Quem é o Pantera Negra ? – Hudlin & Romita Jr

Quem é o Pantera Negra ?

Esta é uma pergunta que deve estar em alta desde o ano passado, quando apareceu no filme do Capitão América 3 – Guerra Civil. Pra muitos (novos) fãs da Marvel que o cinema conquistou pra editora (?), este personagem era um total desconhecido. Do tipo TOTAL mesmo. Embora seja um personagem dos anos 70, ele também sempre foi um coadjuvante nas histórias da Marvel, principalmente nos Vingadores, chegando a se tornar membro por um período, embora sendo um monarca africano, ainda conseguia tempo pra salvar o mundo. O personagem Pantera Negra é mais um dos que Stan Lee criou em parceria com Jack Kirby,  aparecendo pela primeira vez em Fantastic Four # 52 (julho de 1966). Desta forma, sendo o primeiro personagem afro a aparecer em uma grande editora de quadrinhos. Pra mim é um personagem bom e importante, mas ainda assim mal explorado durante muitos anos até alguém colocar olho grande nele e no seu potencial e começar a dar boas aventuras a um personagem bem criado.

E a história ” Quem é o Pantera Negra? “

Sabe o que eu acho curioso ? O filme solo do Pantera Negra que saiu em janeiro é muito legal, eu achei muito bom, dou uma nota alta pra ele. E esta edição, que reune as edições 1 a 6 de Pantera Negra ( volume 4 ) é a base onde o filme foi fundamentado. Mas aí vem um lance que não entendo. O filme é excelente. A série em quadrinhos é ruim pacas. (…oi? )

Pois é, acabei de ler aqui. Tenho a coleção Salvat de Graphic Novels de capa preta, e gosto muito. Tenho muitos títulos que não li ainda, e esta semana resolvi pegar esta pra entender a base do filme. E fiquei bem decepcionado. Tudo na Marvel andou sendo re-criado nos últimos anos. E muitas coisas acabaram sendo adequadas aos filmes, já que a Marvel percebeu que muitos possíveis novos leitores viriam a partir dos filmes. Porém não esperavam que os leitores novos desistissem dos quadrinhos quando percebiam que eram bem diferentes dos filmes e por isso foram lá e mudaram os quadrinhos pra que se tornassem reconhecíveis pros leitores que chegavam. 

Eu não sou ninguém pra questionar este tipo de decisão mercadológica, mas fiquei meio em dúvida. Até onde valeria a pena perder os leitores antigos pra tentar conquistar novos ? Quem vem do cinema pros quadrinhos realmente fica ? Esta migração pode ser permanente ? Cinema tem uma característica de ser algo muito rápido. Entretenimento não seriado, em geral curto. Quadrinhos é leitura permanente, mensal. Percebo um comportamento de publico diferente em um e outro. Será que vale o risco de perder os leitores regulares e os novos não serem suficientes pra manter a editora ? 

Não sei, o tempo dirá.

Analise a parte…

A HQ tem uma história que conta um pouco da origem do Pantera Negra e sua histórica herança. Mostra como funciona Wakanda, introduz personagens, recicla outros, dá nova personalidade pra alguns. Tenta tornar grande e épico algo que não é e não precisa ser. Me incomoda demais que tudo hoje tenha que ser épico, tudo especial, grandioso. Bom, se tudo for especial, nada mais será. Não é este o desejo do Síndrome em Os Incríveis ? Será que o ego dos escritores não consegue apenas fazer boas histórias sem tentar “epicalizar” tudo ? Deixo o pensamento pra vocês.

O roteiro é de Reginald Hudlin, e na boa ? Não gostei. A tentativa de dar algum tipo de passado, recontar a origem do T’Challa, criar o primeiro encontro do Pantera Negra com o Capitão América durante a Guerra e etc… soam muito forçadas. Hudlin tem maior experiencia em cinema e seriados, sendo roteirista e diretor. Nos quadrinhos, mesmo sendo o responsável pelo casamento do Pantera Negra com o a Tempestade dos X-Men, não consegui ver a história como sendo “grande“, mas como uma tentativa de ser. Tentaram dar uma escala muito grande pro personagem e ficou muito forçado. O cara ficou tão grande que você acha, seriamente, que ele poderia vencer todo mundo da Marvel sem derramar uma gota de suor. Horrível.

Quem me acompanha no blog e no canal ( aqui ) sabe que raramente reclamo de algo, procuro ver o lado bom. Foi difícil ver algo bom aqui. Hudlin faz excelente trabalho na TV e cinema. Gosto do trabalho dele, mas nesta mini-serie em especial, não foi legal. Não pense que julgo o trabalho todo dele. Este post fala apenas do trabalho dele nesta edição.

Romitinha !

O desenho é do sempre controverso John Romita Jr. Este cara é o mais 8 ou 80 que eu conheço. Ou a gente gosta muito, ou é um terror de ver. Esta edição fica no meio. Embora com grandes quadros memoráveis, está longe de ser um dos melhores trabalhos do Romitinha. Um inconstância no traço deixa a gente achando que muitas pessoas desenharam ao mesmo tempo que as vezes a gente até relembra de “O homem sem medo” em alguns momentos. Está bonito, mas não é o melhor trabalho dele, não.

Veredito

Amigo, não sei se recomendaria a você ler isso. Acho que você deveria ficar com o filme mesmo. Aliás, isso só reforça a qualidade de Hudlin como roteirista de cinema. Leia por sua conta e risco.

Abraços do Quadrinheiro Véio.

 

 

Justiceiro : Bem vindo de volta Frank – Parte 1

Justiceiro : Bem vindo de volta Frank – Parte 1

Justiceiro Bem vindo de volta frankO Justiceiro é um dos personagens da Marvel que eu considero do “chão“.  Chamo ele de personagem porque se eu chamar ele de herói pode ser que fique estranho, já que ele atua como juiz, juri e executor, sem dó nem piedade e ainda curte isso. E fico receoso de chamar ele de vilão, porque lá no fundo, ele costuma acertar quem ele mata, que são verdadeiros bandidos que a gente sente até gosto por serem detonados de forma tão sangrenta…. rs… e quando digo que considero que ele é do chão, eu digo isso porque ele é um dos “sem poderes” da editora, que atua no mundo mais real, mais perto do dia-a-dia de pessoas como nós. Este “chão” não tem nada a ver com poderes ou com a qualidade do personagem. Aliás, o Castle já teve histórias que muitos dos ditos “grandões” ainda não tiveram. Pra você ter uma idéia, na minha escala de valores baseada no meu gosto pessoal, o Justiceiro está acima dos Vingadores em matéria de qualidade de argumentos. Veja bem… o meu caso é considerando anos 80/90. Não posso falar nada do Frank dos anos 2000.

