Os Melhores do Mundo – Batman e Superman

Os Melhores do Mundo – Batman e Superman por Dave Gibbons e Steve Rude

Olá Quadrinheiro.

Melhores do MundoLembro me bem de quando eu li Os Melhores do Mundo na época que saiu aqui no Brasil em 1991. Comprei as edições nas bancas principalmente pela capa diferenciada. Mas nem imaginava o que teria ali dentro. Ainda era uma fase que eu era mais “cru” em quadrinhos, mesmo acompanhando a tantos anos. O melhor de tudo: Eu ainda tinha aquele “brilho no olhar” ao acompanhar os heróis. 

Em meio a super inflação, a mini-série basicamente aumentava de preço todo mês e as moedinhas de troco que meu pai me dava, mal dava para as revistas do mês. Mas esta era especial, formato maior, arte de capa com aparência aquarelada… era algo que empolgava o adolescente que eu era. 

E o bacana é que ainda não era comum tantos crossovers. Isso de juntar em uma mesma história dois personagens de cidades diferentes não era comum, então a gente queria ver o que acontecia. Haviam as histórias da Liga, mas era como se fosse um personagem a parte. Encontro do Batman com o Superman não era tão comum como hoje.

Aliás, rara é a história que não tem a participação de algum personagem de fora nos dias de hoje. Até porque hoje se questiona mais algumas coisas. Por exemplo: Como assim cai um meteoro na terra, numa história do Super-Homem e os outros heróis, como o Lanterna Verde não vieram verificar? A gente não questionava isso na época. Hoje, isso não passaria batido.

World’s Finest

Publicada originalmente em junho de 1990 numa mini-séria, esta história soa como uma homenagem à era de bronze apenas a poucos anos do começo da era contemporânea, marcada por Crise nas Infinitas Terras. Embora seja o começo dos anos 90, ainda soava muito mais como os 80. O Batman ainda caminhava pra se tornar o personagem dark que é hoje e o Super-homem apenas começava a ganhar sua alcunha de “símbolo da esperança“. Foi mais ou menos nesta época que esta divisão começou. Até então, eram apenas histórias. Tudo podia. Depois, aos poucos, isso foi mudando.

A história gira em torno de um plano do Lex Luthor pra conquistar mais espaço em Gotham. Lembrando que o Lex Luthor desta época era o empresário bonachão, e nem tanto um cientísta. Ele já havia perdido a mão devido ao envenenamento por kriptonita de se anel e era sempre bem visto pelas pessoas, porque sabia muito bem se esquivar da lei pra fazer seus planos criminosos nunca serem ligados a ele. E ele começa ao comprar dois antigos orfanatos e dar suporte a um terceiro, que ficava bem na divisa entre Metrópolis e Gotham. Para comprar o de Gotham ele se envolve com o atual dono: o Coringa. Nisso, é proposta a troca. Coringa ficaria 1 mês autorizado a atuar em Metrópolis e Lex iria conduzir seu plano de conquistar mais imóveis em Gotham. Quando Clark e Bruce ficam sabendo, replicam a proposta entre eles. Kent vai pra Gotham supostamente fazer uma matéria sobre a situação dos menos favorecidos e o Bruce fica em Metrópolis pra ampliar seus negócios. E ambos podem ficar de olho em seus inimigos. Eles eram os melhores do mundo. Apenas ainda não tinham percebido isso.

Gibbons sendo Gibbons

O que me chama bastante atenção nesta HQ é que a história tem arte. Arte na narrativa. Arte nos desenhos. Arte na idéia. É mais profunda do que a gente consegue perceber no começo. 

Dave Gibbons tem uma narrativa gradual. É possível perceber que sempre que Batman atua, os quadros são mais escuros. Quando entra o Super-Homem, Metrópolis, tudo é luz, claridade. Batman se apoia no medo, na paranóia, na vingança. Super-Homem sempre na esperança. Estas duas faces ainda não se viam como amigos. A amizade começaria ainda a ser forjada em uniões como esta, que ainda eram novidade. Não havia ainda a irmandade de hoje. O desenho de Steve Rude segue com poesia. As cores de Steve Oliff são inteligentes, trazendo predominância de cores azul em contraste com vermelhos, e a medida que a história caminha, o contraste vai diminuindo, até que ao final, está mais equilibrado. É como ver, sem ver, o equilíbrio sendo alcançado aos poucos. E uma homenagem aos famosos Stan Laurel e Oliver Hardy da serie de comédia ‘O Gordo e o Magro’ como era conhecida aqui no Brasil. Mais uma referência ao contraste.

Gosto da condução, gosto do mistério e gosto da seriedade da história. Não eram desastres cósmicos, não era o fim do universo. Era apenas o Lex Luthor usando seu poder econômico e um palhaço insano tentando conquistar mais poder enquanto os heróis procuravam formas de detê-lo. Sem grande estardalhaço, sem nada grandioso. Num roteiro simples, direto, sagaz e que te mantém entretido em um mistério para descobrir os reais planos que são revelados em dois momentos. Saudades deste tipo de narrativa. Faz tempo que não vejo nada assim atualmente. Não que o que temos hoje em dia seja ruim, mas noto que algo se perdeu no meio do caminho. Onde estão os Melhores do Mundo que não escrevem mais como antigamente ?

Também penso que os grandes escritores da época dos quadrinhos dos anos 80 e 90 se inspiravam mais em leituras e conhecimentos clássicos. É comum vermos citações a grandes obras da literatura antiga nos quadrinhos dos anos 70-90. Hoje, noto que a inspiração dos atuais quadrinistas são os quadrinistas desta época. Creio ( posso estar bem enganado ) que seja um dos motivos dos quadrinhos atuais serem menos profundos e mais copiados. A fonte original não foi consultada. Então, se torna tudo mais raso. Com um publico raso acompanhando, que prefere cinema à leitura, não poderia ser diferente.

