Superman – Entre a Foice e o Martelo

Superman – Entre a Foice e o Martelo

Lembro-me bem do quão revolucionário foi o lançamento da mini-série Superman Red Son aqui no Brasil. A gente tinha ouvido falar de algo sensacional lançado e 3 anos antes nos EUA, em que o bebê Kal-el teria caído na União Soviética e não no Kansas como na história original. Mas só teríamos acesso a ela em junho de 2006, quando a Panini trouxe a mini-série em 3 edições pro Brasil.

Red Son explora uma das épocas históricas mais interessantes do mundo recente: a Guerra Fria. Desde seu início e de como o herói poderia mudar todo o rumo do mundo, ao ser a grande arma comunista, fiel à Stalin e seus ideais. Gosto sempre de pensar no impacto das histórias nos leitores, não apenas como uma aventura, mas como um formador de reflexões. Estes exercícios de pensamento, este universo “O que aconteceria se…“, que se leva a sério e tem começo, meio e fim, costumam apresentar grandes histórias, já que não se prendem a uma cronologia quase secular e limitante.

Gosto desta mini em especial porquê é raro ter coisas boas lançadas depois dos anos 2000 e Entre a Foice e o Martelo tem o melhor que os quadrinhos podem oferecer. Em termos de história, de arte e pensamento. Todo exercício criativo é importante e gratificante. E é como sempre cito nas minhas resenhas: a historia precisa te emocionar, te fazer sentir de verdade. Seja medo, alegria, tristeza, revolta, saudade, espanto… e tem tudo isso.

Superman formatado ?

O Super-Homem tem todo um estereótipo de escoteiro, de ser a pessoa que sempre faz o que é certo independente do sacrifício pessoal envolvido. Isso ao mesmo tempo que inspira, gera culpa. E mesmo quando ele é colocado do lado vermelho do mundo, numa época que isso era visto como nocivo pelos americanos pela forma como era imposta, ele se mostra comedido, correto, e disposto a fazer o que traz bons resultados, e nem sempre isso acontece dentro do que ele foi ensinado ou doutrinado. Ele tem sempre, não importa o mundo, o universo paralelo, a época, este senso de justiça e é sempre o grande salvador da humanidade. Reflete o melhor dos humanos, sendo ele mesmo alienígena. Quando pensamos em Super-homem, é isso mesmo que aparece na mente: Uma pessoa super ! Curioso que isso seja algo visto como tão impossível que foi necessário criar um alienígena pra ser o melhor de nós. Não é pra se pensar ?

Pense que nesta história

Entre a Foice e o Martelo começa com o aparecimento do Superman do lado russo. Com o uniforme em cores mais sombrias, ostentando em seu escudo a foice e o martelo comunistas. Embora lançada em 2003, ainda tínhamos uma sombra forte da época da guerra fria, mas já a víamos como algo distante. São 15 anos, mas pra quem viveu o medo da guerra nuclear nos anos 80, é muito marcante. 

Quando o escoteiro começa a demonstrar realmente a inclinação e a crença nos ideias soviéticos, é algo um tanto chocante. E fica mais ainda quando Lois está casada com Lex Luthor e que ele é o grande salvador da humanidade. Aqui temos realmente um embate de vida toda, entre o super poderoso alienígena versus o ápice da inteligência humana. Lex, neste caso, ainda fiel à sua paranóia anti-superman nunca desiste e a história se passa em 3 momentos da vida de ambos, envelhecendo contemporaneamente, nos mostrando os principais embates em sua juventude, fase adulta e já em idade mais avançada quando a história se fecha com muita classe e com uma grata surpresa ao final.

Aliás, acho que este final se torna muito criativo, uma vez que altera a própria origem do personagem ( e isso é permitido já que é uma história paralela em outro universo ) e surpreende pelo contexto bem engendrado, onde as peças se unem e conclui com toda classe.

Amazonas e Morcegos

Claro que em se tratando de universo DC, dificilmente hoje em dia é possível criar alguma trama planetária sem que os outros heróis apareçam. Foi-se a muito tempo a época em que ameaças globais eram combatidas apenas por um personagem.

Embora centrado no Superman e no Luthor, Batman, Mulher Maravilha e Lanterna Verde tem participações que ao mesmo tempo que são importantes, não o são. Não que sejam dispensáveis, já que a história faz bom uso de suas participações na trama e eles não roubam os holofotes. Está no devido lugar, com o devido peso e ao mesmo tempo faz com que o leitor não fique se indagando: Onde estavam os heróis americanos quando o Superman tomou o poder do mundo ? 

