Homem de Ferro – O destino de Tony Stark

Homem de Ferro – O destino de Tony Stark

Olá Quadrinheiro.

capa

Logo após as mudanças resultantes da segunda Guerra Civil, o Homem de Ferro Tony Stark precisa se re-encontrar e se re-inventar. Quando foi criado nos anos 60, o Homem de Ferro tinha uma vantagem em sua idealização, que era a de uma época em que muitas tecnologias estavam ainda looonge de serem inventadas. Nos dias de hoje, em que tudo já foi usado em tantas histórias e mídias. Onde a criatividade já andou pra tanto canto e tudo começa a se tornar clichê, a seguinte pergunta se instala: Como um cara numa armadura é algo diferente ? Na época de sua criação, até transistor era novidade. Uma armadura transistorizada era algo muito inovador, fora o fato de que a tecnologia médica ainda não poderia salvar alguém do problema que o Tony teve com os estilhaços de granada no peito.

caindoMas, passado alguns poucos anos, de repente, isso tudo já é passado, e tem até carros mais tecnológicos do que a armadura inovadora dele. Estamos falando de um personagem com mais de 50 anos. Como se manter inovador ? Como ser ainda um “gênio” tecnológico ? É com esta questão que a revista começa. Com um Tony pensando: ” Eu deveria estar tão além da curva, que ninguém mais deveria conseguir nem enxergar a curva“.

A nova armadura e além…

Com esta necessidade de criar uma armadura melhor, mais impressionante e mais forte e até mais inédita possível, Brian Michael Bendis pega a responsabilidade de inovar o inenovável. ( será que existe esta palavra ? ) O Gladiador Escarlate já teve armadura que ficava praticamente dentro do seu corpo. Como ir além ? E é aqui que começa o problema, pra mim ao menos…

Posso contar um pequeno spoiler ? Se for o caso, pule para o próximo subtítulo e não leia este trecho a partir daqui.

iron-mans-sonic-boom-1A armadura do Tony está no seu relógio. Cara, na boa, no relógio ?? Eu até entendo que é uma idéia diferentona, que é HQ e que a gente faz algumas licenças poéticas. Mas, poxa vida… a armadura do cara precisa de espaço, ela tem peso. Como assim, um relógio vira armadura ? No filme do Capitão América: Guerra Civil, o relógio do Tony se transforma em uma luva da armadura. Até aí, ok. Fisicamente compatível em termos de massa e etc… mas, um relógio praticamente virar a armadura dele ? Até a maleta do filme Homem de Ferro 2 é verossímil. Mas um relógio ? Será que ele emprestou a tecnologia do anel do Flash ? E a armadura de alguma forma elimina o espaço entre os atomos e eletrons ? Converte matéria ? Mas, como fica o peso ?

Tem como piorar…

marvel2016-Iron-ManDepois disso, ele enfrenta o Doutor Destino. E de alguma forma a armadura normal dele “evolui” para uma HulkBuster sem novas partes chegar pra somar. A armadura praticamente dobra/triplica de tamanho, do nada. Acho que é isso que mais me incomodou nesta nova armadura, que não é mais biologicamente ligada ao Tony, mas que segue suas sinapses cerebrais.  Mas, ok… “vamo que vamo”. Só que o que me incomoda mais é que agora a Marvel tornou o Stark dos quadrinhos assumidamente igual ao dos filmes, na personalidade e até no rosto.

invincible-iron-man-3-awesome-facial-hair-brosEntendo que o marketing disso ajuda a conquistar novos leitores e entendo que quadrinhos são feitos para crianças. Eu aceito que sou uma criança de 40 anos de idade. Sei que as coisas vão mudando, se adaptando e que não é legal se apegar a algumas coisas. Elas precisam mudar, adaptar, evoluir e que a gente que lê a mais de 30 anos e acompanha o mesmo personagem começa a ter bagagem demais por tempo demais e que não tem como parar de comparar o que era com o que é e nem imaginar o que virá. Mas o fato é que muita coisa mudou, e nem tudo foi pra melhor. Cara, ele nem é mais um Stark de sangue. Ele descobriu que é adotado. Isso é tão senseless…

