VINGADORES | Ultimato : 32 pôsteres entregam quem sobreviveu !

VINGADORES | Ultimato : 32 pôsteres entregam quem sobreviveu !

E a Marvel acabou de lançar 32 pôsteres que entregam quem não morreu na Guerra Infinita. Uma idéia sutil que mostra sem mostrar. Estão lindos e aqui você pode baixar em alta qualidade.

Lembrando que falta menos de 1 mês pra estréia de Vingadores Ultimato !

Olhaê:

                        

Abraços do Quadrinheiro Véio !

Menino Aranha 2 – Clássicos do Cinema – Turma da Mônica

Menino Aranha 2 – Clássicos do Cinema

AAAHHH HAHAHAHAHA !!! Poxa vida, esta coleção Clássicos do Cinema da Turma da Mônica é, pra mim, uma das melhores criações da Mauricio de Sousa Editora. É um grande acerto. É simplesmente uma publicação completa e vou explicar o motivo.

Primeiramente: Tem a turminha da Mônica. Eu duvido você rodar o Brasil todo e não encontrar apaixonados pelos personagens. Todo mundo AMA Turma da Mônica de alguma maneira. E isso é algo simplesmente sensacional. Sabe aquele filmes em que as pessoas precisam firmar a força do pensamento em algo que todo mundo ame em comum pra vencer o domínio de um grande mal ? Aqui no Brasil era só mandar todo mundo pensar na turminha e pronto: Amor instantâneo, arco-íris e adeus forças do mal. Acha exagero ? Não, você sabe que não. É algo unanime, é patrimônio brasileiro, é orgulho dos quadrinhos nacionais.

Dito isso… Menino Aranha 2 é uma paródia em quadrinhos do Filme O Homem-Aranha 2 do Sam Raimi de 2004. Cebolinha é Cebola Parker, o sempre atrasado alter-ego do Menino Aranha. E é freelance no Motin Diário. Ok… vou parar por aqui. O mais legal é ler a revista, pensando ” Como será que eles chamaram tal personagem, e tal local, e tal situação…” Isso é uma leitura prazerosa, encantadora e que a gente não consegue largar a revista enquanto não terminar de ler.

Referências

Pra quem é fã do Aranha e, mais ainda, fã do universo Geek/Pop/Nerd em geral, as revistas Clássicos do Cinema são uma show a parte. Você não imagina a quantidade de referencias. E te adianto uma coisa: Não tem como descobrir todas ! Sempre uma passa batido, seja porque tem muito detalhe, seja porque não você realmente não tem como conhecer tudo que existe hoje neste tão vasto e ainda em expansão universo. Mas pra quem assistiu o filme, vai perceber muito de perto as várias situações. E o mais legal, é que não são simplesmente situações a rodo. É um trabalho muito cuidadoso de fazer um blend entre as personalidades da turminha da Mônica com as dos personagens dos filmes, e ainda ter sacadas geniais nos diálogos. É muito perceptível que existe todo um cuidado com cada um dos balões, com cada frase, cada palavra. E serve pra crianças e adultos. Resgata o fã mais velho e os pequeninos vão se divertido do mesmo jeito. Como é que pode isso ? Você não precisa ser nerd pra gostar, porque pra quem não conhecer as referencias, não vai sentir que perdeu uma piada. Nem vai notar, sabe assim ? Tem de tudo, desde um quadro idêntico ao original dos quadrinhos, situações que foram sagradas em momentos importantes dos personagens, e pode procurar, sempre tem um quadro grande com um moooonte de personagens, objetos ou qq coisa que reuna trocentas referenciase você para um tempão só pra tentar ver se conhece todos. Em Menino Aranha 2, tem uma reunião de vilões. Em Indiana Jones, uma reunião de arqueólogos. Em Star Wars, uma reunião de robos, droides, ciborgues em geral. E a gente que saber quem são todos. Tipo as capas de Kingdon Come, que tem um monte de personagens, filhos de heróis e você fica curioso pra saber quem são todos ali.

Este Flávio…

Uma das coisas que eu considero mais legais é que a pessoa por trás destes roteiros tão incríveis dos Clássicos do Cinema da Turma da Mônica é o Flávio Teixeira. O Flávio é conhecido nerd e fã de muitas franquias, está a muuuuitos anos na Mauricio de Sousa Editora e é a cabeça por trás de toda a linha Clássicos do Cinema. A ele todo meu respeito e admiração.

E como o projeto já acumula muitos números, a editora começou a lançar encadernados com capa dura com 3 revistas reunidas. Com uma qualidade mais legal ainda. Estes dias eu ví uma edição numa livraria e deu aquela coceira na mão… hahahah… estão lindas as capas, misturadas como se fossem uma só. Sensacional !

Recomendo Menino Aranha 2 pra você, e recomendo toda a linha. Diversão da melhor qualidade. Nerd ou não. E confira mais posts sobre a Turminha da Mônica aqui também.

Abraços do Quadrinheiro Véio !

Visite o canal: http://www.youtube.com/oquadrinheiroveio

Guia: Como começar a ler Quadrinhos Marvel

Guia: Como começar a ler Quadrinhos Marvel

E meu convidado Danilo Gonçalves retorna com seu guia. Espero que goste e visite o canal dele também.

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Olá, tudo bem com vocês, estamos de volta ao blog do quadrinheiro com o nosso guia “Como começar a ler quadrinhos”. O primeiro post desta série você encontra AQUI e nele falamos sobre a DC Comics, hoje é dia de falarmos da Marvel!

No Guia da DC Comics tentamos apresentar os principais personagens, apresentar os diferentes universos e finalizamos com grandes sagas, o da Marvel será um tanto diferente devido à diversidade de equipes, heróis e universos! Apresentaremos aos novos leitores as equipes, os diferentes heróis, e finalizaremos com grandes saga. Partimos de 3 princípios para lhes indicar essas histórias: 1° A qualidade da história, é claro, escolhemos as melhores de cada personagem, a facilidade em encontrar tais histórias, seja online ou para compra, e por fim histórias que você já tenha tido contato em outras mídias da Marvel, gerando o apego necessário e apresentando histórias que se aproximem do que o novo leitor já acompanhou em outras mídias!

Vamos ao guia começando pelas equipes:

A Marvel no inicio dos anos 60 enfrentava um problema, a Liga da Justiça da América elevava as vendas da DC Comics as alturas e os heróis quase deuses da concorrente encantava os leitores pelo mundo! Então um camarada tentou mudar essa situação criando também a sua equipe, porém a ideia do editor conhecido como Stan Lee foi trazer heróis mais humanos, com problemas reais, em situações do dia a dia, nascia então o Quarteto Fantástico, a partir daí a Marvel recuperava notoriedade abrindo portas para as outras equipes da Marvel, Os Vingadores, Os X-Men e posteriormente os Guardiões da Galáxia!  Separamos histórias dessas equipes que as apresentam não em sua origem, mas em fantásticas histórias.

Quarteto Fantástico – Dia do Juizo Final : Stan Lee e Jack Kirby.QUARTETO_FANTASTICO_A49_1343653940B

Nessa fantástica história temos a vinda de Galáctus anunciada por um visitante e a destruição é iniciada até a posterior chegada de Galáctus. Aqui conhecemos os poderes do Quarteto, a inteligência do Senhor Fantástico e sua família. Uma bela história para te introduzir nesse universo da família de heróis mais famosa dos quadrinhos. 

Avengers_Vol_3_20Os Vingadores – Ultron Ilimitado : Kurt Busiek e George Perez.

Sem duvida a melhor história sobre Ultron, aqui ele se estabelece como um dos maiores vilões dos Vingadores ao destruir uma nação inteira. Uma história complexa de Kurt Busiek e magnificamente ilustrada por George Perez. O heroísmo e a humanidade dos heróis são apresentados e a equipe de heróis da Marvel testada até os seus limites.

supremosOs Supremos: por Mark Millar.

