A Saga de Thanos | vol.1

A Saga de Thanos

Olá Quadrinheiro.

Com o “fechamento” do MCU com o filme Vingadores Ultimato, acredito que muita gente tenha ficado ainda mais curiosa sobre o “tal” Thanos. Afinal, que vilão é este ? Temos acesso a ele primeiro durante sua ascensão e glória em Vingadores Guerra Infinita ( referência direta à saga homônima nos quadrinhos, mas que pouco te a ver com a versão cinematográfica ), e depois vemos sua queda e derrota em Avengers Endgame. Aliás, tem vídeo pacas sobre isso no canal.

Depois de alguns lançamentos, inclusive um BOX contendo 3 edições de luxo – CRUZADA INFINITA – GUERRA INFINITA – DESAFIO INFINITO, chega aos leitores A SAGA DE THANOS – Volume 1, com o surgimento das primeiras histórias do Titã bem antes dele encontrar as jóias da alma, que depois ele viria a rebatizar como Jóias do Infinito.

“Him”

Este primeiro volume se destaca ainda mais porque ele realmente te prepara, te traz edições clássicas dos anos 70, em que o Quarteto Fantástico encontra com a Coméia enquanto esta cria o “Ser Supremo” e precisa da ajuda de Alícia Masters, namorada do Coisa, para conseguir chegar perto “dele”, já que ele brilhava muito e poderia cegar um humano comum. A SAGA DE THANOS reune a sequencia correta de leitura, partindo de Fantastic Four 66-67, Thor 165-166, Marvel Premiere 1-2, a mini-série Warlock 1-8, Incredible Hulk 176-178, Iron Man 55 e Captain Marvel 25-27. Fala sério, é muita coisa boa junta !

Eu gosto deste momento, quando grandes personagens nascem e tem complexidade filosófica e teológica complexa. Traz aprendizado e reflexão. Hoje em dia, pouco do que leio me faz pensar como os quadrinhos me faziam nesta época. Atribuo grande parte do meu “eu” questionador e pensante, curioso e estudioso, ao que os quadrinhos me apresentaram. Em sua maioria no que foi publicado durante os anos 70 e 80. Tudo era assim ? Não. Mas a essência da maioria continha um nível de profundidade fascinante. Sou grato a isso.

Adam Warlock surge nestas páginas desde sua concepção. Seu momento de chegada à terra após encontro do o Alto Evolucionário que foi quem deu a ele sua jóia esmeralda, ainda não conhecida como jóia da alma, e que viria a ser a primeira jóia do infinito conquistada por Thanos anos depois ao vencer o Intermediário em um estratagema digno de um trapaceiro de primeira, nos domínios do Lorde Caos e Mestre Ordem. Ao receber a pedra, Adam tem acesso ao seu verdadeiro “EU”. E ao vir pra Terra sem memória recebe o nome de Adam Warlock.

Se conhece a Marvel apenas nos cinemas e se questiona “Como este tal Warlock pode ser tão importante nas HQ’s de Thanos e não aparecer nos filmes?“, saiba que ele foi citado em dois momentos. Uma delas em Thor 2 e em Guardiões da Galáxia 2. Mas apenas seu casulo na cena pós-créditos. Aliás e inclusive, ele é nomeado como Adam por Ayesha, líder dos Soberanos como o “ser” que ela está criando para derrotar os Guardiões. Isso deixou os fãs de Thanos das HQ’s apreensivos porque na saga original das jóias do infinito ele tem papel central. Muito acima dos Vingadores. Aliás, ele apenas usa os Vingadores.

E no cinema, o foco foi na turma do Tony Stark. Não haveria espaço para um personagem tão forte. A adaptação dos cinemas é linda e eu adoro. Mas é apenas baseada em fatos dos quadrinhos, sendo muito, muito diferente do original. E não vejo problema algum nisso. Quem sabe ele surge como inimigo em Guardiões 3, ou em algum novo filme do MCU na fase 4 ? Eu sei que eu quero !

A SAGA DE THANOS volume 1 traz muito mais do que apenas a primeira aparição do personagem em Iron Man #55 em fevereiro de 1973, mas o que antecedeu seu surgimento, o nascimento de Drax, e o começo da personalidade do vilão. Em seguida, ele retorna nas páginas de Captain Marvel de maio de 1973, já mais próximo do que iremos conhecer. Este primeiro volume serve pra apresentar o personagem. Ele apresenta Adam Warlock, contextualiza ambos e no volume 2, parte para a primeira grande saga do Titã roxo.