Não gosto muito do Bendis

iron-man-doomQuem acompanha o blog a um tempo, sabe que eu não sou o maior fã do Bendis. Acho que não bateu comigo. Ele tem umas idéias legais, mas no geral, não rolou uma identificação comigo. Gosto da história, mas não da nova essência dos personagens. Gosto de ver mais uma vez o contraste tecnologia/magia que esta fase resgata e até os questionamentos existenciais apresentados. A história principal é atraente e deixa curioso, mas não ao ponto de eu passar da edição numero 3. São tantas publicações hoje em dia, que a gente não consegue acompanhar tudo. Seja por tempo, seja pelo fator financeiro, hoje é preciso escolher o que ler. E infelizmente, não é o Homem de Ferro que vai se manter na minha leitura mensal, embora eu vá acompanhar o que acontece com ele com interesse. Os desenhos são de David Marques e ele resolve, mas não impressiona. A meu ver, no meu ponto de vista, a revista Homem de Ferro ( assim como várias outras ) é publicada “na obrigação“, então se é algo bom, ou não, é o de menos pra editora. Me passa um sentimento de industrialização, de pasteurização, em um lugar em que a criação como arte deveria ser melhor valorizada.

Pros novos fãs do herói, esta nova fase parece muito bacana. O pessoal que começou a se interessar por HQ depois do cinema tem um extraordinário material em mãos. Os fãs que já conhecem o quanto o latinha é um personagem fraco, não vão perceber muita diferença.

Abraços do Quadrinheiro Véio

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Dinastia M

Bem vindo, Quadrinheiro !

Dinastia MMutantes ! Lembro até hoje quando eu conheci o termo. Achei mágico demais… foi numa historinha dos X-Men. O Colossus aparece com uma garra do Wolverine cravada no ombro e eu teimava com um amigo meu que aquele sujeito azul com cabelo em forma de chifre era o Wolverine com uma falha de impressão da revista, já que eu não conhecia o Fera que nesta época estava nos Vingadores. Curiosamente, como conheci nesta fase, demorei a enxergar o Fera como um mutante. Coisa de criança. Temos a mania de considerar que o nosso primeiro contato com algo é o verdadeiro, correto, canônico, etc…  Pois é, quando eu conheci os mutantes, era a equipe que eu Dinastia Mconsidero a mais legal e mais clássica de todas: Ciclope, Tempestade,  Colossus, Wolverine, Noturno e Kitty Pryde. Por razões emocionais e nostálgicas ( provavelmente ), acho que é a melhor fase. E o que isso tudo tem a ver com Dinastia M ? Não sei.  Sei que um leitor do blog me escreveu perguntando o que eu achei e em gratidão, resolvi fazer este post.

Dinastia MPor um tempo eu pensei que o M em Dinastia M se referisse ao Magneto e a sua família. E a verdade é que é isso mesmo. Mas após ler a HQ duas vezes, percebi uma coisa bem legal no caminhar da história. Será que a gente poderia considerar que este M de Dinastia M também se refere a Mutantes ? Sim, pois durante esta fase o mundo tem mais mutante do que humanos ( se não tem, aparentemente os mutantes são os atuais dominantes do planeta ). E eu não pude deixar de fazer esta associação. 

Dinastia M é uma das histórias mais bacanas da Marvel. Ela consegue promover um crossover inteligente entre X-Men e Vingadores após a crise que acompanhamos em “A Queda” ( que você pode ler o artigo do Quadrinheiro Véio aqui ) e ainda ter uma profundidade social e intelectual monstruosa que a muito tempo não se via. Alguns diálogos são de fazer a gente parar de ler pra pensar e coloca em xeque muitas crenças nossas. Bem como alguns momentos em que a pergunta “como é que não pensaram nisso antes” vem a nossa mente. É um material denso, mas com algumas pequenas falhas de coerência que passam numa boa, mas que comentarei a seguir, porque queria saber o que você acha. De repente, eu viajei na maionese, ou perdi algo e estou tendo uma impressão errada por simples ignorância.