Os Supremos são uma versão dos Vingadores criada para o Universo Ultimate da Marvel. Um universo um tanto quanto mais adulto que é surpreendente. Se você gosta de Vingadores, “Os Supremos” irão te impressionar com esse tom mais obscuro e absolutamente diferente do Universo Regular da Marvel. Post do blog aqui.

X MEN A SAGA DA FENIX NEGRA DEF PAN 2015 12 c1X-MenA Saga da Fenix Negra: Maravilha de Chris Claremont e John Byrne.

Uma das mais fantásticas histórias em quadrinhos já feita! Jean Grey é exposta a uma radiação mortal que eleva seus poderes ao máximo. Todo esse poder transforma Jean em um alvo de Mastermind e o desenrolar da trama é fantástico. Essa história te apresenta aos poderes dos X-Men e está presente em qualquer top 10 da Marvel! Enfim, aprecie essa Fantástica saga!

Guardiões da Galáxia #01Guardiões da Galaxia – Now : de Brian Bendis e Steve McNiven.

Aqui vemos a equipe espacial da Marvel se unindo ao Homem de Ferro em uma batalha incrível. Perfeitamente desenhada por McNiven, a imersão nessa história é incrível, o desenvolvimento dos personagens junto com um roteiro amarrado dão um excelente tom a HQ! Um ótimo começo com a equipe Galáctica da Marvel!

Ok por enquanto ?

Aqui terminamos de apresentar as equipes da Marvel, e começaremos a apresentar alguns arcos individuais que valem a pena ler, valem a pena não, são quase obrigatórios na verdade! Ainda na tentativa de apresentar heróis mais próximos da realidade a Marvel criou os heróis de rua, aqueles que quando não estavam combatendo o crime estavam lutando contra os problemas do cotidiano! Vamos a dois deles!

Homem_Aranha_A_ltima_Ca_ada_de_KravenHomem-Aranha: A última caçada de Kraven : por J. M DeMatteis e Mike Zeck.

Aqui temos um Peter Parker sendo levado ao extremo e passando pelo grande clichê dos quadrinhos onde o vilão toma o lugar do herói! Clichê, mas não leve isso como algo negativo, um dos maiores clássicos do aranha essa HQ te apresenta a personalidade e poderes do cabeça de teia para recuperar seu lugar. O amigo da vizinhança é testado até os seus limites e DeMatteis nos presenteia com uma história sobre obsessão e aonde ele pode levar um homem ! Post emocionado do Quadrinheiro Véio aqui !

demolidor homem sem medoDemolidor: O Homem sem Medo : de Frank Miller e Romita Jr.

Frank Miller reconta a origem do Demolidor nessa fantástica história, uma origem mais sombria e que se encaixa perfeitamente no personagem! O pai morto, o acidente, os sentidos aguçados e o treinamento tudo perfeitamente encaixado no magnifico roteiro de Miller. A história que inspirou a primeira temporada na Netflix é sem duvida uma leitura indispensável para quem está começando a se aventurar no mundo dos quadrinhos!

demolidor-a-queda-de-murdockDemolidor: A Queda de Murdock: de Frank Miller e David Mazzuchelli.

Sim, duas HQS do demolidor nessa lista, afinal, elas se completam! A melhor fase do demônio de Hells Kitchen sem duvida está assinada por Frank Miller e a queda de Murdock é algo fascinante! Mais uma daquelas que entram em qualquer top 10 da Marvel. O rei do crime descobre a identidade do Demolidor e o terror é instaurado na vida de Matt Murdock, amigos no fundo do poço e o futuro do demolidor é fantasticamente explorado na melhor história já escrita do personagem. Esta também tem post no blog aqui !

Agora chegamos ao Universo Místico da Marvel, e também para te introduzir a um personagem que chegará as telas de cinema vamos apresentar esse universo com ele, Dr. Estranho.

doutor-estranho-origemDr. Estranho – A Origem:  de Stan Lee e Steve Ditko.

Aproveitando a estreia do filme, vamos às origens do Mago Supremo para te apresentar o Dr. Estranho. Uma história magnificamente criada por Stan Lee que te ajudará a conhecer o personagem e entender esse universo místico da Marvel. Como vimos no primeiro trailer certamente a origem do Dr. Estranho será amplamente abordada no filme, então aqui você já passa a conhecer o personagem! E se quiser, veja o video do Canal do Quadrinheiro Véio, apresentando mais do personagem aqui.

Após apresentar esses personagens volto a dizer, é muito complexo criar um guia da Marvel, a diversidade que a Marvel nos apresenta é incrivelmente complexa, mas ao ler essas histórias você estará preparado para as grandes sagas da Marvel! Tão importantes na história da editora, vamos começar lá nos anos 80 com uma das maiores sagas já escritas.

marvel 01aGuerras Secretas: por Jim Shooter

Nos anos 80 a Marvel pretendia lançar uma linha de brinquedos, porém precisava de uma história marcante para isso, foi então que surgiu Guerras Secretas ( Marvel Super Heroes Secret Wars ), uma das mais incríveis sagas da Marvel! Dentro de uma premissa simples onde os heróis e vilões são levados para um planeta e levados a uma batalha. Temos cenas épicas e uma mega saga que afetou todo o universo Marvel, principalmente o futuro da Cabeça de teia! Um dos primeiros post do blog, aqui também.

Guerra Civil Panini capa-duraGuerra Civil: Mark Millar e Steve McNiven.

Sim, chegamos a ela, um dos maiores eventos da história da Marvel que dividiu o universo dos heróis. Confira o vídeo sobre Guerra Civil no meu canal, Mestres do Universo, aqui. Após um atentado que atinge Stanford levando diversas pessoas a morte o governo decide votar e aprovar a lei de registro de Super-humanos. Homem de Ferro decide apoiar o Governo, Capitão América fica do lado da liberdade dos super heróis e temos a Guerra Civil. Os outros heróis escolhem a suas causas e a porrada começa. A épica saga da Marvel que chega aos cinemas no fim de Abril/16 merece nosso destaque nesse guia, leia e aproveite!

desafio02Desafio Infinito: de Jim Starlin, George Pérez e Ron Lim

O titan louco Thanos consegue as seis joias do infinito e se torna o ser mais poderoso do universo! Já ouviu isso antes? Sim, essa saga conta essa mega batalha entre os Heróis vs Thanos. Talvês muito próximo do que veremos no cinema, essa saga nos presenteia com fantásticas lutas e o maior vilão da Marvel no máximo de seu poder! Leia Desafio Infinito e já se prepare para os próximos filmes do Universo Cinematográfico da Marvel!

Essas foram as nossas indicações na tentativa de te apresentar o universo dos quadrinhos da Marvel, teremos sim outras indicações de leituras após esse guia para te ajudar a cada vez mais se aprofundar no universo da editora!

Esperamos te ajudar e a semana que vem voltamos com o guia de outras editoras que também investem em quadrinhos de extrema qualidade! Um abraço e até a semana que vem!

Danilo Gonçalves, 26 anos, designer e fundador do Canal “Os Mestres do Universo”

Facebook: https://www.facebook.com/canalosmestresdouniverso/

YouTube: http://www.youtube.com/c/OsMestresdoUniversomdu 

Dinastia M

Bem vindo, Quadrinheiro !

Dinastia MMutantes ! Lembro até hoje quando eu conheci o termo. Achei mágico demais… foi numa historinha dos X-Men. O Colossus aparece com uma garra do Wolverine cravada no ombro e eu teimava com um amigo meu que aquele sujeito azul com cabelo em forma de chifre era o Wolverine com uma falha de impressão da revista, já que eu não conhecia o Fera que nesta época estava nos Vingadores. Curiosamente, como conheci nesta fase, demorei a enxergar o Fera como um mutante. Coisa de criança. Temos a mania de considerar que o nosso primeiro contato com algo é o verdadeiro, correto, canônico, etc…  Pois é, quando eu conheci os mutantes, era a equipe que eu Dinastia Mconsidero a mais legal e mais clássica de todas: Ciclope, Tempestade,  Colossus, Wolverine, Noturno e Kitty Pryde. Por razões emocionais e nostálgicas ( provavelmente ), acho que é a melhor fase. E o que isso tudo tem a ver com Dinastia M ? Não sei.  Sei que um leitor do blog me escreveu perguntando o que eu achei e em gratidão, resolvi fazer este post.

