METAL – Noites de Trevas – DC Comics Review

METAL – Noites de Trevas – DC Comics Review

Olá Quadrinheiro !

Terminei de ler METAL – Noites de Trevas ( conhecido como Batman Metal ) estes dias e precisamos conversar sobre isso. Antes de mais nada, vamos situar a obra. Iniciada em agosto de 2017 nos EUA, na edição Dark Days: The Casting e finalizada em Dark Nights: Metal 6 em junho de 2018. Aqui no Brasil, teve uma das campanhas mais legais de lançamento ( confira aqui ) e chegou em encadernados com capa especial, verniz localizado e efeito metalizado, com um mix 3 edições em cada volume, já na ordem certinha pra você ler. A Panini caprichou mesmo nesta mini-série.

Logo que chegou pra mim, eu fiz um primeiro post dando a impressão das duas primeiras edições. E agora, vamos fechar falando da saga como um todo.

METAL não é sobre HEAVY METAL

A saga é basicamente centrada no Batman. Como o mais forte integrante da Liga ( isso é, sim, opinião minha ), ele é o único capaz de subjugar todos os heróis por ser um estrategista brilhante. Dentro do conceito de multiverso, existe uma tal dimensão conhecida como “Multiverso das Trevas” que é de onde os Batman Sombrios vieram. De cada Terra deste universo sombrio, um Batman emergiu mau e tomou os poderes de um personagem da Liga e com isso, conquistou o planeta. Só que um ser sombrio chamado Barbatos, que faz parte do “mecanismo” da criação dos universos aparece por lá e diz a eles que existe um multiverso lindo todinho pra eles conquistarem se o ajudassem a ir pra lá também. E a chave desta passagem é o Bruce Wayne e o metal enésimo, sabe ? Aquele das armas tanagarianas do Gavião Negro e da Mulher Gavião. Que aliás, tem importante participação na história também.

A DC sempre viaja grande quando cria crises cósmicas, isso a gente precisa admitir. Quando o assunto é a possibilidade de fim do mundo ou do fim do universo, ela é capaz de criar acontecimentos incríveis. Tal como este conceito de multiverso das trevas, um Super-Monitor e estes Batman sombrios horripilantes.

Cabe situar você: O universo dos novos 52 foi basicamente desconsiderado neste momento e fatos “pré-52” são citados, tais como a “morte” do Batman e sua jornada ao passado. O Bebê Darkside também aparece. Mas não é nada que você precise conhecer pra entender a história.

Embora centrada no Batman, METAL é uma aventura da Liga como um todo. Batman é a chave/centro dos acontecimentos, mas envolve todo o universo DC. Por isso, chama-se “Metal – Noites de Trevas” e as edições centradas na família morcego e outros em separado, saíram aqui em duas edições especiais, chamadas de “Batman: METAL Especial”.

Gritos na noite – Batman Metal

A história é boa, tem um caminhar bem tenso e até o final, você não consegue ver a menor chance dos heróis vencerem. A narrativa é desesperante. Todos os passos dos heróis são previstos pelo Batman que ri ( personagem que reune e lidera os Batman Sombrios ). Este Batman é uma mescla do Bruce com o Coringa. Sim, é bizarro e tenebroso. Então, é possível imaginar toda a loucura e maldade do palhaço do crime aliada ao maior estrategista conhecido. Ele é bem perigoso. Fora que notei um retorno de algumas coisas que eu curtia nas HQs antigas. Tem a entrega de filosofias, tem o pensamento reflexivo e tem personagens que te fazem pensar e se colocar no lugar deles e refletir no que teria feito se você com você. A Liga tem um papel importante no decorrer da história, principalmente Flash, Cyborg e Lanterna Verde. Mas a trindade Batman, Super-Homem e Mulher Maravilha são os grandes finalizadores como sempre.

Existe apenas um pequeno incomodo pra mim nesta história, que é a forma como ela fecha. Aliás, cabe a ressalva de que tenho a impressão de que não é um problema apenas desta série, visto que “A Noite mais Densa” e “O Dia mais Claro” ( review aqui e aqui ) utiliza do mesmo recurso: A virada inesperada no final acontece de repente, rapidamente, e sem chance pros vilões, de forma milagrosa. É algo muito estranho. Imagine que você passou meses acompanhando a derrocada do mundo. Os heróis sendo derrotados e presos em cada edição. Um a um, seus planos de revide vão sendo derrotados e todos previstos pelo Batman que ri. E ao final, em uma edição, os mocinhos viram o jogo e vencem meio que do nada. O desespero é 6,5 edições de desespero quebrado repentinamente por uma virada rápida, sem profundidade, no final da saga. Isso é algo que realmente me incomodou bastante.

