Batman – O Principe Encantado das Trevas – 1 de 2

Batman – O Principe Encantado das Trevas – 1 de 2

Batman !!! Cara, é sempre legal escrever sobre Batman. Ganhei esta edição da minha esposa como presente do Dia dos Namorados e fiquei curioso logo pela capa. Metade de mim eufórico pra abrir e ler logo e a outra metade chateado por ser apenas a primeira parte de duas de uma saga.

A história de Batman – O Principe Encantado das Trevas gira em torno do clássico embate entre o Cavaleiro das Trevas e o Coringa nas ruas sempre noturnas de Gotham. Isso não tem fim, não adianta. A loucura do Coringa fica mais evidenciada e segue uma leitura mais clássica do personagem, em uma Gotham realmente dark e com visual bem barroso.

A narrativa é lenta, profunda, soturna, e muito dentro do que a gente gosta de acompanhar ao ler o Batman. Você só percebe que é uma obra mais atual devido a termos poucos textos e o desenho seguir contando a história. Salvo isso, você se sentiria lendo algo que realmente trouxesse os anos 80 de volta aos quadrinhos, mas na fase boa dos anos 80, com um pouco do drama que os 90’s doaram aos quadrinhos e vc tem uma obra que tem tudo pra ser atemporal e ao mesmo tempo, pode simplesmente passar batido, já que não tem grandeza ( ao menos nesta parte 1 de 2 que eu li ). Prometo que se a história tiver ares épicos ( não em tamanho, mas em ousadia e importancia, eu conto pra você na resenha que eu vou vir a fazer ). 

Na trama, o Coringa sequestra uma menina misteriosa que tem uma conexão secreta com o Batman, o que torna o crime mais pessoal do que se imagina. O vigilante precisa então vasculhar todo o submundo de Gotham atrás do esconderijo onde o palhaço a mantém presa. Em determinado momento a gente percebe que Bruce torna isso pessoal porque um mistério revelado a ele, continua sendo mistério pra gente. O que será que ele descobriu ?

Italiano

O artista que assina a obra inteira é o italiano Enrico Marini. Conhecido por obras européias como Gipsy e Le Scorpion. Não o conhecia antes deste trabalho, mas ele fez tudo, e do modo “antigo“. Escreveu, desenhou, pintou, tudo a mão. É perceptível o quanto isso é legal de ver na obra.

E embora a história em si não seja uma obra prima, a arte faz valer a pena, porque é realmente muito boa. Nada como o bom e velho lápis, papel, pincel e tinta. O equilíbrio do sombras e os olhos expressivos são um diferencial e podemos perceber que não é como os quadrinhos mensais que tem prazo e com isso, as vezes, o desenho perde um pouco. É uma publicação feita pra ser como é e este resultado é notado em cada página.

Batman é… Batman.

Acho que você precisa pesar uma coisa também: Batman é Batman. Se fugir um pouco, não é Batman e quase completando 80 anos de idade, fica difícil inovar um personagem sem ser repetitivo ou fugir do mesmo. Ele é quem é. Portanto se você é leitor antigo como eu e espera uma nova aventura, não é o que vai encontrar. É apenas algo dentro do espirito morcego de ser, fiel sim a isso, mas sem trazer algo novo pra você. Isso é o problema de ler muito, a muito tempo. Alguns personagens acabam engessando porque se não, ele deixa de ser o que foi criado. 

A conclusão ? É uma boa obra. Vai ter quem goste e quem desgoste. Vai ter quem reclame de ser clichê e vai ter quem elogie pelo mesmo motivo. Mas pela arte clássica, já vale o investimento. Isso além da apresentação que a Panini lançou no Brasil, em formato capa dura e tamanho grande. Bem grande, mal cabe na estante. Lindo !

Abraços do Quadrinheiro Véio 

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Triunfo e Tormento – Doutor Estranho e Doutor Destino – oQV

Triunfo e Tormento – Doutor Estranho e Doutor Destino

Olá Quadrinheiro !

Lembro me muito bem quando a série Graphic Marvel começou aqui no Brasil. Era um pouco diferente das Graphic Novels que a gente tinha e era exclusivo da Marvel, e na número 5 veio Doutor Estranho e Doutor Destino: Triunfo e Tormento. Uma das HQ’s mais marcantes da minha vida.

Dor ? Dor é como o amor, como a paixão. É atributo de homens inferiores… o que é a dor para mim ?” 

Esta frase é um dos grandes momentos da revista. Aliás, é de uma época em que tinhamos grandes diálogos, grandes desafios. Uma época mais aventureira. Quando eu comprei a edição na banca em 1991, eu tenho a nítida recordação do impacto que foi ter acesso a algo com tamanha profundidade. Triunfo e Tormento é obra prima. É conceitualmente uma história que toca a sua alma. É mais do que apenas o Dr. Destino finalmente resgatando a alma de sua mãe. E o título é perfeitamente encaixado na história.

Doutores

A história é muito interessante. Tem todos os aspectos místicos que a gente espera de uma boa história sob o tema da magia. Curiosamente, foi meu primeiro contato com uma história do Dr. Destino mostrando seus poderes místicos e isso foi meio surreal. Como um cara com uma armadura super tecnológica pode também dominar o oposto natural ? Isso foi cativante, me deixou muito curioso.

E acho que é este um dos principais pontos de Triunfo e Tormento. A gente fica pegado, curioso. Começa com uma disputa sobre quem se tornaria o mago supremo da Terra. Spoiler: Sim, será o Dr. Estranho. Mas você já sabia disso. ( hehehe ) Esta história pega uma licença poética de mostrar o momento que o Dr. Estranho recebe o título. E além disso, de maneira muito competente, re-apresenta as origens de ambos os personagens sem ser forçado. É contextual, é bem inserido. É parte da história que está sendo contada, e não apenas uma lembrança ou referência.

Depois que se definem os vencedores da disputa do maior mago da Terra, os doutores partem pra dimensão de Mefisto e ali lutam pela alma da cigana mãe de Victor Von Doom. Tem tanto sentimento envolvido e é tudo tão bem encaixado, que ao final, quando é revelado que estava tudo planejado pelo Doutor, você percebe que tem sinais disso durante toda a história e ainda mais, a genialidade que o personagem esconde pra que possa andar livremente.

Tendo envolvido Mefisto, você já tem uma certeza: A história vai envolver muitas reflexões, muitos valores. E, claro, artimanhas. Mefisto é praticamente invencível, então só se vence ele através de suas próprias regras. É um dos maiores personagens da Marvel, não apenas em poder, mas em possibilidades metafóricas. Usar a encarnação do mal do universo como um ser gerado e nutrido pelo ódio é algo que simplesmente pode gerar grandes roteiros. E aqui temos uma das maiores e melhores histórias dele. 

Mas… quem ?

Roger Stern é o roteirista desta história. Ele tem esta característica mais cerebral, filosófica e questionadora. Conduz o roteiro com uma pitada de cinema e sabe deixar a gente entretido. Some a isso um dos maiores artistas de quadrinhos que eu já ví, Mike Mignola e você tem uma história absolutamente épica, visualmente incrível, com todas as ousadias possíveis em uma história que envolve magia e mundos imaginários. Mignola está entre meus prediletos. A primeira revista que li dele foi Odisséia Cósmica e foi apaixonante, tamanha diferença das demais publicações mensais. E ele consegue ir além em Triunfo e Tormento. Mark Badger pinta tudo de maneira sombria, uma pegada meio aquarelada, um dos primeiros trabalhos em HQs com o uso de gradientes, profundidade e uma sensibilidade estética muito bem cuidada.