Justiceiro Bem vindo de volta frankExceto, talvez por conta de Justiceiro : Bem vindo de volta Frank. Que foi lançada nos EUA entre 2000 e 2001. Acabei de ler e me diverti com a história. Não é nenhuma obra prima, mas não deixa aquela sensação de perda de tempo que algumas HQs tem gerado em mim ultimamente. Como sempre digo, é importante entender o momento histórico, não apenas dos personagens, mas do mundo. E o começo dos anos 2000 era uma época em que o consciente coletivo da humanidade comemorava que o mundo não havia acabado, um pouco antes do atentado de 11/9. Frank acabou de deixar uma fase horrenda em que ele caçava demônios ao lado de anjos (???) e está “retornando pra casa” e decide retomar a sua missão louca de limpar as ruas. Cá entre nós está mais para uma vingança do que efetivamente ser um “Bom Moço“. Desde que conheço o Justiceiro, eu sinto que ele nunca teve em momento algum aquele sentimento de “impedir que aconteça com os outros o que aconteceu com a minha família“. Tudo que o move é uma psicose doentia ( pleonasmo ) de “punir” quem desobedece as leis. Aliás, foi assim que ele começou na revista do Aranha. Ele atirava até em quem jogava jornal no chão. hahahahah!!! Sabe o que é pior ? Rir de um louco assim…

Ma GnucciEm Justiceiro : Bem vindo de volta FrankCastle parece revigorado. Ele sai matando a esmo. Escolhe um alvo e vai seguindo. A violência é enorme, sangue, amputações, sangue, machadadas, sangue, explosões, sangue, pescoços quebrados, sangue, arremesso de bandido do alto do prédio, sangue, padre matador de pecador e sangue. Aliás, já disse sangue ? ( hahahahaha ) Imagino que o extinto jornal “Notícias Populares” não teria terminado se o Frank andasse por estas bandas de SP. Lembra ? A gente torcia o jornal e escorria sangue. Bons tempos… hahahahaha


O Frank está tão contente nesta mini-série que a gente vibra junto. A gente sente que ele está de volta. O título é bem apropriado. Conveniente pra caramba. Porque a gente percebe que ele voltou e quer “arrumar a casa“, sabe assim ? Sabe quando você vai viajar um bom tempo e quando Justiceiro Bem vindo de volta frankvolta precisa arrumar a casa, tirar a poeira, tirar as ervas daninhas do jardim ? Ele faz exatamente isso. E a gente sente que é mais ou menos assim: Enquanto os bam bam bans estão mantendo o planeta inteiro, o Frank fica fazendo a limpa menor. Claro que se o mundo acaba, pouco importa o que ele fizer. Mas enquanto não acaba, Justiceiro e Demolidor ficam ali na faxina. Antigamente o Homem-Aranha também, mas elevaram ele a super fodão e ele fica lá misturado com os Vingadores de vez em quando. Coisa que pra mim nao tem nada a ver. Se você lê sempre meus posts no blog sabe que nunca curti misturar o Aranha com os Vingadores. O Homem-Aranha funciona muito bem sozinho, com aquele monte de vilões dele. Um pequeno crossover até funciona, mas regular, não rola. A sorte é que o Frank é de outra realidade, né… ele não encaixa mesmo. Pobre do diabo que inventar um motivo pra colocar ele no grupo. Tanto que ele se destaca demais na ridícula Guerra Civil, já que parece ser um dos poucos com bom senso naquela porcaria história.

vigsquadUm lance divertido é que com o retorno do Justiceiro, outros malucos começam a aparecer, como um Padre doido que mata os pecadores ( O Santo ),  um outro com uma máscara que lembra uma coruja, de nome Elite, que defende os ricassos ( até deles mesmos… ) e um tal de Sr. Troco,. Eu sei que dei algumas boas risadas com esta história que tem um bom equilíbrio entre a violência e piadinhas inteligentes, sem ser forçadas porque entra no espírito da revista. A mistura de humor negro com drama é o ponto chave. Aliás, o que ele faz com o Demolidor é de arrepiar. E completamente fiel. Você não sente que é exagero, já que se trata de Frank Castle.

JusticeiroA saga de Justiceiro : Bem vindo de volta Frank é escrita por Garth Ennis que praticamente se apossou do personagem e por não curtir muito super heróis, usava-os de alívio cômico. E foi ele também que introduziu o personagem Russo, que marcaria muitas aventuras deste quase “Batman” lunático da Marvel. Ok, não tem nada a ver com o Batman, só a loucura. Ainda assim, as histórias dos anos 80/90, com o Microchip, Retalho e cia. são as que eu gosto mais. O desenho fica por conta de Steve Dillon e ele condiz bem. Ele sabe trabalhar olhares e mesmo eu não gostando do rosto que ele deu pro Frank, eu acho que o movimento e violência que ele coloca estão na medida certa. Não é algo que se destaca, e nem de longe, incomoda.

the-punisher-2004-movie-posterEsta edição foi base em uma coisa ou outra do filme do Justiceiro de 2004, aquele com o Thomas Jane no papel principal e o vilão era o John Travolta. O lance de ele irritar a máfia e morar em um prédio com os 3 amigos introduzidos por Ennis nas aventuras do Justiceiro. Aliás, a loirinha é a Rebecca Romijin, que pouca gente reconheceu como a Mística da trilogia X-Men do cinema. Dentre os 3 filmes do Justiceiro, este é o meu predileto. Mesmo sendo bem fraquinho, sempre que encontro ele passando em algum canal eu acabo assistindo de novo. Ah é, e neste filme tem o Russo também.

Acho que se você curte o Justiceiro, deve ler esta edição. A parte 2 eu comentei aqui, dá uma lida também. Enquanto isso, tem esta outra materiazinha minha aqui, sobre Justiceiro Max: Rei do Crime.

Abraços do Quadrinheiro Véio !

Homem-Aranha – Azul

Homem-Aranha Azul… Esta edição me deixou, literalmente, in blue…

A vida é tão corrida e tão “cheia” de coisas que as vezes nos esquecemos de nossa essência.fb_marvel-67376_0
Toda a minha vida fui leitor de HQ. Desde que me lembro leio histórias inspiradoras que me ajudaram a formar minha personalidade e o primeiro que conheci foi o Homem-Aranha.
Minha gratidão a ele não tem preço e li tanto deste herói que pra mim é como se fosse um dos meus melhores amigos. E se pensar bem, ele é. Já que está na minha vida desde meus 6 anos de idade, né … ?
Ler este livro hoje me fez sentir uma emoção sem igual. Chorei no final. Chorei sentido, junto com ele. Eu estava “in blue” . É uma homenagem à um personagem tão incrível e mesmo até hoje, que eu leio e li de todos os outros, ele ainda é o maior deles. Pela humanidade que apresenta.

Pode ser que tenha alguns “spoilers” no texto, ok ? Eu tento evitar, mas as vezes passa algo e não quero que brigue comigo por isso.

Homem Aranha AzulEm Homem-Aranha Azul, temos um Peter Parker se permitindo uma fragilidade que vemos pouco nele. Embora ele seja sempre uma pessoa mais emocional do que racional, tenha um caráter “meio” depressivo, momentos totalmente reflexivos, melancólicos como o desta edição, acontecem raramente.

E a condução desta narração é feita por ele mesmo. Nas 6 edições de Spider-Man Blue que estão reunidas na edição que eu li da Coleção Oficial de Graphic Novels da Marvel pela Editora Salvat, temos uma condução 100% emocional. É a historia por trás da historia, sabe ? É o Peter Parker conhecendo e se apaixonando pela Gwen Stacy. É um outro ponto de vista sobre uma historia que todos amamos, sobre o começo de um clássico super-herói numa época mais simples, mais honesta, mais humana.

Quer o Duende Verde Original ? Tem !Homem Aranha Azul

Quer o Rino ? Tem… Doc Oc ? Tem… rs… Quer o Abutre ? Kraven ? Flash Thompson ? MJ? O Lagarto ? Todo mundo aí ! Eu adoro estes momentos que mostram a “mente” dos personagens e não os fatos externos. Gosto de saber o que eles pensam e sentem. Como eles se percebem, como eles se estruturaram mental/emocionalmente para se tornarem os heróis que vieram a se tornar. A jornada do herói segue uma mesma estrutura, mas o detalhe, o caminho mental, é distinto para cada um. Seja o Super-homem ou o Batman… Seja o Hulk ou o amigão da vizinhança, é sempre o detalhe que os diferencia, no seu comportamento, no seu “eu” profundo. Na auto imagem que ele faz de si mesmo. Acho que é um pouco aquele lance do “cada um sabe a dor e o prazer de ser quem é”. Rever tudo do ponto de vista do Peter, desde as paqueras as batalhas, principalmente o lado mais Homem e menos Aranha, é muito bonito.

