Origem – Dan Brown

Origem – Dan Brown

Olá Quadrinheiro

Bom, talvez, não seja bem quadrinheiro, mas um bom leitor de livros se você chegou a esta resenha.

Sou um dos fãs de carteirinha dos livros do Dan Brown, então quando ORIGEM foi lançado, eu tive que comprar ele no próprio dia do lançamento. O sétimo livro do autor, e o quinto com Robert Langdon chegou às livrarias esta semana e preciso te dizer: Vale cada segundo emocionante e impressionante de leitura ! 

Mesmo estilo, mesma estrutura, reflexões e debate diferente.

Dan Brown é um típico autor que não joga pra errar. Ele descobriu sua fórmula e a aplica sem dó. Você sabe que seus livros vão ter Robert Langdon involuntariamente caindo de paraquedas no meio de uma aventura. Que ele vai estar acompanhado de uma mulher. Que ele vai ter que correr por vários pontos maravilhosos de cidades, sempre no meio de arte ( seja clássica, seja moderna ). Em algum momento ele vai fugir da polícia, o tempo vai ser fator determinante de algo. Alguém vai morrer. O vilão é dúbio até se revelar ao final. Vai ter código. Vai ter virada surpreendente. Vai ter laranja do bandido.

Mas vai ter seeeeempre: Um tema forte, polêmico. Daqueles que você fica balançado, pendendo pros dois lados. E desta vez nosso heróico protagonista vai ser engolido pela evolução tecnológica, ao mesmo tempo que um debate entre tradicionalismo e modernismo se desenrola, numa das melhores histórias de conflito e enfrentamento de Ciência versus Religião.

Onde ? Quando ? Arte ?

A trama deste livro é tão envolvente, tão estilosa e cuidadosa, que você percebe que o começo o livro é feito pra te amarrar, se irrita com isso, mas ao mesmo tempo não consegue largar o livro. Comecei a ler na sexta-feira a noite e domingo na hora do almoço já estava sepulcramente pensativo enquanto almoçava ao lado da minha esposa. Muito pensativo, muito reflexivo: E se o que o livro trouxe realmente acontecesse ? Como ficaria o mundo ? Como EU ficaria ?

Langdon desta vez está na Espanha, passando por cidades como Bilbao, Madri e Barcelona. Desta vez mais focado em arte moderna, que ele mesmo admite não entender muito bem, ao mesmo tempo que nos fala de artistas como Galdri, suas loucuras arquitetônicas como a casa Milá e a Sagrada Família e mais um monte de outros artistas, seja como referência, seja aprofundando.

Qual é a trama ?

Basicamente, um ex aluno e atual futurista bilionário e gênio intelectual/científico do Bob Langdon aparece dizendo que tem uma descoberta que vai abalar profundamente o mundo todo. O cientista revela que finalmente conseguiu a resposta para as duas perguntas fundamentais que movimentam a humanidade: “De onde viemos ?” e “Para onde vamos ? “. Com direito a muito futurismo, tecnologias muito avançadas, seitas fundamentalistas, teorias da conspiração, muita aula de arte e questionamentos morais, Dan Brown conduz magistralmente o mistério até nos brindar com um inteligente final onde dificilmente somos capazes de deduzir a real participação de cada personagem antes do momento que ele deseja. A gente até desconfia, mas é realmente difícil ter certeza.

Com mais de 420 páginas, o livro lançado no Brasil pela editora Arqueiro simultaneamente com o mundo todo, é um novo Dan Brown misturado com um Velho Dan Brown. É como re-encontrar um amigo. Espero que continue sempre assim.

Recomendo fortemente !

Abraços do Quadrinheiro Véio

Curiosidade: Origem do termo GIBI para HQs no Brasil

Gibi

Sempre achei muito interessante como, desde criança ( e olha que eu era criança ali no começo dos anos 80 ), as revistas de historias em quadrinhos eram comumente chamadas de Gibi.
Eu sempre chamava de `revistinhas`, acho que porque era como minha mãe se referia a elas pra mim e acabei ficando neste termo até começar a falar disso com outras crianças na escola.
 
E mesmo naquela epoca eu não sabia porque chamavam as revistinhas de heróis assim, até que um dos meus tios, mais cultos, me explicou ainda naquela época.
 
Claro que pra muita gente isso não é novidade alguma, mas pode ter uma ou outra pessoa humana aí que leia o meu blog e ainda não saiba.
 
 Em 1939, Roberto Marinho, do O Globo, para competir diretamente com a revista Mirim, lançou uma revista chamada Gibi.
Entre os personagens publicados no Gibi estavam Li’l Abner (Ferdinando), de All Capp, Charlie Chan, de Alfred Andriola, Brucutu, de V.T. Hamlin e Os Filhos do Capitão Grant, da obra de Julio Verne, desenhado pelo brasileiro Miguel Hochman.

 Na edição número 03 da revista Gibi, foi publicado um conto de William C. White que conta a história de um menino… chamado Gibi.

Gibi

 revista Gibi foi responsável por muito do que as Empresas Globo são atualmente!  Ela não foi a primeira revista em quadrinhos do Brasil, mas seu sucesso foi inegável, tanto que, até hoje, a palavra Gibi é denominação genérica de qualquer Revista em Quadrinhos no país (assim como ocorreu com as marcas Gillete para lâminas de barbear, Bombril para as palhas de aço etc…).
De acordo com um antigo dicionário escolar do MEC, de 1965, Gibi significava menino, moleque.
 