 

Em 2013, a Panini relançou Triunfo e Tormento em capa dura, papel especial e tudo o mais. Então, você não precisa depender de scan online, pode procurar que encontra por aí nas melhores livrarias !

 

Pro fã de artes místicas, Doutor Estranho e Doutor Destino: Triunfo e Tormento é um deleite. Pra quem apenas curte uma boa história, tenho certeza que vai ficar perplexo. O final surpreende, ousa, e te deixa pensativo. Como uma boa Graphic Novel deve ser.

 

Abraços do Quadrinheiro Véio !

 

Em tempo, visite o canal: O QUADRINHEIRO VÉIO

 

Mulher Maravilha – Sangue – Novos 52

Mulher Maravilha – Sangue – Novos 52

Olá Quadrinheiro.

Pois é, eu sou um daqueles das antigas que não gosta do universo dos Novos 52. Se você acompanha o blog, isso já deve estar se tornando repetitivo, mas como não sei a quanto tempo você me acompanha, acho que é sempre legal abrir assim ( hehehehe ).

Porém, não sou alguém desprovido de bom senso. E quando encontro algo que vale a pena comentar ( pro bem ou pro mal ) me disponho a colocar aqui no blog pra você.

O recomeço da Amazona

Como você bem sabe, após o evento temporal de Flashpoint o universo DC foi reconfigurado. Não acho que foi um problema de execução. Tem histórias muito boas, inclusive este compilado da Mulher Maravilha. Mas as premissas que foram mudadas me incomodaram bastante. Reforço que não sou avesso à mudanças. Vivi muitas delas, inclusive eu já era leitor da era de prata quando Crise nas Infinitas Terras veio pra bagunçar tudo. Mas as alterações de Novos 52 foram tão avessas que a DC precisou concertar ( de novo ) o universo dela porque finalmente os gritos de “PARA QUE TÁ FEIO” foram ouvidos.

Sangue reune as 6 primeiras revistas da Mulher Maravilha em Novos 52. É seu recomeço, sem ser um recomeço. É o início da mudança de um dos principais paradigmas/dogma da heroína e é o grande incomodo ( pra mim ) na personagem nesta fase. Ela deixa de ser criada do barro da ilha paraíso para ser semi-deusa, uma das bastardas do próprio Zeus. E, pra mim, isso é simplesmente intragável. Explico:

Diana tem toda uma mitologia própria. Independente, recebeu dádivas dos deuses sem ser uma filha herdeira de sangue. Sabemos que no universo DC os deuses do Olimpo são super-seres divinos, mas com a mesma pegada mitológica básica. Tem seus prazeres carnais, tem filhos como qualquer mortal. Podem morrer assassinados e tem poderes pessoais distintos. Existe uma hierarquia “celestial”, mas que sua imortalidade se dá pela sua durabilidade.

A história tem até uma boa execução, tem um bom andamento. Mas foge tanto da origem clássica, até mais do que a mudança de George Peres depois de Crise nas Infinitas Terras, que chega a parecer que é uma nova personagem.

Terapia de Choque

Acho que é este o lance que perde tudo. A gente se choca. Aparentemente em algum momento foi decretado que era preciso chocar pra vender mais quadrinhos. Como se tudo precisasse ser assim agora. Não importa se é algo bom, se é algo que vão gostar. Vamos fazer algo que seja inesperado, inédito e chocante. Algo impensável. Vão falar mal, mas vão comprar revistas pra ler e meu título vai vender muito. Só que depois, não se sustenta. A arte se perde. Sabe, a história é boa, a execução é legal. A narrativa é feita direitinho ( também pudera, quadrinhos são feitos assim desde os anos 20, uma hora tinham que desenvolver uma fórmula ) porém quando se muda algo tão essencial, é como se algo precioso se quebrasse. É como se o personagem não fosse bem entendido nem por seus próprios donos. 

Nestas horas me recordo do Flash de uniforme preto com as pernas de fora em “Cavaleiro das Trevas 2“: Jovens, não sabem diferenciar o antigo do clássico. É como me senti em relação a muitas das mudanças de novos 52. Principalmente a mudança da cuequinha do Super-homem. Aquilo é clássico, não antigo. Este é meu ponto, esta é a minha principal queixa com esta fase da Mulher Maravilha pós-Flashpoint. É como se fosse ela e não fosse ela ao mesmo tempo.

Mas… eu li !

É, eu li. Peguei uma promoção na livraria e este compilado finalmente veio pra casa comigo. E é com te disse, a história é boa, é interessante. Embora sua origem de nascença tenha sido alterada, se a gente não der importância demais a isso, e se você não conhecesse a história pregressa dela, é possível gostar da idéia proposta. E é esta a proposta da DC com Novos 52. É um novo mundo, novas origens, novas histórias. E dentro deste contexto, eu gostei. A introdução de novos personagens, novos semi-deuses. Não tem problema nisso. Mas alterar a Diana, de novo ? OMZ… não precisava, DC. E agora, o cinema imortalizou esta origem divina. Adoro o filme, mas é horrível quando algo que a gente conhece a 30 anos muda do nada e é “ok”.

Uniforme prata ? hummm… sei não.

À frente dos roteiros está o excelente Brian Azzarello. Eu não gosto de tudo dele, mas gosto da maior parte do que ele escreve. 100 Balas é um exemplo do que ele tem de excelente. Cavaleiro das Trevas 3, embora ele esteja mais como uma “garantia de qualidade” pra garantir algo bom depois de DK II ter sido complicada pra editora, Brian tem uma forma única de narrar o equilíbrio feminino de uma Amazona. Gosto do jeito de ele escrever, da forma que narra. Só me incomoda mesmo a natureza essencial alterada na personagem. Mas seu poder de contar uma história é sim, muito bom.

Cliff Chiang e Tony Akins assumem os traços. Gostei muito do estilo do Chiang, mas a pegada mais artística do Akins me gritou mais aos olhos. E, embora a alteração do uniforme da Diana tenha me incomodado muito quando a vejo sozinha, não me atrapalhou na leitura. Eu gosto dela dourada. A troca dos detalhes dourados pelos prateados me faz sentir que ela foi rebaixada de alguma forma. Os outros visuais atualizados ficaram bonitos. Hipólita, Hermes, Apolo, Poseidon ( cara, que criatura mais louca que ele está usando como aparência ), Hades e Discórdia. Ficaram excepcionais, lindos e condizentes.

Sei que parece ter muita implicância minha aí, tem sim. Tem a nostalgia, tem a rabugisse de quem conhece a personagem a mais de 35 anos. Em minha defesa digo que consigo separar. E de alguma forma, e em alguns aspectos, gosto do que eu lí.

Heroína

Diana sempre foi uma “deusa” entro os homens. Esta fase veio apenas oficializar isso. Quero ler o restante ainda. Preciso saber como tudo vai caminhar e pra onde ela vai depois deste trauma enorme que é descobrir que sua origem é uma mentira. Aliás, eu achei que ela aceitou isso rápido demais. É como se fosse assim: “Agora é isso, ok ? Simbora, engole o choro.“. A sensação é que ela está tão habituada a mudanças, que esta foi apenas mais uma, durou 20 quadrinhos e já segue como se isso não fosse nada.