E é muito legal os uniformes desenvolvidos pra todos eles, desde os trajes do Clark ( que mostram a sua evolução, sua mudança gradual ) até os outros heróis. Gosto muito mesmo da forma que foi desenvolvido.

Ele de novo !!

Mark Millar ( de Kingsman, Velho Logan, Guerra Civil, etc… ) em uma de suas fases mais criativas é o autor deste livro. Habilmente conduz questionamentos, diálogos e situações como uma biografia muito bem engendrada. Ele sabe como prender a sua atenção misturando momentos de ação com backgrounds bem construídos de narrativa e condução, tornando a leitura fluída, dinâmica, rica e sem ser cansativa. A gente gruda no livro, que aliás foi relançada encadernada pela Panini novamente este ano.

O desenho de Dave Johnson é duro, seco, artístico e em tom de graphic novel, ao mesmo tempo que na parte seguinte tem Kilian Plumkett acompanhando o mesmo traço, mas com expressões mais detalhadas. Eu gosto deste preto-no-branco do desenho, ao mesmo tempo que as cores dão o tom, utilizando a dramaticidade de tons muito próximos, como se todo o cenário estivesse sendo iluminado por um celofane. Isso confere tensão maior ao texto e te mantém imerso.

Acho que Superman Entre a Foice e o Martelo merece sua atenção, e mais do que isso, merece sua obrigatoriedade. Tem poucas obras que eu considero tão boas quanto ela.

Abraços do Quadrinheiro Véio

Kingsman – Serviço Secreto

Kingsman – Serviço Secreto

KingsmanTenho que dizer que eu não conhecia Kingsman ( Vergonhaaaahhhh ). Sim, eu estava por fora mesmo ! E tenho mais uma confissão: Eu queria muito ter assistido ao filme no cinema e não consegui ir a tempo e o filme saiu de cartaz em minha cidade ( mais vergonhaaaaahhhh ). Mas, ok. Não me sinto culpado, embora seja uma publicação que eu considero de alta qualidade, inédita e fora do circuito comercial Marvel/DC.

Não, não tenho nada contra Marvel/DC. Pelo contrário, eu amo as duas editores ( entre várias outras também ), mas é legal quando a gente conhece algo com uma qualidade enorme como Kingsman e ainda tem a oportunidade de ver a historia virar filme no cinema. Quando eu vi i trailer pela primeira vez eu fiquei muito entusiasmado, pois une espionagem com a jornada do herói. Eu gosto muito da jornada do herói, seus 12 passos, os arquétipos envolvidos, todo o estudo do Campbell e dedico muito do meu lazer a estudar mais sobre esta caminhada e entender o que torna isso mais interessante e rico me empolga. Joseph Campbell foi questionado em uma entrevista por Bill Moyers sobre o motivo de historias de heróis serem tão populares. E ele disse que é porque é a única historia que vale a pena ser contada. Eu achei muito interessante, principalmente porque o grande tutor do George Lucas para o Kingsmanprimeiro Guerra nas Estrelas de 1978 foi o próprio Campbell. E é por isso que tem uma mitologia tão rica. Curiosamente parece que o GL desaprendeu tudo que ele sabia dos 3 primeiros filmes quando resolveu fazer as prequel. E eu sou daqueles que entende que de uns anos pra cá, trilogias são feitas para serem assistidas como um único filme. Aliás, se você perceber, as séries mais recentes também. Assistindo recentemente e novamente Arquivo X eu percebi uma mudança muito grande na forma de fazer séries. The X-Files é uma típica série de sucesso dos anos 90, com seus “Monster of the Week” e a mitologia principal que roda de fundo, tendo uns 6-7 episódios por temporada que focam na raiz principal. E todos os outros episódios são episódios que funcionam sozinhos. HQ’s já são seriadas a muitos anos… desde que me lembro a gente tem historias que começam em uma edição e terminam várias depois. As vezes somos premiados com histórias completas em 20 páginas, mas isso é raro. As séries de TV hoje caminharam pra esta linha de condução também. Quem acompanha séries como Demolidor do Netflix, Arrow, The Flash e outras muito boas, percebe que a temporada inteira é um grande filme, com quase nenhum episódio funcionando sozinho. E a Marvel é até mais ousada, já que seus filmes e séries estão no mesmo universo, tendo um influenciado o outro em tempo real. Eu acho isso genial. Os fãs ganham mais material inédito e de conteúdo, e os estúdios conseguem criar algo memorável. Aliás, este foi o assunto do video mais recente lá no Canal do YouTube, onde eu e o Fábio Renó falamos sobre o que tem levado a tantos remates de séries, HQ’s, filmes e desenhos animados. Com hoje em dia tanta coisa sendo produzida e lançada ao mesmo tempo, e com o consumo desenfreado de tanta coisa, fica realmente complicado pra um único filme marcar presença e ser uma marca rentável, neste diluído mercado que temos. Por isso a saída é prender o espectador por tanto tempo, tornando memorável e criando um laço emocional com quem assiste. A gente detalha isso no video, que você pode assistir aqui.