Vou falar do que gostei e do que eu não gostei tanto assim. Existe a chance de alguns spoilers a partir daqui, ok ? Então, vá com calma na leitura se ainda não leu. Agora, se você não se importa de saber alguns passagens da história pra decidir se lê ou não, prossiga. 

Dinastia MLançada em 2006, Dinastia M começa com uma reunião entre os Vingadores e os X-Men para decidir o que fazer com a Wanda que aparentemente enlouqueceu de vez ao durante os eventos de A Queda, onde ela matou alguns colegas heróis como o Gavião Arqueiro, Homem-Formiga (Scott Lang) e seu marido Visão. Isso a deixou mais pirada ainda, porque ela fez de forma inconsciente e depois, ao saber disso, ela ficou ainda pior. A origem desta loucura está no fato dela ter se lembrado dos filhos que ela mesma criou com seus poderes, e que depois se soube que eles eram fragmentos da alma de Mefisto, nunca existiram de Dinastia Mverdade. Sendo a Feiticeira Escarlate uma mutante poderosíssima, com poderes capazes de alterar a própria realidade, e neste estado de desequilíbrio mental já tendo demonstrado que seu inconsciente age sem ela controlar, restou aos seus amigos e companheiros decidir o que fazer com ela. Neste ponto começa um dos melhores debates da revista. De um lado alguns heróis que acreditam que nada possa ser feito e ela deve ser morta pela segurança de todos e do outro, os que acham que ainda pode ser feito alguma coisa. Nesta fase o Homem-Aranha está nos Vingadores e mais uma vez fica claro o por que de eu nunca ter conseguido enxergar o Peter como parte desta equipe tão perdedora. Ele não foi feito para trabalhar em equipe. O Aranha não se encaixa, não tem NADA a ver, na boa. Até
hoje, não teve uma única historia que o Homem-Aranha tenha realmente se encaixado na equipe. Ele até conseguir trabalhar com o Quarteto Fantástico, e com um ou outro X-Men, mas ter ele nos Vingadores é uma besteira quântica. Se você acompanha meu blog, sabe que sempre que eu escrevo algo que possa gerar polemica eu me vejo na obrigação de dizer isso: Voce pode discordar de mim e deixar o que pensa nos comentários, ok ? Neste blog que não tenho compromisso com o politicamente correto e nem em fazer média com o pensamento da maioria ou mesmo com algum compromisso comercial. É sempre a minha opinião. E neste assunto, mesmo estando sempre aberto e torcendo pra queimar a minha língua, eu nunca encontrei uma historia decente do aranha nos Vingadores e se você tiver alguma pra me indicar, eu te serei muito agradecido. 

Dinastia MApenas fazendo um adendo e só pra você perceber como tudo muda e muda rápido. Quando conheci a Feiticeira, seus poderes eram principalmente a alteração das probabilidades. Depois ela conseguiu controlar as energias dos caos e ficar neste nível semi-deusa aí. Sei lá, meio forte, não ? Enfim, seguindo em frente pra não voar muito fora do assunto do post. Eu não entendi muito bem porque o Xavier se afastou dos X-Men antes desta historia. Se alguém puder me informar, eu agradeço. Mas é muito estranho vê-lo tão fragilizado, sem saber o que fazer. Logo ele. Desde que leio HQs é dito que o Charles é o mutante mais poderoso do planeta. Mas é incrível como ele vive se ferrando. Acho que deveria ter mais historia que mostrassem ele sendo o maioral e não apenas dizer isso em toda historia em que ele vai se dar mal, ser usado, ou etc… recentemente acho que os editores tem se referido a ele como o telepata mais poderoso do planeta. Até mesmo porque o filho do Reed Richards me parece mais poderoso do que ele. E se a gente parar pra pensar, até a Wanda Maximoff nesta historia é mais poderosa. O que pode ser mais poderoso do que um mutante que altera a própria realidade ? Ao ponto de ressuscitar os mortos ? Pois é… pois é… pois é… 

Dinastia MA discussão é de alto nível, argumentos muito válidos dos dois lados. Wolverine sempre soltando opiniões diretas e práticas e o Capitão sempre no idealismo. O Aranha quando no meio dos Vingadores sempre é colocado como um adolescente imaturo e burro, emocionalmente descontrolado, cheio de piadas mal encaixadas. Eu realmente preferia que ele tivesse sido poupado disso. Até no decorrer da história, o nível de sofrimento que ele é obrigado a passar é desumano e desnecessário. Diria injusto e muito fora da linha da essência do personagem. Não precisava, na boa. Mas foi feito. Eu tive vontade de chorar junto com ele a dor que ele viveu. 

