70 anos de Tio Patinhas

70 anos de Tio Patinhas

Tio Patinhas é de longe meu personagem Disney preferido. Eu poderia escrever um livro só com a história dele em minha vida. Mas irei resumir aqui e comentar por quê eu acho que você deveria ler este especial de aniversário de 70 anos do sovina mais apaixonante de Patópolis.

Muquirana !

A quantidade de palavras que aprendi lendo quadrinhos Disney é quase tão vasta quanto ao tanto que eu me diverti ao consumi-los. Não apenas palavras, mas muito do comportamento empreendedor, da persistência ( e a diferença entre teimosia, persistência e obsessão ) da aventura exploratória e a paixão por história e arqueologia que sempre me permearam a imaginação e o gosto nasceram das páginas deste Quaquilionário Escocês.

Criado por Carl Barks  em 1947, a edição traz ( mais uma vez ) a primeira aparição do Tio Patinhas em uma revista em quadrinhos na famosa “Natal nas Montanhas“. Em um desenho animado de 1942, conhecido como “The Spirit of’43“, um personagem muito parecido com o Tio Patinhas, mas que não tem nome mencionado aparece. Se baseando visualmente neste personagem, Barks adicionou a personalidade de Ebenezer Scrooge. Este personagem famoso por ser um grande velho egoísta, rico e sovina do clássico “Um Conto de Natal” do Inglês Charles Dickens. Assim, criou uma história que seria o marco inicial deste tio rico do Donald testa a coragem do sobrinho apenas como diversão.

Este comportamento de se manter (mais) rico a cada segundo, além de sempre buscar formas de fugir do tédio enquanto economiza cada centavo é a característica mais importante e marcante do Tio Patinhas e isso se perdura em cada história, cada tirinha e sempre com fidelidade a princípios morais que variam no detalhe e se mantém na essência em toda aparição.

Estes anos fizeram bem

Os 70 anos do Tio Patinhas traz 25 histórias cuidadosamente escolhidas pela equipe da Editora Abril, que edita Donald e sua turma desde 1950. Vale a curiosidade de que Pato Donald é a revista que inaugura a editora que, depois de tantos anos, deixará de publicar a franquia este ano. Certamente é um marco importantíssimo pro mercado editorial no Brasil e, mais ainda pro fã Disney.

É possível presenciar a conquista da moedinha número 1, seu primeiro trabalho como engraxate, suas aventuras na época da mineração e corrida do ouro no Klondike. Desde seu grande amor de juventude, a famosa Dora Cintilante e todas as peripécias e mecanismos de defesa pra manter a caixa forte segura dos seus inimigos. Seja a Maga Patalójika em busca da número 1, sejam os metralhas, ou os rivais milionários Patacôncio e Pão-Duro McMoney ( meu preferido, hehehe ). Tio Patinhas sempre, sempre consegue sair vitorioso no final… e mais rico também.

Tio Patinhas é aquele velho que nunca fica velho. Ele já é super velho desde sempre, mas ainda luta e escala como ninguém, ainda se enfia em aventuras e arrasta o Donald e os Sobrinhos e quem mais estiver disponível. Geralmente, o Donald está sempre em alguma dívida com o Tio e quando não é isso, o poder de persuasão do velho sovina é infalível. Tanto que partiu para a TV pra fazer muito sucesso e popularizar de maneira eterna ao estrelar Ducktales, os Caçadores de Aventura que depois ainda recebeu algumas edições em quadrinhos que você também pode conferir neste livro.

O tempo passa e tudo muda, mas nada muda.

Diversos artistas puderam criar aventuras e desenhar os patos. Desde italianos, holandeses, americanos até brasileiros. O Tio Patinhas inspirou cenas de Indiana Jones e é o personagem mais rico do mundo. Embora Mickey, Pateta e Donald sejam as estrelas mais visíveis, nenhum nunca vai ser tão grande quanto o vigoroso Quaquilionário Tio Patinhas.

Quer ler algo muito rico ? Leia os 70 anos do Tio Patinhas !

Abraços do Quadrinheiro Véio.

 

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Quadrinhos Star Wars : Poe Dameron

Poe Dameron em Star Wars HQ

Estive lendo recentemente algumas edições da revista Star Wars e estas edições estão com um mix interessante. Estava com Poe Dameron, Dra. Aphra e uma aventura da “trupe” clássica, logo depois da explosão da primera Estrela da Morte.

Mas o assunto deste post é Poe Dameron, o melhor piloto da resistência. E se passa cronologicamente umpouco antes de O Despertar da Força.  São histórias publicadas durante 2017 nos EUA e eu ainda acho sensacional elas chegarem ao Brasil em menos de um ano.

Melhor Piloto ?

Basicamente, Paul Dameron tem um algoz na Primeira Ordem, que não é um algoz comum e nem é PO tanto assim. Ele é um agente meio independente que é remanescente do Império Galático. Terex, ou Agente Terex, ou Lorde Terex, é um ex-stormtrooper que fugiu do Império logo depois da batalha de Jakku, depois da explosão da Estrela da Morte e que, pela sua personalidade obsessiva, se tornou um fanático que desejava que o Império se reerguesse e trouxesse ordem novamente ao caos do universo. Ele realmente acreditava na ordem imposta pelo Imperador e achava que é como deveria ser, e por isso, sua meta era re-estabelecer o Império. Louco de pedra, né ? Mas acredite ou não, é o melhor personagem da revista.

Já o Poe ainda tem aquele jeito meio perdido. Embora mais parecido com o Poe de O Despertar da Força do que com o Poe de Os Últimos Jedi, é um Poe que ainda falta profundidade, deixando todos os personagens ao entorno dele mais interessantes do que ele. Ele ainda vive da fama de “Melhor Piloto da Resistência”, mas isso não aparece. Acho que é algo que me incomoda com relação ao personagem. Aparece um pouco do esquadrão que ele lidera, o Black Squadron, mas nas edições que eu li, não tiveram participação. Eu li as edições 7 a 11 da revista americana Poe Dameron.

História boa

Eu não sou o maior fã de histórias em quadrinhos de Star Wars. São pouquíssimas que eu li que eu realmente gostei. Eu sigo lendo porque a) é Star Wars e b) preciso saber como anda o cânone, já que ( não sei se já mencionei ) é Star Wars 🙂 .