KingsmanRetornando ao Kingsman, vou falar um pouco sobre a mini-série em HQ e depois sobre o filme. E ambos foram prazeroso de se curtir. As HQ’s foram publicadas no Brasil em um encadernado da Panini que reune as 6 edições de “The Secret Service“, num total de 172 páginas. Antes do filme, o nome Kingsman nem é citado na HQ, e após o filme, para referenciar, deram o nome de “Kingsman – Serviço Secreto” pro encadernado para criar o referencia nas pessoas. E existem diferenças bebem grandes no roteiro do filme e da HQ. A essência está no filme, mas os detalhes, não.  E o filme é bom do mesmo jeito. Não Kingsmanconseguiria dizer qual é melhor. Eu gostei muito de ambos. Eu diria que a espinha dorsal do roteiro é exatamente a mesma. Ambos começam do mesmo jeito e terminam do mesmo jeito. São conduzidos do mesmo jeito o tempo todo. Mas os detalhes é que mudam, e esta mudança nos detalhes é muito legal. A HQ é mais detalhada, ela tem mais o que contar, e as coisas principais acontecem do mesmo jeito e na mesma ordem, mas de formas diferentes. Vou contar um pouco aqui, mas não tudo, caso ainda não tenha assistido ao filme, ou lido a HQ, saiba que teremos alguns spoilers a partir deste ponto. Coisa pouca, prometo.

KingsmanA mini-série coloca o garoto como parente do agente secreto, e no filme, não. No filme ele é filho de um agente que morre em uma missão de treinamento e por isso o agente principal se sente em dívida com a família e resolve ajudar o moleque, já que ele apresenta algumas qualidades interessantes. As HQ’s dão uma viajada maior em relação as licenças poéticas sobre o “quão bom” o garoto é. O filme não teme se compromisso. Embora as cenas de ação e toda a sequencia da telona siga as HQs, podemos perceber uma condução que remete a uma homenagem aos grandes filmes de espionagens do século passado. Com Gary nightKingsmandireito a apetrechos, carros mega equipados, capacidades de luta sobre humanas e o humor inglês polido como um espelho de bordas afiadas. Uma coisa bem legal é o fato de que Mark Hammil, o pra sempre Luke Skywalker, está em ambas as mídias e em ambas ele morre de maneira estúpida. rs… Vale ressaltar a grande quantidade de referências a series e cinema que a HQ apresenta e isso é um deleite para leitores e geeks mais velhos como eu. Entender as referências não são de forma alguma importantes pra leitura ser legal, mas são um plus a mais.A cena do mata-mata no casamento acontece em local e forma diferente e o gênero do assistente do vilão também é trocado. Cá entre nós, neste quesito o cinema ganha… hehehe… Nas HQ’s, James Arnold é um garoto super-genio branquela, típico nerd fã de ficção, que é um contraponto também ao negro e beeem mais Kingsmanvelho Samuel L Jackson/Richard Valentine que o interpreta no cinema. Que alias faz de forma muito divertida, já que mistura inocência com psicopatia de forma bem engraçada, com a língua presa a aversão a violência.  Aliás, todos os nomes são diferentes, e o filme faz um link bacana entre os Kingsman e os Cavaleiros da Távola Redonda. Isso não é nevem de longe citado na HQ e de novo, não muda nada para curtir ambos. Colin Firth faz o Harry Hart / Galahad, que seria Jack London nas HQs, o super agente secreto. E Taron Egerton, estreante, faz o garoto Gary “Eggsy” Unwin, que seria o sobrinho de Jack, Gary London, na mini-série.

