. Leia Open Bar.

Abraços do Quadrinheiro Véio.

Leitura nacional que recomendo também: Os Migonautas !

About The Author

Sou um leitor de Quadrinhos e fã de cinema desde que me entendo por gente. Minha primeira "revistinha" ganhei da minha mãe em 1983 e desde então não parei mais de ler. Portanto este é um blog de um cara que começou a ler HQs há mais de 30 anos e continua apaixonado por este universo !

Related posts