Mercenário – Anatomia de um Assassino

Mercenário – Anatomia de um Assassino

Oi, Quadrinheiro !

Bullseye_Greatest_Hits_Vol_1_1E no post de hoje vamos falar de mais uma das edições que contam as origens de vilões da Marvel. Eu comentei recentemente o Thanos e também o Doutor Octopus, Doutor Destino, Loki, Caveira Vermelha e Rei do Crime ( em Justiceiro Max). Eu não sei se esta coleção tem um nome em especial, mas sei que é uma coleção que, embora boa, não caiu muito no meu gosto pessoal. E hoje eu comento Mercenário – Anatomia de um Assassino, cujo titulo original é Bulsseye: Greatest Hits. Curiosamente a tradução do título seguiu mais ou menos o esquema de tradução de títulos de filmes no Brasil, não é ? Não sei o que Anatomia de um Assassino tem a ver com Greatest Hits ( Melhores Momentos, em tradução mais usual ). Originalmente a HQ foi publicada como mini-serie nos EUA em 5 edições e cada uma era um dos “Grandes Momentos” do vilão. Acho que por encadernar aqui e mostrar toda uma trajetória, devem ter escolhido esta tradução e anatomia. Ok, faz sentido com o contexto da história, mas não tem a ver com o titulo original. As vezes penso que os tradutores de títulos de filmes e desta HQ em especial deve pensar que Brasileiro é meio burro… e precisa que o titulo seja adaptado pra ele. Pra mim, HQ é arte e por ser arte, a tradução precisa ser muito boa, porque senão muda a intenção original do artista. Imagina se toda obra fosse adaptada para o Brasil. Possivemente a Monalisa seria repintada pra uma mulata bonita de Copacabana, já que é pra adaptar. Ok, exagerei um pouco, mas é tipo isso. Tem até um video lá no meu canal de video do YouTube que comentamos sobre traduções de títulos de filmes. Assista aqui !

BullseyeMais uma vez estas mini-series buscam humanizar os vilões, dando a eles uma explicação psicológica e humana, justificando a maldade deles. Em especial, Mercenário – Anatomia de um Assassino justifica o comportamento psicopata do Mercenário como sendo a forma dele ter sido tratado pelo pai. Por ter um pai muito exigente, o pobrezinho acabou se tornando um vilão psicopata. Será que é só pra mim que isso estraga tudo ? O que interessa saber se o vilão teve uma infância difícil. Então, o verdadeiro vilão é o pai dele e não ele ? Afinal, ele não tem culpa ? Até onde é legal humanizar as motivações de um vilão ? Isso é tão chato… eu gosto muito de preto no branco. Eu sei que o mundo é cinza. Sei que não é 8 ou 80… existe tonalidades na vida real. Sim, aceito isso. Mas HQ é uma forma de diversão. Se eu quisesse vida real o tempo todo, eu assistiria jornal nacional. HQ é pra ser diferente, um escape criativo. Quando começam a3761275-0846666625-13850 justificar tudo, explicar tudo, fica complicado. Eu AMO Guerra nas Estrelas. Mas se você parar pra pensar mesmo, o grande vilão de Star Wars é o Imperador. Quando eu era criança e assisti os filmes na ordem certa, começando pelo Guerra nas Estrelas ( que hoje é o Episódio IV ), e logo em seguida assisti O Império Contra-Ataca, eu tinha certeza de que o Darth Vader era o grande vilão dos filmes. Ele era mal. Tão mal que cortou a mão do próprio filho ! Aí, no final de Retorno de Jedi ele se redime e salva o filho, matando o próprio demônio em pessoa, e morrendo em consequência disso. Um vilão tão forte, virando um herói. Ok, lindo, bonitinho… o amor por um filho que ele nem sabia que existia até um ano antes, salvando a alma do Anakin. Mas, ok. Isso passa. A gente ainda sabia que ele era mal ! Então vieram EP I, II e III e mostra a infância difícil e a conversão de um dos maiores mocinhos em Darth Vader. Amansou demais o personagem. O que aconteceu de verdade ? Esta tendência de humanizar vilões, dando explicações psicologicamente plausíveis para motivações de vilões. Como se isso fosse necessário. Eu acho isso um saco. Quero odiar o vilão. Quero que ele seja mal por ser mal. Como os vilões dos anos 50-70. Vilões que queria dominar o mundo, destruir o planeta, etc… O Mercenário é bem doidão, ele mata porque isso diverte ele. Ele é psicótico e gosta de ver o sofrimento de quem ele mata e de ver as pessoas próximas as suas vitimas sofrerem com isso. A morte da Electra é isso ! Ele mata a Electra pra degustar o sofrimento do Demolidor. Ele faz isso com um sorriso largo do rosto. E nesta mini-série, tudo parece explicado e justificado. Ainda bem que nenhuma destas HQs é canônica.

