Triunfo e Tormento – Doutor Estranho e Doutor Destino – oQV

Triunfo e Tormento – Doutor Estranho e Doutor Destino

Olá Quadrinheiro !

Lembro me muito bem quando a série Graphic Marvel começou aqui no Brasil. Era um pouco diferente das Graphic Novels que a gente tinha e era exclusivo da Marvel, e na número 5 veio Doutor Estranho e Doutor Destino: Triunfo e Tormento. Uma das HQ’s mais marcantes da minha vida.

Dor ? Dor é como o amor, como a paixão. É atributo de homens inferiores… o que é a dor para mim ?” 

Esta frase é um dos grandes momentos da revista. Aliás, é de uma época em que tinhamos grandes diálogos, grandes desafios. Uma época mais aventureira. Quando eu comprei a edição na banca em 1991, eu tenho a nítida recordação do impacto que foi ter acesso a algo com tamanha profundidade. Triunfo e Tormento é obra prima. É conceitualmente uma história que toca a sua alma. É mais do que apenas o Dr. Destino finalmente resgatando a alma de sua mãe. E o título é perfeitamente encaixado na história.

Doutores

A história é muito interessante. Tem todos os aspectos místicos que a gente espera de uma boa história sob o tema da magia. Curiosamente, foi meu primeiro contato com uma história do Dr. Destino mostrando seus poderes místicos e isso foi meio surreal. Como um cara com uma armadura super tecnológica pode também dominar o oposto natural ? Isso foi cativante, me deixou muito curioso.

E acho que é este um dos principais pontos de Triunfo e Tormento. A gente fica pegado, curioso. Começa com uma disputa sobre quem se tornaria o mago supremo da Terra. Spoiler: Sim, será o Dr. Estranho. Mas você já sabia disso. ( hehehe ) Esta história pega uma licença poética de mostrar o momento que o Dr. Estranho recebe o título. E além disso, de maneira muito competente, re-apresenta as origens de ambos os personagens sem ser forçado. É contextual, é bem inserido. É parte da história que está sendo contada, e não apenas uma lembrança ou referência.

Depois que se definem os vencedores da disputa do maior mago da Terra, os doutores partem pra dimensão de Mefisto e ali lutam pela alma da cigana mãe de Victor Von Doom. Tem tanto sentimento envolvido e é tudo tão bem encaixado, que ao final, quando é revelado que estava tudo planejado pelo Doutor, você percebe que tem sinais disso durante toda a história e ainda mais, a genialidade que o personagem esconde pra que possa andar livremente.

Tendo envolvido Mefisto, você já tem uma certeza: A história vai envolver muitas reflexões, muitos valores. E, claro, artimanhas. Mefisto é praticamente invencível, então só se vence ele através de suas próprias regras. É um dos maiores personagens da Marvel, não apenas em poder, mas em possibilidades metafóricas. Usar a encarnação do mal do universo como um ser gerado e nutrido pelo ódio é algo que simplesmente pode gerar grandes roteiros. E aqui temos uma das maiores e melhores histórias dele. 

Mas… quem ?

Roger Stern é o roteirista desta história. Ele tem esta característica mais cerebral, filosófica e questionadora. Conduz o roteiro com uma pitada de cinema e sabe deixar a gente entretido. Some a isso um dos maiores artistas de quadrinhos que eu já ví, Mike Mignola e você tem uma história absolutamente épica, visualmente incrível, com todas as ousadias possíveis em uma história que envolve magia e mundos imaginários. Mignola está entre meus prediletos. A primeira revista que li dele foi Odisséia Cósmica e foi apaixonante, tamanha diferença das demais publicações mensais. E ele consegue ir além em Triunfo e Tormento. Mark Badger pinta tudo de maneira sombria, uma pegada meio aquarelada, um dos primeiros trabalhos em HQs com o uso de gradientes, profundidade e uma sensibilidade estética muito bem cuidada.

 

Em 2013, a Panini relançou Triunfo e Tormento em capa dura, papel especial e tudo o mais. Então, você não precisa depender de scan online, pode procurar que encontra por aí nas melhores livrarias !

 

Pro fã de artes místicas, Doutor Estranho e Doutor Destino: Triunfo e Tormento é um deleite. Pra quem apenas curte uma boa história, tenho certeza que vai ficar perplexo. O final surpreende, ousa, e te deixa pensativo. Como uma boa Graphic Novel deve ser.

 

Abraços do Quadrinheiro Véio !