Aço e Trevas

Se você está procurando algo bom pra ler e quer ter acesso a algo mais vintage, sem ser tão antigo assim, leia Os Melhores do Mundo. O encadernado atual tem capa dura e muitos extras interessantes. A Panini mais uma vez mostra de novo que conhece o que é bom e sabe dar isso pra gente. A transição é linda, historicamente e dentro do livro. Recomendo !

Abraços do Quadrinheiro Véio !

 

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METAL – Noites de Trevas – Panini/DC Comics

METAL – Noites de Trevas

Chegou ao país as primeiras 2 edições de METAL – Noites de Trevas, a nova maxi-saga da DC comics. Em um post anterior ( aqui ) eu contei sobre o lançamento dela, com direito a concurso e prêmio. Mas agora que eu li as edições de lançamento, precisamos falar sobre isso.

Sinistramente DARK

METAL parece prometer um grande abalo no universo da DC. Envolve a Liga da Justiça, mas é focada no Batman e traz um perigo transdimensional ou trans-multi-versal se assim preferir (???). 

Lá no canal, fiz um vídeo sobre ela, mas vamos esmiuçar ela aqui no blog do jeito que você já está acostumado.

Nesta saga, por conta do uso do Metal Enésimo ( eis o motivo do nome da saga ), as barreiras dimensionais começam a se romper e nos universos paralelos, figuras sombrias estão à espreita pra invadir nossa realidade e dominar o mundo. Curioso é que cada um destes universos tem um membro da Liga que se tornou uma entidade Batman sombria e são todos comandados por um BatCoringa louco ( ok… Coringa louco é pleonasmo ) e este Coringa tem 3 Robins escravisados numa saga bem soturna, dark e ameaçadora. Espere por um visual bem carregado, com desesperança e frases de tensão e o bom e velho comportamento do Batman de tentar resolver tudo sozinho. Primeiro porque ele sempre acha que é culpado e segundo porque ele quer sempre proteger todo mundo. O bom e velho Bruce que a gente ama.

O desenrolar da trama é muito misteriosa e bem escrita, com o desenho acompanhando muito bem. A gente fica tenso, quer entender logo o que está acontecendo e ao longo de toda a primeira edição, ficamos apreensivos e curiosos. Eu diria que a primeira edição tem tudo pra ser um clássico, mas quando a gente chega na segunda, parece que a história “trunca“.

Explico: A edição 2 começa a mostrar as origens dos Batmans distorcidos dos outros universos e isso meio que fica chatinho e repetitivo, fora que você esperou 1 mês pra continuar a primeira edição, e tem que esperar mais um mês pra isso, já que a 2 não revela muita coisa e nem faz a história caminhar. Mas pelo que lemos na primeira, a gente acha que vale a pena continuar seguindo, porque a premissa é inteligente e bem conduzida.

SNYDER / CAPULLO

Os mestres criadores por trás da saga são Scott Snyder e Greg Capullo. Eu sou fã do trabalho de ambos. Do Snyder por conta do cinema e do Capullo desde o começo de Spawm nos anos 90. Fora que em muitas histórias, desenhistas como Jim Lee, John Romita Jr, Andy Kubert e outros grandes artistas são convidados e isso diversifica o traço, dando aquela dimensionalidade que a história permite, já que é multiverso. Gosto dos diálogos, gosto do andamento, do mistério e deste resgate de revelar algo que a gente não sabia e nunca pensou em procurar saber, envolvendo antigos personagens da DC, dando um lugar diferente pra eles e com esta premissa em torno do misterioso metal enésimo.

A base história está feita com os Gaviões, e seguem aquela linha das reencarnações que veio depois de zero hora. Esta base com Carter e Shayera tem muito a oferecer em histórias que se movem pelo tempo.

Eu gosto, eu recomendo.

E se quiser ver o vídeo, está aqui:

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Abraços do Quadrinheiro Véio

Uma Nação sob nossos Pés – Pantera Negra

Uma Nação sob nossos Pés – Pantera Negra

Eu sempre digo que quando a gente não tem algo de bom pra falar sobre algo, é melhor não falar nada. Mas, quero fazer uma resenha sobre esta importante edição do Pantera Negra e, bom… vamos lá.

Uma nação sob nossos pés que vou resenhar é o Livro 1, que reune as edição 1 a 4 de Black Panther Vol.6. Sim, este volume significa que foi a sexta vez que recomeçaram o lançamento da revista do Pantera Negra, mais precisamente em 2016. Curiosamente é também a base do filme do Pantera Negra lançado em janeiro de 2018. Sabe o que eu acho mais curioso ainda ? O filme é bom. Já a história em quadrinho… sei não.

Frustrante

Tem isso na minha análise. Eu estava ansioso e curioso pra ler esta revista, comprei o encadernado pra ver onde veio a base e fiquei bem desapontado, acho que a história é perdida e tem uma tentativa de filosofar que fica superficial e troncha. Sabe quando parece que a pessoa até quer escrever algo mais aprofundado, mas a confusão da história é tão grande e tão sem “link” precisei me esforçar pra ir até o final.

O Pantera está sem personalidade, com comportamento impulsivo e sem nenhuma grandeza como já teve um dia. Seu planejamento meticuloso e mais alguns super-poderes novos deram o fechamento que a gente não entende. Sei que são 3 “livros” pra ter a história completa e que este primeiro deixa o final em aberto por isso mesmo. Só que eu não vou ler o resto, não.

A história começa depois que T’Challa retorna ao trono, tendo ficado afastado por um tempo e sua irmã Shuri assumiu tanto a regência do trono quando como Pantera Negra. Com sua “morte“, T’Challa retorna e encontra uma nação completamente perdida e quase em guerra civil. O Killmonger já morreu nas edições anteriores e o antagonista é um Wakandano Xamã, chamado Tetu. Ele está incitando este conflito por achar que T’Challa não estava mantendo as tradições de Wakanda e estava se inclinando demais para a Ciência. E por isso, precisa sair.