KingsmanAgora vem o melhor. O roteiro é do britânico Mark Millar de Kick-Ass, Velho Logan, Guerra Civil e várias historias do universo Ultimate. Vale lembrar que ele ficou um tempo durante os anos 90 em Monstro do Pantano também, logo após Alan Moore. Curiosamente o próprio diretor do filme, Matthew Vaughn é co-argumentista na série que é desenhada por ninguém menos que o desenhista de Watchmen, Dave Gibbons. Seu traço é característico, mas nota-se que sua versatilidade é grande, já que o traço lembra, mas não é igual.

Bom, como sempre este blog não se trata de falar o que os outros blogs trazem, mas sim um ponto de vista mais especifico. Por isso que não entro em mais detalhes sobre a trama. Gosto de falar sobre o que está por trás e acredito que o começo do texto trouxe um pouco disso.

Este filme me fez escrever um roteiro quase inteiro de um curta que ainda pretendo filmar. Mas isso é outra história !

Recomendo a leitura e o filme. Assista sem medo.

Abraços do Quadrinheiro Véio !

Secret-Service-2

The-secret-service-3

kingsman-comics

Wolverine – O Velho Logan

Eu simplesmente adoro estas edições de futuro alternativo, principalmente futuros apocalipticos em que os heróis perderam e o mundo virou um caos… hehehe… devo ter algum problema de caráter…rs…
Velho LoganEm Wolverine – O Velho Logan, temos isso. Mas isso em grande estilo e qualidade. Vou fazer um resuminho, me esforçando pra não liberar spoilers. Passaram-se 50 anos no universo Marvel após os vilões se organizarem e atacarem todos os heróis ao mesmo tempo e em massa, causando a morte da grande maioria esmagadora deles e os poucos que sobreviveram estão escondidos ou sendo mercenários. Pra ajudar, os líderes vilões dividiram os EUA em 4 reinos e é tudo um grande deserto, no mais belo estilo Mad Max. Tem um monte de dinossauros espalhados por aí, e filhos e netos de vilões e heróis espalhados, perdidos, sendo alguns mais vilões, outros mais heroicos. É muito interessante ver o que alguns vilões acabaram se tornando. E o que pra mim foi o mais importante: Coerência. O universo desta HQ é coerente. O Wolverine é coerente. Os vilões e o que aconteceu com eles é coerente. Gosto disso, acho que é uma forma de deixar a gente curioso e se sentir homenageado por não mudarem tudo o que vc passou uma vida lendo ( meu caso… principalmente pelo ódio que sinto de Novos 52 da DC ).
Velho LoganVocê sabe que é uma HQ muito bem feita, porque não consegue largar ela até acabar. E se emociona ao ler, fica instigado e ansioso. Tudo é revelado no tempo certo, os motivos do Logan não usar mais as garras e os motivos pra voltar a usar são autênticos. Ele é um herói na essência, mas parece que luta o tempo todo contra isso… é aquele lance de aceitação. E, poxa, desde que entrou pros X-Men láááá atrás, ele passa por este conflito interno. E podemos ver os conflitos dele, sentir dentro de nós.

Acho que é isso que deixa a gente mais identificado com algumas HQ´s: A habilidade do roteirista de te colocar dentro da HQ, sentir o que está lá como se fosse com você. Perceba que, pra mim, HQ tem que te fazer sentir, tem que fazer emocionar, vibrar, torcer muito. O Velho Logan faz você torcer por ele, sentir pena, ódio… não entender algumas ações dele até ele explicar e contar tudo que houve. E a batalha final ? Minha nossa… épica ! ÉPICA ! Não vou nem dizer com quem, mas digamos que seja linda a simetria. Eu diria que o título, O Velho Logan, seja mais do que um Logan velho, mas ter o bom e ‘velho’ Logan de volta.
O roteiro de Mark Millar é primoroso no sentido de condução da sua emoção e pensamentos. A gente fica se questionando, ficamos em diálogo interno o tempo todo, buscando entender e adivinhar o que vem em seguida. A cada destino de um herói que é revelado, a gente vibra. É uma delicia. E é ótimo ver que, mesmo raras, existem sagas e mini-series boas após os anos 90. Quem acompanha o blog sabe que eu tenho um certo problema com os anos 2000. Velho LoganOs desenhos de Steve McNiven constroem uma narrativa com quadros grandes, dando a dimensão do desastre o tempo todo. Os personagens envelhecidos, suas expressões, estão muito coerentes e bem feitos.
A riqueza de detalhes nos quadros nos localiza muito bem na história e complementa o diálogo. Segue abaixo algumas ilustrações da edição. Veja se estou exagerando. Ele tem um traço moderno, mas mesmo assim, pelo detalhamento e movimento, excelente !
Recomendo a leitura, leia mesmo. Permita-se. Emocione-se.
 
