Os Melhores do Mundo – Batman e Superman

Os Melhores do Mundo – Batman e Superman por Dave Gibbons e Steve Rude

Olá Quadrinheiro.

Melhores do MundoLembro me bem de quando eu li Os Melhores do Mundo na época que saiu aqui no Brasil em 1991. Comprei as edições nas bancas principalmente pela capa diferenciada. Mas nem imaginava o que teria ali dentro. Ainda era uma fase que eu era mais “cru” em quadrinhos, mesmo acompanhando a tantos anos. O melhor de tudo: Eu ainda tinha aquele “brilho no olhar” ao acompanhar os heróis. 

Em meio a super inflação, a mini-série basicamente aumentava de preço todo mês e as moedinhas de troco que meu pai me dava, mal dava para as revistas do mês. Mas esta era especial, formato maior, arte de capa com aparência aquarelada… era algo que empolgava o adolescente que eu era. 

E o bacana é que ainda não era comum tantos crossovers. Isso de juntar em uma mesma história dois personagens de cidades diferentes não era comum, então a gente queria ver o que acontecia. Haviam as histórias da Liga, mas era como se fosse um personagem a parte. Encontro do Batman com o Superman não era tão comum como hoje.

Aliás, rara é a história que não tem a participação de algum personagem de fora nos dias de hoje. Até porque hoje se questiona mais algumas coisas. Por exemplo: Como assim cai um meteoro na terra, numa história do Super-Homem e os outros heróis, como o Lanterna Verde não vieram verificar? A gente não questionava isso na época. Hoje, isso não passaria batido.

World’s Finest

Publicada originalmente em junho de 1990 numa mini-séria, esta história soa como uma homenagem à era de bronze apenas a poucos anos do começo da era contemporânea, marcada por Crise nas Infinitas Terras. Embora seja o começo dos anos 90, ainda soava muito mais como os 80. O Batman ainda caminhava pra se tornar o personagem dark que é hoje e o Super-homem apenas começava a ganhar sua alcunha de “símbolo da esperança“. Foi mais ou menos nesta época que esta divisão começou. Até então, eram apenas histórias. Tudo podia. Depois, aos poucos, isso foi mudando.

A história gira em torno de um plano do Lex Luthor pra conquistar mais espaço em Gotham. Lembrando que o Lex Luthor desta época era o empresário bonachão, e nem tanto um cientísta. Ele já havia perdido a mão devido ao envenenamento por kriptonita de se anel e era sempre bem visto pelas pessoas, porque sabia muito bem se esquivar da lei pra fazer seus planos criminosos nunca serem ligados a ele. E ele começa ao comprar dois antigos orfanatos e dar suporte a um terceiro, que ficava bem na divisa entre Metrópolis e Gotham. Para comprar o de Gotham ele se envolve com o atual dono: o Coringa. Nisso, é proposta a troca. Coringa ficaria 1 mês autorizado a atuar em Metrópolis e Lex iria conduzir seu plano de conquistar mais imóveis em Gotham. Quando Clark e Bruce ficam sabendo, replicam a proposta entre eles. Kent vai pra Gotham supostamente fazer uma matéria sobre a situação dos menos favorecidos e o Bruce fica em Metrópolis pra ampliar seus negócios. E ambos podem ficar de olho em seus inimigos. Eles eram os melhores do mundo. Apenas ainda não tinham percebido isso.

Gibbons sendo Gibbons

O que me chama bastante atenção nesta HQ é que a história tem arte. Arte na narrativa. Arte nos desenhos. Arte na idéia. É mais profunda do que a gente consegue perceber no começo. 

Dave Gibbons tem uma narrativa gradual. É possível perceber que sempre que Batman atua, os quadros são mais escuros. Quando entra o Super-Homem, Metrópolis, tudo é luz, claridade. Batman se apoia no medo, na paranóia, na vingança. Super-Homem sempre na esperança. Estas duas faces ainda não se viam como amigos. A amizade começaria ainda a ser forjada em uniões como esta, que ainda eram novidade. Não havia ainda a irmandade de hoje. O desenho de Steve Rude segue com poesia. As cores de Steve Oliff são inteligentes, trazendo predominância de cores azul em contraste com vermelhos, e a medida que a história caminha, o contraste vai diminuindo, até que ao final, está mais equilibrado. É como ver, sem ver, o equilíbrio sendo alcançado aos poucos. E uma homenagem aos famosos Stan Laurel e Oliver Hardy da serie de comédia ‘O Gordo e o Magro’ como era conhecida aqui no Brasil. Mais uma referência ao contraste.

Gosto da condução, gosto do mistério e gosto da seriedade da história. Não eram desastres cósmicos, não era o fim do universo. Era apenas o Lex Luthor usando seu poder econômico e um palhaço insano tentando conquistar mais poder enquanto os heróis procuravam formas de detê-lo. Sem grande estardalhaço, sem nada grandioso. Num roteiro simples, direto, sagaz e que te mantém entretido em um mistério para descobrir os reais planos que são revelados em dois momentos. Saudades deste tipo de narrativa. Faz tempo que não vejo nada assim atualmente. Não que o que temos hoje em dia seja ruim, mas noto que algo se perdeu no meio do caminho. Onde estão os Melhores do Mundo que não escrevem mais como antigamente ?

