Dinastia M

Bem vindo, Quadrinheiro !

Dinastia MMutantes ! Lembro até hoje quando eu conheci o termo. Achei mágico demais… foi numa historinha dos X-Men. O Colossus aparece com uma garra do Wolverine cravada no ombro e eu teimava com um amigo meu que aquele sujeito azul com cabelo em forma de chifre era o Wolverine com uma falha de impressão da revista, já que eu não conhecia o Fera que nesta época estava nos Vingadores. Curiosamente, como conheci nesta fase, demorei a enxergar o Fera como um mutante. Coisa de criança. Temos a mania de considerar que o nosso primeiro contato com algo é o verdadeiro, correto, canônico, etc…  Pois é, quando eu conheci os mutantes, era a equipe que eu Dinastia Mconsidero a mais legal e mais clássica de todas: Ciclope, Tempestade,  Colossus, Wolverine, Noturno e Kitty Pryde. Por razões emocionais e nostálgicas ( provavelmente ), acho que é a melhor fase. E o que isso tudo tem a ver com Dinastia M ? Não sei.  Sei que um leitor do blog me escreveu perguntando o que eu achei e em gratidão, resolvi fazer este post.

Dinastia MPor um tempo eu pensei que o M em Dinastia M se referisse ao Magneto e a sua família. E a verdade é que é isso mesmo. Mas após ler a HQ duas vezes, percebi uma coisa bem legal no caminhar da história. Será que a gente poderia considerar que este M de Dinastia M também se refere a Mutantes ? Sim, pois durante esta fase o mundo tem mais mutante do que humanos ( se não tem, aparentemente os mutantes são os atuais dominantes do planeta ). E eu não pude deixar de fazer esta associação. 

Dinastia M é uma das histórias mais bacanas da Marvel. Ela consegue promover um crossover inteligente entre X-Men e Vingadores após a crise que acompanhamos em “A Queda” ( que você pode ler o artigo do Quadrinheiro Véio aqui ) e ainda ter uma profundidade social e intelectual monstruosa que a muito tempo não se via. Alguns diálogos são de fazer a gente parar de ler pra pensar e coloca em xeque muitas crenças nossas. Bem como alguns momentos em que a pergunta “como é que não pensaram nisso antes” vem a nossa mente. É um material denso, mas com algumas pequenas falhas de coerência que passam numa boa, mas que comentarei a seguir, porque queria saber o que você acha. De repente, eu viajei na maionese, ou perdi algo e estou tendo uma impressão errada por simples ignorância.

Vou falar do que gostei e do que eu não gostei tanto assim. Existe a chance de alguns spoilers a partir daqui, ok ? Então, vá com calma na leitura se ainda não leu. Agora, se você não se importa de saber alguns passagens da história pra decidir se lê ou não, prossiga. 

Dinastia MLançada em 2006, Dinastia M começa com uma reunião entre os Vingadores e os X-Men para decidir o que fazer com a Wanda que aparentemente enlouqueceu de vez ao durante os eventos de A Queda, onde ela matou alguns colegas heróis como o Gavião Arqueiro, Homem-Formiga (Scott Lang) e seu marido Visão. Isso a deixou mais pirada ainda, porque ela fez de forma inconsciente e depois, ao saber disso, ela ficou ainda pior. A origem desta loucura está no fato dela ter se lembrado dos filhos que ela mesma criou com seus poderes, e que depois se soube que eles eram fragmentos da alma de Mefisto, nunca existiram de Dinastia Mverdade. Sendo a Feiticeira Escarlate uma mutante poderosíssima, com poderes capazes de alterar a própria realidade, e neste estado de desequilíbrio mental já tendo demonstrado que seu inconsciente age sem ela controlar, restou aos seus amigos e companheiros decidir o que fazer com ela. Neste ponto começa um dos melhores debates da revista. De um lado alguns heróis que acreditam que nada possa ser feito e ela deve ser morta pela segurança de todos e do outro, os que acham que ainda pode ser feito alguma coisa. Nesta fase o Homem-Aranha está nos Vingadores e mais uma vez fica claro o por que de eu nunca ter conseguido enxergar o Peter como parte desta equipe tão perdedora. Ele não foi feito para trabalhar em equipe. O Aranha não se encaixa, não tem NADA a ver, na boa. Até
hoje, não teve uma única historia que o Homem-Aranha tenha realmente se encaixado na equipe. Ele até conseguir trabalhar com o Quarteto Fantástico, e com um ou outro X-Men, mas ter ele nos Vingadores é uma besteira quântica. Se você acompanha meu blog, sabe que sempre que eu escrevo algo que possa gerar polemica eu me vejo na obrigação de dizer isso: Voce pode discordar de mim e deixar o que pensa nos comentários, ok ? Neste blog que não tenho compromisso com o politicamente correto e nem em fazer média com o pensamento da maioria ou mesmo com algum compromisso comercial. É sempre a minha opinião. E neste assunto, mesmo estando sempre aberto e torcendo pra queimar a minha língua, eu nunca encontrei uma historia decente do aranha nos Vingadores e se você tiver alguma pra me indicar, eu te serei muito agradecido. 