Fora outros interesses de outros personagens, temos uma história que eu achei fraca, sem pé nem cabeça, longa e que deixa a gente perdido e cansado. Adoro histórias profundas, com pensamentos de reflexão. Adoro histórias simples, apenas pra entreter. Detesto história que tenta ser uma coisa, não consegue ser a outra, e fica no meio. Saca ?

Quem foi ?

Ta-Nehisi Coates é o argumentista/roteirista desta fase do Pantera. Ele é conhecido jornalista, muito premiado. Mas é notável não ser um bom escritor de quadrinhos. Ao menos esta edição não joga a seu favor. Ao menos na minha opinião. Lembrando que não sou um crítico especializado. Sou apenas um fã e leitor antigo, analisando um material isolado, segundo meus próprios critérios pessoais, ok ? Realmente não gosto, acho fraco. Não levanta algo relevante e não renova ou inova sua tentativa de tratar do moderno x tradição que é a tentativa do roteiro. O traço é de Brian Stelfreeze desenha bem, tem ângulos ótimos, mas peca num dos ítens principais pra mim: Rosto e expressão. Acho que a sequencia de quadros não ficou legal. Não gosto da anatomia que ele usa. E olha que gosto de Romita Jr e outros desenhistas que fazem comics mais estilosas e artistas. O Stelfreeze me parece que tentou fazer uma HQ de linha com ares de graphic novel e o morno ficou esquisito.

E agora, oQV ?

Bom, agora é o seguinte. Pantera Negra é um personagem forte. Sempre foi personagem C, com ares de B. Mas eu sempre adorei ver ele nas aventuras solo e dos Vingadores dos anos 80/90. Era um cara que me fazia comprar a revista só por causa dele. Queria saber dele. Mas infelizmente, de 2000 pra cá li pouco e o pouco não foi algo que eu gostei. Ao menos tem uma coisa legal neste edição da Panini: Tem a história da primeira aparição do Pantera Negra em Fantastic Four 52. Sendo sincero, espero que alguém salve o Pantera logo. E é claro que, se alguém leu os dois livros seguintes, me conta se a coisa melhora, por favor ? 

Ou… Panini, se achar legal, me mande que eu quero muito e torço demais pra que esta HQ se salve. O Pantera Negra merece.

Se quiser ler algo mais legal, tem esta resenha aqui: Quem é o Pantera Negra ?

Abraços do Quadrinheiro Véio.

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Homem de Ferro – O destino de Tony Stark

Homem de Ferro – O destino de Tony Stark

Olá Quadrinheiro.

capa

Logo após as mudanças resultantes da segunda Guerra Civil, o Homem de Ferro Tony Stark precisa se re-encontrar e se re-inventar. Quando foi criado nos anos 60, o Homem de Ferro tinha uma vantagem em sua idealização, que era a de uma época em que muitas tecnologias estavam ainda looonge de serem inventadas. Nos dias de hoje, em que tudo já foi usado em tantas histórias e mídias. Onde a criatividade já andou pra tanto canto e tudo começa a se tornar clichê, a seguinte pergunta se instala: Como um cara numa armadura é algo diferente ? Na época de sua criação, até transistor era novidade. Uma armadura transistorizada era algo muito inovador, fora o fato de que a tecnologia médica ainda não poderia salvar alguém do problema que o Tony teve com os estilhaços de granada no peito.

caindoMas, passado alguns poucos anos, de repente, isso tudo já é passado, e tem até carros mais tecnológicos do que a armadura inovadora dele. Estamos falando de um personagem com mais de 50 anos. Como se manter inovador ? Como ser ainda um “gênio” tecnológico ? É com esta questão que a revista começa. Com um Tony pensando: ” Eu deveria estar tão além da curva, que ninguém mais deveria conseguir nem enxergar a curva“.

A nova armadura e além…

Com esta necessidade de criar uma armadura melhor, mais impressionante e mais forte e até mais inédita possível, Brian Michael Bendis pega a responsabilidade de inovar o inenovável. ( será que existe esta palavra ? ) O Gladiador Escarlate já teve armadura que ficava praticamente dentro do seu corpo. Como ir além ? E é aqui que começa o problema, pra mim ao menos…

Posso contar um pequeno spoiler ? Se for o caso, pule para o próximo subtítulo e não leia este trecho a partir daqui.

iron-mans-sonic-boom-1A armadura do Tony está no seu relógio. Cara, na boa, no relógio ?? Eu até entendo que é uma idéia diferentona, que é HQ e que a gente faz algumas licenças poéticas. Mas, poxa vida… a armadura do cara precisa de espaço, ela tem peso. Como assim, um relógio vira armadura ? No filme do Capitão América: Guerra Civil, o relógio do Tony se transforma em uma luva da armadura. Até aí, ok. Fisicamente compatível em termos de massa e etc… mas, um relógio praticamente virar a armadura dele ? Até a maleta do filme Homem de Ferro 2 é verossímil. Mas um relógio ? Será que ele emprestou a tecnologia do anel do Flash ? E a armadura de alguma forma elimina o espaço entre os atomos e eletrons ? Converte matéria ? Mas, como fica o peso ?