Também penso que os grandes escritores da época dos quadrinhos dos anos 80 e 90 se inspiravam mais em leituras e conhecimentos clássicos. É comum vermos citações a grandes obras da literatura antiga nos quadrinhos dos anos 70-90. Hoje, noto que a inspiração dos atuais quadrinistas são os quadrinistas desta época. Creio ( posso estar bem enganado ) que seja um dos motivos dos quadrinhos atuais serem menos profundos e mais copiados. A fonte original não foi consultada. Então, se torna tudo mais raso. Com um publico raso acompanhando, que prefere cinema à leitura, não poderia ser diferente.

Aço e Trevas

Se você está procurando algo bom pra ler e quer ter acesso a algo mais vintage, sem ser tão antigo assim, leia Os Melhores do Mundo. O encadernado atual tem capa dura e muitos extras interessantes. A Panini mais uma vez mostra de novo que conhece o que é bom e sabe dar isso pra gente. A transição é linda, historicamente e dentro do livro. Recomendo !

Abraços do Quadrinheiro Véio !

 

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Lanterna Verde: O Lado Negro do Verde

Tropa dos Lanternas Verdes: O Lado Negro do Verde

Bem vindo.

O lado negro do VerdeQuem já me acompanha a um tempo aqui no blog sabe que entre os meus heróis prediletos está Hal Jordan, o Lanterna Verde. Durante toda a minha infância eu apenas conhecia “o” Lanterna Verde e não “um” Lanterna Verde. Eu não sabia que haviam mais e mesmo com o personagem aparecendo pouco no desenho desanimado  “Superamigos“, que eu adorava na minha infância, eu já gostava demais quando ele aparecia. Depois, quando puder ler mais dele na revista Superamigos, na época pré-Crise nas Infinitas Terras, eu percebi o quanto eu curtia este sujeito. Tenho lembranças de desenhar o anel no caderno, recortar e colocar ele no dedo pra brincar e não é a toa que minhas cores prediletas eram o verde esmeralda com o preto. Mas, esta HQ não tem o Jordan. Se trata de uma aventura da Tropa dos Lanternas Verdes, mais precisamente tendo como protagonista o revoltado Guy Gardner. Cara, eu nunca gostei do Gardner. Sempre achei ele exagerado, babaca, metido e etc… Mas ao mesmo tempo, sempre procurei ler as aventuras em que ele aparecia. Nada mais controverso. Meu primeiro contato com ele foi na Crise, quando ele recebeu o anel para criar uma equipe que iria salvar o universo. Só que ele era muito esquentado, muito radical e só serviu pra encher a paciência do Jordan. Aliás, é até curioso. O Jordan passou a crise inteira sem ser um Lanterna, recuperando seu anel apenas ao final, com a morte de Tomar-Re. Um dos momentos que não saem da minha memória de tão bem escrito. Ah… os bons tempos… saudades.

8d2d87f9774943cafb39624a66b60967O Lado Negro do Verde é um encadernado da Panini que reune as edições Green-Lantern Corps 7-13, originalmente lançada nos EUA de Fevereiro à agosto de 2007. Logo em seguida começaria a Guerra dos Anéis ( Pode ler a parte 1 e a parte 2 nestes links ). Este encadernado foca nas aventuras do Gardner, primeiro contra um Domínion evoluído e depois contra uma “gripe” do Mogo. Com todo respeito, achei o encadernado todo muito fraco, embora com um ou outro conceito interessante. Existem algumas coisas nos lanternas verdes que eu acho meio exagerados. Primeiro: Mogo. Um planeta consciente que é um lanterna verde. Cara, eu juro que quando eu conheci o Mogo pela primeira vez eu achei o cumulo do absurdo, embora plausível em um universo como o DC. Acho muito apelativo… acho que misturam muito ele. Toda saga cósmica tem que ter ele no meio. Segundo: Kilowog dominado. Sério ? Sabe que eu acho o Kilowog o mais molenga dos Lanternas Verdes ? Todo mundo pega ele, derruba ele, vence o treinador. Ele deveria ser mais poderoso que o Jordan, mas é sempre o primeiro a tombar. Acho que o que dizem dele é muito maior do que ele demonstra. Espero ( e desejo ) estar enganado.

lvd4-h1-p4-600x917A história segue arrastada, não prende, não é muito interessante. Eu mesmo parei a leitura umas 2 vezes, mas terminei de ler em consideração ao legado de um personagem que eu gosto, que são os Lanternas Verdes, de modo geral. Nesta saga, acho que o bacana é ler a história de fundo, a que acontece por baixo e que já dá indícios da Guerra dos Anéis que se aproximaria em seguida. Aliás, acho que este é um dos pontos positivos desta HQ. Claro que nenhuma editora vive apenas de acertos, mas poderiam escolher melhor o que colocar em encadernados, né. Este Lanterna Verde da Milicia ( sim, milícia… vc sabia que os grandes Guardiões de Oa tem uma milícia ? Tipo… os caras que colocaram uma limitação nos anéis para não matar… pois é.), chamado Von Daggle, um durlaniano ( raça transmorfa ). Eles engolem seus anéis para que sua energia nãos seja detectada e usam um uniforme preto. Aliás, o uniforme é a parte interessante. Eu nunca havia ouvido falar dele antes e nem depois. A história termina, apagam a memória do Guy e nada mais é falado. Depois, começa a história seguinte, dos vírus amarelos que dominam quem vai pro Mogo se curar e a solução dele é se colocar na frente de um meteoro. 