Dinastia MApenas fazendo um adendo e só pra você perceber como tudo muda e muda rápido. Quando conheci a Feiticeira, seus poderes eram principalmente a alteração das probabilidades. Depois ela conseguiu controlar as energias dos caos e ficar neste nível semi-deusa aí. Sei lá, meio forte, não ? Enfim, seguindo em frente pra não voar muito fora do assunto do post. Eu não entendi muito bem porque o Xavier se afastou dos X-Men antes desta historia. Se alguém puder me informar, eu agradeço. Mas é muito estranho vê-lo tão fragilizado, sem saber o que fazer. Logo ele. Desde que leio HQs é dito que o Charles é o mutante mais poderoso do planeta. Mas é incrível como ele vive se ferrando. Acho que deveria ter mais historia que mostrassem ele sendo o maioral e não apenas dizer isso em toda historia em que ele vai se dar mal, ser usado, ou etc… recentemente acho que os editores tem se referido a ele como o telepata mais poderoso do planeta. Até mesmo porque o filho do Reed Richards me parece mais poderoso do que ele. E se a gente parar pra pensar, até a Wanda Maximoff nesta historia é mais poderosa. O que pode ser mais poderoso do que um mutante que altera a própria realidade ? Ao ponto de ressuscitar os mortos ? Pois é… pois é… pois é… 

Dinastia MA discussão é de alto nível, argumentos muito válidos dos dois lados. Wolverine sempre soltando opiniões diretas e práticas e o Capitão sempre no idealismo. O Aranha quando no meio dos Vingadores sempre é colocado como um adolescente imaturo e burro, emocionalmente descontrolado, cheio de piadas mal encaixadas. Eu realmente preferia que ele tivesse sido poupado disso. Até no decorrer da história, o nível de sofrimento que ele é obrigado a passar é desumano e desnecessário. Diria injusto e muito fora da linha da essência do personagem. Não precisava, na boa. Mas foi feito. Eu tive vontade de chorar junto com ele a dor que ele viveu. 

Dinastia MEm seguida, a turminha resolve ir atrás da Feiticeira em Genosha e quando chegam lá, de repente, a realidade aparentemente zera e o mundo é colorido e dominado pelos mutantes. Ninguém se lembra de nada do que aconteceu e tudo está lindo e redondo no novo planeta. Logo de cara uma discussão sobre mutantes e humanos entre o Fera e o Dr. Pym demostra uma inversão de valores e fica muito claro o domínio mutante do mundo, com uma aparente conformidade humana de que chegou o momento de sumirem como espécie dominante. Muito inteligente o diálogo. Magneto é chefe da Dinastia M, com Pietro e Wanda com ele e nesta realidade, a Feiticeira não sem poderes e seus gêmeos estão de volta. O roteiro vai nos situando sobre a vida de cada personagem e a gente saca que todo mundo está vivendo a vida dos sonhos. Menos o Wolverine, que é o único a se lembrar e uma menina que era capaz de trazer de volta a recordação de quem ela se concentra. E aos poucos vão sendo acordados, um a um, os principais heróis que vão partir pra cima de resolver a situação. Fiquei muito tempo pensando no motivo de ser o Wolverine a ser o primeiro a se recordar. A explicação dele de que já teve a memória zoada a vida toda não me agradou. Tão pouco o final em que ele acorda e se lembra de toda a vida dele, mas as memórias verdadeiras. Mas, isso é o de menos. É o tipo de coisa que vai repercutir mais pra frente. Depois que um monte de heróis é trazida de volta pela mutantezinha, acontece mais um diálogo existencial muito inteligente. Mesmo não gostando muito do Bendis, tenho que tirar o chapéu pra ele em alguns momentos. Agora, a discussão é sobre a necessidade de trazer o verdadeiro mundo de volta. Aparentemente eles fazem isso só porque é o certo, mas discutir isso foi muito legal. Faz a pessoa pensar se vale a pena viver num mundo de sonhos. É o mesmo dilema de Matrix. Vale a pena viver num mundo irreal e bonitinho, ou acordar e ver o mundo mais complicado e verdadeiro ? Eu confesso que não saberia o que escolher, por isso entendo o sofrimento do Parker. Acho que ele preferiria não ter sido “acordado” e ter continuado casado com a Gwen, ter seu filho com ela e o Tio Ben vivo. É muito zoado tirar isso dele.

