O Dia mais Claro – DC Deluxe

O Dia mais Claro

Olá Quadrinheiro.

Vamos falar do fechamento da história do Lanterna Verde, sem nenhum lanterna verde, que é O Dia mais Claro. Mas… espere um pouco. Eu disse fechamento da história do Lanterna Verde ? Sim. Sem nenhuma tropa de nenhuma cor, nem verde, nem amarela, nem nada ? Sim. E isso eu achei muito curioso. A saga da Guerra dos Anéis fecha tendo apenas 1 anel e 1 bateria energética que é a branca. 

Pra não ser tão exagerado, deve ter um ou outro quadro com Hal Jordan, Sinestro e Safira Estrela. Mas nem de longe é uma historia centrada nas tropas arco-íris que eram o grande centro do que houve antes. Embora seja um desfecho, sim, da Guerra dos Anéis, esta saga segue um caminho diferente. Além de ser uma grande e boa história, ela serve também pra introduzir personagens, resgatar outros e reintegrar os ressuscitados que retornaram durante a noite mais densa e explicar a razão de terem retornado. Ela fecha a saga de maneira linda, ao mesmo tempo que mostra que nem tudo no universo gira em torno dos Lanternas.

Um novo e brilhante amanhã

Deixa eu te contar um pouco do que acontece e tentar resumir as mais de 660 páginas deste encadernado DC Deluxe da Panini: ao final de A Noite mais Densa, a bateria branca ajudou a derrotar Nekron e terminar com a “escuridão” primordial outra vez, mas desta vez sem precisar resetar o universo. Porém, ficaram uns resquícios e foi preciso restaurar o equilíbrio novamente do universo. Uma vez que a Terra é o planeta onde a vida começou e era onde a bateria e a entidade “Luz Branca” estava escondida e protegida, foram muitos heróis e vilões daqui que a tal luz branca trouxe de volta a vida para cumprirem seus “desígnios” e assim, a ordem ser re-estabelecida mais uma vez. Pra isso, Boston Brand é trazido de volta a vida e é o único a manter o anel branco. E outros personagens revividos ao final de “A Noite mais Densa” começam a descobrir que não foram restaurados a toa, mas com uma missão específica pra cumprir e ao fazer isso, poderiam continuar vivos e ter uma segunda chance. Desta forma, Aquaman, Ajax, Nuclear, Gavião Negro e alguns outros retornaram com umas pequenas diferenças em seus poderes, mas com missões específicas a cumprir. Ao final, o tal “escolhido” para proteger o planeta e a luz branca aparece, recebe o anel branco, derrota a escuridão final e tudo volta a normalidade.

O tal escolhido é o próprio Monstro do Pântano, o elemental da Terra e por isso, o perfeito campeão para protegê-la. Aliás, adoro quando misturam os elementos. Achei legal referenciarem Aquaman como a água, Ajax como a terra, os gaviões como o ar e Nuclear como o fogo. Com esta união, fortalecem o Monstro do Pântano que se utiliza de um ressuscitado Alec Roland pra enfrentar a entidade da escuridão, que se manifesta como um elemental “monstro do pantano” do mal.

Vale citar que isso tudo acontece no encadernado DC Deluxe da Panini: O Dia Mais Claro, que reune em 668 páginas as edições Brighest Day 0, 1 a 24. Na boa ? É material pacas !

Vamos analisar isso.

O próprio Geoff Johns assina este fechamento junto com Peter Tomasi. Acho que Johns não estava muito afim de fechar a história sozinho, mas nota-se claramente a mão dele na direção principal da edição. E a gente nota novamente, assim como em A Noite mais Densa, que O Dia mais Claro carrega o mesmo tipo de formula. A narrativa é rica, uma jornada profunda. A história entra mesmo na condução de alguns personagens, focando pesado em Nuclear, Ajax e Aquaman e pra este introduz um novo aprendiz na pele de Kaldur’ahn, filho do Arraia Negra que sofreu experimentos nas mãos do Rei de Xebel e adquiriu poderes aquáticos como os de Mera.  Muito bom mesmo ver a origem de um personagem que depois vai ser tão importante em Young Justice. Uma renovação diferenciada com a aplicação muito bem feita da Jornada do Herói. Fora que ver Aquaman perder a mão de novo, e lutas épicas comandando peixes mortos é bem bonito de se ver.

Eu acho que O Dia mais Claro se diferencia de A Noite mais Densa principalmente pela ausência do desespero e o foco na esperança. Enquanto na edição anterior você fica o tempo todo perdendo a esperança, nesta edição, embora tudo complicado, sentimos uma esperança o tempo todo. Você sente que algo positivo vai acontecer no final, embora não saiba bem o que, sente esperança. 

Temos um momento bonito do Ajax em Marte, algo parecido com a “Clemência Negra” que Alan Moore criou para Mongul usar no Super Homem durante a era de bronze. Onde ele é dominado mentalmente por uma marciana que deseja repovoar marte acasalando com J’onn e fazendo-o vê-la como sua falecida esposa. Claro que não dá certo, e ele dá uma surra na sua captora e se joga com ela no sol. A história do casal alado que tem suas vidas e reencarnações sempre resetadas também é muito bonita. Carter e Shiera Hall também tem momentos muito desafiadores pra cumprir suas missões de vida ao encontrar a mãe de Shiera e descobrir que ela faz parte do que aconteceu com eles desde o começo. O novo nuclear formado pelo retorno do Ronnie Raymond que se une a Jason Rushk também traz a despedida do Professor Stein com emoção forte.  Esta foi uma saga de revelações, sacrifícios, renascimento e muita luz. Mas poucos sofreram tanto quanto o Desafiador, realmente ele vive o maior dos dramas, já que não consegue se manter no mundo dos vivos e deve retomar a sua maldição de ficar entre os mundos. Nem morto, nem vivo. Apenas existindo.

É uma saga intensa e conclusiva, mas sem deixar de ter história.

Muito lápis no lance

Sendo uma saga enorme, não tem apenas um artista desenhando tantos momentos. É muito visível a mudança de traço durante toda e publicação. Fernando Passarin, Patrick Gleason, Ardian Syaf, Scott Clark, Joe Prado, Oclair Albert e o já conhecido da saga, e brasileiro, Ivan Reis, são os nomes que você deve agradecer depois de ler tudo.  Aliás, cabe dizer que as páginas são meio que intercaladas entre os artistas em uma mesma edição, não sendo cada um em uma edição inteira. Algumas páginas eu até assustei com a mudança de “pegada”, ou melhor dizendo, de “riscada” ou “traçado”. Isso não compromete a experiência, mas é estranho e notável. 

Se você está pensando se vale a pena ter este encadernado em sua coleção, levando em conta o preço aparentemente salgado, te digo que vale. Acho que é uma daquelas edições que são importantes, a história vale muito a pena e em algum momento você vai ter vontade de ler de novo. E ver todas juntas na estante, é lindo !

Abraços do Quadrinheiro Véio !

Lanterna Verde: A Noite mais Densa

A Noite mais Densa.

Olá Quadrinheiro.

Finalmente vou fechar com vocês a saga “A Noite mais Densa” do Lanterna Verde, que a Panini veio publicando em encadernados maravilhosos. Aliás, vou deixar aqui todos os links caso queira ler todos desde o primeiro, iniciado em A Guerra dos Anéis. Se não leu ainda e quiser saber mais, clique no link.

A Luz se apaga…

A Noite mais Densa busca fechar toda a guerra do Geoff Johns, e segue a mesma formula dos outros volumes. Tem uma qualidade muito forte, impar, sabe expor o problema, desenrolar muito bem, coloca a gente em desespero e segura este desespero por várias edições. Tanto que este volume de A Noite mais Densa contem as edições de Green Lantern 43 a 51, Blackest Night 1 a 8 e Blackest Night 0 em 532 páginas. É muito grosso e pesado, mas vale cada página.

A história começa com o retorno do mão negra, inimigo antigo do Lanterna Verde Hal Jordan ( meu preferido ). Como se tornou padrão, hoje é comum dar um passado traumático pra justificar as maldades dos vilões. Na minha infância a gente sabia que o cara era mau e pronto. Hoje, parece que tem que explicar o que levou ele a isso, pra entender as motivações. Como se isso realmente importasse na hora de deter um genocida, assassino ou ladrão na hora que ele está fazendo suas vilanices. Mas os tempos mudam, todo mundo que saber e entender tudo, querem veracidade numa história que personagens usam anéis energéticos pra voar. Eu juro que ainda não entendi bem a linha limite do aceitável e o não aceitável num mundo de fantasia.