Acho que pra algumas coisas eu estou ficando meio véio mesmo. Ando querendo coisas mais instigantes, inteligentes e lógicas. Preciso aceitar que não tenho mais 14 anos de idade.

O roteiro é de Keith Champagne e Dave Gibbons. Sim, Gibbons também erra, gente. Nem os diálogos são dignos de nota. São ” Normais”. É por isso que tenho bronca de encadernados com cara de Graphic Novel. GN tem mais do que apenas uma historinha. Encadernados apenas reunem as revistas de linha, Graphic Novel é uma obra de arte superior. Mas antes que você comece a pensar que sou um cara ranzinza, entenda que gosto de ler coisas legais e, sim, eu entendo que é uma revista de linha. Li muita porcaria nos anos 80 também, mas encadernar porcaria é injustificável. Os traços vão de Patrick Gleason, Dave Gibbons e Tom Gnuyen. Embora Gibbons tenha desenhado também, não temos nada de Watchmen aqui. Fico até chateado, mas é o que tem pra hoje, gente. Muito pôster e pouco movimento, sabe ?

Bom, quando a revista não me agrada muito ( embora eu não tenha nada contra, apenas não tenho nada a favor ) eu escrevo menos. Acho que é uma forma de não ficar divulgando coisas negativas.

Abraços do Quadrinheiro Véio !

Kingsman – Serviço Secreto

Kingsman – Serviço Secreto

KingsmanTenho que dizer que eu não conhecia Kingsman ( Vergonhaaaahhhh ). Sim, eu estava por fora mesmo ! E tenho mais uma confissão: Eu queria muito ter assistido ao filme no cinema e não consegui ir a tempo e o filme saiu de cartaz em minha cidade ( mais vergonhaaaaahhhh ). Mas, ok. Não me sinto culpado, embora seja uma publicação que eu considero de alta qualidade, inédita e fora do circuito comercial Marvel/DC.

Não, não tenho nada contra Marvel/DC. Pelo contrário, eu amo as duas editores ( entre várias outras também ), mas é legal quando a gente conhece algo com uma qualidade enorme como Kingsman e ainda tem a oportunidade de ver a historia virar filme no cinema. Quando eu vi i trailer pela primeira vez eu fiquei muito entusiasmado, pois une espionagem com a jornada do herói. Eu gosto muito da jornada do herói, seus 12 passos, os arquétipos envolvidos, todo o estudo do Campbell e dedico muito do meu lazer a estudar mais sobre esta caminhada e entender o que torna isso mais interessante e rico me empolga. Joseph Campbell foi questionado em uma entrevista por Bill Moyers sobre o motivo de historias de heróis serem tão populares. E ele disse que é porque é a única historia que vale a pena ser contada. Eu achei muito interessante, principalmente porque o grande tutor do George Lucas para o Kingsmanprimeiro Guerra nas Estrelas de 1978 foi o próprio Campbell. E é por isso que tem uma mitologia tão rica. Curiosamente parece que o GL desaprendeu tudo que ele sabia dos 3 primeiros filmes quando resolveu fazer as prequel. E eu sou daqueles que entende que de uns anos pra cá, trilogias são feitas para serem assistidas como um único filme. Aliás, se você perceber, as séries mais recentes também. Assistindo recentemente e novamente Arquivo X eu percebi uma mudança muito grande na forma de fazer séries. The X-Files é uma típica série de sucesso dos anos 90, com seus “Monster of the Week” e a mitologia principal que roda de fundo, tendo uns 6-7 episódios por temporada que focam na raiz principal. E todos os outros episódios são episódios que funcionam sozinhos. HQ’s já são seriadas a muitos anos… desde que me lembro a gente tem historias que começam em uma edição e terminam várias depois. As vezes somos premiados com histórias completas em 20 páginas, mas isso é raro. As séries de TV hoje caminharam pra esta linha de condução também. Quem acompanha séries como Demolidor do Netflix, Arrow, The Flash e outras muito boas, percebe que a temporada inteira é um grande filme, com quase nenhum episódio funcionando sozinho. E a Marvel é até mais ousada, já que seus filmes e séries estão no mesmo universo, tendo um influenciado o outro em tempo real. Eu acho isso genial. Os fãs ganham mais material inédito e de conteúdo, e os estúdios conseguem criar algo memorável. Aliás, este foi o assunto do video mais recente lá no Canal do YouTube, onde eu e o Fábio Renó falamos sobre o que tem levado a tantos remates de séries, HQ’s, filmes e desenhos animados. Com hoje em dia tanta coisa sendo produzida e lançada ao mesmo tempo, e com o consumo desenfreado de tanta coisa, fica realmente complicado pra um único filme marcar presença e ser uma marca rentável, neste diluído mercado que temos. Por isso a saída é prender o espectador por tanto tempo, tornando memorável e criando um laço emocional com quem assiste. A gente detalha isso no video, que você pode assistir aqui.

