Homem-Aranha – Azul

Homem-Aranha Azul… Esta edição me deixou, literalmente, in blue…

A vida é tão corrida e tão “cheia” de coisas que as vezes nos esquecemos de nossa essência.fb_marvel-67376_0
Toda a minha vida fui leitor de HQ. Desde que me lembro leio histórias inspiradoras que me ajudaram a formar minha personalidade e o primeiro que conheci foi o Homem-Aranha.
Minha gratidão a ele não tem preço e li tanto deste herói que pra mim é como se fosse um dos meus melhores amigos. E se pensar bem, ele é. Já que está na minha vida desde meus 6 anos de idade, né … ?
Ler este livro hoje me fez sentir uma emoção sem igual. Chorei no final. Chorei sentido, junto com ele. Eu estava “in blue” . É uma homenagem à um personagem tão incrível e mesmo até hoje, que eu leio e li de todos os outros, ele ainda é o maior deles. Pela humanidade que apresenta.

Pode ser que tenha alguns “spoilers” no texto, ok ? Eu tento evitar, mas as vezes passa algo e não quero que brigue comigo por isso.

Homem Aranha AzulEm Homem-Aranha Azul, temos um Peter Parker se permitindo uma fragilidade que vemos pouco nele. Embora ele seja sempre uma pessoa mais emocional do que racional, tenha um caráter “meio” depressivo, momentos totalmente reflexivos, melancólicos como o desta edição, acontecem raramente.

E a condução desta narração é feita por ele mesmo. Nas 6 edições de Spider-Man Blue que estão reunidas na edição que eu li da Coleção Oficial de Graphic Novels da Marvel pela Editora Salvat, temos uma condução 100% emocional. É a historia por trás da historia, sabe ? É o Peter Parker conhecendo e se apaixonando pela Gwen Stacy. É um outro ponto de vista sobre uma historia que todos amamos, sobre o começo de um clássico super-herói numa época mais simples, mais honesta, mais humana.

Quer o Duende Verde Original ? Tem !Homem Aranha Azul

Quer o Rino ? Tem… Doc Oc ? Tem… rs… Quer o Abutre ? Kraven ? Flash Thompson ? MJ? O Lagarto ? Todo mundo aí ! Eu adoro estes momentos que mostram a “mente” dos personagens e não os fatos externos. Gosto de saber o que eles pensam e sentem. Como eles se percebem, como eles se estruturaram mental/emocionalmente para se tornarem os heróis que vieram a se tornar. A jornada do herói segue uma mesma estrutura, mas o detalhe, o caminho mental, é distinto para cada um. Seja o Super-homem ou o Batman… Seja o Hulk ou o amigão da vizinhança, é sempre o detalhe que os diferencia, no seu comportamento, no seu “eu” profundo. Na auto imagem que ele faz de si mesmo. Acho que é um pouco aquele lance do “cada um sabe a dor e o prazer de ser quem é”. Rever tudo do ponto de vista do Peter, desde as paqueras as batalhas, principalmente o lado mais Homem e menos Aranha, é muito bonito.

Homem Aranha AzulVocê já se perguntou o motivo de o Homem-Aranha ser o mais famoso e mais celebrado herói da Marvel ? Pode ser que por uma coincidência do destino, ele não seja o seu preferido, mas ele é o preferido de uma grande maioria dos leitores. Claro que muita coisa mudou com os filmes, principalmente a partir de Homem-de-Ferro nos cinemas, em que a Marvel conseguiu dar popularidade ao segundo escalão dos heróis da editora, mas nem sempre foi assim. Em outros posts eu comento mais sobre este “time B” de heróis da Marvel, como os Vingadores e cia… Na minha época de adolescente, Vingadores não chegava nem perto de um Quarteto Fantástico, quanto mais dos X-Men. Mas ele é o favorito pela sua humanidade, por ser como nós. E por nos inspirar a ser um pouco mais, mesmo que ao tentar fazer tudo certo, a recompensa não seja a que esperamos e mesmo assim, queremos acreditar e seguir em frente. Ele mostra o tempo todo que responsabilidade não tem a ver com recompensa, mas com fazer o que é certo.
Por isso, minha gratidão de hoje é a um mundo que eu vivo e que existe o Homem-Aranha nele ! Mesmo que apenas no mundo das idéias.Homem Aranha Azul