Lee, Thomas, Starlin

Temos o destaque da criação de Thanos nas mãos de Jim Starlin que na época escrevia e desenhava o Homem de Ferro. Mas esta edição encadernada A SAGA DE THANOS marca mais por ter muitas histórias de Stan Lee com Jack Kirby. Principalmente a criação de Adam Warlock. Seu começo em Fantastic Four #66, ainda como “ELE” e depois em Marvel Premiere #1, como Adam Warlock. Esta já nas mãos de Roy Thomas que desenvolveu o personagem até Jim Starlin colocar Thanos no meio e partir pro que viria a ser as Sagas do Infinito. 

 A Saga de Thanos vol 1 reune muitas revistas e por isso, diversos desenhistas. Além de Kirby e Starlin, encontre Gil Kane, Sal Buscema, Tom Sutton, Bob Brown e Herb Trimpe ( ele mesmo, o primeiro a desenhar o Wolverine em Hulk #180, duas edições depois ). É uma coleção de traços típicos dos anos 70, com riqueza narrativa com muitos textos e pensamentos. E além de Lee, Thomas e Starlin, também roteirizam Mike Friedrich, Ron Goulart, Gerry Conway e Tony Isabella.

Ao final da edição, uma pequena ficha biográfica de cada um deles fecha o volume de 448 páginas que a Editora Panini trouxe. E se você estiver interessado, encontre na Loja Panini ( aqui ).

Se recomendo ?

Sim, recomendo demais A SAGA DE THANOS. Mesmo que eu já tenha lido alguma destas histórias que saíram pela Abril, tê-las reunidas desta forma, com qualidade e carinho e com um preço que eu realmente acho que compensa, faz valer o investimento. Acho que um fã de quadrinhos, mesmo os que vieram por causa do cinema, merecem se dar um presente destes. Qualidade de uma época de ouro, de imaginação fértil e ainda pré-comercial. Ainda sendo direcionada pelos criativos e não pela contabilidade da editora.

Abraços do Quadrinheiro Véio !

Obrigado, Stan Lee

Stan Lee morreu.

Então… não sei bem como começar a escrever sobre o significado de Stan Lee pra um leitor das antigas. Está cheio de site noticiando sua morte, e acho que neles você vai saber mais sobre o que houve e sobre a carreira dele. Se quiser conhecer mais sobre o criador da Marvel, Homem-Aranha e cia, aqui não é o lugar.

Como todos os posts deste blog, este também é um post pessoal, emocional e de opinião. Stan Lee esta na minha vida desde sempre. Desde que comecei a ler. Desde meu primeiro gibizinho, desde os primeiros Homem-Aranha da Editora Abril. Nos idos dos anos 80, era o único nome que eu sabia e conhecia. E reconhecia. Era sempre apontado e lembrado como o criador dos principais personagens da Marvel, inclusive da própria Marvel.

E ele parecia tão bem sempre que aparecia que esta noticia pegou de surpresa. Estou escrevendo isso aqui ainda sem realmente ter “caído a ficha” dentro de mim. É um vazio enorme, uma referência e uma segurança. Mesmo que ele não tenha feito quase nada nos anos mais recentes, ele é um símbolo. Era um resquício de uma época onde a criatividade era diferente, rara de se chegar às pessoas. Época onde a qualidade realmente era necessária pra que algo durasse. Época do pensar, do desafio criativo, da abertura sobre o inusitado. Onde o absurdo povoava nossas imaginações. Época em que uma aranha radiativa poderia tornar um adolescente num herói. Onde a bomba gama não matou, mas criou um herói conturbado. Época em que uma família ousou singrar o espaço e em troca, mutou e salvou o planeta incontáveis vezes. Salvou o mundo. Meu mundo.

E no cerne de todos estes, era ele quem estava lá. O deus Marvel. Criou tantas vidas no papel, mudou e enfeitou tantas vidas de carne, inspirou tantos corações e incentivou tantas mentes que não é algo plausível que ele tenha embarcado nesta nave sem volta, partindo do mundo Terra, rumo ao mundo eterno. Stan Lee não morreu, nunca morrerá. Stan Lee tornou-se imortal do único jeito que importa.