KingsmanRetornando ao Kingsman, vou falar um pouco sobre a mini-série em HQ e depois sobre o filme. E ambos foram prazeroso de se curtir. As HQ’s foram publicadas no Brasil em um encadernado da Panini que reune as 6 edições de “The Secret Service“, num total de 172 páginas. Antes do filme, o nome Kingsman nem é citado na HQ, e após o filme, para referenciar, deram o nome de “Kingsman – Serviço Secreto” pro encadernado para criar o referencia nas pessoas. E existem diferenças bebem grandes no roteiro do filme e da HQ. A essência está no filme, mas os detalhes, não.  E o filme é bom do mesmo jeito. Não Kingsmanconseguiria dizer qual é melhor. Eu gostei muito de ambos. Eu diria que a espinha dorsal do roteiro é exatamente a mesma. Ambos começam do mesmo jeito e terminam do mesmo jeito. São conduzidos do mesmo jeito o tempo todo. Mas os detalhes é que mudam, e esta mudança nos detalhes é muito legal. A HQ é mais detalhada, ela tem mais o que contar, e as coisas principais acontecem do mesmo jeito e na mesma ordem, mas de formas diferentes. Vou contar um pouco aqui, mas não tudo, caso ainda não tenha assistido ao filme, ou lido a HQ, saiba que teremos alguns spoilers a partir deste ponto. Coisa pouca, prometo.

KingsmanA mini-série coloca o garoto como parente do agente secreto, e no filme, não. No filme ele é filho de um agente que morre em uma missão de treinamento e por isso o agente principal se sente em dívida com a família e resolve ajudar o moleque, já que ele apresenta algumas qualidades interessantes. As HQ’s dão uma viajada maior em relação as licenças poéticas sobre o “quão bom” o garoto é. O filme não teme se compromisso. Embora as cenas de ação e toda a sequencia da telona siga as HQs, podemos perceber uma condução que remete a uma homenagem aos grandes filmes de espionagens do século passado. Com Gary nightKingsmandireito a apetrechos, carros mega equipados, capacidades de luta sobre humanas e o humor inglês polido como um espelho de bordas afiadas. Uma coisa bem legal é o fato de que Mark Hammil, o pra sempre Luke Skywalker, está em ambas as mídias e em ambas ele morre de maneira estúpida. rs… Vale ressaltar a grande quantidade de referências a series e cinema que a HQ apresenta e isso é um deleite para leitores e geeks mais velhos como eu. Entender as referências não são de forma alguma importantes pra leitura ser legal, mas são um plus a mais.A cena do mata-mata no casamento acontece em local e forma diferente e o gênero do assistente do vilão também é trocado. Cá entre nós, neste quesito o cinema ganha… hehehe… Nas HQ’s, James Arnold é um garoto super-genio branquela, típico nerd fã de ficção, que é um contraponto também ao negro e beeem mais Kingsmanvelho Samuel L Jackson/Richard Valentine que o interpreta no cinema. Que alias faz de forma muito divertida, já que mistura inocência com psicopatia de forma bem engraçada, com a língua presa a aversão a violência.  Aliás, todos os nomes são diferentes, e o filme faz um link bacana entre os Kingsman e os Cavaleiros da Távola Redonda. Isso não é nevem de longe citado na HQ e de novo, não muda nada para curtir ambos. Colin Firth faz o Harry Hart / Galahad, que seria Jack London nas HQs, o super agente secreto. E Taron Egerton, estreante, faz o garoto Gary “Eggsy” Unwin, que seria o sobrinho de Jack, Gary London, na mini-série.

KingsmanAgora vem o melhor. O roteiro é do britânico Mark Millar de Kick-Ass, Velho Logan, Guerra Civil e várias historias do universo Ultimate. Vale lembrar que ele ficou um tempo durante os anos 90 em Monstro do Pantano também, logo após Alan Moore. Curiosamente o próprio diretor do filme, Matthew Vaughn é co-argumentista na série que é desenhada por ninguém menos que o desenhista de Watchmen, Dave Gibbons. Seu traço é característico, mas nota-se que sua versatilidade é grande, já que o traço lembra, mas não é igual.

Bom, como sempre este blog não se trata de falar o que os outros blogs trazem, mas sim um ponto de vista mais especifico. Por isso que não entro em mais detalhes sobre a trama. Gosto de falar sobre o que está por trás e acredito que o começo do texto trouxe um pouco disso.

Este filme me fez escrever um roteiro quase inteiro de um curta que ainda pretendo filmar. Mas isso é outra história !

Recomendo a leitura e o filme. Assista sem medo.

Abraços do Quadrinheiro Véio !

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Lanterna Verde – A Guerra dos Anéis ( 2 de 2 )

Olá Quadrinheiros !

Depois de um longo e tenebroso inverno, apareci para comentar a segunda parte da Guerra dos Anéis dos Lanternas Verde. Eu poderia dizer que é o final da Guerra, mas não vou mentir… não é, estas guerras nunca terminam, né ? ( hehehe ).