tumblr_l7lw5rFVSp1qbtkoto1_1280Resumir tudo do Mercenário à perseguição do pai dele é dar muito mole pro personagem. Deixa ele ser psicótico por que ele é e pronto !!! Gosto do sadismo que ele mostra em tudo que faz. Da loucura e da precisão. Fico pensando que as pessoas que traduziram os nomes deles pro Brasil, tanto Mercenário quanto Demolidor, estava muito afim de pregar peças na gente. Afinal Bullseye e Daredevil pouco ou nada tem a ver com Mercenário e Demolidor. O que será que o cara estava pensando ? As vezes isso me parece mais um descaso do que qualquer coisa. Incompetência em pensar que um dia estes nomes poderiam não fazer mais sentido em relação ao personagem ? É que nem o Motoqueiro Fantasma. Na época da tradução fazia sentido, já que só havia um personagem que “montava” algo e era uma moto. Depois, com a expansão da mitologia, apareceram outros “raiders” do passado que montavam cavalos. E a tradução passou a não fazer sentido. Afinal, “raider” é todo “montador“, seja quem está de moto, à cavalo, bicicleta, velotrol, etc…  E acho que no caso do MercenárioBullseye_Greatest_Hits_Vol_1_2
acabou acontecendo isso. Ele deve ter aparecido comum mercenário contratado para matar o Demolidor e o tradutor não deve ter pensado que isso não seria apenas uma única vez e o nome ficou assim no Brasil. Aliás, uma curiosidade. Ele não enfrenta o Demolidor nesta HQ, tudo é mais psicológico do que a ação em si. Isso é curioso e digno de ser notado. Um personagem tão físico em uma aventura tão psicológica. Bacana.

Ainda sobre a HQ, confesso que tem um final bacana. Gostei da virada que acontece, embora a gente vá tendo pistas o tempo todo e é possível prever que vá acontecer. Acho que acaba valendo o investimento como um entretenimento divertido.

V3WpKmhhRpkO traço é horroroso, do Steve Dillon. É o mesmo desenhista do Justiceiro dos anos mais recentes. Acho que nesta mini-série ele se supera na falta de expressão. Fica muito anti-natural. Não gosto mesmo do traço dele. Não gosto do enquadramento, e das pessoas. Ele não é ruim, tecnicamente falando. Apenas eu não gosto. Entendam que eu não acho que algo é ruim porque eu não gosto. Algo pode ser bom tecnicamente e eu não gostar. E algo pode ser bem ruim e eu gostar.

Acho que é isso. Se você curte o Mercenário e não se importa muito com esta mania de humanização dos personagens, vale a pena a leitura. Mesmo sendo fraco, é divertido.

Abraços do Quadrinheiro Véio !