 

Em tempo, visite o canal: O QUADRINHEIRO VÉIO

 

Quarteto Fantástico – Inconcebível

Olá Quadrinheiros !
Mais uma vez quero agradecer as visitas de vocês, aos comentários e os compartilhamentos lá no facebook e no Youtube. É gratificante, de verdade.Quarteto Fantastico Inconcebivel
 
Neste post de hoje falarei sobre mais um volume da Coleção Oficial de Graphic Novels Marvel da Editora Salvat. E mais uma vez com minha equipe de heróis preferida: Quarteto Fantástico – Inconcebível. Esta edição reúne as edições 67-70 de Fantastic Four v3 e 500-502 de Fantastic Four v1, publicada originalmente em 2003.
Esta edição é fantástica ( perdoe o trocadilho… hehehe ). É uma história densa, pesada. Fazia tempo que não lia algo tão forte, tão impensável. O conjunto emocional desta edição é tão forte, que a gente fica meio impressionado um tempo. Pelo lado do tamanho da maldade e do desejo de vingança do Dr. Destino. E pelo outro, a importância da família para o Quarteto. Isso fica visível o tempo todo. 
Eu comecei a ler o Quarteto Fantástico lá no começo dos anos 80, na revista do Homem-Aranha. Aliás, recomendo muito esta fase deles, pois é apaixonante. E uma característica marcante da equipe é que eles não são heróis, eles são cientistas. E antes disso, maior do que tudo, são uma família. Quando eu comecei a ler a Susie e o Reed ainda não tinham o Franklin e imagine a minha surpresa quando, recentemente eu soube da Valéria…. rs… sim, pois me afastei uns 10 anos das HQ´s e pouco eu soube com relação a este período. Aliás, esta coleção está sendo ótima pra isso.
Percebo que muita mudança aconteceu, mas esta publicação mostra que a essência ainda esta lá, com a diferença que o ódio do Dr. Destino chegou a tal ponto que o nome deste livro – inconcebível – está mais do que adequado, já que a história é mesmo chocante, permeando o desespero. Sim, fiquei meio desesperado em alguns momentos, principalmente no começo quando Doom se revela mais louco do que nunca ao sacrificar o maior amor de sua vida por poder e logo depois, ao usar crianças para seus planos. Cara, é chocante de verdade, e ao mesmo tempo, adequado. E o Dr. Destino é o inimigo definitivo do Quarteto, não é ? Eles tem um monte, mas perto do Destino, os outros são como passear no parque com chuva forte… rs… Dr. Destino é o furacão Catrina com El Niño e La Niña juntos !

 O Dr. Doom é o tipico vilão ‘doido de pedra‘. Ele tem a inteligencia do tamanho de um planeta, mas emocionalmente não tem mais do que um grão de areia. Ele vive em função de sua vingança, de superar o Reed, de poder e conquista. E não consegue perceber que perde muito mais com isso. Tdo este trauma que vem de sua infância, suas perdas, tornou-o tão paranoico que as verdades que ele percebe só existem para ele mesmo. Ele começa a formular teorias dentro de seus pensamentos e quando ele mal percebe, aquilo já se tornou uma verdade pra ele e suas ações são ditadas pelas suas crenças. Quando uma crença se torna uma verdade pra você, então, deixa de ser crença e passa a ser a sua realidade. E independente de ser o ‘real’ ou não, suas decisões, ações e movimentos serão guiados por esta crença. Você assistiu “A Origem” ( Inception ) ? Pois bem. A diferença entre nós e o Dr. Doom está no nível do poder desta crença dentro de nós. Ele não sente a menor dúvida, tamanha é a sua arrogância. E é esta mesma arrogância que determina sempre, invariavelmente, suas derrotas.

Resumindo: É um vilão incrível !
 
