Capitão América: Morre uma Lenda

E aí, amigos leitores ! Já leram Capitão América Morre uma Lenda ?

Capitão América, pra mim, sempre foi um herói “B”. Tipo, um segundo escalão, com histórias com um nicho bem específico. Claro que ele tem uma representatividade de uma importância absurda pelo que ele representa, mas suas histórias, desde quando eu comecei a ler revistinhas, sempre foram fracas, sem empolgação, mas fieis ao ideal que ele representa, que é o sonho de liberdade americano. E só por isso, ele já tem muito mérito. Lembro me até hoje que uma das melhores histórias que eu li do bandeiroso foi justamente a participação dele na obra prima “A Queda de Murdock” do Demolidor. Quem se lembra, tem uma passagem em que ele é questionado se ainda é fiel aos EUA, e ele responde, segurando a bandeira, que é fiel ao sonho. Achei muito nobre. Aliás, ele é um personagem nobre.
 
Capitão América Morre uma Lenda
Em Capitão América: Morre uma Lenda, que eu li pelo fascículo 51 da Coleção Oficial de Graphic Novels da Editora Salvat, noto que é mais um réquiem do que qualquer outra coisa. Desde a morte do Super-homem, não haviam matado um personagem icônico e importante como o foi o Capitão. E esta edição reúne a edição que ele morre e 5 edições de um tipo de ‘homenagem póstuma‘. E eu gosto muito destas publicações mais psicológicas, mesmo que sejam super clichês, é bacana ver a reação dos outros personagens quando perdem um dos ‘deles‘. Aliás, se o assunto é guerra, americano nada de braçada, né ? E quem morreu é só o símbolo maior da guerra nos quadrinhos, mesmo que não diretamente, todo mundo sabe que o Capitão América surgiu por conta da Segunda Guerra Mundial e mesmo que ele esteja diretamente simbolizando o sonho de liberdade, o ‘lado certo‘ da guerra, outro fato comum é que em toda contenda, o lado que vence é o lado que está certo, é o lado que ‘conta a história‘.
Particularmente, pra mim, não existe beleza e nem vitória em uma guerra, nenhum lado vence. Vence apenas a ignorância humana. O Capitão tentava estar acima disso, mas sempre fiel ao sonho americano, o que é normal, claro… afinal, ele também representa o patriotismo americano, acho até que ele é como se fosse a materialização deste patriotismo, a forma-pensamento deste sentimento tão forte que acho que os americanos tem ‘de mais‘ e nós brasileiros temos ‘de menos‘.
Retornando a HQ, o que eu achei bem criativo é o fato de as 5 revistas representarem as 5 fases do luto. Como estudei psicanálise, adorei esta referencia, porque eu pude notar nos poucos pacientes que eu atendi e no meu observar das pessoas que vivem o luto, como estas fases são reais, sejam elas transparentes, sejam elas escondidas nos comportamentos e mentes das pessoas. Cada uma destas fazes é ‘meio’ que representada por algum herói ligado ao Capitão, e embora todas sejam do mesmo roteirista, cada uma teve um desenhista diferente. Ainda assim, o tom emocional é o guia da publicação, o tempo todo com pesar e o Homem-Aranha sempre o mais emotivo de todos, arrasado. O que me surpreendeu foi o Wolverine. Ele não se bicava com o Capitão, mas era muito sensível o respeito que ele nutria. Era um respeito meio : Você é o que eu não posso ser, te odeio por isso, mas ao mesmo tempo te admiro. Tipo isso. Também vale notar o retorno do Gavião Arqueiro, mesmo sem revelar como isso aconteceu, já que ele morreu em “A Queda”, e até as forçações de barra em alguns diálogos estão bacanas. Mas senti muito a falta do Thor… se não me engano neste período ele estava morto. ( hehehehe… mais um morto, não morto, perdido em algum lugar… )
A história se passa logo após a Guerra Civil, em que ao seu final o Capitão se entrega as autoridades e está sendo levado a um julgamento. De repente, ele leva um tiro, seguido de mais 3 tiros a queima roupa ( que não direi quem deu os tiros, pra não atrapalhar sua leitura ) e não consegue se salvar a tempo. Tipo, o cara morreu algemado, no meio da rua. O que pode ser pior pra um soldado ? Todo soldado sonha morrer na guerra, e não ali, num ataque covarde. E suas últimas palavras, como sempre, foram de um herói: Salve a multidão.
Bom, em HQ sabemos que um herói só morre se o roteirista quiser, porque tem um milhão de personagens com poderes grandes o suficiente pra salvar um herói assim, mas depois de 2 anos sabemos que ele volta. Aliás, isso perdeu a graça, né? Toda vez que alguém morre nas HQ´s a gente nem sente mais porque sabe que ele vai voltar. Aí, é que nem ver novela da Globo, você já sabe tudo que vai acontecer pelas revistas de fofoca, mas assiste mesmo assim… Então, a gente lê pela jornada e não pelo fim. No meu caso foi bem isso. E cabe um parenteses aqui: Eu li esta HQ pela primeira vez ontem a noite, mas a repercussão da morte do supersoldado em 2007 foi mundial. Como sempre falo, ler as histórias na época em que são publicadas é fundamental pro bom entendimento e vivencia do mesmo. Então, estou tendo muito cuidado com o que comento e opino aqui, porque algumas histórias fazem sentido devido ao seu contexto, como Watchman, Cavaleiro das Trevas, e etc…
O roteiro é de Jeph Loeb, a partir de uma idéia de J. Michael Straczynsi. E cada edição, como já disse, teve um desenhista. Primeiro o Lenil Yu com a Negação, Ed McGuinness desenhou a Raiva, John Romita Jr ficou com a Barganha, David Finch com a Depressão e John Cassaday finalizou com a Aceitação. De modo geral as histórias são escuras até chegar na Aceitação. Tem quadros grandes, muita emoção nos rostos, alguns diálogos inteligentes e sagazes, mas sem naquele clima de homenagem, de falar bem do cara que morreu, de resgatar momentos de seu histórico e tudo o mais. Se faz notar a ausência de vilões, e o constante clima do final da Gerra Civil, um momento do mundo super abalado por esta partição entre os heróis. E também se faz notar como o Tony é um grande babaca. Sério. 
É um roteiro clichê ? Sim, é sim. É todo um papo que cansamos de ver em outros funerais ? Sim. Vale a leitura ? Se você gosta deste tipo de material, você vai comer esta revista de colherada, porque é muito bem feita, desenhada e amarrada. O sentimento é mesmo de funeral, de luto, e acho que a gente até passa por isso junto com os personagens.
 