 

 

E os mortos se erguem !

A história traz momentos bem dolorosos pros próprios personagens. A pouco tempo, muitos personagens muito bons haviam morrido em suas histórias. Acho que a Noite mais Densa foi uma forma de trazer muitos deles de volta. Personagens como Aquaman, Ajax, Rapina, Jade, Nuclear entre tantos outros são revividos como zumbis numa guerra psicológica muito bem pensada. São discursos emocionais extremos e como a DC tem muito “passado“, é dificil não perceber muitas homenagens embutidas em algumas falas. Personagens clássicos que foram tão perigosos no passado, como Anti-Monitor são trazidos de volta ( infelizmente com uma importância menor e por isso, achei meio desrespeitoso ) e outros heróis menores tem um papel mais forte do que já tiveram em toda sua vida. Eu, como fã do Desafiador, gosto de ver ele tendo suas passagens bem importantes durante a saga, mesmo que isso seja apenas um preparativo pra ele retornar com maior protagonismo em “O Dia mais Claro“, que comentarei mais em outro post/artigo.

A Noite mais Densa é uma história do Lanterna Verde, que é grande demais pra ignorar o restante do universo de heróis e por isso, eles tem alguma participação. Mas o bom disso é que rola o respeito de manter o protagonismo verde o tempo todo. Afinal, A profecia é de OA, está no juramento do Jordan e agora, sabemos do que se trata. Não espere Super-Homem, Mulher Maravilha e Batman roubando protagonismo aqui. Eles estão lá, mas não é a briga deles. Tem mais gente da Liga. Tem gente pra caramba. Tem morto e zumbi pra caramba. Mas é uma história do Hal ! ( aí sim ! )

Basicamente, eles precisam unir todas as tropas para liberar o poder da Luz branca que deu origem ao universo. Então, a missão de unir representantes de todas as cores já mostradas desde a Guerra dos Anéis é o objetivo aqui. Diálogos afiados com egos inflados é o que não falta. Assim como revelações sobre a real importância da Terra no grande esquema dos cosmos. Muito curioso e interessante, criativo e bem desenvolvida, a história segue sempre tensa. Sempre deixando a gente se sentindo realmente numa noite muito, muito densa e que parece que nunca vai ter fim.

Zumbis !

Geoff Johns é bom em narrativa extendida. Ele sabe esticar bem uma história. Esta fase dos lanternas, esta Noite mais Densa, durou 9 edições e termina em segundos… rs… isso é minha única queixa. Desenrola por 500 páginas, complica, vai deixando extremo, vai piorando, vai afundando, promessas e mais promessas de dor e sofrimento, cada vez mais e mais difícil de vencer um inimigo cada vez mais e mais poderoso e conclui em 5 páginas. WTF ?!!? Literalmente, A Noite mais Densa é uma história pra curtir a jornada. Que é sim fenomenal. Mas o final não é ruim, é apenas muito simples, muito curto, muito “quando você percebe, já foi“.

O lápis é compartilhado por muitos mestres neste grande volume: Doug Mahnke, Ed Benes, Marcos Marz e o brasileiro Ivan Reis que autora as edições de Blackest Night. Os traços de todos são bem competentes, cheias e artes de páginas cheias, páginas duplas, quase posteres em alguns momentos. Não tenho queixas e nem elogios. A arte conta o que tem que contar, segue a tendência da época de buscar ser épico o tempo todo. Sou do tempo que a narrativa era mais importante do que a arte. Vi quando isso mudou nos anos 90, quando a arte passou a ter uma maior importância e a narrativa se prejudicou. Toda a saga dos anéis ( desde a Guerra dos Anéis até o Dia mais Claro ) alia qualidade narrativa com qualidade visual. Embora em alguns momentos o poster fica mais importante do que o movimento e narrativa. Fica um pouco a impressão de que os personagens estão posando pra foto o tempo todo. Muito bem desenhado. Arte linda, impecável, mas as vezes falta aquela coerência com a situação. Acho lindo, não estou reclamando, apenas pontuando uma percepção.

Mas… e aí ?

A Noite mais Densa é uma história digna como a muito não se via. Ela tem a grandeza da DC dos bons tempos, ela faz a gente não querer mais parar de ler, ela tem Hal Jordan e Barry Allen. hehehehe… Embora eu tenha demorado muito pra finalmente me permitir ler estas maravilhas, com medo e preconceito desta invenção de diversas tropas e cores diferentes, eu fui surpreendido positivamente mesmo já pegando a coleção com a proposta de não gostar. Mordi a lingua, e gostei.

Então, se você estava esperando algo acontecer pra finalmente adquirir e ler a Noite mais Densa. Se estava esperando este quadrinheiro véio te falar o que pensa, a espera acabou. Compre sem medo, dinheiro bem investido. Livro lindo na estante, coração recheado de emoção e alegria de estar ao lado dos Lanternas Verdes enfrentando sua maior profecia, seu apocalipse pessoal.

Abraços do Quadrinheiro Véio !

 

Superman – Entre a Foice e o Martelo

Superman – Entre a Foice e o Martelo

Lembro-me bem do quão revolucionário foi o lançamento da mini-série Superman Red Son aqui no Brasil. A gente tinha ouvido falar de algo sensacional lançado e 3 anos antes nos EUA, em que o bebê Kal-el teria caído na União Soviética e não no Kansas como na história original. Mas só teríamos acesso a ela em junho de 2006, quando a Panini trouxe a mini-série em 3 edições pro Brasil.

Red Son explora uma das épocas históricas mais interessantes do mundo recente: a Guerra Fria. Desde seu início e de como o herói poderia mudar todo o rumo do mundo, ao ser a grande arma comunista, fiel à Stalin e seus ideais. Gosto sempre de pensar no impacto das histórias nos leitores, não apenas como uma aventura, mas como um formador de reflexões. Estes exercícios de pensamento, este universo “O que aconteceria se…“, que se leva a sério e tem começo, meio e fim, costumam apresentar grandes histórias, já que não se prendem a uma cronologia quase secular e limitante.

Gosto desta mini em especial porquê é raro ter coisas boas lançadas depois dos anos 2000 e Entre a Foice e o Martelo tem o melhor que os quadrinhos podem oferecer. Em termos de história, de arte e pensamento. Todo exercício criativo é importante e gratificante. E é como sempre cito nas minhas resenhas: a historia precisa te emocionar, te fazer sentir de verdade. Seja medo, alegria, tristeza, revolta, saudade, espanto… e tem tudo isso.

Superman formatado ?

O Super-Homem tem todo um estereótipo de escoteiro, de ser a pessoa que sempre faz o que é certo independente do sacrifício pessoal envolvido. Isso ao mesmo tempo que inspira, gera culpa. E mesmo quando ele é colocado do lado vermelho do mundo, numa época que isso era visto como nocivo pelos americanos pela forma como era imposta, ele se mostra comedido, correto, e disposto a fazer o que traz bons resultados, e nem sempre isso acontece dentro do que ele foi ensinado ou doutrinado. Ele tem sempre, não importa o mundo, o universo paralelo, a época, este senso de justiça e é sempre o grande salvador da humanidade. Reflete o melhor dos humanos, sendo ele mesmo alienígena. Quando pensamos em Super-homem, é isso mesmo que aparece na mente: Uma pessoa super ! Curioso que isso seja algo visto como tão impossível que foi necessário criar um alienígena pra ser o melhor de nós. Não é pra se pensar ?

Pense que nesta história

Entre a Foice e o Martelo começa com o aparecimento do Superman do lado russo. Com o uniforme em cores mais sombrias, ostentando em seu escudo a foice e o martelo comunistas. Embora lançada em 2003, ainda tínhamos uma sombra forte da época da guerra fria, mas já a víamos como algo distante. São 15 anos, mas pra quem viveu o medo da guerra nuclear nos anos 80, é muito marcante. 

Quando o escoteiro começa a demonstrar realmente a inclinação e a crença nos ideias soviéticos, é algo um tanto chocante. E fica mais ainda quando Lois está casada com Lex Luthor e que ele é o grande salvador da humanidade. Aqui temos realmente um embate de vida toda, entre o super poderoso alienígena versus o ápice da inteligência humana. Lex, neste caso, ainda fiel à sua paranóia anti-superman nunca desiste e a história se passa em 3 momentos da vida de ambos, envelhecendo contemporaneamente, nos mostrando os principais embates em sua juventude, fase adulta e já em idade mais avançada quando a história se fecha com muita classe e com uma grata surpresa ao final.