Dinastia MO final é muito bom. Mais diálogo existencial e a revelação de quem realmente estava por trás de tudo o que aconteceu. Mas isso é o de menos, pois o grande acontecimento foi uma frase curta: – Chega de Mutantes.

E o mundo voltou ao que era, com uma pequena grande diferença: os milhares ou mesmo milhões de mutantes que haviam no mundo haviam sido reduzidos a menos de 200. Não morreram, perderam os poderes. Cara… pra mim isso foi uma coisa muito boa ! Quando eu comecei a ler, quase não tinha tantos mutantes assim… em pouco mais de 10 anos que eu acompanhei a leitura, parecia que a cada mês surgia mais e mais mutantes. Chegou uma hora que não tinha mais humano no planeta, só mutante. Então, eu considero isso um resgate aos tempos de exclusividade, sem precisar zerar o universo Marvel como a DC costuma fazer. Não, não acho que zerar o universo seja um problema. Apenas é uma saída diferente. O Brian Michael Bendis é um cara que “causa” nos X-Men. Pro bem ou pro mal. Esta foi uma mudança que eu achei que foi pro bem. Já o Fera com essência felina foi uma grande besteira. O final de Dinastia M é bem interessante, um fechamento mesmo. Fiquei muito curioso com a tal “energia rosa” que ficou do lado de fora do planeta. Alguém poderia me contar nos comentários o que aconteceu depois ?

Dinastia MO traço é de Olivier Coipel. Competente, mas não genial. Lembra muito o começo dos anos 90. Aquela geração dos rabiscos. Uma boa época. Acho que ele se inspira bastante em Jim Lee, Erick Larsen e companhia. Não é um cara que se destaca, mas ao menos a arte não atrapalha a leitura. Também não é um cara que é bom em material de movimento. É o típico “desenhista de capa de revista” em que cada quadrinho parece uma capa. Tudo tem pose, tudo tem algum estilo popstar. Isso incomoda um pouco mas é compensado pelos diálogos. Acho que o artista não precisa fazer de cada quadrinho um portfólio. Não se deve esquecer o movimento, a emoção. Não me entenda mal. O cara é bom sim. Só acho que é relevante esta percepção.

Bom, vou ficando por aqui. Acho que já escrevi demais e acho que este foi o meu maior post. Hoje estava bem empolgado, mas a profundidade da história pediu um pouco mais. É uma história densa. Quase não há alivio cômico.

Recomendo a leitura porque é importante não apenas pela sua qualidade, mas também pela sua importância dentro do universo Marvel. Esta história tem muito mais qualidade do que Guerra Civil ( matéria aqui ) e várias outras que poderiam nem ter existido. Aliás Guerra Civil mostra o quando Vingadores ainda é uma bela duma equipe B.

Abraços do Quadrinheiro Véio !

