O Espetacular Homem-Aranha – A última caçada de Kraven

Aranha! Aranha ! Viva chama que as florestas da noite inflama. Que olho ou mão imortal poderia traçar-te a horrível simetria ?
Mais uma vez trago uma HQ do Aranha que eu acho que é uma das mais TOP´s que eu já li na vida. O ano é 1989 e uma mini-série em 3 edições abala as estruturas do então menino de 13 anos que vos escreve agora. Sério, esta época eu estava lendo melhor e começando a entender um pouco mais as coisas e ler uma história tão profunda e obscura foi mesmo muito forte. Não é apenas uma HQ em que um vilão toma o lugar do seu herói inimigo. É mais do que isso. É poesia, é propósito. Dentro da coleção da Salvat, está O Espetacular Homem-Aranha – A última caçada de Kraven é uma aventura, um arco fechado que pra mim está ao nível das grandes Graphic Novels  e mini-séries como O Cavaleiro das Trevas, Watchmen, Marvels, Odisseia Cósmica, Reino do Amanhã e outras… e considerando que é do Homem-Aranha, numa fase extraordinária, época que ele estava casado a pouco tempo, enfrentando muitos conflitos internos, foi muito bem colocada. Ver a fragilidade humana dos personagens, ver o tempo todo a poesia na cabeça do caçador, foi fantástico. Esta HQ, pra mim, coloca o Kraven numa posição que até então ele nunca esteve. Ele sempre foi fodão ( perdoe o palavrão, mas em 10 minutos pensando, não achei termo melhor ), porém aqui ele se supera de uma forma que poucos conseguiram chegar. A profundidade emocional do Sergei Kravinov ao provar pra si mesmo e pra mais ninguém que ele é melhor que sua caça é mostrada de uma forma que a gente não esperava. A HQ é toda escura, tudo acontece a noite, poucos momentos de dia, apenas o final. Todo um simbolismo envolvido. Parece que a HQ foi planejada passo a passo, cada quadro cuidadosamente pensado. Nesta mini-serie, Peter Parker usa a roupa preta, parece como se estivesse antevendo o que iria passar com o vilão, já que nesta fase ele alternava entre o vermelho e azul e o uniforme negro, pouco depois de ele ter se livrado do mesmo no laboratório do Sr. Fantástico Reed Richards. O Kraven aparece constantemente nu, representando a necessidade de se revelar como ele realmente é. As identidades em conflito, a simbologia da Aranha como o desafio interior que todos os humanos devem sobrepujar para serem livres. A animalidade humana na forma de Rattus. Todo o instinto em forma de um personagem que não tem consciência, apenas segue seus impulsos mais íntimos sem distinguir o que faz. É muito bacana ver a mudança de expressão do Kraven durante toda a HQ, saindo do desespero e da loucura pra serenidade, pra paz, pro término de sua missão em vida. Constantemente lembrando de sua mãe, que se suicidou… dizendo toda hora ” Disseram que minha mãe era insana.”. Acho que é um roteiro tão bem feito e os desenhos tão condizentes que chega a ser de um brilhantismo genial. Kraven, ao final, se regozija e comemora muito, afinal tudo deu certo e o Aranha não tinha como entender, porque não viveu isso ainda. É possível sentir o respeito que ele nutre pelo Aranha. Deu pra perceber que eu acho esta publicação fantástica, né ? Demorei pra escrever sobre ela porque ela pede o tom certo.

J M DeMatteis é um grande argumentista. Ele supera nesta publicação muitos outros e na minha opinião é muito pouco reconhecido por alguns de seus trabalhos. Pensa bem no tamanho do simbolismo que ele coloca nesta edição. Leia ou releia procurando as entrelinhas, a base psicológica por trás de uma aventura onde torcemos pelo vilão, podemos nos identificar com ele, sentir como ele e ao final, até achar que em algum momento poderíamos vir a nos tornar alguém assim. Não no sentido de ser vilão, mas no sentido de descobrir que é de verdade e de ter a coragem de fazer o que é preciso pra se encontrar. É uma pena ele se suicidar no final, porém não havia forma de tornar a história mais memorável ou coerente com o decorrer dos acontecimentos. Meus cumprimentos sinceros e gratidão eterna a este grande artista.

