Hulk Contra o Mundo

Olá Quadrinheiros !!
 
Vamos pra mais um post de um volume da Coleção Oficial de Graphic NovelsHulk Contra o Mundo da Salvat. Hoje é Hulk Conta o Mundo, que eu ainda não sei se eu gostei ou não.
Pra mim, o Hulk é um personagem que desde sempre eu encarei como o “nervosinho fortão burro de bom coração”, saca ? É aquele personagem que, embora um dos ‘grandes’ da Marvel, eu nunca vi como um dos principais, sempre releguei ele ao segundo escalão e nem as revistas dele eu colecionava direito, então eu conheço pouco da história dele. E confesso que eu gosto mais dele assim. Acompanhei bastante dele na época do Panteão e aquele Hulk inteligente era bem legal de se ler, e por aliar com Mitologia Grega que é uma grande paixão na minha vida também, eu li com gosto esta fase dele que se não me engano virou até jogo de vídeo-game. E nesta coleção tive a 
oportunidade de ler Planeta Hulk, que até tem um post aqui, e eu confesso que achei espetacular, inesperado. Uma saga inteligente, que teve um grande equilíbrio entre o verdão e os outros personagens, com espaço pra todos, com inteligência e sagacidade no roteiro e acabei ficando fã. Só que ao ler esta edição, que se passa depois, eu achei o roteiro meio fraco… tanto que é uma das edições mais grossa das coleção Salvat e eu lí tão rápido, porque são mais imagens do que diálogos. Nesta história o gigante esmeralda está extremamente irritado, e nada irracional, ele sabe exatamente a loucura que está fazendo e mesmo assim, está fazendo. Ele está mau, tipo, Mau com M maiúsculo mesmo. Ele quer vingança de uma forma que, na minha percepção, nem condiz com o personagem. Tipo, o Hulk é um personagem com instabilidade emocional, ele costuma ter uma inteligência de ervilha e é esta inocência, este conflito interno dele que o torna interessante. Pra mim, claro, quando você tira estes elementos dele, coloca ele como um guerrilheiro em busca de vingança, é uma descaracterização tão grande do personagem que nem parece que é ele. Fica uma coisa meio forçada, meio que um autor tentando notoriedade pela coragem de atrapalhar um personagem. E acho que é aqui que reside a grande falha desta edição. Ela não emociona,ela choca um pouco pelas atitudes e pela
Hulk Contra o Mundo
violência, tem muito roteirismo envolvido ( a meu ver, não tinha como ele vencer este povo todo sozinho…) tipo… por mais raiva que ele sinta, uma coisa não tem muito a ver com outras coisas… se a força dele incrementa com a raiva, ok. Mas é a força. Agora, ele conseguir vencer o Raio Negro ? Isso é tão forçado que nem mostra como ele fez isso. Também não fica claro como eles projetaram a nave que trouxe ele e a nova gangue dele pra terra e ao final, quando ele descobre que não foram os iluminatti que explodiram a tal nave lá em Sakaar e sim o próprio povo dele, não rola uma compensação e nada… E, pra complementar este roteiro fraco e forçado, não Hulk Contra o Mundoapareceram X-Men e nem Thor… imagino que deve ter algo dizendo que eles não estavam no planeta na hora do ‘aperto’ com o verdão, mas mesmo assim… sei lá, achei forçado, achei mal escrito e muito violento. E olha que eu até curto violência em HQ, mas tem que ter um motivo pra isso. E se o cara é tão nervosão e todo mundo sabe disso, porque não caiu todo mundo com tudo em cima dele ao mesmo tempo ? 
Mas teve umas coisinhas bacanas também. A luta com o Coisa, por exemplo. Gosto sempre de ver ele e o Hulk saindo no tapa, mas não foi a melhor luta dos dois, aliás foi até meio incômoda. Gosto quando precisam chamar o tal Sentinela loucão, que raramente aparece também. Gosto quando o Homem de Ferro leva uma surra, mas me dói demais quando o Reed erra ou apanha por qualquer motivo que seja. Poxa, o cara é um cientista, as vezes meio arrogante, mas um cientista. Ver o Doutor Estranho é sempre bacana também. O cara é só um dos mais poderosos da Marvel e mesmo assim, leva uma sova do Hulk… só em HQ pra um cara que é só músculo, vencer um crânio como o Stephen Strange no mundo mental… beira o ridículo. Mas, paciencia. Olha que coisa, fui tentar ver o lado bom e acabei indo falar mal de novo… Mas, é fogo estes mega crossovers, não é ? Tipo, mostram um pouco de tudo e muito de nada. Não tem jeito, fica superficial mesmo. Hahaha… desculpa galera, é o Véio Ranzinza atacando de novo.
Hulk Contra o Mundo
Penso que poderiam ter criado uma forma mais legal pra suceder a tão bem produzida Planeta Hulk. Acho que Greg Pak pisou na bola neste roteiro… forçou mesmo. Como pode o mesmo autor ir do céu ao inferno dentro de um mesmo arco ? hehehe… e ele foi bem até no Caveira Vermelha: Encarnado. Até a arte do John Romita Jr., que é um desenhista que eu gosto muito, está fraca e apressada. Gosto quando ele desenha verdadeiras Graphic Novels, com cuidado, com esmero… ele tem um traço muito dele, muito bom. Mas aqui é tanta porrada que cansa, e o traço dele também. Parece que foi bem sofrido até pra ele desenhar um roteiro tão fraco. Poxa, até o Rick Jones não teve uma participação boa… Meu, o Rick… o motivo da origem do Hulk. Tá certo que é complicado que Bruce Banner passe a vida toda ligado a este cara que, mesmo sem querer, foi a causa indireta da origem do Hulk, e não precisa ter este cuidado a vida toda, mas poxa vida, não precisava colocar ele tão inútil assim na trama. Ele entra e sai e se ele não tivesse aparecido, daria na mesma para a trama.
Bom, é isso. Me perdoem a rabugice e fique a vontade pra comentar o que você achou aí embaixo. Eu respeito todas as opiniões e respondo todos os comentários. Todos.
 