Dinastia MEm seguida, a turminha resolve ir atrás da Feiticeira em Genosha e quando chegam lá, de repente, a realidade aparentemente zera e o mundo é colorido e dominado pelos mutantes. Ninguém se lembra de nada do que aconteceu e tudo está lindo e redondo no novo planeta. Logo de cara uma discussão sobre mutantes e humanos entre o Fera e o Dr. Pym demostra uma inversão de valores e fica muito claro o domínio mutante do mundo, com uma aparente conformidade humana de que chegou o momento de sumirem como espécie dominante. Muito inteligente o diálogo. Magneto é chefe da Dinastia M, com Pietro e Wanda com ele e nesta realidade, a Feiticeira não sem poderes e seus gêmeos estão de volta. O roteiro vai nos situando sobre a vida de cada personagem e a gente saca que todo mundo está vivendo a vida dos sonhos. Menos o Wolverine, que é o único a se lembrar e uma menina que era capaz de trazer de volta a recordação de quem ela se concentra. E aos poucos vão sendo acordados, um a um, os principais heróis que vão partir pra cima de resolver a situação. Fiquei muito tempo pensando no motivo de ser o Wolverine a ser o primeiro a se recordar. A explicação dele de que já teve a memória zoada a vida toda não me agradou. Tão pouco o final em que ele acorda e se lembra de toda a vida dele, mas as memórias verdadeiras. Mas, isso é o de menos. É o tipo de coisa que vai repercutir mais pra frente. Depois que um monte de heróis é trazida de volta pela mutantezinha, acontece mais um diálogo existencial muito inteligente. Mesmo não gostando muito do Bendis, tenho que tirar o chapéu pra ele em alguns momentos. Agora, a discussão é sobre a necessidade de trazer o verdadeiro mundo de volta. Aparentemente eles fazem isso só porque é o certo, mas discutir isso foi muito legal. Faz a pessoa pensar se vale a pena viver num mundo de sonhos. É o mesmo dilema de Matrix. Vale a pena viver num mundo irreal e bonitinho, ou acordar e ver o mundo mais complicado e verdadeiro ? Eu confesso que não saberia o que escolher, por isso entendo o sofrimento do Parker. Acho que ele preferiria não ter sido “acordado” e ter continuado casado com a Gwen, ter seu filho com ela e o Tio Ben vivo. É muito zoado tirar isso dele.

Dinastia MO final é muito bom. Mais diálogo existencial e a revelação de quem realmente estava por trás de tudo o que aconteceu. Mas isso é o de menos, pois o grande acontecimento foi uma frase curta: – Chega de Mutantes.

E o mundo voltou ao que era, com uma pequena grande diferença: os milhares ou mesmo milhões de mutantes que haviam no mundo haviam sido reduzidos a menos de 200. Não morreram, perderam os poderes. Cara… pra mim isso foi uma coisa muito boa ! Quando eu comecei a ler, quase não tinha tantos mutantes assim… em pouco mais de 10 anos que eu acompanhei a leitura, parecia que a cada mês surgia mais e mais mutantes. Chegou uma hora que não tinha mais humano no planeta, só mutante. Então, eu considero isso um resgate aos tempos de exclusividade, sem precisar zerar o universo Marvel como a DC costuma fazer. Não, não acho que zerar o universo seja um problema. Apenas é uma saída diferente. O Brian Michael Bendis é um cara que “causa” nos X-Men. Pro bem ou pro mal. Esta foi uma mudança que eu achei que foi pro bem. Já o Fera com essência felina foi uma grande besteira. O final de Dinastia M é bem interessante, um fechamento mesmo. Fiquei muito curioso com a tal “energia rosa” que ficou do lado de fora do planeta. Alguém poderia me contar nos comentários o que aconteceu depois ?