Aliás, acho que este final se torna muito criativo, uma vez que altera a própria origem do personagem ( e isso é permitido já que é uma história paralela em outro universo ) e surpreende pelo contexto bem engendrado, onde as peças se unem e conclui com toda classe.

Amazonas e Morcegos

Claro que em se tratando de universo DC, dificilmente hoje em dia é possível criar alguma trama planetária sem que os outros heróis apareçam. Foi-se a muito tempo a época em que ameaças globais eram combatidas apenas por um personagem.

Embora centrado no Superman e no Luthor, Batman, Mulher Maravilha e Lanterna Verde tem participações que ao mesmo tempo que são importantes, não o são. Não que sejam dispensáveis, já que a história faz bom uso de suas participações na trama e eles não roubam os holofotes. Está no devido lugar, com o devido peso e ao mesmo tempo faz com que o leitor não fique se indagando: Onde estavam os heróis americanos quando o Superman tomou o poder do mundo ? 

E é muito legal os uniformes desenvolvidos pra todos eles, desde os trajes do Clark ( que mostram a sua evolução, sua mudança gradual ) até os outros heróis. Gosto muito mesmo da forma que foi desenvolvido.

Ele de novo !!

Mark Millar ( de Kingsman, Velho Logan, Guerra Civil, etc… ) em uma de suas fases mais criativas é o autor deste livro. Habilmente conduz questionamentos, diálogos e situações como uma biografia muito bem engendrada. Ele sabe como prender a sua atenção misturando momentos de ação com backgrounds bem construídos de narrativa e condução, tornando a leitura fluída, dinâmica, rica e sem ser cansativa. A gente gruda no livro, que aliás foi relançada encadernada pela Panini novamente este ano.

O desenho de Dave Johnson é duro, seco, artístico e em tom de graphic novel, ao mesmo tempo que na parte seguinte tem Kilian Plumkett acompanhando o mesmo traço, mas com expressões mais detalhadas. Eu gosto deste preto-no-branco do desenho, ao mesmo tempo que as cores dão o tom, utilizando a dramaticidade de tons muito próximos, como se todo o cenário estivesse sendo iluminado por um celofane. Isso confere tensão maior ao texto e te mantém imerso.

Acho que Superman Entre a Foice e o Martelo merece sua atenção, e mais do que isso, merece sua obrigatoriedade. Tem poucas obras que eu considero tão boas quanto ela.

Abraços do Quadrinheiro Véio

Tropa dos Lanternas Verdes – No Limite da Existência

Tropa dos Lanternas Verdes – No Limite da Existência

Olá Quadrinheiro.

Green_Lantern_Corps_Edge_of_Oblivion_Vol_1_1Como grande fã dos Lanternas Verdes, não consigo ver algo deles nas bancas com preço bacana que minha carteira magicamente salta pra minha mão e eu levo pra casa. Desta vez vamos falar de “Até o Limite da Existência “, onde a tropa enfrenta um desafio muito grande: Sobreviver ao fim do universo que antecedeu o nosso. A edição que eu peguei reune as edições 1 a 6 de Green Lantern: Edge of Oblivion.

GLCEOO_1_dylux-3Como de costume, não vou dar spoilers aqui, mas eventualmente uma coisa ou outra acabo soltando, mas nada que possa comprometer a sua leitura. Até porque esta história em si tem apenas uma reviravolta que é bem legal de se ver.

Basicamente a tropa dos Lanternas Verdes foi transportada de alguma forma para este tempo/espaço/dimensão, que antecede o universo que vai surgir. Note que no universo dos quadrinhos DC, é assumida a existência de um Big Bang. Notadamente, eles até tinham uma outra origem pra existência que foi revelada em Crise nas Infinitas Terras dos anos 80 ( cabe um adendo: uma das mais marcantes sagas/histórias da minha vida ), em que um “ser” super poderoso cria o universo. Mas com tanta mudança e tanto tempo depois, a gente fica até meio perdido, sem saber o que vale e o que não vale. Com tanta viagem no tempo, nada é permanente por tanto tempo neste mundo maravilhoso dos quadrinhos.

U ki ke tá cuntissênu ?

Edge of Oblivion3Vale explicar que pouco antes de Rebirth, toda Tropa dos LV do universo dos Novos 52 desapareceu deixando pra trás apenas Hal Jordan como o único lanterna pra defender o universo inteiro. E eles foram parar neste lugar esquisito, onde todas as estrelas se apagaram e está em seus últimos dias. A única coisa que ainda tem por lá é um planeta que contem a última cidade do universo ( cara, isso é muito Doctor Who ), e esta cidade vive uma Guerra Civil pela sobrevivência. Só que em determinado momento, a tropa se divide e acaba até lutando entre si. Aí, temos Killowog, John Stewart, Arisia, Guy Gardner, Sallak e mais um monte de lanternas ralando pra sobreviver ao fim dos tempos. É muito louco !

08_19Eu me envolvi bastante com esta história, achei ela bem divertida, bem interessante, intrigante e faz um bom fechamento pros Lanternas Verdes após o sofrido Novos 52. Se vc já conhece meu blog, sabe que eu torço bastante o nariz pra esta fase da DC, com pouca coisa aproveitável ( na minha forma de ver, claro… ).

Tem diálogos muito bons e um roteiro que me pareceu bem amarrado, bem cuidadoso nas tramas, nos segredos e na narrativa. Tom Taylor é o responsável por estas 6 edições, vindo de Injustice. O cara mandou bem.

Já os desenhos são de Ethan Van Sciver e confesso que são ótimos. O cara sabe desenhar, sabe perspectiva, sabe colocar sentimento. Pra mim é um dos grandes desenhistas da atualidade. GalleryComics_1920x1080_20160210_GLC_EOO_5697f03cce74d7.59629643Ele flui no traço. Com uma ou outra falha de continuidade nos uniformes, mas nada que a gente perceba sem prestar atenção.

Eu diria que é uma revista obrigatória pro fã do Lanterna Verde. Pros fãs do universo cósmico da DC e até pra se despedir do universo dos novos 52, vale muito a compra. Até porque, por R$ 16,90 é um presente !

Grande abraço do Quadrinheiro Véio !

Lanterna Verde – Agente Laranja

Lanterna Verde – Agente Laranja

Olá, Quadrinheiros !

CAM00514Perdoem a longa espera por novos posts. Sei que o ideal seria ter uma regularidade, mas com o canal me tomando tempo, ando meio afastado daqui.

O post de hoje é mais uma continuação dos posts anteriores, que começaram com a Guerra dos Anéis do Lanterna Verde. Você pode ler a parte 1 e a parte 2 da guerra aqui nestes links, depois ler a continuação na Ira dos Lanternas Vermelhos e depois continuar aqui, com Agente Laranja.

Aliás, eu não sei se eu gosto deste apelido, agente laranja. Me remete a coisas ruins, já que o conhecido agente laranja do mundo real é um composto químico desleal. Era um desfolheador que foi usado largamente na Guerra do Vietnã, para revelar os soltados que estavam escondidos nas florestas e assim possibilitar ataques aéreos. Ler este título na capa meio que me incomodou, pois está sendo associado à emoção da cobiça e egoísmo. Mesmo sendo este o sentimento dos EUA ao atacar o vietnã ( e ainda perder a guerra ), não sei até onde eu gosto de ver algo deste nível de sabotagem no mundo das HQ’s. E isso vindo de uma pessoa que gosta saudosamente do humor nada sadio dos anos 80, é algo a se considerar, não é ?

Encadernado da Panini

Green_Lantern_Vol_4_39_AA edição encadernada que eu li, foi publicada no Brasil pela Panini. Em suas 132 páginas, reune as edições de 39 a 42 de Green Lantern, e é a continuação direta da Ira dos Lanternas Vermelhos. Agente Laranja remete diretamente ao único Lanterna Laranja, que é o Larfleeze, do sistema Vega. Vou explicar um pouco sobre este personagem esquisito pra você entender mais sobre o que é a tal luz laranja e seus efeitos. A muito tempo atrás, quando o espectro emocional da cobiça se manifestou em forma da luz laranja, foi encontrado por um grupo de ladrões. Estes se mataram pra ficar com o poder e apenas um sobrou e tomou o poder pra si.

Os guardiões sentiram esta perturbação e ao chegar no planeta, encontraram Larfleeze de posse da Bateria Laranja. Ao perceberem que a energia laranja da cobiça poderia tomar conta de quem possuísse o poder da lanterna, os Guardiões “espertamente” fizeram um acordo com Larfleeze: Eles não deixariam ninguém chegar no planeta, desde que ele ficasse quieto ali. Larfleeze topou e ficou assim, isolado do resto do universo por muitos anos. Foi inclusive instituída uma lei para os Lanternas Verdes de que o sistema onde fica o planeta Vega seria proibido pra eles.