Dinastia MPor um tempo eu pensei que o M em Dinastia M se referisse ao Magneto e a sua família. E a verdade é que é isso mesmo. Mas após ler a HQ duas vezes, percebi uma coisa bem legal no caminhar da história. Será que a gente poderia considerar que este M de Dinastia M também se refere a Mutantes ? Sim, pois durante esta fase o mundo tem mais mutante do que humanos ( se não tem, aparentemente os mutantes são os atuais dominantes do planeta ). E eu não pude deixar de fazer esta associação. 

Dinastia M é uma das histórias mais bacanas da Marvel. Ela consegue promover um crossover inteligente entre X-Men e Vingadores após a crise que acompanhamos em “A Queda” ( que você pode ler o artigo do Quadrinheiro Véio aqui ) e ainda ter uma profundidade social e intelectual monstruosa que a muito tempo não se via. Alguns diálogos são de fazer a gente parar de ler pra pensar e coloca em xeque muitas crenças nossas. Bem como alguns momentos em que a pergunta “como é que não pensaram nisso antes” vem a nossa mente. É um material denso, mas com algumas pequenas falhas de coerência que passam numa boa, mas que comentarei a seguir, porque queria saber o que você acha. De repente, eu viajei na maionese, ou perdi algo e estou tendo uma impressão errada por simples ignorância.

Vou falar do que gostei e do que eu não gostei tanto assim. Existe a chance de alguns spoilers a partir daqui, ok ? Então, vá com calma na leitura se ainda não leu. Agora, se você não se importa de saber alguns passagens da história pra decidir se lê ou não, prossiga. 

Dinastia MLançada em 2006, Dinastia M começa com uma reunião entre os Vingadores e os X-Men para decidir o que fazer com a Wanda que aparentemente enlouqueceu de vez ao durante os eventos de A Queda, onde ela matou alguns colegas heróis como o Gavião Arqueiro, Homem-Formiga (Scott Lang) e seu marido Visão. Isso a deixou mais pirada ainda, porque ela fez de forma inconsciente e depois, ao saber disso, ela ficou ainda pior. A origem desta loucura está no fato dela ter se lembrado dos filhos que ela mesma criou com seus poderes, e que depois se soube que eles eram fragmentos da alma de Mefisto, nunca existiram de Dinastia Mverdade. Sendo a Feiticeira Escarlate uma mutante poderosíssima, com poderes capazes de alterar a própria realidade, e neste estado de desequilíbrio mental já tendo demonstrado que seu inconsciente age sem ela controlar, restou aos seus amigos e companheiros decidir o que fazer com ela. Neste ponto começa um dos melhores debates da revista. De um lado alguns heróis que acreditam que nada possa ser feito e ela deve ser morta pela segurança de todos e do outro, os que acham que ainda pode ser feito alguma coisa. Nesta fase o Homem-Aranha está nos Vingadores e mais uma vez fica claro o por que de eu nunca ter conseguido enxergar o Peter como parte desta equipe tão perdedora. Ele não foi feito para trabalhar em equipe. O Aranha não se encaixa, não tem NADA a ver, na boa. Até
hoje, não teve uma única historia que o Homem-Aranha tenha realmente se encaixado na equipe. Ele até conseguir trabalhar com o Quarteto Fantástico, e com um ou outro X-Men, mas ter ele nos Vingadores é uma besteira quântica. Se você acompanha meu blog, sabe que sempre que eu escrevo algo que possa gerar polemica eu me vejo na obrigação de dizer isso: Voce pode discordar de mim e deixar o que pensa nos comentários, ok ? Neste blog que não tenho compromisso com o politicamente correto e nem em fazer média com o pensamento da maioria ou mesmo com algum compromisso comercial. É sempre a minha opinião. E neste assunto, mesmo estando sempre aberto e torcendo pra queimar a minha língua, eu nunca encontrei uma historia decente do aranha nos Vingadores e se você tiver alguma pra me indicar, eu te serei muito agradecido. 

Dinastia MApenas fazendo um adendo e só pra você perceber como tudo muda e muda rápido. Quando conheci a Feiticeira, seus poderes eram principalmente a alteração das probabilidades. Depois ela conseguiu controlar as energias dos caos e ficar neste nível semi-deusa aí. Sei lá, meio forte, não ? Enfim, seguindo em frente pra não voar muito fora do assunto do post. Eu não entendi muito bem porque o Xavier se afastou dos X-Men antes desta historia. Se alguém puder me informar, eu agradeço. Mas é muito estranho vê-lo tão fragilizado, sem saber o que fazer. Logo ele. Desde que leio HQs é dito que o Charles é o mutante mais poderoso do planeta. Mas é incrível como ele vive se ferrando. Acho que deveria ter mais historia que mostrassem ele sendo o maioral e não apenas dizer isso em toda historia em que ele vai se dar mal, ser usado, ou etc… recentemente acho que os editores tem se referido a ele como o telepata mais poderoso do planeta. Até mesmo porque o filho do Reed Richards me parece mais poderoso do que ele. E se a gente parar pra pensar, até a Wanda Maximoff nesta historia é mais poderosa. O que pode ser mais poderoso do que um mutante que altera a própria realidade ? Ao ponto de ressuscitar os mortos ? Pois é… pois é… pois é… 

Dinastia MA discussão é de alto nível, argumentos muito válidos dos dois lados. Wolverine sempre soltando opiniões diretas e práticas e o Capitão sempre no idealismo. O Aranha quando no meio dos Vingadores sempre é colocado como um adolescente imaturo e burro, emocionalmente descontrolado, cheio de piadas mal encaixadas. Eu realmente preferia que ele tivesse sido poupado disso. Até no decorrer da história, o nível de sofrimento que ele é obrigado a passar é desumano e desnecessário. Diria injusto e muito fora da linha da essência do personagem. Não precisava, na boa. Mas foi feito. Eu tive vontade de chorar junto com ele a dor que ele viveu. 

Dinastia MEm seguida, a turminha resolve ir atrás da Feiticeira em Genosha e quando chegam lá, de repente, a realidade aparentemente zera e o mundo é colorido e dominado pelos mutantes. Ninguém se lembra de nada do que aconteceu e tudo está lindo e redondo no novo planeta. Logo de cara uma discussão sobre mutantes e humanos entre o Fera e o Dr. Pym demostra uma inversão de valores e fica muito claro o domínio mutante do mundo, com uma aparente conformidade humana de que chegou o momento de sumirem como espécie dominante. Muito inteligente o diálogo. Magneto é chefe da Dinastia M, com Pietro e Wanda com ele e nesta realidade, a Feiticeira não sem poderes e seus gêmeos estão de volta. O roteiro vai nos situando sobre a vida de cada personagem e a gente saca que todo mundo está vivendo a vida dos sonhos. Menos o Wolverine, que é o único a se lembrar e uma menina que era capaz de trazer de volta a recordação de quem ela se concentra. E aos poucos vão sendo acordados, um a um, os principais heróis que vão partir pra cima de resolver a situação. Fiquei muito tempo pensando no motivo de ser o Wolverine a ser o primeiro a se recordar. A explicação dele de que já teve a memória zoada a vida toda não me agradou. Tão pouco o final em que ele acorda e se lembra de toda a vida dele, mas as memórias verdadeiras. Mas, isso é o de menos. É o tipo de coisa que vai repercutir mais pra frente. Depois que um monte de heróis é trazida de volta pela mutantezinha, acontece mais um diálogo existencial muito inteligente. Mesmo não gostando muito do Bendis, tenho que tirar o chapéu pra ele em alguns momentos. Agora, a discussão é sobre a necessidade de trazer o verdadeiro mundo de volta. Aparentemente eles fazem isso só porque é o certo, mas discutir isso foi muito legal. Faz a pessoa pensar se vale a pena viver num mundo de sonhos. É o mesmo dilema de Matrix. Vale a pena viver num mundo irreal e bonitinho, ou acordar e ver o mundo mais complicado e verdadeiro ? Eu confesso que não saberia o que escolher, por isso entendo o sofrimento do Parker. Acho que ele preferiria não ter sido “acordado” e ter continuado casado com a Gwen, ter seu filho com ela e o Tio Ben vivo. É muito zoado tirar isso dele.

