Flash – Seguindo em Frente – os Novos 52

Flash – Seguindo em Frente – os Novos 52

Fala, Quadrinheiro !

Novos 52 é um momento em que a DC achou que estava fazendo algo legal, quando na verdade não estava. Isso é como eu vejo. Porque não tem como acreditar que algo tão estranho tenha durado 52 meses sabendo que era algo tão ruim. Claro que isso é eu falando, meu ponto de vista, minha percepção sobre as histórias.

Comentei sobre a Mulher Maravilha dos Novos 52 aqui e reforço, não é de todo ruim, só não é algo bom. É algo um pouco quase mediano. Difícil definir, né ? Vou tentar.

Seguindo em Frente

Eu recebi da Panini a edição Flash – Seguindo em Frente que reune as edições de 1 a 8 da revista The Flash logo no comecinho dos Novos 52. O universo Novos 52 cronologicamente começou 1 ano após Flashpoint ( ponto de ignição no Brasil ), saga em que Barry Allen faz o que não deve mexe e no passado pra salvar sua mãe de ser assassinada e faz uma besteirada. Quando finalmente corrige tudo, acaba por criar este universo paralelo conhecido como Os Novos 52. Cabe dizer que Flashpoint é uma obra muito, muito bem feita. Uma das melhores histórias da DC e ela fechou o antigo universo muito bem. E após esta correção toda que Barry conseguiu fazer ao final de Flashpoint, ele precisou Seguir em Frente, que é o que vamos discutir aqui.

E, ao ler, não achei esta saga do Flash ruim, não. Não é boa, mas não é ruim. O que é preciso entender é que personagens da DC ( e até da Marvel ), são antigos. Super-homem faz 80 anos em 2018. Consegue imaginar como deve ser difícil inovar personagens e histórias depois de tantos anos contando histórias sobre eles ? Imagina a dificuldade que é contar algo novo sobre personagens que já existem a uma vida inteira. É preciso realmente mudar, e como sempre, mudanças causam desconforto. E considere que, mesmo no cinema, atualizar é preciso. Os tempos mudam. Comportamentos e a sociedade muda, evolui. Não tem como esperar o “mais do mesmo“. E se você realmente refletir, se fazem o “mais do mesmo“, a gente vai reclamar que não inova. Se fazem mudanças, a gente reclama que “mudou“. Assim, fica difícil, não é ?

Mudanças do Flash

Este Flash é o clássico Barry Allen. Meu preferido. O que me deixou triste durante a leitura da Crise nas Infinitas Terras nos anos 80. E sim, eu comprei nas bancas, um a um. Li crise cronologicamente no seu lançamento no Brasil e ainda tenho os formatinhos depois de todos este anos. E quando o trouxeram de volta na saga Crise Final foi algo curioso. Em os Novos 52 o Flash tem um uniforme levemente diferente, seguindo a linha dos outros personagens, com umas linhas em todo o corpo, que se iluminam enquanto ele corre, e seu uniforme sai de seu anel, mas eu não entendi bem porque saem umas tiras que envolvem o corpo dele e formam a roupa. Mas é HQ, então ok. Isso não incomoda. Assim como umas alterações no Capitão Frio que agora emite seus raios congelantes pelas próprias mãos ou a Iris West não ser mais a Sra. Flash.

A história é boa a muda um pouco a forma como Barry interage com a Força de Aceleração, o campo de onde seus poderem vem. Podemos até dizer que a história gira toda em torno da Força de Aceleração. Como bom “véio“, demorei pra aceitar este lance de haver uma dimensão que fornece poderes pros velocistas e este lance de ele poder acessar este universo e etc é algo muito estranho. Mas como disse, faz parte da evolução dos personagens e precisa ser feito alto pra que eles evoluam, desenvolvam novas histórias e tenham algo novo pro leitor, ao mesmo tempo que atualiza pro publico atual. Super-heróis são pra pre-adolescentes e adolescentes. Então, não sou mais o alvo do publico, né ? Mas irei ler sempre, mesmo assim.

E tudo gira em torno desta nova forma com que Barry descobre que quanto mais usa seus poderes, mas influencia o comportamento da Forca de Aceleração e como esta dimensão influência o mundo.