 

Demolidor – A Queda de Murdock

Miller e Mazzucchelli.
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O post poderia terminar por aqui, mas como eu não sei falar pouco, e eu demorei muito tempo pra resolver escrever sobre esta saga, cá estou eu sentado na frente desta tela, emocionado, por finalmente poder falar de uma das que eu considero uma obra prima dos quadrinhos, e que me fez crescer muito como ser humano, já que li isso ao final dos anos 80 na SAM e era a revista que eu não conseguia parar de esperar, mês a mês, pra ir buscar na banca enquanto não fechou a história.
A Queda de Murdock marcou a minha vida de tal forma, que até hoje eu lembro falas, narrativas, quadros e do sentimento. Sempre faço questão de falar sobre o sentimento, sobre a influencia que as HQ’s exercem em nosso emocional. Se ela não te abalar emocionalmente e não te instigar mentalmente, ela está deixando passar uma oportunidade de ouro.
Provavelmente voce já sabe desta HQ. Não poderei fugir de um spoiler ou outro durante o texto, mas se você não leu ainda esta edição tem dois motivos: Você começou a ler a pouco tempo ou você não é fã de quadrinhos. Mesmo que você goste ou não goste do Demolidor, tem que tirar o chapéu pra esta historia, que reune uma narrativa densa o tempo todo, cheia de nuances, de passagens psicológicas, reativas, levantando temas relevantes para a época como as drogas, os cartéis, gângsters e o lado humano do Matt Murdock. Quase não temos o Demolidor, é tudo centrado no Matt, no ser humano, na pessoa. Pessoa que sente, vive, respira, chora, come, dorme, machuca, pensa e sofre. E como sofre.
Deixa eu te situar um pouco no tempo. Antes desta saga, o Demolidor vivia num mundo florido, light… não tinha muita profundidade. Miller havia estado na revista a uns 7 anos antes e já  havia começado a colocar o estilo mais denso e sério, mas quando ele retornou pra escrever a Queda, ele veio pra detonar, pra mudar.
E como ele ja estava naquela energia do Cavaleiro das Trevas e outras publicações dele da mesma época, ficou mais evidente que ele gostava mesmo era de quebrar tudo. Sagazmente ele decidiu reposicionar o personagem, centrar ele numa guerra urbana, em um bairro simples, em um cotidiano mais próximo do chão, menos acrobático. Tudo se passando na Cozinha do Inferno, mas a realidade mesmo era que não importava. A Queda é do Murdock, não é do bairro, não é do Demolidor. A revista começa e termina com Matt. Demolidor demora pra entrar em cena e você não sente falta. Não sente…

 

