Doutor Estranho – O Fim da Magia

Doutor Estranho – O Fim da Magia

Olá Quadrinheiro.

Doctor_Strange_Last_Days_of_Magic_Vol_1_1_Davis_VariantEste recomeço da Marvel pós Guerra Civil muda tudo. E o Doutor Estranho começa renovado com revista própria pela primeira vez em nosso país. Acho que só não é melhor porque não é uma boa hora pra ter nada Marvel no mundo, mas ao mesmo tempo, sinto-me grato pela oportunidade de ler o médico místico em uma revista apenas dele.

A nova revista do Dr. Estranho é competente. Tem magia, tem uma história que te prende. Mas parece que estou lendo Homem de Ferro. A base da história é ótima, é intrigante e deixa a gente curioso. A parte séria é legal, mas incomoda demais quando um personagem é tão transformado. Doutor Estranho sempre foi um cara mais sério, mais sisudo. Ele tem uma responsabilidade muito grande. Mas com a Starkização de tudo depois do MCU ( Marvel Cinematic Universe ), a gente percebe que o marketing virou pra esta tendência de piadinhas despretensiosas o tempo todo, mesmo de personagens que não tinham isso em sua essência. No artigo anterior, onde falo do Homem de Ferro nesta nova fase também ( leia aqui ), eu discorro um pouco sobre estas mudanças nos personagens e nesta aparente necessidade de agradar um público pós MCU.

Raio Starkizador !!!!

correndoO próprio Doutor Estranho do cinema tem esta pegada “Starkizada“, um cara super dotado, memória fotográfica, ricasso, piadista arrogante. Ok, faz jus à origem clássica do mago supremo. Tirando a parte das piadas. Comics do Strange sempre foram mais sérios. Acho que é um sinal dos tempos. Nos anos 60/70 as crianças era tratadas mais como adultos, elas não eram superprotegidas como as de hoje. Hoje em dia tudo é pra ser divertido, tudo é “fun“, tudo é leve. Jamais poderia imaginar uma cena do Mago Supremo correndo deste jeito ( figura ao lado ). Parece até o Homem-aranha do McFarlane.

Doctor_Strange_6_Guice_VariantNão entenda isso como uma reclamação. É uma constatação. Eu comecei a ler lá nos anos 80. Peguei resquícios dos anos 70 nas HQ’s. A mudança é natural. As pessoas mudam, as comics mudam. O drama é que eu leio a tempo demais. Vivi a mudança dos anos 80. Das HQ’s inocentes se tornando obscuras. O bem contra o mal, se tornou a batalha entre as opiniões. Nada mais era simples, tudo era cinza. Não se definia mais o vilão e o herói. As motivações, os métodos, os objetivos. Tudo isso era claro até chegar o Miller, o Moore, o Claremont. De repente, Magneto não era tão mal assim. Ele queria apenas defender os dele. Doutor Destino não quer mais dominar o mundo. Lex Luthor não quer apenas matar o Super-homem. Tanta coisa mudando… mas eu peguei isso no começo. Agora, depois de 30 anos, tudo muda de novo. Os heróis não são mais sérios, eles brincam o tempo todo. Estão mais infantilizados, assim como os adultos de hoje.

Um homem de 40 anos não lia quadrinhos na minha época de infância. Aos 30 anos, raros eram os adultos que ainda moravam com os pais. Aos 16 anos, era comum os adolescentes trabalharem pra ajudar em casa, e estudar de noite. Hoje tudo mudou, e as comics também. Natural, normal. Estranho pra quem estava na transição, natural pra quem nasceu na era do @, do #, do .com. Como eu peguei esta transição, ainda tem coisa que me acostumo lentamente, e outras que eu me adapto mais rápido. A mudança é grande e veloz.

Mas, e a história ?