A história tem um bom argumento, interessante até, mas acho que o roteiro perde na execução. Senti falta de algo mais elaborado, mais cheio de detalhes e até mais bem amarrada, mas entendo que nos dias de hoje isso é pedir demais. Até precisamos considerar uma coisa importante, que é o fato de ser uma revista regular e não uma mini-série ou uma graphic novel, que costuma ter um melhor desenvolvimento. A história mostra mais sobre alguns detalhes da vida do piloto, enquanto tenta salvar sua vida e proteger a resistência ainda bem frágil.

Aliás, vale mencionar que o roteiro é de Charles Soule, que bem recentemente esteve em vários títulos da DC como Monstro do Pântano e Lanternas Vermelhos e na Marvel, em Wolverines, Demolidor e mais alguns. Além de ser ele o cara que “matou” o Wolverine daquele modo horrível. No traço, Phil Noto o acompanha com uma arte que achei meio diferente, mas aceitável. Não me fez sentir algo, não é algo de muita personalidade. Aliás, difícil né?  O que de moderno aparece hoje em dia, em que o desenho tem muita diferença entre os desenhistas ? Parece que se estabeleceu um padrãozinho que, se não seguem, estão fora. Poucos desenhistas tem um diferencial notável, Phil não é um deles. Mas a arte é competente, resolve e está “ok”.

Para os fãs de Star Wars, Poe Dameron que está no mix da revista mensal Star Wars é uma leitura bem simples e divertida. É a linha mediana, não é ruim pra chingar e nem boa o suficiente pra um grande elogio.

Abraços do Quadrinheiro Véio !

 

 

Triunfo e Tormento – Doutor Estranho e Doutor Destino – oQV

Triunfo e Tormento – Doutor Estranho e Doutor Destino

Olá Quadrinheiro !

Lembro me muito bem quando a série Graphic Marvel começou aqui no Brasil. Era um pouco diferente das Graphic Novels que a gente tinha e era exclusivo da Marvel, e na número 5 veio Doutor Estranho e Doutor Destino: Triunfo e Tormento. Uma das HQ’s mais marcantes da minha vida.

Dor ? Dor é como o amor, como a paixão. É atributo de homens inferiores… o que é a dor para mim ?” 

Esta frase é um dos grandes momentos da revista. Aliás, é de uma época em que tinhamos grandes diálogos, grandes desafios. Uma época mais aventureira. Quando eu comprei a edição na banca em 1991, eu tenho a nítida recordação do impacto que foi ter acesso a algo com tamanha profundidade. Triunfo e Tormento é obra prima. É conceitualmente uma história que toca a sua alma. É mais do que apenas o Dr. Destino finalmente resgatando a alma de sua mãe. E o título é perfeitamente encaixado na história.

Doutores

A história é muito interessante. Tem todos os aspectos místicos que a gente espera de uma boa história sob o tema da magia. Curiosamente, foi meu primeiro contato com uma história do Dr. Destino mostrando seus poderes místicos e isso foi meio surreal. Como um cara com uma armadura super tecnológica pode também dominar o oposto natural ? Isso foi cativante, me deixou muito curioso.

E acho que é este um dos principais pontos de Triunfo e Tormento. A gente fica pegado, curioso. Começa com uma disputa sobre quem se tornaria o mago supremo da Terra. Spoiler: Sim, será o Dr. Estranho. Mas você já sabia disso. ( hehehe ) Esta história pega uma licença poética de mostrar o momento que o Dr. Estranho recebe o título. E além disso, de maneira muito competente, re-apresenta as origens de ambos os personagens sem ser forçado. É contextual, é bem inserido. É parte da história que está sendo contada, e não apenas uma lembrança ou referência.

Depois que se definem os vencedores da disputa do maior mago da Terra, os doutores partem pra dimensão de Mefisto e ali lutam pela alma da cigana mãe de Victor Von Doom. Tem tanto sentimento envolvido e é tudo tão bem encaixado, que ao final, quando é revelado que estava tudo planejado pelo Doutor, você percebe que tem sinais disso durante toda a história e ainda mais, a genialidade que o personagem esconde pra que possa andar livremente.

Tendo envolvido Mefisto, você já tem uma certeza: A história vai envolver muitas reflexões, muitos valores. E, claro, artimanhas. Mefisto é praticamente invencível, então só se vence ele através de suas próprias regras. É um dos maiores personagens da Marvel, não apenas em poder, mas em possibilidades metafóricas. Usar a encarnação do mal do universo como um ser gerado e nutrido pelo ódio é algo que simplesmente pode gerar grandes roteiros. E aqui temos uma das maiores e melhores histórias dele. 

Mas… quem ?

Roger Stern é o roteirista desta história. Ele tem esta característica mais cerebral, filosófica e questionadora. Conduz o roteiro com uma pitada de cinema e sabe deixar a gente entretido. Some a isso um dos maiores artistas de quadrinhos que eu já ví, Mike Mignola e você tem uma história absolutamente épica, visualmente incrível, com todas as ousadias possíveis em uma história que envolve magia e mundos imaginários. Mignola está entre meus prediletos. A primeira revista que li dele foi Odisséia Cósmica e foi apaixonante, tamanha diferença das demais publicações mensais. E ele consegue ir além em Triunfo e Tormento. Mark Badger pinta tudo de maneira sombria, uma pegada meio aquarelada, um dos primeiros trabalhos em HQs com o uso de gradientes, profundidade e uma sensibilidade estética muito bem cuidada.

 

Em 2013, a Panini relançou Triunfo e Tormento em capa dura, papel especial e tudo o mais. Então, você não precisa depender de scan online, pode procurar que encontra por aí nas melhores livrarias !

 

Pro fã de artes místicas, Doutor Estranho e Doutor Destino: Triunfo e Tormento é um deleite. Pra quem apenas curte uma boa história, tenho certeza que vai ficar perplexo. O final surpreende, ousa, e te deixa pensativo. Como uma boa Graphic Novel deve ser.

 

Abraços do Quadrinheiro Véio !

 

Em tempo, visite o canal: O QUADRINHEIRO VÉIO

 

Mulher Maravilha – Sangue – Novos 52

Mulher Maravilha – Sangue – Novos 52

Olá Quadrinheiro.