Abraços do Quadrinheiro Véio !
 
 
 
 
 
 
 
 
Velho Logan

 

 

Velho Logan

 

 

Velho Logan

 

 

 

 

Velho Logan
 

GUERRA CIVIL

Poxa, nem sei como começar. Fiz este blog pra ser sincero e pode ser que meu relato do que eu achei desta edição da Coleção Salvat não seja o que a maioria vai concordar. Mas tenho um compromisso de ser verdadeiro aqui e como não tenho a intenção de afrontar e nem ofender ninguém, saiba que aqui é a minha opinião expressa, e eu respeito e acho muito normal um monte de gente discordar, ok ?
 
GUERRA CIVILExplicado isso, digo que não gostei mesmo de Guerra Civil. Foi tanto estardalhaço sobre esta HQ que eu comprei achando que estava trazendo Ouro pra casa, mas ao final era Pirita… hehehe…Percebe-se muito claramente que é uma ‘crise‘ feita pra vender e pra mudar as coisas no universo Marvel. Não foi uma história feita pra ser algo normal, mas foi algo tão surreal e forçado ( minha opinião, ok ? ) que eu não acreditava que estava lendo algo que pra muita gente foi considerada a melhor saga dos anos 2000. Na boa, li coisas muito menores e muito melhores do que esta ‘maxi-série‘. 
Sei da importância desta HQ, que ela se estendeu por mais de 100 revistas, que ela mudou tudo no dia a dia heroico do mundo dos super -caras Marvel, mas isso não quer dizer que é uma boa história, entende ? É fraca, sem foco, toda furada, sem personalidade… todos os personagens tirados do seu ‘eu‘ natural, mas não de forma a responder a uma situação natural externa. Foram mudados em sua essência de comportamento. A meu ver, foi algo tão forçado que não se reconhecia os personagens. E não dá pra dizer que é isso porque era um momento de crise. Nem ferrando… estes caras vivem passando por momentos de crise e isso não é motivo. A única lucidez que eu vi foi com o Justiceiro. Nem Demolidor, nem Capitão América, nem Homem-Aranha e nem ninguém mais chegou perto de algo digno de nota. Cara, desde quando o Aranha é tão inocente de cair na conversa do Tony e revelar sua identidade? Sério que alguém achou isso uma boa ideia? Só eu que vejo que é mais marketing do que uma boa história ? Até o Thor, em Renascer dos Deuses ( aqui ), percebe o quão ignóbil foi este ciborgue ridículo que o Reed criou com Tony e Hank.
GUERRA CIVIL
Cara, jura que um cara como o Reed deixaria passar uma trava de segurança ? O Reed ? Ah, fala sério… forçado, forçado, forçado !! Já passei por muitas reformulações e crises de universos Marvel e DC pra reestruturação do mesmo e mudar o caminhar pra criar novas histórias e ganhar mercado, mas esta Guerra Civil não chega aos pés… e olha que Flashpoint da DC é boa, mas criou um universo muito patético e sem cabimento que é os novos 52. Esta HQ justifica o motivo de eu ter abandonado as HQ´s logo após o fiasco da Guerra dos Clones do Aracnídeio. Achei que nada seria pior… neste caso eu amaria estar certo.
Agora, prometo, vou tentar achar as coisas boas que eu gostei nesta HQ. Primeiro e a melhor de todas: Tirou aquele uniforme ridículo do Peter… sério que o Homem-aranha usava armadura até chegar aí ? Meu, graças a Odin eu perdi isso. Uma outra coisa bacana foram as justificativas para os X-Men e o Dr. Estranho ficarem de fora da batalha. Se a situação dos mutunas já era de vigiados pelo governo, não tinha sentido mesmo brigar… e como a Emma bem justificou, eles sabiam no que aquilo iria dar, então, melhor ficar de fora mesmo. Curioso é ter o Vovô mutante na capa da edição ( Vô Verine!!! tu-rum-tisss ), sendo que ele mal participa do comecinho. E outra curiosidade… embora o Vigia seja proibido de interferir, não tem história que ele apareça que ele se segure… hehehe…. ele sempre dá uma forcinha… e nesta, não. Então, tem tanta coisa ali que é fora do lugar, que eu só posso dizer que esta edição não foi feita pra mim, foi pra outro tipo de público e eu posso entender e aceitar isso perfeitamente.
 