Homem Aranha AzulVocê já se perguntou o motivo de o Homem-Aranha ser o mais famoso e mais celebrado herói da Marvel ? Pode ser que por uma coincidência do destino, ele não seja o seu preferido, mas ele é o preferido de uma grande maioria dos leitores. Claro que muita coisa mudou com os filmes, principalmente a partir de Homem-de-Ferro nos cinemas, em que a Marvel conseguiu dar popularidade ao segundo escalão dos heróis da editora, mas nem sempre foi assim. Em outros posts eu comento mais sobre este “time B” de heróis da Marvel, como os Vingadores e cia… Na minha época de adolescente, Vingadores não chegava nem perto de um Quarteto Fantástico, quanto mais dos X-Men. Mas ele é o favorito pela sua humanidade, por ser como nós. E por nos inspirar a ser um pouco mais, mesmo que ao tentar fazer tudo certo, a recompensa não seja a que esperamos e mesmo assim, queremos acreditar e seguir em frente. Ele mostra o tempo todo que responsabilidade não tem a ver com recompensa, mas com fazer o que é certo.
Por isso, minha gratidão de hoje é a um mundo que eu vivo e que existe o Homem-Aranha nele ! Mesmo que apenas no mundo das idéias.Homem Aranha Azul

O desenho é de Tim Sale. Uma obra prima… traços simples, fortes, uma mão firme que ao mesmo tempo que procura ser fiel a anatomia, deixa claro que é uma HQ. Olhos que transmitem sentimentos reais, quentes, profundos…  É só dar uma olhada nos desenhos do Duende Verde pra perceber a loucura e a raiva no olhar. Perspectivas bem feitas e as cores bem duras, claras, sem a pretensão de parecer uma pintura. Mais uma homenagem dos artistas, que no caso das cores é o Steve Buccellato. O roteiro de Jeph Loeb é conciso e como já disse, emocional. Ele sabe dar o toque perfeito nos diálogos. E a escolha desta época, de um momento tão marcante nas HQs, que é o lamentar da morte de uma personagem, simbolizando toda uma perda de inocência, já que uma personagem principal, talvez uma das maiores influencias do personagem, veio a quebrar e mudar os rumos da própria condução das historias que viriam a seguir. E o mais bonito, nesta HQ, embora o tempo todo a gente perceba a saudade na narração, é contada a historia da conquista e não da perda. A ultima frase da MJ na revista é de fazer a gente chorar de soluçar de tamanha humanidade… e amor.

Homem Aranha Azul

Bom, acho que já escrevi muito. Leia Homem-Aranha Azul. Vale cada centavo. Aliás, vale até mais ! E gostaria de saber o que você achou, por isso, deixe seu comentário !

Grande Abraço do Quadrinheiro Véio !

Homem Aranha Azul

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Demolidor – A Queda de Murdock

Miller e Mazzucchelli.
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O post poderia terminar por aqui, mas como eu não sei falar pouco, e eu demorei muito tempo pra resolver escrever sobre esta saga, cá estou eu sentado na frente desta tela, emocionado, por finalmente poder falar de uma das que eu considero uma obra prima dos quadrinhos, e que me fez crescer muito como ser humano, já que li isso ao final dos anos 80 na SAM e era a revista que eu não conseguia parar de esperar, mês a mês, pra ir buscar na banca enquanto não fechou a história.
A Queda de Murdock marcou a minha vida de tal forma, que até hoje eu lembro falas, narrativas, quadros e do sentimento. Sempre faço questão de falar sobre o sentimento, sobre a influencia que as HQ’s exercem em nosso emocional. Se ela não te abalar emocionalmente e não te instigar mentalmente, ela está deixando passar uma oportunidade de ouro.
Provavelmente voce já sabe desta HQ. Não poderei fugir de um spoiler ou outro durante o texto, mas se você não leu ainda esta edição tem dois motivos: Você começou a ler a pouco tempo ou você não é fã de quadrinhos. Mesmo que você goste ou não goste do Demolidor, tem que tirar o chapéu pra esta historia, que reune uma narrativa densa o tempo todo, cheia de nuances, de passagens psicológicas, reativas, levantando temas relevantes para a época como as drogas, os cartéis, gângsters e o lado humano do Matt Murdock. Quase não temos o Demolidor, é tudo centrado no Matt, no ser humano, na pessoa. Pessoa que sente, vive, respira, chora, come, dorme, machuca, pensa e sofre. E como sofre.
Deixa eu te situar um pouco no tempo. Antes desta saga, o Demolidor vivia num mundo florido, light… não tinha muita profundidade. Miller havia estado na revista a uns 7 anos antes e já  havia começado a colocar o estilo mais denso e sério, mas quando ele retornou pra escrever a Queda, ele veio pra detonar, pra mudar.
E como ele ja estava naquela energia do Cavaleiro das Trevas e outras publicações dele da mesma época, ficou mais evidente que ele gostava mesmo era de quebrar tudo. Sagazmente ele decidiu reposicionar o personagem, centrar ele numa guerra urbana, em um bairro simples, em um cotidiano mais próximo do chão, menos acrobático. Tudo se passando na Cozinha do Inferno, mas a realidade mesmo era que não importava. A Queda é do Murdock, não é do bairro, não é do Demolidor. A revista começa e termina com Matt. Demolidor demora pra entrar em cena e você não sente falta. Não sente…

 

