Lanterna Verde – A Ira dos Lanternas Vermelhos

Lanterna Verde – A Ira dos Lanternas Vermelhos

Oi, Quadrinheiros.

Ira do Lanternas VemelhosPerdoem este longo período sem posts no blog. Estive concentrado no canal e por este motivo, dei um tempinho aqui. Mas agora vou retomar com tudo. E nada melhor pra retomar o blog do que com a continuação da Guerra dos Anéis do Lanterna Verde. Do encadernado “A Ira dos Lanternas Vermelhos“, que reune as edições de Green Lantern 26-28, 36-38 e Final Crisis: Rage of the Red Lanterns. Aqui no Brasil o encadernado foi lançado em setembro de 2015, mas originalmente nos EUA, a revista regular saiu em 2008.

Logo após os acontecimentos narrados na Guerra dos Anéis ( que você pode ler minha resenha da parte 1 aqui e a parte 2 aqui ), A Ira dos Lanternas Vermelhos começa imediatamente em seguida. Com Sinestro preso em Oa, aguardando julgamento, e Hal Jordan e os demais Lanternas Verdes retomando a rotina e arrumando toda a bagunça causada durante Guerra. Eu sempre gostei muito do Sinestro. Ele é um vilão simples, mas com uma mentalidade complexa. Aos olhos dele, ele não é um vilão. É apenas um policial melhor. Ele continua fiel à base de tudo que fundamenta os Lanternas Verdes, à única excessão de que ele acredita que o melhor modo de policiar e colocar as pessoas na linha seja através do medo. E baseado nisso, que se formou a tropa dos Lanternas Amarelos, ou Tropa Sinestro. Inicialmente, o korugariano abraçou o medo, mesmo sem sentir medo. Seu sinestrouniforme era azul ( que eu gosto mais, muito mais do que o amarelo ) e ele era sozinho. Não se tinha uma bateria central amarela, e nem se falava em tropa amarela. Sob o conceito de “espectro emocional” e baseado num número muito forte misticamente, o 7, foi desenvolvida uma “teoria”, de que as emoções são relacionadas a um espectro de cores, sendo o verde no meio, ou seja, o mais equilibrado, já que é a Força de Vontade que gera a energia verde, que os Guardiões canalizaram na Bateria Central de Oa. Já a Bateria Amarela se materializou no planeta oposto a Oa, em Qward, no universo de anti-matéria do Anti-Monitor. Como tudo lá seria oposto ao Multiverso positivo, naturalmente que o Medo seria a forma distorcida da Força de Vontade se manifestar. Enquanto a Força de Vontade se sobrepõe a qualquer sentimento, considerando que a pessoa que tem uma grande Força de Vontade é capaz de perceber suas emoções mas tomar decisões racionais sobre o que sente, e assim chegando ao resultado mais eficiente. O Amarelo faz justamente o contrário, já que retira o controle das mãos da pessoa e a torna suscetível ao seu instinto básico de sobrevivência e, desta forma, age “sem pensar muito“. Automaticamente ou Instintivamente. Mas isso tudo talvez você já saiba.

Ira dos Lanternas VermelhosNo livro A Ira dos Lanternas Vermelhos, temos a formação de uma tropa baseada em outra emoção, e esta na borda do espectro emocional: a Raiva. Curiosamente, a Raiva tem a cor vermelha, cor do sangue, cor do fogo, a cor de vibração mais baixa e por este motivo, é explicado que quando uma pessoa é dominada por um anel vermelho, ela perde o controle racional com mais facilidade, se deixando levar pela emoção da raiva em seu maior ponto de fúria cega: a Ira, chegando ao ponto de expelir uma labareda de napalm pela boca, literalmente, vomitando de raiva. Interessante notar que é a raiva e não o ódio. O ódio não é o mesmo que a raiva, já que o ódio ainda tem uma parcela racional envolvida, e a raiva é puro instinto animal. E no espectro emocional, que segue a formação do arco-iris, é possível perceber que os dois extremos são considerados os mais suscetíveis às suas respectivas emoções. De um lado a Raiva e do outro, o Amor. Mas aqui cabe uma ressalva muito importante. O amor é algo dentro do controle, a paixão, não. A paixão é instintiva, dominadora. Te tira do seu centro. É o amor irracional, nem de longe as Zamaronas, ou Lanternas rosas, deveriam dizer que dominam o amor, mas sim que são dominadas pela paixão. Esta é a grande ilusão das Safira-estrelas. Mas vamos tratar disso no post onde comento “Agente Laranja“, continuação direta deste livro.