A narrativa as vezes segue complexa e densa, te localizando, gerando o clima certo. Tem uma passagem que eu realmente adoro, que a gente fica cego com o Matt, que ele relembra como foi os primeiros momentos no hospital, os diálogos  os sons… tudo com muito sentimento, muito tocante. A gente emociona com ele, sente pena, sente a força dele surgir. A gente se torna o Demolidor, nascemos junto com ele. Depois, entram quadros e mais quadros de movimento. Movimento silencioso, com quadros que variam de tamanho… pequenos detalhes mostrados para intensificar grandes movimentos. Mazzucchelli fez algo admirável tamanho é a profundidade emocional dos personagens em um traço exageradamente limpo. Acho isso formidável, uma qualidade. E a coloração clean, lisa, sem aquele monte de manchas para dar profundidade. HQ por HQ mesmo, comum na época pré-photoshop. A paleta das cores geram nuances que acompanham toda a trama de modo que se você apenas seguir a leitura sem atentar aos detalhes a condução do seu inconsciente é tão grande que você fica ofegante junto com ele após uma corrida, ou de olhos mareados, ou com um frio na barriga de medo nas cenas em que os personagens sente isso. As sequências de movimento são tão perfeitas que você desvia a cabeça pra não ficar no meio de uma porrada ou um chute. Seus dedos se quebram junto com os do repórter. Você perde a respiração junto com o policial estrangulado. Você sente a dependência quimica do Bazuca, e quando Murdock cai, você também cai.
A queda mesmo esta nas duas primeiras edições, depois vem a recuperação e termina com ele livre, recomeçando a vida. É um roteiro digno de filme. Juro. Alias, este post está sendo lançado hoje, junto com o lançamento mundial da série do Demolidor na Netflix de propósito. É a minha homenagem e desejo de que a série seja mesmo um sucesso.
Os pensamentos do Matt são um prazer a parte. Muito bem escritos. Eu gosto mais da primeira tradução, da SAM. É mais coesa e pra mim tem todo o fator nostálgico, admito. Mas os pensamentos dele, o diálogo interno, as conclusões… o limiar da loucura. E tem também o pensamento do Rei. Pensamento primoroso, de um grande vilão. Junto a tudo isso o contra-ponto que passou a ser muito usado com o DD, que é o demônio sempre sendo salvo pela igreja, alem de a própria mãe ser uma freira. O reencontro deles, a forma que ele descobre isso.
Tudo artístico, tudo perfeito. Não consigo ainda ver nesta obra a mão do marketing. O lance era fazer uma boa historia, com os personagens se revolucionando. Uma das maiores provas da grandeza desta saga é que mesmo fora do contexto temporal, ler ela hoje te toca do mesmo jeito. Sabe por quê ? Porque é uma historia humana. Não fica datada com tecnologia. Este é o toque magistral do Mestre Miller.
Nesta HQ aconteceu tanta coisa, tanta mudança… Ben Urich, JJJameson, Rei Do Crime, Franklin Nelson, Karen Page, Melvin Porter. E o mais legal, na minha opinião tem a melhor historia do Capitão América até hoje. Esta frase do Capitão, segurando a bandeira americana é muito marcante: ” Não sou leal a nada, General… exceto ao sonho.” Em determinado momento, o bairro da Cozinha do Inferno é bombardeada e os Vingadores precisam intervir: Um Soldado cuja voz poderia comandar um deus, e um deus cuja voz pode comandar o tempo. Todos se calam…”. Grandioso !
Acho que vou parar aqui, pra que você possa ler ( ou reler ) a sua edição. Está na coleção Salvat.
Agradeço a oportunidade de escrever neste blog, reler esta edição me trouxe a mesma emoção de quando eu li a primeira vez. E agradeço a você que lê e conversa comigo através deste blog. Se você não vem aqui ler, provavelmente eu não escreveria.
Abraços do Quadrinheiro Véio !
 
 
 
 
 

 

 

 

 

 

 

 

Demolidor – Diabo da Guarda

Estou de volta, amigos Quadrinheiros.
Perdoem a longa ausência.
Falar sobre o Demolidor é uma delícia pra mim. O homem sem medo se tornou um dos meus prediletos na minha infância/adolescência e era o grande motivo de eu ir as bancas todo mês buscar minha edição de Super Aventuras Marvel ( SAM pros íntimos ). Época de ouro, onde eu li, inclusive, a Queda de Murdock pela primeira vez e poucas coisas se comparam a esta saga até hoje. Porém devo dizer que “Diabo da Guarda” chega bem perto em termos de roteiro e fechamento. 
Sabem, sou grato a este blog não apenas pelos amigos que fiz e a oportunidade de dividir minha experiencia com HQ´s com as pessoas. Sou grato porque, desta vez, ela me fez ler uma HQ que ao começar eu achei que seria uma porcaria. Sério mesmo. Esta edição da Coleção Oficial de Graphic Novels Marvel da Salvat reúne as edições 1 a 8 da série 2 do Demolidor, lançado originalmente ao final de 1998 nos EUA. E as duas primeiras partes eu achei muito chatas, não me prendeu e se não fosse pelo blog, eu acho que não teria continuado até o final. Mas é a partir da parte 3 que a coisa esquenta e começa a ficar mesmo muito boa. Eu diria que é muito intrigante, genialmente escrita pelo Kevin Smith