E a menos que você esteja fazendo a coleção ou seja fã do Golias Esmeralda, fique longe desta publicação.
 
Abraços do Quadrinheiro Véio.
 
 
Hulk Contra o Mundo
 
 

O Incrível Hulk – Planeta Hulk

E aí, amigos leitores !!
Vamos falar hoje do Golias Esmeralda, nosso garoto
nervosinho da Marvel. O Incrível Hulk – Planeta Hulk traz nosso raivoso verdão de uma forma muito inusitada. E esta é mais uma das publicações dos anos 2000 que me surpreenderam muito. Tanto a narrativa quando os desenhos.
Se é que alguém ainda não sabe, nosso amigo Hulk é enviado para outro planeta pelos Illuminati, um grupo formado pelos maiores crânios da Terra, como Tony Stark, Namor, Dr. Reed Richards, Dr. Estranho, Prof. Charles Xavier, Raio Negro entre outros. E nesta de ser enviado, com muita raiva, ele acaba quebrando os controles e atravessa um fenômeno espacial e vai parar em um planetinha bem esquisito, desértico e cheio de criaturas insectóides. Neste planeta, conhecido como Sakaar, ele acaba sendo confundido ( ou considerado ) o messias e salvador do povo oprimido e, como bom anti herói que é, se recusa a ajudar e no final, acaba salvando todo mundo e se tornando o novo Rei do planeta. Creio que o título se refira a isso, e também ao fato de que quando ele sangra, o sangue verde dele causa alguma reação no solo e começa a nascer plantas onde ele se esparramou. Se isso não é uma referencia bizarra ao antigo testamento, eu não sei mais o que pode ser. ;p
Bom, agora que você já sabe do que se trata, vamos as opiniões deste velho que voz fala. Leia esta HQ. É uma das poucas coisas boas que eu lí do Hulk a bons anos. Aliás, a muuuitos anos não tem algo digno de nota deste personagem tão icônico e tão fiel as suas origens. Praticamente não existe Dr. Bruce Banner nesta HQ, é apenas o Hulk sendo Hulk. Poderia ser um pouco mais burro, mas aí, acho que não rolaria uma narrativa boa. Creio que colocar ele entre seus iguais, entre monstros como é feito, dá uma perspectiva do personagem como
não tínhamos pensado antes. Ele luta por ele e pelos dele. É a libertação dos párias, dos seres fora-do-padrão, e acho que é aí que rola aquela identificaçãozinha básica entre nós nerds e o Hulk, já que na nossa infância ( ok, na minha era assim ), sofríamos até um bulling por ler HQ´s. Tudo é identificação, galera… mesmo aquela que você não consegue ver, ou se recusa a ver. Procure sempre em tudo que vc gosta e desgosta, e perceberá mais de você do que gostaria. Acho que vale também comentar e dar destaque para a quantidade de personagens criados para a saga, e o aproveitamento de outros que apareceram com outros herois. Sempre sendo considerados monstros, inimigos e aqui podem ser vistos em outro angulo, como vitimas, ao ponto de você compadecer com eles. Acho que a profundidade psicólogica apresentada é barbara e muito bem pesquisada. Se você gosta de antropologia, pode ler esta publicação com fome, porque é um exercício social incrível. Podemos perceber que, sabendo renovar as idéias clichês, elas dão um bom caldo. Se você conhece o Poder do Mito, de Campbell, vai entender do que estou falando.
Em Planeta Hulk é possível ter momentos de grande reflexão interior. Se colocar no lugar de vários personagens. Tem uma narrativa até complexa que se contrapõe a simplicidade de um personagem como o Hulk. Uma característica muito forte que percebo nos quadrinhos dos anos 2000 é esta mania de tentar ser complexo e polêmico. A diferença é que nesta saga, Greg Pak consegue. consegue dar a medida de drama e aventura, de reflexão e empolgação impensada na medida para se tornar memorável. Não é à toa que tanta gente fala desta HQ. Em uma época em que tanta porcaria é lançada, algo assim, feito de ouro brilha como diamante.
A arte é de Carlo Pagulayan & Aaron Lopresti. Dois nomes que eu nunca ouvi falar e que tem os traços bem no estilo de sua época. Não ví nada demais, nada que fosse digno de nota. Aliás, eu não sou muito fã de desenhistas que gostam de colocar uma capa por quadrinho, ficam poses tão irreais que fica forçado, mas no caso deles, e desta HQ, isso não atrapalha e nem incomoda. Mas perceba se não estou viajando demais. Tipo, a arte é eficaz pra contar a história que é muito boa. E só.