A narrativa as vezes segue complexa e densa, te localizando, gerando o clima certo. Tem uma passagem que eu realmente adoro, que a gente fica cego com o Matt, que ele relembra como foi os primeiros momentos no hospital, os diálogos  os sons… tudo com muito sentimento, muito tocante. A gente emociona com ele, sente pena, sente a força dele surgir. A gente se torna o Demolidor, nascemos junto com ele. Depois, entram quadros e mais quadros de movimento. Movimento silencioso, com quadros que variam de tamanho… pequenos detalhes mostrados para intensificar grandes movimentos. Mazzucchelli fez algo admirável tamanho é a profundidade emocional dos personagens em um traço exageradamente limpo. Acho isso formidável, uma qualidade. E a coloração clean, lisa, sem aquele monte de manchas para dar profundidade. HQ por HQ mesmo, comum na época pré-photoshop. A paleta das cores geram nuances que acompanham toda a trama de modo que se você apenas seguir a leitura sem atentar aos detalhes a condução do seu inconsciente é tão grande que você fica ofegante junto com ele após uma corrida, ou de olhos mareados, ou com um frio na barriga de medo nas cenas em que os personagens sente isso. As sequências de movimento são tão perfeitas que você desvia a cabeça pra não ficar no meio de uma porrada ou um chute. Seus dedos se quebram junto com os do repórter. Você perde a respiração junto com o policial estrangulado. Você sente a dependência quimica do Bazuca, e quando Murdock cai, você também cai.
A queda mesmo esta nas duas primeiras edições, depois vem a recuperação e termina com ele livre, recomeçando a vida. É um roteiro digno de filme. Juro. Alias, este post está sendo lançado hoje, junto com o lançamento mundial da série do Demolidor na Netflix de propósito. É a minha homenagem e desejo de que a série seja mesmo um sucesso.
Os pensamentos do Matt são um prazer a parte. Muito bem escritos. Eu gosto mais da primeira tradução, da SAM. É mais coesa e pra mim tem todo o fator nostálgico, admito. Mas os pensamentos dele, o diálogo interno, as conclusões… o limiar da loucura. E tem também o pensamento do Rei. Pensamento primoroso, de um grande vilão. Junto a tudo isso o contra-ponto que passou a ser muito usado com o DD, que é o demônio sempre sendo salvo pela igreja, alem de a própria mãe ser uma freira. O reencontro deles, a forma que ele descobre isso.
Tudo artístico, tudo perfeito. Não consigo ainda ver nesta obra a mão do marketing. O lance era fazer uma boa historia, com os personagens se revolucionando. Uma das maiores provas da grandeza desta saga é que mesmo fora do contexto temporal, ler ela hoje te toca do mesmo jeito. Sabe por quê ? Porque é uma historia humana. Não fica datada com tecnologia. Este é o toque magistral do Mestre Miller.
Nesta HQ aconteceu tanta coisa, tanta mudança… Ben Urich, JJJameson, Rei Do Crime, Franklin Nelson, Karen Page, Melvin Porter. E o mais legal, na minha opinião tem a melhor historia do Capitão América até hoje. Esta frase do Capitão, segurando a bandeira americana é muito marcante: ” Não sou leal a nada, General… exceto ao sonho.” Em determinado momento, o bairro da Cozinha do Inferno é bombardeada e os Vingadores precisam intervir: Um Soldado cuja voz poderia comandar um deus, e um deus cuja voz pode comandar o tempo. Todos se calam…”. Grandioso !
Acho que vou parar aqui, pra que você possa ler ( ou reler ) a sua edição. Está na coleção Salvat.
Agradeço a oportunidade de escrever neste blog, reler esta edição me trouxe a mesma emoção de quando eu li a primeira vez. E agradeço a você que lê e conversa comigo através deste blog. Se você não vem aqui ler, provavelmente eu não escreveria.
Abraços do Quadrinheiro Véio !
 
 
 
 
 

 

 

 

 

 

 

 

Quarteto Fantástico – Inconcebível

Olá Quadrinheiros !
Mais uma vez quero agradecer as visitas de vocês, aos comentários e os compartilhamentos lá no facebook e no Youtube. É gratificante, de verdade.Quarteto Fantastico Inconcebivel
 
Neste post de hoje falarei sobre mais um volume da Coleção Oficial de Graphic Novels Marvel da Editora Salvat. E mais uma vez com minha equipe de heróis preferida: Quarteto Fantástico – Inconcebível. Esta edição reúne as edições 67-70 de Fantastic Four v3 e 500-502 de Fantastic Four v1, publicada originalmente em 2003.
Esta edição é fantástica ( perdoe o trocadilho… hehehe ). É uma história densa, pesada. Fazia tempo que não lia algo tão forte, tão impensável. O conjunto emocional desta edição é tão forte, que a gente fica meio impressionado um tempo. Pelo lado do tamanho da maldade e do desejo de vingança do Dr. Destino. E pelo outro, a importância da família para o Quarteto. Isso fica visível o tempo todo. 
Eu comecei a ler o Quarteto Fantástico lá no começo dos anos 80, na revista do Homem-Aranha. Aliás, recomendo muito esta fase deles, pois é apaixonante. E uma característica marcante da equipe é que eles não são heróis, eles são cientistas. E antes disso, maior do que tudo, são uma família. Quando eu comecei a ler a Susie e o Reed ainda não tinham o Franklin e imagine a minha surpresa quando, recentemente eu soube da Valéria…. rs… sim, pois me afastei uns 10 anos das HQ´s e pouco eu soube com relação a este período. Aliás, esta coleção está sendo ótima pra isso.
Percebo que muita mudança aconteceu, mas esta publicação mostra que a essência ainda esta lá, com a diferença que o ódio do Dr. Destino chegou a tal ponto que o nome deste livro – inconcebível – está mais do que adequado, já que a história é mesmo chocante, permeando o desespero. Sim, fiquei meio desesperado em alguns momentos, principalmente no começo quando Doom se revela mais louco do que nunca ao sacrificar o maior amor de sua vida por poder e logo depois, ao usar crianças para seus planos. Cara, é chocante de verdade, e ao mesmo tempo, adequado. E o Dr. Destino é o inimigo definitivo do Quarteto, não é ? Eles tem um monte, mas perto do Destino, os outros são como passear no parque com chuva forte… rs… Dr. Destino é o furacão Catrina com El Niño e La Niña juntos !

 O Dr. Doom é o tipico vilão ‘doido de pedra‘. Ele tem a inteligencia do tamanho de um planeta, mas emocionalmente não tem mais do que um grão de areia. Ele vive em função de sua vingança, de superar o Reed, de poder e conquista. E não consegue perceber que perde muito mais com isso. Tdo este trauma que vem de sua infância, suas perdas, tornou-o tão paranoico que as verdades que ele percebe só existem para ele mesmo. Ele começa a formular teorias dentro de seus pensamentos e quando ele mal percebe, aquilo já se tornou uma verdade pra ele e suas ações são ditadas pelas suas crenças. Quando uma crença se torna uma verdade pra você, então, deixa de ser crença e passa a ser a sua realidade. E independente de ser o ‘real’ ou não, suas decisões, ações e movimentos serão guiados por esta crença. Você assistiu “A Origem” ( Inception ) ? Pois bem. A diferença entre nós e o Dr. Doom está no nível do poder desta crença dentro de nós. Ele não sente a menor dúvida, tamanha é a sua arrogância. E é esta mesma arrogância que determina sempre, invariavelmente, suas derrotas.

Resumindo: É um vilão incrível !
 
Nesta edição, além de tudo isso aí, você ainda tem momentos para curtir o relacionamento do Ben e o Johnny. As encrencas básicas de uma família. Tem até o Tocha se queimando, e se você é fã do Dr. Estranho, ele terá uma participação pra lá de especial no desenrolar da história. Também vemos Destino se voltando mais para a magia, para ver se ao mudar seu método, consegue superar o Reed, já que em matéria de ciências, ele é absoluto. ( Pra mim, o Reed está anos luz a frente do Tony Stark, por exemplo… ). Eu não vou falar mais, porque estes dias eu levei um ‘puxão de orelha’ de um rapaz lá no grupo do Facebook porque mesmo eu tendo cuidado, acabei soltando um spoiler em um destes posts e fiquei me sentindo culpado quando ele me avisou. Não quero tirar a ‘graça’ da leitura de ninguém, e espero que me perdoem caso isso aconteça as vezes, tá ?
O Roteiro é de Mark Waid. Competentíssimo, Waid sabe fazer a mistura de Quarteto Fantastico Inconcebiveldrama e movimento. Ele escreve bem, diálogos, pensamentos, sentimentos. Tudo isso em total sintonia. Ele sabe contar algo com maestria como bem sabemos em seu trabalho com o Alex Ross em Reino do Amanhã. E aqui ele faz jus mesmo sendo revistas de linha. Aliás, um dos grandes problemas desta coleção é que ele não é de Graphic Novels de verdade. Como já comentei, ela reune algumas sagas das revistas de linha em uma edição encadernada. Isso não é Graphic Novel, ok meninos e meninas ? Isso é apenas um ‘paperback‘ de capa dura. Basicamente, um graphic novel é muito mais trabalhado, com mais prazo, gerando mais impacto porque com mais tempo, o artista consegue se entregar mais e entregar algo melhor. Este volume tem uma saga muito boa, até mesmo porque estava na edição 500 do volume 1 dos heróis e isso pedia algo magnífico, trágico e transformador ( como foi o caso ), mas ainda assim, não é uma Graphic Novel.
Em Quarteto Fantástico Inconcebível, os desenhos são satisfatórios, são bem feitos, tem movimento, expressões gritantes devido aos olhos e bocas enormes. Mas não é do meu gosto. Pra mim, Byrne é o cara do Quarteto, tanto em traço quanto em roteiro. Não me entendam mal,  Mike Wieringo e Casey Jones são bons, tem seus próprios traços peculiares e tudo o mais. Acho que ajuda na história, mas fica meio ‘desenho infantil’ e não ‘casa’ com o peso do roteiro. Acho que como é tudo de magia, de dor, sofrimento, deveria ser um traço mais sujo e orgânico… está limpo demais, sabe ? Mas não atrapalha. E muito disso que eu falo aqui, como você deve ter percebido, é mais meu gosto pessoal. Não se deixe influenciar pelo meu gosto, siga o seu. 🙂
 
