Uma Nação sob nossos Pés – Pantera Negra

Uma Nação sob nossos Pés – Pantera Negra

Eu sempre digo que quando a gente não tem algo de bom pra falar sobre algo, é melhor não falar nada. Mas, quero fazer uma resenha sobre esta importante edição do Pantera Negra e, bom… vamos lá.

Uma nação sob nossos pés que vou resenhar é o Livro 1, que reune as edição 1 a 4 de Black Panther Vol.6. Sim, este volume significa que foi a sexta vez que recomeçaram o lançamento da revista do Pantera Negra, mais precisamente em 2016. Curiosamente é também a base do filme do Pantera Negra lançado em janeiro de 2018. Sabe o que eu acho mais curioso ainda ? O filme é bom. Já a história em quadrinho… sei não.

Frustrante

Tem isso na minha análise. Eu estava ansioso e curioso pra ler esta revista, comprei o encadernado pra ver onde veio a base e fiquei bem desapontado, acho que a história é perdida e tem uma tentativa de filosofar que fica superficial e troncha. Sabe quando parece que a pessoa até quer escrever algo mais aprofundado, mas a confusão da história é tão grande e tão sem “link” precisei me esforçar pra ir até o final.

O Pantera está sem personalidade, com comportamento impulsivo e sem nenhuma grandeza como já teve um dia. Seu planejamento meticuloso e mais alguns super-poderes novos deram o fechamento que a gente não entende. Sei que são 3 “livros” pra ter a história completa e que este primeiro deixa o final em aberto por isso mesmo. Só que eu não vou ler o resto, não.

A história começa depois que T’Challa retorna ao trono, tendo ficado afastado por um tempo e sua irmã Shuri assumiu tanto a regência do trono quando como Pantera Negra. Com sua “morte“, T’Challa retorna e encontra uma nação completamente perdida e quase em guerra civil. O Killmonger já morreu nas edições anteriores e o antagonista é um Wakandano Xamã, chamado Tetu. Ele está incitando este conflito por achar que T’Challa não estava mantendo as tradições de Wakanda e estava se inclinando demais para a Ciência. E por isso, precisa sair.

Fora outros interesses de outros personagens, temos uma história que eu achei fraca, sem pé nem cabeça, longa e que deixa a gente perdido e cansado. Adoro histórias profundas, com pensamentos de reflexão. Adoro histórias simples, apenas pra entreter. Detesto história que tenta ser uma coisa, não consegue ser a outra, e fica no meio. Saca ?

Quem foi ?

Ta-Nehisi Coates é o argumentista/roteirista desta fase do Pantera. Ele é conhecido jornalista, muito premiado. Mas é notável não ser um bom escritor de quadrinhos. Ao menos esta edição não joga a seu favor. Ao menos na minha opinião. Lembrando que não sou um crítico especializado. Sou apenas um fã e leitor antigo, analisando um material isolado, segundo meus próprios critérios pessoais, ok ? Realmente não gosto, acho fraco. Não levanta algo relevante e não renova ou inova sua tentativa de tratar do moderno x tradição que é a tentativa do roteiro. O traço é de Brian Stelfreeze desenha bem, tem ângulos ótimos, mas peca num dos ítens principais pra mim: Rosto e expressão. Acho que a sequencia de quadros não ficou legal. Não gosto da anatomia que ele usa. E olha que gosto de Romita Jr e outros desenhistas que fazem comics mais estilosas e artistas. O Stelfreeze me parece que tentou fazer uma HQ de linha com ares de graphic novel e o morno ficou esquisito.

E agora, oQV ?

Bom, agora é o seguinte. Pantera Negra é um personagem forte. Sempre foi personagem C, com ares de B. Mas eu sempre adorei ver ele nas aventuras solo e dos Vingadores dos anos 80/90. Era um cara que me fazia comprar a revista só por causa dele. Queria saber dele. Mas infelizmente, de 2000 pra cá li pouco e o pouco não foi algo que eu gostei. Ao menos tem uma coisa legal neste edição da Panini: Tem a história da primeira aparição do Pantera Negra em Fantastic Four 52. Sendo sincero, espero que alguém salve o Pantera logo. E é claro que, se alguém leu os dois livros seguintes, me conta se a coisa melhora, por favor ? 

Ou… Panini, se achar legal, me mande que eu quero muito e torço demais pra que esta HQ se salve. O Pantera Negra merece.

Se quiser ler algo mais legal, tem esta resenha aqui: Quem é o Pantera Negra ?

Abraços do Quadrinheiro Véio.

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Quem é o Pantera Negra ? – Hudlin & Romita Jr

Quem é o Pantera Negra ?