Bom, acho que é isso. Vou ficando por aqui.
Comenta aí embaixo o que você achou do funeral do bandeiroso também, tá ?
 
Abraços do Quadrinheiro Véio.
 
Capitão América Morre uma Lenda

 

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Os Novos Vingadores – Motim

Os Novos Vingadores – Motim

Oi, amigos Quadrinheiros !
Não sei se muitos de vocês estão acompanhando a coleção oficial de Graphic Novels da Salvat, mas eu posso dizer que está valendo a pena. Claro que uma coisinha ou outra não vai agradar a todo mundo, algumas escolhas de estórias, por exemplo, mas no geral está sendo bem legal.
 
Hoje vou falar de Os Novos Vingadores – Motim. Esta edição não tem algo que podemos nos aprofundar muito. Ela reúne as edições de 1-6 de New Avengers que foi lançada originalmente em janeiro de 2005 nos EUA, e se passa logo após Os Vingadores – A Queda ( que também analisei aqui ). Após estes eventos marcantes e com a dissolução dos Vingadores, já que o Tony Stark agora está com pouco dinheiro pra manter a equipe e a maioria dos membros não tem mais clima pra continuar após a morte do Homem-formiga, Visão e Gavião Arqueiro, esta edição mostra uma nova equipe formada pela necessidade. 
Uma fuga em massa de uma das instalações de segurança máxima da S.h.i.e.l.d., apelidada de “A Balsa“, acaba por reunir um grupo bem improvável de heróis. Após uma reflexão meio nostálgica, relembrando o que formou o time original, Steve Rogers conversa com Tony sobre reunir uma nova equipe, já que o mundo necessita de uma super equipe, principalmente considerando que 42 dos 97 presos da Balsa fugiram. Então, acontece uma improvável formação em que Capitão América e Homem de Ferro reúnem Homem-Aranha, Luke Cage ( Powerman ), Wolverine e Mulher-Aranha. Tentaram convocar o Demolidor também, mas ele recusou respeitosamente, já que está numa fase conturbada. Confesso que como sou um grande fã do Demolidor, fiquei torcendo pra ele recusar mesmo. Sou do tempo que os Vingadores eram do time B da Marvel e não vai ser fácil isso mudar pra mim. Ainda não houve um momento deles que me fez acreditar que eles poderiam superar os X-Men, Homem-Aranha ou o Quarteto Fantástico. Mas, é minha opinião, não é uma verdade. Cada um pode e deve gostar do que quiser.
É a mesma dupla criativa da “Queda”, sendo que é tudo um pouco mais sombrio. Os desenhos de David Finch estão formidáveis, mas ainda me incomoda um pouco as expressões faciais e movimento. Acho que ele cria muita pose e pouco movimento, sabe. Posições improváveis, até irreais no meio das lutas que faz parecer que os personagens estão o tempo todo fazendo pose pra foto. É um desenhista que é muito bom pra fazer capas, suas estórias parecem uma sucessão de capas… hehehe. Mas nada que incomode a leitura. Já o roteiro de Brian Michael Bendis é bom. Ele explora até um pouco demais as características dos personagens, como o Homem-Aranha que não para de falar e fala piadinhas o tempo todo. Sim, falar demais é uma assinatura dele, mas é muito usada e isso acaba cansando. Até tive vontade de mandar ele calar a boca. E considere que o Homem-Aranha é um dos personagens que eu conheço melhor. Li tudo que foi publicado dele desde o começo até o retorno do Peter Parker após horripilante saga do clone, que me fez afastar do personagem.  
