Trigg lança cartão de crédito do Coringa

Trigg lança cartão de crédito do Coringa

Após sucesso dos cartões dos heróis  da Liga da Justiça – Batman, Mulher-Maravilha e Superman -,  no mês dos 80 anos do Batman, fintech lança o cartão do vilão mais icônico do mundo de entretenimento.

Após o sucesso dos cartões do Batman, Mulher-Maravilha,  Superman e Aquaman (edição limitada), a Trigg e a Warner Bros Consumer Products se unem novamente para trazer o cartão de crédito exclusivo do Coringa. A novidade chegou nesta quarta-feira, 18 de setembro ao mercado, mesma semana dos 80 Anos do Batman, para deixar a coleção de cartões dos heróis da DC ainda mais completa. Desta vez com o vilão mais icônico do universo do entretenimento.

Coringa, um dos maiores vilões da DC Comics, é o quinto personagem a estampar os cartões da Trigg. “Estamos muito felizes em lançar um cartão de vilão! Ainda mais um personagem que traz um humor sádico e uma loucura única. Ele apaixona e encanta os fãs. Estamos “quase” mais animados com o Coringa do que com os heróis!“, brinca Marcela Miranda, Head da Trigg. “Esse lançamento faz parte do que acreditamos como empresa, a conexão emocional com o nosso público. Lançar novidades dentro do universo geek tem sido incrível para a nossa relação com o mercado e com todos que curtem a Trigg. É mais um motivo para comemorar!“, explica Marcela.

Novos e futuros clientes Trigg têm, agora, a opção de escolher entre seis artes, sendo as duas cores originais, grafite ou verde, e os quatro modelos com personagens DC. Para aqueles que já são clientes Trigg, o cartão geek pode ser solicitado na Store do App. Lembrando que é possível manter mais de um cartão ativo. 

Acompanhando o universo geek, a Trigg é o cartão de crédito oficial das próximas três edições da CCXP. Clientes Trigg têm 20% de desconto nos ingressos da CCXP19, que acontecerá entre 5 e 8 de dezembro de 2019, no São Paulo Expo. Para os interessados na modalidade “ingresso social“, o desconto é de R$10,00, com limite de quatro ingressos por CPF – desconto não cumulativo com a meia-entrada. Além disso, o cartão Trigg dá direito a descontos de 20% nas seguintes lojas: Loja Oficial CCXP, Harry Potter Store, Omelete Store, Chiaroscuro e na assinatura do Omelete Box, tanto nas lojas físicas dentro da CCXP quanto online. Todos os clientes também possuem benefícios especiais Visa, por ser a bandeira exclusiva do cartão Trigg.

Isso é especial demais !
Abraços do Quadrinheiro Véio !

Os Melhores do Mundo – Batman e Superman

Os Melhores do Mundo – Batman e Superman por Dave Gibbons e Steve Rude

Olá Quadrinheiro.

Melhores do MundoLembro me bem de quando eu li Os Melhores do Mundo na época que saiu aqui no Brasil em 1991. Comprei as edições nas bancas principalmente pela capa diferenciada. Mas nem imaginava o que teria ali dentro. Ainda era uma fase que eu era mais “cru” em quadrinhos, mesmo acompanhando a tantos anos. O melhor de tudo: Eu ainda tinha aquele “brilho no olhar” ao acompanhar os heróis. 

Em meio a super inflação, a mini-série basicamente aumentava de preço todo mês e as moedinhas de troco que meu pai me dava, mal dava para as revistas do mês. Mas esta era especial, formato maior, arte de capa com aparência aquarelada… era algo que empolgava o adolescente que eu era. 

E o bacana é que ainda não era comum tantos crossovers. Isso de juntar em uma mesma história dois personagens de cidades diferentes não era comum, então a gente queria ver o que acontecia. Haviam as histórias da Liga, mas era como se fosse um personagem a parte. Encontro do Batman com o Superman não era tão comum como hoje.

Aliás, rara é a história que não tem a participação de algum personagem de fora nos dias de hoje. Até porque hoje se questiona mais algumas coisas. Por exemplo: Como assim cai um meteoro na terra, numa história do Super-Homem e os outros heróis, como o Lanterna Verde não vieram verificar? A gente não questionava isso na época. Hoje, isso não passaria batido.

World’s Finest

Publicada originalmente em junho de 1990 numa mini-séria, esta história soa como uma homenagem à era de bronze apenas a poucos anos do começo da era contemporânea, marcada por Crise nas Infinitas Terras. Embora seja o começo dos anos 90, ainda soava muito mais como os 80. O Batman ainda caminhava pra se tornar o personagem dark que é hoje e o Super-homem apenas começava a ganhar sua alcunha de “símbolo da esperança“. Foi mais ou menos nesta época que esta divisão começou. Até então, eram apenas histórias. Tudo podia. Depois, aos poucos, isso foi mudando.