Histórias assim apenas confirmam mais ainda que Novos 52 não é pra mim, mas que como bom fã da DC Comics, invariavelmente, lerei em breve. Afinal, Rebirth veio pra redimir as besteiras desta fase, que de tão ruim, durou pouco e precisou de um reboot muito antes do normal.

O legal é ter estes encadernados, conhecidos como paperback nos EUA. Acho que a Panini teve uma idéia muito boa ao reunir em capa dura especial as sagas de cada personagem e nos dar novo acesso. Além disso, fica lindo na prateleira.

Se recomendo ? Sim. Claro. Vale ler. É competente. Eu apenas não gostei, mas não acho que é ruim.

Abraços do Quadrinheiro Véio.

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Mulher Maravilha Sangue

Mulher Maravilha Sangue

Mulher Maravilha Sangue

Mulher Maravilha Sangue

Mulher Maravilha Sangue

 

Astronauta – Magnetar

Astronauta – Magnetar

Olá Quadrinheiro.

downloadTem uma linha de publicações da Panini e da Maurício de Sousa Produções que é chamada de Graphic MSP. Não sei se todo mundo conhece, mas basicamente ele convida artistas diversos para produzir Graphic Novels com seus personagens. Eu acho a idéia simplesmente genial ! Acho que todo mundo hoje, todo jovem e até alguns adultos com mais de 50 anos, conhece e cresceu lendo a turma da Monica. Então, é natural que pra todo artista brasileiro estes personagens sejam referencia. Pra muitos, o primeiro contato com quadrinhos, quiça onde aprenderam a ler.

Quando eu soube deste lançamento eu me balancei comprei alguns. O primeiro que eu li foi “Pavor Espaciar” do Chico Bento ( leia aqui a resenha ). Agora venho te falar da excelente MAGNETAR, estrelada pelo Astronauta.

gmsp1A gente cresce lendo a turminha principal. É normal a gente ler a Monica, Cebolinha, Cascão e Magali. Depois tem os personagens mais eventuais, como Franjinha, Bidu e demais co-adjuvantes. Com alguma sorte, sempre tem alguma do Bugu, Louco, Mingau, turma do Penadinho e do Astronauta. O Astronauta foi a resposta do Maurício de Sousa nos anos 60 aos quadrinhos de ação americanos, e também uma forma de poder expressar pensamentos filosóficos enquanto seu explorador singrava o espaço infinito em busca de aventuras, ao mesmo tempo que sentia uma saudade danada de casa. Enquanto ele poderia expressar os pensamentos mais profundos através do dinossaurinho Horácio, era através do Astronauta Pereira, membro da BRASA ( Brasileiros Astronautas ), ele ele filosofava sobre a vida e motivações para se manter focado perante a solidão.

Sem títulogrt2Magnetar é um pouco disso também, é a releitura de Danilo Beyruth sobre um herói que singra o espaço solitário e acaba se vendo preso a um mundo inóspito, cujas comunicações não conseguem escapar ao campo magnético fortíssimo. Ao mesmo tempo que tem aquela referencia ao Astronauta original, Beyruth solta a criatividade e converte nosso herói brasileiro em um típico quadrinho estilo americano, adulto, profundo, questionador, sobrevivente. É muito bem produzida, bem desenhada, com texto muito bem escrito. Uma HQ que consegue te deixar desesperado e mesmo sabendo que o herói deve sobreviver ao final do livro, você fica o tempo todo com medo de que ele não consiga. Porque tudo é no limite da sobrevivência.

E a vida é frágil demais. Se aqui dentro do nosso ecossistema já é deste jeito, imagine no espaço ? Onde qualquer erro é totalmente fatal. Isso tudo é aliado à conceitos pseudo-científicos deliciosos que servem de pano de fundo apenas para levar o leitor  a questionar dentro de si mesmo o que faria no lugar do “naufragado” explorador que deixou-se levar pelo maravilhamento de um magnetar

Danilo Beyruth - Astronauta, Magnetar 2Magnetar é sobre solidão, sobre naufrágio, sobre como se virar pra sobreviver e escapar. Sobre entender seus valores, buscar dentro de si uma razão pra não se entregar. Encontrar razões que façam valer o esforço de não apenas permitir o cessar da sua vida, da sua existência. O resgate do “eu” mais íntimo de uma pessoa, em seu entendimento. Quando todo o esforço pra viver se torna tão grande que é preciso encontrar no âmago de sua alma a resposta da pergunta: ” O que poderia fazer valer todo o trabalho e esforço necessários pra eu sair daqui ?”. Quando se está sozinho, a mente é a única companhia. E a mente criativa pode ser um grande monstro dependendo da sua tendência psicológica. Lutar contra a loucura e o desespero é o que faz o mais equilibrado dos humanos ser colocado a prova.

Magnetar de Danilo Beyruth é isso. Isso e mais um pouco.

Recomendo a leitura.

Abraços do Quadrinheiro Véio !

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Marvel Origens – A Década de 1960

Origens Marvel – A Década de 1960.

Olá Quadrinheiro,

decada-de-60-09233067d7a5151e9c22923f64560751-480-0O post de hoje é sobre um dos volumes da Coleção Oficial de Graphic Novels da Salvat, e justamente a edição Clássicos I, que em sua composição reune com qualidade 10 origens dos personagens Marvel que surgiram nos anos 60. Vale ressaltar a qualidade das publicações. Eu realmente ainda me surpreendo com os dias atuais, em que edições com este nível chega em nossas casas.

Em minha infância a gente acompanhava as edições naquele tamanho pequeno, o conhecido “formatinho“, que todo mundo fala mal. Mas quem cresceu lendo as “revistinhas” da Ebal e Abril tem muita gratidão por ter tido acesso, mesmo com papel esquisito e algumas mudanças do enquadramento. Afinal, quando a gente é criança, o que vale é a história. Adulto chato é que fica preocupado com o papel, no final das contas é a viagem proporcionada o que realmente conta.

022d79fecfb6face6624d58df5b9a972Cabe até um adendo: As histórias pré anos 90 tinham mais texto, mais narrativa. Os anos 90 foram uma grande transição, onde os quadrinhos começaram a ter o foco principal pra parte visual. Não é a toa que cada quadrinho parecia um pôster e os roteiros foram muito sofríveis. Talvez por isso que a qualidade do papel e da revista em geral, formato maior e como o original tenha precisado ir pra patamares melhores. Acho que agora estamos começando a chegar em um equilíbrio.

Mas retomando o assunto do post, este encadernado tem as origens de: Quarteto Fantástico (Fantastic Four 1), Homem-Aranha (Amazing Fantasy 15), Hulk (Incredible Hulk 1), Demolidor (Daredevil 1), Homem de Ferro (Tales of Suspense 39), X-Men (Uncanny X-Men 1), Vingadores (Avengers 1), Capitão América na era moderna (Avengers 4), Homem-Formiga (Tales to Astonishing 27) e Vespa (Tales to Astonishing 44).

Tudo se resume à emoção.

rsz_untitled-8000000-620x915Não tem sentido algum eu falar pra você sobre cada uma das edições que compõe o livro. Provavelmente você já leu ou já conhece o que está nestas histórias. Afinal, se você está aqui neste blog, é fã de quadrinhos como eu, ou até mais fã. Mas vou compartilhar um pouco do sentimento. O sentimento de ler isso tudo ( no meu caso, reler ).