Dá a impressão de que ficou preguiçoso. Acho que pra ficar mais legal, deveriam ter ido mais devagar nesta virada. Heróis tendo pequenas vitórias, conquistando aos poucos e virando o jogo. Quando a virada é repentina, milagrosa e principalmente, baseada em fatos que aconteciam em paralelo mas que são reveladas ao leitor apenas no final, me parece que é como se faltasse “gabarito” aos escritores pra pensar em algo que poderia ser mais legal. É muito simples você vir criando algo só de um lado, no caso no mal, e depois no final, inventar algo do nada e virar tudo pro lado dos mocinhos. Sem respaldo da própria história. Eu senti que ficou um final “preguiçoso“, sabe ?

A jornada é linda, mas o final, nem tanto.

 

 

Quem fez ?

Os principais líderes de METAL são Scott Snyder e Gregg Capullo. Claro que eles não fazem isso sozinhos, tem uma penca de roteiristas e desenhistas que trabalham juntos, já que envolve muitos personagens e revistas solo durante estes meses de METAL. Snyder tem este problema de narrativa desde sempre. Sabe dramatizar, mas não sabe finalizar. Já Greg Capullo eu curto o traço desde Spawm e Homem-Aranha nos anos 90. Houve uma evolução no traço, mas seu estilo permanece nesta HQ. Jim Lee, John Romita Jr, James Tynion IV, Andy Kubert, Dan Abentt, Francis Manapul, Tony S Daniel, Brian Hitch, Jeff Lemire, Ethan Van Sciver, Frank Tieri, Carmine di Giandomenico, Grant Morisson, Doug Mahnke, Jorge Jimenez e Howard Porter são alguns dos nomes que assinam as 5 edições principais. É muita gente boa trabalhando junto e por isso a leitura é sim, muito boa. Minha queixa fica apenas com o final.

Então, se quer saber se é uma história que vale a pena ? Sim, vale muito. É uma das boas histórias que eu li recentemente e acho que, embora não deixe consequências, vale pela narrativa. Recomendo a leitura e eu mesmo penso em reler agora, de uma vez, pra sentir o drama.

Abraços do Quadrinheiro Véio !

Batmen Sombrios
Os Batmen Sombrios

 

Quem é o Pantera Negra ? – Hudlin & Romita Jr

Quem é o Pantera Negra ?

Esta é uma pergunta que deve estar em alta desde o ano passado, quando apareceu no filme do Capitão América 3 – Guerra Civil. Pra muitos (novos) fãs da Marvel que o cinema conquistou pra editora (?), este personagem era um total desconhecido. Do tipo TOTAL mesmo. Embora seja um personagem dos anos 70, ele também sempre foi um coadjuvante nas histórias da Marvel, principalmente nos Vingadores, chegando a se tornar membro por um período, embora sendo um monarca africano, ainda conseguia tempo pra salvar o mundo. O personagem Pantera Negra é mais um dos que Stan Lee criou em parceria com Jack Kirby,  aparecendo pela primeira vez em Fantastic Four # 52 (julho de 1966). Desta forma, sendo o primeiro personagem afro a aparecer em uma grande editora de quadrinhos. Pra mim é um personagem bom e importante, mas ainda assim mal explorado durante muitos anos até alguém colocar olho grande nele e no seu potencial e começar a dar boas aventuras a um personagem bem criado.

E a história ” Quem é o Pantera Negra? “

Sabe o que eu acho curioso ? O filme solo do Pantera Negra que saiu em janeiro é muito legal, eu achei muito bom, dou uma nota alta pra ele. E esta edição, que reune as edições 1 a 6 de Pantera Negra ( volume 4 ) é a base onde o filme foi fundamentado. Mas aí vem um lance que não entendo. O filme é excelente. A série em quadrinhos é ruim pacas. (…oi? )

Pois é, acabei de ler aqui. Tenho a coleção Salvat de Graphic Novels de capa preta, e gosto muito. Tenho muitos títulos que não li ainda, e esta semana resolvi pegar esta pra entender a base do filme. E fiquei bem decepcionado. Tudo na Marvel andou sendo re-criado nos últimos anos. E muitas coisas acabaram sendo adequadas aos filmes, já que a Marvel percebeu que muitos possíveis novos leitores viriam a partir dos filmes. Porém não esperavam que os leitores novos desistissem dos quadrinhos quando percebiam que eram bem diferentes dos filmes e por isso foram lá e mudaram os quadrinhos pra que se tornassem reconhecíveis pros leitores que chegavam. 