As cores estão bem legais, lembram bem o começo das HQ´s feitas no computador. A harmonia na paleta em cada fase da história é muito competentemente escolhida.
 
Recomendo a edição com louvor. É uma das poucas histórias atuais do Quarteto Fantástico que valem a pena ser lidas. E ela tem uma continuação também na mesma coleção, Ações Autoritárias.
Bom, amigos. Vou ficando por aqui. Acho que já escrevi demais pro meu tamanho.
 
Comente aí embaixo agora mesmo o que achou. Eu respondo todos os comentário, tá ?
 
Abraços do Quadrinheiro Véio.
 
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Quarteto Fantastico Inconcebivel

 

Quarteto Fantastico Inconcebivel

 

 

Quarteto Fantastico Inconcebivel
 
 
 
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Mulher-Hulk – Mulher Solteira Procura

Olá Quadrinheiros.
 
Acabei de ler mais uma edição da Coleção Oficial de Graphic Novels da Editora Salvat, que é a Mulher-Hulk – Mulher Solteira Procura ( ô titulo infeliz… ). Esta edição reúne as edições de 1 a 6 da revista She-Hulk de 2004.
E vou começar dizendo que eu me diverti pacas lendo esta edição. Uma característica tipica da personagem é que ela mesmo não se leva a sério. Nem quando ela está em equipes. Lembro-me que meu maior contato com a Mulher-Hulk foi na época pós Guerras Secretas, em que ela foi convidada a substituir o Coisa no Quarteto Fantástico, quando ele resolveu passar mais um tempo lá no planeta do Beyonder.
Esta edição é muito, muito divertida. Se você pensou que fosse algo sério, pode ter se decepcionado. É o tipo de revista que é feita pra ser divertida, entra no cotidiano da vida de um super-herói mas do lado divertido disso. Tem 6 edições e logo de cara a gente já começa rindo da 
situação em que uma pequenina Jennifer Walters se encontra presa embaixo de um ‘namorado/caso/algo assim‘, na cama dela na mansão dos Vingadores.
Este tipo de comportamento acaba expulsando ela da mansão, por ser inapropriado. Além de ter vários ‘namorados‘, ela ainda dava festas pra comemorar as missões de sucesso. Hilariante… hahahaha…
Acho que uma das coisas mais bacanas é quando ela está num momento da vida que nem ela está contente consigo mesma. Então um choque de realidade acontece: Ela é expulsa da mansão, perde o emprego na promotoria, perde o ‘casinho’ dela e tudo isso por ser uma pessoa de pouca profundidade. Neste momento aparece um
dono de uma das maiores empresas de advocacia da cidade e a convida para ingressar no time deles, porém só se ela for a Jennifer e não a Mulher-Hulk. Ela aceita e descobre que a empresa, secretamente, é a agencia que defende os Heróis Marvel em seus casos judiciais. E, por esta premissa toda, você já pode imaginar como acaba tudo partindo pra cenas hilárias, como o Coisa depondo num tribunal, o Aranha processando o Jamesson ou mesmo uma fuga em massa de vilões encolhidos no braço verde da moça.
Uma das coisas que impressiona bastante é a condução da narrativa. É uma condução bem boa, pensada, planejada. Dan Slot soube nos apresentar a personagem, situá-la e não deixar ponta solta sobre a vida dela antes de causar a grande virada e nos dar diálogos e situações que mesmo sendo engraçadas, são perfeitamente críveis dentro do universo heroico Marvel.
E os traços do Juan Bobillo e Paul Pelletier são constantes e harmônicos. E o mais importante, as expressões ( coisa que sempre bato na tecla aqui no blog ) estão todas muito bem feitas. Além de ter o Coisa mais feio que eu já vi na vida, o rosto da Jennifer, sendo ela miudinha ou She-Hulk tem traços tão delicados e expressivos que são até apaixonantes. Uma aparência meio ‘mangá’, com olhos não muito grandes, mas expressivos e visivelmente entediados a maior parte do tempo e uma boca pequena em um rosto com poucas hachuras, deixa ela delicada e ao mesmo tempo contrastando com um corpo forte, musculoso. Eu realmente me encantei com as expressões de todos os personagens e a condução visual é muito boa. Tem um momento no começo da HQ, que ela acorda embaixo do rapaz na cama dela, em que ela está normal e percebe que está presa, que é bem desenhada. Percebemos ela fazendo força, e ao ver que não consegue se mexer mostra a língua… hahaha… aí, ela se transforma, fica enorme e verde, mas a pureza do rosto dela não muda. Isso que achei muito fantástico.
Realmente eu recomendo esta edição. Principalmente pra pegar leve, descontrair mesmo.Mulher-Hulk
 
Abraços do Quadrinheiro Véio !

 

Capitão América: Morre uma Lenda

E aí, amigos leitores ! Já leram Capitão América Morre uma Lenda ?

Capitão América, pra mim, sempre foi um herói “B”. Tipo, um segundo escalão, com histórias com um nicho bem específico. Claro que ele tem uma representatividade de uma importância absurda pelo que ele representa, mas suas histórias, desde quando eu comecei a ler revistinhas, sempre foram fracas, sem empolgação, mas fieis ao ideal que ele representa, que é o sonho de liberdade americano. E só por isso, ele já tem muito mérito. Lembro me até hoje que uma das melhores histórias que eu li do bandeiroso foi justamente a participação dele na obra prima “A Queda de Murdock” do Demolidor. Quem se lembra, tem uma passagem em que ele é questionado se ainda é fiel aos EUA, e ele responde, segurando a bandeira, que é fiel ao sonho. Achei muito nobre. Aliás, ele é um personagem nobre.
 