Histórias em quadrinhos fazem parte de toda a minha vida. Ganhei minha primeira HQ aos 6 anos, e eu já lia fluentemente. Eu praticamente não sei o que é a vida sem HQ’s. Quando eu tive acesso as histórias desta edição, um bom tempo depois, e claro, não ao mesmo tempo, era em algum extra em alguma revista. Era muito raro ter re-publicações, não havia internet, o acesso era muito limitado.

As redes sociais eram a escola ou os amigos dos parentes. Era muita sorte conhecer alguém que tivesse alguma revista que você queria ler, e mais sorte ainda se esta pessoa emprestasse pra você. A gente tinha que ficar esperto nas sessões de cartas, onde os editores respondiam as duvidas e curiosidades dos leitores. Ou quando alguma origem era recontada ou referenciada em alguma outra história. Sinta-se privilegiado por poder ler isso com tanta facilidade nos dias de hoje. Aliás, hoje em dia o problema é outro. Se nos anos 80 nosso problema era a falta de acesso, hoje em dia não temos todo o tempo que precisamos pra ler tudo o que chega facilmente as nossas mãos.

Uma época emergente

antmanwithantsA inocência e o sensacionalismo imperam nestes quadrinhos. O que era tido como o “supra sumo“, ou “excelsior” nos anos 60/70 era o quanto era grandioso imaginar aqueles seres e aqueles poderes. Stan Lee não poupa frases de efeito, como: “Metade homem, metade monstro, o poderoso Hulk emerge da noite para ocupar seu lugar entre os mais estupendos personagens de todos os tempos!“. Era uma época de novidades. Os personagens sensacionais existiam em livros clássicos. Monstros sensacionais como o Monstro de Frankenstein, Drácula, Lobisomem, Múmia, Zumbis, etc… povoavam as mentes.

AF15P07Mesmo a DC Comics tendo vindo antes, não preenchia uma lacuna que espertamente o visionário Stan Lee percebeu e preencheu. Inspirado no Dr. Jekyll / Mr. Hyde de o Médico o Monstro, aparecia o Hulk. O super-soldado americano que se sacrificou na guerra reaparece congelado. A ciência e a radiatividade trazendo grandes avanços e inseguranças, principalmente com a bomba atômica e a radiatividade inspirando a criação dos 4 Fantásticos, do Demolidor, do Cabeça de Teia e até do próprio Hulk. Os avanços da medicina criando o casal da Formiga e da Vespa. A tecnologia avançada de uma super-armadura no Invencível Homem de Ferro ao mesmo tempo que uma inspiração para trazer a tona a percepção do preconceito racial foi a tônica principal para a criação dos mutantes X-Men.

Toda inspiração de Stan Lee, veio de sua percepção de gerar de alguma forma, uma identificação entre os personagens e seus leitores. Suportado completamente pelos fatos mais atuais da época, em que as pessoas tinha acesso apenas pelos jornais e da recém criada televisão, que poucos tinham acesso, este gênio saiu criando ( ou re-criando ) muitos e muitos seres incríveis e inspiradores.

O traço de Jack Kirby, Steve Ditko e companhia é uma delicia de ver. São os pais do movimento, da fluidez. O pensamento não era sobre a beleza, mas em contar a história. Hoje em dia eu percebo que os desenhistas praticamente fazer uma capa por quadro… é muita pose e pouco movimento. Bem diferente do original. Não acho que algo seja ruim, é apenas diferente.

Apenas por um segundo.

tumblr_nnj5em2eaT1qc8b0ao6_1280Meu convite a você, amigo que acompanha este blog, não é na história pela história. Mas a um exercício de transporte da sua mente. Faça uma pequena dinâmica, se imagine sendo um jovem leitor de “comics” nos Estados Unidos dos anos 60. Localize-se temporalmente. Transporte-se pra lá. Imagine como seria ler uma revista em quadrinhos como estas, quando os Westerns e Contos de Terror dominavam as bancas, e uma nova área se expandiu.

A DC Comics estava recentemente retornando de seu hiato temporal, iniciando sua conhecida era de prata dos quadrinhos. Renovando os clássicos Super-Homem, Flash, Mulher Maravilha, Batman, Lanterna Verde e criando novos heróis. Cada vez mais e mais inspiradores e incrivelmente superiores aos outros mortais do planeta. Enquanto a Marvel chegava com heróis adolescentes, onde a identificação imperava. Inspiração e identificação. Esta é pra mim a principal diferença entre Marvel e DC. E, por favor, você não precisa escolher uma.

À você é dada a dádiva de ler e curtir ambas. Que grande época pra se gostar de Super-heróis. Quanto entretenimento temos, não é ? Como pode ver, uma longa caminhada aconteceu entre o surgimento dos personagens, seu amadurecimento, até chegar aos cinemas do mundo todo. Se tornaram conhecidos, reconhecidos e amados por pessoas de todo o globo. Sempre somos e seremos carentes de salvadores, seja alguém que nos inspire a sermos melhores, seja pra nos fazer perceber que já somos.

Esta edição não traz a origem do Thor e do Doutor Estranho, me parece que ela virá em outra edição da mesma coleção. Segue a galeria de capas ao final deste texto.

Saudosamente me despeço.

Grande abraço do Quadrinheiro Véio !

PS: Conhece o Canal do YouTube ? Passa lá: www.youtube.com/oquadrinheiroveio

Origens Marvel

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A Ascensão de Thanos

A Ascensão de Thanos.

Olá Quadrinheiro !

Ascensão de ThanosNaturalmente que hoje em dia, com a alta dos filmes de heróis nos cinemas e após 3 aparições no universo cinematográfico Marvel, poucos não sabem quem é a figura de Thanos. E creio que após os 2 últimos filmes dos Vingadores, a percepção deste vilão vai se consolidar como a do filme, assim como por muitos anos o Super-homem de Richard Donner, interpretado por Christopher Reeve definiu o kryptoniano nos anos seguintes, já que poucos liam HQs naquela época. E naturalmente isso se repete nos dias de hoje com os filmes Marvel que vieram a partir de Homem de Ferro, que foi um tremendo filme e conseguiu abrir a porta pra personagens que até então eram considerados medianos ( e por alguns até ruins ), conseguirem fazer fama e fortuna para a editora, agora também estudio de cinema. E não é algo mágico como as coisas acontecem ? Sei que isso mereceria um post só pra ele, mas pense como seria caso a Sony e a Fox não tivessem comprado da Ascensão de ThanosMarvel os direitos dos personagens pro cinema no final dos anos 90 e a Marvel tivesse, de fato, ido a falência. Foi o momento da reviravolta da editora, que a valorizou e acabou sendo comprada pela Disney e é hoje uma das mais rentáveis empresas do mundo. Claro que uma coisa não justifica ou compensa a outra, mas as pessoas deveriam levar isso  em consideração antes de malhar os filmes do Homem-aranha, Quarteto Fantástico e X-Men. Embora nos dias de hoje, o cinema esteja focado na turminha dos Vingadores, os verdadeiros ovos de ouro da editora só não foram usados porque seus direitos estavam comprometidos. Ou seja, se não fosse a Sony e a Fox, não teríamos Homem de Ferro, Thor, Capitão e etc tão cedo nas telas. Mais uma razão para sermos gratos.