Eu não sou ninguém pra questionar este tipo de decisão mercadológica, mas fiquei meio em dúvida. Até onde valeria a pena perder os leitores antigos pra tentar conquistar novos ? Quem vem do cinema pros quadrinhos realmente fica ? Esta migração pode ser permanente ? Cinema tem uma característica de ser algo muito rápido. Entretenimento não seriado, em geral curto. Quadrinhos é leitura permanente, mensal. Percebo um comportamento de publico diferente em um e outro. Será que vale o risco de perder os leitores regulares e os novos não serem suficientes pra manter a editora ? 

Não sei, o tempo dirá.

Analise a parte…

A HQ tem uma história que conta um pouco da origem do Pantera Negra e sua histórica herança. Mostra como funciona Wakanda, introduz personagens, recicla outros, dá nova personalidade pra alguns. Tenta tornar grande e épico algo que não é e não precisa ser. Me incomoda demais que tudo hoje tenha que ser épico, tudo especial, grandioso. Bom, se tudo for especial, nada mais será. Não é este o desejo do Síndrome em Os Incríveis ? Será que o ego dos escritores não consegue apenas fazer boas histórias sem tentar “epicalizar” tudo ? Deixo o pensamento pra vocês.

O roteiro é de Reginald Hudlin, e na boa ? Não gostei. A tentativa de dar algum tipo de passado, recontar a origem do T’Challa, criar o primeiro encontro do Pantera Negra com o Capitão América durante a Guerra e etc… soam muito forçadas. Hudlin tem maior experiencia em cinema e seriados, sendo roteirista e diretor. Nos quadrinhos, mesmo sendo o responsável pelo casamento do Pantera Negra com o a Tempestade dos X-Men, não consegui ver a história como sendo “grande“, mas como uma tentativa de ser. Tentaram dar uma escala muito grande pro personagem e ficou muito forçado. O cara ficou tão grande que você acha, seriamente, que ele poderia vencer todo mundo da Marvel sem derramar uma gota de suor. Horrível.

Quem me acompanha no blog e no canal ( aqui ) sabe que raramente reclamo de algo, procuro ver o lado bom. Foi difícil ver algo bom aqui. Hudlin faz excelente trabalho na TV e cinema. Gosto do trabalho dele, mas nesta mini-serie em especial, não foi legal. Não pense que julgo o trabalho todo dele. Este post fala apenas do trabalho dele nesta edição.

Romitinha !

O desenho é do sempre controverso John Romita Jr. Este cara é o mais 8 ou 80 que eu conheço. Ou a gente gosta muito, ou é um terror de ver. Esta edição fica no meio. Embora com grandes quadros memoráveis, está longe de ser um dos melhores trabalhos do Romitinha. Um inconstância no traço deixa a gente achando que muitas pessoas desenharam ao mesmo tempo que as vezes a gente até relembra de “O homem sem medo” em alguns momentos. Está bonito, mas não é o melhor trabalho dele, não.

Veredito

Amigo, não sei se recomendaria a você ler isso. Acho que você deveria ficar com o filme mesmo. Aliás, isso só reforça a qualidade de Hudlin como roteirista de cinema. Leia por sua conta e risco.

Abraços do Quadrinheiro Véio.

 

 

Capitão América: Morre uma Lenda

E aí, amigos leitores ! Já leram Capitão América Morre uma Lenda ?

Capitão América, pra mim, sempre foi um herói “B”. Tipo, um segundo escalão, com histórias com um nicho bem específico. Claro que ele tem uma representatividade de uma importância absurda pelo que ele representa, mas suas histórias, desde quando eu comecei a ler revistinhas, sempre foram fracas, sem empolgação, mas fieis ao ideal que ele representa, que é o sonho de liberdade americano. E só por isso, ele já tem muito mérito. Lembro me até hoje que uma das melhores histórias que eu li do bandeiroso foi justamente a participação dele na obra prima “A Queda de Murdock” do Demolidor. Quem se lembra, tem uma passagem em que ele é questionado se ainda é fiel aos EUA, e ele responde, segurando a bandeira, que é fiel ao sonho. Achei muito nobre. Aliás, ele é um personagem nobre.
 