Dinastia MO final é muito bom. Mais diálogo existencial e a revelação de quem realmente estava por trás de tudo o que aconteceu. Mas isso é o de menos, pois o grande acontecimento foi uma frase curta: – Chega de Mutantes.

E o mundo voltou ao que era, com uma pequena grande diferença: os milhares ou mesmo milhões de mutantes que haviam no mundo haviam sido reduzidos a menos de 200. Não morreram, perderam os poderes. Cara… pra mim isso foi uma coisa muito boa ! Quando eu comecei a ler, quase não tinha tantos mutantes assim… em pouco mais de 10 anos que eu acompanhei a leitura, parecia que a cada mês surgia mais e mais mutantes. Chegou uma hora que não tinha mais humano no planeta, só mutante. Então, eu considero isso um resgate aos tempos de exclusividade, sem precisar zerar o universo Marvel como a DC costuma fazer. Não, não acho que zerar o universo seja um problema. Apenas é uma saída diferente. O Brian Michael Bendis é um cara que “causa” nos X-Men. Pro bem ou pro mal. Esta foi uma mudança que eu achei que foi pro bem. Já o Fera com essência felina foi uma grande besteira. O final de Dinastia M é bem interessante, um fechamento mesmo. Fiquei muito curioso com a tal “energia rosa” que ficou do lado de fora do planeta. Alguém poderia me contar nos comentários o que aconteceu depois ?

Dinastia MO traço é de Olivier Coipel. Competente, mas não genial. Lembra muito o começo dos anos 90. Aquela geração dos rabiscos. Uma boa época. Acho que ele se inspira bastante em Jim Lee, Erick Larsen e companhia. Não é um cara que se destaca, mas ao menos a arte não atrapalha a leitura. Também não é um cara que é bom em material de movimento. É o típico “desenhista de capa de revista” em que cada quadrinho parece uma capa. Tudo tem pose, tudo tem algum estilo popstar. Isso incomoda um pouco mas é compensado pelos diálogos. Acho que o artista não precisa fazer de cada quadrinho um portfólio. Não se deve esquecer o movimento, a emoção. Não me entenda mal. O cara é bom sim. Só acho que é relevante esta percepção.

Bom, vou ficando por aqui. Acho que já escrevi demais e acho que este foi o meu maior post. Hoje estava bem empolgado, mas a profundidade da história pediu um pouco mais. É uma história densa. Quase não há alivio cômico.

Recomendo a leitura porque é importante não apenas pela sua qualidade, mas também pela sua importância dentro do universo Marvel. Esta história tem muito mais qualidade do que Guerra Civil ( matéria aqui ) e várias outras que poderiam nem ter existido. Aliás Guerra Civil mostra o quando Vingadores ainda é uma bela duma equipe B.

Abraços do Quadrinheiro Véio !

Homem-Aranha – Azul

Homem-Aranha Azul… Esta edição me deixou, literalmente, in blue…

A vida é tão corrida e tão “cheia” de coisas que as vezes nos esquecemos de nossa essência.fb_marvel-67376_0
Toda a minha vida fui leitor de HQ. Desde que me lembro leio histórias inspiradoras que me ajudaram a formar minha personalidade e o primeiro que conheci foi o Homem-Aranha.
Minha gratidão a ele não tem preço e li tanto deste herói que pra mim é como se fosse um dos meus melhores amigos. E se pensar bem, ele é. Já que está na minha vida desde meus 6 anos de idade, né … ?
Ler este livro hoje me fez sentir uma emoção sem igual. Chorei no final. Chorei sentido, junto com ele. Eu estava “in blue” . É uma homenagem à um personagem tão incrível e mesmo até hoje, que eu leio e li de todos os outros, ele ainda é o maior deles. Pela humanidade que apresenta.

Pode ser que tenha alguns “spoilers” no texto, ok ? Eu tento evitar, mas as vezes passa algo e não quero que brigue comigo por isso.

Homem Aranha AzulEm Homem-Aranha Azul, temos um Peter Parker se permitindo uma fragilidade que vemos pouco nele. Embora ele seja sempre uma pessoa mais emocional do que racional, tenha um caráter “meio” depressivo, momentos totalmente reflexivos, melancólicos como o desta edição, acontecem raramente.

E a condução desta narração é feita por ele mesmo. Nas 6 edições de Spider-Man Blue que estão reunidas na edição que eu li da Coleção Oficial de Graphic Novels da Marvel pela Editora Salvat, temos uma condução 100% emocional. É a historia por trás da historia, sabe ? É o Peter Parker conhecendo e se apaixonando pela Gwen Stacy. É um outro ponto de vista sobre uma historia que todos amamos, sobre o começo de um clássico super-herói numa época mais simples, mais honesta, mais humana.

Quer o Duende Verde Original ? Tem !Homem Aranha Azul

Quer o Rino ? Tem… Doc Oc ? Tem… rs… Quer o Abutre ? Kraven ? Flash Thompson ? MJ? O Lagarto ? Todo mundo aí ! Eu adoro estes momentos que mostram a “mente” dos personagens e não os fatos externos. Gosto de saber o que eles pensam e sentem. Como eles se percebem, como eles se estruturaram mental/emocionalmente para se tornarem os heróis que vieram a se tornar. A jornada do herói segue uma mesma estrutura, mas o detalhe, o caminho mental, é distinto para cada um. Seja o Super-homem ou o Batman… Seja o Hulk ou o amigão da vizinhança, é sempre o detalhe que os diferencia, no seu comportamento, no seu “eu” profundo. Na auto imagem que ele faz de si mesmo. Acho que é um pouco aquele lance do “cada um sabe a dor e o prazer de ser quem é”. Rever tudo do ponto de vista do Peter, desde as paqueras as batalhas, principalmente o lado mais Homem e menos Aranha, é muito bonito.

Homem Aranha AzulVocê já se perguntou o motivo de o Homem-Aranha ser o mais famoso e mais celebrado herói da Marvel ? Pode ser que por uma coincidência do destino, ele não seja o seu preferido, mas ele é o preferido de uma grande maioria dos leitores. Claro que muita coisa mudou com os filmes, principalmente a partir de Homem-de-Ferro nos cinemas, em que a Marvel conseguiu dar popularidade ao segundo escalão dos heróis da editora, mas nem sempre foi assim. Em outros posts eu comento mais sobre este “time B” de heróis da Marvel, como os Vingadores e cia… Na minha época de adolescente, Vingadores não chegava nem perto de um Quarteto Fantástico, quanto mais dos X-Men. Mas ele é o favorito pela sua humanidade, por ser como nós. E por nos inspirar a ser um pouco mais, mesmo que ao tentar fazer tudo certo, a recompensa não seja a que esperamos e mesmo assim, queremos acreditar e seguir em frente. Ele mostra o tempo todo que responsabilidade não tem a ver com recompensa, mas com fazer o que é certo.
Por isso, minha gratidão de hoje é a um mundo que eu vivo e que existe o Homem-Aranha nele ! Mesmo que apenas no mundo das idéias.Homem Aranha Azul

O desenho é de Tim Sale. Uma obra prima… traços simples, fortes, uma mão firme que ao mesmo tempo que procura ser fiel a anatomia, deixa claro que é uma HQ. Olhos que transmitem sentimentos reais, quentes, profundos…  É só dar uma olhada nos desenhos do Duende Verde pra perceber a loucura e a raiva no olhar. Perspectivas bem feitas e as cores bem duras, claras, sem a pretensão de parecer uma pintura. Mais uma homenagem dos artistas, que no caso das cores é o Steve Buccellato. O roteiro de Jeph Loeb é conciso e como já disse, emocional. Ele sabe dar o toque perfeito nos diálogos. E a escolha desta época, de um momento tão marcante nas HQs, que é o lamentar da morte de uma personagem, simbolizando toda uma perda de inocência, já que uma personagem principal, talvez uma das maiores influencias do personagem, veio a quebrar e mudar os rumos da própria condução das historias que viriam a seguir. E o mais bonito, nesta HQ, embora o tempo todo a gente perceba a saudade na narração, é contada a historia da conquista e não da perda. A ultima frase da MJ na revista é de fazer a gente chorar de soluçar de tamanha humanidade… e amor.