Ira dos Lanternas VermelhosEsta tropa dos Lanternas Vermelhos nasce do ódio de Atrocitus, um sobrevivente de um massacre que aconteceu no sistema 666, no planeta Ysmault. Assim, com esta raiva canalizada, surge o primeiro anel vermelho e a bateria central, que passa a varrer o cosmo em busca de seres capazes de sentir grande ira. Os anéis surgem do sangue de inimigos odiados sacrificados. Macabro ? Pode crer… hehehehe

Blue_Lantern_Corps_03Ao mesmo tempo que somos apresentados aos Lanternas Vermelhos, também temos uma pequena introdução aos Lanternas Azuis, que personificam a Esperança. O fundador desta tropa é ninguém menos que Ganthet, o mesmo anão azul que foi o único sobrevivente dos Guardiões quando Hal Jordan, dominado por Parallax, matou todo mundo em Oa. E que deu o anel pro Kyle Rayner. Azul é a cor que está imediatamente ao lado da verde no espectro emocional, e embora sejam fortalecidas por um sentimento muito nobre e puro, tem seus poderes dependentes da proximidade de um Lanterna Verde. Acho isso bem interessante. Cada tropa tem a sua particularidade, forças e fraquezas. E eu, que costumo torcer o nariz pra 90% do que foi feito depois do ano 2000 nas HQ’s em geral, abri grandes sorrisos e senti emoções variadas ao ler esta edição. Ela introduz os Azuis e também uma “tropa de elite”, uma corregedoria dentro da Tropa dos Lanternas Verdes: Os Lanternas Alfas. Pois é… as vezes acho que a DC gosta de complicar… hehehehe… mas, ok. Ficou legal, mas é assustador. Os Lanternas Alfas são os Lanternas que mais sentiram-se injustiçados na vida e por isso, foram considerados os mais capazes de detectar injustiças. São a corregedoria dos Lanternas Verdes, e passam por uma cirurgia, onde seus corpos e mentes são fundidos a uma bateria energética, tornando-os meio como os antigos robôs dos Guardiões, conhecidos como “Os Caçadores Cósmicos“. E como ele, também tem o poder de drenar a energia dos anéis dos Lanternas, deixando-os indefesos e podendo leva-los para julgamento em OA se necessário. Na boa, são realmente assustadores. Como tem a sua emoção removida, um Lanterna Alfa fica basicamente uma máquina, e  mesmo ainda com a memória de quem foram, seus comportamentos se tornam frios, expressões frias em seus rostos. É algo que não tem como não sentir medo. Se um Lanterna deveria ser destemido, é curioso ver como os Alfa deixam todos receosos quando passam.

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E, pra completar, é autorizado o uso de força letal por toda a tropa, não apenas contra a Tropa Sinestro, mas contra qualquer ser vivo. E é por isso que os Alfas foram criados, como forma de julgar se o uso da força letal foi mesmo necessário, ou se foi uma atitude autoritária.

Eu achei muito interessante. É uma grande quebra de paradigmas que esta guerra dos anéis deflagou e que seguiu adiante com a apresentação das demais tropas, cores, emoções e conceitos. Todo o universo DC é afetado, não apenas as revistas do Lanterna Verde. Até mesmo porque é daí que vai chegar na “Noite mais Densa”, uma profecia antiga dos guardiões, e que culmina em mudanças absurdamente grandes no universo pré novos 52 da DC.