Os desenhos de Mike Zeck eu já gosto a anos… desde Secret Wars. É possível avaliar que é um grande desenhista e contador de histórias pela sua constância no traço, o cuidado com as expressões faciais, a climatologia e sequencia de imagens para dar movimento ou dramaticidade. Nao entendo muito bem, mas não é qualquer um que consegue fazer um drama tão existencial como este te arrepiar. Os planos de sequencia dele são ótimos. Sentimos nojo do Rattus, sentimos náusea com a MJ quando ela mata o rato… tropeçamos com o Peter quando ele sai da tumba. Mike é um dos caras que eu compro revistas só por ter o nome dele. E a coloração que faz toda a diferença é de Robert McLeod. Ele sabe dar o clima certo. Muito bom. De tudo isso eu tiro apenas que é uma revista que é obrigatória para qualquer leitor de HQ. Seja fã de DC ou de outros personagens da Marvel, A última caçada de Kraven é uma leitura fundamental e básica. Até pra não leitores, mas apaixonados por comportamento e psicologia humana vão se deliciar com a profundidade da publicação. Leia sem medo, e sem dó. Releia, reflita, pense. Seja mais como o Kraven e seja mais livre. Um épico !
 
Abraços emocionados do Quadrinheiro Véio.
 
 
 
 
 

 

 

 

 

 

 

 

Jacques DeMolay – O Martir Templário

Oi, Quadrinheiro !
 
Caiu em minhas mãos esta semana uma edição muito legal de uma HQ, que confesso não conhecia e fiquei muito contente quando a li. A edição número 1 de Jaques DeMolay – O martir Templário, lançada em agosto de 2013 pelo grupo ArteOfício.
 
Esta HQ será uma mini-serie em 12 edições e conta a história de Jaques DeMolay, um Cavaleiro Templário do final do século 13. De forma muito criativa e romanceada, o autor Fabrício Grellet narra a vida deste que é tido como o Último Grão Mestre da Ordem dos Cavaleiros Templários, que inclusive fez parte das cruzadas. Gosto de ler HQ´s com base histórica, ainda mais de uma época tão rica em feitos, onde buscava-se a ordem e a justiça, mesmo que muita gente ache que não foi feito da melhor forma, as convicções dos Cavaleiros de fazer o bem e proteger a justiça são lendárias. Narrativas de espadas, cavalos, deveres, honra, comprometimento com suas escolhas e com a própria palavra e juramentos… coisas que andam tão esquecidas nos dias de hoje e que podem ser resgatadas. Acho isso muito válido. O mundo precisa, urgente.
 

A arte fica por conta de Silvio Spotti e Arthur Garcia, que dão vida e

movimento aos cavaleiros. As cores são de Carolina Pontes. Toda a HQ tem coloração forte, marcante e viva. É possível ver sentimento nos olhos dos personagens, mesmo em um ou outro quadrinho que possa parecer estranho. Nota-se que seguem uma linha mais clássica no enquadramento e posicionamento, e isso é condizente com a linha que a narrativa pede. Cabe ressaltar que a narrativa é pesquisada, e portanto o que se vê não é apenas uma estória, mas um registro histórico da vida de uma pessoa que fez diferença no mundo, um herói real de sua época e que ainda hoje inspira muitas pessoas. Inclusive esta série tem o suporte de um psicanalista e uma pedagoga, além de especialistas na história templária para dar o suporte histórico e nada se perder ou passar de forma mentirosa. E isso é muito legal, porque mesmo que este tipo de suporte possa parecer “chato”, acontece o contrário, que é uma história com ritmo de HQ medieval.