Capitão América Morre uma Lenda
Em Capitão América: Morre uma Lenda, que eu li pelo fascículo 51 da Coleção Oficial de Graphic Novels da Editora Salvat, noto que é mais um réquiem do que qualquer outra coisa. Desde a morte do Super-homem, não haviam matado um personagem icônico e importante como o foi o Capitão. E esta edição reúne a edição que ele morre e 5 edições de um tipo de ‘homenagem póstuma‘. E eu gosto muito destas publicações mais psicológicas, mesmo que sejam super clichês, é bacana ver a reação dos outros personagens quando perdem um dos ‘deles‘. Aliás, se o assunto é guerra, americano nada de braçada, né ? E quem morreu é só o símbolo maior da guerra nos quadrinhos, mesmo que não diretamente, todo mundo sabe que o Capitão América surgiu por conta da Segunda Guerra Mundial e mesmo que ele esteja diretamente simbolizando o sonho de liberdade, o ‘lado certo‘ da guerra, outro fato comum é que em toda contenda, o lado que vence é o lado que está certo, é o lado que ‘conta a história‘.
Particularmente, pra mim, não existe beleza e nem vitória em uma guerra, nenhum lado vence. Vence apenas a ignorância humana. O Capitão tentava estar acima disso, mas sempre fiel ao sonho americano, o que é normal, claro… afinal, ele também representa o patriotismo americano, acho até que ele é como se fosse a materialização deste patriotismo, a forma-pensamento deste sentimento tão forte que acho que os americanos tem ‘de mais‘ e nós brasileiros temos ‘de menos‘.
Retornando a HQ, o que eu achei bem criativo é o fato de as 5 revistas representarem as 5 fases do luto. Como estudei psicanálise, adorei esta referencia, porque eu pude notar nos poucos pacientes que eu atendi e no meu observar das pessoas que vivem o luto, como estas fases são reais, sejam elas transparentes, sejam elas escondidas nos comportamentos e mentes das pessoas. Cada uma destas fazes é ‘meio’ que representada por algum herói ligado ao Capitão, e embora todas sejam do mesmo roteirista, cada uma teve um desenhista diferente. Ainda assim, o tom emocional é o guia da publicação, o tempo todo com pesar e o Homem-Aranha sempre o mais emotivo de todos, arrasado. O que me surpreendeu foi o Wolverine. Ele não se bicava com o Capitão, mas era muito sensível o respeito que ele nutria. Era um respeito meio : Você é o que eu não posso ser, te odeio por isso, mas ao mesmo tempo te admiro. Tipo isso. Também vale notar o retorno do Gavião Arqueiro, mesmo sem revelar como isso aconteceu, já que ele morreu em “A Queda”, e até as forçações de barra em alguns diálogos estão bacanas. Mas senti muito a falta do Thor… se não me engano neste período ele estava morto. ( hehehehe… mais um morto, não morto, perdido em algum lugar… )
A história se passa logo após a Guerra Civil, em que ao seu final o Capitão se entrega as autoridades e está sendo levado a um julgamento. De repente, ele leva um tiro, seguido de mais 3 tiros a queima roupa ( que não direi quem deu os tiros, pra não atrapalhar sua leitura ) e não consegue se salvar a tempo. Tipo, o cara morreu algemado, no meio da rua. O que pode ser pior pra um soldado ? Todo soldado sonha morrer na guerra, e não ali, num ataque covarde. E suas últimas palavras, como sempre, foram de um herói: Salve a multidão.
Bom, em HQ sabemos que um herói só morre se o roteirista quiser, porque tem um milhão de personagens com poderes grandes o suficiente pra salvar um herói assim, mas depois de 2 anos sabemos que ele volta. Aliás, isso perdeu a graça, né? Toda vez que alguém morre nas HQ´s a gente nem sente mais porque sabe que ele vai voltar. Aí, é que nem ver novela da Globo, você já sabe tudo que vai acontecer pelas revistas de fofoca, mas assiste mesmo assim… Então, a gente lê pela jornada e não pelo fim. No meu caso foi bem isso. E cabe um parenteses aqui: Eu li esta HQ pela primeira vez ontem a noite, mas a repercussão da morte do supersoldado em 2007 foi mundial. Como sempre falo, ler as histórias na época em que são publicadas é fundamental pro bom entendimento e vivencia do mesmo. Então, estou tendo muito cuidado com o que comento e opino aqui, porque algumas histórias fazem sentido devido ao seu contexto, como Watchman, Cavaleiro das Trevas, e etc…
O roteiro é de Jeph Loeb, a partir de uma idéia de J. Michael Straczynsi. E cada edição, como já disse, teve um desenhista. Primeiro o Lenil Yu com a Negação, Ed McGuinness desenhou a Raiva, John Romita Jr ficou com a Barganha, David Finch com a Depressão e John Cassaday finalizou com a Aceitação. De modo geral as histórias são escuras até chegar na Aceitação. Tem quadros grandes, muita emoção nos rostos, alguns diálogos inteligentes e sagazes, mas sem naquele clima de homenagem, de falar bem do cara que morreu, de resgatar momentos de seu histórico e tudo o mais. Se faz notar a ausência de vilões, e o constante clima do final da Gerra Civil, um momento do mundo super abalado por esta partição entre os heróis. E também se faz notar como o Tony é um grande babaca. Sério. 
É um roteiro clichê ? Sim, é sim. É todo um papo que cansamos de ver em outros funerais ? Sim. Vale a leitura ? Se você gosta deste tipo de material, você vai comer esta revista de colherada, porque é muito bem feita, desenhada e amarrada. O sentimento é mesmo de funeral, de luto, e acho que a gente até passa por isso junto com os personagens.
 
Bom, acho que é isso. Vou ficando por aqui.
Comenta aí embaixo o que você achou do funeral do bandeiroso também, tá ?
 
Abraços do Quadrinheiro Véio.
 
Capitão América Morre uma Lenda

 

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Hulk Contra o Mundo

Olá Quadrinheiros !!
 