A história gira em torno de um plano do Lex Luthor pra conquistar mais espaço em Gotham. Lembrando que o Lex Luthor desta época era o empresário bonachão, e nem tanto um cientísta. Ele já havia perdido a mão devido ao envenenamento por kriptonita de se anel e era sempre bem visto pelas pessoas, porque sabia muito bem se esquivar da lei pra fazer seus planos criminosos nunca serem ligados a ele. E ele começa ao comprar dois antigos orfanatos e dar suporte a um terceiro, que ficava bem na divisa entre Metrópolis e Gotham. Para comprar o de Gotham ele se envolve com o atual dono: o Coringa. Nisso, é proposta a troca. Coringa ficaria 1 mês autorizado a atuar em Metrópolis e Lex iria conduzir seu plano de conquistar mais imóveis em Gotham. Quando Clark e Bruce ficam sabendo, replicam a proposta entre eles. Kent vai pra Gotham supostamente fazer uma matéria sobre a situação dos menos favorecidos e o Bruce fica em Metrópolis pra ampliar seus negócios. E ambos podem ficar de olho em seus inimigos. Eles eram os melhores do mundo. Apenas ainda não tinham percebido isso.

Gibbons sendo Gibbons

O que me chama bastante atenção nesta HQ é que a história tem arte. Arte na narrativa. Arte nos desenhos. Arte na idéia. É mais profunda do que a gente consegue perceber no começo. 

Dave Gibbons tem uma narrativa gradual. É possível perceber que sempre que Batman atua, os quadros são mais escuros. Quando entra o Super-Homem, Metrópolis, tudo é luz, claridade. Batman se apoia no medo, na paranóia, na vingança. Super-Homem sempre na esperança. Estas duas faces ainda não se viam como amigos. A amizade começaria ainda a ser forjada em uniões como esta, que ainda eram novidade. Não havia ainda a irmandade de hoje. O desenho de Steve Rude segue com poesia. As cores de Steve Oliff são inteligentes, trazendo predominância de cores azul em contraste com vermelhos, e a medida que a história caminha, o contraste vai diminuindo, até que ao final, está mais equilibrado. É como ver, sem ver, o equilíbrio sendo alcançado aos poucos. E uma homenagem aos famosos Stan Laurel e Oliver Hardy da serie de comédia ‘O Gordo e o Magro’ como era conhecida aqui no Brasil. Mais uma referência ao contraste.

Gosto da condução, gosto do mistério e gosto da seriedade da história. Não eram desastres cósmicos, não era o fim do universo. Era apenas o Lex Luthor usando seu poder econômico e um palhaço insano tentando conquistar mais poder enquanto os heróis procuravam formas de detê-lo. Sem grande estardalhaço, sem nada grandioso. Num roteiro simples, direto, sagaz e que te mantém entretido em um mistério para descobrir os reais planos que são revelados em dois momentos. Saudades deste tipo de narrativa. Faz tempo que não vejo nada assim atualmente. Não que o que temos hoje em dia seja ruim, mas noto que algo se perdeu no meio do caminho. Onde estão os Melhores do Mundo que não escrevem mais como antigamente ?

Também penso que os grandes escritores da época dos quadrinhos dos anos 80 e 90 se inspiravam mais em leituras e conhecimentos clássicos. É comum vermos citações a grandes obras da literatura antiga nos quadrinhos dos anos 70-90. Hoje, noto que a inspiração dos atuais quadrinistas são os quadrinistas desta época. Creio ( posso estar bem enganado ) que seja um dos motivos dos quadrinhos atuais serem menos profundos e mais copiados. A fonte original não foi consultada. Então, se torna tudo mais raso. Com um publico raso acompanhando, que prefere cinema à leitura, não poderia ser diferente.

Aço e Trevas

Se você está procurando algo bom pra ler e quer ter acesso a algo mais vintage, sem ser tão antigo assim, leia Os Melhores do Mundo. O encadernado atual tem capa dura e muitos extras interessantes. A Panini mais uma vez mostra de novo que conhece o que é bom e sabe dar isso pra gente. A transição é linda, historicamente e dentro do livro. Recomendo !

Abraços do Quadrinheiro Véio !

 

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METAL – Noites de Trevas – DC Comics Review

METAL – Noites de Trevas – DC Comics Review

Olá Quadrinheiro !