Então, não lembro de ele forçar tanto a barra. O Capitão está sempre responsável demais e até gostei da volta da Mulher-Aranha original. Mas, sei lá, é tudo meio forçado. Tem uma hora que todos são presos pelados… sério isso ? Necessário ? A única coisa legal desta parte, é a Armadura do Homem-de-Ferro trabalhando sob comando de voz pelo Tony. Mas, de modo geral, você não fica preocupado, não sente medo, não fica ansioso pra saber como vai terminar. Não sente ameaça real. Mas pode ser que a continuidade que esta sequencia abre, seja boa. Não sei, não li.
Enfim, é bem legal saber como os Vingadores se viraram após os eventos de “A Queda”, mas nada que mereça uma edição chamada Graphic Novel. Sem diminuir demais a qualidade, digo que é uma HQ muito interessante, mas não tem nada de épico, nada de extraordinário, nada profundo que leve a reflexão, que acrescente algo a vida do leitor. Apenas um bom entretenimento, que pra quem curte os Vingadores, vale a pena ser lido, mas sem esperar uma qualidade de roteiro superior ao das HQ´s regulares mensais.
Abraços do Quadrinheiro Véio.
 
 

 

 

 

 

 

 

 
 

Vingadores – A Queda

Bem vindo novamente, amigo do Quadrinheiro Véio.

Está parecendo que só gosto de Marvel, já que é o terceiro post do Blog e vou falar de mais uma passagem desta editora. Só que não… Gosto muito de DC Comics também. Prometo que o próximo será sobre uma saga bem legal da DC, que eu gosto muito e que está lá nos meus primórdios quadrinhísticos.

Bom, entrando no assunto do post: Os Vingadores – A Queda. Sabe, eu mesmo tive uma queda legal em quantidade de leitura de quadrinhos após o final dos anos 90 e pouca coisa dos anos 2000 eu acompanhei. Acho que uma sequencia enorme de roteiros bem fracos me fez achar que, ou eu estava ficando velho pra HQ´s ou os roteiros estavam ficando fracos. Percebi que a segunda opção era a que mais condizia com a realidade.A gota d´água foi a saga do Clone do Homem-aranha. Sério, eu a lí inteirinha, todinha, até o final, até o Peter ir embora e ainda li quando ele resolve começar a vida normal escondido no interior e juro que tentei acompanhar o Aranha Escarlate. Até gostei do uniforme do Aranha Escarlate, mas, na boa, aquele uniforme que colocaram no Aranha quando ele assumiu o lugar do Peter… Sério que alguém gostou ? Bom, gosto se respeita… eu já to falando demais pro meu tamanho… hehehe… Outro dia falo sobre esta saga em especial, até mesmo porque preciso encontrar minhas revistas, reler pra poder falar com a memória cheia.

Agora, colecionando esta fantástica coleção da Salvat, acabo de ler o fascículo 34 com esta estorinha espetacular que é a Queda dos Vingadores, no original: “Avengers Disassembled”. A série de autoria de Brian Michael Bendis e desenhada por David Finch começou na edição de Avengers #500 nos EUA e foi até a #504, tendo suas ramificações das demais revistas paralelas dos Vingadores realmente me surpreendeu, ainda mais que se passa em 2004/2005*.