É possível notar que a saga caminha como um roteiro de cinema. O que não é problema algum, pelo contrário, é ótimo. Seria de se estranhar se um cineasta nerd como ele não o fizesse desta forma. Sempre gostei muito de todos os filmes do Smith. Como poucos, ele é um mestre em narrativa e sabe colocar muitas referências em tudo que faz. Em “Diabo da Guarda” é possível ver referências em todo canto. De Batman a Guerra nas Estrelas, estão todas lá, e mais de uma vez. É uma delícia. Fora que tenho a impressão que ele aparece em um quadrinho…. hehehehehe… e até o Stan Lee não poderia faltar, né ? Ah, em tempo, preste muita atenção quando o Tucão aparece. Acho sensacional a referência que parte dele. É discarado. Também gosto muito dos títulos dos capitulos. Criatividade monstruosamente mostrada pelo roteirista de Clerks e Procura-se Amy. ( Assistam os 5 filmes das Crônicas de New Jersey do diretor nerd, vale muito a pena. :p )

Outra coisa bacana são os vilões escolhidos. De longe, o melhor inimigo do Demolidor é o Mercenário. Acho ele muuuuito f#%@. Ele é mal, mal, mal, sem escrúpulo, sem lealdade, sem misericórdia e louco. Acho que sempre digo que adoro os insanos. O cara é bom demais, até os dentes ele usa como arma. Um mestre do arremesso digno de enfrentar o Matt.
Basicamente a trama é sobre uma mulher que aparece do nada e entrega um bebê ao Matt, dizendo que o pequenino é o salvador cristão que retornou para salvar o mundo e que ele deveria ser seu guardião. O título da novela gráfica vem daí. O Matt seria seu Anjo Diabo da Guarda. Desenrola-se todo um drama psicológico magistral em cima disso. E percebemos que é uma forma que foi encontrada de trazer o personagem ao que era na época da “Queda”.

Não posso falar muito do enredo sem entregar a história ( então…. história ou estória, né ? Aprendi conversando com uns amigos no FB que o termo estória para designar contos caiu em desuso e hoje se usa história tanto pra fatos quanto pra contos… ), e nem muitas das imagens mais legais da publicação porque entregaria partes importantes, mas posso afirmar que é muito bem escrito e amarrado. Aliás a trama toda remete demais à saga de Frank Miller, porém sem se apoiar nela. Diabo da Guarda se sustenta sozinha, não se apoia, apenas referencia em muitas aventuras anteriores do demônio intrépido ou temerário ou audacioso ( Daredevil – ainda me pergunto de onde tiraram o nome Demolidor pro personagem, mas pegou legal aqui, né… ).Em se tratando de Demolidor, sempre tem muitos diálogos internos, pensamentos, condução de conflitos e é isso que o enriquece. Ele é esquentado e confuso, humano pacas e é esta a característica mais marcante, chamativa e apaixonante dele.

A impressão que eu tenho, é que a HQ busca retomar ao personagem a grandeza que ele tinha na época de “A Queda de Murdock”, mas com classe, e um final que, sério, surpreende muito. Descobrir quem está por trás de tudo e como todo esta trama fechará é um prazer que não negarei a vocês, por isso não irei revelar nada aqui, leiam o livro. Vale a pena! Mesmo com a parte 8 sendo apenas um fechamento cheio de drama e autopiedade típica do Murdock, é bacana porque emociona e resgata o ser humano e o herói de colante vermelho.
Esta HQ entra a fundo na mente de Matt Murdock, explora seus relacionamentos, sua relação com as mulheres, com os amigos e com a sua própria fé. Ele é posto a prova e somos colocados a esta mesma prova junto com ele. Teve momentos que eu me emocionei, principalmente quando um personagem importante é morto ( não, não irei revelar quem é... ). Emocionei ao ponto de parar a leitura pra respirar em respeito.
Os traços de Joe Quesada são muito bons, ele consegue misturar os estilos mais antigos e clássicos com os modernos. É um desenhista que se atualizou e é possível ver isso. Adoro a forma como ele desenha os olhos femininos, principalmente da Viuva Negra.
Recomendo a leitura, mas não seja preguiçoso. A riqueza do Demolidor reside nos detalhes de seus pensamentos e diálogos internos e externos. Obra rica, que embora não tenha sido originalmente uma Graphic Novel, faz jus ao encadernado especial.
Abraços do Quadrinheiro Véio !