O desenho é de Tim Sale. Uma obra prima… traços simples, fortes, uma mão firme que ao mesmo tempo que procura ser fiel a anatomia, deixa claro que é uma HQ. Olhos que transmitem sentimentos reais, quentes, profundos…  É só dar uma olhada nos desenhos do Duende Verde pra perceber a loucura e a raiva no olhar. Perspectivas bem feitas e as cores bem duras, claras, sem a pretensão de parecer uma pintura. Mais uma homenagem dos artistas, que no caso das cores é o Steve Buccellato. O roteiro de Jeph Loeb é conciso e como já disse, emocional. Ele sabe dar o toque perfeito nos diálogos. E a escolha desta época, de um momento tão marcante nas HQs, que é o lamentar da morte de uma personagem, simbolizando toda uma perda de inocência, já que uma personagem principal, talvez uma das maiores influencias do personagem, veio a quebrar e mudar os rumos da própria condução das historias que viriam a seguir. E o mais bonito, nesta HQ, embora o tempo todo a gente perceba a saudade na narração, é contada a historia da conquista e não da perda. A ultima frase da MJ na revista é de fazer a gente chorar de soluçar de tamanha humanidade… e amor.

Homem Aranha Azul

Bom, acho que já escrevi muito. Leia Homem-Aranha Azul. Vale cada centavo. Aliás, vale até mais ! E gostaria de saber o que você achou, por isso, deixe seu comentário !

Grande Abraço do Quadrinheiro Véio !

Homem Aranha Azul

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Capitão América: Morre uma Lenda

E aí, amigos leitores ! Já leram Capitão América Morre uma Lenda ?

Capitão América, pra mim, sempre foi um herói “B”. Tipo, um segundo escalão, com histórias com um nicho bem específico. Claro que ele tem uma representatividade de uma importância absurda pelo que ele representa, mas suas histórias, desde quando eu comecei a ler revistinhas, sempre foram fracas, sem empolgação, mas fieis ao ideal que ele representa, que é o sonho de liberdade americano. E só por isso, ele já tem muito mérito. Lembro me até hoje que uma das melhores histórias que eu li do bandeiroso foi justamente a participação dele na obra prima “A Queda de Murdock” do Demolidor. Quem se lembra, tem uma passagem em que ele é questionado se ainda é fiel aos EUA, e ele responde, segurando a bandeira, que é fiel ao sonho. Achei muito nobre. Aliás, ele é um personagem nobre.
 