Nos dicionários atuais a palavra já figura como sinônimo para Revista em Quadrinhos (e ninguém mais pensa em chamar um menino de gibi! Um caso raro em que a palavra perdeu seu sentido de origem e passa a ter outro totalmente diferente).
 
Justo considerar os créditos desta pesquisa toda ao site Gibiosfera, que foi de onde eu li esta informação. Parabéns pra eles ! 
 
Abraços do Quadrinheiro Véio !

Doutor Octopus – Origem

E aí, amigos Quadrinheiros !
Este post deve ser um pouco mais curto, já que, embora eu tenha gostado deste encadernado, não vi tantas coisas a comentar, mas acho que algumas coisas são bem relevantes.
Hoje falarei sobre Doutor Octopus – Origem, um volume lançado pela Panini Books que reune as edições 1-5 da mini-série Spider-Man – Doctor Octopus: Year One.
Como já mencionei no meu post sobre o Caveira Vermelha (aqui), não sou o maior fã de histórias que visam humanizar os personagens. Acho que isso tira um pouco o brilho e a simplicidade de vários heróis e vilões, tira um pouco do ‘romance’, deixando apenas um ar de realidade não-realista, saca ? É como querer tornar complexo e realista algo que foi criado pra ser apenas uma história fantasiosa. Nesta publicação, que pelo que soube não é canônica, vemos a origem da loucura do Octopus desde de a infância. Mais uma vez, talvez baseados em teorias psicológicas, temos uma humanização desnecessária de um vilão, como se toda pessoa pra ser ‘má’ precisasse ter tido uma infância ou passado traumáticos. Pode até ser que no mundo real seja assim, mas nas HQ´s isso nunca foi necessário. Por isso que sempre reclamo sobre a humanização de alguns personagens.

Deixando isso claro, vamos a parte legal do encadernado que é justamente o nível de profundidade que o autor conseguiu chegar. Pode parecer contraditório, e realmente é. E eu explico: Não acho bacana quando a intenção é humanizar o personagem. Ponto. Mas gosto de um roteiro muito bem pesquisado, cuidadosamente escrito e com textos bem engendrados. E acho que foi bem este o caso nesta edição.
O roteiro de Zeb Wells tem uma forma arrepiante de mostrar a loucura. E é de uma inteligencia tamanha que ele usa referencias dos mais diversos campos do conhecimento humano, tais como arte, psicologia, psicanálise e ciência. Quando ouvimos o Dr. Otto Octavius falando ( na nossa cabeça não lemos os balões, nós ouvimos… com voz e tudo… somos todos loucos, nem vem, assume aí !!! ) nós acreditamos no que ele está falando. A escalada da loucura dele é palpável, é um psicoticozinho desde criancinha, com uma mente perturbada,

porém de inteligência magnífica pra ciência. A ascensão do personagem, a condução das palavras e frases, a escolha erudita dos termos para mostrar a arrogância e genialidade do Otto são muito bem pensadas e faz a gente ficar mais e mais inserido na história. E os desenhos dão o suporte perfeito. Tudo preto, tudo é escuro, tudo é noite, inconsciente puro… A arte de Kaare Andrews com as cores de José Vilarrubia impressionam por dar suporte a narrativa. Não é como um Alex Ross que as pinturas falam sozinhas, mas a narrativa pede aquele tipo de traço e cor e é o que foi colocado. A preocupação com os óculos do Doc Oc, que são uma assinatura dele, estão lá desde sempre e a evolução e criação dos tentáculos é feita de forma gradual e posteriormente explicado como funcionam fundidos a sua espinha. Aquela postura de doutor, erudito, fiel a ciência. Uma postura de que a ciência

é o grande deus dos homens, uma arrogância sem limites, bem tipica do personagem é mostrado o tempo todo. Podemos perceber uma condução obscura apoiada em desenhos destituidos de aura quente…. traços e cores frias o tempo todo. Em alguns momentos me lembrei muito do trabalho do Greg Capullo no Spawn, pelos rostos no escuro, os dentes enormes e expressivos. Muita imagem de reflexo em lentes, vidros.. tudo com peso de condução de narrativa, pensamentos e sentimentos. Gostoso de ler, até mesmo porque nos deixa bem

pensativos e introspectivos, fragilizados por estar invadindo a psique de um homem louco. E tudo isso para revelar que aquele monstro é apenas uma criança que tem medo do bulling. Então me divido aqui. Entre uma narrativa e arte muito bem feitas, que causam uma desconstrução de um personagem que sempre foi um vilão mau magnífico, reduzido a uma pessoa com uma fixação na infância. Acho que tira grande parte do brilho do personagem. Mas a obra merece ser lida.

Recomendo a leitura pelos fãs do aracnídeo. Mas vão de mente aberta, curtam a história considerando que a mesma foi feita baseada nos personagens, mas que não é canônica. Curta as referencias ao universo Marvel, mas como um personagem que não é o doutor Octopus, talvez em uma realidade paralela… hehehe
Abraços do Quadrinheiro Véio !