Capitão América Morre uma Lenda
Em Capitão América: Morre uma Lenda, que eu li pelo fascículo 51 da Coleção Oficial de Graphic Novels da Editora Salvat, noto que é mais um réquiem do que qualquer outra coisa. Desde a morte do Super-homem, não haviam matado um personagem icônico e importante como o foi o Capitão. E esta edição reúne a edição que ele morre e 5 edições de um tipo de ‘homenagem póstuma‘. E eu gosto muito destas publicações mais psicológicas, mesmo que sejam super clichês, é bacana ver a reação dos outros personagens quando perdem um dos ‘deles‘. Aliás, se o assunto é guerra, americano nada de braçada, né ? E quem morreu é só o símbolo maior da guerra nos quadrinhos, mesmo que não diretamente, todo mundo sabe que o Capitão América surgiu por conta da Segunda Guerra Mundial e mesmo que ele esteja diretamente simbolizando o sonho de liberdade, o ‘lado certo‘ da guerra, outro fato comum é que em toda contenda, o lado que vence é o lado que está certo, é o lado que ‘conta a história‘.
Particularmente, pra mim, não existe beleza e nem vitória em uma guerra, nenhum lado vence. Vence apenas a ignorância humana. O Capitão tentava estar acima disso, mas sempre fiel ao sonho americano, o que é normal, claro… afinal, ele também representa o patriotismo americano, acho até que ele é como se fosse a materialização deste patriotismo, a forma-pensamento deste sentimento tão forte que acho que os americanos tem ‘de mais‘ e nós brasileiros temos ‘de menos‘.
Retornando a HQ, o que eu achei bem criativo é o fato de as 5 revistas representarem as 5 fases do luto. Como estudei psicanálise, adorei esta referencia, porque eu pude notar nos poucos pacientes que eu atendi e no meu observar das pessoas que vivem o luto, como estas fases são reais, sejam elas transparentes, sejam elas escondidas nos comportamentos e mentes das pessoas. Cada uma destas fazes é ‘meio’ que representada por algum herói ligado ao Capitão, e embora todas sejam do mesmo roteirista, cada uma teve um desenhista diferente. Ainda assim, o tom emocional é o guia da publicação, o tempo todo com pesar e o Homem-Aranha sempre o mais emotivo de todos, arrasado. O que me surpreendeu foi o Wolverine. Ele não se bicava com o Capitão, mas era muito sensível o respeito que ele nutria. Era um respeito meio : Você é o que eu não posso ser, te odeio por isso, mas ao mesmo tempo te admiro. Tipo isso. Também vale notar o retorno do Gavião Arqueiro, mesmo sem revelar como isso aconteceu, já que ele morreu em “A Queda”, e até as forçações de barra em alguns diálogos estão bacanas. Mas senti muito a falta do Thor… se não me engano neste período ele estava morto. ( hehehehe… mais um morto, não morto, perdido em algum lugar… )
A história se passa logo após a Guerra Civil, em que ao seu final o Capitão se entrega as autoridades e está sendo levado a um julgamento. De repente, ele leva um tiro, seguido de mais 3 tiros a queima roupa ( que não direi quem deu os tiros, pra não atrapalhar sua leitura ) e não consegue se salvar a tempo. Tipo, o cara morreu algemado, no meio da rua. O que pode ser pior pra um soldado ? Todo soldado sonha morrer na guerra, e não ali, num ataque covarde. E suas últimas palavras, como sempre, foram de um herói: Salve a multidão.
Bom, em HQ sabemos que um herói só morre se o roteirista quiser, porque tem um milhão de personagens com poderes grandes o suficiente pra salvar um herói assim, mas depois de 2 anos sabemos que ele volta. Aliás, isso perdeu a graça, né? Toda vez que alguém morre nas HQ´s a gente nem sente mais porque sabe que ele vai voltar. Aí, é que nem ver novela da Globo, você já sabe tudo que vai acontecer pelas revistas de fofoca, mas assiste mesmo assim… Então, a gente lê pela jornada e não pelo fim. No meu caso foi bem isso. E cabe um parenteses aqui: Eu li esta HQ pela primeira vez ontem a noite, mas a repercussão da morte do supersoldado em 2007 foi mundial. Como sempre falo, ler as histórias na época em que são publicadas é fundamental pro bom entendimento e vivencia do mesmo. Então, estou tendo muito cuidado com o que comento e opino aqui, porque algumas histórias fazem sentido devido ao seu contexto, como Watchman, Cavaleiro das Trevas, e etc…
O roteiro é de Jeph Loeb, a partir de uma idéia de J. Michael Straczynsi. E cada edição, como já disse, teve um desenhista. Primeiro o Lenil Yu com a Negação, Ed McGuinness desenhou a Raiva, John Romita Jr ficou com a Barganha, David Finch com a Depressão e John Cassaday finalizou com a Aceitação. De modo geral as histórias são escuras até chegar na Aceitação. Tem quadros grandes, muita emoção nos rostos, alguns diálogos inteligentes e sagazes, mas sem naquele clima de homenagem, de falar bem do cara que morreu, de resgatar momentos de seu histórico e tudo o mais. Se faz notar a ausência de vilões, e o constante clima do final da Gerra Civil, um momento do mundo super abalado por esta partição entre os heróis. E também se faz notar como o Tony é um grande babaca. Sério. 
É um roteiro clichê ? Sim, é sim. É todo um papo que cansamos de ver em outros funerais ? Sim. Vale a leitura ? Se você gosta deste tipo de material, você vai comer esta revista de colherada, porque é muito bem feita, desenhada e amarrada. O sentimento é mesmo de funeral, de luto, e acho que a gente até passa por isso junto com os personagens.
 