 
Poxa, tentei, mas não consegui falar bem nem quando me propus… hehehe… Vamos lá, outro ponto que eu gostei foi a ideia da prisão ter o nome de 42… embora tenha sido mostrado na HQ que este nome veio por ter sido o 42o projeto da lista que os 3 montaram, sabemos que 42 é um pouco mais do que isso, né ? Curioso eles mandarem esta indireta de que esta prisão era a resposta a grande questão da vida, do universo e o tudo mais. Tem muitas outras referencias, mas nada que valha a pena listar.
 
GUERRA CIVIL
O traço também não ajuda, mesmo sendo um cara que muita gente acha incrível, eu realmente sou um velho ranzinza e gosto mais de desenhos com mais movimento e menos pose. Steve McNiven não tem um traço que convence, parece inseguro… olhos sem vida, rostos que não são uniformes, parece amador ( minha opinião… ) e o Mark Millar visivelmente fez algo pensando mais na mudança do Universo Marvel do que na história em si. Não sei se me faço entender… Realmente me decepcionei bastante porque existe muito barulho sobre ela. Guerra Civil é uma ideia muito boa, que foi desperdiçada numa execução ruim, sabe assim ? Um final medíocre e ‘preguiçoso‘, porém coerente com a bomba que é o decorrer da saga. Esta saga deveria ter sido mais bem feita, porque as consequências que ela deixou são muito importantes. Acho que é isso que mata a gente de raiva. 
 
Bom, é isso. GUERRA CIVIL. Perdoe-me se em algum momento invado a sua opinião. Saiba
que não quero ser desrespeitoso com ninguém e o espaço é livre pra comentar a sua opinião a vontade. Aliás, eu até gosto disso. Aprendo com os comentários porque me mostram pontos de vista que eu não percebi e sou bem aberto a este tipo de opinião. 
 
Abraços do Quadrinheiro Véio !

Os Supremos – Segurança Nacional

Bom dia, Quadrinheiros !
Neste sabadão de manhã vou escrever um pouco sobre a publicação desta quinzena da coleção da Salvat, o volume 29: Os Supremos : Segurança Nacional. E o mais legal, desta vez a lombada encaixou direitinho no volume 28, que é o começo da estória. Legal, né ? ( Finalmente uma bola dentro nas lombadas, hein Salvat ).
Antes de mais nada preciso informá-los de que eu não sou patrocinado pela Salvat pra falar sobre as edições. Eu gosto de colocar por serem edições especiais bem bacana, bem feitas e importantes dentro do contexto das HQ´s. Dito isso, vamos em frente.
Falar de The Ultimates é bem problemático pra mim. Até mesmo porque este

universo paralelo da Marvel não foi feito pro pessoal da minha época, mas sim pra nova geração Z que está por aí. Considerando que sou do final da X, acompanhar até os Y nos dias de hoje as vezes é complicado. A minha sorte é que me adaptei bem a tecnologia atual.