Tem como piorar…

marvel2016-Iron-ManDepois disso, ele enfrenta o Doutor Destino. E de alguma forma a armadura normal dele “evolui” para uma HulkBuster sem novas partes chegar pra somar. A armadura praticamente dobra/triplica de tamanho, do nada. Acho que é isso que mais me incomodou nesta nova armadura, que não é mais biologicamente ligada ao Tony, mas que segue suas sinapses cerebrais.  Mas, ok… “vamo que vamo”. Só que o que me incomoda mais é que agora a Marvel tornou o Stark dos quadrinhos assumidamente igual ao dos filmes, na personalidade e até no rosto.

invincible-iron-man-3-awesome-facial-hair-brosEntendo que o marketing disso ajuda a conquistar novos leitores e entendo que quadrinhos são feitos para crianças. Eu aceito que sou uma criança de 40 anos de idade. Sei que as coisas vão mudando, se adaptando e que não é legal se apegar a algumas coisas. Elas precisam mudar, adaptar, evoluir e que a gente que lê a mais de 30 anos e acompanha o mesmo personagem começa a ter bagagem demais por tempo demais e que não tem como parar de comparar o que era com o que é e nem imaginar o que virá. Mas o fato é que muita coisa mudou, e nem tudo foi pra melhor. Cara, ele nem é mais um Stark de sangue. Ele descobriu que é adotado. Isso é tão senseless…

Não gosto muito do Bendis

iron-man-doomQuem acompanha o blog a um tempo, sabe que eu não sou o maior fã do Bendis. Acho que não bateu comigo. Ele tem umas idéias legais, mas no geral, não rolou uma identificação comigo. Gosto da história, mas não da nova essência dos personagens. Gosto de ver mais uma vez o contraste tecnologia/magia que esta fase resgata e até os questionamentos existenciais apresentados. A história principal é atraente e deixa curioso, mas não ao ponto de eu passar da edição numero 3. São tantas publicações hoje em dia, que a gente não consegue acompanhar tudo. Seja por tempo, seja pelo fator financeiro, hoje é preciso escolher o que ler. E infelizmente, não é o Homem de Ferro que vai se manter na minha leitura mensal, embora eu vá acompanhar o que acontece com ele com interesse. Os desenhos são de David Marques e ele resolve, mas não impressiona. A meu ver, no meu ponto de vista, a revista Homem de Ferro ( assim como várias outras ) é publicada “na obrigação“, então se é algo bom, ou não, é o de menos pra editora. Me passa um sentimento de industrialização, de pasteurização, em um lugar em que a criação como arte deveria ser melhor valorizada.

Pros novos fãs do herói, esta nova fase parece muito bacana. O pessoal que começou a se interessar por HQ depois do cinema tem um extraordinário material em mãos. Os fãs que já conhecem o quanto o latinha é um personagem fraco, não vão perceber muita diferença.

Abraços do Quadrinheiro Véio

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Tropa dos Lanternas Verdes – No Limite da Existência

Tropa dos Lanternas Verdes – No Limite da Existência

Olá Quadrinheiro.

Green_Lantern_Corps_Edge_of_Oblivion_Vol_1_1Como grande fã dos Lanternas Verdes, não consigo ver algo deles nas bancas com preço bacana que minha carteira magicamente salta pra minha mão e eu levo pra casa. Desta vez vamos falar de “Até o Limite da Existência “, onde a tropa enfrenta um desafio muito grande: Sobreviver ao fim do universo que antecedeu o nosso. A edição que eu peguei reune as edições 1 a 6 de Green Lantern: Edge of Oblivion.

GLCEOO_1_dylux-3Como de costume, não vou dar spoilers aqui, mas eventualmente uma coisa ou outra acabo soltando, mas nada que possa comprometer a sua leitura. Até porque esta história em si tem apenas uma reviravolta que é bem legal de se ver.

Basicamente a tropa dos Lanternas Verdes foi transportada de alguma forma para este tempo/espaço/dimensão, que antecede o universo que vai surgir. Note que no universo dos quadrinhos DC, é assumida a existência de um Big Bang. Notadamente, eles até tinham uma outra origem pra existência que foi revelada em Crise nas Infinitas Terras dos anos 80 ( cabe um adendo: uma das mais marcantes sagas/histórias da minha vida ), em que um “ser” super poderoso cria o universo. Mas com tanta mudança e tanto tempo depois, a gente fica até meio perdido, sem saber o que vale e o que não vale. Com tanta viagem no tempo, nada é permanente por tanto tempo neste mundo maravilhoso dos quadrinhos.

U ki ke tá cuntissênu ?

Edge of Oblivion3Vale explicar que pouco antes de Rebirth, toda Tropa dos LV do universo dos Novos 52 desapareceu deixando pra trás apenas Hal Jordan como o único lanterna pra defender o universo inteiro. E eles foram parar neste lugar esquisito, onde todas as estrelas se apagaram e está em seus últimos dias. A única coisa que ainda tem por lá é um planeta que contem a última cidade do universo ( cara, isso é muito Doctor Who ), e esta cidade vive uma Guerra Civil pela sobrevivência. Só que em determinado momento, a tropa se divide e acaba até lutando entre si. Aí, temos Killowog, John Stewart, Arisia, Guy Gardner, Sallak e mais um monte de lanternas ralando pra sobreviver ao fim dos tempos. É muito louco !

08_19Eu me envolvi bastante com esta história, achei ela bem divertida, bem interessante, intrigante e faz um bom fechamento pros Lanternas Verdes após o sofrido Novos 52. Se vc já conhece meu blog, sabe que eu torço bastante o nariz pra esta fase da DC, com pouca coisa aproveitável ( na minha forma de ver, claro… ).

Tem diálogos muito bons e um roteiro que me pareceu bem amarrado, bem cuidadoso nas tramas, nos segredos e na narrativa. Tom Taylor é o responsável por estas 6 edições, vindo de Injustice. O cara mandou bem.

Já os desenhos são de Ethan Van Sciver e confesso que são ótimos. O cara sabe desenhar, sabe perspectiva, sabe colocar sentimento. Pra mim é um dos grandes desenhistas da atualidade. GalleryComics_1920x1080_20160210_GLC_EOO_5697f03cce74d7.59629643Ele flui no traço. Com uma ou outra falha de continuidade nos uniformes, mas nada que a gente perceba sem prestar atenção.