Pois é, eu sou um daqueles das antigas que não gosta do universo dos Novos 52. Se você acompanha o blog, isso já deve estar se tornando repetitivo, mas como não sei a quanto tempo você me acompanha, acho que é sempre legal abrir assim ( hehehehe ).

Porém, não sou alguém desprovido de bom senso. E quando encontro algo que vale a pena comentar ( pro bem ou pro mal ) me disponho a colocar aqui no blog pra você.

O recomeço da Amazona

Como você bem sabe, após o evento temporal de Flashpoint o universo DC foi reconfigurado. Não acho que foi um problema de execução. Tem histórias muito boas, inclusive este compilado da Mulher Maravilha. Mas as premissas que foram mudadas me incomodaram bastante. Reforço que não sou avesso à mudanças. Vivi muitas delas, inclusive eu já era leitor da era de prata quando Crise nas Infinitas Terras veio pra bagunçar tudo. Mas as alterações de Novos 52 foram tão avessas que a DC precisou concertar ( de novo ) o universo dela porque finalmente os gritos de “PARA QUE TÁ FEIO” foram ouvidos.

Sangue reune as 6 primeiras revistas da Mulher Maravilha em Novos 52. É seu recomeço, sem ser um recomeço. É o início da mudança de um dos principais paradigmas/dogma da heroína e é o grande incomodo ( pra mim ) na personagem nesta fase. Ela deixa de ser criada do barro da ilha paraíso para ser semi-deusa, uma das bastardas do próprio Zeus. E, pra mim, isso é simplesmente intragável. Explico:

Diana tem toda uma mitologia própria. Independente, recebeu dádivas dos deuses sem ser uma filha herdeira de sangue. Sabemos que no universo DC os deuses do Olimpo são super-seres divinos, mas com a mesma pegada mitológica básica. Tem seus prazeres carnais, tem filhos como qualquer mortal. Podem morrer assassinados e tem poderes pessoais distintos. Existe uma hierarquia “celestial”, mas que sua imortalidade se dá pela sua durabilidade.

A história tem até uma boa execução, tem um bom andamento. Mas foge tanto da origem clássica, até mais do que a mudança de George Peres depois de Crise nas Infinitas Terras, que chega a parecer que é uma nova personagem.

Terapia de Choque

Acho que é este o lance que perde tudo. A gente se choca. Aparentemente em algum momento foi decretado que era preciso chocar pra vender mais quadrinhos. Como se tudo precisasse ser assim agora. Não importa se é algo bom, se é algo que vão gostar. Vamos fazer algo que seja inesperado, inédito e chocante. Algo impensável. Vão falar mal, mas vão comprar revistas pra ler e meu título vai vender muito. Só que depois, não se sustenta. A arte se perde. Sabe, a história é boa, a execução é legal. A narrativa é feita direitinho ( também pudera, quadrinhos são feitos assim desde os anos 20, uma hora tinham que desenvolver uma fórmula ) porém quando se muda algo tão essencial, é como se algo precioso se quebrasse. É como se o personagem não fosse bem entendido nem por seus próprios donos. 

Nestas horas me recordo do Flash de uniforme preto com as pernas de fora em “Cavaleiro das Trevas 2“: Jovens, não sabem diferenciar o antigo do clássico. É como me senti em relação a muitas das mudanças de novos 52. Principalmente a mudança da cuequinha do Super-homem. Aquilo é clássico, não antigo. Este é meu ponto, esta é a minha principal queixa com esta fase da Mulher Maravilha pós-Flashpoint. É como se fosse ela e não fosse ela ao mesmo tempo.

Mas… eu li !

É, eu li. Peguei uma promoção na livraria e este compilado finalmente veio pra casa comigo. E é com te disse, a história é boa, é interessante. Embora sua origem de nascença tenha sido alterada, se a gente não der importância demais a isso, e se você não conhecesse a história pregressa dela, é possível gostar da idéia proposta. E é esta a proposta da DC com Novos 52. É um novo mundo, novas origens, novas histórias. E dentro deste contexto, eu gostei. A introdução de novos personagens, novos semi-deuses. Não tem problema nisso. Mas alterar a Diana, de novo ? OMZ… não precisava, DC. E agora, o cinema imortalizou esta origem divina. Adoro o filme, mas é horrível quando algo que a gente conhece a 30 anos muda do nada e é “ok”.

Uniforme prata ? hummm… sei não.

À frente dos roteiros está o excelente Brian Azzarello. Eu não gosto de tudo dele, mas gosto da maior parte do que ele escreve. 100 Balas é um exemplo do que ele tem de excelente. Cavaleiro das Trevas 3, embora ele esteja mais como uma “garantia de qualidade” pra garantir algo bom depois de DK II ter sido complicada pra editora, Brian tem uma forma única de narrar o equilíbrio feminino de uma Amazona. Gosto do jeito de ele escrever, da forma que narra. Só me incomoda mesmo a natureza essencial alterada na personagem. Mas seu poder de contar uma história é sim, muito bom.

Cliff Chiang e Tony Akins assumem os traços. Gostei muito do estilo do Chiang, mas a pegada mais artística do Akins me gritou mais aos olhos. E, embora a alteração do uniforme da Diana tenha me incomodado muito quando a vejo sozinha, não me atrapalhou na leitura. Eu gosto dela dourada. A troca dos detalhes dourados pelos prateados me faz sentir que ela foi rebaixada de alguma forma. Os outros visuais atualizados ficaram bonitos. Hipólita, Hermes, Apolo, Poseidon ( cara, que criatura mais louca que ele está usando como aparência ), Hades e Discórdia. Ficaram excepcionais, lindos e condizentes.

Sei que parece ter muita implicância minha aí, tem sim. Tem a nostalgia, tem a rabugisse de quem conhece a personagem a mais de 35 anos. Em minha defesa digo que consigo separar. E de alguma forma, e em alguns aspectos, gosto do que eu lí.

Heroína

Diana sempre foi uma “deusa” entro os homens. Esta fase veio apenas oficializar isso. Quero ler o restante ainda. Preciso saber como tudo vai caminhar e pra onde ela vai depois deste trauma enorme que é descobrir que sua origem é uma mentira. Aliás, eu achei que ela aceitou isso rápido demais. É como se fosse assim: “Agora é isso, ok ? Simbora, engole o choro.“. A sensação é que ela está tão habituada a mudanças, que esta foi apenas mais uma, durou 20 quadrinhos e já segue como se isso não fosse nada.