Hal_Jordan_and_Agent_OrangeUma análise interessante é válida aqui: Note que todos os espectros de cores da Guerra dos Anéis tem uma grande influência em seus portadores. Antes de serem escolhidos por seus anéis, eles já apresentam a emoção de cada cor em sua personalidade, mas após ter os anéis, este sentimento toma conta deles. A emoção é reforçada e até os dominam. No centro do espectro está o poder verde, da Força de Vontade ( e curiosamente, é também a mesma cor da esperança ) e a Força de Vontade é justamente o que torna alguém imune ao domínio das emoções.

É sabido que antes dos Lanternas Verdes, os Guardiões criaram os robôs lógicos e sem emoções conhecidos como Caçadores Cósmicos. Ao perceber que a ausência das emoções atrapalhava, criaram a policia cósmica com seres emocionais, mas com capacidade de sobrepujar seu emocional. A princípio isso era associado apenas ao medo.

Devaneando

LarfleezeGlommy Agente LaranjaLembro que na era de prata, os personagens eram escolhidos por não sentir medo. Nos anos 80/90 isso mudou, o Lanterna era escolhido por poder sobrepujar o medo, e não pela incapacidade de o sentir. Mudança adaptativa normal, em vista de que os Quadrinhos precisaram se adaptar aos novos tempos, buscando se tornar mais e mais realistas dentro de um patamar aceitável. O publico cresceu junto com as HQ’s e as crianças poderiam até ter imaginação pra aceitar alguns acontecimentos das histórias, mas os adolescentes e jovens adultos, não. Curiosamente eu acho muito louco a gente aceitar um anel energético capas de criar construtos de energia solida, cachorros falantes, seres que voam… Mas não aceitar outras coisas e comportamentos das HQ’s.

O que a gente limita ? Qual é o “ponto” exato do aceitável e do não aceitável. O crível e o não-crível ? O que é plausível e o que não é ? Como se decide qual a lei da física que a gente aceita flexibilizar, e qual não ?  Cada um tem um ser muito chato e “crica” dentro de sí, e é com esta pessoa que a gente precisa se reunir as vezes pra permitir que a gente se divirta. Falo isso por mim, que não consegui aceitar os novos 52 até hoje, e comemoro muito Rebirth tentando corrigir as “cagadas“… mas até aí, minha pergunta é : o que me fez não gostar dos novos 52 ? Pois é, ainda não sei…

Green-Lantern-21-Larfleeze Agente LaranjaComo sempre, dei uma vagueada no pensamento. Retomando o assunto do post de hoje: Agente Laranja. O poder laranja é tão forte e tão dominador, que não permite que exista uma tropa, já que cada um dos tocados e dominados por este poder passam a não dividir absolutamente nada, se tornando possessivos compulsivos. Assim, Larfleeze cria sua tropa a partir do seu anel, são todos construtos. Um poder imensuvável !

Nesta passagem da saga dos lanternas, os outros espectros que já apareceram fazem algumas pontas. Os anéis azuis que reforçam o poder dos anéis verdes e os anéis rosas das Safiras Estrela. Antes, as Zamaronas eram apenas a raça feminina dos Guardiões, mas nesta reformulação retornaram com a explicação de que o poder delas vem do espectro do amor ( que pra mim é paixão, dada a intensidade do sentimento. Amor é sobre escolhas. Paixão é sobre instinto. ) e a cor rosa é a que define esta emoção no universo DC. Algumas histórias paralelas vão aparecendo, enquanto o foco está em resolver o problema em Vega, conter o poder laranja novamente.

Roteirista ? Ele !

larfleeze Agente LaranjaNo roteiro, e no comando da saga, está o super Geoff Johns. Este cara ganhou demais meu respeito com esta sequencia impecável e que muda completamente o caminhar do universo DC de tal forma, que pra mim é a melhor saga da DC desde a Crise nas Infinitas Terras. Antes de eu ler eu tinha preconceito. Muito preconceito. Achei que era uma má idéia criar mais tropas, tirando a exclusividade dos anéis verdes. Mas agora que eu li, percebo que foi muito bem feito, estruturado, crível e adiciona coisas novas com qualidade a um universo antigo e que estava parecendo que iria apagar depois de tanta historia e saga ruim.

Envelhecer lendo HQ’s ou qualquer outro tipo de conto é complicado. A gente automaticamente se prende as lembranças e às emoções iniciais que foram as que fizeram surgir a paixão pelos personagens, universos e idéias. Entretanto as coisas mudam, no mundo todo, em todas as áreas. Por qual motivo com as HQ’s não seriam diferentes ? E temos que considerar que a gente muda nossa cabeça, nosso conceito, de maneira individual.

Hal Jordan como um Agente LaranjaAs vezes as mudanças propostas pelos autores são diferentes das que a gente seguiria ou gostaria que nossos personagens seguissem. E por isso, a gente tende a falar mal, não curtir mudanças. Não pela mudança em si, mas pela mudança ser diferente da que imaginaríamos. Por ter tido a liberdade possibilitada em estar fora das revistas principais, Geoff teve fôlego pra criar e editar algo grandioso fora da trindade sagrada ( Batman, Mulher Maravilha, Superman ) e a liberdade criativa dada a ele garantiu arte. Agradeço por isso.

Diversos desenhistas dividiram o lápis nesta edição, e todos parecem ser um só. Como o esboço é sempre enviado pelo roteirista, a gente percebe uma fluidez enorme, sem excessos. Considerando que se trata de uma saga extremamente ligada ao emocional, as expressões dos rostos são necessariamente importantes e podemos ver isso muito claramente no traço.

Recomendo a leitura de toda a saga, não é perda de tempo. É qualidade de diversão garantida !

Abraços do Quadrinheiro Véio !

Lanterna Verde – A Ira dos Lanternas Vermelhos

Lanterna Verde – A Ira dos Lanternas Vermelhos

Oi, Quadrinheiros.

Ira do Lanternas VemelhosPerdoem este longo período sem posts no blog. Estive concentrado no canal e por este motivo, dei um tempinho aqui. Mas agora vou retomar com tudo. E nada melhor pra retomar o blog do que com a continuação da Guerra dos Anéis do Lanterna Verde. Do encadernado “A Ira dos Lanternas Vermelhos“, que reune as edições de Green Lantern 26-28, 36-38 e Final Crisis: Rage of the Red Lanterns. Aqui no Brasil o encadernado foi lançado em setembro de 2015, mas originalmente nos EUA, a revista regular saiu em 2008.

Logo após os acontecimentos narrados na Guerra dos Anéis ( que você pode ler minha resenha da parte 1 aqui e a parte 2 aqui ), A Ira dos Lanternas Vermelhos começa imediatamente em seguida. Com Sinestro preso em Oa, aguardando julgamento, e Hal Jordan e os demais Lanternas Verdes retomando a rotina e arrumando toda a bagunça causada durante Guerra. Eu sempre gostei muito do Sinestro. Ele é um vilão simples, mas com uma mentalidade complexa. Aos olhos dele, ele não é um vilão. É apenas um policial melhor. Ele continua fiel à base de tudo que fundamenta os Lanternas Verdes, à única excessão de que ele acredita que o melhor modo de policiar e colocar as pessoas na linha seja através do medo. E baseado nisso, que se formou a tropa dos Lanternas Amarelos, ou Tropa Sinestro. Inicialmente, o korugariano abraçou o medo, mesmo sem sentir medo. Seu sinestrouniforme era azul ( que eu gosto mais, muito mais do que o amarelo ) e ele era sozinho. Não se tinha uma bateria central amarela, e nem se falava em tropa amarela. Sob o conceito de “espectro emocional” e baseado num número muito forte misticamente, o 7, foi desenvolvida uma “teoria”, de que as emoções são relacionadas a um espectro de cores, sendo o verde no meio, ou seja, o mais equilibrado, já que é a Força de Vontade que gera a energia verde, que os Guardiões canalizaram na Bateria Central de Oa. Já a Bateria Amarela se materializou no planeta oposto a Oa, em Qward, no universo de anti-matéria do Anti-Monitor. Como tudo lá seria oposto ao Multiverso positivo, naturalmente que o Medo seria a forma distorcida da Força de Vontade se manifestar. Enquanto a Força de Vontade se sobrepõe a qualquer sentimento, considerando que a pessoa que tem uma grande Força de Vontade é capaz de perceber suas emoções mas tomar decisões racionais sobre o que sente, e assim chegando ao resultado mais eficiente. O Amarelo faz justamente o contrário, já que retira o controle das mãos da pessoa e a torna suscetível ao seu instinto básico de sobrevivência e, desta forma, age “sem pensar muito“. Automaticamente ou Instintivamente. Mas isso tudo talvez você já saiba.