Doctor_Strange_Last_Days_of_Magic_Vol_1_1_Brase_VariantEsta saga em que o Doutor Estranho inaugura sua revista solo em terras verde-amarelas é muito interessante. Praticamente um sujeito de outra dimensão que tem raiva de tudo ligado à magia se apoia na ciência pra matar todas as fontes de magia do mundo, e com elas, matar os magos também. Aliás, do mundo não, de todas as dimensões. E com isso, Stephen começa a perceber e sentir isso. Embora o enredo esteja bem competente, sinto falta de algo mais filosófico, mais estranho “Dr. Estranho” clássico.

Está muito aventuresco, até porque está visivelmente buscando o personagem como visto no cinema. De qualquer jeito, pretendo terminar a saga e depois penso se irei continuar comprando a revista. O roteiro é de Jason Aaron, que também escreveu as novas HQ’s do Thor e de Star Wars. Ele é bom, não me entendam mal, eu não gosto da nova conceituação do personagem, mas o roteiro é competente.

Doctor-Strange-12-01O desenho de Chris Bachallo é competente, tem visivelmente a “pegada” atual de quadrinhos mais comicos e eu particularmente gosto disso. Desenhos ricos em contraste com preto e o colorido psicodélico remete e referencia aos clássicos dos anos 70/80 do Mago Supremo da Terra. Muita riqueza em termos visuais, criaturas, monstros extra-dimensionais, magias e encantamentos. Uma delicia de olhar. É pra admirar mais de uma vez, certamente.

Por tudo isso, recomendo a leitura. Ter algo do Doutor Estranho é melhor do que não ter nada. Como eu sempre fui fã dos quadrinhos dele, até porque eu adoro assuntos místicos, filosóficos e aventurescos por dimensões que parecem saídas diretamente de uma bad trip de algum baseado mal preparado, espero que ele retorne e que acertem a mão na recaptura de sua essência. Historicamente, nunca deu certo com nenhum personagem em nenhuma editora, este tipo de reformulação.

Abraços do Quadrinheiro Véio

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A Poderosa Thor – Reinos Ameaçados

A Poderosa Thor !

jane thorOlá Quadrinheiro !

Você já está sabendo que o poderoso Thor Odinson se tornou indigno do martelo de urur, o trovejante Mjolnir. Correto ? Sei que sim. Senão, não apareceria aqui num blog de quadrinhos. Mas você já sabe como estão sendo as histórias da pessoa que o substituiu ? Vamos falar um pouco agora sobre a Poderosa Thor. Sim, Thor agora é uma mulher, e não é ninguém menos do que Jane Foster. Loucura ? Sim, mas é comics, é Marvel. Portanto, precisa ser assim.

capa thor jane doenteJane Foster assumiu o manto de Thor na atual revista do deus(a) nórdico(a) do trovão, é ela quem agora manuseia o Mjolnir e está chutando muitas bundas na Marvel. Mesmo Loki não está sendo páreo pra ela. Mas a realidade mesmo é que o maior inimigo dela não é nenhum vilão. É um câncer que está matando seu corpo mortal. Um câncer de mama que ela descobriu durante a saga “Thor, Carniceiro dos Deuses” e está sendo devastador. Como ela sabe que toda magia sem seu preço, mesmo sabendo que em Asgard ela poderia se curar, resolveu abrir mão da cura. Na boa ? Que coisa mais burra. 

Até onde eu entendi, na saga Pecado Original ( como tem saga nas HQs, né… tudo é saga ) Thor deixou de ser digno de seu martelo e este encontrou outra pessoa pra isso. Like vs thorComo a inscrição do martelo já dizia, aquele que empunhar este martelo, se for Digno, possuirá o poder de Thor. A gente passa a entender algo como: O poder não é do Thor, é do Martelo. De quem o possui ( tipo o anel dos lanternas verdes. O martelo tem uma inteligência própria pra algumas coisas, que ninguém sabe de onde vem, mas que todo mundo entende como verdade absoluta que nunca se engana ). Pra mim, sempre foi assim, afinal sou do tempo do Donald Blake, do Thor que só tinha poder com o Martelo e quando ficava 1 minuto longe dele, voltava a forma mortal. E o mesmo parece acontecer com a Jane Foster. Ela quando não se “transforma” em Thor, é uma frágil mulher que mal se aguenta e precisa fazer quimioterapia. 