Histórias assim apenas confirmam mais ainda que Novos 52 não é pra mim, mas que como bom fã da DC Comics, invariavelmente, lerei em breve. Afinal, Rebirth veio pra redimir as besteiras desta fase, que de tão ruim, durou pouco e precisou de um reboot muito antes do normal.

O legal é ter estes encadernados, conhecidos como paperback nos EUA. Acho que a Panini teve uma idéia muito boa ao reunir em capa dura especial as sagas de cada personagem e nos dar novo acesso. Além disso, fica lindo na prateleira.

Se recomendo ? Sim. Claro. Vale ler. É competente. Eu apenas não gostei, mas não acho que é ruim.

Abraços do Quadrinheiro Véio.

PS: Conheça também o canal: oQV !!

 

Mulher Maravilha Sangue

Mulher Maravilha Sangue

Mulher Maravilha Sangue

Mulher Maravilha Sangue

Mulher Maravilha Sangue

 

Os Maiores Super-Heróis do Mundo – Coletânea de Luxo

Os Maiores Super-Heróis do Mundo – Coletânea de Luxo

Os Maiores Super-Heróis do MundoAcabo de receber aqui o relançamento da coletânea de luxo ” Os Maiores Super-Heróis do Mundo“, pela Panini. Desde 2008 que as livrarias não viam esta edição especial.

Lembro-me até hoje do impacto que eu tive ao conhecer pela primeira vez o trabalho do Alex Ross através de Marvels. Eu havia lido sobre a revista em uma edição de Wizard Brasil e entrei em contato com uma pessoa da minha cidade que tinha uma forma de importar. Tanto que as minhas 4 primeiras são as originais americanas.

Pouco depois, noticiou-se que Alex Ross estaria fazendo um projeto parecido pra DC Comics, que seria Kingdom Come, o nosso idolatrado Reino do Amanhã aqui no Brasil. Maravilhoso ! Após revisitar o passado da Marvel, Ross e Waid vão para o futuro da DC de maneira sombria e poética. Um roteiro maravilhoso com pinturas lindíssimas. Obra eterna, atemporal. Em 200 anos ainda falaremos de Kingdom Come.

Claro que ele tem muitos outros trabalhos, mas este foram seus grandes destaques na época. Em seguida, ele começou uma série de histórias de grande reflexão, com cada um dos heróis principais da DC, em parceria com Paul Dini pra fazer os roteiros. Foram então lançadas edições para cada um dos personagens que ele considerava os arquétipos perfeitos dos super-heróis, sobre os quais todos os outros que seriam criados em seguida iriam seguir. E também foi produzido na mesma ordem da criação original: Super-Homem, Batman, Capitão Marvel e Mulher Maravilha. Ciência, Mistério, Magia, Mitologia.

Humanidade Heroística

Assim como cada personagem tem sua base principal, eles tem suas características que também os definiam em sua humanidade. Super-Homem, acima da humanidade, desejando Paz no planeta através do fim da fome. Batman na sua eterna busca por Justiça. Capitão Marvel e seu sorridente otimismo na forma de Esperança. E a grande guerreira, Mulher Maravilha que com o símbolo de seu laço mágico, sempre lutou pela Verdade.

Quando eu tive cada uma destas revistas nas mãos na época de seu lançamento ( e ainda as tenho em minha estante ), lembro de que o teor do meu sentimento era dividido entre a mais pura emoção e grandes reflexões. Heróis que ao mesmo tempo estavam dentro de seu próprio universo, poderes, vilões e etc… mas que foram transportados pra um mundo real. Não apenas por conta das pinturas do Ross, mas pelo texto implacável e reflexivo do Paul Dini.

Em seguida, ainda no mesmo espírito, a dupla lança mais duas publicações da Liga da Justiça. Origens secreta trata de unidade, de como o planeta passa a precisar dos heróis e Liberdade e Justiça na união contra uma ameaça alienígena. Estes projetos começaram antes mesmo de terminarem Espirito da Verdade da Mulher Maravilha.

Na origem da fama

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Acho que falar de Alex Ross e Paul Dini em um blog sobre quadrinhos, pra leitores de quadrinhos é chover no molhado. TODO MUNDO conhece os caras. Talvez mais Ross do que Dini, mas lembre-se que Paul Dini era um dos roteiristas das animações da DC nos anos 90, sendo até co-produtor e diretor de uma ou outra. Aliás, o DCU poderia aproveitar-se de Paul Dini, não é mesmo ?

Cada uma das 6 revistas reunidas na coletânea ” Os Maiores Super-heróis do Mundo ” re-lançado este mês de agosto pela Panini no Brasil tem a sua grande importância, e se você me perguntar eu não conseguiria escolher uma preferida. É como se fossem todas partes do mesmo todo.

AquamanO encadernado de luxo, em formato grande reune: Superman:  Paz na Terra; Batman: Guerra ao Crime; Shazam: O Poder da Esperança; Mulher-Maravilha: O Espirito da Verdade; LJA: Origens Secretas e; LJA: Liberdade e Justiça.  Verdadeira obra-prima, cada quadro é digno de merecer um espaço na parede. É Alex Ross, né ? Mesmo pra quem, como eu, já tem as edições originais separadas, vale o encadernado pelos extras e pelo formato de luxo, com letras douradas. É como ter um livro de arte em mãos, não apenas uma revista em quadrinhos. Ele é pesado ! Deliciosamente pesado. Fora o pôster que vem de brinde no final. Que fã de quadrinhos não tem ao menos um pôster do Alex Ross na parede de sua casa ? Bom, eu sei que EU tenho ! hahaha

Quer saber de cada uma ?

Cada uma das edições coletadas em “Os Maiores Super-Heróis do Mundo” merece uma resenha específica aqui no blog, e eles terão. Existe muito sobre o que discorrer, refletir. Tem pensamentos sociais, políticos, econômicos, filosóficos e psicologia profunda em todas elas. Merecem respeito, merece análise. Prometo fazer isso aos poucos junto com você e vou atualizando os links aqui neste artigo principal sobre estas obras. Pra mim é isso mesmo.. obras ! 

Aliás, a do Super-Homem : Paz na Terra você pode ler aqui !

Comente o que acha da obra aí, respondo todos os comentários. TODOS !