Geoff Johns é a cabeça por trás de toda esta saga. Que incrível. O roteirista vai bem em tudo, na previsão, na deixa de dicas escondidas, nos mistérios, nos diálogos. Eu costumo dizer que existem as Graphic Novels e as Sagas Regulares. Não podemos misturar as coisas. Uma coisa é Watchmen, 300, Cavaleiro das Trevas, Reino do amanhã… sagas fechadas, começo/meio/fim. Outra diferente são as revistas de linha, regulares. É muito difícil fazer algo assim, e Geoff Johns faz magnificamente algo muito difícil, que é criar algo coeso, cheio de informação, redundância e peso. Não ficando apenas na ação, mas partindo pra filosofias, conceitos emocionais psicológicos profundos, associação das cores, coisas mais míticas, com a vibração energética emocional. Este cara deve ter bebido um pouco do conhecimento hermético. Isso me deixa muito contente, já que acredito que a física quântica está cada vez mais abundante e chegando ao cidadão comum. Um conhecimento que vai, certamente, mudar a forma de ser das coisas aqui neste terceiro planetinha em torno do sol.

A arte é de Mike McKone, Shane Davis e do brasileiro Ivan Reis. Toda a arte é bonita, bem feita, e o movimento é bem pensado. Como parte tudo da mesma cabeça, os artistas seguem uma linha muito parecida, tendo que forçar pra perceber quando é um e quando é outro, mesmo pra olhos acostumados com traços diferentes como os deste “Véio” que vos escreve.

Bom, recomendo a leitura. Acho muito interessante e bem feita. Vale a pena ler toda a saga da Guerra dos Anéis do Lanterna Verde.

Abraços do Quadrinheiro Véio !

Lanterna Verde – A Guerra dos Anéis ( 2 de 2 )

Olá Quadrinheiros !

Depois de um longo e tenebroso inverno, apareci para comentar a segunda parte da Guerra dos Anéis dos Lanternas Verde. Eu poderia dizer que é o final da Guerra, mas não vou mentir… não é, estas guerras nunca terminam, né ? ( hehehe ).