Os Vingadores nunca foram um grupo muito interessante nos quadrinhos, sendo o segundo escalão da Marvel. Desde que eu os lia nos anos 80, sempre achei bem fraquinhas duas histórias, e acho que o Brian também devia achar isso, já que nesta série ele detona legal com a super equipe e de modo muito inteligente, ao ponto de fazer a gente perder o ar em alguns momentos.
Chega a ser delicioso ver a Mulher-hulk se descontrolando, agindo como o Hulk… A forma  surpeendente e repentina com que o autor mata Scott Lang ( Homem-formiga ), o Tony Stark perdendo “as estribeiras” na ONU, a explosão de Jack Hardt, e todo o caminhar pra este final que é uma virada. Todo o diálogo com o Dr. Estranho me pareceu tão bem pensado que não percebi pontas soltas no raciocínio todo. E em um momento de respiro todos que fizeram parte da equipe aparecem no portão da mansão destruída para ser solidários aos membros ativos e do nada uma armada Kree aparece e o pau come solto, logo após um androide Visão moribundo aparecer carregando 5 Ultrons dentro de si pra desespero dos heróis. Só não entendi porque o Thor não aparece, deve ter sido explicado em uma das revistas paralelas que eu não tenho. Se alguém puder me contar, agradeço.
 
Creio que as sacadas e as homenagens foram muito bem pensadas e o desenho está muito bom também. Gosto de pensar que tivemos um momento entre o começo dos anos 90 e meados dos anos 2000 em que foi estabelecido um equilíbrio entre roteiro e desenhos. Lembro-me que a mudança visual começou no começo dos anos 90 e ao mesmo tempo um declínio fenomenal nas qualidades das histórias. Atribuo isso tudo ao começo do Marketing 2.0. E olha que sou profissional de marketing, sei do que estou falando. Então, tivemos uma era com desenhos muito bons, com liberdade artística e de padronização de quadrinhos muito inovadora e linda, mas roteiros que beiravam ao amadorismo e a ausência de criatividade.

Aí, aparece esta reviravolta e volto a ter esperanças nas HQ´s novamente. Porque achei muito show o que foi feito com a Feiticeira Escarlate. Todo o passado dela levou a este momento, acho isso muito bom… Fazer ela enlouquecer e com seu poder, inconscientemente, atacar os Vingadores, matando seu marido Visão, o Homem-formiga e o Gavião Arqueiro, e ao final ter o Mestre Místico da Marvel, Dr. Estranho, tendo que intervir e, sendo tão poderoso como é, derrotar ela em apenas 2 páginas… cara, sério… vibrei. Pra fechar, o papai Magneto ao final vindo buscar a filha pra ver se o Professor Charles Xavier consegue ajudar ela só mostra como os quadrinhos me pareceram voltar aos bons tempos. E é legal notar o toque avermelhado na colorização, acho que dando vazão a algo grave, sangrento, repleto de ira. E cá entre nós, que mulher não enlouqueceria ao saber que tinha criado dois filhos com seus poderes, que estes haviam sido tirados dela, que sua memória foi apagada pra não saber disso e ela resolve trazer eles de volta ? Sim, doidinha de pedra… judiação… mas foi uma sacada genial. Esta historia continua em “Dinastia M“, que eu comento aqui.

Não sei como anda o dia a dia das HQ´s, mas esta virada foi mesmo muito boa. E o Réquiem no final, o momento que se reuniem os sobreviventes, meses depois pra discutir o que fazer e serem recebidos no portão pela população grata, foi bem legal. Mais legal ainda se colocassem um velho Phil Sheldon lá fotografando tudo. ( hehehehe ) Aliás, nesta parte, vários artistas fazem páginas duplas quando os membros vão se lembrando das principais passagens dos Vingadores. Realmente, os Vingadores eram tão fraquinhos que nem tem muito o que lembrar, mas o que tem, é memorável. Espero que o que tenha vindo depois tenha sido a altura, porque ainda não li.
 
Bom, é isso. Recomendo esta edição. Mesmo com lombada torta, a coleção da Salvat é boa. E eles já se pronunciaram pra trocar as edições que vieram com defeito. Agora é esperar.
 
Abraços, obrigado e até o retorno do Quadrinheiro Véio.
 
*Como podem ver, tenho preconceito lascado com os anos 2000 e espero que isso mude com o passar do tempo e este blog. Afinal, resolvi voltar a ler algumas coisas, a partir desta coleção de Graphic Novels.  Mas já adianto que será difícil demais alguém conseguir me convencer que os Novos 52 da DC é algo legal… :p )