Black Hammer

Black Hammer

Olá Quadrinheiro.

Vamos falar sobre uma obra recente ( relativamente nova mesmo, já que recebeu até prêmio Will Eisner por melhor série original em 2017 ), que é Black Hammer. Só te adianto que faz um bom tempo que não leio algo tão legal.

Terminei de ler os 2 primeiros volumes lançados no Brasil pela editora Intrínseca desta obra prima da Dark Horse.  Estou bem contente com o que eu pude ler até aqui e como a história vem bem contada. Tem a medida certa de mistério, suspense e aventura. É uma história densa e intensa, naquela levada de pós-apocalipse pessoal, onde os dramas e mistérios do momento presente são lentamente revelados com flashbacks de cada personagem e a gente vai tentando montar o quebra-cabeças na nossa mente.

Referências

Uma das mais surpreendentes coisas que Black Hammer traz são as referências. Você percebe que não é apenas um autor, mas um fã de quadrinhos que escreveu. Alguém que cresceu lendo HQ’s. Diferente de muitos autores que vieram dos livros e criaram a linguagem das HQs. É uma homenagem muito bonita aos heróis clássicos, mas mais do que isso, é uma homenagem à essência do clássico do super-herói. Ser herói é diferente de ser super-herói. Não apenas pelos poderes, mas pela própria linha de vida. Ser um herói é possível pra pessoa comum, com vida comum. Ser um herói é sobre escolhas que estas pessoas fazem. O super-herói tem uma vida fora da vida normal. Quando se soma a parcela “super“, a vida normal não existe mais. Não é uma escolha. Ser vilão ou herói ainda é a escolha, mas o prefixo “super” muda tudo. Ser super é solitário. E é sobre estas pessoas que esta obra se baseia. Então, não são apenas referências ou cópias. São homenagens, mesmo.

Com base nisso, podemos ver as inspirações de cada personagem em sua essência. Como a alma do Capitão América presente no Abe Slam. Ou o Capitão Marvel ao contrário na pequena Garota de Ouro Gail. Ela é uma mulher que se transforma em criança pra ter os poderes ao desferir o nome do mago Zafram.  Ou Barbalien, o marciano. Claramente o Caçador de Marte da DC em tudo, até na base do nome, ou mesmo do seu disfarce e poderes. A bruxa misteriosa do pântano, Libélula, nos remete ao Monstro do Pântano. Além disso, temos referências à sagas com os Gêmeos opostos que nasceram da origem o universo e que vivem em guerra. Alusão ao Monitor e Anti-monitor de Crise nas Infinitas Terras da DC. E ao mesmo tempo, este “Monitor” é equivalente a Odin, tendo Black Hammer o martelo dos dignos que dá super poderes ao possuidor, como o próprio Thor.

Mas isso é apenas o pano de fundo. São elementos que foram usados pra contar uma história sobre a psiquê super-heróica, profunda. Reflexões sobre a existência. Sobre ser normal, sobre não ser normal.

Autoria premiada

O canadense Jeff Lemire criou e roteirizou tudo isso. É o “pai da criança“, podemos por assim dizer. Ele não cria algo novo, ou inédito. Mas faz algo tão mais bem feito, que eu diria que ele é aquele agente da evolução. Ele dá substância e relevância pra algo que já tem tantos seguidores apaixonados ( que são os Super-Heróis ), e faz com maestria. Sua obra mereceu realmente o prêmio Eisner de Melhor Série Original de 2017. O traço de Dean Ormston é tão competente que emociona. Tem personalidade, tem cara de quadrinhos, tem cara de arte. Ele se respeita e equilibra estilo da era de prata com personalização pessoal. E as cores de Dave Stuart dão todo o ar temporal e geográfico que você precisa. Você literalmente mergulha no novo mundo.

Fora das páginas, para a TV

Os direitos de Black Hammer foram adquiridos pela Legendary Entertainment, produtora de vários filmes de sucesso, como Batman Begins, Círculo de Fogo e Jurassic World. A história ganhará adaptações para as telas de cinema e para a TV, ainda sem data de estreia. Parece que vem série por aê !!!

Eu realmente gostei de Black Hammer. É muito bonito, e muito instigante. Parece mesmo feito pra quem leu quadrinhos a vida toda e ama a arte sequencial proporcionada super-heróica. Mal posso esperar pelo volume 3, viu Intrínseca ?

E um agradecimento especial à minha amiga Fabiana por colocar esta maravilha em minhas mãos !

Abraços do Quadrinheiro Véio !

METAL – Noites de Trevas – DC Comics Review

METAL – Noites de Trevas – DC Comics Review

Olá Quadrinheiro !

Terminei de ler METAL – Noites de Trevas ( conhecido como Batman Metal ) estes dias e precisamos conversar sobre isso. Antes de mais nada, vamos situar a obra. Iniciada em agosto de 2017 nos EUA, na edição Dark Days: The Casting e finalizada em Dark Nights: Metal 6 em junho de 2018. Aqui no Brasil, teve uma das campanhas mais legais de lançamento ( confira aqui ) e chegou em encadernados com capa especial, verniz localizado e efeito metalizado, com um mix 3 edições em cada volume, já na ordem certinha pra você ler. A Panini caprichou mesmo nesta mini-série.

Logo que chegou pra mim, eu fiz um primeiro post dando a impressão das duas primeiras edições. E agora, vamos fechar falando da saga como um todo.