Aliás, acho que aqui cabe até uma reflexão sobre isso. Gosto de ver o empoderamento feminino, uma mulher substituindo um personagem que sempre foi ícone da testosterona, da força bruta, do ápice humano na forma de um deus nórdico, loiro e etc… e justamente a pessoa digna a substituí-lo é uma mulher franzina e doente. E mais do que isso, uma mulher franzina e doente que já foi namorada do próprio herói anterior. Este mundo dá voltas, não ?

Como não poderia deixar de ser, todo mundo em Asgard não reconhece a terráquea como uma deles, mesmo com ela digna no martelo. E pra ajudar, Odin está meio pancada da cabeça, julgando a própria esposa por traição, com atitudes irascíveis. Irreconhecível, tem coisa aí por trás. Imagine que o próprio Thor ( agora apenas Odinson ) a enfrenta e ao perceber seu coração nobre, a permite usar o nome e seguir em frente como a nova Thor. Claro que ele não sabe que é Jane neste momento. E como se isso não bastasse, antes disso tudo, Jane já era a representante de Midgard no Congresso dos Mundos.

UFA ! Quanta coisa.

the-mighty-thor-1Quando fico pensando nisso, é impossível não ver a ligação e influencia do cinema nas Hqs e vice-versa. Como já visto no trailer de Thor Ragnarok ( quando escrevi esta resenha, o filme ainda não tinha sido lançado ), o martelo é destruído e o Deus do Trovão se vê sem sua poderosa arma. Nas HQs ele já está assim a mais de um ano, porém em terras verde-amarelas sempre chega bem depois do mercado americano. 

Mas… ela convence ?

Embora com visual franzino, e falando do mesmo jeito que o Thor falava ( aquele jeito todo nobre, heróico e shakespereano ), Jane convence quando luta. É muito obstinada e lembra bem o comportamento do Thor. Está enfrentando uma barra quando está na Terra, e uma barra maior ainda quando vive as aventuras como Thor. Jason Aaron assina os roteiros e vai indo bem. Não me convenceu muito nas histórias de Star Wars, mas pra quem acompanha o Thor nos últimos anos, já o conhece e já gosta do trabalho dele em mais de 3 sagas. O traço de Russel Dauterman é bom, competente e emocional. Cumpre a parcela de dor, angustia e ação nas cenas de movimento. Mighty_Thor_1_GatefoldE nos anos recentes a cor faz toda a diferença em toda HQ, e por isso merece ser citado, já que toda profundidade bem do trabalho dele, muito rico, cores vivas e bem escolhidas em cada quadro. Muito se engana quem pensa que cor é algo simples nas HQ’s. Não serve mais apenas pra chamar atenção e preencher espaços nas revistas. O colorista muitas vezes muda até a percepção de movimento de um desenho P&B. 

A Poderosa Thor chegou e me convenceu. E olha que pra mim, Thor, Homem de Ferro e cia sempre serão personagens secundários. Dito isso, considero uma vitória ter este momento das HQ’s sendo tão bem feita.

Abraços do Quadrinheiro Véio.

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A Ascensão de Thanos

A Ascensão de Thanos.

Olá Quadrinheiro !