Dinastia MO traço é de Olivier Coipel. Competente, mas não genial. Lembra muito o começo dos anos 90. Aquela geração dos rabiscos. Uma boa época. Acho que ele se inspira bastante em Jim Lee, Erick Larsen e companhia. Não é um cara que se destaca, mas ao menos a arte não atrapalha a leitura. Também não é um cara que é bom em material de movimento. É o típico “desenhista de capa de revista” em que cada quadrinho parece uma capa. Tudo tem pose, tudo tem algum estilo popstar. Isso incomoda um pouco mas é compensado pelos diálogos. Acho que o artista não precisa fazer de cada quadrinho um portfólio. Não se deve esquecer o movimento, a emoção. Não me entenda mal. O cara é bom sim. Só acho que é relevante esta percepção.

Bom, vou ficando por aqui. Acho que já escrevi demais e acho que este foi o meu maior post. Hoje estava bem empolgado, mas a profundidade da história pediu um pouco mais. É uma história densa. Quase não há alivio cômico.

Recomendo a leitura porque é importante não apenas pela sua qualidade, mas também pela sua importância dentro do universo Marvel. Esta história tem muito mais qualidade do que Guerra Civil ( matéria aqui ) e várias outras que poderiam nem ter existido. Aliás Guerra Civil mostra o quando Vingadores ainda é uma bela duma equipe B.

Abraços do Quadrinheiro Véio !

Os Novos Vingadores – Motim

Os Novos Vingadores – Motim

Oi, amigos Quadrinheiros !
Não sei se muitos de vocês estão acompanhando a coleção oficial de Graphic Novels da Salvat, mas eu posso dizer que está valendo a pena. Claro que uma coisinha ou outra não vai agradar a todo mundo, algumas escolhas de estórias, por exemplo, mas no geral está sendo bem legal.
 
Hoje vou falar de Os Novos Vingadores – Motim. Esta edição não tem algo que podemos nos aprofundar muito. Ela reúne as edições de 1-6 de New Avengers que foi lançada originalmente em janeiro de 2005 nos EUA, e se passa logo após Os Vingadores – A Queda ( que também analisei aqui ). Após estes eventos marcantes e com a dissolução dos Vingadores, já que o Tony Stark agora está com pouco dinheiro pra manter a equipe e a maioria dos membros não tem mais clima pra continuar após a morte do Homem-formiga, Visão e Gavião Arqueiro, esta edição mostra uma nova equipe formada pela necessidade. 
Uma fuga em massa de uma das instalações de segurança máxima da S.h.i.e.l.d., apelidada de “A Balsa“, acaba por reunir um grupo bem improvável de heróis. Após uma reflexão meio nostálgica, relembrando o que formou o time original, Steve Rogers conversa com Tony sobre reunir uma nova equipe, já que o mundo necessita de uma super equipe, principalmente considerando que 42 dos 97 presos da Balsa fugiram. Então, acontece uma improvável formação em que Capitão América e Homem de Ferro reúnem Homem-Aranha, Luke Cage ( Powerman ), Wolverine e Mulher-Aranha. Tentaram convocar o Demolidor também, mas ele recusou respeitosamente, já que está numa fase conturbada. Confesso que como sou um grande fã do Demolidor, fiquei torcendo pra ele recusar mesmo. Sou do tempo que os Vingadores eram do time B da Marvel e não vai ser fácil isso mudar pra mim. Ainda não houve um momento deles que me fez acreditar que eles poderiam superar os X-Men, Homem-Aranha ou o Quarteto Fantástico. Mas, é minha opinião, não é uma verdade. Cada um pode e deve gostar do que quiser.
É a mesma dupla criativa da “Queda”, sendo que é tudo um pouco mais sombrio. Os desenhos de David Finch estão formidáveis, mas ainda me incomoda um pouco as expressões faciais e movimento. Acho que ele cria muita pose e pouco movimento, sabe. Posições improváveis, até irreais no meio das lutas que faz parecer que os personagens estão o tempo todo fazendo pose pra foto. É um desenhista que é muito bom pra fazer capas, suas estórias parecem uma sucessão de capas… hehehe. Mas nada que incomode a leitura. Já o roteiro de Brian Michael Bendis é bom. Ele explora até um pouco demais as características dos personagens, como o Homem-Aranha que não para de falar e fala piadinhas o tempo todo. Sim, falar demais é uma assinatura dele, mas é muito usada e isso acaba cansando. Até tive vontade de mandar ele calar a boca. E considere que o Homem-Aranha é um dos personagens que eu conheço melhor. Li tudo que foi publicado dele desde o começo até o retorno do Peter Parker após horripilante saga do clone, que me fez afastar do personagem.  
Então, não lembro de ele forçar tanto a barra. O Capitão está sempre responsável demais e até gostei da volta da Mulher-Aranha original. Mas, sei lá, é tudo meio forçado. Tem uma hora que todos são presos pelados… sério isso ? Necessário ? A única coisa legal desta parte, é a Armadura do Homem-de-Ferro trabalhando sob comando de voz pelo Tony. Mas, de modo geral, você não fica preocupado, não sente medo, não fica ansioso pra saber como vai terminar. Não sente ameaça real. Mas pode ser que a continuidade que esta sequencia abre, seja boa. Não sei, não li.
Enfim, é bem legal saber como os Vingadores se viraram após os eventos de “A Queda”, mas nada que mereça uma edição chamada Graphic Novel. Sem diminuir demais a qualidade, digo que é uma HQ muito interessante, mas não tem nada de épico, nada de extraordinário, nada profundo que leve a reflexão, que acrescente algo a vida do leitor. Apenas um bom entretenimento, que pra quem curte os Vingadores, vale a pena ser lido, mas sem esperar uma qualidade de roteiro superior ao das HQ´s regulares mensais.
Abraços do Quadrinheiro Véio.
 