Lanterna Verde - Guerra dos Anéis 2 de 2Continuando o post anterior ( que voce pode ler aqui ) após o encadernado 1 de 2 terminar em desespero, a gente começa o segundo com a preparação da guerra em si. Até então são pequenas batalhas, mas aqui temos toda a preparação para a verdadeira grande batalha, sendo que o começo já vem pegando fogo em Mogo, quando tudo depende de salvar o planeta que serve de guia para os anéis procurarem substitutos para os lanternas que morrem. Este é um fato que nunca havia sido contado antes, assim como em determinado momento da narrativa, quando os Guardiões liberam a diretriz dos anéis de não usar força letal. Este momento é ao mesmo tempo extasiante e desesperante. A gente fica feliz porque os verdinhos estão apanhando tanto nas batalhas que quando eles recebem o aviso de que podem usar força letal ficamos extasiados. E ao mesmo tempo bate um desespero, porque de repente eles precisam apelar pra conseguir vencer, coisa que ate então nunca haviam precisado. Sempre costumo dizer que quando um argumentista precisa apelar pra coisas assim, ele esta com sérios problemas criativos. Este é o meu ponto de vista, mas tenho que entender que estas coisas precisam se adaptar ao seu tempo, e nos tempos de hoje, as pessoas são mais imediatistas, elas utilizam qualquer recuso para ter resultados rápidos em suas vidas e querem tudo imediato, mesmo que isso ao longo prazo seja provisório. Como peguei a transição desta mudança social, ainda estranho muito, mas sabemos que a arte reflete o homem e não o contrario, e HQ’s, por pior que estejam nos dias de hoje, são um tipo de arte ( comercial, mas arte ). Guerra dos AnéisMesmo assim é estranho pra mim que super-heróis precisem matar. Não é novidade que heróis matem, mas é triste que mesmo na arte , que é algo que provem do mundo das ideias, isso precise se materializar desta forma. O mundo real já tem morte demais, porque o mundo das artes, nosso escape, nossa inspiração e entretenimento, precisava chegar ao ponto de ser tao realista ? Já não bastam os programas sensacionalistas que cavam sangue na televisão ? Muita gente pode dizer ” Cara, ninguém mata porque leu um Lanterna Verde matar, as pessoas sabem diferenciar o mundo real da fantasia“. Sim, sabem. Mas o inconsciente não sabe. E se ele começar a introspectar ideias violentas, isso significa uma sociedade mais superficial e com menos valor a vida, menos valor a fazer de tudo pelo certo. Justificativas como ” vitimas inocentes fazem parte da guerra” começam a e tornar regras e não mais exceção e aí, pra um mundo mais frio e individualista é um pulo. Mas, mais uma vez… pra mim, não é o mundo que reflete as HQ’s e sim o contrário. Se esta na arte, está no mundo. Mas, deixemos o debate politico de lado, falemos da historia.
CapaTambém nesta publicação vemos o lanterna Daxamita que se tornara o novo Ion, temos a nova Lanterna Korugariana, uma médica. Temos a introdução de personagens ótimos e o reaparecimento de outros muito bons, como um dos grandes vilões que assombraram minha infância, que é o Anti-Monitor e outro mais recente, que é o Superboy prime. Pena que o Anti-Monitor, outrora um dos maiores vilões do universo, aqui fica pequeno, frágil e apenas “mais um” no roteiro tao cheio de personagens. Mas podemos perceber como o Superboy é duro na queda, sensacionalmente poderoso e invencível. Um mérito dos roteiristas nesta historia também é o fato de conseguir dar um peso muito equivalente para vários personagens, sem ter um ou outro com maior destaque. Fica claro o conceito de coletividade, ja que a maioria deles tem a mesma importância e peso no contexto geral da guerra e ao final, também. Acho que isso também é reflexo dos tempos atuais, em que a internet equaliza as pessoas, com ninguém maior do que ninguém e isso é algo bem do momento, bem da era atual, esta equalização esta começando em todo o globo e as HQ’s que são vanguardistas refletem isso mesmo sem perceber. Acho isso formidável ! Adoro arte, mesmo que ela esteja tao comercial. Fico chateado de não ter lido esta saga durante as mensais, mas por outro lado, me livra de um monte de porcarias dos mix das revistas brasileiras. Não que nos anos 80-90 na haviam porcarias. Tinha sim… mas era pouco proporcionalmente e tinhamos poucas coisas pra ler. Hoje, tem tanta coisa…. eu conseguia comprar tudo, hoje… sem chance.
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Mas mesmo neste contexto todo uniforme, ainda sou fã do Hal Jordan… desde que eu leio, sempre foi e será o maior dos Lanternas Verdes. Maior ate do que o Alan Scott. Maior que toda a Tropa. Pra mim, claro. Todos os Lanternas da Terra estão ótimos. Até o mala do Gardner, que desde que o conheci consegue me deixar com raiva ( não a toa ele virou um dos vermelhos mais a frente ) e o sempre neutro John Stewart. O Kyle Rayner, que quando começou foi uma grata surpresa por ser um personagem ótimo, continua muito bem nesta HQ, com grande mudança pra ele. Parece que ainda não encontraram o lugar pra ele, mas ele é tão bom e bem construído que parece se encaixar em tudo. Muito legal isso. Sorte a nossa e a dele.
Os roteiros sao divididos por Dave Gibbons e Geoff Johns. Estes caras mandam muito bem em sagas grandes assim. E ja deixam as portas prontas para a continuação na saga “A Noite mais Densa” que acontece um pouco de tempo depois. Alias, será bacana quando sair um encadernado desta também. Os desenhos são básicos como na edição anterior. Eles não servem para aumentar a experiência, apenas funcionam muito bem, não te atrapalham e não incomodam, mas não são dignos de nota pra mim. Eles cumprem o papel, sabe assim ? Não são um caso a parte e só por não atrapalhar ja acho ótimo… é uma HQ de guerra. Acho que poderia ser mais emocionante, mais expressivo, mais sujo e sangrento, mas não é. É básico, mas como disse funciona. Entrega o prometido, sabe assim ? Sei que muita gente gosta muito do Ivan Reis, mas pra mim, ele não tem nada demais. Tem todo o mérito de ser um desenhista brasileiro nas grandes historias e sagas, mas… não tem um diferencial que mereça destaque. Meu ponto de vista, ok ?
Bom, como sempre falo demais, fujo um pouco do assunto e volto… vario muito, mas este é meu jeito.
Espero que goste e se voce curte uma boa batalha, leia estes dois encadernados. Valem a pena, valem seus preços e são uma boa historia regular. Não são dignas de serem graphic novels, mas como uma historia de linha, é de um nível muito, muito bom.
Por favor, comente. Seja aqui ou no Facebook. Faz toda a diferença pra quem escreve !
Abraços do Quadrinheiro Véio !
Lanterna Verde Guerra dos Aneis