Capitão América Morre uma Lenda
Em Capitão América: Morre uma Lenda, que eu li pelo fascículo 51 da Coleção Oficial de Graphic Novels da Editora Salvat, noto que é mais um réquiem do que qualquer outra coisa. Desde a morte do Super-homem, não haviam matado um personagem icônico e importante como o foi o Capitão. E esta edição reúne a edição que ele morre e 5 edições de um tipo de ‘homenagem póstuma‘. E eu gosto muito destas publicações mais psicológicas, mesmo que sejam super clichês, é bacana ver a reação dos outros personagens quando perdem um dos ‘deles‘. Aliás, se o assunto é guerra, americano nada de braçada, né ? E quem morreu é só o símbolo maior da guerra nos quadrinhos, mesmo que não diretamente, todo mundo sabe que o Capitão América surgiu por conta da Segunda Guerra Mundial e mesmo que ele esteja diretamente simbolizando o sonho de liberdade, o ‘lado certo‘ da guerra, outro fato comum é que em toda contenda, o lado que vence é o lado que está certo, é o lado que ‘conta a história‘.
Particularmente, pra mim, não existe beleza e nem vitória em uma guerra, nenhum lado vence. Vence apenas a ignorância humana. O Capitão tentava estar acima disso, mas sempre fiel ao sonho americano, o que é normal, claro… afinal, ele também representa o patriotismo americano, acho até que ele é como se fosse a materialização deste patriotismo, a forma-pensamento deste sentimento tão forte que acho que os americanos tem ‘de mais‘ e nós brasileiros temos ‘de menos‘.
Retornando a HQ, o que eu achei bem criativo é o fato de as 5 revistas representarem as 5 fases do luto. Como estudei psicanálise, adorei esta referencia, porque eu pude notar nos poucos pacientes que eu atendi e no meu observar das pessoas que vivem o luto, como estas fases são reais, sejam elas transparentes, sejam elas escondidas nos comportamentos e mentes das pessoas. Cada uma destas fazes é ‘meio’ que representada por algum herói ligado ao Capitão, e embora todas sejam do mesmo roteirista, cada uma teve um desenhista diferente. Ainda assim, o tom emocional é o guia da publicação, o tempo todo com pesar e o Homem-Aranha sempre o mais emotivo de todos, arrasado. O que me surpreendeu foi o Wolverine. Ele não se bicava com o Capitão, mas era muito sensível o respeito que ele nutria. Era um respeito meio : Você é o que eu não posso ser, te odeio por isso, mas ao mesmo tempo te admiro. Tipo isso. Também vale notar o retorno do Gavião Arqueiro, mesmo sem revelar como isso aconteceu, já que ele morreu em “A Queda”, e até as forçações de barra em alguns diálogos estão bacanas. Mas senti muito a falta do Thor… se não me engano neste período ele estava morto. ( hehehehe… mais um morto, não morto, perdido em algum lugar… )
A história se passa logo após a Guerra Civil, em que ao seu final o Capitão se entrega as autoridades e está sendo levado a um julgamento. De repente, ele leva um tiro, seguido de mais 3 tiros a queima roupa ( que não direi quem deu os tiros, pra não atrapalhar sua leitura ) e não consegue se salvar a tempo. Tipo, o cara morreu algemado, no meio da rua. O que pode ser pior pra um soldado ? Todo soldado sonha morrer na guerra, e não ali, num ataque covarde. E suas últimas palavras, como sempre, foram de um herói: Salve a multidão.
Bom, em HQ sabemos que um herói só morre se o roteirista quiser, porque tem um milhão de personagens com poderes grandes o suficiente pra salvar um herói assim, mas depois de 2 anos sabemos que ele volta. Aliás, isso perdeu a graça, né? Toda vez que alguém morre nas HQ´s a gente nem sente mais porque sabe que ele vai voltar. Aí, é que nem ver novela da Globo, você já sabe tudo que vai acontecer pelas revistas de fofoca, mas assiste mesmo assim… Então, a gente lê pela jornada e não pelo fim. No meu caso foi bem isso. E cabe um parenteses aqui: Eu li esta HQ pela primeira vez ontem a noite, mas a repercussão da morte do supersoldado em 2007 foi mundial. Como sempre falo, ler as histórias na época em que são publicadas é fundamental pro bom entendimento e vivencia do mesmo. Então, estou tendo muito cuidado com o que comento e opino aqui, porque algumas histórias fazem sentido devido ao seu contexto, como Watchman, Cavaleiro das Trevas, e etc…
O roteiro é de Jeph Loeb, a partir de uma idéia de J. Michael Straczynsi. E cada edição, como já disse, teve um desenhista. Primeiro o Lenil Yu com a Negação, Ed McGuinness desenhou a Raiva, John Romita Jr ficou com a Barganha, David Finch com a Depressão e John Cassaday finalizou com a Aceitação. De modo geral as histórias são escuras até chegar na Aceitação. Tem quadros grandes, muita emoção nos rostos, alguns diálogos inteligentes e sagazes, mas sem naquele clima de homenagem, de falar bem do cara que morreu, de resgatar momentos de seu histórico e tudo o mais. Se faz notar a ausência de vilões, e o constante clima do final da Gerra Civil, um momento do mundo super abalado por esta partição entre os heróis. E também se faz notar como o Tony é um grande babaca. Sério. 
É um roteiro clichê ? Sim, é sim. É todo um papo que cansamos de ver em outros funerais ? Sim. Vale a leitura ? Se você gosta deste tipo de material, você vai comer esta revista de colherada, porque é muito bem feita, desenhada e amarrada. O sentimento é mesmo de funeral, de luto, e acho que a gente até passa por isso junto com os personagens.
 
Bom, acho que é isso. Vou ficando por aqui.
Comenta aí embaixo o que você achou do funeral do bandeiroso também, tá ?
 
Abraços do Quadrinheiro Véio.
 
Capitão América Morre uma Lenda

 

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Batman – Silêncio

Olá, Quadrinheiros ! Batman Silencio
A vida continua !
 
Batman Silencio
No post de hoje falarei sobre esta saga que é um grande momento do homem morcego: Batman – Silencio ( Hush ). Esta saga originalmente publicada em 2002/03, em Batman 608 até 618 tem uma pegada sensacional. E sendo o Batman um dos grandes personagens da DC, esta saga define e homenageia ele de muitas formas, seja ao usar vários dos inimigos dele, seja ao colocá-lo como o grande detetive que é, seus dramas, personalidade e pensamentos… e com um extra: mais uma pequena surra dele no Super-homem !! Não que eu não gosto de azulão, eu gosto… mas é legal ver o Batman bater no Super… muito legal. E uma coisa que mostra Batman Silenciobastante nesta HQ é que o esforço do Bruce pra manter seu foco é quase hercúleo. Ele só não é um louco por muito pouco… não pode se desviar nem um minuto, porque a depressão e culpa que ele sente são enormes, deixando-o numa linha bem fina entre a loucura e a paranoia e a sensatez. Também é possível perceber o nível de narcisismo que ele tem, por se achar responsável por tudo… mesmo quando as vezes a lucidez bate e ele percebe que não é bem assim, que todos tem escolhas, independente dos atos dele mesmo. 
Batman SilencioEm Hush somos introduzidos a um novo vilão, conhecido como Silêncio. Interessante perceber que este apelido é dado a ele pelos outros vilões. Ele mesmo não se auto denomina desta forma. Uma coisa legal de ler um encadernado ( como foi o meu caso, já que li as edições 1 e 2 da nova coleção de graphic novels da DC, lançada ainda em fase de testes pela Eaglemoss ) é que não temos que ficar um ano na angustia. Por outro lado, não temos tempo de ficar realmente angustiados por um período longo, consumindo muito rápido uma história que eu amaria ter degustado na época dela e no tempo dela. A angustia de não saber quem está por trás, mas com tudo tão bem amarrado, é uma dor gostosa de sentir. É muito legal a gente ficar tentando investigar junto com o maior detetive do mundo e, uma coisa mais legal ainda é quando você começa a deduzir tudo antes do próprio personagem e começa a torcer por ele. Quadrinhos tem que emocionar, sempre menciono isso, e em Silêncio, a gente é pego em diálogo interno e em conflito de sentimentos o tempo todo.
Batman Silencio