Esta é uma pergunta que deve estar em alta desde o ano passado, quando apareceu no filme do Capitão América 3 – Guerra Civil. Pra muitos (novos) fãs da Marvel que o cinema conquistou pra editora (?), este personagem era um total desconhecido. Do tipo TOTAL mesmo. Embora seja um personagem dos anos 70, ele também sempre foi um coadjuvante nas histórias da Marvel, principalmente nos Vingadores, chegando a se tornar membro por um período, embora sendo um monarca africano, ainda conseguia tempo pra salvar o mundo. O personagem Pantera Negra é mais um dos que Stan Lee criou em parceria com Jack Kirby,  aparecendo pela primeira vez em Fantastic Four # 52 (julho de 1966). Desta forma, sendo o primeiro personagem afro a aparecer em uma grande editora de quadrinhos. Pra mim é um personagem bom e importante, mas ainda assim mal explorado durante muitos anos até alguém colocar olho grande nele e no seu potencial e começar a dar boas aventuras a um personagem bem criado.

E a história ” Quem é o Pantera Negra? “

Sabe o que eu acho curioso ? O filme solo do Pantera Negra que saiu em janeiro é muito legal, eu achei muito bom, dou uma nota alta pra ele. E esta edição, que reune as edições 1 a 6 de Pantera Negra ( volume 4 ) é a base onde o filme foi fundamentado. Mas aí vem um lance que não entendo. O filme é excelente. A série em quadrinhos é ruim pacas. (…oi? )

Pois é, acabei de ler aqui. Tenho a coleção Salvat de Graphic Novels de capa preta, e gosto muito. Tenho muitos títulos que não li ainda, e esta semana resolvi pegar esta pra entender a base do filme. E fiquei bem decepcionado. Tudo na Marvel andou sendo re-criado nos últimos anos. E muitas coisas acabaram sendo adequadas aos filmes, já que a Marvel percebeu que muitos possíveis novos leitores viriam a partir dos filmes. Porém não esperavam que os leitores novos desistissem dos quadrinhos quando percebiam que eram bem diferentes dos filmes e por isso foram lá e mudaram os quadrinhos pra que se tornassem reconhecíveis pros leitores que chegavam. 

Eu não sou ninguém pra questionar este tipo de decisão mercadológica, mas fiquei meio em dúvida. Até onde valeria a pena perder os leitores antigos pra tentar conquistar novos ? Quem vem do cinema pros quadrinhos realmente fica ? Esta migração pode ser permanente ? Cinema tem uma característica de ser algo muito rápido. Entretenimento não seriado, em geral curto. Quadrinhos é leitura permanente, mensal. Percebo um comportamento de publico diferente em um e outro. Será que vale o risco de perder os leitores regulares e os novos não serem suficientes pra manter a editora ? 

Não sei, o tempo dirá.

Analise a parte…

A HQ tem uma história que conta um pouco da origem do Pantera Negra e sua histórica herança. Mostra como funciona Wakanda, introduz personagens, recicla outros, dá nova personalidade pra alguns. Tenta tornar grande e épico algo que não é e não precisa ser. Me incomoda demais que tudo hoje tenha que ser épico, tudo especial, grandioso. Bom, se tudo for especial, nada mais será. Não é este o desejo do Síndrome em Os Incríveis ? Será que o ego dos escritores não consegue apenas fazer boas histórias sem tentar “epicalizar” tudo ? Deixo o pensamento pra vocês.

O roteiro é de Reginald Hudlin, e na boa ? Não gostei. A tentativa de dar algum tipo de passado, recontar a origem do T’Challa, criar o primeiro encontro do Pantera Negra com o Capitão América durante a Guerra e etc… soam muito forçadas. Hudlin tem maior experiencia em cinema e seriados, sendo roteirista e diretor. Nos quadrinhos, mesmo sendo o responsável pelo casamento do Pantera Negra com o a Tempestade dos X-Men, não consegui ver a história como sendo “grande“, mas como uma tentativa de ser. Tentaram dar uma escala muito grande pro personagem e ficou muito forçado. O cara ficou tão grande que você acha, seriamente, que ele poderia vencer todo mundo da Marvel sem derramar uma gota de suor. Horrível.

Quem me acompanha no blog e no canal ( aqui ) sabe que raramente reclamo de algo, procuro ver o lado bom. Foi difícil ver algo bom aqui. Hudlin faz excelente trabalho na TV e cinema. Gosto do trabalho dele, mas nesta mini-serie em especial, não foi legal. Não pense que julgo o trabalho todo dele. Este post fala apenas do trabalho dele nesta edição.

Romitinha !

O desenho é do sempre controverso John Romita Jr. Este cara é o mais 8 ou 80 que eu conheço. Ou a gente gosta muito, ou é um terror de ver. Esta edição fica no meio. Embora com grandes quadros memoráveis, está longe de ser um dos melhores trabalhos do Romitinha. Um inconstância no traço deixa a gente achando que muitas pessoas desenharam ao mesmo tempo que as vezes a gente até relembra de “O homem sem medo” em alguns momentos. Está bonito, mas não é o melhor trabalho dele, não.

Veredito

Amigo, não sei se recomendaria a você ler isso. Acho que você deveria ficar com o filme mesmo. Aliás, isso só reforça a qualidade de Hudlin como roteirista de cinema. Leia por sua conta e risco.

Abraços do Quadrinheiro Véio.