Olha só, se por algum motivo não tiver nas livrarias aí da sua cidade, encontre direto na loja online da Panini, aqui: http://loja.panini.com.br/

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Abraços do Quadrinheiro Véio !

 

Avatar – A Promessa

Avatar – A Promessa

Avatar A Lenda de Aang - A Promessa Parte 1.PDF-000Se você não conhece o desenho animado AVATAR –  A Lenda de Aang ou O Último Dobrador do Ar, nem continue. Aliás, que tipo de geek é você ? Brincadeira. Eu só fiz esta piadinha porque eu acho este desenho tão sensacional que penso que deveria ser patrimônio da humanidade e estudo obrigatório. Tanta aventura, ensinamentos, equilíbrio, jornada do herói e muitas coisas legais que são apresentadas neste desenho animado que teve apenas 3 temporadas e deixou muita saudade.

Está certo que teve uma continuação, em AVATAR – A Lenda de Korra, que se passa 70 anos depois do final da saga do Aang e teve 4 temporadas muito boas também. Sendo Korra a Avatar seguinte, tinha muita coisa legal pra mostrar. Enquanto Aang é um dobrador do Ar, Korra é a encarnação seguinte, nascida na Tribo da Água do sul. E como todo Avatar, sempre dá um passinho a mais nos poderes.

Entretanto a gente ficou com saudades de saber o que veio entre as duas. O que houve entre as duas épocas ? A guerra de 100 anos acabou, mas e o mundo, como ficou ? 

001A Editora Dark Horse Books resolveu nos brindar com um pouco desta resposta, através de 4 mini-séries de 3 partes, onde os personagens que a gente aprendeu a se apegar continuam sua mudança no mundo. A primeira delas foi batizada de A PROMESSA.

Basicamente, e sem entregar muito da história, logo após a Guerra de 100 anos, Aang, Zuko, o rei da Terra e os lideres das Tribos da água criaram o que seria chamado de Movimento de Restauração Harmonia. E uma das ações é devolver à nação da terra, as colônias da Nação do Fogo criadas durante a ocupação do Senhor do Fogo Sozin.

Após um ano, e ao chegar à maior colônia, o atual Senhor do Fogo Zuko percebe que não vai ser assim tão simples, já que se passaram muitos anos e a colônia evoluiu, se tornando uma cidade mista que convive bem com as duas culturas e que separar não seria algo tão simples.

008Mas o que seria a promessa do título da mini-série ? Bem, o Zuko faz o Avatar Aang fazer a seguinte promessa: Se Zuko começar a agir como seu pai, não importa o que aconteça, ele deve derrotá-lo para que a história não se repita.

No decorrer da história, percebemos que não está sendo fácil pro novo e inexperiente Zuko ter a atitude e sabedoria necessárias para se guiar toda uma nação à tantos anos doutrinada pela guerra e pela violência.

Além da história principal, temos a criação da Academia Beifong de Dobra de Metal, onde a “maior dobradora de terra do mundo” Toph, começa a ensinar a dobra de metal pra dobradores de terra interessados e precisa enfrentar alguns desafios no meio do caminho também.

Entretanto, o grande desafio está nas mãos de Aang e Zuko. Como chegar ao meio termo ? Como manter a harmonia ?

Velocidade

Avatar A Lenda de Aang - A Promessa Parte 1.PDF-006Esta mini-série é uma das mais legais das 3 que eu pude ler. Sendo a primeira, ela conta de maneira muito fiel à animação com todas as recorrentes referências, piadinhas, comportamentos e principalmente as lutas. As personalidades estão perfeitas, as falas, e o traço. Parece até que o roteiro e desenhos foram feitos pelos próprios responsáveis pelo desenho animado. O roteiro é de Gene Luen Yang e arte do coletivo Gurihiru.

Se você é orfão de Avatar – A Lenda de Aang como eu, precisa ler A PROMESSA, com tempo pra curtir cada momento, cada imagem, cada fala. Um delicioso retorno, com as risadas que só a turminha dos dobradores poderia trazer e com os ensinamentos orientais reflexivos que este desenho ensinava com tanto louvor.

Tem mais sim !

As três mini-séries seguintes, A Busca, A Fenda e Fumaça e Sombra, vão receber suas resenhas em breve aqui também.

Em A Busca, Zuko leva Aang, Sokka, Katara e sua irmã desequilibrada Azula pra uma busca por sua mãe, que sumiu logo que seu avô Azulon morreu e seu pai Ozai assumiu o trono.

Em a Fenda, o equilíbrio entre o mundo espiritual e o mundo humano está abalado e o Avatar precisa ser a ponte para restaurá-la.

Recomendo fortemente !

Abraços do Quadrinheiro Véio !

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Avatar A Lenda de Aang - A Promessa Parte 1.PDF-038
Avatar – A Promessa

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Doutor Estranho – O Fim da Magia

Doutor Estranho – O Fim da Magia

Olá Quadrinheiro.

Doctor_Strange_Last_Days_of_Magic_Vol_1_1_Davis_VariantEste recomeço da Marvel pós Guerra Civil muda tudo. E o Doutor Estranho começa renovado com revista própria pela primeira vez em nosso país. Acho que só não é melhor porque não é uma boa hora pra ter nada Marvel no mundo, mas ao mesmo tempo, sinto-me grato pela oportunidade de ler o médico místico em uma revista apenas dele.

A nova revista do Dr. Estranho é competente. Tem magia, tem uma história que te prende. Mas parece que estou lendo Homem de Ferro. A base da história é ótima, é intrigante e deixa a gente curioso. A parte séria é legal, mas incomoda demais quando um personagem é tão transformado. Doutor Estranho sempre foi um cara mais sério, mais sisudo. Ele tem uma responsabilidade muito grande. Mas com a Starkização de tudo depois do MCU ( Marvel Cinematic Universe ), a gente percebe que o marketing virou pra esta tendência de piadinhas despretensiosas o tempo todo, mesmo de personagens que não tinham isso em sua essência. No artigo anterior, onde falo do Homem de Ferro nesta nova fase também ( leia aqui ), eu discorro um pouco sobre estas mudanças nos personagens e nesta aparente necessidade de agradar um público pós MCU.