Nesta edição, além de tudo isso aí, você ainda tem momentos para curtir o relacionamento do Ben e o Johnny. As encrencas básicas de uma família. Tem até o Tocha se queimando, e se você é fã do Dr. Estranho, ele terá uma participação pra lá de especial no desenrolar da história. Também vemos Destino se voltando mais para a magia, para ver se ao mudar seu método, consegue superar o Reed, já que em matéria de ciências, ele é absoluto. ( Pra mim, o Reed está anos luz a frente do Tony Stark, por exemplo… ). Eu não vou falar mais, porque estes dias eu levei um ‘puxão de orelha’ de um rapaz lá no grupo do Facebook porque mesmo eu tendo cuidado, acabei soltando um spoiler em um destes posts e fiquei me sentindo culpado quando ele me avisou. Não quero tirar a ‘graça’ da leitura de ninguém, e espero que me perdoem caso isso aconteça as vezes, tá ?
O Roteiro é de Mark Waid. Competentíssimo, Waid sabe fazer a mistura de Quarteto Fantastico Inconcebiveldrama e movimento. Ele escreve bem, diálogos, pensamentos, sentimentos. Tudo isso em total sintonia. Ele sabe contar algo com maestria como bem sabemos em seu trabalho com o Alex Ross em Reino do Amanhã. E aqui ele faz jus mesmo sendo revistas de linha. Aliás, um dos grandes problemas desta coleção é que ele não é de Graphic Novels de verdade. Como já comentei, ela reune algumas sagas das revistas de linha em uma edição encadernada. Isso não é Graphic Novel, ok meninos e meninas ? Isso é apenas um ‘paperback‘ de capa dura. Basicamente, um graphic novel é muito mais trabalhado, com mais prazo, gerando mais impacto porque com mais tempo, o artista consegue se entregar mais e entregar algo melhor. Este volume tem uma saga muito boa, até mesmo porque estava na edição 500 do volume 1 dos heróis e isso pedia algo magnífico, trágico e transformador ( como foi o caso ), mas ainda assim, não é uma Graphic Novel.
Em Quarteto Fantástico Inconcebível, os desenhos são satisfatórios, são bem feitos, tem movimento, expressões gritantes devido aos olhos e bocas enormes. Mas não é do meu gosto. Pra mim, Byrne é o cara do Quarteto, tanto em traço quanto em roteiro. Não me entendam mal,  Mike Wieringo e Casey Jones são bons, tem seus próprios traços peculiares e tudo o mais. Acho que ajuda na história, mas fica meio ‘desenho infantil’ e não ‘casa’ com o peso do roteiro. Acho que como é tudo de magia, de dor, sofrimento, deveria ser um traço mais sujo e orgânico… está limpo demais, sabe ? Mas não atrapalha. E muito disso que eu falo aqui, como você deve ter percebido, é mais meu gosto pessoal. Não se deixe influenciar pelo meu gosto, siga o seu. 🙂
 
As cores estão bem legais, lembram bem o começo das HQ´s feitas no computador. A harmonia na paleta em cada fase da história é muito competentemente escolhida.
 
Recomendo a edição com louvor. É uma das poucas histórias atuais do Quarteto Fantástico que valem a pena ser lidas. E ela tem uma continuação também na mesma coleção, Ações Autoritárias.
Bom, amigos. Vou ficando por aqui. Acho que já escrevi demais pro meu tamanho.
 
Comente aí embaixo agora mesmo o que achou. Eu respondo todos os comentário, tá ?
 
Abraços do Quadrinheiro Véio.
 
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Quarteto Fantastico Inconcebivel

 

Quarteto Fantastico Inconcebivel

 

 

Quarteto Fantastico Inconcebivel
 
 
 
Quarteto Fantastico Inconcebivel

Os Livros do Destino

Nunca mais olhos mortais vislumbrarão Victor Von Doom. Deste momento em diante, há somente o que me tornei… há apenas o Doutor Destino !”
Hoje falarei sobre Os Livros do Destino, uma publicação que eu gostei muito. Este encadernado que eu li, publicado pela Panini Books aqui no Brasil, reune a mini-série The books of Doom 1-6 lançado em 2006 nos EUA. E já posso te adiantar que gostei bastante do que eu li.
Como deve ter notado no post anterior, eu não costumo gostar muito de biografias que humanizam o personagem. Esta é uma exceção porque a origem do Doutor Destino sempre foi contada desta forma, porém esta versão dá uma aprofundada a mais e acho que, neste caso, é isso que deixou o argumento/roteiro muito bons.
Os livros do Destino são uma narrativa auto biográfica que o vilão faz durante as 6 edições encadernadas neste capa-dura e contam toda a história do tirano lativeriano desde seu nascimento até a tomada de poder de seu país natal, apenas alterando um ou outro fato conhecido ( como ter sido colega de quarto do Reed Richards do Quarteto Fantástico, por exemplo ), mas sendo justificado em seguida. E

eu adoro os vilões. Acho eles o máximo. Não se comparam aos heróis perfeitinhos. Talvez por este motivo que em meados dos anos 80 os anti-herois começaram a fazer sucesso. Acho que foi cansando dos heróis 100% corretos e tornando-os mais humanos e falhos. Acho que todo mundo concorda que o que fazia o Batman ser legal eram seus vilões, não é ? O que seria do Batman sem o Coringa ? Do Luke Skywalker sem o Darth Vader ? Ou mesmo Seyia sem o Saga ? rs…

