METAL – Noites de Trevas – DC Comics Review

METAL – Noites de Trevas – DC Comics Review

Olá Quadrinheiro !

Terminei de ler METAL – Noites de Trevas ( conhecido como Batman Metal ) estes dias e precisamos conversar sobre isso. Antes de mais nada, vamos situar a obra. Iniciada em agosto de 2017 nos EUA, na edição Dark Days: The Casting e finalizada em Dark Nights: Metal 6 em junho de 2018. Aqui no Brasil, teve uma das campanhas mais legais de lançamento ( confira aqui ) e chegou em encadernados com capa especial, verniz localizado e efeito metalizado, com um mix 3 edições em cada volume, já na ordem certinha pra você ler. A Panini caprichou mesmo nesta mini-série.

Logo que chegou pra mim, eu fiz um primeiro post dando a impressão das duas primeiras edições. E agora, vamos fechar falando da saga como um todo.

METAL não é sobre HEAVY METAL

A saga é basicamente centrada no Batman. Como o mais forte integrante da Liga ( isso é, sim, opinião minha ), ele é o único capaz de subjugar todos os heróis por ser um estrategista brilhante. Dentro do conceito de multiverso, existe uma tal dimensão conhecida como “Multiverso das Trevas” que é de onde os Batman Sombrios vieram. De cada Terra deste universo sombrio, um Batman emergiu mau e tomou os poderes de um personagem da Liga e com isso, conquistou o planeta. Só que um ser sombrio chamado Barbatos, que faz parte do “mecanismo” da criação dos universos aparece por lá e diz a eles que existe um multiverso lindo todinho pra eles conquistarem se o ajudassem a ir pra lá também. E a chave desta passagem é o Bruce Wayne e o metal enésimo, sabe ? Aquele das armas tanagarianas do Gavião Negro e da Mulher Gavião. Que aliás, tem importante participação na história também.

A DC sempre viaja grande quando cria crises cósmicas, isso a gente precisa admitir. Quando o assunto é a possibilidade de fim do mundo ou do fim do universo, ela é capaz de criar acontecimentos incríveis. Tal como este conceito de multiverso das trevas, um Super-Monitor e estes Batman sombrios horripilantes.

Cabe situar você: O universo dos novos 52 foi basicamente desconsiderado neste momento e fatos “pré-52” são citados, tais como a “morte” do Batman e sua jornada ao passado. O Bebê Darkside também aparece. Mas não é nada que você precise conhecer pra entender a história.

Embora centrada no Batman, METAL é uma aventura da Liga como um todo. Batman é a chave/centro dos acontecimentos, mas envolve todo o universo DC. Por isso, chama-se “Metal – Noites de Trevas” e as edições centradas na família morcego e outros em separado, saíram aqui em duas edições especiais, chamadas de “Batman: METAL Especial”.

Gritos na noite – Batman Metal

A história é boa, tem um caminhar bem tenso e até o final, você não consegue ver a menor chance dos heróis vencerem. A narrativa é desesperante. Todos os passos dos heróis são previstos pelo Batman que ri ( personagem que reune e lidera os Batman Sombrios ). Este Batman é uma mescla do Bruce com o Coringa. Sim, é bizarro e tenebroso. Então, é possível imaginar toda a loucura e maldade do palhaço do crime aliada ao maior estrategista conhecido. Ele é bem perigoso. Fora que notei um retorno de algumas coisas que eu curtia nas HQs antigas. Tem a entrega de filosofias, tem o pensamento reflexivo e tem personagens que te fazem pensar e se colocar no lugar deles e refletir no que teria feito se você com você. A Liga tem um papel importante no decorrer da história, principalmente Flash, Cyborg e Lanterna Verde. Mas a trindade Batman, Super-Homem e Mulher Maravilha são os grandes finalizadores como sempre.