Bom, acho que é isso. Vou ficando por aqui.
Comenta aí embaixo o que você achou do funeral do bandeiroso também, tá ?
 
Abraços do Quadrinheiro Véio.
 
Capitão América Morre uma Lenda

 

Capitão América Morre uma Lenda

 

Capitão América Morre uma Lenda
 
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Hulk Contra o Mundo

Olá Quadrinheiros !!
 
Vamos pra mais um post de um volume da Coleção Oficial de Graphic NovelsHulk Contra o Mundo da Salvat. Hoje é Hulk Conta o Mundo, que eu ainda não sei se eu gostei ou não.
Pra mim, o Hulk é um personagem que desde sempre eu encarei como o “nervosinho fortão burro de bom coração”, saca ? É aquele personagem que, embora um dos ‘grandes’ da Marvel, eu nunca vi como um dos principais, sempre releguei ele ao segundo escalão e nem as revistas dele eu colecionava direito, então eu conheço pouco da história dele. E confesso que eu gosto mais dele assim. Acompanhei bastante dele na época do Panteão e aquele Hulk inteligente era bem legal de se ler, e por aliar com Mitologia Grega que é uma grande paixão na minha vida também, eu li com gosto esta fase dele que se não me engano virou até jogo de vídeo-game. E nesta coleção tive a 
oportunidade de ler Planeta Hulk, que até tem um post aqui, e eu confesso que achei espetacular, inesperado. Uma saga inteligente, que teve um grande equilíbrio entre o verdão e os outros personagens, com espaço pra todos, com inteligência e sagacidade no roteiro e acabei ficando fã. Só que ao ler esta edição, que se passa depois, eu achei o roteiro meio fraco… tanto que é uma das edições mais grossa das coleção Salvat e eu lí tão rápido, porque são mais imagens do que diálogos. Nesta história o gigante esmeralda está extremamente irritado, e nada irracional, ele sabe exatamente a loucura que está fazendo e mesmo assim, está fazendo. Ele está mau, tipo, Mau com M maiúsculo mesmo. Ele quer vingança de uma forma que, na minha percepção, nem condiz com o personagem. Tipo, o Hulk é um personagem com instabilidade emocional, ele costuma ter uma inteligência de ervilha e é esta inocência, este conflito interno dele que o torna interessante. Pra mim, claro, quando você tira estes elementos dele, coloca ele como um guerrilheiro em busca de vingança, é uma descaracterização tão grande do personagem que nem parece que é ele. Fica uma coisa meio forçada, meio que um autor tentando notoriedade pela coragem de atrapalhar um personagem. E acho que é aqui que reside a grande falha desta edição. Ela não emociona,ela choca um pouco pelas atitudes e pela
Hulk Contra o Mundo
violência, tem muito roteirismo envolvido ( a meu ver, não tinha como ele vencer este povo todo sozinho…) tipo… por mais raiva que ele sinta, uma coisa não tem muito a ver com outras coisas… se a força dele incrementa com a raiva, ok. Mas é a força. Agora, ele conseguir vencer o Raio Negro ? Isso é tão forçado que nem mostra como ele fez isso. Também não fica claro como eles projetaram a nave que trouxe ele e a nova gangue dele pra terra e ao final, quando ele descobre que não foram os iluminatti que explodiram a tal nave lá em Sakaar e sim o próprio povo dele, não rola uma compensação e nada… E, pra complementar este roteiro fraco e forçado, não Hulk Contra o Mundoapareceram X-Men e nem Thor… imagino que deve ter algo dizendo que eles não estavam no planeta na hora do ‘aperto’ com o verdão, mas mesmo assim… sei lá, achei forçado, achei mal escrito e muito violento. E olha que eu até curto violência em HQ, mas tem que ter um motivo pra isso. E se o cara é tão nervosão e todo mundo sabe disso, porque não caiu todo mundo com tudo em cima dele ao mesmo tempo ? 