Raio Starkizador !!!!

correndoO próprio Doutor Estranho do cinema tem esta pegada “Starkizada“, um cara super dotado, memória fotográfica, ricasso, piadista arrogante. Ok, faz jus à origem clássica do mago supremo. Tirando a parte das piadas. Comics do Strange sempre foram mais sérios. Acho que é um sinal dos tempos. Nos anos 60/70 as crianças era tratadas mais como adultos, elas não eram superprotegidas como as de hoje. Hoje em dia tudo é pra ser divertido, tudo é “fun“, tudo é leve. Jamais poderia imaginar uma cena do Mago Supremo correndo deste jeito ( figura ao lado ). Parece até o Homem-aranha do McFarlane.

Doctor_Strange_6_Guice_VariantNão entenda isso como uma reclamação. É uma constatação. Eu comecei a ler lá nos anos 80. Peguei resquícios dos anos 70 nas HQ’s. A mudança é natural. As pessoas mudam, as comics mudam. O drama é que eu leio a tempo demais. Vivi a mudança dos anos 80. Das HQ’s inocentes se tornando obscuras. O bem contra o mal, se tornou a batalha entre as opiniões. Nada mais era simples, tudo era cinza. Não se definia mais o vilão e o herói. As motivações, os métodos, os objetivos. Tudo isso era claro até chegar o Miller, o Moore, o Claremont. De repente, Magneto não era tão mal assim. Ele queria apenas defender os dele. Doutor Destino não quer mais dominar o mundo. Lex Luthor não quer apenas matar o Super-homem. Tanta coisa mudando… mas eu peguei isso no começo. Agora, depois de 30 anos, tudo muda de novo. Os heróis não são mais sérios, eles brincam o tempo todo. Estão mais infantilizados, assim como os adultos de hoje.

Um homem de 40 anos não lia quadrinhos na minha época de infância. Aos 30 anos, raros eram os adultos que ainda moravam com os pais. Aos 16 anos, era comum os adolescentes trabalharem pra ajudar em casa, e estudar de noite. Hoje tudo mudou, e as comics também. Natural, normal. Estranho pra quem estava na transição, natural pra quem nasceu na era do @, do #, do .com. Como eu peguei esta transição, ainda tem coisa que me acostumo lentamente, e outras que eu me adapto mais rápido. A mudança é grande e veloz.

Mas, e a história ?

Doctor_Strange_Last_Days_of_Magic_Vol_1_1_Brase_VariantEsta saga em que o Doutor Estranho inaugura sua revista solo em terras verde-amarelas é muito interessante. Praticamente um sujeito de outra dimensão que tem raiva de tudo ligado à magia se apoia na ciência pra matar todas as fontes de magia do mundo, e com elas, matar os magos também. Aliás, do mundo não, de todas as dimensões. E com isso, Stephen começa a perceber e sentir isso. Embora o enredo esteja bem competente, sinto falta de algo mais filosófico, mais estranho “Dr. Estranho” clássico.

Está muito aventuresco, até porque está visivelmente buscando o personagem como visto no cinema. De qualquer jeito, pretendo terminar a saga e depois penso se irei continuar comprando a revista. O roteiro é de Jason Aaron, que também escreveu as novas HQ’s do Thor e de Star Wars. Ele é bom, não me entendam mal, eu não gosto da nova conceituação do personagem, mas o roteiro é competente.

Doctor-Strange-12-01O desenho de Chris Bachallo é competente, tem visivelmente a “pegada” atual de quadrinhos mais comicos e eu particularmente gosto disso. Desenhos ricos em contraste com preto e o colorido psicodélico remete e referencia aos clássicos dos anos 70/80 do Mago Supremo da Terra. Muita riqueza em termos visuais, criaturas, monstros extra-dimensionais, magias e encantamentos. Uma delicia de olhar. É pra admirar mais de uma vez, certamente.

Por tudo isso, recomendo a leitura. Ter algo do Doutor Estranho é melhor do que não ter nada. Como eu sempre fui fã dos quadrinhos dele, até porque eu adoro assuntos místicos, filosóficos e aventurescos por dimensões que parecem saídas diretamente de uma bad trip de algum baseado mal preparado, espero que ele retorne e que acertem a mão na recaptura de sua essência. Historicamente, nunca deu certo com nenhum personagem em nenhuma editora, este tipo de reformulação.

Abraços do Quadrinheiro Véio

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Homem de Ferro – O destino de Tony Stark

Homem de Ferro – O destino de Tony Stark

Olá Quadrinheiro.

capa

Logo após as mudanças resultantes da segunda Guerra Civil, o Homem de Ferro Tony Stark precisa se re-encontrar e se re-inventar. Quando foi criado nos anos 60, o Homem de Ferro tinha uma vantagem em sua idealização, que era a de uma época em que muitas tecnologias estavam ainda looonge de serem inventadas. Nos dias de hoje, em que tudo já foi usado em tantas histórias e mídias. Onde a criatividade já andou pra tanto canto e tudo começa a se tornar clichê, a seguinte pergunta se instala: Como um cara numa armadura é algo diferente ? Na época de sua criação, até transistor era novidade. Uma armadura transistorizada era algo muito inovador, fora o fato de que a tecnologia médica ainda não poderia salvar alguém do problema que o Tony teve com os estilhaços de granada no peito.

caindoMas, passado alguns poucos anos, de repente, isso tudo já é passado, e tem até carros mais tecnológicos do que a armadura inovadora dele. Estamos falando de um personagem com mais de 50 anos. Como se manter inovador ? Como ser ainda um “gênio” tecnológico ? É com esta questão que a revista começa. Com um Tony pensando: ” Eu deveria estar tão além da curva, que ninguém mais deveria conseguir nem enxergar a curva“.

A nova armadura e além…

Com esta necessidade de criar uma armadura melhor, mais impressionante e mais forte e até mais inédita possível, Brian Michael Bendis pega a responsabilidade de inovar o inenovável. ( será que existe esta palavra ? ) O Gladiador Escarlate já teve armadura que ficava praticamente dentro do seu corpo. Como ir além ? E é aqui que começa o problema, pra mim ao menos…

Posso contar um pequeno spoiler ? Se for o caso, pule para o próximo subtítulo e não leia este trecho a partir daqui.

iron-mans-sonic-boom-1A armadura do Tony está no seu relógio. Cara, na boa, no relógio ?? Eu até entendo que é uma idéia diferentona, que é HQ e que a gente faz algumas licenças poéticas. Mas, poxa vida… a armadura do cara precisa de espaço, ela tem peso. Como assim, um relógio vira armadura ? No filme do Capitão América: Guerra Civil, o relógio do Tony se transforma em uma luva da armadura. Até aí, ok. Fisicamente compatível em termos de massa e etc… mas, um relógio praticamente virar a armadura dele ? Até a maleta do filme Homem de Ferro 2 é verossímil. Mas um relógio ? Será que ele emprestou a tecnologia do anel do Flash ? E a armadura de alguma forma elimina o espaço entre os atomos e eletrons ? Converte matéria ? Mas, como fica o peso ?