Homem Aranha Azul

Bom, acho que já escrevi muito. Leia Homem-Aranha Azul. Vale cada centavo. Aliás, vale até mais ! E gostaria de saber o que você achou, por isso, deixe seu comentário !

Grande Abraço do Quadrinheiro Véio !

Homem Aranha Azul

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Doutor Octopus – Origem

E aí, amigos Quadrinheiros !
Este post deve ser um pouco mais curto, já que, embora eu tenha gostado deste encadernado, não vi tantas coisas a comentar, mas acho que algumas coisas são bem relevantes.
Hoje falarei sobre Doutor Octopus – Origem, um volume lançado pela Panini Books que reune as edições 1-5 da mini-série Spider-Man – Doctor Octopus: Year One.
Como já mencionei no meu post sobre o Caveira Vermelha (aqui), não sou o maior fã de histórias que visam humanizar os personagens. Acho que isso tira um pouco o brilho e a simplicidade de vários heróis e vilões, tira um pouco do ‘romance’, deixando apenas um ar de realidade não-realista, saca ? É como querer tornar complexo e realista algo que foi criado pra ser apenas uma história fantasiosa. Nesta publicação, que pelo que soube não é canônica, vemos a origem da loucura do Octopus desde de a infância. Mais uma vez, talvez baseados em teorias psicológicas, temos uma humanização desnecessária de um vilão, como se toda pessoa pra ser ‘má’ precisasse ter tido uma infância ou passado traumáticos. Pode até ser que no mundo real seja assim, mas nas HQ´s isso nunca foi necessário. Por isso que sempre reclamo sobre a humanização de alguns personagens.

Deixando isso claro, vamos a parte legal do encadernado que é justamente o nível de profundidade que o autor conseguiu chegar. Pode parecer contraditório, e realmente é. E eu explico: Não acho bacana quando a intenção é humanizar o personagem. Ponto. Mas gosto de um roteiro muito bem pesquisado, cuidadosamente escrito e com textos bem engendrados. E acho que foi bem este o caso nesta edição.
O roteiro de Zeb Wells tem uma forma arrepiante de mostrar a loucura. E é de uma inteligencia tamanha que ele usa referencias dos mais diversos campos do conhecimento humano, tais como arte, psicologia, psicanálise e ciência. Quando ouvimos o Dr. Otto Octavius falando ( na nossa cabeça não lemos os balões, nós ouvimos… com voz e tudo… somos todos loucos, nem vem, assume aí !!! ) nós acreditamos no que ele está falando. A escalada da loucura dele é palpável, é um psicoticozinho desde criancinha, com uma mente perturbada,

porém de inteligência magnífica pra ciência. A ascensão do personagem, a condução das palavras e frases, a escolha erudita dos termos para mostrar a arrogância e genialidade do Otto são muito bem pensadas e faz a gente ficar mais e mais inserido na história. E os desenhos dão o suporte perfeito. Tudo preto, tudo é escuro, tudo é noite, inconsciente puro… A arte de Kaare Andrews com as cores de José Vilarrubia impressionam por dar suporte a narrativa. Não é como um Alex Ross que as pinturas falam sozinhas, mas a narrativa pede aquele tipo de traço e cor e é o que foi colocado. A preocupação com os óculos do Doc Oc, que são uma assinatura dele, estão lá desde sempre e a evolução e criação dos tentáculos é feita de forma gradual e posteriormente explicado como funcionam fundidos a sua espinha. Aquela postura de doutor, erudito, fiel a ciência. Uma postura de que a ciência

é o grande deus dos homens, uma arrogância sem limites, bem tipica do personagem é mostrado o tempo todo. Podemos perceber uma condução obscura apoiada em desenhos destituidos de aura quente…. traços e cores frias o tempo todo. Em alguns momentos me lembrei muito do trabalho do Greg Capullo no Spawn, pelos rostos no escuro, os dentes enormes e expressivos. Muita imagem de reflexo em lentes, vidros.. tudo com peso de condução de narrativa, pensamentos e sentimentos. Gostoso de ler, até mesmo porque nos deixa bem

pensativos e introspectivos, fragilizados por estar invadindo a psique de um homem louco. E tudo isso para revelar que aquele monstro é apenas uma criança que tem medo do bulling. Então me divido aqui. Entre uma narrativa e arte muito bem feitas, que causam uma desconstrução de um personagem que sempre foi um vilão mau magnífico, reduzido a uma pessoa com uma fixação na infância. Acho que tira grande parte do brilho do personagem. Mas a obra merece ser lida.

Recomendo a leitura pelos fãs do aracnídeo. Mas vão de mente aberta, curtam a história considerando que a mesma foi feita baseada nos personagens, mas que não é canônica. Curta as referencias ao universo Marvel, mas como um personagem que não é o doutor Octopus, talvez em uma realidade paralela… hehehe
Abraços do Quadrinheiro Véio !

O Espetacular Homem-Aranha – O Nascimento de Venom

Olá, Quadrinheiros !!! homem aranha venom

E a sexta-feira começa com mais um post do véio rabugento ! ÊÊÊÊÊÊÊ !!!
Só que hoje não estou tão rabugento ! Ainda mais se tratando do amigo da vizinhança que nos fará companhia neste review que se segue !
homem aranha venom
Eu vou comentar aqui sobre o encadernado da Coleção Oficial de Graphic Novels da Salvat, intitulado O Espetacular Homem-Aranha – O Nascimento de Venom. Particularmente foi uma delícia reler isso, em formato grande, com papel decente… Mesmo sendo um resumo de toda a saga, está situada numa fase do Homem-Aranha que eu gostei muito de ter podido acompanhar. Uma fase em que as mudanças constantes no personagem estavam meio que começando… e o que foi bem legal, acabou virando carne de vaca nos anos seguintes, já que entra saga/sai saga a Marvel dá um jeito de dar reviravoltas na vida do teioso mais amado dos quadrinhos.
Falar de do cabeça de teia pra mim é como falar de um velho amigo. Sempre foi meu herói predileto e foi o primeiro com que tive contato. Acho que até já comentei em algum texto anterior sobre isso. homem aranha venomEste encadernado, de número 10, nos apresenta algumas edições de The Amazing Spider-Man (252, 256-259 e 300), além da edição 1 de Web of Spider-Man. E acho que eles foram felizes na escolha das edições, porque ficou com sentido. Claro que se você tiver como ler todas as edições entre a 252 e a 300, vai ter uma noção do que eu falo que era uma era mais deliciosa de argumentos… em que saia roteirista e entrava roteirista, e era mantido sempre uma sub-estória rondando a saga toda. O mais bonito disso tudo é perceber que havia uma genialidade ali, em engendrar por anos o surgimento de um novo vilão, que com esta profundidade toda, nasceu e se tornou um dos principais vilões das HQ´s dos tempos mais recentes, o ardiloso e venenoso Venom. E não apenas isso, a partir dele surgiram vários outros, sendo o principal deles o Carnificina. O único realmente digno de nota. Percebo que sempre que eles aprofundam o psicológico de um personagem, ele fica forte pros leitores. Se as motivações forem loucas, mas bem fundamentadas, vamos amá-los do mesmo jeito. E neste encadernado temos o momento que o uniforme negro aparece na Terra, após vir de Guerras Secretas ( tem um post sobre esta mini-série bem aqui ) e os principais pontos em que foi percebido que ele não era o que aparentava, várias edições depois. O personagem Puma que aparece na HQ é um dos meus prediletos, depois acaba se tornando um aliado do Aranha, mas neste primeiro encontro, muito genial por sinal, temos toda uma preparação para entender um Meta-humano étnico, com raízes xamânicas e poderes e filosofia bem fundamentados com algo que eu sempre achei muito legal em quadrinhos: Honra.
Outra coisa que acho digno de nota é que foi durante este período que a Gata