 

 

 

 

 

 

 

 
 

Guerra Secreta

Eu sei que eu havia combinado com vocês de colocar um post da DC, mas acontece que eu sentei pra ler mais uma edição dos Graphic Novels da Salvat e calhou de eu gostar. Não que se eu não gostar não vou escrever, irei sim. Só que achei que enquanto está fresco na memória é melhor pra escrever sobre uma publicação.

Esta guerra secreta não tem NADA a ver com as Guerras Secretas ( Secret Wars ) dos anos 80. Só a semelhança do nome. E, na boa, mesmo sendo uma saga caça-níqueis pra vender brinquedos, achei Secret Wars mais legal do que Guerra Secreta. Claro que devemos respeitar épocas diferentes e narrativas diferentes.

Tudo começa com um ataque fulminante ao Luke Cage. A partir daí, desenrola-se uma história cheia de flashback’s onde Homem-aranha, Wolverine, Capitão América, Demolidor e o próprio Cage haviam sido convocados pelo Cel. Nick Fury para uma missão secreta e escondida do governo americano à Lativéria.

Objetivo: derrubar o atual governo, que aparente mente financiava vilões com armaduras e armas high-tech, com dinheiro que a própria ONU havia doado a eles para reconstruir a nação, após a suposta morte do Dr. Destino.
Não vou contar todo o resto, mas é muito bacana ver como isso se desenrola no presente. Não acompanhei as histórias na época, mas ao final o Nick Fury some, já que havia feito este ataque em segredo e em seu lugar fica a nova diretora da Shield: Maria Hill.

Guerra Secreta é uma história boa, completa, com começo/meio/fim, estruturada e com tudo que a gente gosta em termos de narrativa. Tem suspense, tem segredo, tem reviravolta. Mas não sei se eu que estou ficando velhaco ou muito intuitivo, ultimamente sempre acabo descobrindo quem é o vilão no começo das HQ´s. E isso é triste. Gosto de ser mais surpreendido. E achei uma história boa, mais do mesmo, mas boa. Não posso dizer que achei ótima. Vale a percepção psicológica de cada personagem. O Brian Michael Bendis fez um trabalho muito bom neste sentido. E as fichas da Shield de cada herói e vilão que aparecem na Graphic Novel também é divertida. É sempre legar ler estas fichas.