 
Recomendo a leitura, sim. Ainda mais com tantas porcarias que estão saindo, uma publicação com narrativa de qualidade as vezes passa batido. Mas você não encontrará a publicação nas bancas, apenas por assinatura. A série visa lembrar os 700 anos de sua morte e ao final você recebe um box pra colocar a coleção. O site oficial é o local pra assinar: http://comicsdemolay.com/ e também tem a página no facebook que quiser seguir e acompanhar as novidades: https://www.facebook.com/gibijacquesdemolay
 
 
Abraços do Quadrinheiro Véio !!
 

 

 

 

 

 

DC: A Nova Fronteira

Opa, tudo bem ? Chegamos ao final do primeiro mês deste blog, e numa sexta-feira… quer coisa melhor ?
 
Perdoe o meu breve sumiço… Eu estava lendo uma edição do Capitão América pra fazer um novo relato, mas ao final percebi que tenho que ler mais uma continuação pra poder falar completamente… Então, optei por fazer meu primeiro post sobre a DC. Embora não pareça, eu gosto da DC o mesmo tanto que eu gosto da Marvel.
 
Escolhi DC: A Nova Fronteira como primeira postagem desta editora, porque considero um clássico. Não tão clássico quanto Crise nas Infinitas Terras, que ganhará um post só sobre ele, mas um clássico pelo estilo.
 
Nova Fronteira
DC: A Nova Fronteira é uma homenagem à Era de Prata da DC. É uma viagem à uma época mais inocente, uma época mais simples, mais “preto no branco” e menos cinzenta. E por este motivo, é um escapismo brilhante, romantico e heróico. Gosto deste estilo, traços mais simples e grossos, cores mais simples, retas, tudo mais direto, cru. A pintura de Dave Stewart é digna de prêmio, porque resgata sentimentos. E tudo que queremos, por mais que neguemos, é sentir algo quando lemos uma HQ. A inteligência da história é importante, mas o que sentimos é o que nos faz feliz. ( Estou filosófico hoje, né… hehe )
Gosto de argumentos simples, diretos, e como já mencionei, heroicos. E isso, Darwin Cooke faz com maestria nesta história. Confesso que não me lembro de já ter lido outras histórias deste roteirista, que neste caso, também é o desenhista desta saga. Ele mostra um Super-homem mais simples… e adoro a ideia da Mulher Maravilha ser alta, forte, com jeito e postura de Amazona mesmo. Acho que é uma leitura que é mais dentro da realidade da personagem do que a maioria que vemos por aí. As diferenças entre as personalidades dos personagens podem ser vistas nos traços também. Os mais inocentes, os mais fechados, os mais guerreiros, os mais justos… tudo varia de cada um.
 
As cenas são grandiosas, as explosões, os poderes estão ao extremo na sua representação gráfica exagerada, mas muito bonito de se ver. O Flash ( Barry Allen ) está em seu começo, inseguro, mas fiel. É legal ver Hal Jordan numa época inocente, recebendo o anel de novo. É quase como um “remake” da formação da Liga da Justiça. E tem muitas referências a outros personagens da mesma época, mas que não aparecem diretamente na história. Fora que é uma delícia ver o Super-homem sendo rechaçado pelo grande “vilão” da história, e ao final retornar de carona com o “Rei Arthur” de Atlântida, que aliás está bem f*#@ em uma passagem. Também aparece o Ajax ( gosto deste nome, é o nome que conheci. Caçador de Marte é muito grande ), fundamental no enredo e os demais heróis menos poderosos, como o Atomo e Arqueiro Verde. Até o Batman Tem pequena participação, e o Robin “novo” todo alegre ao ver o Super-homem pela primeira vez… tudo isso, esta inocência, é mágica. E a reunião dos “espiritualmente dotados” na lua é bonita de se ver.
Esta mini-série também foi convertida em animação, com uma excelente adaptação, fiel ao roteiro e traço original. Vale a pena assistir também.
 
Como sabem, não sou de revelar detalhes da história, por mais antiga que seja ( aqui no Brasil, foi lançado em 2006 ), sempre tem gente que ainda não leu e não curto estragar as surpresas, que são boas. Mas basicamente, é uma história que não dá pra não ler. Veja algumas imagens lá embaixo. Este eu tive que colocar mais… a arte, na minha opinião pessoal, é linda. Gosto do simples.
 
