Guerras Secretas – Marvel Super Heroes Secret Wars

Oi amigos do blog. Guerras Secretas

Hoje falarei sobre uma das melhores ( pra mim, uma das TOP 5 ) estórias já lançadas pela Marvel: Guerras Secretas.
 
Esta tem um gosto mais especial, porque foi a primeira maxi-série que eu li na vidaGuerras Secretas. Estava na casa dos 9-10 anos de idade, começando a aventura de ler sozinho alí por 1985 e minha mãe aparece com a número 1 em casa, porque vinha com um álbum e figurinhas de brinde, e eu AMAVA colecionar figurinhas ( depois eu viria a saber que na verdade, o ato de colecionar se tornaria uma grande parte da minha vida…. :ppppp ). Aí, estou eu lá lendo e me maravilhando com a primeira parte e fico fissurado pra ler tudo. E o que tem de especial ? Apenas um dos melhores crossovers da Marvel de todos os tempos.
 
Situando: O ano é 1984 e a Mattel quer lançar uma linha nova de brinquedos e pra isso faz uma parceria com a Marvel. Como a editora já tinha vários pedidos de fãs a anos pedindo um encontro de vários heróis e vários vilões em uma estória só, acabam juntando e lançam a série, a principio de cunho comercial, Marvel Super Heroes Secret Wars. O mais bacana é que, embora o objetivo primário fosse uma ação de marketing em conjunto, a estória é tão boa que até hoje é referencia pra muita gente ( eu incluso ).
 
Vamos resumir um pouco a publicação, já que meu objetivo neste blog é comentar e não registrar as estórias. Ainda mais que pelo que eu sei, já foi publicada 4 vezes no Brasil e se não me engano, na Coleção de Graphic Novels da Salvat vai sair de novo… hehehehehe… Dada a importância da estória, acho que todo mundo já leu, né.
 
Guerras SecretasTudo começa com a aparição de um estranho aro gigante de aparência alienígena no meio do Central Park. E vários heróis vão lá pra descobrir o que é e acabam desaparecendo dentro dela. No momento seguinte são teleportados pra um confim da galáxia e percebem que estão em uma estrutura flutuando no meio do espaço. Em outra estrutura similar estão vários vilões, entre eles o Galactus, Dr. Destino, Homem Molecular, Ultron, Gangue da Demolição, Encantor e vários “peixes pequenos”. Do lado dos heróis vemos X-Men, Vingadores, Quarteto Fantástico, Hulk, Homem-aranha e um Magneto deslocado. Quando você está tão confuso quanto eles, aparece uma fenda no espaço que destrói uma galáxia inteira e cria uma estrela e um planeta feito de vários outros bem na frente deles. E uma voz:

Eu sou Beyonder, eu transcendo a simples existência. Destruam seus oponentes e todos os seus sonhos serão realizados. 
 
Galactus parte pra cima da fenda e o Dr. Destino o segue. De repente, os dois são rechaçados como se não fossem nada e a gente fica pensando em que tipo de “deus” está ali dentro da fenda. As máquinas se deslocam pro planeta em pontos diferentes e começa uma batalha. Acho que são vários momentos muito legais, é uma sucessão de bons momentos num roteiro muito coeso, avançado até se a gente parar pra pensar. Estão todos os personagens muito bem caracterizados. Temos um Dr. Destino incrivelmente diabólico, o Galactus como gostamos de ver, a interação entre todos os heróis, as divergências, discussões, acertos de conta entre os heróis e vilões, todo um fator humano, inteligente, heroico. Além disso, uma das cidades que foi usada pra formar o planeta é Denver. De onde vieram duas moças que o Dr. Destino deu poderes, a Vulcana e a Titânia.
Uma com poderes de calor e a outra com super força e uma arrogância maior ainda. Em um certo momento, a Titânia sai no braço com o Homem-aranha e leva uma surra do escalador de paredes… é um dos grande momentos da saga, que também tem direito a uma montanha inteira sendo jogada em cima dos heróis. Aliás, este era o número 4, que foi justamente uma das que eu quase fiquei sem. Na época que foi lançada no Brasil, nos idos de 1986, a periodicidade não estava certinha. Eu fiz meu pai correr tudo que foi banca da cidade pra poder encontrar. Lembro-me de fazer ele parar no meio do caminho de uma viagem pra casa dos meus avós em Minas Gerais pra eu consultar uma banca e, por sorte, achei. Fui lendo a viagem toda, feliz da vida ! ( e com as figurinhas… ). Lembrando também que a edição 12 foi bem complicada de achar… além de demorar muito pra sair, não foi pra todos os locais e eu levei meses pra conseguir saber o final da saga, já que não havia internet, né… :p Outras passagens que merecem destaque é quando o Homem aranha luta sozinho com todos os X-Men, quando o Thor peita os vilões sozinho e quase é desintegrado pelo Ultron que foi reprogramado pelo Dr. Destino pra ser seu guarda costas. Todos os heróis enfrentando Galactus para que ele não “coma” o planeta, e acaba indo absorver sua própria nave que tem o tamanho de um sistema solar. Dá pra imaginar isso ???
Vemos o retorno do Garra Sônica, a nova Mulher-aranha… muitos fatos que viraram canônicos. Inclusive o começo de uma nova fase solo do Coisa, já que ao final ele opta por ficar sozinho no planeta do Beyonder ( lá ele consegue mudar de aparência quando quer ) e pede pra Mulher Hulk ficar no lugar dele. A fase do Quarteto sem o coisa foi bem boa também, com direto a Zona Negativa e tudo o mais, mas é pra outro post.
 