Lanterna Verde - Guerra dos Anéis 2 de 2Continuando o post anterior ( que voce pode ler aqui ) após o encadernado 1 de 2 terminar em desespero, a gente começa o segundo com a preparação da guerra em si. Até então são pequenas batalhas, mas aqui temos toda a preparação para a verdadeira grande batalha, sendo que o começo já vem pegando fogo em Mogo, quando tudo depende de salvar o planeta que serve de guia para os anéis procurarem substitutos para os lanternas que morrem. Este é um fato que nunca havia sido contado antes, assim como em determinado momento da narrativa, quando os Guardiões liberam a diretriz dos anéis de não usar força letal. Este momento é ao mesmo tempo extasiante e desesperante. A gente fica feliz porque os verdinhos estão apanhando tanto nas batalhas que quando eles recebem o aviso de que podem usar força letal ficamos extasiados. E ao mesmo tempo bate um desespero, porque de repente eles precisam apelar pra conseguir vencer, coisa que ate então nunca haviam precisado. Sempre costumo dizer que quando um argumentista precisa apelar pra coisas assim, ele esta com sérios problemas criativos. Este é o meu ponto de vista, mas tenho que entender que estas coisas precisam se adaptar ao seu tempo, e nos tempos de hoje, as pessoas são mais imediatistas, elas utilizam qualquer recuso para ter resultados rápidos em suas vidas e querem tudo imediato, mesmo que isso ao longo prazo seja provisório. Como peguei a transição desta mudança social, ainda estranho muito, mas sabemos que a arte reflete o homem e não o contrario, e HQ’s, por pior que estejam nos dias de hoje, são um tipo de arte ( comercial, mas arte ). Guerra dos AnéisMesmo assim é estranho pra mim que super-heróis precisem matar. Não é novidade que heróis matem, mas é triste que mesmo na arte , que é algo que provem do mundo das ideias, isso precise se materializar desta forma. O mundo real já tem morte demais, porque o mundo das artes, nosso escape, nossa inspiração e entretenimento, precisava chegar ao ponto de ser tao realista ? Já não bastam os programas sensacionalistas que cavam sangue na televisão ? Muita gente pode dizer ” Cara, ninguém mata porque leu um Lanterna Verde matar, as pessoas sabem diferenciar o mundo real da fantasia“. Sim, sabem. Mas o inconsciente não sabe. E se ele começar a introspectar ideias violentas, isso significa uma sociedade mais superficial e com menos valor a vida, menos valor a fazer de tudo pelo certo. Justificativas como ” vitimas inocentes fazem parte da guerra” começam a e tornar regras e não mais exceção e aí, pra um mundo mais frio e individualista é um pulo. Mas, mais uma vez… pra mim, não é o mundo que reflete as HQ’s e sim o contrário. Se esta na arte, está no mundo. Mas, deixemos o debate politico de lado, falemos da historia.
CapaTambém nesta publicação vemos o lanterna Daxamita que se tornara o novo Ion, temos a nova Lanterna Korugariana, uma médica. Temos a introdução de personagens ótimos e o reaparecimento de outros muito bons, como um dos grandes vilões que assombraram minha infância, que é o Anti-Monitor e outro mais recente, que é o Superboy prime. Pena que o Anti-Monitor, outrora um dos maiores vilões do universo, aqui fica pequeno, frágil e apenas “mais um” no roteiro tao cheio de personagens. Mas podemos perceber como o Superboy é duro na queda, sensacionalmente poderoso e invencível. Um mérito dos roteiristas nesta historia também é o fato de conseguir dar um peso muito equivalente para vários personagens, sem ter um ou outro com maior destaque. Fica claro o conceito de coletividade, ja que a maioria deles tem a mesma importância e peso no contexto geral da guerra e ao final, também. Acho que isso também é reflexo dos tempos atuais, em que a internet equaliza as pessoas, com ninguém maior do que ninguém e isso é algo bem do momento, bem da era atual, esta equalização esta começando em todo o globo e as HQ’s que são vanguardistas refletem isso mesmo sem perceber. Acho isso formidável ! Adoro arte, mesmo que ela esteja tao comercial. Fico chateado de não ter lido esta saga durante as mensais, mas por outro lado, me livra de um monte de porcarias dos mix das revistas brasileiras. Não que nos anos 80-90 na haviam porcarias. Tinha sim… mas era pouco proporcionalmente e tinhamos poucas coisas pra ler. Hoje, tem tanta coisa…. eu conseguia comprar tudo, hoje… sem chance.
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Mas mesmo neste contexto todo uniforme, ainda sou fã do Hal Jordan… desde que eu leio, sempre foi e será o maior dos Lanternas Verdes. Maior ate do que o Alan Scott. Maior que toda a Tropa. Pra mim, claro. Todos os Lanternas da Terra estão ótimos. Até o mala do Gardner, que desde que o conheci consegue me deixar com raiva ( não a toa ele virou um dos vermelhos mais a frente ) e o sempre neutro John Stewart. O Kyle Rayner, que quando começou foi uma grata surpresa por ser um personagem ótimo, continua muito bem nesta HQ, com grande mudança pra ele. Parece que ainda não encontraram o lugar pra ele, mas ele é tão bom e bem construído que parece se encaixar em tudo. Muito legal isso. Sorte a nossa e a dele.
Os roteiros sao divididos por Dave Gibbons e Geoff Johns. Estes caras mandam muito bem em sagas grandes assim. E ja deixam as portas prontas para a continuação na saga “A Noite mais Densa” que acontece um pouco de tempo depois. Alias, será bacana quando sair um encadernado desta também. Os desenhos são básicos como na edição anterior. Eles não servem para aumentar a experiência, apenas funcionam muito bem, não te atrapalham e não incomodam, mas não são dignos de nota pra mim. Eles cumprem o papel, sabe assim ? Não são um caso a parte e só por não atrapalhar ja acho ótimo… é uma HQ de guerra. Acho que poderia ser mais emocionante, mais expressivo, mais sujo e sangrento, mas não é. É básico, mas como disse funciona. Entrega o prometido, sabe assim ? Sei que muita gente gosta muito do Ivan Reis, mas pra mim, ele não tem nada demais. Tem todo o mérito de ser um desenhista brasileiro nas grandes historias e sagas, mas… não tem um diferencial que mereça destaque. Meu ponto de vista, ok ?
Bom, como sempre falo demais, fujo um pouco do assunto e volto… vario muito, mas este é meu jeito.
Espero que goste e se voce curte uma boa batalha, leia estes dois encadernados. Valem a pena, valem seus preços e são uma boa historia regular. Não são dignas de serem graphic novels, mas como uma historia de linha, é de um nível muito, muito bom.
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Abraços do Quadrinheiro Véio !
Lanterna Verde Guerra dos Aneis