Vamos pra mais um post de um volume da Coleção Oficial de Graphic NovelsHulk Contra o Mundo da Salvat. Hoje é Hulk Conta o Mundo, que eu ainda não sei se eu gostei ou não.
Pra mim, o Hulk é um personagem que desde sempre eu encarei como o “nervosinho fortão burro de bom coração”, saca ? É aquele personagem que, embora um dos ‘grandes’ da Marvel, eu nunca vi como um dos principais, sempre releguei ele ao segundo escalão e nem as revistas dele eu colecionava direito, então eu conheço pouco da história dele. E confesso que eu gosto mais dele assim. Acompanhei bastante dele na época do Panteão e aquele Hulk inteligente era bem legal de se ler, e por aliar com Mitologia Grega que é uma grande paixão na minha vida também, eu li com gosto esta fase dele que se não me engano virou até jogo de vídeo-game. E nesta coleção tive a 
oportunidade de ler Planeta Hulk, que até tem um post aqui, e eu confesso que achei espetacular, inesperado. Uma saga inteligente, que teve um grande equilíbrio entre o verdão e os outros personagens, com espaço pra todos, com inteligência e sagacidade no roteiro e acabei ficando fã. Só que ao ler esta edição, que se passa depois, eu achei o roteiro meio fraco… tanto que é uma das edições mais grossa das coleção Salvat e eu lí tão rápido, porque são mais imagens do que diálogos. Nesta história o gigante esmeralda está extremamente irritado, e nada irracional, ele sabe exatamente a loucura que está fazendo e mesmo assim, está fazendo. Ele está mau, tipo, Mau com M maiúsculo mesmo. Ele quer vingança de uma forma que, na minha percepção, nem condiz com o personagem. Tipo, o Hulk é um personagem com instabilidade emocional, ele costuma ter uma inteligência de ervilha e é esta inocência, este conflito interno dele que o torna interessante. Pra mim, claro, quando você tira estes elementos dele, coloca ele como um guerrilheiro em busca de vingança, é uma descaracterização tão grande do personagem que nem parece que é ele. Fica uma coisa meio forçada, meio que um autor tentando notoriedade pela coragem de atrapalhar um personagem. E acho que é aqui que reside a grande falha desta edição. Ela não emociona,ela choca um pouco pelas atitudes e pela
Hulk Contra o Mundo
violência, tem muito roteirismo envolvido ( a meu ver, não tinha como ele vencer este povo todo sozinho…) tipo… por mais raiva que ele sinta, uma coisa não tem muito a ver com outras coisas… se a força dele incrementa com a raiva, ok. Mas é a força. Agora, ele conseguir vencer o Raio Negro ? Isso é tão forçado que nem mostra como ele fez isso. Também não fica claro como eles projetaram a nave que trouxe ele e a nova gangue dele pra terra e ao final, quando ele descobre que não foram os iluminatti que explodiram a tal nave lá em Sakaar e sim o próprio povo dele, não rola uma compensação e nada… E, pra complementar este roteiro fraco e forçado, não Hulk Contra o Mundoapareceram X-Men e nem Thor… imagino que deve ter algo dizendo que eles não estavam no planeta na hora do ‘aperto’ com o verdão, mas mesmo assim… sei lá, achei forçado, achei mal escrito e muito violento. E olha que eu até curto violência em HQ, mas tem que ter um motivo pra isso. E se o cara é tão nervosão e todo mundo sabe disso, porque não caiu todo mundo com tudo em cima dele ao mesmo tempo ? 
Mas teve umas coisinhas bacanas também. A luta com o Coisa, por exemplo. Gosto sempre de ver ele e o Hulk saindo no tapa, mas não foi a melhor luta dos dois, aliás foi até meio incômoda. Gosto quando precisam chamar o tal Sentinela loucão, que raramente aparece também. Gosto quando o Homem de Ferro leva uma surra, mas me dói demais quando o Reed erra ou apanha por qualquer motivo que seja. Poxa, o cara é um cientista, as vezes meio arrogante, mas um cientista. Ver o Doutor Estranho é sempre bacana também. O cara é só um dos mais poderosos da Marvel e mesmo assim, leva uma sova do Hulk… só em HQ pra um cara que é só músculo, vencer um crânio como o Stephen Strange no mundo mental… beira o ridículo. Mas, paciencia. Olha que coisa, fui tentar ver o lado bom e acabei indo falar mal de novo… Mas, é fogo estes mega crossovers, não é ? Tipo, mostram um pouco de tudo e muito de nada. Não tem jeito, fica superficial mesmo. Hahaha… desculpa galera, é o Véio Ranzinza atacando de novo.
Hulk Contra o Mundo
Penso que poderiam ter criado uma forma mais legal pra suceder a tão bem produzida Planeta Hulk. Acho que Greg Pak pisou na bola neste roteiro… forçou mesmo. Como pode o mesmo autor ir do céu ao inferno dentro de um mesmo arco ? hehehe… e ele foi bem até no Caveira Vermelha: Encarnado. Até a arte do John Romita Jr., que é um desenhista que eu gosto muito, está fraca e apressada. Gosto quando ele desenha verdadeiras Graphic Novels, com cuidado, com esmero… ele tem um traço muito dele, muito bom. Mas aqui é tanta porrada que cansa, e o traço dele também. Parece que foi bem sofrido até pra ele desenhar um roteiro tão fraco. Poxa, até o Rick Jones não teve uma participação boa… Meu, o Rick… o motivo da origem do Hulk. Tá certo que é complicado que Bruce Banner passe a vida toda ligado a este cara que, mesmo sem querer, foi a causa indireta da origem do Hulk, e não precisa ter este cuidado a vida toda, mas poxa vida, não precisava colocar ele tão inútil assim na trama. Ele entra e sai e se ele não tivesse aparecido, daria na mesma para a trama.
Bom, é isso. Me perdoem a rabugice e fique a vontade pra comentar o que você achou aí embaixo. Eu respeito todas as opiniões e respondo todos os comentários. Todos.
 
E a menos que você esteja fazendo a coleção ou seja fã do Golias Esmeralda, fique longe desta publicação.
 
Abraços do Quadrinheiro Véio.
 
 
Hulk Contra o Mundo
 
 

Doutor Estranho – O Juramento

Olá, amigos Quadrinheiros.
 
Doutor Estranho
Hoje o assunto é : Estranho… pra dizer o mínimo !! hahaha… brincadeira. Vamos discorrer um pouco em um campo que eu, mesmo sendo nerd, geek e engenheiro, adoro nadar de braçada, que é o misterioso campo da magia, e como nosso guia e anfitrião, temos ele, o mago supremo da Marvel: Doutor Estranho. Nesta edição da Coleção Oficial de Graphic Novels da Salvat, somos presenteados com uma mini-série em 5 edições intitulada “O Juramento“.
Doutor EstranhoLogo de cara, eu não tinha entendido que juramento era esse e adoro quando títulos de obras são mais amplos do que apenas o significado direto a que ele nos remete. Sendo um médico, aliás um dos maiores cirurgiões neurologistas do mundo, Stephen Strange sempre foi mega arrogante e não seguia o juramento de hipócrates como deveria. Sempre sendo arrogante e negando ajuda a quem não pudesse pagar seus preços exorbitantes, ele não era do tipo que ajudasse alguém senão ele mesmo. Ok, você já sabe isso… mas eu apenas resolvi frisar esta origem dele porque este é o primeiro juramento a que o título se refere. Outro juramento é o de cuidar do seu ajudante, companheiro e amigo Wong, que está padecendo de um câncer seríssimo e o bom doutor se vê frente a frente com um dos seus grandes medos. Basicamente, é isso. Se você vem sempre aqui sabe que eu não gosto de abrir nada sobre as histórias que eu comento, apenas comento sobre o que elas nos fazem sentir ( no caso, o que eu senti ) e esta história é muito legal, coerente e emocionante. Doutor EstranhoHistórias do Dr. Estranho são muito legais, eu sempre gostei e são raras as que não gostei. Como um estudante de muitas coisas, entre elas o tarô como forma de entender comportamento, filosofia e arquétipos, eu adoro a forma viajante como ele sempre foi retratado, as viagens visuais, toda os monstros, seres espirituais, deuses, demônios e etc… tudo oculto, tudo num mundo que todos os outros heróis da Marvel pouco poderiam ajudar, e ele se vê sozinho peitando isso tudo. O cara é muito F%*@ ! É uma delicia se enveredar por este campo tão vasto e misterioso, que permite aos roteiristas ir muito longe em suas criatividades e colocar seus ‘deliriuns tremis’ pra fora nas páginas. Entretando esta mini-série em especial não vai muito pra este lado, explorando algo mais ‘humano’ no doutor. Eu amaria ter mais viagens astrais e mundos loucos saídos de uma boa tragada de um baseado, mas como uma das primeiras HQ´s dele que eu leio mostrando esta humanidade, este lado mais físico, mais paupável, é bem interessante de se ler. Existe todo um emocional preso alí, ele demonstrando um pouco de sua antiga arrogancia em alguns momentos e seu fator mais humano aparecendo, gritante, em seu desespero para salvar Wong.
Doutor Estranho
Acho que tem um monte de referencias ótimas. Aliás, parece que de uns anos pra cá, a moda é colocar um monte de referencias nas entrelinhas das HQ´s, não é ? Sei não… acho que tudo em excesso não é bacana. Claro que a gente se diverte, mas a raridade da coisa é que torna ela especial e quando todo lugar tem isso, aquilo perde a magia. Lembram do Bochecha, o “Gurincrível” (ou Síndrome) em “Os Incríveis” ? Que queria dar super poder pra todo mundo, e quando todo mundo for super, ninguém mais será. É tipo isso… e o nome disso é saturação. Não sei vocês, mas as HQ´s mais recentes andam tão repetitivas, tão sem nada de novo, que infelizmente temos que procurar onde, entre os milhões de clichês repetidos a exaustão, está a essência de um autor. Mas dentre algumas idéias, eu gostei muito da arma do Hitler que pode passar pelas defesas do Mago Supremo. Também achei bem legal esta Enfermeira Noturna, que não conhecia e achei que tem uma personalidade bacana. E gostei dela mais ainda ao descobrir que o nome dela é Linda Carter. Uma homenagem muito especial para a nossa eterna Mulher Maravilha da DC.
Outra referencia que achei interessante é um monstro que aparece em determinada passagem que me lembrou muito o monstro de Watchmen.
Esta edição é escrita por Brian K. Vaughan, que cumpre muito bem o seu papel. Não larguei o livro até terminar e isso é muito bom. Soube me instigar, me deixar curioso, com diálogos inteligentes, dramáticos e sem excesso de frescura. Os desenhos são de Marcos Martín, que eu nunca ouvi falar antes, desenha bem, com bons ângulos, movimento e traços meio quadrados, retos, mas convincentes. Principalmente as expressões e olhares. Nisso ele é realmente muito bom e constante. Eu sempre prefiro traços mais orgânicos como os do John Byrne pra histórias de magia, mas o Marcos Martín me convenceu muito bem e eu recomendo sem medo.
 