Os Supremos: Segurança Nacional é a continuação de Os Supremos: Super-humano, que já comentei aqui no blog em janeiro. E minha opinião não mudou muito, então, se não leu, vale a pena dar uma olhada lá naquele post. Se já leu e quiser relembrar, é só clicar aqui.
Nesta continuação temos um grande desafio pro novo grupo, e desta vez uma ameaça intergalática. Aparentemente um grupo de alienígenas, conhecidos com os Chitauri ( a mesma raça que ataca a terra no filme dos Vingadores, mas o poder transmorfo não é citado no filme, bem como a inteligência ), quer dominar o mundo, porque consideram que o pensamento humano individual deve se extinguir e todo mundo tem que pensar igual já que o universo é um grande organismo e se cada um pensar por si mesmo, este organismo morre. Faz sentido, mas não da forma que eles querem, através da força. Depois é revelado que eles são os Skrulls, e que neste universo pra poderem mudar de forma eles tem que comer o humano original e tomar sua forma ( WHAT ?!?!?!?!! ). Gente, na boa… O QUE É ISSO ? Primeiro a Vespa é mutante e tem hábitos de insetos… agora isso ? Oh G’d… kill me !
Seguindo, temos uma estória que é o Capitão América e seus amigos. Herois descaracterizados, com mudanças muito esquisitas, visivelmente uma tentativa de pegar novos fãs pras revistas, porque os antigos não vão ter facilidade pra aceitar algumas mudanças. O visual do Thor é bem legal, mas poxa, o Mjolnir não tem machadinha atrás, pela mor de Odin !!! Ao menos a ideia de quem ninguém acredita mesmo que ele é um deus nórdico é divertida. Aliás, cabe aqui um parenteses… parece que se não encherem de piadinhas e diálogos engraçadinhos não se faz mais HQs nos dias de hoje, né ? Precisa mesmo de piadinhas o tempo todo ? Que coisa mais besta. Tá tudo muito homogenizado, tudo muito igual, muito “formula pronta”. A época dos criativos se foi mesmo, estamos na época das formulas, dos meios garantidos, do agradar a qualquer custo e dane-se a arte, né… E a armadura do Tony está ridícula, feia, parece uma água vida com corpo humanoide… e deram a ele uma genialidade aparentemente mutante e um

comportamento muito bunda-mole. Mas pra salvar tem o Capitão América muito fiel e positivo, bem encaixado, a Viuva Negra e o Gavião Arqueiro também estão legais, embora tirarem a aparência do Clint, ficou convincente. Visivelmente o universo Marvel do cinema é baseado nos Supremos, tirando as partes que foram bem mal pensadas.

Mas a história é boa, a história é mesmo muito boa. As caracterizações dos personagens mudaram e desagradaram, mas fizeram uma aventura bem legal. Gosto muito deste Hulk, é mais original do que os de ultimamente. Gosto da ideia de ele ser utilizado como arma secreta. Nesta série é possível entender quando o Tony responde ao Loki no filme “Nós temos o Hulk“. Ele faz um pusta estrago, mas como deveria ser, ele é incontrolável. Não tem esta de conversar não, ele é manipulado pelo Capitão, que como bom soldado, mata mesmo, pra valer. Acho que o Capitão e o Hulk salvam a revista. ( não me peçam pra chamar de Graphic Novel uma encadernação de revistas, ok ? ). É bem claro que parece ser uma aventura do tipo “Capitão América e amigos“.
Esta edição reúne as revistas The Ultimates  de 7 a 13 e mantem Mark Millar nos argumentos e Bryan Hitch nos desenhos. Aliás, ao menos os desenhos estão bem legais. Tem uma imagem do Thor que está muito endeusada,

muito legal. E as páginas duplas são ótimas também. O que me incomoda na arte do Hitch são os olhares. Não tem emoção nos olhares. Falta isso na minha opinião. Não é como Neal Adans, ou Byrne, que os olhos falam muito. Acho que deviam parar de pensar em poses heroicas e corpos esculturais e se preocupar mais com a parte humana. Minha opinião, ok ?

Bom, é isso. Desculpem se pareço muito ranzinza. Como disse, tem coisas legais, a estória é muito boa e vale a pena a leitura. Tem elementos que valem a pena, principalmente a estória como um todo.
Abraços do Quadrinheiro Véio.

Os Supremos : Super-Humano

Hoje escreverei sobre os Supremos.
SupremosPelo que eu entendi, os Supremos são os Vingadores num Universo paralelo da Marvel, que foi criado e lançado em  2002. Neste universo paralelo, conhecido como Universo Ultimate, vemos os heróis um pouco mudados, com comportamentos mais “humanos”, com o objetivo marqueteiro de atualizar os personagens da década de 60.