Lanterna Verde – A Guerra dos Anéis ( 1 de 2 )

Olá amigos Quadrinheiros.

Começo agradecendo ao apoio de vocês, é sempre muito bom saber que tenho bons amigos que gostam do mesmo que eu.

Lanterna Verde Guerra dos AnéisHoje comento sobre a famosa Guerra dos Anéis, que está em um encadernado em duas partes e pode ser encontrado nas bancas, pela Panini Books. Esta é a primeira parte e eu como sou um fã muito grande do Lanterna Verde Hal Jordan desde criança ( adoro a edição Superamigos 15, que tem uma capa sensacional ) eu não pude deixar de pegar pra ler, já que fiquei afastado das HQ´s nos últimos 15 anos e retomei este ano. Antes de eu ler eu estava morrendo de medo. Este lance de inventarem tropas de tudo que é cor me irritou muito. Acompanhei meio por cima, mas achei uma zona, e por isso eu estava bem resistente a pegar esta edição em particular pra ler. Só que eu gosto demais do Lanterna Verde e acabei cedendo. Ainda bem. Me surpreendi positivamente. Sensacional !

Pra quem não sabe, a saga ‘A Guerra dos Anéis‘, conta basicamente o surgimento da Tropa Sinestro, publicada originalmente em 2007. Mostra como Sinestro começou a juntar os mais perigosos vilões do universo, principalmente os que são capazes de instilar grande medo. Até o Batman foi ‘tentado’, mas como sabemos, a força de vontade dele é uma das mais absolutas do nosso planeta, né… hehehe… 