Ele chegou, criou, mudou tudo, e seguiu em frente.

Nas palavras de uma amiga: ” Esses grandes nomes de artistas e criadores, pensadores, realizadores que estão partindo deixam a impressão que fica um vazio – parece que não temos grandes nomes para substituí-los – como se hoje em dia tudo seja muito rápido, tênue e efêmero, não permanecendo ao ponto de marcar gerações.”.

Stan Lee ainda marcará muitas gerações.

Duro é que ele não foi pra jóia da alma. Mas da alma de quem conheceu seu trabalho, ele nunca sairá.

Obrigado, Stan Lee.

Abraços do Quadrinheiro Véio.

EXCELSIOR !

Marvel Origens – A Década de 1960

Origens Marvel – A Década de 1960.

Olá Quadrinheiro,

decada-de-60-09233067d7a5151e9c22923f64560751-480-0O post de hoje é sobre um dos volumes da Coleção Oficial de Graphic Novels da Salvat, e justamente a edição Clássicos I, que em sua composição reune com qualidade 10 origens dos personagens Marvel que surgiram nos anos 60. Vale ressaltar a qualidade das publicações. Eu realmente ainda me surpreendo com os dias atuais, em que edições com este nível chega em nossas casas.

Em minha infância a gente acompanhava as edições naquele tamanho pequeno, o conhecido “formatinho“, que todo mundo fala mal. Mas quem cresceu lendo as “revistinhas” da Ebal e Abril tem muita gratidão por ter tido acesso, mesmo com papel esquisito e algumas mudanças do enquadramento. Afinal, quando a gente é criança, o que vale é a história. Adulto chato é que fica preocupado com o papel, no final das contas é a viagem proporcionada o que realmente conta.

022d79fecfb6face6624d58df5b9a972Cabe até um adendo: As histórias pré anos 90 tinham mais texto, mais narrativa. Os anos 90 foram uma grande transição, onde os quadrinhos começaram a ter o foco principal pra parte visual. Não é a toa que cada quadrinho parecia um pôster e os roteiros foram muito sofríveis. Talvez por isso que a qualidade do papel e da revista em geral, formato maior e como o original tenha precisado ir pra patamares melhores. Acho que agora estamos começando a chegar em um equilíbrio.

Mas retomando o assunto do post, este encadernado tem as origens de: Quarteto Fantástico (Fantastic Four 1), Homem-Aranha (Amazing Fantasy 15), Hulk (Incredible Hulk 1), Demolidor (Daredevil 1), Homem de Ferro (Tales of Suspense 39), X-Men (Uncanny X-Men 1), Vingadores (Avengers 1), Capitão América na era moderna (Avengers 4), Homem-Formiga (Tales to Astonishing 27) e Vespa (Tales to Astonishing 44).

Tudo se resume à emoção.

rsz_untitled-8000000-620x915Não tem sentido algum eu falar pra você sobre cada uma das edições que compõe o livro. Provavelmente você já leu ou já conhece o que está nestas histórias. Afinal, se você está aqui neste blog, é fã de quadrinhos como eu, ou até mais fã. Mas vou compartilhar um pouco do sentimento. O sentimento de ler isso tudo ( no meu caso, reler ).

Histórias em quadrinhos fazem parte de toda a minha vida. Ganhei minha primeira HQ aos 6 anos, e eu já lia fluentemente. Eu praticamente não sei o que é a vida sem HQ’s. Quando eu tive acesso as histórias desta edição, um bom tempo depois, e claro, não ao mesmo tempo, era em algum extra em alguma revista. Era muito raro ter re-publicações, não havia internet, o acesso era muito limitado.

As redes sociais eram a escola ou os amigos dos parentes. Era muita sorte conhecer alguém que tivesse alguma revista que você queria ler, e mais sorte ainda se esta pessoa emprestasse pra você. A gente tinha que ficar esperto nas sessões de cartas, onde os editores respondiam as duvidas e curiosidades dos leitores. Ou quando alguma origem era recontada ou referenciada em alguma outra história. Sinta-se privilegiado por poder ler isso com tanta facilidade nos dias de hoje. Aliás, hoje em dia o problema é outro. Se nos anos 80 nosso problema era a falta de acesso, hoje em dia não temos todo o tempo que precisamos pra ler tudo o que chega facilmente as nossas mãos.