 
Esta publicação figura no meu rol das boas histórias e se você gosta do Estranho, pode ler sem medo.
 
Abraços do Quadrinheiro Véio !

Quarteto Fantástico – O Fim

Olá amigos QuadrinheirosQuarteto Fantástico Fim

 
Falar sobre esta super equipe, a primeira da Marvel, é um prazer imensurável pra mim. Posso dizer sem medo algum que é a minha super equipe favorita desde criança. Principalmente porque eles não são uma equipe de guerreiros, mas sim de cientistas. De exploradores das maravilhas do universo e protagonistas de histórias lindas, ricas de uma imaginação enorme. Principalmente na fase de John Byrne… que saudades desta época…
E a mini-série Quarteto Fantástico – O Fim é como uma homenagem prestada a esta super família da Marvel, que merece mesmo o título de maravilhosa, ao meu ponto de vista. Nesta mini-série, Os Quatro Fantásticos ( hahaha… quem lembra ? ) são colocados em um ‘futuro alternativo‘, um tipo de ‘what if‘. E conta como seria um final para a equipe. Confesso que eu li morrendo de medo deles morrerem no final… hahahaha… (não, não vou dizer se isso acontece ), e posso dizer que é uma HQ que, pra mim como fã, despertou emoções bem interessantes, um saudosismo gostoso, nostalgia pura. Acho que foi mais o menos o mesmo sentimento de ler “O Velho Logan” ( leia resenha aqui ).
Pra mim, o Quarteto Fantástico é uma equipe deliciosamente audaciosa, curiosa e as encrencas estão sempre metidas nas pesquisas do Reed Richards, sempre incansável cientista. E não entendo até hoje como a Sue Storm aguenta ficar com ele, porque é impressionante a obsessão dele pela ciência. O Tocha Humana é o personagem mais light, mais bobo, mas muito importante pra dar o espirito jovem da equipe e o Coisa é, sem dúvida, meu personagem favorito. Lembro que quando eu era criança, eu queria crescer e ser inteligente como o Reed, já que sempre fui apaixonado por ciências. Mas o Coisa é o personagem mais empático da equipe… é o tiozão amigo, né… o coração mole em um corpo de pedra. O monstro, o solitário… e além de piloto, é o grande guarda-costas do Sr. Fantástico.
Esta edição traz um futuro, em que um Dr. Destino mais enlouquecido e mais máquina que homem mata os filhos de Reed e Sue em uma ‘última‘ luta contra a equipe. E o que acontece mesmo na narrativa, por volta de uns 50 anos a frente, é apresentada as consequências deste acontecimento para o Quarteto Fantástico e para toda a humanidade. O que é uma delicia é ter todos os personagens principais que já passaram em histórias da equipe, seja heróis ou vilões, juntos em uma mesma trama, mesmo que não interligada. É legal saber o que aconteceu com os vingadores, homem-aranha e alguns vilões. E teve uma ideia que eu achei muito maluca que é um soro que o Reed inventou que prolonga a vida de quem quiser ficar jovem pra sempre, que chamaram de Matusalem. ( hahahaha…) Este tipo de criação é típica do Quarteto, e é adorável ! Também não apresentam os filhos do Ben Grimm que agora vive em Marte ( Reed ajudou a colonizar todo o sistema solar ) com a esposa Alicia Masters, e pode controlar sua

transformação quando bem entende. E devido a todo o trauma da morte dos filhos, Reed e Sue vivem separados, embora ainda casados. É muito bacana ver os filhos de alguns personagens, o Dr. Estranho bem velho… Os filhos da Vespa com o Gigante brincando com o filho do Homem-Aranha… gente, tanta coisa criativa… até um Tony Stark que morreu e transferiu sua consciência para as armaduras está aí, pra gente ver. Não posso negar, eu gostei desta edição, embora não seja a melhor coisa que já lí, eu achei tão bacana que li inteira de uma vez só.

Argumento e roteiros são de Alan Davis, que eu ainda não conhecia, mas que

tem meu respeito após esta série. Acho que os argumentos e textos estão muito bons. Ele parece conhecer bem a essência da equipe, e deixa bem claro que embora sejam exploradores, serem uma família está em primeiro lugar. E acho isso lindo, embora possa parecer ‘piegas’, é a base emocional da equipe. Não se muda a essência, porque se mudar, deixa de ser o que são de verdade… aí, é outra equipe. Não é ? Cabe até uma ressalva aqui, que é o equilíbrio de importância dos 4 integrantes na história. Não teve personagem com pouca importância, todos eles tiveram um papel equilibrado e impactante para o caminhar da história. Já os desenhos são bons, não é algo digno de nota, nem pro bem e nem pro mal. É bom, conta uma boa história… há um equilíbrio legal entre quadros grandes e pequenos… alguns até de página inteira e com as expressões faciais bem convincentes. E só de ele manter o Coisa de sunga e descalço já tem o meu respeito, mesmo com a Sue de cabelos ‘joãozinho’, eu perdoo. hehehehe

O cara foi tão bem que ele trouxe desde Inumanos ( cara, eu adoro o Raio Negro, um personagem impar, sempre muito sub-utilizado na minha opinião… ) até o Aniquilador… sem esquecer Namor, Super Skrull, Vigia, Galactus e o Toupeira… que não poderia faltar de jeito nenhum, considerando que foi o primeiro vilão que enfrentaram. Pura nostalgia, mas com qualidade… mesmo com pouca participação, eram momentos que não foram aparição gratuita. Tudo encaixado no roteiro. Li em algum lugar do Facebook que alguém achou chata a história, arrastada e cansativa. Quando eu fui ler eu tive medo de ser algo assim, mas como gosto é algo individual, dei a sorte de gostar.
Acho que se você é fã mesmo da equipe azulzinha, deve ler esta mini sim. Mas se você não gosta do Quarteto, não fará diferença pra você. Como sempre digo, HQ tem que emocionar… e como um velho nostálgico, senti coisas deliciosas ao ler este encadernado.
 
Abraços do Quadrinheiro Véio !