Claro que é bacana em termos visuais. Só por isso ela já vale a compra. Ainda não sei dizer que estilo este Gabriele Dell’otto tem. ( Sim, antes de eu saber que era “ele”, pensei que era “ela”. Poxa vida… o cara se chama Gabriele e eu sou brasileiro, me desculpem se me enganei, ok ? ). Acho que ele desenha/pinta bem pacas e é um poster dele que vai formar a imagem final das lombadas da coleção da Salvat. Aliás, este é o volume 33, o famoso que deu problema e veio com a lombada torta. Mas como já disse no post anterior, a Salvat muito profissionalmente entrou em contato conosco e vai resolver o problema. Então, iremos aguardar.

Retornando… Adoro quadrinhos que são feitos como pinturas. Comecei a curtir isso com o Ross, quando li Marvels e agora me surpreendi com esta história do Dell’otto. Acho genial como ele usa as cores e fundos, os tons, pra dar a passagem de tempo, de clima emocional, como mais uma forma de contar a história. Gosto de artistas que rompem a comunicação direta, que embutem comunicação nos detalhes. Os ângulos dos personagens também são ótimos. A forma como ele desenha cada um dos heróis e vilões é bem do jeito dele, como o Wolverine com a trancinha na barba, os olhos pequenos e fechados da maioria deles, o Nick Fury original sempre nervosão em estado de ataque. Gosto, recomendo mesmo.

Recomendo a leitura.
Abraço apertado do Quadrinheiro Véio !!! 😉

Vingadores – A Queda

Bem vindo novamente, amigo do Quadrinheiro Véio.

Está parecendo que só gosto de Marvel, já que é o terceiro post do Blog e vou falar de mais uma passagem desta editora. Só que não… Gosto muito de DC Comics também. Prometo que o próximo será sobre uma saga bem legal da DC, que eu gosto muito e que está lá nos meus primórdios quadrinhísticos.

Bom, entrando no assunto do post: Os Vingadores – A Queda. Sabe, eu mesmo tive uma queda legal em quantidade de leitura de quadrinhos após o final dos anos 90 e pouca coisa dos anos 2000 eu acompanhei. Acho que uma sequencia enorme de roteiros bem fracos me fez achar que, ou eu estava ficando velho pra HQ´s ou os roteiros estavam ficando fracos. Percebi que a segunda opção era a que mais condizia com a realidade.A gota d´água foi a saga do Clone do Homem-aranha. Sério, eu a lí inteirinha, todinha, até o final, até o Peter ir embora e ainda li quando ele resolve começar a vida normal escondido no interior e juro que tentei acompanhar o Aranha Escarlate. Até gostei do uniforme do Aranha Escarlate, mas, na boa, aquele uniforme que colocaram no Aranha quando ele assumiu o lugar do Peter… Sério que alguém gostou ? Bom, gosto se respeita… eu já to falando demais pro meu tamanho… hehehe… Outro dia falo sobre esta saga em especial, até mesmo porque preciso encontrar minhas revistas, reler pra poder falar com a memória cheia.

Agora, colecionando esta fantástica coleção da Salvat, acabo de ler o fascículo 34 com esta estorinha espetacular que é a Queda dos Vingadores, no original: “Avengers Disassembled”. A série de autoria de Brian Michael Bendis e desenhada por David Finch começou na edição de Avengers #500 nos EUA e foi até a #504, tendo suas ramificações das demais revistas paralelas dos Vingadores realmente me surpreendeu, ainda mais que se passa em 2004/2005*.