Uma época emergente

antmanwithantsA inocência e o sensacionalismo imperam nestes quadrinhos. O que era tido como o “supra sumo“, ou “excelsior” nos anos 60/70 era o quanto era grandioso imaginar aqueles seres e aqueles poderes. Stan Lee não poupa frases de efeito, como: “Metade homem, metade monstro, o poderoso Hulk emerge da noite para ocupar seu lugar entre os mais estupendos personagens de todos os tempos!“. Era uma época de novidades. Os personagens sensacionais existiam em livros clássicos. Monstros sensacionais como o Monstro de Frankenstein, Drácula, Lobisomem, Múmia, Zumbis, etc… povoavam as mentes.

AF15P07Mesmo a DC Comics tendo vindo antes, não preenchia uma lacuna que espertamente o visionário Stan Lee percebeu e preencheu. Inspirado no Dr. Jekyll / Mr. Hyde de o Médico o Monstro, aparecia o Hulk. O super-soldado americano que se sacrificou na guerra reaparece congelado. A ciência e a radiatividade trazendo grandes avanços e inseguranças, principalmente com a bomba atômica e a radiatividade inspirando a criação dos 4 Fantásticos, do Demolidor, do Cabeça de Teia e até do próprio Hulk. Os avanços da medicina criando o casal da Formiga e da Vespa. A tecnologia avançada de uma super-armadura no Invencível Homem de Ferro ao mesmo tempo que uma inspiração para trazer a tona a percepção do preconceito racial foi a tônica principal para a criação dos mutantes X-Men.

Toda inspiração de Stan Lee, veio de sua percepção de gerar de alguma forma, uma identificação entre os personagens e seus leitores. Suportado completamente pelos fatos mais atuais da época, em que as pessoas tinha acesso apenas pelos jornais e da recém criada televisão, que poucos tinham acesso, este gênio saiu criando ( ou re-criando ) muitos e muitos seres incríveis e inspiradores.

O traço de Jack Kirby, Steve Ditko e companhia é uma delicia de ver. São os pais do movimento, da fluidez. O pensamento não era sobre a beleza, mas em contar a história. Hoje em dia eu percebo que os desenhistas praticamente fazer uma capa por quadro… é muita pose e pouco movimento. Bem diferente do original. Não acho que algo seja ruim, é apenas diferente.

Apenas por um segundo.

tumblr_nnj5em2eaT1qc8b0ao6_1280Meu convite a você, amigo que acompanha este blog, não é na história pela história. Mas a um exercício de transporte da sua mente. Faça uma pequena dinâmica, se imagine sendo um jovem leitor de “comics” nos Estados Unidos dos anos 60. Localize-se temporalmente. Transporte-se pra lá. Imagine como seria ler uma revista em quadrinhos como estas, quando os Westerns e Contos de Terror dominavam as bancas, e uma nova área se expandiu.

A DC Comics estava recentemente retornando de seu hiato temporal, iniciando sua conhecida era de prata dos quadrinhos. Renovando os clássicos Super-Homem, Flash, Mulher Maravilha, Batman, Lanterna Verde e criando novos heróis. Cada vez mais e mais inspiradores e incrivelmente superiores aos outros mortais do planeta. Enquanto a Marvel chegava com heróis adolescentes, onde a identificação imperava. Inspiração e identificação. Esta é pra mim a principal diferença entre Marvel e DC. E, por favor, você não precisa escolher uma.

À você é dada a dádiva de ler e curtir ambas. Que grande época pra se gostar de Super-heróis. Quanto entretenimento temos, não é ? Como pode ver, uma longa caminhada aconteceu entre o surgimento dos personagens, seu amadurecimento, até chegar aos cinemas do mundo todo. Se tornaram conhecidos, reconhecidos e amados por pessoas de todo o globo. Sempre somos e seremos carentes de salvadores, seja alguém que nos inspire a sermos melhores, seja pra nos fazer perceber que já somos.

Esta edição não traz a origem do Thor e do Doutor Estranho, me parece que ela virá em outra edição da mesma coleção. Segue a galeria de capas ao final deste texto.

Saudosamente me despeço.

Grande abraço do Quadrinheiro Véio !