Terminei de ler METAL – Noites de Trevas ( conhecido como Batman Metal ) estes dias e precisamos conversar sobre isso. Antes de mais nada, vamos situar a obra. Iniciada em agosto de 2017 nos EUA, na edição Dark Days: The Casting e finalizada em Dark Nights: Metal 6 em junho de 2018. Aqui no Brasil, teve uma das campanhas mais legais de lançamento ( confira aqui ) e chegou em encadernados com capa especial, verniz localizado e efeito metalizado, com um mix 3 edições em cada volume, já na ordem certinha pra você ler. A Panini caprichou mesmo nesta mini-série.

Logo que chegou pra mim, eu fiz um primeiro post dando a impressão das duas primeiras edições. E agora, vamos fechar falando da saga como um todo.

METAL não é sobre HEAVY METAL

A saga é basicamente centrada no Batman. Como o mais forte integrante da Liga ( isso é, sim, opinião minha ), ele é o único capaz de subjugar todos os heróis por ser um estrategista brilhante. Dentro do conceito de multiverso, existe uma tal dimensão conhecida como “Multiverso das Trevas” que é de onde os Batman Sombrios vieram. De cada Terra deste universo sombrio, um Batman emergiu mau e tomou os poderes de um personagem da Liga e com isso, conquistou o planeta. Só que um ser sombrio chamado Barbatos, que faz parte do “mecanismo” da criação dos universos aparece por lá e diz a eles que existe um multiverso lindo todinho pra eles conquistarem se o ajudassem a ir pra lá também. E a chave desta passagem é o Bruce Wayne e o metal enésimo, sabe ? Aquele das armas tanagarianas do Gavião Negro e da Mulher Gavião. Que aliás, tem importante participação na história também.

A DC sempre viaja grande quando cria crises cósmicas, isso a gente precisa admitir. Quando o assunto é a possibilidade de fim do mundo ou do fim do universo, ela é capaz de criar acontecimentos incríveis. Tal como este conceito de multiverso das trevas, um Super-Monitor e estes Batman sombrios horripilantes.

Cabe situar você: O universo dos novos 52 foi basicamente desconsiderado neste momento e fatos “pré-52” são citados, tais como a “morte” do Batman e sua jornada ao passado. O Bebê Darkside também aparece. Mas não é nada que você precise conhecer pra entender a história.

Embora centrada no Batman, METAL é uma aventura da Liga como um todo. Batman é a chave/centro dos acontecimentos, mas envolve todo o universo DC. Por isso, chama-se “Metal – Noites de Trevas” e as edições centradas na família morcego e outros em separado, saíram aqui em duas edições especiais, chamadas de “Batman: METAL Especial”.

Gritos na noite – Batman Metal

A história é boa, tem um caminhar bem tenso e até o final, você não consegue ver a menor chance dos heróis vencerem. A narrativa é desesperante. Todos os passos dos heróis são previstos pelo Batman que ri ( personagem que reune e lidera os Batman Sombrios ). Este Batman é uma mescla do Bruce com o Coringa. Sim, é bizarro e tenebroso. Então, é possível imaginar toda a loucura e maldade do palhaço do crime aliada ao maior estrategista conhecido. Ele é bem perigoso. Fora que notei um retorno de algumas coisas que eu curtia nas HQs antigas. Tem a entrega de filosofias, tem o pensamento reflexivo e tem personagens que te fazem pensar e se colocar no lugar deles e refletir no que teria feito se você com você. A Liga tem um papel importante no decorrer da história, principalmente Flash, Cyborg e Lanterna Verde. Mas a trindade Batman, Super-Homem e Mulher Maravilha são os grandes finalizadores como sempre.

Existe apenas um pequeno incomodo pra mim nesta história, que é a forma como ela fecha. Aliás, cabe a ressalva de que tenho a impressão de que não é um problema apenas desta série, visto que “A Noite mais Densa” e “O Dia mais Claro” ( review aqui e aqui ) utiliza do mesmo recurso: A virada inesperada no final acontece de repente, rapidamente, e sem chance pros vilões, de forma milagrosa. É algo muito estranho. Imagine que você passou meses acompanhando a derrocada do mundo. Os heróis sendo derrotados e presos em cada edição. Um a um, seus planos de revide vão sendo derrotados e todos previstos pelo Batman que ri. E ao final, em uma edição, os mocinhos viram o jogo e vencem meio que do nada. O desespero é 6,5 edições de desespero quebrado repentinamente por uma virada rápida, sem profundidade, no final da saga. Isso é algo que realmente me incomodou bastante.

Dá a impressão de que ficou preguiçoso. Acho que pra ficar mais legal, deveriam ter ido mais devagar nesta virada. Heróis tendo pequenas vitórias, conquistando aos poucos e virando o jogo. Quando a virada é repentina, milagrosa e principalmente, baseada em fatos que aconteciam em paralelo mas que são reveladas ao leitor apenas no final, me parece que é como se faltasse “gabarito” aos escritores pra pensar em algo que poderia ser mais legal. É muito simples você vir criando algo só de um lado, no caso no mal, e depois no final, inventar algo do nada e virar tudo pro lado dos mocinhos. Sem respaldo da própria história. Eu senti que ficou um final “preguiçoso“, sabe ?