Manapul e Buccellato

Eu não conhecia Francis Manapul até ler este encadernado e acho que ele faz um bom trabalho. Ele é responsável pelo roteiro junto com o colorista Brian Buccellato. A leitura não cansa, tem uma caminhada interessante e as mudanças deste novo universo tentam dar um novo start no personagem, como a nova namorada Patty Spivot e seu ainda inexistente relacionamento com a Iris. O roteiro tem um lance muito básico. É um cotidiano de um herói, nesta pegada dos anos 2000 em que procura mostrar o lado humano, relacionamentos, divisão da alma entre a vida humana e a heróica. Por mim, a gente só seguiria o lado heróico e pronto. Aliás, tem umas frases e momentos bem heróicos do Flash e eu gosto disso. O traço também é do Manapul e é constante e competente, mas não inova. É um desenhista que faz o básico bem feito. Muito bem feito. Com emoções muito bem transmitidas e no caso de um personagem como o Flash, o movimento, a velocidade são muito bem representadas.

Enfim, recomendo esta leitura de Flash – Seguindo em Frente porque realmente é boa. Não é memorável, mas é uma saga legal de se ler.

Abraços do Quadrinheiro Véio

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Mulher Maravilha – Sangue – Novos 52

Mulher Maravilha – Sangue – Novos 52

Olá Quadrinheiro.

Pois é, eu sou um daqueles das antigas que não gosta do universo dos Novos 52. Se você acompanha o blog, isso já deve estar se tornando repetitivo, mas como não sei a quanto tempo você me acompanha, acho que é sempre legal abrir assim ( hehehehe ).

Porém, não sou alguém desprovido de bom senso. E quando encontro algo que vale a pena comentar ( pro bem ou pro mal ) me disponho a colocar aqui no blog pra você.

O recomeço da Amazona

Como você bem sabe, após o evento temporal de Flashpoint o universo DC foi reconfigurado. Não acho que foi um problema de execução. Tem histórias muito boas, inclusive este compilado da Mulher Maravilha. Mas as premissas que foram mudadas me incomodaram bastante. Reforço que não sou avesso à mudanças. Vivi muitas delas, inclusive eu já era leitor da era de prata quando Crise nas Infinitas Terras veio pra bagunçar tudo. Mas as alterações de Novos 52 foram tão avessas que a DC precisou concertar ( de novo ) o universo dela porque finalmente os gritos de “PARA QUE TÁ FEIO” foram ouvidos.

Sangue reune as 6 primeiras revistas da Mulher Maravilha em Novos 52. É seu recomeço, sem ser um recomeço. É o início da mudança de um dos principais paradigmas/dogma da heroína e é o grande incomodo ( pra mim ) na personagem nesta fase. Ela deixa de ser criada do barro da ilha paraíso para ser semi-deusa, uma das bastardas do próprio Zeus. E, pra mim, isso é simplesmente intragável. Explico:

Diana tem toda uma mitologia própria. Independente, recebeu dádivas dos deuses sem ser uma filha herdeira de sangue. Sabemos que no universo DC os deuses do Olimpo são super-seres divinos, mas com a mesma pegada mitológica básica. Tem seus prazeres carnais, tem filhos como qualquer mortal. Podem morrer assassinados e tem poderes pessoais distintos. Existe uma hierarquia “celestial”, mas que sua imortalidade se dá pela sua durabilidade.

A história tem até uma boa execução, tem um bom andamento. Mas foge tanto da origem clássica, até mais do que a mudança de George Peres depois de Crise nas Infinitas Terras, que chega a parecer que é uma nova personagem.

Terapia de Choque

Acho que é este o lance que perde tudo. A gente se choca. Aparentemente em algum momento foi decretado que era preciso chocar pra vender mais quadrinhos. Como se tudo precisasse ser assim agora. Não importa se é algo bom, se é algo que vão gostar. Vamos fazer algo que seja inesperado, inédito e chocante. Algo impensável. Vão falar mal, mas vão comprar revistas pra ler e meu título vai vender muito. Só que depois, não se sustenta. A arte se perde. Sabe, a história é boa, a execução é legal. A narrativa é feita direitinho ( também pudera, quadrinhos são feitos assim desde os anos 20, uma hora tinham que desenvolver uma fórmula ) porém quando se muda algo tão essencial, é como se algo precioso se quebrasse. É como se o personagem não fosse bem entendido nem por seus próprios donos. 