Ascensão de ThanosRetomando o assunto do post de hoje, sobre esta edição encadernada “A Ascensão de Thanos”. Apenas uma curiosidade que provavelmente você já saiba, mas seu nome, Thanos, provavelmente vem do da personificação dos antigos gregos para a morte, Thanatos. Que era filho de Nix ( a noite primordial e também o feminino não luminoso ) e de Érebo, a escuridão primaria, mais precisamente o criador das Trevas. Então, Thanos por si já denota uma ligação com a morte. Aliás, a ligação do povo de Titã com a cultura da Grécia antiga é bem curiosa, já que seu irmão tem o nome de Eros, o deus grego do amor, filho de Afrodite e Hefeso. Na mitologia grega o irmão gêmeo de Thanatos é Hipnos, personificação do sono. Pra eles, a morte e o sono eram a mesma coisa, em intensidades diferentes. Sobre a HQ, eu realmente não sei o que dizer. Eu não sei se gostei ou não gostei. Como já comentei em outros posts da mesma linha de edições especiais de vilões como Dr. OctopusCaveira Vermelha e Dr. Destino, eu não sou fã de humanizações de vilões loucos. Esta mania de tornar humano os vilões clássicos, de dar um motivo para a maldade deles, de justificar é algo completamente desnecessário e, porque não dizer, não humano. Quem pensa em que motivos levou aquele moleque a te roubar o relógio na rua, ou aquele ladrão rouba seu carro na porta de uma igreja quando você esta saindo na Ascensão de Thanoschuva com seu bebê de colo ? Pra mim, humanizar personagens é a mesma cagada que George Lucas fez em Special Edition de fazer o Greedo atirar primeiro ou em “The Phantom Menace”, explicar a Força com Midi-chloreans. São respostas a perguntas que ninguém fez ( ódio mortal disso ). E nesta edição de Thanos é o que acontece. Mais uma vez, criatividade a serviço de vendas e não da arte. Quem leu as primeiras histórias do Thanos sabe do que estou falando. Ele era louco e pronto. Mas era mais plausível ele ser louco por ser louco do que uma suposta e inexplicável possível esquizofrenia, como deixa a entender nesta edição. Ela não deixa claro se ele realmente conversa com a entidade morte ou se ela é apenas criação da cabeça de um lunático mutante, cuja mutação pode não ter sido apenas no corpo, mas além da genialidade mental, pode ter vindo junto esta loucura esquizo. Vai saber… Dizem que esta série sobre os vilões não é canônica. E eu desejo que não seja mesmo.

Ascensão de ThanosA Ascensão de Thanos, o Titã louco tem um pouco de cada coisa que o personagem veio mostrando em suas historias ao longo de toda sua história. Começa em seu nascimento, e vai se conduzindo como todas as edições anteriores a ela, seu crescimento, sua formação moral, seus atos principais e tudo que o definiu como é, até o momento culminante que é a destruição da vida em seu planeta natal. Muito drama, diálogos bem legais e algumas referências a outras histórias dele que viriam posteriormente. É uma edição desnecessária, mas bem feita. Uma mini-série com ares de Graphic Novel, é o que este encadernado reune. Tem seu enredo girando em torno da sedução. Este seria o principal sentimento e o que incomoda um pouco quando se fala de um vilão que foi concebido como um genocida cósmico é a aparente manipulação do personagem. Esta mania de colocar vilões como ele em posição de vítima me incomoda em absurdo. Disse a cima que a historia não define se ele é esquizofrênico ou se a Morte realmente existe. No primeiro caso, se trata de uma doença e não é culpa dele. E no segundo caso, se a morte realmente existe, ele foi manipulado por ela desde criança, o que também tira a culpa dele. Poxa, que saco ! Deixa o cara ser mal porque ele quer ! rs…. que cansativo !

Ascensão de ThanosO roteiro é de Jason Aaron, que eu não me lembro de já ter lido algo dele antes. Não me entenda mal agora. Ele escreve bem, ele é bom, é criativo. Seria muito legal se não fosse o Thanos, e sim algum outro personagem. O roteiro é conciso, bem escrito, com ritmo certo pra uma biografia. Só não precisava ser o Thanos. Quem desenha a Ascenção de Thanos é Simone Bianchi e Riccardo Pieruccini. Bons desenhistas, sabem dar o tom certo e o clima de Graphic Novel vem do traço da HQ. O tom é épico, e o emocional dos rostos fica muito claro, perceptível. Odeio ter dó de vilão ! E o conjunto da obra fez isso. As cores são muito boas, gosto deste clima escuro, com uma pegada aquarela nos quadros de página inteira. Sombreados bem legais.

Ascensão de ThanosUma última curiosidade é que esta edição tem páginas com o Marvel AR, que é a realidade aumentada que você pode ver com um aplicativo de celular especial. Só que a Panini esqueceu de dizer que este app só funciona até 3 meses após a publicação da revista nos EUA e o papel brasileiro não funciona também. E aí, você fica que nem um idiota tentando usar algo que não te avisaram que não funciona. Então amigo(a), nem tente.

Bom, é isso, espero que tenha gostado da resenha. Ficou um pouco longa, mas acho que passei a minha percepção.

Se você curte uma boa biografia, leia. Se curte o Thanos mas não teme que a imagem que você tinha de vilão do mal dele se desfaça, leia. Se não curte, nada disso, passe longe.

Abraços do Quadrinheiro Véio !

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Wolverine Origem

Olá Quadrinheiro !! Wolverine Origem

wolverine origemObrigado por ter a oportunidade de dividir com você a minha percepção sobre minhas leituras. Sei que leio muito de tudo a muito tempo, mas nem por isso consigo acompanhar tudo que é lançado. Mesmo assim, vou procurar sempre que possível, narrar aqui esta “paixão” que sinto pelos heróis. E a “bola” da vez é o mutante atarracado canadense, que teve a sua origem relevada em Wolverine Origem. A edição que irei comentar aqui no blog hoje é a que eu li na Coleção Oficial de Graphic Novels da Editora Salvat. Coleção esta que eu recomendo fortemente, pela qualidade e seriedade que a editora já demonstrou ter pelos seus clientes. ( Lembrando que esta editora não me paga UM CENTAVO sequer pra falar bem dela… mas bem que poderia me mandar umas edições para analisar… hehehe )

Wolverine Origem é desnecessária. Sério, na boa. Poderia ser um “What if” semwolverine origem maiores dores na consciência. É que nem Midi Chlorians em Guerra nas Estrelas ( Star Wars ). Vem pra responder uma pergunta que ninguém ousava fazer em voz alta, por medo de alguém tentar responder e falar alguma besteira. Pois é… alguém foi lá e fez. Sei que isso parece coisa de velho ranzinza e entendo que comercialmente algumas coisas são necessárias. É que na opinião deste “Véio que vos escreve“, a arte e narrativa sempre estarão na frente. E colocar isso como obra definitiva não quer dizer que é boa. Ter sido a revista mais vendida de 2003 não significa que seja algo bom, significa apenas que muita gente tinha curiosidade. A coisa é tão “estranha” que pouco se comenta sobre ela. Passa batido… origem que não precisava ser explicada. ( repito tantas vezes a mesma coisa, em palavras diferentes, que aposto que você está se sentindo lendo a um verbete do Aurélio ). E o Véio rabugento ataca novamente !! hahaha

Vamos lá, pode ser que apareçam alguns Spoilers durante o texto a seguir, ok ? Leia por sua conta e risco.