Mas teve umas coisinhas bacanas também. A luta com o Coisa, por exemplo. Gosto sempre de ver ele e o Hulk saindo no tapa, mas não foi a melhor luta dos dois, aliás foi até meio incômoda. Gosto quando precisam chamar o tal Sentinela loucão, que raramente aparece também. Gosto quando o Homem de Ferro leva uma surra, mas me dói demais quando o Reed erra ou apanha por qualquer motivo que seja. Poxa, o cara é um cientista, as vezes meio arrogante, mas um cientista. Ver o Doutor Estranho é sempre bacana também. O cara é só um dos mais poderosos da Marvel e mesmo assim, leva uma sova do Hulk… só em HQ pra um cara que é só músculo, vencer um crânio como o Stephen Strange no mundo mental… beira o ridículo. Mas, paciencia. Olha que coisa, fui tentar ver o lado bom e acabei indo falar mal de novo… Mas, é fogo estes mega crossovers, não é ? Tipo, mostram um pouco de tudo e muito de nada. Não tem jeito, fica superficial mesmo. Hahaha… desculpa galera, é o Véio Ranzinza atacando de novo.
Hulk Contra o Mundo
Penso que poderiam ter criado uma forma mais legal pra suceder a tão bem produzida Planeta Hulk. Acho que Greg Pak pisou na bola neste roteiro… forçou mesmo. Como pode o mesmo autor ir do céu ao inferno dentro de um mesmo arco ? hehehe… e ele foi bem até no Caveira Vermelha: Encarnado. Até a arte do John Romita Jr., que é um desenhista que eu gosto muito, está fraca e apressada. Gosto quando ele desenha verdadeiras Graphic Novels, com cuidado, com esmero… ele tem um traço muito dele, muito bom. Mas aqui é tanta porrada que cansa, e o traço dele também. Parece que foi bem sofrido até pra ele desenhar um roteiro tão fraco. Poxa, até o Rick Jones não teve uma participação boa… Meu, o Rick… o motivo da origem do Hulk. Tá certo que é complicado que Bruce Banner passe a vida toda ligado a este cara que, mesmo sem querer, foi a causa indireta da origem do Hulk, e não precisa ter este cuidado a vida toda, mas poxa vida, não precisava colocar ele tão inútil assim na trama. Ele entra e sai e se ele não tivesse aparecido, daria na mesma para a trama.
Bom, é isso. Me perdoem a rabugice e fique a vontade pra comentar o que você achou aí embaixo. Eu respeito todas as opiniões e respondo todos os comentários. Todos.
 
E a menos que você esteja fazendo a coleção ou seja fã do Golias Esmeralda, fique longe desta publicação.
 
Abraços do Quadrinheiro Véio.
 
 
Hulk Contra o Mundo
 
 

Homem de Ferro – O Demônio na Garrafa

Olá amigos Quadrinheiros !!!

Depois de um longo e tenebroso ( e seco ) inverno, retomo o blog. Perdoem meu sumiço por tanto tempo. Estive um tanto ocupado com umas coisas de trabalho e me recuperando de uma cirurgia ( estou muito bem, obrigado ) e agora já posso retomar com regularidade meus comentários sobre as publicações de HQ que eu fui lendo ao longo da minha ainda curta vida.