O fator psicológico envolvido em HQ´s do Batman são, para minha pessoa, o maior atrativo. Adoro os diálogos internos, os pensamentos, a forma como ele se move interiormente. A neurose dele beira a psicose e isso deixa ele muito apaixonante. Em “Silêncio” ele não chega perto de enlouquecer como na “Queda do Morcego” mas só porque o vilão não desejava isso. O vilão, louco demais também, queria apenas mostrar que era superior e ao final se mostrou um psicopata muito bem construído. De forma muito inteligente, Jeph Loeb amarra a saga do começo ao final e as Batman Silenciolembranças do passado vão dando pistas o tempo todo até o final. Aliás, acho que o final poderia ser um ‘pouquinho’ melhor, mas mesmo assim, a saga inteira é ótima. O envolvimento de quase todos os personagens da ‘familia morcego’, até mesmo a Caçadora, é algo gostoso de ler. Sou muito fã da fase do Neal Adams no cruzado emcapuzado, pelo fator detetivesco e Loeb traz isso de volta muito bem. As mudanças nos vilões de poio são ótimas, bem como suas motivações muito bem definidas. A obstinação do Batman em resolver o caso ficando dias sem dormir é muito bem pensado, deixa o personagem descuidado e isso voga em favor da história. A forma com que as amizades são exploradas também é muito legal. Se uma pessoa conhece pouco da história do Batman, ao ler Silêncio, consegue ficar a par de muitas passagens importantes na vida dele porque muito é citado e considerado para elevar o nível do conflito interno do Bruce Wayne.

Batman Silencio

 E nos desenhos, o grande Jim Lee, pra mim um dos grandes desenhistas que revolucionou os anos 90, junto com Todd Mc Farlane e alguns outros. E com o traço mais amadurecido sem perder a personalidade de suas achuras. Lee tem uma pegada que definiu o estilo de muitos desenhistas, mas ele tem uma vantagem que poucos puderam seguir: Seus quadros de movimento e ele não ‘posteriza’ o tempo todo. Odeio esta mania de alguns desenhistas de fazer uma capa por quadrinho ( hehehe ), acho tão forçado e narcisista… mas o Jim Lee não. Ele empolga. Só gostaria que ele colocasse orelhas maiores no morcego… hehehe…  Ao menos o Batman dele, mesmo bem escuro, é azul e cinza. Não curto muito o Batman de preto. ( véio é fogo !! ) E se precisa de mais motivos para ler esta edição, te dou dois: Mulher-gato e Hera Venenosa. Elas estão ótimas e não apenas no visual. Prefiro a Hera de cabelo liso, mas o cabelo crespo dela nesta história também ficou muito bom. E já ia  Batman Silencio me esquecendo, uma das características mais importantes do Jim Lee são os olhos. Passe um tempo só prestando atenção nos olhares que ele desenha. Os olhos são personagens a parte. Se ele desenhasse um quadrinho mudo, só pelos olhos entenderíamos todo um diálogo. Acho isso ótimo nele. É um dos poucos desenhistas pós anos 90 que eu digo que gosto, porque sou fã demais dos desenhistas dos anos 70 e 80. Adoro os Romitas, Byrne e Frank Miller. Gosto muito mesmo. E Jim Lee está num patamar que poucos dos anos atuais tem.

Bom, é isso… Batman Silêncio impressiona, resgata e emociona. Simples assim. Não está entre as maiores histórias do Morcegão, mas fica muito perto !
 
Abraços do Quadrinheiro Véio.
 
Batman Silencio
 
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