Negra fez um acordo com o Rei do Crime e conseguiu seus poderes de causar azar em quem fosse atacá-la ( ok… nada original, mas poxa… que poder mais conveniente poderia ser dado a uma mulher que se veste de gato preto ? ) e isso não é mostrado, mas vemos as consequências disso, além de um momento de ciúmes muito legal. Além disso, tanta coisa acontecendo de fundo, numa cidade que passa por uma disputa no crime organizado, com um personagem que eu achava muito legal, que era o Rosa, além do Rei do Crime e Duende Macabro. Tanta coisa na cabeça e mais o problema com o uniforme. Classicamente uma aventura do nosso teioso, que já sabemos que desgraça nunca vem sozinha.

Então, vem a visita ao prédio do Quarteto Fantástico ( O grupo de Super-herois que eu acho mais digno e original do mundo Marvel ), e a descoberta do simbionte alienígena. CARA !!! Pense: não havia internet e não tinha onde ler spoilers de nada… aí, você vai na banca, compra a HQ e volta todo serelepe pra casa. Termina as tarefas da escola e deita na cama pra ler seu gibi e lá dentro, quando menos se espera, é revelado que após anos usando o uniforme negro, ele não é uniforme, é um alien predador, sugador de emoções, vivendo em simbiose com o pobre Peter Parker. Saca ? Imaginou isso ? Não era que nem hoje que quando acontece algo nas HQ´s tudo que é jornal e internet anunciam e você vai ler apenas pra constatar o que aconteceu e ver os detalhes. É, tipo… que nem você ver Guerra nas Estrelas em 1980 e descobrir que o Darth Vader é o pai do Luke Skywalker ! Tendeu ? Você pula da cadeira, cai da cama, solta um “Nãããããããããooooo acredito!”. Pois é, rola uma emoção, que infelizmente, hoje com a internet e redes sociais, é muito dificil. E na boa, pode ser que você seja novinho e já tenha nascido após a internet dominar o mundo, e pode ser que não sabe como é legal ter surpresas assim na vida. Por isso que sou tão avesso a spoilers. Claro que a internet hoje em dia facilita muito a vida da gente… pra comprar revistas antigas e novas, pra especular o que presta e não presta, pra saber lançamentos e tudo o mais… na minha época, a gente só sabia ao chegar na banca, ou nas propagandas internas das próprias revistas. E, te juro, eram bons tempos pra se ler quadrinhos, talvez melhores do que hoje. ( Pronto, lá vou eu com nostalgia de novo… hehehe… desculpe, vou enxugar as lágrimas… ). Voltanto ao assunto: Também é nesta edição que tem o clássico momento em que ele usa um uniforme antigo do Quarteto Fantástico com um saco de papel na cabeça… e como se não bastasse, um papel que o Johnny Storm colou nas costas dele sem ele ver, escrito ‘chute-me’. Hilário e inesquecível !
Depois a edição pula, vemos um dos momentos que está entre os meus prediletos, que é o passeio no Central Park do Peter com a MJ, logo depois que ela revela que sabe que ele é o Escalador de Paredes… aí, ela se abre e conta sua história. A arte de Ron Frenz nesta parte ( ASM 259 ) é uma das que eu mais me lembro quando fecho os olhos… adoro o movimento, os olhares, as pálpebras fechadas em que é possível sentir o pesar dos dois, as lembranças, a dor de lembrar pra compartilhar, o alívio dela ao final… Gosto muito deste tipo de arte, é uma imperfeição perfeita, sabe assim? Nossa, me emociono só em narrar isso. 🙂 E no final da HQ nosso herói retoma o uniforme clássico pra nossa alegria e ainda mais pra enfrentar outro vilão muito bem feito, que é o Duente Macabro.
Depois, o uniforme ataca de novo, tenta retomar o Peter pra ele. Só que o Peter não quer mais nada e pra se livrar do simbionte, quase se mata. Ali acontece uma cena bonita, pois o uniforme salva sua vida de pois desaparece, dando a entender que não teríamos mais com que nos preocupar.
E só então aparece o Venom na páginas seguintes, no traço de um desenhista que eu particularmente não conhecia muito bem, e que depois acabei virando fã de carteirinha: Todd McFarlane. Acho que dispensa apresentações, né ? Só que nesta época ele era um iluste desconhecido que mudou o cabelo da Mary Jane e deixou ela gostosa linda bonita bem desenhada pra caramba ! Com um traço todo rabiscado e dando movimentos, expressões de olhos grandes, uma teia mais elaborada e posições de corpo bem aracnídeos pro Homem-Aranha, ele chegou arrebentando e deixando todo mundo de queixo caído. Cabe um fato curioso, que é o fato de que aquela língua gigante do Venom veio depois. No começo era só a boca com dentes brancos enormes, um sorriso de gelar o sangue e um jeito de se movimentar mais ‘duro’, desengonçado.
homem aranha venomNeste encadernado teremos 3 roteiristas que é Louise Simonson, David Michelinie e Tom deFalco, este último inclusive foi editor chefe na edição 300, que é de aniversário de 25 anos. Talvez pra garantir a linha de narrativa que ele iniciou láááá atrás. É muito perceptível a mudança de narrativa, do modo de escrever, mas o mais mágico é que mesmo assim, a linha que se segue na condução da história é a mesma, sem se perder. Nos desenhos temos o já citado Ron Frenz, Greg LaRocque e Todd McFarlane. Todos com seus estilos, e juro, não consigo dizer quem é melhor, porque é algo tão único e pessoal de cada desenhista que eu gosto demais de ver.
Bom, fico por aqui, acho que me extendi demais. Provavelmente me esqueci de citar algo, mas coloco depois nos comentários !
Se esta edição vale a pena ? CERTEZA ! Se é fã do Aranha e quer ler coisas boas e coesas dele, leia isso. O Aranha foi concebido pra aventuras pequenas… se colocar ele em coisas gigantes, ele fica perdido. Não foi feito pra um grupo, ele tem brilho próprio.
 
Que ele nunca vá pra um filme dos Vingadores !
 
Abraços do Quadrinheiro Véio !
 
 
 
 
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GUERRA CIVIL

Poxa, nem sei como começar. Fiz este blog pra ser sincero e pode ser que meu relato do que eu achei desta edição da Coleção Salvat não seja o que a maioria vai concordar. Mas tenho um compromisso de ser verdadeiro aqui e como não tenho a intenção de afrontar e nem ofender ninguém, saiba que aqui é a minha opinião expressa, e eu respeito e acho muito normal um monte de gente discordar, ok ?
 