4cb1054d599fcA historia começa na infância do Logan e é dado a ele o nome de James. Tipo… James. Um garoto super bem cuidado, com uma infância feliz e alegre, superprotegido pelo pai e filho de uma mãe maluca. No meio do caminho, acontece uma tragédia entre ele e o filho do Jardineiro, este sim de nome Logan e o nosso herói acaba o matando com suas recém descobertas garras de ossos. Até aqui vemos que tudo vai se apoiando em uma historia mediana em cima da outra. Primeiro ao se apoiar na descoberta de que o Wolverine já tinha garras de ossos quando foi colocado o Adamantium, conforme foi revelado logo após o Magneto tirar o Adamantium dele em Fatal Atractions. Quando a gente vai ficando mais velho e de repente alguém vai lá e muda todo um passado de um personagem que você le a mais de 10 anos causa sim alguma estranheza pra se adaptar. Até este episódio da perda do Adamantium, era sabido que o Carcaju havia recebido aswolverine origem garras pela ciência no momento do implante do Adamantium. E de repente, ele descobre que tem ossos em forma de garras. Até aí, ok. Eu posso não ter gostado, mas entendo que estas adaptações fazem parte de uma linha editorial que precisa inovar e reinventar o personagem o tempo todo para garantir mais e mais vendas e a editora sobreviver… mas ainda assim, acho que ficar mudando origem é muito forte e pode macular essencialmente um determinado herói. Wolverine é mais forte do que seus editores, já que sobrevive a isso. Logo vemos que seu fator de cura vai além do corpo e se estende as HQs. Alguns personagens parecem sobreviver da consideração dos leitores que o conhecem de muito tempo. Porque ultimamente anda difícil dizer que o Wolverine é um personagem foda muito bom, lendo os materiais atuais e dos últimos anos. Isso é uma pena… me faz temer pelo futuro do mesmo. A revista atual dele em Marvel Now! está muito lixo, fraca demais… boba demais. Será que as editoras pensam que os novos leitores são tão superficiais e bobos como os argumentos atuais sugerem ? Viu como estou ficando ranzinza ?

4cbf36c9234cdEm seguida nosso amigo foge e vemos uma mudança sem explicação, daquela criança frágil e medrosa se tornando o “bicho bravo” que é hoje. A gente fica sem entender se é por instinto ou outro motivo, já que o simples fato de apanhar de um gordão o tempo todo na revista não me parece algo que faria este efeito. O mesmo quando ele começa a viver mais com lobos do que com as pessoas. Acho que deve ser pelo instinto mutante dele, por ser mais fera que homem em alguns momentos. Mas a meu ver não se justifica a mudança assim, apenas por acontecer. Entretanto, após um começo que eu não gostei muito e um “meio” morno, temos uma sequencia no final que faz valer a compra da edição. Não pelo seu fator histórico canônico, que isso é ruim mesmo, mas pela historia pela historia.

Acho que a parte psicológica ficou muito fraca… não convence. O personagem quewolverine origem conheci nos anos 80/90 era mais forte e menos traumatizado. O Wolverine de “Origem” é muito frágil e até meio burro. Não diria nem inocente, mas muito manipulável e traumatizável demais. Você pode até dizer que é porque era ele no começo da vida, ainda não tinha toda a vivencia que ele tem mais adiante na vida, que é uma historia de origem, que vem humanizar o personagem, mas ainda assim eu te digo que historias de super-heróis precisam ser mais heroicas e menos “novela das oito“. Deixem as humanizações para os filmes e séries, nas HQ’s coloque heroismo do bom e do melhor. É o que eu digo… rs… Parece algo meio inflexível e exagerado, mas se você retornar e pensar em todas as HQ’s que você realmente gostou em todos os anos anteriores ao meio dos anos 90, vai perceber o que estou dizendo. E vai perceber que os grandes clássicos estão neste período também. Alguns personagens que são introduzidos parecem interessantes, como o Cão ( que lembra bem o Dentes de Sabre ) e seu pai Logan ( a-ha !! Eis de onde veio o nome que Wolverine adotou pra si, com um motivo bem esdrúxulo), que até fica meio “subentendido”que estava de caso com a mãe do garoto e é sem pinta de dúvida seu pai verdadeiro, a julgar pelo cabelo. Não adianta brigar comigo, eu avisei lá em cima que haveria spoilers aqui.

O traço é bom, Andy Kubert é um grande desenhista e sabe colocar emoção nos quadros. Basta analisar os olhares dos personagens, as posições de “câmera“, o movimento das lutas e a intensidade com que faz a gente sentir as “porradas”. Parece mesmo que estão doendo pra valer. Toda a coloração é como uma pintura, com sombras, nuances que lembram mesmo aquarela e traços de lápis de cor. Bonito de se ver, agradável de ler. Richard Isanove ( dito cujo que eu nunca havia ouvido falar ) é quem assina a pintura digital da edição. O roteiro é do Paul Jenkins que pra mim ficará marcado como ” O-cara-que-contou-a-historia-que-ninguém-precisava-saber-e-ainda-fez-mal-feita“.

Apesar dos pesares, recomendo a leitura. Acho que se você é fã do Wolverine, deve saber apagar da sua cabeça esta Wolverine Origem e ainda assim conseguir ser feliz.

No próximo post eu comendo sobre a continuação desta historia, muito mais bem escrita, em Wolverine Origem II.

Abraço do Quadrinheiro Véio !

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Homem-Aranha – Azul

Homem-Aranha Azul… Esta edição me deixou, literalmente, in blue…

A vida é tão corrida e tão “cheia” de coisas que as vezes nos esquecemos de nossa essência.fb_marvel-67376_0
Toda a minha vida fui leitor de HQ. Desde que me lembro leio histórias inspiradoras que me ajudaram a formar minha personalidade e o primeiro que conheci foi o Homem-Aranha.
Minha gratidão a ele não tem preço e li tanto deste herói que pra mim é como se fosse um dos meus melhores amigos. E se pensar bem, ele é. Já que está na minha vida desde meus 6 anos de idade, né … ?
Ler este livro hoje me fez sentir uma emoção sem igual. Chorei no final. Chorei sentido, junto com ele. Eu estava “in blue” . É uma homenagem à um personagem tão incrível e mesmo até hoje, que eu leio e li de todos os outros, ele ainda é o maior deles. Pela humanidade que apresenta.

Pode ser que tenha alguns “spoilers” no texto, ok ? Eu tento evitar, mas as vezes passa algo e não quero que brigue comigo por isso.

Homem Aranha AzulEm Homem-Aranha Azul, temos um Peter Parker se permitindo uma fragilidade que vemos pouco nele. Embora ele seja sempre uma pessoa mais emocional do que racional, tenha um caráter “meio” depressivo, momentos totalmente reflexivos, melancólicos como o desta edição, acontecem raramente.

E a condução desta narração é feita por ele mesmo. Nas 6 edições de Spider-Man Blue que estão reunidas na edição que eu li da Coleção Oficial de Graphic Novels da Marvel pela Editora Salvat, temos uma condução 100% emocional. É a historia por trás da historia, sabe ? É o Peter Parker conhecendo e se apaixonando pela Gwen Stacy. É um outro ponto de vista sobre uma historia que todos amamos, sobre o começo de um clássico super-herói numa época mais simples, mais honesta, mais humana.