A jornada é linda, mas o final, nem tanto.

 

 

Quem fez ?

Os principais líderes de METAL são Scott Snyder e Gregg Capullo. Claro que eles não fazem isso sozinhos, tem uma penca de roteiristas e desenhistas que trabalham juntos, já que envolve muitos personagens e revistas solo durante estes meses de METAL. Snyder tem este problema de narrativa desde sempre. Sabe dramatizar, mas não sabe finalizar. Já Greg Capullo eu curto o traço desde Spawm e Homem-Aranha nos anos 90. Houve uma evolução no traço, mas seu estilo permanece nesta HQ. Jim Lee, John Romita Jr, James Tynion IV, Andy Kubert, Dan Abentt, Francis Manapul, Tony S Daniel, Brian Hitch, Jeff Lemire, Ethan Van Sciver, Frank Tieri, Carmine di Giandomenico, Grant Morisson, Doug Mahnke, Jorge Jimenez e Howard Porter são alguns dos nomes que assinam as 5 edições principais. É muita gente boa trabalhando junto e por isso a leitura é sim, muito boa. Minha queixa fica apenas com o final.

Então, se quer saber se é uma história que vale a pena ? Sim, vale muito. É uma das boas histórias que eu li recentemente e acho que, embora não deixe consequências, vale pela narrativa. Recomendo a leitura e eu mesmo penso em reler agora, de uma vez, pra sentir o drama.

Abraços do Quadrinheiro Véio !

Batmen Sombrios
Os Batmen Sombrios

 

Um Conto de Batman: De Volta à Sanidade

Olá Quadrinheiros !
 
batman volta sanidade
Bem vindo de volta. Hoje vou falar sobre uma série de mini-series que eu particularmente adorei acompanhar no meio dos anos 90, que se chamava Um Conto de Batman ( Legends of the Dark Knight ). Na época, saia em edições quinzenais, com 2, 3 ou 4 edições, contos individuais e de fora da cronologia do Morcegão, mas que em alguns casos se tornava canónico e em outros, não. Até mesmo porque em muitos casos era desnecessário, mas eram de tal forma bem escritos e marcantes que acabava deixando a gente muito pensativo depois, muitas vezes impressionado.
batman volta sanidadeEste é o primeiro de vários que eu pretendo postar no blog e isso aconteceu porque estive em uma feita de sebos de HQ e comprei uma que eu não tinha comprado na época ( ate porque era época de forte inflação, com os preços em tabelas que mudavam praticamente toda semana ) e a grana estava mais curta do que o normal.
Em De Volta a Sanidade ( Going Sane ), temos o vilão mor do Batman: O Coringa. E é uma história pra lá de interessante. Inevitavelmente você pode trombar com alguns spoilers aqui, ok ? Mas não é nada demais, prometo.
Eu acho genial quando as histórias tem um aspecto psicológico forte como aqui. E entra em debate um ponto mega importante: A dependência emocional do Coringa em relação ao Batman e vice-versa. Esta é uma das melhores representações do desequilíbrio mortal do palhaço e da loucura dele magistralmente retratada. Gosto quando o autor é criativo ao ponto de não precisar apelar para coisas mega grandiosas. É bacana ver o Batman enfrentando um cara tão mortal como o Coringa, enfrentando medos, pensamentos… vendo ele próprio no limiar da loucura. Sem comparação, batman volta sanidadequestionando seus atos, suas escolhas, suas reações… questionando a própria sanidade que nos faz pensar se o titulo se refere ao vilão ou ao Batman, servindo ao mesmo tempo para os dois, uma vez que em determinado momento parece que o maluco troca de lugar com o saudável. Acho que dramas psicológicos assim enriquecem demais e ao mesmo tempo que a trama é inteligente, prende a gente o tempo todo ao contraponto dos desenho serem bem caricatos, com um Coringa em traços exagerados, com queixo gigante que reforça muito mais seu sorriso maquiavélico e que quando ele passa por são deixaram imagem disforme, que não se encaixa. Neste roteiro de J. M. de Matteis vamos da raiva até a surpresa, chegando as lagrimas nos olhos quando uma inocente sente toda a tristeza de um relacionamento que, embora muito real pra ela, nunca existiu. Muito inteligente, uma historia triste e coerente, muita reflexão e muita exposição da alma verdadeira de um herói como só o Batman pode ser. Um lance meio o médico e o monstro, com pitadas de “two stories”. O paralelismo, o reencontro. Aliás fazer roteiros com forte teor de conflito psicológico parece ser uma das qualidades do autor, que também escreveu o excelente “A última caçada de Kraven”, que tem uma resenha só dela aqui.
batman volta sanidade
Os traços são do Joe Staton, e mesmo quem não gostar, precisa dar o braço a torcer pela narrativa, sequencia e expressão emocional dos personagens. Um traço aparentemente de qualquer jeito, mas todo pensado. É preciso entender que um bom artista se adapta à historia, se torna versátil para contar a historia, e não fica engessado apenas no seu estilo. Este desenho, cheio de achuras que parecem ter sido feitas as pressas, mas que na verdade era o que a historia pedia. Note que a própria achura varia dependendo do momento da narrativa. Tudo antagônico, tudo no contra ponto. Esta preocupação em narrar o inconsciente junto com o consciente, o invisível, junto com o visível, é de uma inteligência sinistra. Tudo em torno do Coringa e do Batman, sem nada mais.  Todo o resto é consequência, é pano de fundo, são apenas pessoas que não sabem porque estão ali, mas estão. Meros bonecos da trama, importantes apenas para dar cama aos principais e mesmo assim, batman volta sanidadedramáticos e necessários. Não é uma historia fácil de escrever. Crises e tramas gigantes cheias de protagonistas são fáceis de escrever, mas tramas assim, ricas na complexidade dramática e psicológica, não. Este cara, de Matteis, certamente bebeu dos livros de Jung e do Campbell. Tudo se resume a momentos, esta historia é um momento. Ela não muda nada na vida dos dois heróis, mas ao mesmo tempo muda muito a forma de pensarmos no relacionamento interior de ambos.
Sinto-me muito limitado a escrever sobre esta mini-serie porque senão revelaria muitos spans e acho isso tão desagradável, porque sem poder abrir mais da trama parece que estou tentando vender algo pra você e não é isso. Juro… rs… 
Então, se você gosta de ler uma boa trama e está meio cansado das historias rasas atuais, faça um favor a si mesmo e cave um sebo ou um scan pra poder ter acesso a isso.
Recomendo a série “Um Conto de Batman” de olhos vendados.
 