Os Vingadores nunca foram um grupo muito interessante nos quadrinhos, sendo o segundo escalão da Marvel. Desde que eu os lia nos anos 80, sempre achei bem fraquinhas duas histórias, e acho que o Brian também devia achar isso, já que nesta série ele detona legal com a super equipe e de modo muito inteligente, ao ponto de fazer a gente perder o ar em alguns momentos.
Chega a ser delicioso ver a Mulher-hulk se descontrolando, agindo como o Hulk… A forma  surpeendente e repentina com que o autor mata Scott Lang ( Homem-formiga ), o Tony Stark perdendo “as estribeiras” na ONU, a explosão de Jack Hardt, e todo o caminhar pra este final que é uma virada. Todo o diálogo com o Dr. Estranho me pareceu tão bem pensado que não percebi pontas soltas no raciocínio todo. E em um momento de respiro todos que fizeram parte da equipe aparecem no portão da mansão destruída para ser solidários aos membros ativos e do nada uma armada Kree aparece e o pau come solto, logo após um androide Visão moribundo aparecer carregando 5 Ultrons dentro de si pra desespero dos heróis. Só não entendi porque o Thor não aparece, deve ter sido explicado em uma das revistas paralelas que eu não tenho. Se alguém puder me contar, agradeço.
 
Creio que as sacadas e as homenagens foram muito bem pensadas e o desenho está muito bom também. Gosto de pensar que tivemos um momento entre o começo dos anos 90 e meados dos anos 2000 em que foi estabelecido um equilíbrio entre roteiro e desenhos. Lembro-me que a mudança visual começou no começo dos anos 90 e ao mesmo tempo um declínio fenomenal nas qualidades das histórias. Atribuo isso tudo ao começo do Marketing 2.0. E olha que sou profissional de marketing, sei do que estou falando. Então, tivemos uma era com desenhos muito bons, com liberdade artística e de padronização de quadrinhos muito inovadora e linda, mas roteiros que beiravam ao amadorismo e a ausência de criatividade.

Aí, aparece esta reviravolta e volto a ter esperanças nas HQ´s novamente. Porque achei muito show o que foi feito com a Feiticeira Escarlate. Todo o passado dela levou a este momento, acho isso muito bom… Fazer ela enlouquecer e com seu poder, inconscientemente, atacar os Vingadores, matando seu marido Visão, o Homem-formiga e o Gavião Arqueiro, e ao final ter o Mestre Místico da Marvel, Dr. Estranho, tendo que intervir e, sendo tão poderoso como é, derrotar ela em apenas 2 páginas… cara, sério… vibrei. Pra fechar, o papai Magneto ao final vindo buscar a filha pra ver se o Professor Charles Xavier consegue ajudar ela só mostra como os quadrinhos me pareceram voltar aos bons tempos. E é legal notar o toque avermelhado na colorização, acho que dando vazão a algo grave, sangrento, repleto de ira. E cá entre nós, que mulher não enlouqueceria ao saber que tinha criado dois filhos com seus poderes, que estes haviam sido tirados dela, que sua memória foi apagada pra não saber disso e ela resolve trazer eles de volta ? Sim, doidinha de pedra… judiação… mas foi uma sacada genial. Esta historia continua em “Dinastia M“, que eu comento aqui.

Não sei como anda o dia a dia das HQ´s, mas esta virada foi mesmo muito boa. E o Réquiem no final, o momento que se reuniem os sobreviventes, meses depois pra discutir o que fazer e serem recebidos no portão pela população grata, foi bem legal. Mais legal ainda se colocassem um velho Phil Sheldon lá fotografando tudo. ( hehehehe ) Aliás, nesta parte, vários artistas fazem páginas duplas quando os membros vão se lembrando das principais passagens dos Vingadores. Realmente, os Vingadores eram tão fraquinhos que nem tem muito o que lembrar, mas o que tem, é memorável. Espero que o que tenha vindo depois tenha sido a altura, porque ainda não li.
 
Bom, é isso. Recomendo esta edição. Mesmo com lombada torta, a coleção da Salvat é boa. E eles já se pronunciaram pra trocar as edições que vieram com defeito. Agora é esperar.
 
Abraços, obrigado e até o retorno do Quadrinheiro Véio.
 
*Como podem ver, tenho preconceito lascado com os anos 2000 e espero que isso mude com o passar do tempo e este blog. Afinal, resolvi voltar a ler algumas coisas, a partir desta coleção de Graphic Novels.  Mas já adianto que será difícil demais alguém conseguir me convencer que os Novos 52 da DC é algo legal… :p )