Wolverine Origem

Olá Quadrinheiro !! Wolverine Origem

wolverine origemObrigado por ter a oportunidade de dividir com você a minha percepção sobre minhas leituras. Sei que leio muito de tudo a muito tempo, mas nem por isso consigo acompanhar tudo que é lançado. Mesmo assim, vou procurar sempre que possível, narrar aqui esta “paixão” que sinto pelos heróis. E a “bola” da vez é o mutante atarracado canadense, que teve a sua origem relevada em Wolverine Origem. A edição que irei comentar aqui no blog hoje é a que eu li na Coleção Oficial de Graphic Novels da Editora Salvat. Coleção esta que eu recomendo fortemente, pela qualidade e seriedade que a editora já demonstrou ter pelos seus clientes. ( Lembrando que esta editora não me paga UM CENTAVO sequer pra falar bem dela… mas bem que poderia me mandar umas edições para analisar… hehehe )

Wolverine Origem é desnecessária. Sério, na boa. Poderia ser um “What if” semwolverine origem maiores dores na consciência. É que nem Midi Chlorians em Guerra nas Estrelas ( Star Wars ). Vem pra responder uma pergunta que ninguém ousava fazer em voz alta, por medo de alguém tentar responder e falar alguma besteira. Pois é… alguém foi lá e fez. Sei que isso parece coisa de velho ranzinza e entendo que comercialmente algumas coisas são necessárias. É que na opinião deste “Véio que vos escreve“, a arte e narrativa sempre estarão na frente. E colocar isso como obra definitiva não quer dizer que é boa. Ter sido a revista mais vendida de 2003 não significa que seja algo bom, significa apenas que muita gente tinha curiosidade. A coisa é tão “estranha” que pouco se comenta sobre ela. Passa batido… origem que não precisava ser explicada. ( repito tantas vezes a mesma coisa, em palavras diferentes, que aposto que você está se sentindo lendo a um verbete do Aurélio ). E o Véio rabugento ataca novamente !! hahaha

Vamos lá, pode ser que apareçam alguns Spoilers durante o texto a seguir, ok ? Leia por sua conta e risco.

4cb1054d599fcA historia começa na infância do Logan e é dado a ele o nome de James. Tipo… James. Um garoto super bem cuidado, com uma infância feliz e alegre, superprotegido pelo pai e filho de uma mãe maluca. No meio do caminho, acontece uma tragédia entre ele e o filho do Jardineiro, este sim de nome Logan e o nosso herói acaba o matando com suas recém descobertas garras de ossos. Até aqui vemos que tudo vai se apoiando em uma historia mediana em cima da outra. Primeiro ao se apoiar na descoberta de que o Wolverine já tinha garras de ossos quando foi colocado o Adamantium, conforme foi revelado logo após o Magneto tirar o Adamantium dele em Fatal Atractions. Quando a gente vai ficando mais velho e de repente alguém vai lá e muda todo um passado de um personagem que você le a mais de 10 anos causa sim alguma estranheza pra se adaptar. Até este episódio da perda do Adamantium, era sabido que o Carcaju havia recebido aswolverine origem garras pela ciência no momento do implante do Adamantium. E de repente, ele descobre que tem ossos em forma de garras. Até aí, ok. Eu posso não ter gostado, mas entendo que estas adaptações fazem parte de uma linha editorial que precisa inovar e reinventar o personagem o tempo todo para garantir mais e mais vendas e a editora sobreviver… mas ainda assim, acho que ficar mudando origem é muito forte e pode macular essencialmente um determinado herói. Wolverine é mais forte do que seus editores, já que sobrevive a isso. Logo vemos que seu fator de cura vai além do corpo e se estende as HQs. Alguns personagens parecem sobreviver da consideração dos leitores que o conhecem de muito tempo. Porque ultimamente anda difícil dizer que o Wolverine é um personagem foda muito bom, lendo os materiais atuais e dos últimos anos. Isso é uma pena… me faz temer pelo futuro do mesmo. A revista atual dele em Marvel Now! está muito lixo, fraca demais… boba demais. Será que as editoras pensam que os novos leitores são tão superficiais e bobos como os argumentos atuais sugerem ? Viu como estou ficando ranzinza ?