Eu diria que é uma revista obrigatória pro fã do Lanterna Verde. Pros fãs do universo cósmico da DC e até pra se despedir do universo dos novos 52, vale muito a compra. Até porque, por R$ 16,90 é um presente !

Grande abraço do Quadrinheiro Véio !

Jiin- Fúria de Felipe Watanabe

Jinn – Fúria

Olá Amigo Leitor !

jiinJiin é uma daquelas publicações que você pode ter certeza de que sofreria muito ao saber de sua existência e não pudesse lê-la. Eu tive a grata surpresa de ser uma das melhores coisas que eu li nestes últimos anos. E ao longo deste post vou tentar te explicar os motivos. Eu não sei se irei conseguir, porque foi uma excelente experiência e é lamentável não ter a continuação ainda. 

Eu conheci Jiin por acaso em um evento aqui em São José dos Campos. Iria fazer uma mediação no palco com um desenhista que era conhecido por desenhar o Flash, Cyborg e os Novos Titans pela DC e ter passado pela Marvel em Homem de Ferro. Ainda não conhecia seu trabalho, mas fiquei bem curioso já que ele tinha toda esta bagagem. Fui apresentado ao seu criador, Felipe Watanabe e achei o cara tremendamente simpático. Logo de cara já abriu aquele sorriso enorme, muito gentil e me apresentou seu projeto autoral: Jiin ! A primeira vista o visual já impressiona, no traço dele fica mais impressionante ainda. Tenho a impressão de ter re-encontrado uma veia artística perdida a um bom tempo ao ser apresentado ao Jiin.

Quem é Jiin ?

posterPrimeiro vou te contar quem é o tal Jiin. Este nome pequeno tem uma força enorme. Jiin é o nome de um kata do karatê. Uma sequencia de movimentos. Pra mim remete também ao final de gaijin ( estrangeiro ), e como ele é um guerreiro, me lembra Sayajin, a raça dos guerreiros do planeta Vegeta do anime Dragon Ball. E “jin” com um “i” apenas, significa “pessoa“. Todas as minhas percepções me soam ótimas quando se lê a HQ. Todas fazem jus ao personagem.

Jiin é um mecânico ( sim, pasmem ) que tenta sobreviver a um mundo que passou por um apocalipse demoníaco. O ano é 2068 e a uns bons anos antes, o inferno chegou à Terra e os demônios dividem a paisagem desértica com os poucos humanos sobreviventes. E como não poderia deixar de ser, existe uma “Resistência” à estes invasores e Jiin é tipicamente o Lobo Solitário. Não se encaixa na resistência e tem seu próprio jeito de fazer as coisas, de lutar contra os diabos. Tudo isso sem super poderes. E isso se dá através de um ringue, onde demônios e humanos se degladiam para o deleite de uma plateia em que sobreviver é o que conta neste momento. Os demônios ainda não apresentaram poderes mágicos, e não creio que eles vão se enveredar pra isso. Mas sinto que existe uma forma de conversão de humanos em demônios, mas posso estar enganado… não sei.

Herói de Mil Faces

jiinO que eu achei legal é ver a clássica jornada do herói sendo contada de novo, de uma maneira nova. Eu achei o roteiro muito criativo. Embora tenha elementos comuns, tais como apocalipse, herói resistente a ser herói e que conta com um tutor mais velho, demônios, pessoas fortonas, resistência, etc… o diferencial está em ver tudo isso junto, sendo bem feito, de forma coerente. Jinn tem uma criação original e profissional. Qualquer um pode escrever uma história com estes elementos. Fazer bem feito, é pra poucos. Eu gostaria até de ler um livro neste universo, porque a base foi bem estabelecida e a gente termina a revista esperando muito pela continuação. Não vou extender mais pra não correr o risco de mandar algum spoiler, mas pode comprar sem medo. Mas a primeira coisa que você precisa sempre considerar e é por isso que eu digo que é uma HQ excelente é que é desenhar e roteirizar um personagem que já existe é bem mais simples e fácil do que começar um personagem e todo um universo do zero. Não é apenas a história que você precisa criar, mas toda a “cama”. O mundo, o ambiente, a situação, a sociedade… a história daquele lugar onde se passa tudo. Antes de colocar o homem, Deus criou o mundo, certo ? Nas HQ’s é exatamente o mesmo.

CCXP

img_6231Embora eu tenha conhecido sobre o personagem antes, foi apenas la Comic Con Experience que a revista foi oficialmente lançada. E é claro que eu estava lá, já que queria o meu exemplar “fresquinho”. Cheguei sorridente na mesa do Felipe, que tinha seu parceiro e co-autor Matheus Lopes a seu lado e a minha já estava lá, me esperando. Comprei ! Mal podia esperar pra chegar em casa e ler. Achei muito legal ver uma fila de pessoas pra comprar a revista, muita gente esperava ansiosamente pelo lançamento de Jiin. Garanti meu autografo na hora !

Autores

vooAlém de ter o roteiro e traço do Felipe Watanabe, Jinn recebeu o cuidado de uma ação conjunta na sua argumentação. O colorista Matheus Lopes também é um dos pais do livro e toda a cor é dele. O rapaz sabe o que faz, tem uma percepção de profundidade muito boa e teve a sensibilidade de escolher uma paleta mais pastel, um amarelo avermelhado, que cai muito bem pro clima desértico apocalíptico que a revista apresenta. Tudo tem sujeira, noites são escuras, cores fortes, lisas, contra-balanceadas com sombreamentos e texturas pra profundidade.