Ascensão de ThanosNaturalmente que hoje em dia, com a alta dos filmes de heróis nos cinemas e após 3 aparições no universo cinematográfico Marvel, poucos não sabem quem é a figura de Thanos. E creio que após os 2 últimos filmes dos Vingadores, a percepção deste vilão vai se consolidar como a do filme, assim como por muitos anos o Super-homem de Richard Donner, interpretado por Christopher Reeve definiu o kryptoniano nos anos seguintes, já que poucos liam HQs naquela época. E naturalmente isso se repete nos dias de hoje com os filmes Marvel que vieram a partir de Homem de Ferro, que foi um tremendo filme e conseguiu abrir a porta pra personagens que até então eram considerados medianos ( e por alguns até ruins ), conseguirem fazer fama e fortuna para a editora, agora também estudio de cinema. E não é algo mágico como as coisas acontecem ? Sei que isso mereceria um post só pra ele, mas pense como seria caso a Sony e a Fox não tivessem comprado da Ascensão de ThanosMarvel os direitos dos personagens pro cinema no final dos anos 90 e a Marvel tivesse, de fato, ido a falência. Foi o momento da reviravolta da editora, que a valorizou e acabou sendo comprada pela Disney e é hoje uma das mais rentáveis empresas do mundo. Claro que uma coisa não justifica ou compensa a outra, mas as pessoas deveriam levar isso  em consideração antes de malhar os filmes do Homem-aranha, Quarteto Fantástico e X-Men. Embora nos dias de hoje, o cinema esteja focado na turminha dos Vingadores, os verdadeiros ovos de ouro da editora só não foram usados porque seus direitos estavam comprometidos. Ou seja, se não fosse a Sony e a Fox, não teríamos Homem de Ferro, Thor, Capitão e etc tão cedo nas telas. Mais uma razão para sermos gratos.

Ascensão de ThanosRetomando o assunto do post de hoje, sobre esta edição encadernada “A Ascensão de Thanos”. Apenas uma curiosidade que provavelmente você já saiba, mas seu nome, Thanos, provavelmente vem do da personificação dos antigos gregos para a morte, Thanatos. Que era filho de Nix ( a noite primordial e também o feminino não luminoso ) e de Érebo, a escuridão primaria, mais precisamente o criador das Trevas. Então, Thanos por si já denota uma ligação com a morte. Aliás, a ligação do povo de Titã com a cultura da Grécia antiga é bem curiosa, já que seu irmão tem o nome de Eros, o deus grego do amor, filho de Afrodite e Hefeso. Na mitologia grega o irmão gêmeo de Thanatos é Hipnos, personificação do sono. Pra eles, a morte e o sono eram a mesma coisa, em intensidades diferentes. Sobre a HQ, eu realmente não sei o que dizer. Eu não sei se gostei ou não gostei. Como já comentei em outros posts da mesma linha de edições especiais de vilões como Dr. OctopusCaveira Vermelha e Dr. Destino, eu não sou fã de humanizações de vilões loucos. Esta mania de tornar humano os vilões clássicos, de dar um motivo para a maldade deles, de justificar é algo completamente desnecessário e, porque não dizer, não humano. Quem pensa em que motivos levou aquele moleque a te roubar o relógio na rua, ou aquele ladrão rouba seu carro na porta de uma igreja quando você esta saindo na Ascensão de Thanoschuva com seu bebê de colo ? Pra mim, humanizar personagens é a mesma cagada que George Lucas fez em Special Edition de fazer o Greedo atirar primeiro ou em “The Phantom Menace”, explicar a Força com Midi-chloreans. São respostas a perguntas que ninguém fez ( ódio mortal disso ). E nesta edição de Thanos é o que acontece. Mais uma vez, criatividade a serviço de vendas e não da arte. Quem leu as primeiras histórias do Thanos sabe do que estou falando. Ele era louco e pronto. Mas era mais plausível ele ser louco por ser louco do que uma suposta e inexplicável possível esquizofrenia, como deixa a entender nesta edição. Ela não deixa claro se ele realmente conversa com a entidade morte ou se ela é apenas criação da cabeça de um lunático mutante, cuja mutação pode não ter sido apenas no corpo, mas além da genialidade mental, pode ter vindo junto esta loucura esquizo. Vai saber… Dizem que esta série sobre os vilões não é canônica. E eu desejo que não seja mesmo.