Supremos - Salvat

Estou colecionando as Graphic Novels da Salvat e acabei de ler esta edição.
Particularmente eu gostei muito da história que eu lí. Não sou especialista nestas histórias mais novas. Como Quadrinheiro Véio, ( leio desde 1983, quando tinha lá meus 7 anos… ) tenho um perfil meio conservador. Claro que eu sei que nunca a minha percepção mais ingênua e infantil será repetida nos dias de hoje, mas sei também que muito dos valores que os quadrinhos visavam passar se perderam nesta modernização dos tempos. As vezes penso que a tecnologia é que deveria evoluir e nós deveríamos manter alguns valores originais positivos. Mas, enfim, opiniões de um leitor antigo, que é o propósito deste blog.
O visual dos personagens foi alterado, não muito, mas foi. Alguns a gente até se acostuma, outros percebemos pouco… Como o Homem de Ferro, que está com uma armadura um tanto diferente. Só que o Homem de Ferro vive mudando de armadura. Praticamente todo novo desenhista inventa uma nova. As vezes acho que as pessoas não sabem a diferença entre antigo e clássico. E pra mim, a Clássica é a melhor. Porém como o lance dele é tecnologia a gente até entende este monte de atualizações. Surpresa é ele não mudar de armadura a cada página, né ? Enfim.
Capitão está bacana, não gosto daquela calça que faz parece calça de cintura alta, mas a gente acostuma. Já o Thor, eu até curti este lance dele mais Hippie, ecologista, etc… o que faz sentido mesmo já que é um deus com poderes de ordem climática, mas o martelo novo dele, com um lado machado ficou ridículo. Sério, na boa… como engolir isso ? Mais uma vez o lance do clássico x antigo. Não se muda um ícone. Mjolnir não precisava atualizar. Mas é a minha opinião, ok ? A vespa se tornar mutante também achei digno de um tiro no rosto. Péssimo… e o que é aquilo de dizer que ela tem hábitos de insecto  ? Que nojo !

Nick x Nick

Outra besteira homérica é a mudança absurda no visual do Coronel Nick Fury… Fala sério… a vida toda com ele branco, de suíças brancas ao lado da cabeça, e de repente ele vira o Samuel L. Jackson pirata. Cara, o visual é legal, mas poderia ser outro personagem. Porque mudar da água pro vinho ? Programa de cotas ? Nada mais preconceituoso do que ser obrigado a agradar a todos. A arte se perde quando é feita pra fora e não pra dentro. Quadrinhos perderam a arte quando os números começaram a ditar o rumo das histórias. Aliás, é culpa do Marketing 2.0. Em outro blog falarei sobre isso, sobre a perda de autenticidade humana. E o pior, as pessoas não querem mesmo ter pessoas autenticas no dia a dia delas, pessoas assim são imprevisíveis, mas impulsionam a humanidade. Imagina se pessoas como Steve Jobs, Michael Jackson e outros gênios fossem seguir tendencias de marketing pra criar ? Perderíamos muito… por isso que acho que o ápice humano acabou nos anos 90, como já previu Matrix.
SupremosMas, o roteiro é bom. O roteiro me impressionou um pouco e acho isso legal nos dias de hoje. Noto personagens mais humanos do que eram, e olha que o Stan Lee começou com isso de humanizar heróis quando lançou Namor, Homem Aranha e cia. Esta foi a grande sacada dele, aproximar os heróis de nós, meros mortais. Porém ao ler os Supremos cheguei a me desesperar com eles, a ficar com medo do Hulk, a perceber a fragilidade de uma pessoa como Bruce Banner ao ser exposto ao que ele foi. Ao ver a perda de controle do Pym quando atacou a vespa por ciúmes e quase a matou. Acho que a renovação trazendo personagens mais humanos, com vida pessoal interferindo na vida heróica foi uma sacada muito boa. Também acho muito divertida as referências ao cinema a até a editora rival. A passagem em que o Jarvis desmarca um encontro com o Alfred é impagável. E por este motivo, vale a leitura. Espero ter mais surpresas assim nesta coleção da Salvat.

DVDs Supremos

Este universo Ultimate também lançou mais personagens, como o Homem-aranha, Quarteto Fantástico, X-Men e etc… mas não adianta, não pegou. Também lançaram dois desenhos em DVD dos Supremos. Assisti os desenhos a uns anos, e até gostei. São bons roteiros, misturam um pouco de Ultimate com a série regular e o resultado é até legal. Mostra a origem nova desta equipe que foi B a vida inteira até o filme do Homem de Ferro lançar moda e os heróis mais B dos quadrinhos virarem mania pra uma população que, em uma parte, nem sabia da existência deles. Bom pros cofres da Marvel.
Abraços do ranzinza, oops, digo, Quadrinheiro Velho.