Nestas horas me recordo do Flash de uniforme preto com as pernas de fora em “Cavaleiro das Trevas 2“: Jovens, não sabem diferenciar o antigo do clássico. É como me senti em relação a muitas das mudanças de novos 52. Principalmente a mudança da cuequinha do Super-homem. Aquilo é clássico, não antigo. Este é meu ponto, esta é a minha principal queixa com esta fase da Mulher Maravilha pós-Flashpoint. É como se fosse ela e não fosse ela ao mesmo tempo.

Mas… eu li !

É, eu li. Peguei uma promoção na livraria e este compilado finalmente veio pra casa comigo. E é com te disse, a história é boa, é interessante. Embora sua origem de nascença tenha sido alterada, se a gente não der importância demais a isso, e se você não conhecesse a história pregressa dela, é possível gostar da idéia proposta. E é esta a proposta da DC com Novos 52. É um novo mundo, novas origens, novas histórias. E dentro deste contexto, eu gostei. A introdução de novos personagens, novos semi-deuses. Não tem problema nisso. Mas alterar a Diana, de novo ? OMZ… não precisava, DC. E agora, o cinema imortalizou esta origem divina. Adoro o filme, mas é horrível quando algo que a gente conhece a 30 anos muda do nada e é “ok”.

Uniforme prata ? hummm… sei não.

À frente dos roteiros está o excelente Brian Azzarello. Eu não gosto de tudo dele, mas gosto da maior parte do que ele escreve. 100 Balas é um exemplo do que ele tem de excelente. Cavaleiro das Trevas 3, embora ele esteja mais como uma “garantia de qualidade” pra garantir algo bom depois de DK II ter sido complicada pra editora, Brian tem uma forma única de narrar o equilíbrio feminino de uma Amazona. Gosto do jeito de ele escrever, da forma que narra. Só me incomoda mesmo a natureza essencial alterada na personagem. Mas seu poder de contar uma história é sim, muito bom.

Cliff Chiang e Tony Akins assumem os traços. Gostei muito do estilo do Chiang, mas a pegada mais artística do Akins me gritou mais aos olhos. E, embora a alteração do uniforme da Diana tenha me incomodado muito quando a vejo sozinha, não me atrapalhou na leitura. Eu gosto dela dourada. A troca dos detalhes dourados pelos prateados me faz sentir que ela foi rebaixada de alguma forma. Os outros visuais atualizados ficaram bonitos. Hipólita, Hermes, Apolo, Poseidon ( cara, que criatura mais louca que ele está usando como aparência ), Hades e Discórdia. Ficaram excepcionais, lindos e condizentes.

Sei que parece ter muita implicância minha aí, tem sim. Tem a nostalgia, tem a rabugisse de quem conhece a personagem a mais de 35 anos. Em minha defesa digo que consigo separar. E de alguma forma, e em alguns aspectos, gosto do que eu lí.

Heroína

Diana sempre foi uma “deusa” entro os homens. Esta fase veio apenas oficializar isso. Quero ler o restante ainda. Preciso saber como tudo vai caminhar e pra onde ela vai depois deste trauma enorme que é descobrir que sua origem é uma mentira. Aliás, eu achei que ela aceitou isso rápido demais. É como se fosse assim: “Agora é isso, ok ? Simbora, engole o choro.“. A sensação é que ela está tão habituada a mudanças, que esta foi apenas mais uma, durou 20 quadrinhos e já segue como se isso não fosse nada.

Histórias assim apenas confirmam mais ainda que Novos 52 não é pra mim, mas que como bom fã da DC Comics, invariavelmente, lerei em breve. Afinal, Rebirth veio pra redimir as besteiras desta fase, que de tão ruim, durou pouco e precisou de um reboot muito antes do normal.

O legal é ter estes encadernados, conhecidos como paperback nos EUA. Acho que a Panini teve uma idéia muito boa ao reunir em capa dura especial as sagas de cada personagem e nos dar novo acesso. Além disso, fica lindo na prateleira.