Lanterna Verde – A Guerra dos Anéis ( 1 de 2 )

Olá amigos Quadrinheiros.

Começo agradecendo ao apoio de vocês, é sempre muito bom saber que tenho bons amigos que gostam do mesmo que eu.

Lanterna Verde Guerra dos AnéisHoje comento sobre a famosa Guerra dos Anéis, que está em um encadernado em duas partes e pode ser encontrado nas bancas, pela Panini Books. Esta é a primeira parte e eu como sou um fã muito grande do Lanterna Verde Hal Jordan desde criança ( adoro a edição Superamigos 15, que tem uma capa sensacional ) eu não pude deixar de pegar pra ler, já que fiquei afastado das HQ´s nos últimos 15 anos e retomei este ano. Antes de eu ler eu estava morrendo de medo. Este lance de inventarem tropas de tudo que é cor me irritou muito. Acompanhei meio por cima, mas achei uma zona, e por isso eu estava bem resistente a pegar esta edição em particular pra ler. Só que eu gosto demais do Lanterna Verde e acabei cedendo. Ainda bem. Me surpreendi positivamente. Sensacional !

Pra quem não sabe, a saga ‘A Guerra dos Anéis‘, conta basicamente o surgimento da Tropa Sinestro, publicada originalmente em 2007. Mostra como Sinestro começou a juntar os mais perigosos vilões do universo, principalmente os que são capazes de instilar grande medo. Até o Batman foi ‘tentado’, mas como sabemos, a força de vontade dele é uma das mais absolutas do nosso planeta, né… hehehe… 