Guerra Secreta

Eu sei que eu havia combinado com vocês de colocar um post da DC, mas acontece que eu sentei pra ler mais uma edição dos Graphic Novels da Salvat e calhou de eu gostar. Não que se eu não gostar não vou escrever, irei sim. Só que achei que enquanto está fresco na memória é melhor pra escrever sobre uma publicação.

Esta guerra secreta não tem NADA a ver com as Guerras Secretas ( Secret Wars ) dos anos 80. Só a semelhança do nome. E, na boa, mesmo sendo uma saga caça-níqueis pra vender brinquedos, achei Secret Wars mais legal do que Guerra Secreta. Claro que devemos respeitar épocas diferentes e narrativas diferentes.

Tudo começa com um ataque fulminante ao Luke Cage. A partir daí, desenrola-se uma história cheia de flashback’s onde Homem-aranha, Wolverine, Capitão América, Demolidor e o próprio Cage haviam sido convocados pelo Cel. Nick Fury para uma missão secreta e escondida do governo americano à Lativéria.

Objetivo: derrubar o atual governo, que aparente mente financiava vilões com armaduras e armas high-tech, com dinheiro que a própria ONU havia doado a eles para reconstruir a nação, após a suposta morte do Dr. Destino.
Não vou contar todo o resto, mas é muito bacana ver como isso se desenrola no presente. Não acompanhei as histórias na época, mas ao final o Nick Fury some, já que havia feito este ataque em segredo e em seu lugar fica a nova diretora da Shield: Maria Hill.

Guerra Secreta é uma história boa, completa, com começo/meio/fim, estruturada e com tudo que a gente gosta em termos de narrativa. Tem suspense, tem segredo, tem reviravolta. Mas não sei se eu que estou ficando velhaco ou muito intuitivo, ultimamente sempre acabo descobrindo quem é o vilão no começo das HQ´s. E isso é triste. Gosto de ser mais surpreendido. E achei uma história boa, mais do mesmo, mas boa. Não posso dizer que achei ótima. Vale a percepção psicológica de cada personagem. O Brian Michael Bendis fez um trabalho muito bom neste sentido. E as fichas da Shield de cada herói e vilão que aparecem na Graphic Novel também é divertida. É sempre legar ler estas fichas.

Claro que é bacana em termos visuais. Só por isso ela já vale a compra. Ainda não sei dizer que estilo este Gabriele Dell’otto tem. ( Sim, antes de eu saber que era “ele”, pensei que era “ela”. Poxa vida… o cara se chama Gabriele e eu sou brasileiro, me desculpem se me enganei, ok ? ). Acho que ele desenha/pinta bem pacas e é um poster dele que vai formar a imagem final das lombadas da coleção da Salvat. Aliás, este é o volume 33, o famoso que deu problema e veio com a lombada torta. Mas como já disse no post anterior, a Salvat muito profissionalmente entrou em contato conosco e vai resolver o problema. Então, iremos aguardar.

Retornando… Adoro quadrinhos que são feitos como pinturas. Comecei a curtir isso com o Ross, quando li Marvels e agora me surpreendi com esta história do Dell’otto. Acho genial como ele usa as cores e fundos, os tons, pra dar a passagem de tempo, de clima emocional, como mais uma forma de contar a história. Gosto de artistas que rompem a comunicação direta, que embutem comunicação nos detalhes. Os ângulos dos personagens também são ótimos. A forma como ele desenha cada um dos heróis e vilões é bem do jeito dele, como o Wolverine com a trancinha na barba, os olhos pequenos e fechados da maioria deles, o Nick Fury original sempre nervosão em estado de ataque. Gosto, recomendo mesmo.

Recomendo a leitura.
Abraço apertado do Quadrinheiro Véio !!! 😉