Abraços do Quadrinheiro Véio !
 

 

Batman volta insanidade
 
batman volta sanidade
 
 

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Lendas do Cavaleiro das Trevas – Alan Davis

Olá amigos leitores de HQ’s, malucos de pedra como eu !

Acho que dentre os super-herois, de todos que existem e que eu leio desde sempre, fica difícil eleger o que eu mais gosto… mas o Batman fica certamente entre os principais pra mim. Não apenas pelo personagem em si ( embora eu adore os paranóicos, psicóticos e traumatizados como ele ), mas pela constância de boas historias. O tempo passa, entra e sai um monte de porcarias em todos os cantos, em todos os heróis, mas o Batman consegue ter bem menos porcarias do que a maioria ( fica aqui minha ressalva sobre o lixo corporação Batman )… de modo geral, ele sempre esta ma média pra cima nos roteiros e a versatilidade que tem entre ser apenas um `cuidador` de uma cidade e ao mesmo tempo, o maior estrategista do universo DC ( vencendo até os super grandes vilões e heróis, né azulão ? ) deixa ele como sendo um dos grandes, mesmo sem poder algum. E acho que você, mesmo não gostando, deve concordar com isso. Se não concorda, por favor, divida sua opinião comigo nos comentários. Aqui neste blog não tem censura. Se eu posso expor minha opinião, você também pode, ok ?
 
Alan Davis
Pois bem, vamos para a coleção “Lendas do Cavaleiro das Trevas – Alan Davis“. Nestas duas edições que vou comentar aqui, estão reunidas boas historias do Batman da época dos anos 80, quando ele se consagrou como o maior detetive do mundo Aliás, como sou um grande fã de historias de detetives, Sherlock Holmes e etc… eu realmente vibrava quando lia estas historias, que aqui no Brasil saíram lá pelo final dos anos 80… E mesmo tendo lido e acompanhado na época, hoje ainda vibro ao reler em formato original estas historias. Como sempre costumo frisar aqui no blog, gosto do que me emociona, e ver o Sherlock Holmes ajudando o Batman emociona muito.
Alan DavisEstas publicações da Panini trazem historias desenhadas por Alan Davis e escritas por Mike W Barr. Curiosamente sai roteiros muito legais, divertidos e simples, mas com um peso enorme. E o mais legal é ver situações de um Batman que desde o Cavaleiro das Trevas e Crise nas Infinitas Terras, a gente passou a ver cada vez menos, que é aquele  vigilante amigo das pessoas, da policia, que anda por aí a pé no meio da rua, de dia. Acho bacana demais… adoro esta época. As historias eram mais mundanas, menos fantásticas, e ao mesmo tempo esta dose de surrealidade. Não acho que seja melhor ou pior do que hoje em dia, mas posso dizer claramente que gosto mais desta época, seja por nostalgia da minha infância, seja por gosto pessoal.
 