4cbf36c9234cdEm seguida nosso amigo foge e vemos uma mudança sem explicação, daquela criança frágil e medrosa se tornando o “bicho bravo” que é hoje. A gente fica sem entender se é por instinto ou outro motivo, já que o simples fato de apanhar de um gordão o tempo todo na revista não me parece algo que faria este efeito. O mesmo quando ele começa a viver mais com lobos do que com as pessoas. Acho que deve ser pelo instinto mutante dele, por ser mais fera que homem em alguns momentos. Mas a meu ver não se justifica a mudança assim, apenas por acontecer. Entretanto, após um começo que eu não gostei muito e um “meio” morno, temos uma sequencia no final que faz valer a compra da edição. Não pelo seu fator histórico canônico, que isso é ruim mesmo, mas pela historia pela historia.

Acho que a parte psicológica ficou muito fraca… não convence. O personagem quewolverine origem conheci nos anos 80/90 era mais forte e menos traumatizado. O Wolverine de “Origem” é muito frágil e até meio burro. Não diria nem inocente, mas muito manipulável e traumatizável demais. Você pode até dizer que é porque era ele no começo da vida, ainda não tinha toda a vivencia que ele tem mais adiante na vida, que é uma historia de origem, que vem humanizar o personagem, mas ainda assim eu te digo que historias de super-heróis precisam ser mais heroicas e menos “novela das oito“. Deixem as humanizações para os filmes e séries, nas HQ’s coloque heroismo do bom e do melhor. É o que eu digo… rs… Parece algo meio inflexível e exagerado, mas se você retornar e pensar em todas as HQ’s que você realmente gostou em todos os anos anteriores ao meio dos anos 90, vai perceber o que estou dizendo. E vai perceber que os grandes clássicos estão neste período também. Alguns personagens que são introduzidos parecem interessantes, como o Cão ( que lembra bem o Dentes de Sabre ) e seu pai Logan ( a-ha !! Eis de onde veio o nome que Wolverine adotou pra si, com um motivo bem esdrúxulo), que até fica meio “subentendido”que estava de caso com a mãe do garoto e é sem pinta de dúvida seu pai verdadeiro, a julgar pelo cabelo. Não adianta brigar comigo, eu avisei lá em cima que haveria spoilers aqui.

O traço é bom, Andy Kubert é um grande desenhista e sabe colocar emoção nos quadros. Basta analisar os olhares dos personagens, as posições de “câmera“, o movimento das lutas e a intensidade com que faz a gente sentir as “porradas”. Parece mesmo que estão doendo pra valer. Toda a coloração é como uma pintura, com sombras, nuances que lembram mesmo aquarela e traços de lápis de cor. Bonito de se ver, agradável de ler. Richard Isanove ( dito cujo que eu nunca havia ouvido falar ) é quem assina a pintura digital da edição. O roteiro é do Paul Jenkins que pra mim ficará marcado como ” O-cara-que-contou-a-historia-que-ninguém-precisava-saber-e-ainda-fez-mal-feita“.

Apesar dos pesares, recomendo a leitura. Acho que se você é fã do Wolverine, deve saber apagar da sua cabeça esta Wolverine Origem e ainda assim conseguir ser feliz.

No próximo post eu comendo sobre a continuação desta historia, muito mais bem escrita, em Wolverine Origem II.

Abraço do Quadrinheiro Véio !

