segunda-feira, 21 de Maio de 2018

P.O.V. – Point of View

P.O.V. – Point of View

Olá Quadrinheiro !

Uma das coisas mais legais de quando se chega a CCXP, pra mim com toda certeza, é a Ala dos Artistas. É o que considero o coração do evento, o motivo principal dele existir e o motivo pelo qual ele chegou a poder existir. E sou muito grato por ter acesso a toda uma gama de artistas, criadores, desenhistas e materiais fora da linha comercial. A essência da arte autoral desta parte da CCXP está muito bem representada em Point of View. E quando digo muito bem, é muito bem mesmo !

Personalidade e respeito

Point of View tem uma mistura de ingenuidade e criatividade, com uma inteligência subliminar intensa. A sensação que tive ao ler é de uma comunicação de alma. É um quadrinho humano. Gente falando pra gente. Como se dissesse assim pra você: Cara, você é normal. E, como grande fã de Star Wars, não pude deixar de relacionar o nome da revista com o velho Ben Kenobi em “O Retorno de Jedi“: – Luke, você vai perceber que muitas das verdades as quais nos apegamos, dependem de um certo ponto de vista. E isso tem total sentido, em tudo. Eu acredito que a verdade é sempre única e é o que realmente existe. Porém, ela é completamente inalcançável. O que temos por verdade, sempre, sempre, depende “de um certo ponto de vista“.

Point of View demonstra exatamente isso. É uma forma alternativa de ver a realidade. É um olhar dentre vários, mas quanticamente falando, se torna o único quando é escolhido por uma pessoa. As possibilidades continuam pro universo, mas para aquela pessoa, se torna único. Um ponto infinitesimal. Único e por isso, pessoal. P.O.V. te mostra um ponto de vista que não é o seu, mas de outra pessoa. Te presenteia com uma verdade alheia, sobre momentos cotidianos, únicos, pessoais, intransferíveis. Mas que além da diversão inicial proposta, também pode te causar reflexão. O que você faria naquela situação ? Como agiria ? Como reagiria ?

Cotidiano explorado

Adoro tirinhas cotidianas porque se colocam próximas a nós de uma maneira que não é possível no convencional mundo Marvel/DC o tempo todo. Aliás, um dos acertos da Marvel é justamente nos colocar no dia a dia fora das ruas dos heróis nas historias de fundo, mas não é este seu propósito. Em P.O.V. pessoas comuns, vivem coisas comuns, pensam e convivem e a gente acompanha uma humanidade. E acho que é este o forte. Tem passagens inteligentes, momentos que se referenciam, que fazem você remeter a outra tirinha. A saga do lava-louças é uma das que mais me divertiu, manja ? hehehe ( piadinha pra quem leu ).

O ponto de vista feminino é demonstrado de maneira belíssima, mas ao mesmo tempo, você não fica com aquela idéia de “isso é de menina, isso é de menino”. Quando você lê, você apenas pensa ” Quem nunca passou por isso ? “. É um retrato do mundo atual, real e condizente. Personagens verdadeiros, personas que existem.

Estas meninas…

A mente fértil por trás dos roteiros das tirinhas é super Carol Pimentel. A paulistana apaixonada que a TARDIS estrategicamente reuniu com a artista Germana Viana, responsável pela arte, cor e letras. Seu traço tem sentimento, movimento e expressão. Adoro artista que sabe expressar o sentimentos de seus personagens.  Desta união, um presente surgiu e você pode acompanhar esta viagem pelo site Lady’s Comics, pelo facebook Point of View POV ou adquirindo o livro pela editora Jambo, se é que vai conseguir, já que as edições levadas pra CCXP se esgotaram !

Se eu recomendo ? Na verdade eu diria: obrigatório !

Abraços do Quadrinheiro Véio

 

About The Author

Sou um leitor de Quadrinhos e fã de cinema desde que me entendo por gente. Minha primeira "revistinha" ganhei da minha mãe em 1983 e desde então não parei mais de ler. Portanto este é um blog de um cara que começou a ler HQs há mais de 30 anos e continua apaixonado por este universo !

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