Alan DavisNas primeiras historias da edição 1, temos o morcego enfrentando o coringa, com um dos melhores traços dele. Eu gosto muito desta aparência que o Davis usou. E a loucura dele é uma delicia. Alias, adoro o Coringa justamente pela loucura. A Mulher Gato com aquele traje meio vestido, meio sobretudo, meio sei lá o quê e o Robin Jason Todd criança, bem criança mesmo. Em seguida ele enfrenta o Espantalho. Eu adoro esta inocência, este preto-no-branco desta época… roteiros mais simples, precisando explicar menos. Parece que a gente aceitava melhor as incoerências do que hoje em dia. Costumo brincar que a gente usava mais a imaginação, se permitia mais. E parece que hoje em dia a gente quer ver mais verdade, se permite viajar menos, se permite imaginar menos. Alan DavisNa minha infância, uma caixa de madeiras de frutas de uma quitanda, presa nas costas com corda de nylon de varal e meio cabo de vassoura amarrado na ponta com uma corda e a outra ponta na caixa nas costas já me fazia uma mochila de prótons dos Caça-Fantasmas e eu já me divertia muito… hoje em dia, se um brinquedo não brinca sozinho, as crianças parecem se desinteressar muito cedo.
 
Alan DavisA segunda edição traz o Cruzado Encapuzado ( hehehehe… termo engraçado ) enfrentando o Chapeleiro Louco e o Ceifador. Curiosamente, hoje em dia, fica difícil pra muitos conseguirem encaixar de modo verossível um personagem como o Chapeleiro, pelos mesmos motivos que eu apontei acima. Alias nesta edição tem uma sequencia que eu acho sensacional, começando na pagina 55… Provavelmente já entrando mais no espirito do que viria a ser uma grande marca do personagem, esta característica de “morar” nas sombras. Já o Ceifador teve um papel muito importante nesta época, e acho que só por isso, já vale a leitura. Fora que na opinião de muitos, o desenho animado “A Máscada do Fantasma” é o melhor roteiro do Morcego até hoje, melhor que muito filme e tem um ‘pezinho’ nesta fase. Se ainda não viu esta animação, assista. Tipo, assista hoje. Não, melhor ainda, assista agora… hehehe…
Alan Davis
 
Recomendo as duas edições. Vocês me conhecem a tempo suficiente pra saber que se eu acho ruim, eu falo mesmo. Estas são boas, principalmente pros saudosistas e de gosto simples. Entretenimento gostoso e nostálgico de qualidade.
 
Bom, é isso, acho que falei demais, ando meio empolgado. Espero que tenha gostado. Deixe sua opinião nos comentários ou lá na pagina do FaceBook.
 
Abraços do Quadrinheiro Véio!
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Batman – Silêncio

Olá, Quadrinheiros ! Batman Silencio
A vida continua !
 
Batman Silencio
No post de hoje falarei sobre esta saga que é um grande momento do homem morcego: Batman – Silencio ( Hush ). Esta saga originalmente publicada em 2002/03, em Batman 608 até 618 tem uma pegada sensacional. E sendo o Batman um dos grandes personagens da DC, esta saga define e homenageia ele de muitas formas, seja ao usar vários dos inimigos dele, seja ao colocá-lo como o grande detetive que é, seus dramas, personalidade e pensamentos… e com um extra: mais uma pequena surra dele no Super-homem !! Não que eu não gosto de azulão, eu gosto… mas é legal ver o Batman bater no Super… muito legal. E uma coisa que mostra Batman Silenciobastante nesta HQ é que o esforço do Bruce pra manter seu foco é quase hercúleo. Ele só não é um louco por muito pouco… não pode se desviar nem um minuto, porque a depressão e culpa que ele sente são enormes, deixando-o numa linha bem fina entre a loucura e a paranoia e a sensatez. Também é possível perceber o nível de narcisismo que ele tem, por se achar responsável por tudo… mesmo quando as vezes a lucidez bate e ele percebe que não é bem assim, que todos tem escolhas, independente dos atos dele mesmo. 
Batman SilencioEm Hush somos introduzidos a um novo vilão, conhecido como Silêncio. Interessante perceber que este apelido é dado a ele pelos outros vilões. Ele mesmo não se auto denomina desta forma. Uma coisa legal de ler um encadernado ( como foi o meu caso, já que li as edições 1 e 2 da nova coleção de graphic novels da DC, lançada ainda em fase de testes pela Eaglemoss ) é que não temos que ficar um ano na angustia. Por outro lado, não temos tempo de ficar realmente angustiados por um período longo, consumindo muito rápido uma história que eu amaria ter degustado na época dela e no tempo dela. A angustia de não saber quem está por trás, mas com tudo tão bem amarrado, é uma dor gostosa de sentir. É muito legal a gente ficar tentando investigar junto com o maior detetive do mundo e, uma coisa mais legal ainda é quando você começa a deduzir tudo antes do próprio personagem e começa a torcer por ele. Quadrinhos tem que emocionar, sempre menciono isso, e em Silêncio, a gente é pego em diálogo interno e em conflito de sentimentos o tempo todo.
Batman Silencio