GUERRA CIVILExplicado isso, digo que não gostei mesmo de Guerra Civil. Foi tanto estardalhaço sobre esta HQ que eu comprei achando que estava trazendo Ouro pra casa, mas ao final era Pirita… hehehe…Percebe-se muito claramente que é uma ‘crise‘ feita pra vender e pra mudar as coisas no universo Marvel. Não foi uma história feita pra ser algo normal, mas foi algo tão surreal e forçado ( minha opinião, ok ? ) que eu não acreditava que estava lendo algo que pra muita gente foi considerada a melhor saga dos anos 2000. Na boa, li coisas muito menores e muito melhores do que esta ‘maxi-série‘. 
Sei da importância desta HQ, que ela se estendeu por mais de 100 revistas, que ela mudou tudo no dia a dia heroico do mundo dos super -caras Marvel, mas isso não quer dizer que é uma boa história, entende ? É fraca, sem foco, toda furada, sem personalidade… todos os personagens tirados do seu ‘eu‘ natural, mas não de forma a responder a uma situação natural externa. Foram mudados em sua essência de comportamento. A meu ver, foi algo tão forçado que não se reconhecia os personagens. E não dá pra dizer que é isso porque era um momento de crise. Nem ferrando… estes caras vivem passando por momentos de crise e isso não é motivo. A única lucidez que eu vi foi com o Justiceiro. Nem Demolidor, nem Capitão América, nem Homem-Aranha e nem ninguém mais chegou perto de algo digno de nota. Cara, desde quando o Aranha é tão inocente de cair na conversa do Tony e revelar sua identidade? Sério que alguém achou isso uma boa ideia? Só eu que vejo que é mais marketing do que uma boa história ? Até o Thor, em Renascer dos Deuses ( aqui ), percebe o quão ignóbil foi este ciborgue ridículo que o Reed criou com Tony e Hank.
GUERRA CIVIL
Cara, jura que um cara como o Reed deixaria passar uma trava de segurança ? O Reed ? Ah, fala sério… forçado, forçado, forçado !! Já passei por muitas reformulações e crises de universos Marvel e DC pra reestruturação do mesmo e mudar o caminhar pra criar novas histórias e ganhar mercado, mas esta Guerra Civil não chega aos pés… e olha que Flashpoint da DC é boa, mas criou um universo muito patético e sem cabimento que é os novos 52. Esta HQ justifica o motivo de eu ter abandonado as HQ´s logo após o fiasco da Guerra dos Clones do Aracnídeio. Achei que nada seria pior… neste caso eu amaria estar certo.
Agora, prometo, vou tentar achar as coisas boas que eu gostei nesta HQ. Primeiro e a melhor de todas: Tirou aquele uniforme ridículo do Peter… sério que o Homem-aranha usava armadura até chegar aí ? Meu, graças a Odin eu perdi isso. Uma outra coisa bacana foram as justificativas para os X-Men e o Dr. Estranho ficarem de fora da batalha. Se a situação dos mutunas já era de vigiados pelo governo, não tinha sentido mesmo brigar… e como a Emma bem justificou, eles sabiam no que aquilo iria dar, então, melhor ficar de fora mesmo. Curioso é ter o Vovô mutante na capa da edição ( Vô Verine!!! tu-rum-tisss ), sendo que ele mal participa do comecinho. E outra curiosidade… embora o Vigia seja proibido de interferir, não tem história que ele apareça que ele se segure… hehehe…. ele sempre dá uma forcinha… e nesta, não. Então, tem tanta coisa ali que é fora do lugar, que eu só posso dizer que esta edição não foi feita pra mim, foi pra outro tipo de público e eu posso entender e aceitar isso perfeitamente.
 
 
Poxa, tentei, mas não consegui falar bem nem quando me propus… hehehe… Vamos lá, outro ponto que eu gostei foi a ideia da prisão ter o nome de 42… embora tenha sido mostrado na HQ que este nome veio por ter sido o 42o projeto da lista que os 3 montaram, sabemos que 42 é um pouco mais do que isso, né ? Curioso eles mandarem esta indireta de que esta prisão era a resposta a grande questão da vida, do universo e o tudo mais. Tem muitas outras referencias, mas nada que valha a pena listar.
 
GUERRA CIVIL
O traço também não ajuda, mesmo sendo um cara que muita gente acha incrível, eu realmente sou um velho ranzinza e gosto mais de desenhos com mais movimento e menos pose. Steve McNiven não tem um traço que convence, parece inseguro… olhos sem vida, rostos que não são uniformes, parece amador ( minha opinião… ) e o Mark Millar visivelmente fez algo pensando mais na mudança do Universo Marvel do que na história em si. Não sei se me faço entender… Realmente me decepcionei bastante porque existe muito barulho sobre ela. Guerra Civil é uma ideia muito boa, que foi desperdiçada numa execução ruim, sabe assim ? Um final medíocre e ‘preguiçoso‘, porém coerente com a bomba que é o decorrer da saga. Esta saga deveria ter sido mais bem feita, porque as consequências que ela deixou são muito importantes. Acho que é isso que mata a gente de raiva. 
 
Bom, é isso. GUERRA CIVIL. Perdoe-me se em algum momento invado a sua opinião. Saiba
que não quero ser desrespeitoso com ninguém e o espaço é livre pra comentar a sua opinião a vontade. Aliás, eu até gosto disso. Aprendo com os comentários porque me mostram pontos de vista que eu não percebi e sou bem aberto a este tipo de opinião. 
 
Abraços do Quadrinheiro Véio !

O Espetacular Homem-Aranha – A última caçada de Kraven

Aranha! Aranha ! Viva chama que as florestas da noite inflama. Que olho ou mão imortal poderia traçar-te a horrível simetria ?
Mais uma vez trago uma HQ do Aranha que eu acho que é uma das mais TOP´s que eu já li na vida. O ano é 1989 e uma mini-série em 3 edições abala as estruturas do então menino de 13 anos que vos escreve agora. Sério, esta época eu estava lendo melhor e começando a entender um pouco mais as coisas e ler uma história tão profunda e obscura foi mesmo muito forte. Não é apenas uma HQ em que um vilão toma o lugar do seu herói inimigo. É mais do que isso. É poesia, é propósito. Dentro da coleção da Salvat, está O Espetacular Homem-Aranha – A última caçada de Kraven é uma aventura, um arco fechado que pra mim está ao nível das grandes Graphic Novels  e mini-séries como O Cavaleiro das Trevas, Watchmen, Marvels, Odisseia Cósmica, Reino do Amanhã e outras… e considerando que é do Homem-Aranha, numa fase extraordinária, época que ele estava casado a pouco tempo, enfrentando muitos conflitos internos, foi muito bem colocada. Ver a fragilidade humana dos personagens, ver o tempo todo a poesia na cabeça do caçador, foi fantástico. Esta HQ, pra mim, coloca o Kraven numa posição que até então ele nunca esteve. Ele sempre foi fodão ( perdoe o palavrão, mas em 10 minutos pensando, não achei termo melhor ), porém aqui ele se supera de uma forma que poucos conseguiram chegar. A profundidade emocional do Sergei Kravinov ao provar pra si mesmo e pra mais ninguém que ele é melhor que sua caça é mostrada de uma forma que a gente não esperava. A HQ é toda escura, tudo acontece a noite, poucos momentos de dia, apenas o final. Todo um simbolismo envolvido. Parece que a HQ foi planejada passo a passo, cada quadro cuidadosamente pensado. Nesta mini-serie, Peter Parker usa a roupa preta, parece como se estivesse antevendo o que iria passar com o vilão, já que nesta fase ele alternava entre o vermelho e azul e o uniforme negro, pouco depois de ele ter se livrado do mesmo no laboratório do Sr. Fantástico Reed Richards. O Kraven aparece constantemente nu, representando a necessidade de se revelar como ele realmente é. As identidades em conflito, a simbologia da Aranha como o desafio interior que todos os humanos devem sobrepujar para serem livres. A animalidade humana na forma de Rattus. Todo o instinto em forma de um personagem que não tem consciência, apenas segue seus impulsos mais íntimos sem distinguir o que faz. É muito bacana ver a mudança de expressão do Kraven durante toda a HQ, saindo do desespero e da loucura pra serenidade, pra paz, pro término de sua missão em vida. Constantemente lembrando de sua mãe, que se suicidou… dizendo toda hora ” Disseram que minha mãe era insana.”. Acho que é um roteiro tão bem feito e os desenhos tão condizentes que chega a ser de um brilhantismo genial. Kraven, ao final, se regozija e comemora muito, afinal tudo deu certo e o Aranha não tinha como entender, porque não viveu isso ainda. É possível sentir o respeito que ele nutre pelo Aranha. Deu pra perceber que eu acho esta publicação fantástica, né ? Demorei pra escrever sobre ela porque ela pede o tom certo.