Quer o Duende Verde Original ? Tem !Homem Aranha Azul

Quer o Rino ? Tem… Doc Oc ? Tem… rs… Quer o Abutre ? Kraven ? Flash Thompson ? MJ? O Lagarto ? Todo mundo aí ! Eu adoro estes momentos que mostram a “mente” dos personagens e não os fatos externos. Gosto de saber o que eles pensam e sentem. Como eles se percebem, como eles se estruturaram mental/emocionalmente para se tornarem os heróis que vieram a se tornar. A jornada do herói segue uma mesma estrutura, mas o detalhe, o caminho mental, é distinto para cada um. Seja o Super-homem ou o Batman… Seja o Hulk ou o amigão da vizinhança, é sempre o detalhe que os diferencia, no seu comportamento, no seu “eu” profundo. Na auto imagem que ele faz de si mesmo. Acho que é um pouco aquele lance do “cada um sabe a dor e o prazer de ser quem é”. Rever tudo do ponto de vista do Peter, desde as paqueras as batalhas, principalmente o lado mais Homem e menos Aranha, é muito bonito.

Homem Aranha AzulVocê já se perguntou o motivo de o Homem-Aranha ser o mais famoso e mais celebrado herói da Marvel ? Pode ser que por uma coincidência do destino, ele não seja o seu preferido, mas ele é o preferido de uma grande maioria dos leitores. Claro que muita coisa mudou com os filmes, principalmente a partir de Homem-de-Ferro nos cinemas, em que a Marvel conseguiu dar popularidade ao segundo escalão dos heróis da editora, mas nem sempre foi assim. Em outros posts eu comento mais sobre este “time B” de heróis da Marvel, como os Vingadores e cia… Na minha época de adolescente, Vingadores não chegava nem perto de um Quarteto Fantástico, quanto mais dos X-Men. Mas ele é o favorito pela sua humanidade, por ser como nós. E por nos inspirar a ser um pouco mais, mesmo que ao tentar fazer tudo certo, a recompensa não seja a que esperamos e mesmo assim, queremos acreditar e seguir em frente. Ele mostra o tempo todo que responsabilidade não tem a ver com recompensa, mas com fazer o que é certo.
Por isso, minha gratidão de hoje é a um mundo que eu vivo e que existe o Homem-Aranha nele ! Mesmo que apenas no mundo das idéias.Homem Aranha Azul

O desenho é de Tim Sale. Uma obra prima… traços simples, fortes, uma mão firme que ao mesmo tempo que procura ser fiel a anatomia, deixa claro que é uma HQ. Olhos que transmitem sentimentos reais, quentes, profundos…  É só dar uma olhada nos desenhos do Duende Verde pra perceber a loucura e a raiva no olhar. Perspectivas bem feitas e as cores bem duras, claras, sem a pretensão de parecer uma pintura. Mais uma homenagem dos artistas, que no caso das cores é o Steve Buccellato. O roteiro de Jeph Loeb é conciso e como já disse, emocional. Ele sabe dar o toque perfeito nos diálogos. E a escolha desta época, de um momento tão marcante nas HQs, que é o lamentar da morte de uma personagem, simbolizando toda uma perda de inocência, já que uma personagem principal, talvez uma das maiores influencias do personagem, veio a quebrar e mudar os rumos da própria condução das historias que viriam a seguir. E o mais bonito, nesta HQ, embora o tempo todo a gente perceba a saudade na narração, é contada a historia da conquista e não da perda. A ultima frase da MJ na revista é de fazer a gente chorar de soluçar de tamanha humanidade… e amor.

Homem Aranha Azul

Bom, acho que já escrevi muito. Leia Homem-Aranha Azul. Vale cada centavo. Aliás, vale até mais ! E gostaria de saber o que você achou, por isso, deixe seu comentário !

Grande Abraço do Quadrinheiro Véio !

Homem Aranha Azul

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Quarteto Fantástico – Inconcebível

Olá Quadrinheiros !
Mais uma vez quero agradecer as visitas de vocês, aos comentários e os compartilhamentos lá no facebook e no Youtube. É gratificante, de verdade.Quarteto Fantastico Inconcebivel
 
Neste post de hoje falarei sobre mais um volume da Coleção Oficial de Graphic Novels Marvel da Editora Salvat. E mais uma vez com minha equipe de heróis preferida: Quarteto Fantástico – Inconcebível. Esta edição reúne as edições 67-70 de Fantastic Four v3 e 500-502 de Fantastic Four v1, publicada originalmente em 2003.
Esta edição é fantástica ( perdoe o trocadilho… hehehe ). É uma história densa, pesada. Fazia tempo que não lia algo tão forte, tão impensável. O conjunto emocional desta edição é tão forte, que a gente fica meio impressionado um tempo. Pelo lado do tamanho da maldade e do desejo de vingança do Dr. Destino. E pelo outro, a importância da família para o Quarteto. Isso fica visível o tempo todo. 
Eu comecei a ler o Quarteto Fantástico lá no começo dos anos 80, na revista do Homem-Aranha. Aliás, recomendo muito esta fase deles, pois é apaixonante. E uma característica marcante da equipe é que eles não são heróis, eles são cientistas. E antes disso, maior do que tudo, são uma família. Quando eu comecei a ler a Susie e o Reed ainda não tinham o Franklin e imagine a minha surpresa quando, recentemente eu soube da Valéria…. rs… sim, pois me afastei uns 10 anos das HQ´s e pouco eu soube com relação a este período. Aliás, esta coleção está sendo ótima pra isso.
Percebo que muita mudança aconteceu, mas esta publicação mostra que a essência ainda esta lá, com a diferença que o ódio do Dr. Destino chegou a tal ponto que o nome deste livro – inconcebível – está mais do que adequado, já que a história é mesmo chocante, permeando o desespero. Sim, fiquei meio desesperado em alguns momentos, principalmente no começo quando Doom se revela mais louco do que nunca ao sacrificar o maior amor de sua vida por poder e logo depois, ao usar crianças para seus planos. Cara, é chocante de verdade, e ao mesmo tempo, adequado. E o Dr. Destino é o inimigo definitivo do Quarteto, não é ? Eles tem um monte, mas perto do Destino, os outros são como passear no parque com chuva forte… rs… Dr. Destino é o furacão Catrina com El Niño e La Niña juntos !

 O Dr. Doom é o tipico vilão ‘doido de pedra‘. Ele tem a inteligencia do tamanho de um planeta, mas emocionalmente não tem mais do que um grão de areia. Ele vive em função de sua vingança, de superar o Reed, de poder e conquista. E não consegue perceber que perde muito mais com isso. Tdo este trauma que vem de sua infância, suas perdas, tornou-o tão paranoico que as verdades que ele percebe só existem para ele mesmo. Ele começa a formular teorias dentro de seus pensamentos e quando ele mal percebe, aquilo já se tornou uma verdade pra ele e suas ações são ditadas pelas suas crenças. Quando uma crença se torna uma verdade pra você, então, deixa de ser crença e passa a ser a sua realidade. E independente de ser o ‘real’ ou não, suas decisões, ações e movimentos serão guiados por esta crença. Você assistiu “A Origem” ( Inception ) ? Pois bem. A diferença entre nós e o Dr. Doom está no nível do poder desta crença dentro de nós. Ele não sente a menor dúvida, tamanha é a sua arrogância. E é esta mesma arrogância que determina sempre, invariavelmente, suas derrotas.

Resumindo: É um vilão incrível !
 