O fator psicológico envolvido em HQ´s do Batman são, para minha pessoa, o maior atrativo. Adoro os diálogos internos, os pensamentos, a forma como ele se move interiormente. A neurose dele beira a psicose e isso deixa ele muito apaixonante. Em “Silêncio” ele não chega perto de enlouquecer como na “Queda do Morcego” mas só porque o vilão não desejava isso. O vilão, louco demais também, queria apenas mostrar que era superior e ao final se mostrou um psicopata muito bem construído. De forma muito inteligente, Jeph Loeb amarra a saga do começo ao final e as Batman Silenciolembranças do passado vão dando pistas o tempo todo até o final. Aliás, acho que o final poderia ser um ‘pouquinho’ melhor, mas mesmo assim, a saga inteira é ótima. O envolvimento de quase todos os personagens da ‘familia morcego’, até mesmo a Caçadora, é algo gostoso de ler. Sou muito fã da fase do Neal Adams no cruzado emcapuzado, pelo fator detetivesco e Loeb traz isso de volta muito bem. As mudanças nos vilões de poio são ótimas, bem como suas motivações muito bem definidas. A obstinação do Batman em resolver o caso ficando dias sem dormir é muito bem pensado, deixa o personagem descuidado e isso voga em favor da história. A forma com que as amizades são exploradas também é muito legal. Se uma pessoa conhece pouco da história do Batman, ao ler Silêncio, consegue ficar a par de muitas passagens importantes na vida dele porque muito é citado e considerado para elevar o nível do conflito interno do Bruce Wayne.

Batman Silencio

 E nos desenhos, o grande Jim Lee, pra mim um dos grandes desenhistas que revolucionou os anos 90, junto com Todd Mc Farlane e alguns outros. E com o traço mais amadurecido sem perder a personalidade de suas achuras. Lee tem uma pegada que definiu o estilo de muitos desenhistas, mas ele tem uma vantagem que poucos puderam seguir: Seus quadros de movimento e ele não ‘posteriza’ o tempo todo. Odeio esta mania de alguns desenhistas de fazer uma capa por quadrinho ( hehehe ), acho tão forçado e narcisista… mas o Jim Lee não. Ele empolga. Só gostaria que ele colocasse orelhas maiores no morcego… hehehe…  Ao menos o Batman dele, mesmo bem escuro, é azul e cinza. Não curto muito o Batman de preto. ( véio é fogo !! ) E se precisa de mais motivos para ler esta edição, te dou dois: Mulher-gato e Hera Venenosa. Elas estão ótimas e não apenas no visual. Prefiro a Hera de cabelo liso, mas o cabelo crespo dela nesta história também ficou muito bom. E já ia  Batman Silencio me esquecendo, uma das características mais importantes do Jim Lee são os olhos. Passe um tempo só prestando atenção nos olhares que ele desenha. Os olhos são personagens a parte. Se ele desenhasse um quadrinho mudo, só pelos olhos entenderíamos todo um diálogo. Acho isso ótimo nele. É um dos poucos desenhistas pós anos 90 que eu digo que gosto, porque sou fã demais dos desenhistas dos anos 70 e 80. Adoro os Romitas, Byrne e Frank Miller. Gosto muito mesmo. E Jim Lee está num patamar que poucos dos anos atuais tem.

Bom, é isso… Batman Silêncio impressiona, resgata e emociona. Simples assim. Não está entre as maiores histórias do Morcegão, mas fica muito perto !
 
Abraços do Quadrinheiro Véio.
 