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Wolverine – Arma X

Wolverine Arma X

Recordo me quando eu li pela primeira vez esta saga… Lembro de ficar muito, muito perdido, de ler devagar, olhando cada detalhe. Wolverine – Arma X é uma das edições obrigatórias para qualquer fã de HQ´s. Sério. Na época que eu li, ela foi lançada num formatinho da Abril, Wolverine Extra 1. A capa dava medo, o nome do autor até então me era desconhecido e tive medo de ser uma bela porcaria. A verdade é que eu fiquei tão abismado com o ritmo, desenhos, narrativa e com a história em si que eu demorei um tempo, uns meses, pra descobrir se eu havia gostado ou não. Até que com um pouco mais de maturidade e lendo mais uma vez, acho que na época da faculdade, eu descobri como é uma HQ Fantástica. E agora acabei comprando na coleção de Graphic Novels da Salvat e não me arrependo nem um pouco. A qualidade to material é ótima e ter em capa dura faz toda a diferença.
Em Wolverine Arma X nos é apresentada uma versão da origem do Logan. Digo, não a origem dele em si, mas das garras e do esqueleto de adamantium. Nesta época o Magneto ainda não havia retirado o adamantium dos ossos dele, então ainda não haviam inventado que as garras já estavam lá feitas de osso, o que dá a entender que elas foram colocadas lá quando ele foi feito uma arma.
A narrativa é excelente. Como foi feita já no final dos anos 80, é visivel como tem o ritmo da época. A ciência envolvida é muito interessante e os traços são tão organicos, que parece que a carne está derretendo do corpo dele. O traço é visceral, vivo, respirando. Fora que as cores são tão fortes, tão vivas, que parece tudo psicodélico, com quadrinhos bem definidos, porém com algumas quebras, como se fossem os anos 70 dando adeus e a chegada dos desenhos mais loucos dos anos 90… mas sem perder a selvageria dos anos 80 sabe assim ? rs…
Fora que a HQ inteira é toda produzida pro um homem só: Barry Windsor-Smith. Este cara deve ser consumidor de LSD, cogumelo e tudo junto pra conceber tamanha complexidade de história. Ele consegue misturar ciência, psicologia, brutalidade, conspiração, drama e suspense de um modo que faz dele único. É como uma característica só dele. Cara, me arrepio com as HQ´s desta época. Nunca mais… diria que foi um dos momentos de auge da Marvel. Antes era tudo inocente, depois, tudo comercial. Neste entre-meios tivemos uma fase de pura arte. Se você é leitor novo, que começou a ler dos anos 2000 em diante, precisa dar um pulo num sebo e começar a pegar as revistas dos anos 80 até meados dos anos 90. Aí sim você vai entender o que eu estou falando.
Nesta revista, Logan é retratado de um modo de que, embora ele seja o protagonista, ele está lá apenas de fundo. O personagem principal mesmo é o processo, é a HQ. Vemos um homem que luta por sua humanidade, não deixando a fera tomar conta. Vemos um processo de busca de sua própria humanidade, mas sem ser clichê. Fora todo o sangue, amputações, assassinatos brutais… a essência do Wolverine, e não este cara manso dos dias de hoje. Este politicamente correto de uns 15 anos pra cá, que está acabando com a arte. Penso que a maior prova de que estamos evoluindo ao contrário é a necessidade de tantas regras sociais. Se não evoluímos por nossa própria consciência, não há evolução. Politicamente correto é o maior atraso de vida do ser humano, pode anotar aí… ;ppp
 Wolverine Arma XBom, é isso. Se quer ler algo bom, com desenhos bem doidos, narrativa inteligente e um Wolverine fiel a si mesmo, esta edição é o que você procura !
 
Abraços do Quadrinheiro Véio !!!
 
 
 
 
 
 
Wolverine Arma X

 

 

 

 

Wolverine Arma X
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Surpreendentes X-Men – Perigoso