Uma arte digna de Graphic Novel. Revista grande, capa acartonada, páginas em papel de qualidade. Jiin merecia realmente estar em uma publicação de linha, mensal. Porque este tipo de argumento é capaz de gerar muitas situações excelentes. Tem alguns momentos que me lembra X-Men 2099 ao mesmo tempo que atualiza tudo. E, cá entre nós: Quem não curte um apocalipse ?

Se você curte quadrinhos assim, esta revista precisa ser lida. Recomendo bastante !

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Abraços do Quadrinheiro Véio

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Batman 1989 – Quadrinização Oficial do Filme

Batman 1989 – Adaptação Oficial do Filme em Quadrinhos

img_6214O ano é 1989. Eu estava começando a me descobrir “gente” e a andar de ônibus circular sozinho. No auge dos meus 13 anos, este é um dos anos mais marcantes da minha vida. Não à toa, o primeiro filme decente do Batman foi produzido e lançado, dirigido pelo cult Tim Burton.

Mas não é este o assunto deste post, e sim a sua quadrinização oficial. Assim que o filme saiu, as bancas receberam a edição em capa especial, da adaptação oficial do filme Batman ! Este filme foi marcante de muitas formas, não apenas por apresentar o Batman mais soturno, sombrio, psicótico e gótico ( se é do Burton, é gótico ), mas por iniciar uma era de bons filmes de super-heróis após Superman II. E eu ignoro na cara dura os filmes III e IV de Superman porque… bem… razões óbvias, né ?

img_6213Quem viveu os anos 80 sabe que foi uma era mágica pro cinema mundial. Uma época marcante, com filmes icônicos que até hoje são base pra remakes que falham miseravelmente. A meu ver, falham porque não se é possível apenas reproduzir uma história. Quando uma história é contada na época que é produzida ela tem toda uma base temporal, que faz sentido na sua época.

Se este filme é re-feito vários anos depois, se buscando uma nostalgia, fatalmente existe o risco totalmente potencial de ele não conseguir fazer sentido pra uma geração diferente. Então, como a geração no poder hoje é a geração que era criança/adolescente nos anos 80, esta é a sua referencia de diversão. Vide Stranger Things, uma série certeira, muito bem feita e uma idéia original, temporalmente localizada no começo dos anos 80. O genial de Stranger Things está nisso. Ela bebe da fonte da nossa memória infantil, mas cria uma história totalmente nova.

Batman Em Quadrinhos

img_6203É até engraçado que o título da revista seja este, Batman em Quadrinhos. Afinal, ele nasceu nos quadrinhos. Mas é porque o nome do filme era simplesmente Batman. Não tinha subtítulo e nem os brasileiros colocaram, como era hábito da época. Esta história segue tão fielmente o filme, que raro são os quadros em que a fotografia não é exatamente a mesma vista no filme.

img_6207Eu diria até que, provavelmente, esta HQ nasceu do próprio history board original do filme. São raríssimas as diferenças nas falas. E não tem mudança nenhuma, nenhuma adaptação do roteiro. Ela segue fiel ao filme, e isso é muito raro hoje em dia. Aliás, esta é a grande diferença desta revista em relação às adaptações que vieram depois. Na humilde opinião deste blogueiro, adaptações precisam ser fieis aos roteiros originais. Imagino que isso deve ser complicado e chato pra um artista, já que ele não precisa criar nada, apenas ter o trabalho de fazer uma conversão de formato de mídia. E como era comum na época, a revista vinha com um poster. Que naturalmente estava exposto na parede do meu quarto. E mais naturalmente ainda, infelizmente, não o tenho mais.

Artistas do Batman

img_6218Como o roteiro já estava pronto, apenas coube ao Dennis O’Neill converter o roteiro. E esta foi a sabedoria dele. Acho que até hoje esta HQ é lembrada como a melhor adaptação de filme de super-herói pra quadrinhos justamente por isso.

img_6211E o desenho de Jerry Ordway precisa levar muito crédito. Ele teve todo o cuidado de adaptar as cenas fielmente so filme, as roupas, os enquadramentos e, mais do que isso, fazer os rostos dos atores no personagens. Mesmo eu não achando que o Keaton tem cara de Bruce, ele está imortalizado nesta HQ. Estes artistas já eram habituados ao Batman nesta época, e sentiam a mudança de comportamento dele, pós crise e pós Dark Knight Returns.

img_6217Steve Oliff colore a história, em uma época do começo da transição das cores nas HQs. É possível perceber o início do uso do degrade em alguns momentos, então a pintura lembra mais o que temos hoje, menos chapada, com mais profundidade, e seguindo a paleta gótica lavada do filme. É uma revista que merece ser lida e guardada. A minha já está até amarelada. As fotos que ilustram esta resenha são da minha própria revista. Role toda a página e veja alguns quadros que eu selecionei pra você conferir um pouco.

Se você é um fã do Morcego, gostou do filme de 1989 e acha que o Jack Nicholson é um grande Coringa, ter esta revista na sua coleção é quase obrigatório. Exatamente todos os meus quesitos atendidos !

Abraços do Quadrinheiro Véio

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Batman: Noites de Gotham

Batman: Noites de Gotham

Olá amigo Quadrinheiro.

aa-capa-restaurada47Tenho certeza de que não me lembro muito bem o que me levou a comprar a edição especial de Batman: Noites de Gotham. Lembro que não a comprei nova, no lançamento. Mas a capa havia ficado na minha cabeça. Então, um dia na banca do Paulinho, a melhor e mais popular branca de Quadrinhos usados aqui da minha cidade, encontrei a revista e comprei poucos meses após seu lançamento original em junho de 1994. Tempo, hein ? Pois é… Ah, meus 18 anos… rs…

Batman: Gotham Nights foi uma mini-série que foi lançada nos EUA em 1992. Curiosamente, chegou ao Brasil apenas 2 anos depois. Esta já era uma época em que o atraso de 4 anos estava diminuindo e a gente conseguia ler as HQs um pouco mais rapidamente. Aqui, ela chegou em um encadernadinho com 100 páginas pela abril jovem, com aquele papel terrível de sempre, mas que a verdade é que a gente nem sabia que era tão ruim assim.