Batman Silencio
 
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Batman: Morte em Família

Escrever sobre o Batman é uma delícia. Pra mim, é simplesmente um dos melhores personagens já criados para os quadrinhos. É complexo e polêmico. É de tal profundidade e simplicidade que mesmo o mais certinho dos mortais se identifica com ele.
 
morte em família
Morte em Família é um arco de histórias dos mais importantes já feitos com o cruzado encapuzado de Gothan. É uma obra prima que revirou tudo numa época em que várias histórias na linha de reviravoltas e mortes importantes estava em alta. Matar um Robin era algo muito forte na época. Ainda mais o Jason Todd que era muito diferente do Dick Grayson. Jason era colérico, indisciplinado. Fora o ineditismo de deixar o final por conta de votação do público por telefone. Algo que até então não se fazia. Apenas muitos anos depois foi mostrada a página que seria lançada caso a votação fosse contrária, em 2006, em Batman Anual 25.
Sempre digo que o final dos anos 80 foram insuperáveis em termos de roteiros, argumentos e mudanças positivas nos quadrinhos. Não porque era meu comecinho de adolescência, mas porque realmente esta época foi o final das invenções… o começo dos anos 90, ali por 95 é marcado pelo começo das inovações, mas sem criações. Para pra olhar… pouca coisa foi inventada no mundo após esta época. Tudo é recriação e inovação. O mundo anda muito chato, né… hehehe…. ( Coisa de véio ).
 
morte em famíliamorte em famíliaEnfim, Morte em Família mostra a descoberta de Jason Todd para o fato de que sua mãe era viva e poderia ser encontrada. Ele fica obcecado por isso e parte pro mundo em busca dela com a ajuda do Bruce Wayne. Dentre 3 opções, sendo uma delas a Lady Shiva, eles viajam o mundo a procura. Entretanto ao encontrá-la descobre que ela está sendo chantageada pelo Coringa. E pra ajudar mais ainda, ela o trai, entregando-o ao vilão que o espanca sem dó. O marcante é o nível de violência do Príncipe palhaço do crime, é  muito forte, dramático, sufocante, ao ponto de ficar de olhos arregalados e se perguntando: ” Como assim ? “. E como se não fosse pouco, ao invés de matá-lo apenas espancado, ainda colocam ele vivo e absorvendo a explosão de uma dinamite para tentar proteger a mãe traidora. Acho que este é um dos pontos altos, ao se ver o quando o Jason é uma boa pessoa. A despeito de ter se tornado amargo e violento depois, quando retorna e com bom motivo, a essência dele ainda e a de ajudar mesmo as pessoas. E olha que esta rejeição materna, mesmo que devido a ela usar drogas, ser uma pessoa de mente fraca, escrava do emocional poderia e deveria pesar mais para a revolta de uma pessoa, mas no caso do Jason, apenas colaborou para que ele reforçasse seu compromisso em ser mais que um herói, mas um super-heroi. Ele ainda não é meu Robin favorito… aliás ele fica à frente apenas do detestável Damian ( que nunca deveria ter existido, convenhamos… ), mas é um Robin original.
 
morte em família
morte em famíliaA história é bem detetivesca até chegar a este ponto, mas quando chega, esquecemos do resto todo.
Após a morte vemos um Bruce soturno, sentindo muita culpa, mais violento. Fazendo de tudo pra encontrar o Coringa. Aqui, vem uma das coisas mais geniais deste arco, pois ao encontrá-lo, o Batman descobre que ele se tornou Embaixador do Irã na ONU e não pode tocar num fio de cabelo dele. Até o Super-Homem é enviado pra ficar de olho no homem morcego.
 
morte em famíliaJim Starlin foi genial em Morte em Família. Soube escrever uma boa história do Batman. A pegada e o ritmo são mesmo bons, a cara da época mesmo, a época das grandes mudanças. Jim Aparo desenhou toda a série com a arte-final de Mike DeCarlo. E devo confessar que eu realmente adoro este visual dele, com o manto azul e a logo oval amarela. E uma das melhores representações do Coringa pra mim. Aquela boca enorme, rosto fino, queixudo, mau. Mas não o mau apenas por ser mau. Um mau doido, doente. Aquele doido varrido, psicótico. O “cachorro que corre atrás do pneu do carro, mas que não sabe o que fazer se conseguir pega-lo“. O bacana deste desenhista é o movimento, o começo de uma tentativa de quebra de quadros. Pode-se notar que ainda seguia-se muito os quadrinhos certinhos, mas em alguns momentos há esta liberdade de misturar. Era uma época em que as histórias eram contadas com mais detalhes, com mais diálogos, sem depender exclusivamente dos desenhos. Um detalhe muito legal é a coloração de Adrienne Roy, mais dura, sem degrades. Uma forma mais colorida, mais viva, mais desenhada, com menos preocupação de ser mais do que apenas uma história muito boa, sendo bem contada. O que dizer ? Adoro !
morte em família
 
Bom, se ainda não leu, leia. Vale muito. Existe uma edição encadernada, que inclusive traz como o Tim Drake se tornou o Robin e aproveite pra ver os Titãs quando ainda eram legais e o Cyborg não era exagerado como é hoje. Saudades do simples… hoje, parece que tudo é “muito muito“. Comentarei sobre este arco num post só dele, porque merece. Chama-se “Um lugar solitário pra morrer“.
 
Abraços do Quadrinheiro Véio.
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