Existe apenas um pequeno incomodo pra mim nesta história, que é a forma como ela fecha. Aliás, cabe a ressalva de que tenho a impressão de que não é um problema apenas desta série, visto que “A Noite mais Densa” e “O Dia mais Claro” ( review aqui e aqui ) utiliza do mesmo recurso: A virada inesperada no final acontece de repente, rapidamente, e sem chance pros vilões, de forma milagrosa. É algo muito estranho. Imagine que você passou meses acompanhando a derrocada do mundo. Os heróis sendo derrotados e presos em cada edição. Um a um, seus planos de revide vão sendo derrotados e todos previstos pelo Batman que ri. E ao final, em uma edição, os mocinhos viram o jogo e vencem meio que do nada. O desespero é 6,5 edições de desespero quebrado repentinamente por uma virada rápida, sem profundidade, no final da saga. Isso é algo que realmente me incomodou bastante.

Dá a impressão de que ficou preguiçoso. Acho que pra ficar mais legal, deveriam ter ido mais devagar nesta virada. Heróis tendo pequenas vitórias, conquistando aos poucos e virando o jogo. Quando a virada é repentina, milagrosa e principalmente, baseada em fatos que aconteciam em paralelo mas que são reveladas ao leitor apenas no final, me parece que é como se faltasse “gabarito” aos escritores pra pensar em algo que poderia ser mais legal. É muito simples você vir criando algo só de um lado, no caso no mal, e depois no final, inventar algo do nada e virar tudo pro lado dos mocinhos. Sem respaldo da própria história. Eu senti que ficou um final “preguiçoso“, sabe ?

A jornada é linda, mas o final, nem tanto.

 

 

Quem fez ?

Os principais líderes de METAL são Scott Snyder e Gregg Capullo. Claro que eles não fazem isso sozinhos, tem uma penca de roteiristas e desenhistas que trabalham juntos, já que envolve muitos personagens e revistas solo durante estes meses de METAL. Snyder tem este problema de narrativa desde sempre. Sabe dramatizar, mas não sabe finalizar. Já Greg Capullo eu curto o traço desde Spawm e Homem-Aranha nos anos 90. Houve uma evolução no traço, mas seu estilo permanece nesta HQ. Jim Lee, John Romita Jr, James Tynion IV, Andy Kubert, Dan Abentt, Francis Manapul, Tony S Daniel, Brian Hitch, Jeff Lemire, Ethan Van Sciver, Frank Tieri, Carmine di Giandomenico, Grant Morisson, Doug Mahnke, Jorge Jimenez e Howard Porter são alguns dos nomes que assinam as 5 edições principais. É muita gente boa trabalhando junto e por isso a leitura é sim, muito boa. Minha queixa fica apenas com o final.

Então, se quer saber se é uma história que vale a pena ? Sim, vale muito. É uma das boas histórias que eu li recentemente e acho que, embora não deixe consequências, vale pela narrativa. Recomendo a leitura e eu mesmo penso em reler agora, de uma vez, pra sentir o drama.

Abraços do Quadrinheiro Véio !

Batmen Sombrios
Os Batmen Sombrios

 

Flash – Seguindo em Frente – os Novos 52

Flash – Seguindo em Frente – os Novos 52

Fala, Quadrinheiro !

Novos 52 é um momento em que a DC achou que estava fazendo algo legal, quando na verdade não estava. Isso é como eu vejo. Porque não tem como acreditar que algo tão estranho tenha durado 52 meses sabendo que era algo tão ruim. Claro que isso é eu falando, meu ponto de vista, minha percepção sobre as histórias.

Comentei sobre a Mulher Maravilha dos Novos 52 aqui e reforço, não é de todo ruim, só não é algo bom. É algo um pouco quase mediano. Difícil definir, né ? Vou tentar.

Seguindo em Frente

Eu recebi da Panini a edição Flash – Seguindo em Frente que reune as edições de 1 a 8 da revista The Flash logo no comecinho dos Novos 52. O universo Novos 52 cronologicamente começou 1 ano após Flashpoint ( ponto de ignição no Brasil ), saga em que Barry Allen faz o que não deve mexe e no passado pra salvar sua mãe de ser assassinada e faz uma besteirada. Quando finalmente corrige tudo, acaba por criar este universo paralelo conhecido como Os Novos 52. Cabe dizer que Flashpoint é uma obra muito, muito bem feita. Uma das melhores histórias da DC e ela fechou o antigo universo muito bem. E após esta correção toda que Barry conseguiu fazer ao final de Flashpoint, ele precisou Seguir em Frente, que é o que vamos discutir aqui.