Os vilões tem uma característica tão mais humana… e embora nos inspiremos nos heróis, nos identificamos com os vilões. Não foi o Harvey Dent quem disse que “Ou você morre herói, ou vive suficiente para ver você mesmo se tornar um vilão ?“. Pois então.
Algumas coisas curiosas nesta edição é ver como

Victor era arrogante desde criança. Sempre sendo super dotado, e talvez por ser filho de uma ‘bruxa’ cigana ( que ele nunca leia isso…hehehe ), ele sempre foi diferente das outras pessoas. E isso é mostrado bem detalhadamente no livro. Fora que podemos seguir todo o pensamento dele, sua psique, sua condução com mão de ferro.Uma linguagem arrogante e convencida, mesmo quando está deprimido. Todo seu amor pela mãe culmina em sua primeira incursão ao mundo inferior, enfrentando um demônio vermelho ( que nesta série não é nomeado como Mefisto, mas somente como o demônio ) e com isso, após levar uma surra, seu rosto fica marcado, não pela explosão da máquina, mas sim pelo toque deste demonio. Aliás, dentre as mudanças que foram feitas, esta é uma que eu achei bem interessante. Sempre nos foi dito que a máquina havia falhado, que ele habitou o mesmo dormitório que o Reed e que ele apenas estudou nos EUA. Mas esta série mostra que ele

mal falava com o Dr. Richards e ainda trabalhou para o Governo Americano, que era quem bancava os estudos dele em troca de seu talento com engenharia e magia. Tudo nos leva a entender que a história se passa durante a guerra fria, uma época que eu acho muito rica pra se escrever algo político como é o fundo desta história. Claro que é preciso lembrar que quem conta a história é o próprio Dr. Destino e por este motivo, algumas coisas ele pode ter distorcido durante a narrativa, já que embora ele seja um altivo tirano, ele também é bem orgulhoso e tem a visão distorcida de um conquistador, que justifica seus

atos violentos como se fossem necessários para o ‘bem maior’. E cabe uma notinha curiosa, de que nesta edição ele não conclui a formação, e para ser um “doutor”, ele se auto-denomina após ver uma entrevista com o Reed Richards na TV. Um louco de pedra, mas um super louco de pedra. Ele não se considera um herói e nem um vilão. Ele é apenas o Dr. Destino e isso pra ele basta. Um homem que se considera acima do bem e do mal e onde tudo que ele fala e pensa não deve ser contestado por seres inferiores ( no caso, todo o resto do mundo ) É ou não uma figura magnífica ?

O roteiro é de Ed Brubaker que demonstra um domínio sobre a narrativa biográfica como poucos, a meu ver. O cuidado com a escolha das palavras é muito legal. Aliás, parabéns para a tradução, já que a dupla soube manter a característica arrogante e o palavreado erudito do personagem de forma muito bem feita. Ed nos dá uma história muito bem conduzida, lembrando muito o final dos anos 80, com muito texto, muito pensamento. E o melhor, não cansa ler tudo, porque é tudo relevante. Imagine que você lê 6 edições e não percebe que o roteiro é muito objetivo, mostra um monte de coisas de forma resumida e ainda assim aprofunda na psique de Victor Von Doom. Não sei se fui muito claro, mas é tipo isso.
Os desenhos são do argentino Pablo Raimondi, que eu particularmente não conhecia. E o cara é bom. Não é o melhor, o maior destaque e etc… mas o cara é bom. Bom na narrativa, no enquadramento, na definição emocional. Não impressiona, mas pra uma biografia, ele resolve muito bem. É um desenhista que, ao menos nesta mini-série, faz o básico bem feito, sabe assim ? Não percebi nenhuma genialidade, nenhuma conjectura ou mesmo referencias externas ou cuidado com uso de cores que fosse digno de nota. É um traço e cores que servem pra contar uma história que é brilhante pelo seu roteiro e não precisa de um suporte de imagem forte. Se fosse um conto apenas escrito já seria ótimo. Sendo HQ, ficou melhor ainda.
Acho que se você curte biografias de personagens, vale muito a leitura. E eu como um grande fã da personalidade do Doutor Destino, não poderia ficar sem ler. E ainda bem que li, pois gostei muito, me diverti e emocionei. E o melhor, sem humanizarem demais o personagem.
Abraços do Quadrinheiro Véio !