O clímax é o final, sem dúvida alguma. O Dr. Destino consegue roubar a energia do Galactus e parte pra enfrentar o Beyonder e quando você pensa que ele perdeu a batalha, já com duas amputações, ele revida e vence o onipotente ser, tomando todo seu poder pra si. A partir daí, desespero é pouco. Ver o Dr. Destino grandioso, poderoso e ainda humano, é gratificante. Genial. Obra de Jim Shooter, grande argumentista que também era o editor da Marvel na época. Os diálogos muito bem pensados, mas tem que ler em inglês, já que em português estão bem mudados e adaptados. Inclusive na edição de A Teia do Aranha, uma fala enorme do Sr. Fantástico com o Hulk quando estava soterrados pela montanha foi cortada e ficou fraco. Tomara que a Salvat revise tudo e seja mais fiel no relançamento. Acho que merece um cuidado especial traduções de HQ, mas as vezes parece que quem traduz não é do meio. Há quem critique os desenhos, que foram divididos entre Mike Zeck e Bob Layton, mas eu já gosto, acho muito bons, gosto da forma com que são retratados, alguns enquadramentos são muito legais. Também acho algumas das capas muito históricas, principalmente a 10. 

 Esta saga serviu também pra lançar o novo uniforme do Homem-aranha, que depois seria revelado como um simbionte alienígena, e por fim se tornaria o Venom ao se unir ao Eddie Brock algumas edições depois.

Guerras Secretas
O curioso é que na época, a Gulliver lançava os produtos Mattel no Brasil, e como aqui várias estórias ainda estavam com muita defasagem da americana ( algumas em 3 a 4 anos de diferença do lançamento nos EUA ), a abril precisou fazer várias adaptações na história, mudar diálogo, adequar páginas e desenhos, pra não estragar a cronologia dos personagens que já estavam diferentes, alguns até nem tinham aparecido aqui ainda. Então, a Capitã Marvel, o dragão Lockhead e a Vampira que estavam no original, foram limadas completamente da publicação. Assim como foi inventado motivos pro visual de alguns heróis, já que a Tempestade estava na fase punk, o Professor X estava andando, o uniforme do Homem-Aranha voltou ao normal ( ainda não estava na hora aqui no Brasil)  entre outras mudancinhas. Só que eu só viria a saber anos mais tarde, quando foi republicado na revista A Teia do Aranha em 1996, a versão completa e com diálogos revisados e adequados novamente. Uma nota especial cabe neste momento, sobre como as versões se modificam. Pra mim, em muitos momentos, parecia que eu lia outra estória, já que as mudanças foram enormes e eu havia decorado muitas frases da original dos anos 80. E também nesta época as revistas vinham com fichas dos personagens no final. Muito legal mesmo… tudo mágico pra um garoto de 10 anos. Pena que eu não tive os brinquedos. Meu primo teve… eu ganhei o Thundertank e um Lion-o que acendia os olhos. Gostei do mesmo jeito.
 
Uns 2 anos depois foi lançada uma continuação, chamada de Secret Wars II, em que o Beyonder vem a Terra pra viver a experiencia humana… um desastre absurdo de publicação… não chegou aos pés da primeira e nem faz jus ao nome. Pena…
 
Como percebem, tenho uma ligação emocional com esta saga em especial. E sinto orgulho disso.
 
Deixo algumas imagens mais legais abaixo, espero que gostem.
 
Abraços do Quadrinheiro Véio.
 
 
Guerras Secretas
  
 
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