Ira dos Lanternas VermelhosNo livro A Ira dos Lanternas Vermelhos, temos a formação de uma tropa baseada em outra emoção, e esta na borda do espectro emocional: a Raiva. Curiosamente, a Raiva tem a cor vermelha, cor do sangue, cor do fogo, a cor de vibração mais baixa e por este motivo, é explicado que quando uma pessoa é dominada por um anel vermelho, ela perde o controle racional com mais facilidade, se deixando levar pela emoção da raiva em seu maior ponto de fúria cega: a Ira, chegando ao ponto de expelir uma labareda de napalm pela boca, literalmente, vomitando de raiva. Interessante notar que é a raiva e não o ódio. O ódio não é o mesmo que a raiva, já que o ódio ainda tem uma parcela racional envolvida, e a raiva é puro instinto animal. E no espectro emocional, que segue a formação do arco-iris, é possível perceber que os dois extremos são considerados os mais suscetíveis às suas respectivas emoções. De um lado a Raiva e do outro, o Amor. Mas aqui cabe uma ressalva muito importante. O amor é algo dentro do controle, a paixão, não. A paixão é instintiva, dominadora. Te tira do seu centro. É o amor irracional, nem de longe as Zamaronas, ou Lanternas rosas, deveriam dizer que dominam o amor, mas sim que são dominadas pela paixão. Esta é a grande ilusão das Safira-estrelas. Mas vamos tratar disso no post onde comento “Agente Laranja“, continuação direta deste livro.

Ira dos Lanternas VermelhosEsta tropa dos Lanternas Vermelhos nasce do ódio de Atrocitus, um sobrevivente de um massacre que aconteceu no sistema 666, no planeta Ysmault. Assim, com esta raiva canalizada, surge o primeiro anel vermelho e a bateria central, que passa a varrer o cosmo em busca de seres capazes de sentir grande ira. Os anéis surgem do sangue de inimigos odiados sacrificados. Macabro ? Pode crer… hehehehe

Blue_Lantern_Corps_03Ao mesmo tempo que somos apresentados aos Lanternas Vermelhos, também temos uma pequena introdução aos Lanternas Azuis, que personificam a Esperança. O fundador desta tropa é ninguém menos que Ganthet, o mesmo anão azul que foi o único sobrevivente dos Guardiões quando Hal Jordan, dominado por Parallax, matou todo mundo em Oa. E que deu o anel pro Kyle Rayner. Azul é a cor que está imediatamente ao lado da verde no espectro emocional, e embora sejam fortalecidas por um sentimento muito nobre e puro, tem seus poderes dependentes da proximidade de um Lanterna Verde. Acho isso bem interessante. Cada tropa tem a sua particularidade, forças e fraquezas. E eu, que costumo torcer o nariz pra 90% do que foi feito depois do ano 2000 nas HQ’s em geral, abri grandes sorrisos e senti emoções variadas ao ler esta edição. Ela introduz os Azuis e também uma “tropa de elite”, uma corregedoria dentro da Tropa dos Lanternas Verdes: Os Lanternas Alfas. Pois é… as vezes acho que a DC gosta de complicar… hehehehe… mas, ok. Ficou legal, mas é assustador. Os Lanternas Alfas são os Lanternas que mais sentiram-se injustiçados na vida e por isso, foram considerados os mais capazes de detectar injustiças. São a corregedoria dos Lanternas Verdes, e passam por uma cirurgia, onde seus corpos e mentes são fundidos a uma bateria energética, tornando-os meio como os antigos robôs dos Guardiões, conhecidos como “Os Caçadores Cósmicos“. E como ele, também tem o poder de drenar a energia dos anéis dos Lanternas, deixando-os indefesos e podendo leva-los para julgamento em OA se necessário. Na boa, são realmente assustadores. Como tem a sua emoção removida, um Lanterna Alfa fica basicamente uma máquina, e  mesmo ainda com a memória de quem foram, seus comportamentos se tornam frios, expressões frias em seus rostos. É algo que não tem como não sentir medo. Se um Lanterna deveria ser destemido, é curioso ver como os Alfa deixam todos receosos quando passam.

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E, pra completar, é autorizado o uso de força letal por toda a tropa, não apenas contra a Tropa Sinestro, mas contra qualquer ser vivo. E é por isso que os Alfas foram criados, como forma de julgar se o uso da força letal foi mesmo necessário, ou se foi uma atitude autoritária.

Eu achei muito interessante. É uma grande quebra de paradigmas que esta guerra dos anéis deflagou e que seguiu adiante com a apresentação das demais tropas, cores, emoções e conceitos. Todo o universo DC é afetado, não apenas as revistas do Lanterna Verde. Até mesmo porque é daí que vai chegar na “Noite mais Densa”, uma profecia antiga dos guardiões, e que culmina em mudanças absurdamente grandes no universo pré novos 52 da DC.

Geoff Johns é a cabeça por trás de toda esta saga. Que incrível. O roteirista vai bem em tudo, na previsão, na deixa de dicas escondidas, nos mistérios, nos diálogos. Eu costumo dizer que existem as Graphic Novels e as Sagas Regulares. Não podemos misturar as coisas. Uma coisa é Watchmen, 300, Cavaleiro das Trevas, Reino do amanhã… sagas fechadas, começo/meio/fim. Outra diferente são as revistas de linha, regulares. É muito difícil fazer algo assim, e Geoff Johns faz magnificamente algo muito difícil, que é criar algo coeso, cheio de informação, redundância e peso. Não ficando apenas na ação, mas partindo pra filosofias, conceitos emocionais psicológicos profundos, associação das cores, coisas mais míticas, com a vibração energética emocional. Este cara deve ter bebido um pouco do conhecimento hermético. Isso me deixa muito contente, já que acredito que a física quântica está cada vez mais abundante e chegando ao cidadão comum. Um conhecimento que vai, certamente, mudar a forma de ser das coisas aqui neste terceiro planetinha em torno do sol.

A arte é de Mike McKone, Shane Davis e do brasileiro Ivan Reis. Toda a arte é bonita, bem feita, e o movimento é bem pensado. Como parte tudo da mesma cabeça, os artistas seguem uma linha muito parecida, tendo que forçar pra perceber quando é um e quando é outro, mesmo pra olhos acostumados com traços diferentes como os deste “Véio” que vos escreve.

Bom, recomendo a leitura. Acho muito interessante e bem feita. Vale a pena ler toda a saga da Guerra dos Anéis do Lanterna Verde.

Abraços do Quadrinheiro Véio !

Lanterna Verde: O Lado Negro do Verde

Tropa dos Lanternas Verdes: O Lado Negro do Verde

Bem vindo.

O lado negro do VerdeQuem já me acompanha a um tempo aqui no blog sabe que entre os meus heróis prediletos está Hal Jordan, o Lanterna Verde. Durante toda a minha infância eu apenas conhecia “o” Lanterna Verde e não “um” Lanterna Verde. Eu não sabia que haviam mais e mesmo com o personagem aparecendo pouco no desenho desanimado  “Superamigos“, que eu adorava na minha infância, eu já gostava demais quando ele aparecia. Depois, quando puder ler mais dele na revista Superamigos, na época pré-Crise nas Infinitas Terras, eu percebi o quanto eu curtia este sujeito. Tenho lembranças de desenhar o anel no caderno, recortar e colocar ele no dedo pra brincar e não é a toa que minhas cores prediletas eram o verde esmeralda com o preto. Mas, esta HQ não tem o Jordan. Se trata de uma aventura da Tropa dos Lanternas Verdes, mais precisamente tendo como protagonista o revoltado Guy Gardner. Cara, eu nunca gostei do Gardner. Sempre achei ele exagerado, babaca, metido e etc… Mas ao mesmo tempo, sempre procurei ler as aventuras em que ele aparecia. Nada mais controverso. Meu primeiro contato com ele foi na Crise, quando ele recebeu o anel para criar uma equipe que iria salvar o universo. Só que ele era muito esquentado, muito radical e só serviu pra encher a paciência do Jordan. Aliás, é até curioso. O Jordan passou a crise inteira sem ser um Lanterna, recuperando seu anel apenas ao final, com a morte de Tomar-Re. Um dos momentos que não saem da minha memória de tão bem escrito. Ah… os bons tempos… saudades.