Fica a dica do Quadrinheiro Véio.
 
Nova Fronteira

 

 

Nova Fronteira

 

Nova Fronteira

 

 

Guerra Secreta

Eu sei que eu havia combinado com vocês de colocar um post da DC, mas acontece que eu sentei pra ler mais uma edição dos Graphic Novels da Salvat e calhou de eu gostar. Não que se eu não gostar não vou escrever, irei sim. Só que achei que enquanto está fresco na memória é melhor pra escrever sobre uma publicação.

Esta guerra secreta não tem NADA a ver com as Guerras Secretas ( Secret Wars ) dos anos 80. Só a semelhança do nome. E, na boa, mesmo sendo uma saga caça-níqueis pra vender brinquedos, achei Secret Wars mais legal do que Guerra Secreta. Claro que devemos respeitar épocas diferentes e narrativas diferentes.

Tudo começa com um ataque fulminante ao Luke Cage. A partir daí, desenrola-se uma história cheia de flashback’s onde Homem-aranha, Wolverine, Capitão América, Demolidor e o próprio Cage haviam sido convocados pelo Cel. Nick Fury para uma missão secreta e escondida do governo americano à Lativéria.

Objetivo: derrubar o atual governo, que aparente mente financiava vilões com armaduras e armas high-tech, com dinheiro que a própria ONU havia doado a eles para reconstruir a nação, após a suposta morte do Dr. Destino.
Não vou contar todo o resto, mas é muito bacana ver como isso se desenrola no presente. Não acompanhei as histórias na época, mas ao final o Nick Fury some, já que havia feito este ataque em segredo e em seu lugar fica a nova diretora da Shield: Maria Hill.

Guerra Secreta é uma história boa, completa, com começo/meio/fim, estruturada e com tudo que a gente gosta em termos de narrativa. Tem suspense, tem segredo, tem reviravolta. Mas não sei se eu que estou ficando velhaco ou muito intuitivo, ultimamente sempre acabo descobrindo quem é o vilão no começo das HQ´s. E isso é triste. Gosto de ser mais surpreendido. E achei uma história boa, mais do mesmo, mas boa. Não posso dizer que achei ótima. Vale a percepção psicológica de cada personagem. O Brian Michael Bendis fez um trabalho muito bom neste sentido. E as fichas da Shield de cada herói e vilão que aparecem na Graphic Novel também é divertida. É sempre legar ler estas fichas.

Claro que é bacana em termos visuais. Só por isso ela já vale a compra. Ainda não sei dizer que estilo este Gabriele Dell’otto tem. ( Sim, antes de eu saber que era “ele”, pensei que era “ela”. Poxa vida… o cara se chama Gabriele e eu sou brasileiro, me desculpem se me enganei, ok ? ). Acho que ele desenha/pinta bem pacas e é um poster dele que vai formar a imagem final das lombadas da coleção da Salvat. Aliás, este é o volume 33, o famoso que deu problema e veio com a lombada torta. Mas como já disse no post anterior, a Salvat muito profissionalmente entrou em contato conosco e vai resolver o problema. Então, iremos aguardar.

Retornando… Adoro quadrinhos que são feitos como pinturas. Comecei a curtir isso com o Ross, quando li Marvels e agora me surpreendi com esta história do Dell’otto. Acho genial como ele usa as cores e fundos, os tons, pra dar a passagem de tempo, de clima emocional, como mais uma forma de contar a história. Gosto de artistas que rompem a comunicação direta, que embutem comunicação nos detalhes. Os ângulos dos personagens também são ótimos. A forma como ele desenha cada um dos heróis e vilões é bem do jeito dele, como o Wolverine com a trancinha na barba, os olhos pequenos e fechados da maioria deles, o Nick Fury original sempre nervosão em estado de ataque. Gosto, recomendo mesmo.

Recomendo a leitura.
Abraço apertado do Quadrinheiro Véio !!! 😉