Primeiro gostaria de dizer que estou muito grato por esta Coleção Oficial de Graphic Novels da Salvat por ter me resgatado como leitor de HQ´s. Esta edição dos mutantes é uma das gratas surpresas do que eu perdi da casa das idéias durante estes mais de 15 anos de ausência em minhas leituras. Pelo jeito a maioria dos lançamentos são pós anos 2000 e por isso está sendo bacana ter tanto ineditismo pra mim. O que vem antes de 98 eu li praticamente tudo, então, é bom ser atualizado e saber que, mesmo sendo poucas histórias, foram feitas sagas muito boas.
Supreendentes X-Men: Perigoso, é a continuação da edição ‘Superdotados‘ ( que você pode ver uma análise minha aqui ) é uma destas gratas surpresas boas. Não digo que é uma das melhores que eu já li, mas é uma edição que faz a gente sentir tudo que gostaríamos de sentir lendo uma história dos mutantes. Talvez eu seja um tanto ranzinza por achar um pouco ‘politicamente correta‘, ou até o Wolverine meio ‘manso‘, mas encaixou bem na saga. Sou do tempo em que o baixinho atarracado era nervosão e só o professor X segurava a onda dele. Acho que o Dentes de Sabre tem razão quando diz que ele está ficando manso…. hehehe.
Situando: esta história republica as edições 7 a 12 da revista Astonishing X-Men lançados em 2004/2005. Ainda acho que a editora enriqueceria um pouco mais dando informações sobre a época do lançamento. 
Esta edição está mesmo muito boa e faz a gente entender a anterior que foi a ‘cama’ pra isso. Acho até que seria mais justo com a gente se tivesse sido lançado apenas em uma edição, com as 12 revistas. Claro que a editora precisa ganhar dinheiro e sabemos como anda complicado viver de publicações impressas nos dias de hoje. Em ‘Perigoso‘ vemos uma aventura digna dos mutantes da Marvel. Tem menos embromação e blá-blá-blá mutante e mais ação. O tema ‘preconceito’ está lá, assim como os conflitos internos da equipe e um Xavier mais falho como tem sido nos últimos anos, porém tem algo mais. Tem o Ciclope, que sempre foi revoltado, deixando esta revolta tomar conta de si. Vemos o aflorar de um sentimento que ele deixou recluso por muitos e muitos anos e nota-se que é uma panela de pressão prestes a explodir. Tanto que a cena que eu atribuí equivocadamente na analise anterior, em que ele detona quase meia floresta com uma rajada ótica está nesta edição e não na anterior como eu havia mencionado. ( sorry… misturei. )

É difícil escrever sem soltar spoilers e prometo que vou me esforçar pra não falar nada inadvertidamente. O que acho gostoso nesta edição é o medo que a gente sente. Gosto quando o autor faz a gente achar que alguém pode morrer, ou que eles estão tão indefesos que desta vez vão perder feio. No caso dos X-Men as vitórias deles nunca são simples, sempre que vencem um adversário, existem perdas. Sejam de membros do grupo, seja na ideologia, seja uma decepção interna. Algo sempre acontece, e o Joss Whedon manteve

isso. Gosto do Colossus desde sempre. Desde que o conheci numa aventura dos X-Men enfrentando o Arcade e logo depois em Secret Wars. Eu comprava Super Aventuras Marvel ( SAM ) pra ler o Demolidor e o Justiceiro e acabei conhecendo os X-Men e aos poucos fui aprendendo a gostar da equipe. E como a maioria, a paixão pelo carcaju foi enorme, seguido pelo Colossus e Ciclope. Gostava quando não eram tanto mutantes. Nos anos 90 tinha tanto mutante que eu comecei a achar um exagero. Entendia a mensagem, mas não era algo que divertia como antes. Esta edição é divertida. O ‘Perigo’ é real e este nome tem um motivo. Não vou estragar a surpresa de vocês, porque eu adorei ter a surpresa e a sensação de tentar adivinhar o inimigo secreto é uma delicia. E que inimigo engenhoso. Que desafio mais intransponível. Se fosse tão inteligente quando racional, os mutantes não teriam a menor chance. Tem uma passagem que todos quase morrem que eu perco o folego. Whedon é um gênio da manipulação. Quem leu sabe o que to dizendo. 

Tem diálogos muito ricos, inclusive um muito bem bolado entre o Peter e a Kitty. Ela projeta nele seus medos e inseguranças. A única coisa que não ‘colou’ muito bem, ao menos pra mim, é como está sendo fácil pro Colossus, após tanto tempo encarcerado e sozinho, voltar pra equipe como se nada tivesse acontecido. Acho que ficou meio forçado.
Outra coisa que poderia ser mais explorada é a escola após os fatos desta edição. Eu realmente fiquei a fim de saber o que vem depois. Vou pesquisar.
Agora, realmente os desenhos não me agradam. John Cassaday segue o mesmo traço e perspectiva da edição anterior e poucos quadros me agradaram. Ele tem movimento, tem um sombreado bacana e tudo, mas não gosto dos rostos. Tirando o Colossus, que ficou bem legal. Que sorte a minha… hehehe…
As cores estão legais e acompanham o clima da HQ.
Acho que é uma edição imperdível. Se não pegou, corre na banca pra ver se ainda tem.
Abraços do Quadrinheiro Véio !