Nesta edição, além de tudo isso aí, você ainda tem momentos para curtir o relacionamento do Ben e o Johnny. As encrencas básicas de uma família. Tem até o Tocha se queimando, e se você é fã do Dr. Estranho, ele terá uma participação pra lá de especial no desenrolar da história. Também vemos Destino se voltando mais para a magia, para ver se ao mudar seu método, consegue superar o Reed, já que em matéria de ciências, ele é absoluto. ( Pra mim, o Reed está anos luz a frente do Tony Stark, por exemplo… ). Eu não vou falar mais, porque estes dias eu levei um ‘puxão de orelha’ de um rapaz lá no grupo do Facebook porque mesmo eu tendo cuidado, acabei soltando um spoiler em um destes posts e fiquei me sentindo culpado quando ele me avisou. Não quero tirar a ‘graça’ da leitura de ninguém, e espero que me perdoem caso isso aconteça as vezes, tá ?
O Roteiro é de Mark Waid. Competentíssimo, Waid sabe fazer a mistura de Quarteto Fantastico Inconcebiveldrama e movimento. Ele escreve bem, diálogos, pensamentos, sentimentos. Tudo isso em total sintonia. Ele sabe contar algo com maestria como bem sabemos em seu trabalho com o Alex Ross em Reino do Amanhã. E aqui ele faz jus mesmo sendo revistas de linha. Aliás, um dos grandes problemas desta coleção é que ele não é de Graphic Novels de verdade. Como já comentei, ela reune algumas sagas das revistas de linha em uma edição encadernada. Isso não é Graphic Novel, ok meninos e meninas ? Isso é apenas um ‘paperback‘ de capa dura. Basicamente, um graphic novel é muito mais trabalhado, com mais prazo, gerando mais impacto porque com mais tempo, o artista consegue se entregar mais e entregar algo melhor. Este volume tem uma saga muito boa, até mesmo porque estava na edição 500 do volume 1 dos heróis e isso pedia algo magnífico, trágico e transformador ( como foi o caso ), mas ainda assim, não é uma Graphic Novel.
Em Quarteto Fantástico Inconcebível, os desenhos são satisfatórios, são bem feitos, tem movimento, expressões gritantes devido aos olhos e bocas enormes. Mas não é do meu gosto. Pra mim, Byrne é o cara do Quarteto, tanto em traço quanto em roteiro. Não me entendam mal,  Mike Wieringo e Casey Jones são bons, tem seus próprios traços peculiares e tudo o mais. Acho que ajuda na história, mas fica meio ‘desenho infantil’ e não ‘casa’ com o peso do roteiro. Acho que como é tudo de magia, de dor, sofrimento, deveria ser um traço mais sujo e orgânico… está limpo demais, sabe ? Mas não atrapalha. E muito disso que eu falo aqui, como você deve ter percebido, é mais meu gosto pessoal. Não se deixe influenciar pelo meu gosto, siga o seu. 🙂
 
As cores estão bem legais, lembram bem o começo das HQ´s feitas no computador. A harmonia na paleta em cada fase da história é muito competentemente escolhida.
 
Recomendo a edição com louvor. É uma das poucas histórias atuais do Quarteto Fantástico que valem a pena ser lidas. E ela tem uma continuação também na mesma coleção, Ações Autoritárias.
Bom, amigos. Vou ficando por aqui. Acho que já escrevi demais pro meu tamanho.
 
Comente aí embaixo agora mesmo o que achou. Eu respondo todos os comentário, tá ?
 
Abraços do Quadrinheiro Véio.
 
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Quarteto Fantastico Inconcebivel

 

Quarteto Fantastico Inconcebivel

 

 

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Mulher-Hulk – Mulher Solteira Procura

Olá Quadrinheiros.
 
Acabei de ler mais uma edição da Coleção Oficial de Graphic Novels da Editora Salvat, que é a Mulher-Hulk – Mulher Solteira Procura ( ô titulo infeliz… ). Esta edição reúne as edições de 1 a 6 da revista She-Hulk de 2004.
E vou começar dizendo que eu me diverti pacas lendo esta edição. Uma característica tipica da personagem é que ela mesmo não se leva a sério. Nem quando ela está em equipes. Lembro-me que meu maior contato com a Mulher-Hulk foi na época pós Guerras Secretas, em que ela foi convidada a substituir o Coisa no Quarteto Fantástico, quando ele resolveu passar mais um tempo lá no planeta do Beyonder.
Esta edição é muito, muito divertida. Se você pensou que fosse algo sério, pode ter se decepcionado. É o tipo de revista que é feita pra ser divertida, entra no cotidiano da vida de um super-herói mas do lado divertido disso. Tem 6 edições e logo de cara a gente já começa rindo da 
situação em que uma pequenina Jennifer Walters se encontra presa embaixo de um ‘namorado/caso/algo assim‘, na cama dela na mansão dos Vingadores.
Este tipo de comportamento acaba expulsando ela da mansão, por ser inapropriado. Além de ter vários ‘namorados‘, ela ainda dava festas pra comemorar as missões de sucesso. Hilariante… hahahaha…
Acho que uma das coisas mais bacanas é quando ela está num momento da vida que nem ela está contente consigo mesma. Então um choque de realidade acontece: Ela é expulsa da mansão, perde o emprego na promotoria, perde o ‘casinho’ dela e tudo isso por ser uma pessoa de pouca profundidade. Neste momento aparece um
dono de uma das maiores empresas de advocacia da cidade e a convida para ingressar no time deles, porém só se ela for a Jennifer e não a Mulher-Hulk. Ela aceita e descobre que a empresa, secretamente, é a agencia que defende os Heróis Marvel em seus casos judiciais. E, por esta premissa toda, você já pode imaginar como acaba tudo partindo pra cenas hilárias, como o Coisa depondo num tribunal, o Aranha processando o Jamesson ou mesmo uma fuga em massa de vilões encolhidos no braço verde da moça.
Uma das coisas que impressiona bastante é a condução da narrativa. É uma condução bem boa, pensada, planejada. Dan Slot soube nos apresentar a personagem, situá-la e não deixar ponta solta sobre a vida dela antes de causar a grande virada e nos dar diálogos e situações que mesmo sendo engraçadas, são perfeitamente críveis dentro do universo heroico Marvel.
E os traços do Juan Bobillo e Paul Pelletier são constantes e harmônicos. E o mais importante, as expressões ( coisa que sempre bato na tecla aqui no blog ) estão todas muito bem feitas. Além de ter o Coisa mais feio que eu já vi na vida, o rosto da Jennifer, sendo ela miudinha ou She-Hulk tem traços tão delicados e expressivos que são até apaixonantes. Uma aparência meio ‘mangá’, com olhos não muito grandes, mas expressivos e visivelmente entediados a maior parte do tempo e uma boca pequena em um rosto com poucas hachuras, deixa ela delicada e ao mesmo tempo contrastando com um corpo forte, musculoso. Eu realmente me encantei com as expressões de todos os personagens e a condução visual é muito boa. Tem um momento no começo da HQ, que ela acorda embaixo do rapaz na cama dela, em que ela está normal e percebe que está presa, que é bem desenhada. Percebemos ela fazendo força, e ao ver que não consegue se mexer mostra a língua… hahaha… aí, ela se transforma, fica enorme e verde, mas a pureza do rosto dela não muda. Isso que achei muito fantástico.
Realmente eu recomendo esta edição. Principalmente pra pegar leve, descontrair mesmo.Mulher-Hulk
 
Abraços do Quadrinheiro Véio !