Agradeço muito aos comentários que sempre colocam nos posts. Como sempre faço questão de relembrar, este espaço é democrático e não sou, nem de longe, o rei da razão. Apenas expresso minhas impressões e compartilho minhas lembranças e opiniões. Não tenho intenção de fazer média com ninguém e nem tenho ‘rabo preso‘ com nenhuma editora. Fiquem a vontade para concordar e discordar de tudo, sempre com muito respeito. Lembre-se que opinião é algo muito particular e não existe certo e errado. Mas se em algum momento eu me equivocar em alguma coisa, fique a vontade pra me dar um toque, tá ?
Então, vamos a esta que eu considero uma HQ muito boa, mas não excelente: O Demônio na Garrada – do nosso latinha querido, o Homem de Ferro. Aliás, vale uma ressalva, eu acho muito legal eles não terem aproveitado o filme pra colocar o nome em inglês no Brasil, como fizeram com o Super-homem. Ainda não me conformo com isso… coisas de velho. ( assim como o ursinho puff, bisonho, fada sininho, lollo e tantos outros nomes que mudam sem o menor cabimento… )
Eu nunca considerei o Homem de Ferro como um super herói de destaque no universo Marvel, aliás, se não fossem os filmes, certamente que ele não teria hoje o destaque que tem. Mas ele também não é dos piores. Eu o colocaria na linha do meio, abaixo de Homem-Aranha, X-Men e companhia limitada, mas ainda assim acima de Cavaleiro da Lua, Manto e Adaga, e outros heróis mais timidos. Acho que os Vingadores, mesmo tendo HQ´s muito bacanas, tiveram poucas publicações com algo muito memorável. Aliás, eu diria que até esta publicação das bebedeiras do Tony Stark, só veio a ter mais destaque justamente porque é uma mediana que se destaca nas publicações mais básicas do personagem. Minha opinião, não se ofenda, ok ? Lembre-se que é um idoso rabugento que voz escreve. 😉
De qq forma é uma HQ que vale muito a pena a leitura, ainda mais pra quem gosta de ler uma época mais direta e com o surgimento de dramas reais nas histórias. Tratar de uma coisa como o alcoolismo em uma publicação para crianças, tinha um certo peso e serviu a um propósito muito nobre. Lembre-se sempre quando ler uma publicação deste tipo, que é necessário posicioná-la no tempo em que foi produzida. Transporte-se para os anos 70 e procure entender como era viver numa época em que haviam poucos canais de TV e nem de longe se falava em internet. Aliás, telefone fixo ainda era algo pra poucos ricos e levava 3 anos pra ser instalado na sua casa, através do plano expansão. Tempos difíceis, mas que ninguém deixava de ser feliz ou produtivo por isso. Então, baseie-se nesta época, com a guerra fria botando um alerta de fim de mundo nos 4 cantos deste planetinha. A Guerra ainda era muito presente na vida das pessoas, poucos nesta época não lembravam da segunda grande guerra e isso é muito relevante. Então, esta HQ ainda reflete muito da corrida armamentista, da busca de uma retomada econômica mundial. Quadrinhos de heróis não é só diversão, tem muito aprendizado ali. Você pensa que está lendo algo que trata apenas do alcoolismo, mas não percebe a lição de história que recebe de troco.

Também temos a aparição do Justin Hammer, e se você assistiu Homem de Ferro 2, vai perceber muitas semelhanças entre o filme e esta HQ. Aliás, eu arrisco dizer que este arco só foi relançado por causa do filme. Como eu disse, Homem de Ferro tem tão pouca coisa boa, que algo mais mediano como esta passagem da vida dele acaba se destacando.
David Michelinie é um gênio da narrativa. Ele consegue ir do clichê ao drama sem parecer uma quebra de tempo, sem perder o ritmo e sem fazer parecer que você está lendo uma nova ‘dobra‘ da história. Aliás, recomendo que você procure ler mais as coisas deste cara. Sério, mas só depois que terminar de ler tudo aqui, tá ?  :pppppp
E um dos maiores destaques ( pra mim ) é a Armadura Clássica. Não adianta, sou saudosista e nostálgico, nada supera esta armadura. Ela tem a dose certa de fantasia e tecnologia e eu cresci vendo ela no desenho animado da TV. Acho que isso já deixa tudo muito mais legal, além do fato de ter John Romita Jr. nos traços, né… Véio, na boa, se você não gosta dos Romita, tem algum problema com você… eles podem não ter o traço sofisticado dos dias de hoje, mas em matéria de narrativa e movimento, poucos nos dias de hoje conseguem chegar perto. Fora a regularidade do traço e as expressões… drama puro, excelente.
Acho que esta edição da Salvat, que faz parte da Coleção Oficial de Graphic Novels da Marvel vale a pena, sim.
Bom, este é meu retorno ao mundo dos vivos. Não vou mais sumir por tanto tempo, amigos !
Abraços do Quadrinheiro Véio !