Surpreendentes X-Men – Superdotados

Leio X-Men desde sempre, e confesso que na minha infância e adolescência

eu e meus poucos amigos leitores de HQ´s pronunciávamos ‘xis-men‘( heheheh ), não sabíamos a pronúncia correta e líamos assim, bem como diversos outros nomes de personagens. Este ‘sempre’ foi interrompido no meio dos anos 90, quando parei de ler tudo. Mas o principal motivo de eu ter deixado os X-Men foi o dramalhão mexicano que os argumentos das HQ´s estavam se tornando. Estava cansativo e repetitivo e sem perceber, parei de acompanhar.

Acho que pode ter sido por isso que eu demorei tanto pra pegar este exemplar na minha prateleira e finalmente me permitir a leitura e vejo que pouca coisa mudou. Não me entendam mal, eu gostei da edição, mas não achei sensacional ou surpreendente. Talvez pra quem não os conheça possa até ser uma grande história, mas pra mim, achei boa e só isso. Vou me esforçar pra explicar este ponto de vista nas próximas linhas e perdoe-me se ferir o gosto e opinião pessoal de alguém. Como sempre digo, respeito e acho que todas as percepções são válidas e aqui eu compartilho a minha, ok ?
Bom, dito isso, Os Surpreendentes X-Men: Superdotados começa de modo bem nostálgico, aparentemente buscando resgatar alguns personagens e fazer um link com leitores mais antigos, bem como atualizar os mais recentes. Temos o retorno da Kitty Pryde à Mansão X e Joss Whedon tenta restabelecer a escola como uma instituição educacional de pessoas especiais. Digo tenta porque fica meio vago. Entendo que é apenas um “pano de fundo” pra história, mas acho que poderia ter mais detalhes. Ficou bem cinematográfico, mas não de uma forma que eu achei que encaixou bem em um formato de HQ. HQ´s pedem mais detalhes funcionais, enquanto cinema são detalhes referenciais, apenas pra situar quem assiste. De qualquer forma, só pela intenção dele já achei legal.
Esta Graphic Marvel reúne as edições 1 a 6 de Astonishing X-Men de 2004. Ao que me parece, ela vem após os acontecimentos de E de Extinção, em que, mais uma vez, os X-Men se veem precisando reunir uma nova equipe. Os mutantes já

apresentaram a tal “segunda mutação“, e o Fera está com aquela aparência felina ridícula, a Emma Frost transforma o corpo em diamante e talz… Mas fora isso, a história anda bem. Gosto do ritmo, gosto de rever os “amigos” de outrora como a Kitty Pride, Nick Fury branco e o Wolverine e também gosto muito de ver o Ciclope botando pra quebrar. Embora mais descontrolado do que o normal, é bacana ver o líder natural dos mutantes assumindo seu posto. Tem uma passagem interessante em que, após um ataque devastador de sua rajada ótica, Ciclope ouve de Logan que as vezes é bom lembrar porque ele é o líder da equipe.

Vemos alguns momentos também que acontecem passagens desnecessárias, como o Logan brigando com o Fera e uns blá, blá, blá mutantes de sempre, mas que imagino que isso esteja de algum modo preparando o terreno pras histórias posteriores. Mas o que mais gosto é de ver o Colossus de volta. O mutante russo capaz de transformar seu corpo em aço orgânico é um dos meus preferidos e é bom ver ele de volta e arremessando o Wolverine. Foi certamente um ‘momento delicia‘. ( hehehehe )
Os desenhos são de John Cassaday e pra mim, não vi nada de mais. Ele resolve, e só. Não achei nada de extraordinário ou digno de nota, aliás, é mais um que parece que tenta fazer cada quadrinho parecer um poster ou capa. Não gosto. Mas, como disse, resolve. Conta bem. Ao menos não incomoda.
Resumindo, só é épico porque é mais um re-start nas HQ´s mutantes e tenta mais uma vez resgatar a glória dos anos Claremont, mas na minha opinião, não consegue. Na coleção da editora Salvat ela tem uma continuação que irei escrever em outro post, e que já adianto, eu gostei bem mais do que desta introdução. Acho que a verdade é que estou ficando velho pra tanto “nhê-nhê-nhê” mutante… hehehe….
Abraços do Quadrinheiro Véio !