Ascensão de ThanosA Ascensão de Thanos, o Titã louco tem um pouco de cada coisa que o personagem veio mostrando em suas historias ao longo de toda sua história. Começa em seu nascimento, e vai se conduzindo como todas as edições anteriores a ela, seu crescimento, sua formação moral, seus atos principais e tudo que o definiu como é, até o momento culminante que é a destruição da vida em seu planeta natal. Muito drama, diálogos bem legais e algumas referências a outras histórias dele que viriam posteriormente. É uma edição desnecessária, mas bem feita. Uma mini-série com ares de Graphic Novel, é o que este encadernado reune. Tem seu enredo girando em torno da sedução. Este seria o principal sentimento e o que incomoda um pouco quando se fala de um vilão que foi concebido como um genocida cósmico é a aparente manipulação do personagem. Esta mania de colocar vilões como ele em posição de vítima me incomoda em absurdo. Disse a cima que a historia não define se ele é esquizofrênico ou se a Morte realmente existe. No primeiro caso, se trata de uma doença e não é culpa dele. E no segundo caso, se a morte realmente existe, ele foi manipulado por ela desde criança, o que também tira a culpa dele. Poxa, que saco ! Deixa o cara ser mal porque ele quer ! rs…. que cansativo !

Ascensão de ThanosO roteiro é de Jason Aaron, que eu não me lembro de já ter lido algo dele antes. Não me entenda mal agora. Ele escreve bem, ele é bom, é criativo. Seria muito legal se não fosse o Thanos, e sim algum outro personagem. O roteiro é conciso, bem escrito, com ritmo certo pra uma biografia. Só não precisava ser o Thanos. Quem desenha a Ascenção de Thanos é Simone Bianchi e Riccardo Pieruccini. Bons desenhistas, sabem dar o tom certo e o clima de Graphic Novel vem do traço da HQ. O tom é épico, e o emocional dos rostos fica muito claro, perceptível. Odeio ter dó de vilão ! E o conjunto da obra fez isso. As cores são muito boas, gosto deste clima escuro, com uma pegada aquarela nos quadros de página inteira. Sombreados bem legais.

Ascensão de ThanosUma última curiosidade é que esta edição tem páginas com o Marvel AR, que é a realidade aumentada que você pode ver com um aplicativo de celular especial. Só que a Panini esqueceu de dizer que este app só funciona até 3 meses após a publicação da revista nos EUA e o papel brasileiro não funciona também. E aí, você fica que nem um idiota tentando usar algo que não te avisaram que não funciona. Então amigo(a), nem tente.

Bom, é isso, espero que tenha gostado da resenha. Ficou um pouco longa, mas acho que passei a minha percepção.

Se você curte uma boa biografia, leia. Se curte o Thanos mas não teme que a imagem que você tinha de vilão do mal dele se desfaça, leia. Se não curte, nada disso, passe longe.

Abraços do Quadrinheiro Véio !

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Justiceiro Max – Rei do Crime

Olá Quadrinheiro amigo.
 