É durante esta saga que foi revelado que assim como o Parallax era a entidade do medo no universo, Ion é o nome da entidade da força de vontade. Isso acabou se tornando uma zona depois, quando expandiram pras outras cores. Voltando uns bons anos antes, se você se lembrar bem, após enlouquecerem o maior dos Lanternas Verdes, pra trazer ele de volta inventaram que Hal Jordan havia sido dominado por uma entidade que incorporava o medo de todo universo, e que a origem da fraqueza dos anéis verdes à cor amarela era pelo fato desta entidade estar sendo mantida presa dentro da bateria. Como podem ser tão criativos estes roteiristas, não ? rs… Bom, aí pra poder justificar a bela bagunça que fizeram com o Hal, disseram que ele estava possuído por esta entidade, de nome Parallax. ( Paralaxe é uma diferença na posição de um corpo devido a esse ser visto de duas posições diferentes. Ou seja, não tem nada a ver com uma entidade do medo, mas tem muito a ver com a mudança do Jordan, o que faz a gente perceber que a entidade foi idealizada bem depois do Hal ficar mauzão e matar uma porrada de gente… ).
Assim, conseguiram tirar a entidade que possuía o Hal Jordan e aprisionar ela nas ciencelas dos Guardiões. Na Guerra dos Anéis esta entidade é resgatada pela tropa Sinestro e é colocada dentro do Kyle Rayner, que fica com um visual irado, uma mescla do Hal Parallax com o uniforme original do Kyle. Interessante é que só neste momento ele fica sabendo que era hospedeiro da entidade da força de vontade. Muito criativo, muito louco e embora revolucionário deu uma super agitada no universo da policia verdinha e ainda lançou um monte de personagens novos, e alguns não tão novos foram trazidos de volta, como o Super-ciborgue, o Superboy Prime e um dos vilões que mais me impressionaram na infância: O Anti-monitor ! É uma delicia ter este cara de volta, mal posso esperar pra ler a continuação ! ( Já li, pode ler o artigo aqui )
Como sempre faço questão de mencionar, uma das coisas mais importantes em uma HQ não é somente a história, ou a base, mas sim como ela é contada. E toda história precisa emocionar. Esta faz isso muito bem. É uma história sobre medo, e a gente fica desesperado a edição toda, já que os verdinhos apanham feio, são mortos feito moscas e alguns tabus milenares são quebrados. Pensa que legal, a base de poder dos vilões é o medo e você sente isso o tempo todo ao ler o livro. Inclusive ao perceber o medo que os próprios Guardiões transmitem… e pra variar, como em todas as histórias dos LV, eles estão sempre enganados. Não entendo como conseguiram ser os Guardiões. Aliás, tem um momento que o Hal os define direitinho: Eles nunca voaram, mas querem comandar como os pilotos devem voar… bem inteligente. Fora os diálogos entre Guy Gardner, Hal e John Stuart, sobre coisas das épocas anteriores… para deleite dos velhinhos como eu. E tem uma parte adorável, embora seja apelativa e seja exatamente o que os amarelos querem: Os guardiões tiram a limitação de usar ‘força letal’ com os anéis. Ou seja, agora eles podem matar. Acho que não perceberam o quanto isso, embora aparente necessário, os torna tão ‘maus’ quanto os inimigos que eles querem derrotar.
Parabéns ao Geoff Johns e ao Dave Gibbons pela condução de uma história que nenhum fã da Tropa pode reclamar. E olha que sou um saudosista do uniforme azul clássico do Sinestro. Tem 4 desenhistas assinando este livro, entre eles o brasileiro Ivan Reis. A semelhança dos traços é tão grande que a gente nem percebe que mudou de desenhista. A HQ é muito bem desenhada, com destaque para as páginas inteiras e duplas que dão uma dimensão enorme do problema que a galerinha do anel verde vai enfrentar. Arrisco-me a dizer que esta saga é um grande clássico e que lamento muito terem inventado este lance de várias tropas após o sucesso desta saga. Podiam ficar só nestas duas e pronto. Mas como o que manda é o dinheiro, a editora precisa ficar inovando sempre. E como sempre acabo dizendo por aqui, deixei de ser o publico alvo das editoras de heróis a alguns anos, porque não é possível que novos 52 possa ser considerado algo bom por qualquer leitor dos anos 80/90, que tenha vivido esta época e não apenas lido depois. Aliás, digo pra vocês uma coisa com convicção: Ler na época de lançamento é essencial para sentir tudo o que a HQ propõe. Teve um post que vi recentemente de uma pessoa que leu Guerras Secretas da Marvel ( meu artigo aqui ) a poucos dias e que não achou nada demais. E ele tem razão, só tendo lido naquela época pra entender e sentir de verdade. Se você não souber se deslocar praquela época, infelizmente não conseguirá sentir nem esta e nem várias outras HQ´s poderosas dos anos 80. ( Claro que tem edições atemporais que podemos ler hoje e ver como são fodas… são as excessões que confirmam a regra, mas são poucas. )
Lanterna Verde Guerra dos Anéis
E se me permitirem uma dica, prestem atenção em toda simbologia presente neste livro. Não falo dos símbolos do peito dos personagens, mas dos símbolos das cores, dos rótulos, dos posicionamentos de cada um, de suas motivações. É muito legal e bem pensado. HQ é sobre simbolo. Sem isso, não temos como nos identificar e nos inspirar com o que nos é apresentado, com nos aventurarmos fora do corpo, como se estivéssemos escondidos atrás de uma pedra no meio de uma batalha.
Recomendo a leitura, principalmente se você é fã do Lanterna Verde.
Mal posso esperar pela segunda parte !
Abraços do Quadrinheiro Véio !
 
Lanterna Verde Guerra dos Anéis

 

Lanterna Verde Guerra dos Anéis
 
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