J M DeMatteis é um grande argumentista. Ele supera nesta publicação muitos outros e na minha opinião é muito pouco reconhecido por alguns de seus trabalhos. Pensa bem no tamanho do simbolismo que ele coloca nesta edição. Leia ou releia procurando as entrelinhas, a base psicológica por trás de uma aventura onde torcemos pelo vilão, podemos nos identificar com ele, sentir como ele e ao final, até achar que em algum momento poderíamos vir a nos tornar alguém assim. Não no sentido de ser vilão, mas no sentido de descobrir que é de verdade e de ter a coragem de fazer o que é preciso pra se encontrar. É uma pena ele se suicidar no final, porém não havia forma de tornar a história mais memorável ou coerente com o decorrer dos acontecimentos. Meus cumprimentos sinceros e gratidão eterna a este grande artista.

Os desenhos de Mike Zeck eu já gosto a anos… desde Secret Wars. É possível avaliar que é um grande desenhista e contador de histórias pela sua constância no traço, o cuidado com as expressões faciais, a climatologia e sequencia de imagens para dar movimento ou dramaticidade. Nao entendo muito bem, mas não é qualquer um que consegue fazer um drama tão existencial como este te arrepiar. Os planos de sequencia dele são ótimos. Sentimos nojo do Rattus, sentimos náusea com a MJ quando ela mata o rato… tropeçamos com o Peter quando ele sai da tumba. Mike é um dos caras que eu compro revistas só por ter o nome dele. E a coloração que faz toda a diferença é de Robert McLeod. Ele sabe dar o clima certo. Muito bom. De tudo isso eu tiro apenas que é uma revista que é obrigatória para qualquer leitor de HQ. Seja fã de DC ou de outros personagens da Marvel, A última caçada de Kraven é uma leitura fundamental e básica. Até pra não leitores, mas apaixonados por comportamento e psicologia humana vão se deliciar com a profundidade da publicação. Leia sem medo, e sem dó. Releia, reflita, pense. Seja mais como o Kraven e seja mais livre. Um épico !
 
Abraços emocionados do Quadrinheiro Véio.
 
 
 
 
 

 

 

 

 

 

 

 

Demolidor – Diabo da Guarda

Estou de volta, amigos Quadrinheiros.
Perdoem a longa ausência.
Falar sobre o Demolidor é uma delícia pra mim. O homem sem medo se tornou um dos meus prediletos na minha infância/adolescência e era o grande motivo de eu ir as bancas todo mês buscar minha edição de Super Aventuras Marvel ( SAM pros íntimos ). Época de ouro, onde eu li, inclusive, a Queda de Murdock pela primeira vez e poucas coisas se comparam a esta saga até hoje. Porém devo dizer que “Diabo da Guarda” chega bem perto em termos de roteiro e fechamento. 
Sabem, sou grato a este blog não apenas pelos amigos que fiz e a oportunidade de dividir minha experiencia com HQ´s com as pessoas. Sou grato porque, desta vez, ela me fez ler uma HQ que ao começar eu achei que seria uma porcaria. Sério mesmo. Esta edição da Coleção Oficial de Graphic Novels Marvel da Salvat reúne as edições 1 a 8 da série 2 do Demolidor, lançado originalmente ao final de 1998 nos EUA. E as duas primeiras partes eu achei muito chatas, não me prendeu e se não fosse pelo blog, eu acho que não teria continuado até o final. Mas é a partir da parte 3 que a coisa esquenta e começa a ficar mesmo muito boa. Eu diria que é muito intrigante, genialmente escrita pelo Kevin Smith

É possível notar que a saga caminha como um roteiro de cinema. O que não é problema algum, pelo contrário, é ótimo. Seria de se estranhar se um cineasta nerd como ele não o fizesse desta forma. Sempre gostei muito de todos os filmes do Smith. Como poucos, ele é um mestre em narrativa e sabe colocar muitas referências em tudo que faz. Em “Diabo da Guarda” é possível ver referências em todo canto. De Batman a Guerra nas Estrelas, estão todas lá, e mais de uma vez. É uma delícia. Fora que tenho a impressão que ele aparece em um quadrinho…. hehehehehe… e até o Stan Lee não poderia faltar, né ? Ah, em tempo, preste muita atenção quando o Tucão aparece. Acho sensacional a referência que parte dele. É discarado. Também gosto muito dos títulos dos capitulos. Criatividade monstruosamente mostrada pelo roteirista de Clerks e Procura-se Amy. ( Assistam os 5 filmes das Crônicas de New Jersey do diretor nerd, vale muito a pena. :p )

Outra coisa bacana são os vilões escolhidos. De longe, o melhor inimigo do Demolidor é o Mercenário. Acho ele muuuuito f#%@. Ele é mal, mal, mal, sem escrúpulo, sem lealdade, sem misericórdia e louco. Acho que sempre digo que adoro os insanos. O cara é bom demais, até os dentes ele usa como arma. Um mestre do arremesso digno de enfrentar o Matt.
Basicamente a trama é sobre uma mulher que aparece do nada e entrega um bebê ao Matt, dizendo que o pequenino é o salvador cristão que retornou para salvar o mundo e que ele deveria ser seu guardião. O título da novela gráfica vem daí. O Matt seria seu Anjo Diabo da Guarda. Desenrola-se todo um drama psicológico magistral em cima disso. E percebemos que é uma forma que foi encontrada de trazer o personagem ao que era na época da “Queda”.

Não posso falar muito do enredo sem entregar a história ( então…. história ou estória, né ? Aprendi conversando com uns amigos no FB que o termo estória para designar contos caiu em desuso e hoje se usa história tanto pra fatos quanto pra contos… ), e nem muitas das imagens mais legais da publicação porque entregaria partes importantes, mas posso afirmar que é muito bem escrito e amarrado. Aliás a trama toda remete demais à saga de Frank Miller, porém sem se apoiar nela. Diabo da Guarda se sustenta sozinha, não se apoia, apenas referencia em muitas aventuras anteriores do demônio intrépido ou temerário ou audacioso ( Daredevil – ainda me pergunto de onde tiraram o nome Demolidor pro personagem, mas pegou legal aqui, né… ).Em se tratando de Demolidor, sempre tem muitos diálogos internos, pensamentos, condução de conflitos e é isso que o enriquece. Ele é esquentado e confuso, humano pacas e é esta a característica mais marcante, chamativa e apaixonante dele.

A impressão que eu tenho, é que a HQ busca retomar ao personagem a grandeza que ele tinha na época de “A Queda de Murdock”, mas com classe, e um final que, sério, surpreende muito. Descobrir quem está por trás de tudo e como todo esta trama fechará é um prazer que não negarei a vocês, por isso não irei revelar nada aqui, leiam o livro. Vale a pena! Mesmo com a parte 8 sendo apenas um fechamento cheio de drama e autopiedade típica do Murdock, é bacana porque emociona e resgata o ser humano e o herói de colante vermelho.
Esta HQ entra a fundo na mente de Matt Murdock, explora seus relacionamentos, sua relação com as mulheres, com os amigos e com a sua própria fé. Ele é posto a prova e somos colocados a esta mesma prova junto com ele. Teve momentos que eu me emocionei, principalmente quando um personagem importante é morto ( não, não irei revelar quem é... ). Emocionei ao ponto de parar a leitura pra respirar em respeito.
Os traços de Joe Quesada são muito bons, ele consegue misturar os estilos mais antigos e clássicos com os modernos. É um desenhista que se atualizou e é possível ver isso. Adoro a forma como ele desenha os olhos femininos, principalmente da Viuva Negra.
Recomendo a leitura, mas não seja preguiçoso. A riqueza do Demolidor reside nos detalhes de seus pensamentos e diálogos internos e externos. Obra rica, que embora não tenha sido originalmente uma Graphic Novel, faz jus ao encadernado especial.
Abraços do Quadrinheiro Véio !