Homem-Aranha: De Volta ao Lar

Escrever sobre o Homem-aranha é tarefa bem fácil pra mim. Ele foi meu primeiro super-herói, foi onde comecei a ele quadrinhos e é minha porta de entrada pra este mundo fantástico. Recordo-me até hoje da minha primeira revista dele, Homem-aranha número 37, que vinha com um decalque de camiseta do Homem-aranha. Ganhei a revista da minha mãe. Eu estava na casa da minha avó e fiz ela colocar o decalque numa camiseta branca que eu estava usando… hehehe… Doces recordações de um quadrinheiro veio.
Mas, retornando ao assunto do post, acabo de ler a primeira edição da coleção de Graphic Novels da Editora Salvat. Edição esta que acabou de começar a ser distribuída em todo território nacional e que um leitor da nossa página do Facebook gentilmente me pediu pra comentar. Então, mãos a obra, já que não é trabalho algum.
Bom, inicio apenas dizendo que pra mim existe uma grande diferença entre Graphic Novel e uma passagem dos quadrinhos regulares. Pra mim, uma GN é uma edição feita pra ser assim, com começo – meio – fim, não necessariamente canônica, preferencialmente atemporal. E não apenas uma encadernação especial em papel diferenciado. Juntar 6 edições de uma revista regular numa edição de luxo, pra mim, é só uma encadernação, ok ? Jóia. Que bom que esclarecemos isso.
Esta edição Homem-aranha: De Volta ao Lar é tudo de bom. Sério. A muito tempo não lia algo com qualidade no Homem-aranha. E esta sequencia da revista foi bem escolhida. Deu um up, um retorno aos bons roteiros dos anos 80 que eu tanto sentia falta. Um Homem-aranha crível, um Peter Parker problemático e comum. Os anos 90 foram duros com o cabeça de teia. Saga do clone me fez parar de ler. Li ela inteira, li até o retorno do Peter após a morte do Ben Reilly. Mas a cagada foi tanta que perdi o tesão de continuar. Apenas pra situá-los, a história se passa após a separação do Peter e da Mary Jane Watson, e reune as edições 30-35 do segundo volume de “The amazing Spider-Man“, lançado a partir de junho de 2001. ( Não entendo porque a Salvat não coloca a informação de data original em seus encadernados… se tem, está bem escondido, pois procurei).
J Michael Straczynski é um gênio do roteiro e ritmo. Ele sabe pausar, sabe correr, sabe andar, sabe dar emoção. Ele sabe escolher as palavras, sabe como deixar curioso. Gosto de ler histórias dele. Mas não gostei muito de Babilon 5. ( Respeite, cada um é cada um, ok ? ). Acho que nos quadrinhos ele demonstra mais o que sabe, mais a sua produtividade criativa. Ele nos dá um Peter resgatado após tantos anos de roteiros porcaria ( o final dos anos 90 foram mais duros com o Peter Parker do que qualquer inimigo que ele já teve… ). Vemos o Parker livre, adulto, sofrido, evoluído com o tempo. Uma tendencia natural de um personagem que se torna velho e mais conhecido e atualizado aos tempos atuais, mas mesmo assim procurando manter a sua inocência e visão puras como um super-herói precisa ter. Para ser herói é necessário certo sacrifício e é o que ele começa a demonstrar. E uma das principais características do personagem, que é a persistência, é colocada a prova aqui, já que o vilão da edição é o Morlun, um vilão genial como a muito tempo não se criava. Um vilão frio, que faz a gente sentir medo, faz a gente ficar preocupado mesmo. Quando ele fala “não é nada pessoal“, é de gelar o sangue. Estou meio bobo com esta edição, confesso. :p
Arte do JR Jr. Clique pra ver maior !
A arte dispensa comentários, né… Qualquer um com Romita no nome deve ser lido por todo e qualquer fã de HQ. Sou fã declarado dos Romita e o John Romita Jr arrebenta. Ele tem uma forma de mostrar movimento muito pessoal e isso torna as habilidades do Aranha mais visuais. Quadros grandes, hachuras nas sombras, traços finos… expressões… são um legado e tanto deste artista que, pra mim, é do panteão dos melhores. Pode ver aí nas páginas que estou expondo se estou exagerando. Véio tem por hábito exagerar um tanto, né… mas não é o caso. Fora a tendência de achar que tudo de novo é ruim, o que neste caso também não é. Ah, e soube ontem pelo site Omelete que ele acabou de assinar com a DC, pra desenhar o Super-Homem.
Vale a pena adquirir a edição, mesmo que não pretenda colecionar todos os volumes. E o preço é bom também.
Abraço apertado do Quadrinheiro Véio.