Gotham_Nights_Vol_1_3Esta mini-série se passa em Gotham mas não é sobre o Batman, mas sobre como Gotham funcionava. As tais noites se referem muito mais ao inconsciente coletivo da cidade, seus próprios terrores noturnos, as pessoas e suas mentes e pensamentos. E em como a cidade e o próprio morcego interferem em tudo o que acontecia. Então, a revista reune o dia a dia de 4 núcleos aparentemente sem ligação que em um determinado momento tem seu caminho cruzado. Sabe quando você está em um momento singular, em que algo acontece e muda o rumo simultaneamente de muitas pessoas? Tipo isso. E esta revista mostra como chegou a este ponto. O que cada um dos envolvidos fazia antes deste momento fatídico acontecer e como este momento em especial afetou a vida delas.

Gotham_Nights_Vol_1_2O mais legal mesmo é que o Batman é mero coadjuvante no processo todo. É mais um cidadão de Gotham, sendo apenas ele mesmo. Acho legal. É o ponto de vista do cidadão comum. Acredito que esta mini-série merecia ter sido lançada com mais glamour, e embora ao ler eu tenha ficado muito contente, também fiquei muito  impressionado por ter o Batman tão bonito na capa e não ser ele o personagem principal, mas sim a cidade. Gotham é o personagem principal desta HQs.

1-1O autor é John Ostrander. E ele tem uma forma bem densa de entrar na cabeça das pessoas. Os diálogos são muito bonitos, filosóficos. Os personagens vivem suas vidas e tem seus pensamentos e sofrimentos. Muito conflito interno, alguns com loucuras, outros com arrependimentos e alguns apenas com seu dia a dia conturbado para sobreviver. E um casal idoso com muito amor a ensinar, que leva a Bruce Wayne a uma atitude linda ao declarar seu amor por Gotham. Os traços são de Mary Mitchell e são muito bonitos, coerentes com a época, ainda na pegada oitentista, traço regular, quadros retangulares certinhos, mas com uma percepção de expressão facial muito boa. Embora bem datado, sua arte é sequencial e positiva pois embora não destaque, não incomoda a leitura. Ela transforma o roteiro inteligente em algo que transmite o sentimento que o argumentista propõe. A coloração é beeeem no estilo clássico de HQ’s. Aquelas cores fortes, sem gradiente, sem tonalização. Muito uso de azul pras áreas noturnas e escuras e do amarelo onde se pede mais atenção. Eu sou nostálgico, adoro isso.

1225425-19767_20060510184201_largeSe você é fã das histórias do Batman, se curte Gotham e quer conhecer mais sobre a psiquê da maior cidade dos EUA no universo da DC Comics, esta revista é uma boa pedida. Não pode ser considerada uma obra prima, mas pode ser considerada uma leitura mais profunda do que a maioria e merecia uma boa republicação no formato americano, com papel decente.

Abraços do Quadrinheiro Véio !

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Lanterna Verde – Agente Laranja

Lanterna Verde – Agente Laranja

Olá, Quadrinheiros !

CAM00514Perdoem a longa espera por novos posts. Sei que o ideal seria ter uma regularidade, mas com o canal me tomando tempo, ando meio afastado daqui.

O post de hoje é mais uma continuação dos posts anteriores, que começaram com a Guerra dos Anéis do Lanterna Verde. Você pode ler a parte 1 e a parte 2 da guerra aqui nestes links, depois ler a continuação na Ira dos Lanternas Vermelhos e depois continuar aqui, com Agente Laranja.

Aliás, eu não sei se eu gosto deste apelido, agente laranja. Me remete a coisas ruins, já que o conhecido agente laranja do mundo real é um composto químico desleal. Era um desfolheador que foi usado largamente na Guerra do Vietnã, para revelar os soltados que estavam escondidos nas florestas e assim possibilitar ataques aéreos. Ler este título na capa meio que me incomodou, pois está sendo associado à emoção da cobiça e egoísmo. Mesmo sendo este o sentimento dos EUA ao atacar o vietnã ( e ainda perder a guerra ), não sei até onde eu gosto de ver algo deste nível de sabotagem no mundo das HQ’s. E isso vindo de uma pessoa que gosta saudosamente do humor nada sadio dos anos 80, é algo a se considerar, não é ?

Encadernado da Panini

Green_Lantern_Vol_4_39_AA edição encadernada que eu li, foi publicada no Brasil pela Panini. Em suas 132 páginas, reune as edições de 39 a 42 de Green Lantern, e é a continuação direta da Ira dos Lanternas Vermelhos. Agente Laranja remete diretamente ao único Lanterna Laranja, que é o Larfleeze, do sistema Vega. Vou explicar um pouco sobre este personagem esquisito pra você entender mais sobre o que é a tal luz laranja e seus efeitos. A muito tempo atrás, quando o espectro emocional da cobiça se manifestou em forma da luz laranja, foi encontrado por um grupo de ladrões. Estes se mataram pra ficar com o poder e apenas um sobrou e tomou o poder pra si.

Os guardiões sentiram esta perturbação e ao chegar no planeta, encontraram Larfleeze de posse da Bateria Laranja. Ao perceberem que a energia laranja da cobiça poderia tomar conta de quem possuísse o poder da lanterna, os Guardiões “espertamente” fizeram um acordo com Larfleeze: Eles não deixariam ninguém chegar no planeta, desde que ele ficasse quieto ali. Larfleeze topou e ficou assim, isolado do resto do universo por muitos anos. Foi inclusive instituída uma lei para os Lanternas Verdes de que o sistema onde fica o planeta Vega seria proibido pra eles.