Acho que ainda não falei sobre o Justiceiro aqui no blog, e foi por falta de oportunidade já que é um dos personagens que eu mais gostava de ler nos anos 80 começo dos 90. O comportamento neurótico do personagem aliado ao clima de gangsteres que figura na maioria de suas histórias me fascina. Sem comentar a violência. E é justamente este o ponto forte desta HQ que vou comentar neste post de hoje.
Justiceiro Max: Rei do Crime é uma HQ do Justiceiro, mas o personagem principal é Wilson Fisk e mostra toda a sua estratégia e ação para se tornar o Rei do Crime de Nova York. É um roteiro impressionante e muito bem pensado. Vemos como o Rei é um grande planejador, como é centrado e dificilmente se deixa levar pelas emoções. Também é mostrado de forma muito humana como ele enterrou os sentimentos para se tornar um dos maiores vilões da Marvel.
Direto da Cozinha do Inferno, a origem do chefão master do crime nos é contada por Jason Aaron com uma ritmo tão gostoso quanto direto. Os pensamentos do Fisk são compartilhados com a gente o tempo todo, nos aproximando dele e de certa forma fazendo a gente torcer pela sua ascensão. Minhas lembranças do Rei do Crime vem de histórias do Homem-Aranha e do Demolidor. Lembro-me na infância de ter medo dele, ( bons tempos de SAM… ai… ai…. ) de tremer quando ele aparecia por trás de algum plano maligno, de gelar quando ele resolvia lutar. Na história do Demolidor ele foi o grande planejador da ‘Queda de Murdock’ e em um dos momentos mais marcantes ele manda ver uma surra tão grande no Matt que a gente entende porque ele é o Rei do Crime. Percebo algo em comum com todos os grandes chefes de crimes em filme, livros e histórias em quadrinhos: Todos escondem seu verdadeiro poder para que seus inimigos não desconfiem deles e os subestimem. O Rei faz o mesmo em Justiceiro Max.
A selvageria e violência dele é só é proporcional a sua frieza. Nunca tinha pensado na origem dele e achei que foi tão bem retratada que eu não duvidaria nada se não se tornasse a origem definitiva do personagem. Perceba que só falo do Fisk, porque o Justiceiro, ao menos nestas 5 edições de Punisher Max que estão publicadas neste encadernado que eu li, fica relegado a segundo plano. Pelo que pesquisei ouveram 22 edições de Punisher Max e eu fiquei bem interessado em ler o que acontece, até mesmo porque ao final temos a chegada de um outro vilão que eu acho um dos melhores, que é o Mercenário. Espero que a Panini lance a continuação, embora eu ache que não, já que a edição não é numerada… 
Voltado ao Castle, o que chama atenção nele é a sua obstinação. Ele é tremendamente obsessivo em seu combate ao crime ao ponto de ser meio suicida. E a presença dele é mero pano de fundo onde o Rei se apoia para subir ao poder. Mais uma vez é como revisitar um amigo antigo, mesmo que seja um dos maus.
A violência que é mostrada nesta edição merece um parágrafo a parte… hehehe… sangue pra todo lado, buracos de bala na cabeça, olhos saltando das orbitas, facadas, dedos quebrados, cabeças esmagadas… oh saudades que sentia disso.
Os desenhos são bons, de autoria de Steve Dillon e cores de Matt Hollingsworth. Tem olhares sutis, clima de guerra, movimento e traços bem neutros, assim como as cores acompanhando toda os momentos, hora mais vibrante, hora mais neutro. Sempre acompanhando o movimento da cena. Daria nota 7.5. Mais uma vez relembro que eu sempre me refiro ao meu gosto pessoal, ok ? Não sei julgar algo tecnicamente pra dizer se é bom ou ruim. Só posso dizer se eu gostei ou não. 🙂 E eu gostei. Pra ser sincero, quando um roteiro é muito bom, o desenho sabendo acompanhar já é ótimo. Acho que quando o roteiro é ruim, um bom desenho não salva a HQ. Se o roteiro é bom e o desenho é mais ou menos, a HQ é boa. Porém algumas vezes quando os desenhos chamam atenção demais, um bom roteiro pode passar despercebido. Por isso considero esta edição uma medida certa. De qualquer modo, fico pensando como seria se fosse desenhada pelo Neal Adams.
Se você gosta dos personagens de base da Cozinha do Inferno da Marvel, é uma edição imperdível. Por ser sobre personagens sem super poderes, é mais pé no chão e isso deixa a gente com um pouco mais de preocupação e envolve muito o emocional. Ler quadrinhos nos faz sentir, torcer, parar para ver os detalhes de uma cena, tentar adivinhar a trama, emocionar com algumas mortes, torcer pelo herói, entender o vilão quando é mostrado de forma humana. Se você lê regularmente, sabe do que eu estou falando.
 
Boa semana !
 
Abraços do Quadrinheiro Véio !