Acho que Planeta Hulk deve ser lido por todo fã de HQ. Principalmente aquele fã que tem vontade de ler uma boa história do Hulk. A editora Salvat lançou esta saga em duas partes em sua coleção oficial de graphic novels, ao preço de, praticamente, 33 reais cada. Sei que tem um encadernado da Panini com a saga inteira, mas não sei informar o preço.
Inclusive, foi lançado um desenho animado baseado na saga, que você pode encontrar em DVD facilmente. Tirando algumas adaptações simples, necessárias e algumas simplificações para o publico infantil, é bem fiel a HQ. Também vale a pena assistir.
Abraços do Quadrinheiro Véio !

Caveira Vermelha: Encarnado

Olá, Quadrinheiros !
Não sou muito fã de publicações que visam humanizar alguns personagens, dar um passado crível em que uma pessoa, mesmo com escolhas fáceis, se torna um vilão muito mau. E é o que esta série encadernada tenta fazer. O ano é 1923 em Caveira Vermelha: Encarnado, e vemos o jovem Johann Shmidt com 9 anos, morando em um tipo de orfanato-reformatório em meio a uma revolução em que Adolf Hitler inicia seu processo rumo ao poder e a crise econômica afeta o país que perdeu a primeira guerra. Algo bem legal é que se passa bem antes de Capitão América ou qualquer outro herói. É toda centrada e direcionada ao protagonismo de Shmidt.

Acho que a primeira coisa a comentar a favor desta HQ é o fator histórico. Particularmente, eu adoro momentos históricos. Gosto quando uma HQ se localiza bem históricamente e faz a gente aprender um pouco sobre história mundial, principalmente as guerras. Tem muita coisa que eu não sabia, algumas informações bem legais sobre este período. Após o começo em 1923, a estória vai se desenrolando até 1934, que ao final vemos o jovem de 20 anos já ao lado de Hitler. 
São tantas referencias históricas que eles dedicam várias páginas no final do livro pra explicar as passagens reais que acontecem e são citadas durante a HQ. Pra quem curte as guerras mundiais, é um prato cheio. Claro que se considerarmos um jovem crescendo em meio a tudo isso, ele vive conflitos e tudo o mais, mas não acho que os vilões precisem se humanizar. No meu gosto pessoal, claro, prefiro vilões que são loucos e maus e pronto. Sem esta de mostrar que ele era humano, perdeu as coisas, se virou pro mal e de repente, PUM, vilão sem volta. A série mostra que ele tinha tendencia pro mal o tempo todo, claro. Mas com um fundo mais egoísta e de sobrevivencia pessoal do que de ser mau como costumamos ver o Caveira Vermelha Adulto. Tirando isso, todo o resto é muito legal, interessante e inteligente.
O roteiro é de Gerg Pak, que sabe gerar drama e nota-se um ritmo bem daquela época mesmo. Lugares pouco populosos, a noite ainda é vazia, tensão economica e diversos pontos que fundamentam a época. E o traço de Mirko Colak é bem artistico, embora não seja sombrio como se esperaria de uma estória de origem de um cara como o Red Skull. É um traço bem limpo se observarmos com atenção. Acho que seria bacana se ele fosse mais limpo no começo e até o final, fosse ficando mais sujo. Mas… quem sou eu pra achar qualquer coisa, né ? ( hehehe… ) O olhar do Caveira é bem caracteristico em alguns quadros, principalmente quando ele tem atos ruins. É possível sentir sua raiva. Aliás, percebo que o sentimento principal é a raiva. Já as cores estão bem desbotadas, dando um ar retrô. Acho que como o traço não é sombrio, a coloração de Matthew Wilson resolve um pouco, dando o ar mais dramático e escurecendo um pouco. Mas é um escurecer sem cores escuras, saca ? Tipo isso.
Não tenho muito mais a dizer sobre este encadernado, exceto que eu recomendo a leitura. Ela é intrigante, lenta e profunda. Eu diria até que os desenhos, olhares, movimentos falam tanto quando os diálogos. É possível mesmo você sentir emoções estranhas lendo, porque tem umas reviravoltas que são esperadas e inesperadas ao mesmo tempo. Leia sim, principalmente se você é fã da época destes 20 anos retratados nesta publicação, sob o olhar do Caveira Vermelha.
Abraços do Quadrinheiro Véio !