E, ao ler, não achei esta saga do Flash ruim, não. Não é boa, mas não é ruim. O que é preciso entender é que personagens da DC ( e até da Marvel ), são antigos. Super-homem faz 80 anos em 2018. Consegue imaginar como deve ser difícil inovar personagens e histórias depois de tantos anos contando histórias sobre eles ? Imagina a dificuldade que é contar algo novo sobre personagens que já existem a uma vida inteira. É preciso realmente mudar, e como sempre, mudanças causam desconforto. E considere que, mesmo no cinema, atualizar é preciso. Os tempos mudam. Comportamentos e a sociedade muda, evolui. Não tem como esperar o “mais do mesmo“. E se você realmente refletir, se fazem o “mais do mesmo“, a gente vai reclamar que não inova. Se fazem mudanças, a gente reclama que “mudou“. Assim, fica difícil, não é ?

Mudanças do Flash

Este Flash é o clássico Barry Allen. Meu preferido. O que me deixou triste durante a leitura da Crise nas Infinitas Terras nos anos 80. E sim, eu comprei nas bancas, um a um. Li crise cronologicamente no seu lançamento no Brasil e ainda tenho os formatinhos depois de todos este anos. E quando o trouxeram de volta na saga Crise Final foi algo curioso. Em os Novos 52 o Flash tem um uniforme levemente diferente, seguindo a linha dos outros personagens, com umas linhas em todo o corpo, que se iluminam enquanto ele corre, e seu uniforme sai de seu anel, mas eu não entendi bem porque saem umas tiras que envolvem o corpo dele e formam a roupa. Mas é HQ, então ok. Isso não incomoda. Assim como umas alterações no Capitão Frio que agora emite seus raios congelantes pelas próprias mãos ou a Iris West não ser mais a Sra. Flash.

A história é boa a muda um pouco a forma como Barry interage com a Força de Aceleração, o campo de onde seus poderem vem. Podemos até dizer que a história gira toda em torno da Força de Aceleração. Como bom “véio“, demorei pra aceitar este lance de haver uma dimensão que fornece poderes pros velocistas e este lance de ele poder acessar este universo e etc é algo muito estranho. Mas como disse, faz parte da evolução dos personagens e precisa ser feito alto pra que eles evoluam, desenvolvam novas histórias e tenham algo novo pro leitor, ao mesmo tempo que atualiza pro publico atual. Super-heróis são pra pre-adolescentes e adolescentes. Então, não sou mais o alvo do publico, né ? Mas irei ler sempre, mesmo assim.

E tudo gira em torno desta nova forma com que Barry descobre que quanto mais usa seus poderes, mas influencia o comportamento da Forca de Aceleração e como esta dimensão influência o mundo.

Manapul e Buccellato

Eu não conhecia Francis Manapul até ler este encadernado e acho que ele faz um bom trabalho. Ele é responsável pelo roteiro junto com o colorista Brian Buccellato. A leitura não cansa, tem uma caminhada interessante e as mudanças deste novo universo tentam dar um novo start no personagem, como a nova namorada Patty Spivot e seu ainda inexistente relacionamento com a Iris. O roteiro tem um lance muito básico. É um cotidiano de um herói, nesta pegada dos anos 2000 em que procura mostrar o lado humano, relacionamentos, divisão da alma entre a vida humana e a heróica. Por mim, a gente só seguiria o lado heróico e pronto. Aliás, tem umas frases e momentos bem heróicos do Flash e eu gosto disso. O traço também é do Manapul e é constante e competente, mas não inova. É um desenhista que faz o básico bem feito. Muito bem feito. Com emoções muito bem transmitidas e no caso de um personagem como o Flash, o movimento, a velocidade são muito bem representadas.

Enfim, recomendo esta leitura de Flash – Seguindo em Frente porque realmente é boa. Não é memorável, mas é uma saga legal de se ler.

Abraços do Quadrinheiro Véio

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