É durante esta saga que foi revelado que assim como o Parallax era a entidade do medo no universo, Ion é o nome da entidade da força de vontade. Isso acabou se tornando uma zona depois, quando expandiram pras outras cores. Voltando uns bons anos antes, se você se lembrar bem, após enlouquecerem o maior dos Lanternas Verdes, pra trazer ele de volta inventaram que Hal Jordan havia sido dominado por uma entidade que incorporava o medo de todo universo, e que a origem da fraqueza dos anéis verdes à cor amarela era pelo fato desta entidade estar sendo mantida presa dentro da bateria. Como podem ser tão criativos estes roteiristas, não ? rs… Bom, aí pra poder justificar a bela bagunça que fizeram com o Hal, disseram que ele estava possuído por esta entidade, de nome Parallax. ( Paralaxe é uma diferença na posição de um corpo devido a esse ser visto de duas posições diferentes. Ou seja, não tem nada a ver com uma entidade do medo, mas tem muito a ver com a mudança do Jordan, o que faz a gente perceber que a entidade foi idealizada bem depois do Hal ficar mauzão e matar uma porrada de gente… ).
Assim, conseguiram tirar a entidade que possuía o Hal Jordan e aprisionar ela nas ciencelas dos Guardiões. Na Guerra dos Anéis esta entidade é resgatada pela tropa Sinestro e é colocada dentro do Kyle Rayner, que fica com um visual irado, uma mescla do Hal Parallax com o uniforme original do Kyle. Interessante é que só neste momento ele fica sabendo que era hospedeiro da entidade da força de vontade. Muito criativo, muito louco e embora revolucionário deu uma super agitada no universo da policia verdinha e ainda lançou um monte de personagens novos, e alguns não tão novos foram trazidos de volta, como o Super-ciborgue, o Superboy Prime e um dos vilões que mais me impressionaram na infância: O Anti-monitor ! É uma delicia ter este cara de volta, mal posso esperar pra ler a continuação ! ( Já li, pode ler o artigo aqui )
Como sempre faço questão de mencionar, uma das coisas mais importantes em uma HQ não é somente a história, ou a base, mas sim como ela é contada. E toda história precisa emocionar. Esta faz isso muito bem. É uma história sobre medo, e a gente fica desesperado a edição toda, já que os verdinhos apanham feio, são mortos feito moscas e alguns tabus milenares são quebrados. Pensa que legal, a base de poder dos vilões é o medo e você sente isso o tempo todo ao ler o livro. Inclusive ao perceber o medo que os próprios Guardiões transmitem… e pra variar, como em todas as histórias dos LV, eles estão sempre enganados. Não entendo como conseguiram ser os Guardiões. Aliás, tem um momento que o Hal os define direitinho: Eles nunca voaram, mas querem comandar como os pilotos devem voar… bem inteligente. Fora os diálogos entre Guy Gardner, Hal e John Stuart, sobre coisas das épocas anteriores… para deleite dos velhinhos como eu. E tem uma parte adorável, embora seja apelativa e seja exatamente o que os amarelos querem: Os guardiões tiram a limitação de usar ‘força letal’ com os anéis. Ou seja, agora eles podem matar. Acho que não perceberam o quanto isso, embora aparente necessário, os torna tão ‘maus’ quanto os inimigos que eles querem derrotar.
Parabéns ao Geoff Johns e ao Dave Gibbons pela condução de uma história que nenhum fã da Tropa pode reclamar. E olha que sou um saudosista do uniforme azul clássico do Sinestro. Tem 4 desenhistas assinando este livro, entre eles o brasileiro Ivan Reis. A semelhança dos traços é tão grande que a gente nem percebe que mudou de desenhista. A HQ é muito bem desenhada, com destaque para as páginas inteiras e duplas que dão uma dimensão enorme do problema que a galerinha do anel verde vai enfrentar. Arrisco-me a dizer que esta saga é um grande clássico e que lamento muito terem inventado este lance de várias tropas após o sucesso desta saga. Podiam ficar só nestas duas e pronto. Mas como o que manda é o dinheiro, a editora precisa ficar inovando sempre. E como sempre acabo dizendo por aqui, deixei de ser o publico alvo das editoras de heróis a alguns anos, porque não é possível que novos 52 possa ser considerado algo bom por qualquer leitor dos anos 80/90, que tenha vivido esta época e não apenas lido depois. Aliás, digo pra vocês uma coisa com convicção: Ler na época de lançamento é essencial para sentir tudo o que a HQ propõe. Teve um post que vi recentemente de uma pessoa que leu Guerras Secretas da Marvel ( meu artigo aqui ) a poucos dias e que não achou nada demais. E ele tem razão, só tendo lido naquela época pra entender e sentir de verdade. Se você não souber se deslocar praquela época, infelizmente não conseguirá sentir nem esta e nem várias outras HQ´s poderosas dos anos 80. ( Claro que tem edições atemporais que podemos ler hoje e ver como são fodas… são as excessões que confirmam a regra, mas são poucas. )
Lanterna Verde Guerra dos Anéis
E se me permitirem uma dica, prestem atenção em toda simbologia presente neste livro. Não falo dos símbolos do peito dos personagens, mas dos símbolos das cores, dos rótulos, dos posicionamentos de cada um, de suas motivações. É muito legal e bem pensado. HQ é sobre simbolo. Sem isso, não temos como nos identificar e nos inspirar com o que nos é apresentado, com nos aventurarmos fora do corpo, como se estivéssemos escondidos atrás de uma pedra no meio de uma batalha.
Recomendo a leitura, principalmente se você é fã do Lanterna Verde.
Mal posso esperar pela segunda parte !
Abraços do Quadrinheiro Véio !
 
Lanterna Verde Guerra dos Anéis

 

Lanterna Verde Guerra dos Anéis
 
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Watchmen

Falar sobre Watchmen não é tarefa facil pra mim. Watchmen é simplesmente uma das principais publicWatchmenações dos anos 80, e é este o tom que darei neste post. Não vou ficar falando da obra hoje, do filme, e etc… mas do que foi ler Watchmen naquela época, durante a guerra fria. Durante um período de medo, quando ninguém sabia como e quando um doido poderia apertar um botão vermelho e uma guerra nuclear começar e destruir o mundo. E é neste clima que Alan Moore foi genial e escreveu sua obra prima, pra mim a mais definitiva.
 
WWatchmenatchmen fala sobre medo, mais diretamente sobre insegurança, sobre a paranoia que imperava sobre bomba nuclear. Não é sobre heróis, mas sobre pessoas que querem fazer a diferença, que querem salvar o mundo. Sério, gente. Nos anos 80 tudo que a gente mais via na TV era a Guerra Fria. Foi uma época de revoluções políticas no mundo todo, e a arte correspondia a isso. A arte ainda não era contaminada pelo marketing. Claro que ela queria vender, mas ela queria vender como arte e não como consumo. Havia uma preocupação em fazer estórias boas que vendessem e não estórias que vendessem muito mas não acrescentassem nada na vida das pessoas, como ocorre hoje. A arte anda tão perdida nos dias de hoje, que tudo que faz sucesso, seja HQ, cinema ou TV, nasceu antes de 1990. Podem reparar.
 