8d2d87f9774943cafb39624a66b60967O Lado Negro do Verde é um encadernado da Panini que reune as edições Green-Lantern Corps 7-13, originalmente lançada nos EUA de Fevereiro à agosto de 2007. Logo em seguida começaria a Guerra dos Anéis ( Pode ler a parte 1 e a parte 2 nestes links ). Este encadernado foca nas aventuras do Gardner, primeiro contra um Domínion evoluído e depois contra uma “gripe” do Mogo. Com todo respeito, achei o encadernado todo muito fraco, embora com um ou outro conceito interessante. Existem algumas coisas nos lanternas verdes que eu acho meio exagerados. Primeiro: Mogo. Um planeta consciente que é um lanterna verde. Cara, eu juro que quando eu conheci o Mogo pela primeira vez eu achei o cumulo do absurdo, embora plausível em um universo como o DC. Acho muito apelativo… acho que misturam muito ele. Toda saga cósmica tem que ter ele no meio. Segundo: Kilowog dominado. Sério ? Sabe que eu acho o Kilowog o mais molenga dos Lanternas Verdes ? Todo mundo pega ele, derruba ele, vence o treinador. Ele deveria ser mais poderoso que o Jordan, mas é sempre o primeiro a tombar. Acho que o que dizem dele é muito maior do que ele demonstra. Espero ( e desejo ) estar enganado.

lvd4-h1-p4-600x917A história segue arrastada, não prende, não é muito interessante. Eu mesmo parei a leitura umas 2 vezes, mas terminei de ler em consideração ao legado de um personagem que eu gosto, que são os Lanternas Verdes, de modo geral. Nesta saga, acho que o bacana é ler a história de fundo, a que acontece por baixo e que já dá indícios da Guerra dos Anéis que se aproximaria em seguida. Aliás, acho que este é um dos pontos positivos desta HQ. Claro que nenhuma editora vive apenas de acertos, mas poderiam escolher melhor o que colocar em encadernados, né. Este Lanterna Verde da Milicia ( sim, milícia… vc sabia que os grandes Guardiões de Oa tem uma milícia ? Tipo… os caras que colocaram uma limitação nos anéis para não matar… pois é.), chamado Von Daggle, um durlaniano ( raça transmorfa ). Eles engolem seus anéis para que sua energia nãos seja detectada e usam um uniforme preto. Aliás, o uniforme é a parte interessante. Eu nunca havia ouvido falar dele antes e nem depois. A história termina, apagam a memória do Guy e nada mais é falado. Depois, começa a história seguinte, dos vírus amarelos que dominam quem vai pro Mogo se curar e a solução dele é se colocar na frente de um meteoro. 

Acho que pra algumas coisas eu estou ficando meio véio mesmo. Ando querendo coisas mais instigantes, inteligentes e lógicas. Preciso aceitar que não tenho mais 14 anos de idade.

O roteiro é de Keith Champagne e Dave Gibbons. Sim, Gibbons também erra, gente. Nem os diálogos são dignos de nota. São ” Normais”. É por isso que tenho bronca de encadernados com cara de Graphic Novel. GN tem mais do que apenas uma historinha. Encadernados apenas reunem as revistas de linha, Graphic Novel é uma obra de arte superior. Mas antes que você comece a pensar que sou um cara ranzinza, entenda que gosto de ler coisas legais e, sim, eu entendo que é uma revista de linha. Li muita porcaria nos anos 80 também, mas encadernar porcaria é injustificável. Os traços vão de Patrick Gleason, Dave Gibbons e Tom Gnuyen. Embora Gibbons tenha desenhado também, não temos nada de Watchmen aqui. Fico até chateado, mas é o que tem pra hoje, gente. Muito pôster e pouco movimento, sabe ?

Bom, quando a revista não me agrada muito ( embora eu não tenha nada contra, apenas não tenho nada a favor ) eu escrevo menos. Acho que é uma forma de não ficar divulgando coisas negativas.

Abraços do Quadrinheiro Véio !

Lanterna Verde – A Guerra dos Anéis ( 2 de 2 )

Olá Quadrinheiros !

Depois de um longo e tenebroso inverno, apareci para comentar a segunda parte da Guerra dos Anéis dos Lanternas Verde. Eu poderia dizer que é o final da Guerra, mas não vou mentir… não é, estas guerras nunca terminam, né ? ( hehehe ).

Lanterna Verde - Guerra dos Anéis 2 de 2Continuando o post anterior ( que voce pode ler aqui ) após o encadernado 1 de 2 terminar em desespero, a gente começa o segundo com a preparação da guerra em si. Até então são pequenas batalhas, mas aqui temos toda a preparação para a verdadeira grande batalha, sendo que o começo já vem pegando fogo em Mogo, quando tudo depende de salvar o planeta que serve de guia para os anéis procurarem substitutos para os lanternas que morrem. Este é um fato que nunca havia sido contado antes, assim como em determinado momento da narrativa, quando os Guardiões liberam a diretriz dos anéis de não usar força letal. Este momento é ao mesmo tempo extasiante e desesperante. A gente fica feliz porque os verdinhos estão apanhando tanto nas batalhas que quando eles recebem o aviso de que podem usar força letal ficamos extasiados. E ao mesmo tempo bate um desespero, porque de repente eles precisam apelar pra conseguir vencer, coisa que ate então nunca haviam precisado. Sempre costumo dizer que quando um argumentista precisa apelar pra coisas assim, ele esta com sérios problemas criativos. Este é o meu ponto de vista, mas tenho que entender que estas coisas precisam se adaptar ao seu tempo, e nos tempos de hoje, as pessoas são mais imediatistas, elas utilizam qualquer recuso para ter resultados rápidos em suas vidas e querem tudo imediato, mesmo que isso ao longo prazo seja provisório. Como peguei a transição desta mudança social, ainda estranho muito, mas sabemos que a arte reflete o homem e não o contrario, e HQ’s, por pior que estejam nos dias de hoje, são um tipo de arte ( comercial, mas arte ). Guerra dos AnéisMesmo assim é estranho pra mim que super-heróis precisem matar. Não é novidade que heróis matem, mas é triste que mesmo na arte , que é algo que provem do mundo das ideias, isso precise se materializar desta forma. O mundo real já tem morte demais, porque o mundo das artes, nosso escape, nossa inspiração e entretenimento, precisava chegar ao ponto de ser tao realista ? Já não bastam os programas sensacionalistas que cavam sangue na televisão ? Muita gente pode dizer ” Cara, ninguém mata porque leu um Lanterna Verde matar, as pessoas sabem diferenciar o mundo real da fantasia“. Sim, sabem. Mas o inconsciente não sabe. E se ele começar a introspectar ideias violentas, isso significa uma sociedade mais superficial e com menos valor a vida, menos valor a fazer de tudo pelo certo. Justificativas como ” vitimas inocentes fazem parte da guerra” começam a e tornar regras e não mais exceção e aí, pra um mundo mais frio e individualista é um pulo. Mas, mais uma vez… pra mim, não é o mundo que reflete as HQ’s e sim o contrário. Se esta na arte, está no mundo. Mas, deixemos o debate politico de lado, falemos da historia.
CapaTambém nesta publicação vemos o lanterna Daxamita que se tornara o novo Ion, temos a nova Lanterna Korugariana, uma médica. Temos a introdução de personagens ótimos e o reaparecimento de outros muito bons, como um dos grandes vilões que assombraram minha infância, que é o Anti-Monitor e outro mais recente, que é o Superboy prime. Pena que o Anti-Monitor, outrora um dos maiores vilões do universo, aqui fica pequeno, frágil e apenas “mais um” no roteiro tao cheio de personagens. Mas podemos perceber como o Superboy é duro na queda, sensacionalmente poderoso e invencível. Um mérito dos roteiristas nesta historia também é o fato de conseguir dar um peso muito equivalente para vários personagens, sem ter um ou outro com maior destaque. Fica claro o conceito de coletividade, ja que a maioria deles tem a mesma importância e peso no contexto geral da guerra e ao final, também. Acho que isso também é reflexo dos tempos atuais, em que a internet equaliza as pessoas, com ninguém maior do que ninguém e isso é algo bem do momento, bem da era atual, esta equalização esta começando em todo o globo e as HQ’s que são vanguardistas refletem isso mesmo sem perceber. Acho isso formidável ! Adoro arte, mesmo que ela esteja tao comercial. Fico chateado de não ter lido esta saga durante as mensais, mas por outro lado, me livra de um monte de porcarias dos mix das revistas brasileiras. Não que nos anos 80-90 na haviam porcarias. Tinha sim… mas era pouco proporcionalmente e tinhamos poucas coisas pra ler. Hoje, tem tanta coisa…. eu conseguia comprar tudo, hoje… sem chance.
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Mas mesmo neste contexto todo uniforme, ainda sou fã do Hal Jordan… desde que eu leio, sempre foi e será o maior dos Lanternas Verdes. Maior ate do que o Alan Scott. Maior que toda a Tropa. Pra mim, claro. Todos os Lanternas da Terra estão ótimos. Até o mala do Gardner, que desde que o conheci consegue me deixar com raiva ( não a toa ele virou um dos vermelhos mais a frente ) e o sempre neutro John Stewart. O Kyle Rayner, que quando começou foi uma grata surpresa por ser um personagem ótimo, continua muito bem nesta HQ, com grande mudança pra ele. Parece que ainda não encontraram o lugar pra ele, mas ele é tão bom e bem construído que parece se encaixar em tudo. Muito legal isso. Sorte a nossa e a dele.
Os roteiros sao divididos por Dave Gibbons e Geoff Johns. Estes caras mandam muito bem em sagas grandes assim. E ja deixam as portas prontas para a continuação na saga “A Noite mais Densa” que acontece um pouco de tempo depois. Alias, será bacana quando sair um encadernado desta também. Os desenhos são básicos como na edição anterior. Eles não servem para aumentar a experiência, apenas funcionam muito bem, não te atrapalham e não incomodam, mas não são dignos de nota pra mim. Eles cumprem o papel, sabe assim ? Não são um caso a parte e só por não atrapalhar ja acho ótimo… é uma HQ de guerra. Acho que poderia ser mais emocionante, mais expressivo, mais sujo e sangrento, mas não é. É básico, mas como disse funciona. Entrega o prometido, sabe assim ? Sei que muita gente gosta muito do Ivan Reis, mas pra mim, ele não tem nada demais. Tem todo o mérito de ser um desenhista brasileiro nas grandes historias e sagas, mas… não tem um diferencial que mereça destaque. Meu ponto de vista, ok ?
Bom, como sempre falo demais, fujo um pouco do assunto e volto… vario muito, mas este é meu jeito.
Espero que goste e se voce curte uma boa batalha, leia estes dois encadernados. Valem a pena, valem seus preços e são uma boa historia regular. Não são dignas de serem graphic novels, mas como uma historia de linha, é de um nível muito, muito bom.
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Abraços do Quadrinheiro Véio !
Lanterna Verde Guerra dos Aneis