Hal_Jordan_and_Agent_OrangeUma análise interessante é válida aqui: Note que todos os espectros de cores da Guerra dos Anéis tem uma grande influência em seus portadores. Antes de serem escolhidos por seus anéis, eles já apresentam a emoção de cada cor em sua personalidade, mas após ter os anéis, este sentimento toma conta deles. A emoção é reforçada e até os dominam. No centro do espectro está o poder verde, da Força de Vontade ( e curiosamente, é também a mesma cor da esperança ) e a Força de Vontade é justamente o que torna alguém imune ao domínio das emoções.

É sabido que antes dos Lanternas Verdes, os Guardiões criaram os robôs lógicos e sem emoções conhecidos como Caçadores Cósmicos. Ao perceber que a ausência das emoções atrapalhava, criaram a policia cósmica com seres emocionais, mas com capacidade de sobrepujar seu emocional. A princípio isso era associado apenas ao medo.

Devaneando

LarfleezeGlommy Agente LaranjaLembro que na era de prata, os personagens eram escolhidos por não sentir medo. Nos anos 80/90 isso mudou, o Lanterna era escolhido por poder sobrepujar o medo, e não pela incapacidade de o sentir. Mudança adaptativa normal, em vista de que os Quadrinhos precisaram se adaptar aos novos tempos, buscando se tornar mais e mais realistas dentro de um patamar aceitável. O publico cresceu junto com as HQ’s e as crianças poderiam até ter imaginação pra aceitar alguns acontecimentos das histórias, mas os adolescentes e jovens adultos, não. Curiosamente eu acho muito louco a gente aceitar um anel energético capas de criar construtos de energia solida, cachorros falantes, seres que voam… Mas não aceitar outras coisas e comportamentos das HQ’s.

O que a gente limita ? Qual é o “ponto” exato do aceitável e do não aceitável. O crível e o não-crível ? O que é plausível e o que não é ? Como se decide qual a lei da física que a gente aceita flexibilizar, e qual não ?  Cada um tem um ser muito chato e “crica” dentro de sí, e é com esta pessoa que a gente precisa se reunir as vezes pra permitir que a gente se divirta. Falo isso por mim, que não consegui aceitar os novos 52 até hoje, e comemoro muito Rebirth tentando corrigir as “cagadas“… mas até aí, minha pergunta é : o que me fez não gostar dos novos 52 ? Pois é, ainda não sei…

Green-Lantern-21-Larfleeze Agente LaranjaComo sempre, dei uma vagueada no pensamento. Retomando o assunto do post de hoje: Agente Laranja. O poder laranja é tão forte e tão dominador, que não permite que exista uma tropa, já que cada um dos tocados e dominados por este poder passam a não dividir absolutamente nada, se tornando possessivos compulsivos. Assim, Larfleeze cria sua tropa a partir do seu anel, são todos construtos. Um poder imensuvável !

Nesta passagem da saga dos lanternas, os outros espectros que já apareceram fazem algumas pontas. Os anéis azuis que reforçam o poder dos anéis verdes e os anéis rosas das Safiras Estrela. Antes, as Zamaronas eram apenas a raça feminina dos Guardiões, mas nesta reformulação retornaram com a explicação de que o poder delas vem do espectro do amor ( que pra mim é paixão, dada a intensidade do sentimento. Amor é sobre escolhas. Paixão é sobre instinto. ) e a cor rosa é a que define esta emoção no universo DC. Algumas histórias paralelas vão aparecendo, enquanto o foco está em resolver o problema em Vega, conter o poder laranja novamente.

Roteirista ? Ele !

larfleeze Agente LaranjaNo roteiro, e no comando da saga, está o super Geoff Johns. Este cara ganhou demais meu respeito com esta sequencia impecável e que muda completamente o caminhar do universo DC de tal forma, que pra mim é a melhor saga da DC desde a Crise nas Infinitas Terras. Antes de eu ler eu tinha preconceito. Muito preconceito. Achei que era uma má idéia criar mais tropas, tirando a exclusividade dos anéis verdes. Mas agora que eu li, percebo que foi muito bem feito, estruturado, crível e adiciona coisas novas com qualidade a um universo antigo e que estava parecendo que iria apagar depois de tanta historia e saga ruim.

Envelhecer lendo HQ’s ou qualquer outro tipo de conto é complicado. A gente automaticamente se prende as lembranças e às emoções iniciais que foram as que fizeram surgir a paixão pelos personagens, universos e idéias. Entretanto as coisas mudam, no mundo todo, em todas as áreas. Por qual motivo com as HQ’s não seriam diferentes ? E temos que considerar que a gente muda nossa cabeça, nosso conceito, de maneira individual.

Hal Jordan como um Agente LaranjaAs vezes as mudanças propostas pelos autores são diferentes das que a gente seguiria ou gostaria que nossos personagens seguissem. E por isso, a gente tende a falar mal, não curtir mudanças. Não pela mudança em si, mas pela mudança ser diferente da que imaginaríamos. Por ter tido a liberdade possibilitada em estar fora das revistas principais, Geoff teve fôlego pra criar e editar algo grandioso fora da trindade sagrada ( Batman, Mulher Maravilha, Superman ) e a liberdade criativa dada a ele garantiu arte. Agradeço por isso.

Diversos desenhistas dividiram o lápis nesta edição, e todos parecem ser um só. Como o esboço é sempre enviado pelo roteirista, a gente percebe uma fluidez enorme, sem excessos. Considerando que se trata de uma saga extremamente ligada ao emocional, as expressões dos rostos são necessariamente importantes e podemos ver isso muito claramente no traço.

Recomendo a leitura de toda a saga, não é perda de tempo. É qualidade de diversão garantida !

Abraços do Quadrinheiro Véio !

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Abraços do Quadrinheiro Véio e do Fábio Renó !