Tem como piorar…

marvel2016-Iron-ManDepois disso, ele enfrenta o Doutor Destino. E de alguma forma a armadura normal dele “evolui” para uma HulkBuster sem novas partes chegar pra somar. A armadura praticamente dobra/triplica de tamanho, do nada. Acho que é isso que mais me incomodou nesta nova armadura, que não é mais biologicamente ligada ao Tony, mas que segue suas sinapses cerebrais.  Mas, ok… “vamo que vamo”. Só que o que me incomoda mais é que agora a Marvel tornou o Stark dos quadrinhos assumidamente igual ao dos filmes, na personalidade e até no rosto.

invincible-iron-man-3-awesome-facial-hair-brosEntendo que o marketing disso ajuda a conquistar novos leitores e entendo que quadrinhos são feitos para crianças. Eu aceito que sou uma criança de 40 anos de idade. Sei que as coisas vão mudando, se adaptando e que não é legal se apegar a algumas coisas. Elas precisam mudar, adaptar, evoluir e que a gente que lê a mais de 30 anos e acompanha o mesmo personagem começa a ter bagagem demais por tempo demais e que não tem como parar de comparar o que era com o que é e nem imaginar o que virá. Mas o fato é que muita coisa mudou, e nem tudo foi pra melhor. Cara, ele nem é mais um Stark de sangue. Ele descobriu que é adotado. Isso é tão senseless…

Não gosto muito do Bendis

iron-man-doomQuem acompanha o blog a um tempo, sabe que eu não sou o maior fã do Bendis. Acho que não bateu comigo. Ele tem umas idéias legais, mas no geral, não rolou uma identificação comigo. Gosto da história, mas não da nova essência dos personagens. Gosto de ver mais uma vez o contraste tecnologia/magia que esta fase resgata e até os questionamentos existenciais apresentados. A história principal é atraente e deixa curioso, mas não ao ponto de eu passar da edição numero 3. São tantas publicações hoje em dia, que a gente não consegue acompanhar tudo. Seja por tempo, seja pelo fator financeiro, hoje é preciso escolher o que ler. E infelizmente, não é o Homem de Ferro que vai se manter na minha leitura mensal, embora eu vá acompanhar o que acontece com ele com interesse. Os desenhos são de David Marques e ele resolve, mas não impressiona. A meu ver, no meu ponto de vista, a revista Homem de Ferro ( assim como várias outras ) é publicada “na obrigação“, então se é algo bom, ou não, é o de menos pra editora. Me passa um sentimento de industrialização, de pasteurização, em um lugar em que a criação como arte deveria ser melhor valorizada.

Pros novos fãs do herói, esta nova fase parece muito bacana. O pessoal que começou a se interessar por HQ depois do cinema tem um extraordinário material em mãos. Os fãs que já conhecem o quanto o latinha é um personagem fraco, não vão perceber muita diferença.

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A Poderosa Thor – Reinos Ameaçados

A Poderosa Thor !

jane thorOlá Quadrinheiro !

Você já está sabendo que o poderoso Thor Odinson se tornou indigno do martelo de urur, o trovejante Mjolnir. Correto ? Sei que sim. Senão, não apareceria aqui num blog de quadrinhos. Mas você já sabe como estão sendo as histórias da pessoa que o substituiu ? Vamos falar um pouco agora sobre a Poderosa Thor. Sim, Thor agora é uma mulher, e não é ninguém menos do que Jane Foster. Loucura ? Sim, mas é comics, é Marvel. Portanto, precisa ser assim.

capa thor jane doenteJane Foster assumiu o manto de Thor na atual revista do deus(a) nórdico(a) do trovão, é ela quem agora manuseia o Mjolnir e está chutando muitas bundas na Marvel. Mesmo Loki não está sendo páreo pra ela. Mas a realidade mesmo é que o maior inimigo dela não é nenhum vilão. É um câncer que está matando seu corpo mortal. Um câncer de mama que ela descobriu durante a saga “Thor, Carniceiro dos Deuses” e está sendo devastador. Como ela sabe que toda magia sem seu preço, mesmo sabendo que em Asgard ela poderia se curar, resolveu abrir mão da cura. Na boa ? Que coisa mais burra. 

Até onde eu entendi, na saga Pecado Original ( como tem saga nas HQs, né… tudo é saga ) Thor deixou de ser digno de seu martelo e este encontrou outra pessoa pra isso. Like vs thorComo a inscrição do martelo já dizia, aquele que empunhar este martelo, se for Digno, possuirá o poder de Thor. A gente passa a entender algo como: O poder não é do Thor, é do Martelo. De quem o possui ( tipo o anel dos lanternas verdes. O martelo tem uma inteligência própria pra algumas coisas, que ninguém sabe de onde vem, mas que todo mundo entende como verdade absoluta que nunca se engana ). Pra mim, sempre foi assim, afinal sou do tempo do Donald Blake, do Thor que só tinha poder com o Martelo e quando ficava 1 minuto longe dele, voltava a forma mortal. E o mesmo parece acontecer com a Jane Foster. Ela quando não se “transforma” em Thor, é uma frágil mulher que mal se aguenta e precisa fazer quimioterapia. 

Aliás, acho que aqui cabe até uma reflexão sobre isso. Gosto de ver o empoderamento feminino, uma mulher substituindo um personagem que sempre foi ícone da testosterona, da força bruta, do ápice humano na forma de um deus nórdico, loiro e etc… e justamente a pessoa digna a substituí-lo é uma mulher franzina e doente. E mais do que isso, uma mulher franzina e doente que já foi namorada do próprio herói anterior. Este mundo dá voltas, não ?