Lanterna Verde – Hal Jordan: Procurado

Lanterna Verde Procurado
Falar sobre o Lanterna Verde é sempre um grande prazer pra minha pessoa. Acho que ando lendo bastante DC Comics ultimamente, e eu particularmente adoro. Não me é possível escolher entre uma e outra. Cada uma tem suas características distintas, seus méritos e deméritos, fases boas e ruins, personagens bons e ruins. E estes momentos parecem que as vezes se alinham e temos fase ruim nas duas ao mesmo tempo ( como nos dias de hoje… ) mas já tivemos coisas boas nas duas ao mesmo tempo. De qualquer forma, isso não importa e não é o objetivo deste post.
Ultimamente tenho lido muitos encadernados. Acho que nunca tivemos tantos encadernados reunindo sagas como nos últimos anos. E tem a parte boa disso, que é nos livrar da produção em larga escala de porcarias nas revistas em serie que invadem as bancas nos ultimos tempos. Sou grato as compilações porque fiquei fora do universo dos quadrinhos durante os anos 2000, devido a tanta porcaria e tambem porque estava focado na minha empresa. Mas quando voltei, vi que perdi pouco e o pouco que eu perdi esta saindo nestes encadernados e coleções de supostos graphic novels ( Salvat e Eaglemoss ) e algumas coisas da própria Panini.
Hal Jordan Procurado
Em Lanterna Verde – Hal Jordan: Procurado, temos o que parece ser o comecinho do que mais adiante ira se tornar a famigerada Guerra dos Anéis ( cuja primeira parte eu comento aqui ) e o comecinho do surgimento da Tropa Sinestro e das Safiras Estrelas das Zamaronas. Eu acho que é uma ideia boa, que acabou ficando meio exagerada e acabou afastando um pouco a essência do personagem, porem ao mesmo tempo penso que foi uma saída criativa e grandiosa para promover vendas e para dar uma agitada no personagem. 
Quem acompanha o Lanterna Verde sabe que ele, desde sempre, está continuamente em enrascadas enormes, frequentemente com grandes mudanças. Foram raros os momentos estáveis na carreira de Hal Jordan e da Tropa dos Lanternas Verdes em geral. Comecei a ler ele pouco antes de Crise nas Infinitas Terras, na revistinha dos Superamigos da Abril, logo quando ele perdeu o anel pouco antes de passar a crise toda praticamente sem, e só retomar a bendita jóia com a morte de Tomar Re. Nesta época da minha infância eu fazia meus brinquedos já que tudo era muito mais inacessível e pra ser sincero, nem sei se na época havia um anel do lanterna a venda até nos EUA, mas pra brincar, eu desenhava o anel no caderno, recortava, colava e imaginava que eu era o Jordan nas situações das HQs. Teve até um momento que ele vai preso por invadir a propriedade do Aureo ( Goldface ) e na cadeia ele encontra o Mão Negra. Tenho na memória que eu lutei com o vilão no meu quarto com direito a reproduzir até os momentos que ele apanha… rs… Imaginação, a gente vê menos hoje em dia, vamos ver como isso vai afetar o futuro.
Hal Jordan Procurado

Nesta edição encadernada que reune as ediçoes Green Lanterna 14-20, Geoff Johns coloca o Haroldo Jordão em uma enrascada enorme armada pelo filho do Abin Sur, que é o antecessor do Hal no setor 2814. Este garoto cresceu cheio de ressentimento e tenta de todas as formas pegar o anel do pai, mas é interessante que a gente ve muito mais do Sinistro nele do que do próprio Abin Sur. Amon Sur, ao final acaba mesmo sendo convocado para a recém iniciada Tropa Sinestro, recebendo o anel que tentou primeiramente recrutar o Batman, mas que foi recusado após ver que, alem de instilar grande medo, o Morcegão também tem uma vontade de ferro e ja havia tido contato com o anel verde. Vale notar que o anel amarelo procura indivíduos que instilem medo, mas eles também causam uma alteração mental e física no hospedeiro. Achei isso bem curioso, e de certa forma ja deixa uma portinha aberta para quando entrar em cena alguma justificativa pra algum vilão ter ficado mais mortal com o anel amarelo no futuro… não sei, não li tudo apos esta passagem. Disso, ja fui direto pra Guerra dos Anéis. Então, pouco posso dizer sobre o que veio depois, mas gostei destas sacadas. Neste processo todo ele passa por vilão, é caçado por bodyhunters intergaláticos, pela Liga e uma cambadinha.

Hal Jordan Procurado
Preciso confessar que nao sou fã de ter 7 tropas com anéis energéticos correndo solta por aí, mas admito que é uma ideia muito inteligente e difícil de implementar. E a forma como isso acabou afetando todo o universo durante a noite mais escura, foi muito sagaz. Tiro meu chapéu pela criatividade mesmo achando que a execução foi meio tosquinha.
Na segunda parte do livro mostra a origem da Tropa Rosa, das Safiras Estrela e deram uma boa explicada em várias interrogações, sobre por exemplo a aparência das Zamaronas que conheci após Crise e de onde veio a energia rosa que elas comandam. Estou ficando cada dia mais um velho ranzinza, porque não sou do tipo que gosta que mexam no que eu gosto, mas achei muito criativo e posso aceitar estas mudanças numa boa ( não que qualquer coisa que eu pense ou deixe de pensar vá fazer a menor diferença pra DC Comics… ).
Hal Jordan Procurado
Agora, Ivan Reis nao conversa comigo. Sem chance. Acho uma pena pois queria gostar do desenho dele. Acho muito mais do mesmo, sem identidade. Você le as revistas dele, são bem desenhadas, mas não tem personalidade. É como ler algo comum, normal. Não se diferencia, apenas cumpre o papel, sabe ? Executa bem a jornada,mas não acrescenta algo. Não se destaca… ( acho que me fiz entender… e perceba que não xingo ele, apenas fico frustrado… ) Mas na segunda parte do livro, durante a saga das Zamaronas e a Safira Estrela e o Daniel Acuña assume, a diferença é brutal, e fica bem lindo. Parece o desenho mais simples, cheio de glow, brilhante, meio engomado… não sei explicar direito. Gosto dos dois desenhos, mas esta identidade do Acuña me mostra algo mais artístico e menos `contato`. É como Dan Jurgens durante a época dele em Super-homem, durante a morte do Kriptoniano. Um traço que conta a historia, mas não acrescenta nada a ela. ( ao menos pra mim, ok ? Você pode gostar do que você quiser… sempre! )
 
Hal Jordan Procurado
Bom, pra fechar, digo que gostei muito da edição DC Deluxe | Lanterna Verde – Hal Jordan: Procurado. Recomendo para qualquer fã do personagem, desde os velhos aos novos, pois tem um resgate e uma ligação que explica muitas mudanças e origens. Eu comprei sem saber o que esperar, nem imaginava do que se tratava e acabou que gostei e fico feliz em não ter procurado saber do que se tratava antes de comprar.
 