Tive mesmo a sorte de ter vivido e lido estes vigilantes na época em que foi feito. Por isso que Alan Moore foi contra esta série “Before Watchmen”. Só entende que viveu aquilo, é uma arte vivida pra ser sentida e não apenas uma HQ a mais na banca pra nostalgicos comprar e se decepcionarem. Ou pros novos leitores, sem identidade, ficarem lendo algo feito pro dinheiro deles e não pra eles. Onde estão as estórias dos anos 2000 ? O que fala da realidade de hoje ? Não tem… o povo de hoje é mais alienado, prefere ser iludido, e deixar pros que pensam dominar o mundo atraves do consumo e do dinheiro. Paciência. Meu blog, minhas palavras, minha opinião. Mas nada disso é uma verdade absoluta, é só o que eu vejo. E na minha limitação humana posso e espero estar enganado. Discorde a vontade, mas pense sobre isso tudo que estou compartilhando com você neste momento.
Bom, dito isso, Watchmen é algo que deve ser lido e relido muitas vezes e em
várias fases da sua vida. O medo e a constante sensação de “fim de mundo” que ele projeta é muito bem feita. E isso é assim porque traduz pra HQ o sentimento dos americanos na época. Quando você vê um Dr. Manhattan surgindo, justamente como um “filho do átomo”, a pura e simples personificação da insegurança mundial. A transcrição de uma consciência tão mortal e superior que mostra como somos todos pequeninos, e simbolizado pela simplicidade do átomo mais simples que é conhecido, o hidrogênio. Ele resume tudo, o quanto a existência era efemera, ao menos era como nos sentíamos. Então, temos o Comediante, o linha dura realista, pé no chão, desesperado. O Rorschach que brilhantemente refletia o psicológico, o inconsciente coletivo na individualidade humana, fruto de toda a mudança e expectativa de morte da Guerra Fria. O genial Ozymandias simbolizando o conhecimento humano, a base de todo conhecimento egípcio que é a origem de 90% de todo conhecimento espiritual que vivemos hoje e o Coruja, o humano comum, com a humana comum, a Silk Spectre. A trama toda se resume em unir a humanidade, em fazer todo mundo entender que por mais que tudo pareça separado, aos olhos do cosmos, somos todos uma só coisa. E infelizmente é preciso um grande cataclismo pra todo mundo perceber isso, e é isso que o Ozymandias, o homem mais inteligente do mundo, percebe. E quando o “deus” Dr. Manhattan entende isso, ele mesmo aprova. Aliás, preste muita atenção na profundidade dos diálogos, todos os diálogos dizem mais do que estão dizendo.
Outra passagem muito fodastica é justamente o diálogo que o John tem com
a Laurie em Marte. A forma como ele percebe a magnificência da vida é muito linda. Um ser que pode ver tudo no universo físico percebendo que, mesmo ele, é apenas uma produção material, e que sempre haverá algo maior, algo que pra uma pessoa que dominou tudo no plano material, agora precisa, ele mesmo, entender o que é a vida e por isso opta por sair pra “criar”. Olha que majestoso ? Olha a espiritualidade disso. Moore consegue isso em tudo que ele escreve. Desde Monstro do Pantano à 300. O simbolismo de um simples pedaço de vidro desmoronar uma estrutura inteira… representando a fragilidade do pensamento.
 
E o que dizer de Dave Gibbons ? Sério gente… o traço e as expressões dele nesta série são tão bem desenhadas, que a gente gela a espinha. Watchmen dá medo, traz reflexão… e a quantidade de simbologia presente é tão grande, que leva uma vida pra encontrar e refletir sobre todas elas. A coloração é toda fria, o tempo todo John Higgins deixou ela plana e sóbria, falando por si só. Sério, ler Watchmen e não se emocionar, não ficar pensativo, não repensar sua vida, suas escolhas e seu papel no mundo, é perder tempo. Não faça isso com você. Não a leia por ler, vá ler qualquer porcaria dos anos 2000, mas só leia Watchmen se estiver disposto a entender que HQ pode ser arte.
Se você ainda não conhece ou leu, recomendo Watchmen… aliás, não, não recomendo não.
Creio que algumas HQs tem um conceito artístico tão ligado ao ambiente histórico, que pra entender ela na sua essência e profundidade, seria preciso ter vivido a época. O filme é muito bom, genial, mas não conseguiu transcrever isso, virou entretenimento. Aliás, como tudo que é entretenimento hoje em dia, descartável e consumível.
Era isso o que o meu xará Alan Moore queria dizer ao desaprovar a produção. Não tem nada a ver trazer Watchmen pro hoje, porque muita gente não pode entender a mensagem dele. E como artista, ele não quer só vender, ele quer ser compreendido. Ele quer que as pessoas entendam a mensagem e não apenas comprem a obra dele. Acho que o mundo precisa se tornar mais interessante de novo, ter pessoas originais fazendo suas idéias e não pensando “o que eu posso fazer que o outro possa querer”. 
Bom, falei demais pro meu tamanho. Em alguns assuntos, ainda sou um “Velho Ranzinza“.
 
Abraços do Quadrinheiro Véio.
 

 

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