Como não poderia deixar de ser, todo mundo em Asgard não reconhece a terráquea como uma deles, mesmo com ela digna no martelo. E pra ajudar, Odin está meio pancada da cabeça, julgando a própria esposa por traição, com atitudes irascíveis. Irreconhecível, tem coisa aí por trás. Imagine que o próprio Thor ( agora apenas Odinson ) a enfrenta e ao perceber seu coração nobre, a permite usar o nome e seguir em frente como a nova Thor. Claro que ele não sabe que é Jane neste momento. E como se isso não bastasse, antes disso tudo, Jane já era a representante de Midgard no Congresso dos Mundos.

UFA ! Quanta coisa.

the-mighty-thor-1Quando fico pensando nisso, é impossível não ver a ligação e influencia do cinema nas Hqs e vice-versa. Como já visto no trailer de Thor Ragnarok ( quando escrevi esta resenha, o filme ainda não tinha sido lançado ), o martelo é destruído e o Deus do Trovão se vê sem sua poderosa arma. Nas HQs ele já está assim a mais de um ano, porém em terras verde-amarelas sempre chega bem depois do mercado americano. 

Mas… ela convence ?

Embora com visual franzino, e falando do mesmo jeito que o Thor falava ( aquele jeito todo nobre, heróico e shakespereano ), Jane convence quando luta. É muito obstinada e lembra bem o comportamento do Thor. Está enfrentando uma barra quando está na Terra, e uma barra maior ainda quando vive as aventuras como Thor. Jason Aaron assina os roteiros e vai indo bem. Não me convenceu muito nas histórias de Star Wars, mas pra quem acompanha o Thor nos últimos anos, já o conhece e já gosta do trabalho dele em mais de 3 sagas. O traço de Russel Dauterman é bom, competente e emocional. Cumpre a parcela de dor, angustia e ação nas cenas de movimento. Mighty_Thor_1_GatefoldE nos anos recentes a cor faz toda a diferença em toda HQ, e por isso merece ser citado, já que toda profundidade bem do trabalho dele, muito rico, cores vivas e bem escolhidas em cada quadro. Muito se engana quem pensa que cor é algo simples nas HQ’s. Não serve mais apenas pra chamar atenção e preencher espaços nas revistas. O colorista muitas vezes muda até a percepção de movimento de um desenho P&B. 

A Poderosa Thor chegou e me convenceu. E olha que pra mim, Thor, Homem de Ferro e cia sempre serão personagens secundários. Dito isso, considero uma vitória ter este momento das HQ’s sendo tão bem feita.

Abraços do Quadrinheiro Véio.

01Visite meu canal do youtube também: http://www.youtube.com/oquadrinheiroveio

Tropa dos Lanternas Verdes – No Limite da Existência

Tropa dos Lanternas Verdes – No Limite da Existência

Olá Quadrinheiro.

Green_Lantern_Corps_Edge_of_Oblivion_Vol_1_1Como grande fã dos Lanternas Verdes, não consigo ver algo deles nas bancas com preço bacana que minha carteira magicamente salta pra minha mão e eu levo pra casa. Desta vez vamos falar de “Até o Limite da Existência “, onde a tropa enfrenta um desafio muito grande: Sobreviver ao fim do universo que antecedeu o nosso. A edição que eu peguei reune as edições 1 a 6 de Green Lantern: Edge of Oblivion.

GLCEOO_1_dylux-3Como de costume, não vou dar spoilers aqui, mas eventualmente uma coisa ou outra acabo soltando, mas nada que possa comprometer a sua leitura. Até porque esta história em si tem apenas uma reviravolta que é bem legal de se ver.

Basicamente a tropa dos Lanternas Verdes foi transportada de alguma forma para este tempo/espaço/dimensão, que antecede o universo que vai surgir. Note que no universo dos quadrinhos DC, é assumida a existência de um Big Bang. Notadamente, eles até tinham uma outra origem pra existência que foi revelada em Crise nas Infinitas Terras dos anos 80 ( cabe um adendo: uma das mais marcantes sagas/histórias da minha vida ), em que um “ser” super poderoso cria o universo. Mas com tanta mudança e tanto tempo depois, a gente fica até meio perdido, sem saber o que vale e o que não vale. Com tanta viagem no tempo, nada é permanente por tanto tempo neste mundo maravilhoso dos quadrinhos.

U ki ke tá cuntissênu ?

Edge of Oblivion3Vale explicar que pouco antes de Rebirth, toda Tropa dos LV do universo dos Novos 52 desapareceu deixando pra trás apenas Hal Jordan como o único lanterna pra defender o universo inteiro. E eles foram parar neste lugar esquisito, onde todas as estrelas se apagaram e está em seus últimos dias. A única coisa que ainda tem por lá é um planeta que contem a última cidade do universo ( cara, isso é muito Doctor Who ), e esta cidade vive uma Guerra Civil pela sobrevivência. Só que em determinado momento, a tropa se divide e acaba até lutando entre si. Aí, temos Killowog, John Stewart, Arisia, Guy Gardner, Sallak e mais um monte de lanternas ralando pra sobreviver ao fim dos tempos. É muito louco !

08_19Eu me envolvi bastante com esta história, achei ela bem divertida, bem interessante, intrigante e faz um bom fechamento pros Lanternas Verdes após o sofrido Novos 52. Se vc já conhece meu blog, sabe que eu torço bastante o nariz pra esta fase da DC, com pouca coisa aproveitável ( na minha forma de ver, claro… ).

Tem diálogos muito bons e um roteiro que me pareceu bem amarrado, bem cuidadoso nas tramas, nos segredos e na narrativa. Tom Taylor é o responsável por estas 6 edições, vindo de Injustice. O cara mandou bem.

Já os desenhos são de Ethan Van Sciver e confesso que são ótimos. O cara sabe desenhar, sabe perspectiva, sabe colocar sentimento. Pra mim é um dos grandes desenhistas da atualidade. GalleryComics_1920x1080_20160210_GLC_EOO_5697f03cce74d7.59629643Ele flui no traço. Com uma ou outra falha de continuidade nos uniformes, mas nada que a gente perceba sem prestar atenção.

Eu diria que é uma revista obrigatória pro fã do Lanterna Verde. Pros fãs do universo cósmico da DC e até pra se despedir do universo dos novos 52, vale muito a compra. Até porque, por R$ 16,90 é um presente !

Grande abraço do Quadrinheiro Véio !