METAL não é sobre HEAVY METAL

A saga é basicamente centrada no Batman. Como o mais forte integrante da Liga ( isso é, sim, opinião minha ), ele é o único capaz de subjugar todos os heróis por ser um estrategista brilhante. Dentro do conceito de multiverso, existe uma tal dimensão conhecida como “Multiverso das Trevas” que é de onde os Batman Sombrios vieram. De cada Terra deste universo sombrio, um Batman emergiu mau e tomou os poderes de um personagem da Liga e com isso, conquistou o planeta. Só que um ser sombrio chamado Barbatos, que faz parte do “mecanismo” da criação dos universos aparece por lá e diz a eles que existe um multiverso lindo todinho pra eles conquistarem se o ajudassem a ir pra lá também. E a chave desta passagem é o Bruce Wayne e o metal enésimo, sabe ? Aquele das armas tanagarianas do Gavião Negro e da Mulher Gavião. Que aliás, tem importante participação na história também.

A DC sempre viaja grande quando cria crises cósmicas, isso a gente precisa admitir. Quando o assunto é a possibilidade de fim do mundo ou do fim do universo, ela é capaz de criar acontecimentos incríveis. Tal como este conceito de multiverso das trevas, um Super-Monitor e estes Batman sombrios horripilantes.

Cabe situar você: O universo dos novos 52 foi basicamente desconsiderado neste momento e fatos “pré-52” são citados, tais como a “morte” do Batman e sua jornada ao passado. O Bebê Darkside também aparece. Mas não é nada que você precise conhecer pra entender a história.

Embora centrada no Batman, METAL é uma aventura da Liga como um todo. Batman é a chave/centro dos acontecimentos, mas envolve todo o universo DC. Por isso, chama-se “Metal – Noites de Trevas” e as edições centradas na família morcego e outros em separado, saíram aqui em duas edições especiais, chamadas de “Batman: METAL Especial”.

Gritos na noite – Batman Metal

A história é boa, tem um caminhar bem tenso e até o final, você não consegue ver a menor chance dos heróis vencerem. A narrativa é desesperante. Todos os passos dos heróis são previstos pelo Batman que ri ( personagem que reune e lidera os Batman Sombrios ). Este Batman é uma mescla do Bruce com o Coringa. Sim, é bizarro e tenebroso. Então, é possível imaginar toda a loucura e maldade do palhaço do crime aliada ao maior estrategista conhecido. Ele é bem perigoso. Fora que notei um retorno de algumas coisas que eu curtia nas HQs antigas. Tem a entrega de filosofias, tem o pensamento reflexivo e tem personagens que te fazem pensar e se colocar no lugar deles e refletir no que teria feito se você com você. A Liga tem um papel importante no decorrer da história, principalmente Flash, Cyborg e Lanterna Verde. Mas a trindade Batman, Super-Homem e Mulher Maravilha são os grandes finalizadores como sempre.

Existe apenas um pequeno incomodo pra mim nesta história, que é a forma como ela fecha. Aliás, cabe a ressalva de que tenho a impressão de que não é um problema apenas desta série, visto que “A Noite mais Densa” e “O Dia mais Claro” ( review aqui e aqui ) utiliza do mesmo recurso: A virada inesperada no final acontece de repente, rapidamente, e sem chance pros vilões, de forma milagrosa. É algo muito estranho. Imagine que você passou meses acompanhando a derrocada do mundo. Os heróis sendo derrotados e presos em cada edição. Um a um, seus planos de revide vão sendo derrotados e todos previstos pelo Batman que ri. E ao final, em uma edição, os mocinhos viram o jogo e vencem meio que do nada. O desespero é 6,5 edições de desespero quebrado repentinamente por uma virada rápida, sem profundidade, no final da saga. Isso é algo que realmente me incomodou bastante.

Dá a impressão de que ficou preguiçoso. Acho que pra ficar mais legal, deveriam ter ido mais devagar nesta virada. Heróis tendo pequenas vitórias, conquistando aos poucos e virando o jogo. Quando a virada é repentina, milagrosa e principalmente, baseada em fatos que aconteciam em paralelo mas que são reveladas ao leitor apenas no final, me parece que é como se faltasse “gabarito” aos escritores pra pensar em algo que poderia ser mais legal. É muito simples você vir criando algo só de um lado, no caso no mal, e depois no final, inventar algo do nada e virar tudo pro lado dos mocinhos. Sem respaldo da própria história. Eu senti que ficou um final “preguiçoso“, sabe ?

A jornada é linda, mas o final, nem tanto.

 

 

Quem fez ?

Os principais líderes de METAL são Scott Snyder e Gregg Capullo. Claro que eles não fazem isso sozinhos, tem uma penca de roteiristas e desenhistas que trabalham juntos, já que envolve muitos personagens e revistas solo durante estes meses de METAL. Snyder tem este problema de narrativa desde sempre. Sabe dramatizar, mas não sabe finalizar. Já Greg Capullo eu curto o traço desde Spawm e Homem-Aranha nos anos 90. Houve uma evolução no traço, mas seu estilo permanece nesta HQ. Jim Lee, John Romita Jr, James Tynion IV, Andy Kubert, Dan Abentt, Francis Manapul, Tony S Daniel, Brian Hitch, Jeff Lemire, Ethan Van Sciver, Frank Tieri, Carmine di Giandomenico, Grant Morisson, Doug Mahnke, Jorge Jimenez e Howard Porter são alguns dos nomes que assinam as 5 edições principais. É muita gente boa trabalhando junto e por isso a leitura é sim, muito boa. Minha queixa fica apenas com o final.

Então, se quer saber se é uma história que vale a pena ? Sim, vale muito. É uma das boas histórias que eu li recentemente e acho que, embora não deixe consequências, vale pela narrativa. Recomendo a leitura e eu mesmo penso em reler agora, de uma vez, pra sentir o drama.

Abraços do Quadrinheiro Véio !

Batmen Sombrios
Os Batmen Sombrios