segunda-feira, 18 de junho de 2018

Os Livros do Destino

Nunca mais olhos mortais vislumbrarão Victor Von Doom. Deste momento em diante, há somente o que me tornei… há apenas o Doutor Destino !”
Hoje falarei sobre Os Livros do Destino, uma publicação que eu gostei muito. Este encadernado que eu li, publicado pela Panini Books aqui no Brasil, reune a mini-série The books of Doom 1-6 lançado em 2006 nos EUA. E já posso te adiantar que gostei bastante do que eu li.
Como deve ter notado no post anterior, eu não costumo gostar muito de biografias que humanizam o personagem. Esta é uma exceção porque a origem do Doutor Destino sempre foi contada desta forma, porém esta versão dá uma aprofundada a mais e acho que, neste caso, é isso que deixou o argumento/roteiro muito bons.
Os livros do Destino são uma narrativa auto biográfica que o vilão faz durante as 6 edições encadernadas neste capa-dura e contam toda a história do tirano lativeriano desde seu nascimento até a tomada de poder de seu país natal, apenas alterando um ou outro fato conhecido ( como ter sido colega de quarto do Reed Richards do Quarteto Fantástico, por exemplo ), mas sendo justificado em seguida. E

eu adoro os vilões. Acho eles o máximo. Não se comparam aos heróis perfeitinhos. Talvez por este motivo que em meados dos anos 80 os anti-herois começaram a fazer sucesso. Acho que foi cansando dos heróis 100% corretos e tornando-os mais humanos e falhos. Acho que todo mundo concorda que o que fazia o Batman ser legal eram seus vilões, não é ? O que seria do Batman sem o Coringa ? Do Luke Skywalker sem o Darth Vader ? Ou mesmo Seyia sem o Saga ? rs…

Os vilões tem uma característica tão mais humana… e embora nos inspiremos nos heróis, nos identificamos com os vilões. Não foi o Harvey Dent quem disse que “Ou você morre herói, ou vive suficiente para ver você mesmo se tornar um vilão ?“. Pois então.
Algumas coisas curiosas nesta edição é ver como

Victor era arrogante desde criança. Sempre sendo super dotado, e talvez por ser filho de uma ‘bruxa’ cigana ( que ele nunca leia isso…hehehe ), ele sempre foi diferente das outras pessoas. E isso é mostrado bem detalhadamente no livro. Fora que podemos seguir todo o pensamento dele, sua psique, sua condução com mão de ferro.Uma linguagem arrogante e convencida, mesmo quando está deprimido. Todo seu amor pela mãe culmina em sua primeira incursão ao mundo inferior, enfrentando um demônio vermelho ( que nesta série não é nomeado como Mefisto, mas somente como o demônio ) e com isso, após levar uma surra, seu rosto fica marcado, não pela explosão da máquina, mas sim pelo toque deste demonio. Aliás, dentre as mudanças que foram feitas, esta é uma que eu achei bem interessante. Sempre nos foi dito que a máquina havia falhado, que ele habitou o mesmo dormitório que o Reed e que ele apenas estudou nos EUA. Mas esta série mostra que ele

mal falava com o Dr. Richards e ainda trabalhou para o Governo Americano, que era quem bancava os estudos dele em troca de seu talento com engenharia e magia. Tudo nos leva a entender que a história se passa durante a guerra fria, uma época que eu acho muito rica pra se escrever algo político como é o fundo desta história. Claro que é preciso lembrar que quem conta a história é o próprio Dr. Destino e por este motivo, algumas coisas ele pode ter distorcido durante a narrativa, já que embora ele seja um altivo tirano, ele também é bem orgulhoso e tem a visão distorcida de um conquistador, que justifica seus

atos violentos como se fossem necessários para o ‘bem maior’. E cabe uma notinha curiosa, de que nesta edição ele não conclui a formação, e para ser um “doutor”, ele se auto-denomina após ver uma entrevista com o Reed Richards na TV. Um louco de pedra, mas um super louco de pedra. Ele não se considera um herói e nem um vilão. Ele é apenas o Dr. Destino e isso pra ele basta. Um homem que se considera acima do bem e do mal e onde tudo que ele fala e pensa não deve ser contestado por seres inferiores ( no caso, todo o resto do mundo ) É ou não uma figura magnífica ?

O roteiro é de Ed Brubaker que demonstra um domínio sobre a narrativa biográfica como poucos, a meu ver. O cuidado com a escolha das palavras é muito legal. Aliás, parabéns para a tradução, já que a dupla soube manter a característica arrogante e o palavreado erudito do personagem de forma muito bem feita. Ed nos dá uma história muito bem conduzida, lembrando muito o final dos anos 80, com muito texto, muito pensamento. E o melhor, não cansa ler tudo, porque é tudo relevante. Imagine que você lê 6 edições e não percebe que o roteiro é muito objetivo, mostra um monte de coisas de forma resumida e ainda assim aprofunda na psique de Victor Von Doom. Não sei se fui muito claro, mas é tipo isso.
Os desenhos são do argentino Pablo Raimondi, que eu particularmente não conhecia. E o cara é bom. Não é o melhor, o maior destaque e etc… mas o cara é bom. Bom na narrativa, no enquadramento, na definição emocional. Não impressiona, mas pra uma biografia, ele resolve muito bem. É um desenhista que, ao menos nesta mini-série, faz o básico bem feito, sabe assim ? Não percebi nenhuma genialidade, nenhuma conjectura ou mesmo referencias externas ou cuidado com uso de cores que fosse digno de nota. É um traço e cores que servem pra contar uma história que é brilhante pelo seu roteiro e não precisa de um suporte de imagem forte. Se fosse um conto apenas escrito já seria ótimo. Sendo HQ, ficou melhor ainda.
Acho que se você curte biografias de personagens, vale muito a leitura. E eu como um grande fã da personalidade do Doutor Destino, não poderia ficar sem ler. E ainda bem que li, pois gostei muito, me diverti e emocionei. E o melhor, sem humanizarem demais o personagem.
Abraços do Quadrinheiro Véio !

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