E se nao for pedir muito, comente aí o que acha deste post, ok ?
 
 
Abraços do Quadrinheiro Véio !
 
Lanterna Verde Procurado
Hal Jordan Procurado
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Lanterna Verde – A Guerra dos Anéis ( 1 de 2 )

Olá amigos Quadrinheiros.

Começo agradecendo ao apoio de vocês, é sempre muito bom saber que tenho bons amigos que gostam do mesmo que eu.

Lanterna Verde Guerra dos AnéisHoje comento sobre a famosa Guerra dos Anéis, que está em um encadernado em duas partes e pode ser encontrado nas bancas, pela Panini Books. Esta é a primeira parte e eu como sou um fã muito grande do Lanterna Verde Hal Jordan desde criança ( adoro a edição Superamigos 15, que tem uma capa sensacional ) eu não pude deixar de pegar pra ler, já que fiquei afastado das HQ´s nos últimos 15 anos e retomei este ano. Antes de eu ler eu estava morrendo de medo. Este lance de inventarem tropas de tudo que é cor me irritou muito. Acompanhei meio por cima, mas achei uma zona, e por isso eu estava bem resistente a pegar esta edição em particular pra ler. Só que eu gosto demais do Lanterna Verde e acabei cedendo. Ainda bem. Me surpreendi positivamente. Sensacional !

Pra quem não sabe, a saga ‘A Guerra dos Anéis‘, conta basicamente o surgimento da Tropa Sinestro, publicada originalmente em 2007. Mostra como Sinestro começou a juntar os mais perigosos vilões do universo, principalmente os que são capazes de instilar grande medo. Até o Batman foi ‘tentado’, mas como sabemos, a força de vontade dele é uma das mais absolutas do nosso planeta, né… hehehe… 

É durante esta saga que foi revelado que assim como o Parallax era a entidade do medo no universo, Ion é o nome da entidade da força de vontade. Isso acabou se tornando uma zona depois, quando expandiram pras outras cores. Voltando uns bons anos antes, se você se lembrar bem, após enlouquecerem o maior dos Lanternas Verdes, pra trazer ele de volta inventaram que Hal Jordan havia sido dominado por uma entidade que incorporava o medo de todo universo, e que a origem da fraqueza dos anéis verdes à cor amarela era pelo fato desta entidade estar sendo mantida presa dentro da bateria. Como podem ser tão criativos estes roteiristas, não ? rs… Bom, aí pra poder justificar a bela bagunça que fizeram com o Hal, disseram que ele estava possuído por esta entidade, de nome Parallax. ( Paralaxe é uma diferença na posição de um corpo devido a esse ser visto de duas posições diferentes. Ou seja, não tem nada a ver com uma entidade do medo, mas tem muito a ver com a mudança do Jordan, o que faz a gente perceber que a entidade foi idealizada bem depois do Hal ficar mauzão e matar uma porrada de gente… ).
Assim, conseguiram tirar a entidade que possuía o Hal Jordan e aprisionar ela nas ciencelas dos Guardiões. Na Guerra dos Anéis esta entidade é resgatada pela tropa Sinestro e é colocada dentro do Kyle Rayner, que fica com um visual irado, uma mescla do Hal Parallax com o uniforme original do Kyle. Interessante é que só neste momento ele fica sabendo que era hospedeiro da entidade da força de vontade. Muito criativo, muito louco e embora revolucionário deu uma super agitada no universo da policia verdinha e ainda lançou um monte de personagens novos, e alguns não tão novos foram trazidos de volta, como o Super-ciborgue, o Superboy Prime e um dos vilões que mais me impressionaram na infância: O Anti-monitor ! É uma delicia ter este cara de volta, mal posso esperar pra ler a continuação ! ( Já li, pode ler o artigo aqui )
Como sempre faço questão de mencionar, uma das coisas mais importantes em uma HQ não é somente a história, ou a base, mas sim como ela é contada. E toda história precisa emocionar. Esta faz isso muito bem. É uma história sobre medo, e a gente fica desesperado a edição toda, já que os verdinhos apanham feio, são mortos feito moscas e alguns tabus milenares são quebrados. Pensa que legal, a base de poder dos vilões é o medo e você sente isso o tempo todo ao ler o livro. Inclusive ao perceber o medo que os próprios Guardiões transmitem… e pra variar, como em todas as histórias dos LV, eles estão sempre enganados. Não entendo como conseguiram ser os Guardiões. Aliás, tem um momento que o Hal os define direitinho: Eles nunca voaram, mas querem comandar como os pilotos devem voar… bem inteligente. Fora os diálogos entre Guy Gardner, Hal e John Stuart, sobre coisas das épocas anteriores… para deleite dos velhinhos como eu. E tem uma parte adorável, embora seja apelativa e seja exatamente o que os amarelos querem: Os guardiões tiram a limitação de usar ‘força letal’ com os anéis. Ou seja, agora eles podem matar. Acho que não perceberam o quanto isso, embora aparente necessário, os torna tão ‘maus’ quanto os inimigos que eles querem derrotar.
Parabéns ao Geoff Johns e ao Dave Gibbons pela condução de uma história que nenhum fã da Tropa pode reclamar. E olha que sou um saudosista do uniforme azul clássico do Sinestro. Tem 4 desenhistas assinando este livro, entre eles o brasileiro Ivan Reis. A semelhança dos traços é tão grande que a gente nem percebe que mudou de desenhista. A HQ é muito bem desenhada, com destaque para as páginas inteiras e duplas que dão uma dimensão enorme do problema que a galerinha do anel verde vai enfrentar. Arrisco-me a dizer que esta saga é um grande clássico e que lamento muito terem inventado este lance de várias tropas após o sucesso desta saga. Podiam ficar só nestas duas e pronto. Mas como o que manda é o dinheiro, a editora precisa ficar inovando sempre. E como sempre acabo dizendo por aqui, deixei de ser o publico alvo das editoras de heróis a alguns anos, porque não é possível que novos 52 possa ser considerado algo bom por qualquer leitor dos anos 80/90, que tenha vivido esta época e não apenas lido depois. Aliás, digo pra vocês uma coisa com convicção: Ler na época de lançamento é essencial para sentir tudo o que a HQ propõe. Teve um post que vi recentemente de uma pessoa que leu Guerras Secretas da Marvel ( meu artigo aqui ) a poucos dias e que não achou nada demais. E ele tem razão, só tendo lido naquela época pra entender e sentir de verdade. Se você não souber se deslocar praquela época, infelizmente não conseguirá sentir nem esta e nem várias outras HQ´s poderosas dos anos 80. ( Claro que tem edições atemporais que podemos ler hoje e ver como são fodas… são as excessões que confirmam a regra, mas são poucas. )
Lanterna Verde Guerra dos Anéis
E se me permitirem uma dica, prestem atenção em toda simbologia presente neste livro. Não falo dos símbolos do peito dos personagens, mas dos símbolos das cores, dos rótulos, dos posicionamentos de cada um, de suas motivações. É muito legal e bem pensado. HQ é sobre simbolo. Sem isso, não temos como nos identificar e nos inspirar com o que nos é apresentado, com nos aventurarmos fora do corpo, como se estivéssemos escondidos atrás de uma pedra no meio de uma batalha.
Recomendo a leitura, principalmente se você é fã do Lanterna Verde.
Mal posso esperar pela segunda parte !
Abraços do Quadrinheiro Véio !
 
Lanterna Verde Guerra dos Anéis

 

Lanterna Verde Guerra dos Anéis
 
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