Se recomendo ? Sim. Claro. Vale ler. É competente. Eu apenas não gostei, mas não acho que é ruim.

Abraços do Quadrinheiro Véio.

PS: Conheça também o canal: oQV !!

 

Mulher Maravilha Sangue

Mulher Maravilha Sangue

Mulher Maravilha Sangue

Mulher Maravilha Sangue

Mulher Maravilha Sangue

 

Tropa dos Lanternas Verdes – No Limite da Existência

Tropa dos Lanternas Verdes – No Limite da Existência

Olá Quadrinheiro.

Green_Lantern_Corps_Edge_of_Oblivion_Vol_1_1Como grande fã dos Lanternas Verdes, não consigo ver algo deles nas bancas com preço bacana que minha carteira magicamente salta pra minha mão e eu levo pra casa. Desta vez vamos falar de “Até o Limite da Existência “, onde a tropa enfrenta um desafio muito grande: Sobreviver ao fim do universo que antecedeu o nosso. A edição que eu peguei reune as edições 1 a 6 de Green Lantern: Edge of Oblivion.

GLCEOO_1_dylux-3Como de costume, não vou dar spoilers aqui, mas eventualmente uma coisa ou outra acabo soltando, mas nada que possa comprometer a sua leitura. Até porque esta história em si tem apenas uma reviravolta que é bem legal de se ver.

Basicamente a tropa dos Lanternas Verdes foi transportada de alguma forma para este tempo/espaço/dimensão, que antecede o universo que vai surgir. Note que no universo dos quadrinhos DC, é assumida a existência de um Big Bang. Notadamente, eles até tinham uma outra origem pra existência que foi revelada em Crise nas Infinitas Terras dos anos 80 ( cabe um adendo: uma das mais marcantes sagas/histórias da minha vida ), em que um “ser” super poderoso cria o universo. Mas com tanta mudança e tanto tempo depois, a gente fica até meio perdido, sem saber o que vale e o que não vale. Com tanta viagem no tempo, nada é permanente por tanto tempo neste mundo maravilhoso dos quadrinhos.

U ki ke tá cuntissênu ?

Edge of Oblivion3Vale explicar que pouco antes de Rebirth, toda Tropa dos LV do universo dos Novos 52 desapareceu deixando pra trás apenas Hal Jordan como o único lanterna pra defender o universo inteiro. E eles foram parar neste lugar esquisito, onde todas as estrelas se apagaram e está em seus últimos dias. A única coisa que ainda tem por lá é um planeta que contem a última cidade do universo ( cara, isso é muito Doctor Who ), e esta cidade vive uma Guerra Civil pela sobrevivência. Só que em determinado momento, a tropa se divide e acaba até lutando entre si. Aí, temos Killowog, John Stewart, Arisia, Guy Gardner, Sallak e mais um monte de lanternas ralando pra sobreviver ao fim dos tempos. É muito louco !

08_19Eu me envolvi bastante com esta história, achei ela bem divertida, bem interessante, intrigante e faz um bom fechamento pros Lanternas Verdes após o sofrido Novos 52. Se vc já conhece meu blog, sabe que eu torço bastante o nariz pra esta fase da DC, com pouca coisa aproveitável ( na minha forma de ver, claro… ).

Tem diálogos muito bons e um roteiro que me pareceu bem amarrado, bem cuidadoso nas tramas, nos segredos e na narrativa. Tom Taylor é o responsável por estas 6 edições, vindo de Injustice. O cara mandou bem.

Já os desenhos são de Ethan Van Sciver e confesso que são ótimos. O cara sabe desenhar, sabe perspectiva, sabe colocar sentimento. Pra mim é um dos grandes desenhistas da atualidade. GalleryComics_1920x1080_20160210_GLC_EOO_5697f03cce74d7.59629643Ele flui no traço. Com uma ou outra falha de continuidade nos uniformes, mas nada que a gente perceba sem prestar atenção.

Eu diria que é uma revista obrigatória pro fã do Lanterna Verde. Pros fãs do universo cósmico da DC e até pra se despedir do universo dos novos 52, vale muito a compra. Até porque, por R$ 16,90 é um presente !

Grande abraço do Quadrinheiro Véio !