PS: Conhece o Canal do YouTube ? Passa lá: www.youtube.com/oquadrinheiroveio

Origens Marvel

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Liga da Justiça de Stan Lee

Liga da Justiça de Stan Lee

Olá Quadrinheiro.

Liga da Justiça de Stan LeeEu estava pensando aqui em qual seria a revista que eu iria comentar e olhando na estante encontrei uma que eu havia lido a um bom tempo, que foi a Liga da Justiça de Stan Lee, dentro da linha Just ImagineCuriosamente eu não me lembrava muito bem como era a história. Na verdade, não me lembrava nada, e tive que dar uma rápida lida novamente para poder comentar aqui no blog e qual não foi a minha surpresa ao perceber que a medida que eu lia, eu ia lembrando uma coisa ou outra e a lembrança principal que me veio foi: “Cara, que história horrível !“.

Pois é, acho que é por isso que eu não me lembrava nada desta história. É rasa, boba, vazia, oca e todos os outros adjetivos que denotam algo que não preenche absolutamente nada. Acho que é uma defesa da mente, não permitir que se lembre de uma história ruim e não ficar se sentindo culpado com a perda de tempo que foi parar para ler, e agora reler, esta HQ. Pensando bem, seria mais inteligente lembrar que era ruim pra prevenir este momento de releitura e perda de tempo dupla. Enfim…

Liga da Justiça de Stan LeeLiga da Justiça de Stan Lee é uma história em que o mito criador da Marvel faz uma origem própria para a liga da DC. Aliás, houve uma série na época que esta foi lançada, com vários personagens sendo “re-imaginados” por ele. E, não sei qual foi a percepção de quem leu estas pérolas, mas é difícil imaginar que foi o mesmo Stan Lee que criou Homem-Aranha e cia. Aliás, ele não apenas re-imaginou a formação da Liga, mas também os heróis que a compõe. Preservou-se apenas seus nomes e identidades secretas. Suas cidades de atuação também se mantém, mas somente isso. Pra vocês terem uma idéia, o Super-homem é loiro, seu planeta natal não explodiu e está loiro. A Lois Lane é sua empresária e o herói só se preocupa com publicidade. O Flash é uma menina adolescente que fala pra caramba, a Mulher Maravilha recebe seus poderes de um bracelete místico e usa uma lança e um estudo de energia. Numa viagem muito louca, o líder da equipe é o Lanterna Verde, que recebe seus poderes de Yggdrasil, que aparentemente é o espirito da Terra. Curiosamente, não segui a mitologia Grega, que seria Gaia, mas sim a Nórdica, mesmo sem ter nenhum personagem da liga com alguma ligação com esta mitologia. Acho que ele fez homenagem a ele mesmo, já que o Thor é nórdico. Os poderes do Lanterna Verde vem desta magia e embora ele aparentemente seja muito, muito poderoso, ele fica a historia inteira “fraco“. O quinto herói a formar a Liga é o Batman, que é um Bruce Wayne negro, com um visual muito mais morcego do que o Batman que a gente conhece. Inclusive a capa dele são asas de morcego e o capacete é uma cabeça de morcego. Suas habilidades são as mesmas. Aliás, só a Mulher Maravilha que tem poderes diferentes e é bem insegura. Ela se transforma mesmo com o bracelete, mudando roupa e cabelo. O poder dela vem mesmo de magia, e não fica claro se tem algo com as Amazonas. Os heróis se reuniram para enfrentar uma ameaça até poderosa e bem interessante, que é a Patrulha do Destino. Eles são salvos de última hora de serem executados pela justiça e recebem poderes do grande vilão da história, o Reverendo Darrk, pai do menino Adam Strange, que está sendo perseguido pelos vilões recém empoderados. Não vou falar mais caso você queira ler esta bomba, tem uma viradinha curiosa no final.

Liga da Justiça de Stan LeeO argumento é fraco, eu acho que Stan Lee deve ter feito algo que meio a “toque de caixa“, como que no esquema de “camaradagem”, pois é pior do que as primeiras dele nos anos 60. Aliás, cabe aqui uma coisa importante. Eu GOSTO muito das primeiras histórias do Stan Lee pra Marvel. Mesmo respeitando a época que foi criado, as mentes da época e a forma de ver as coisas, eram boas histórias. Mas esta da Liga é realmente ruim, rasa.. a impressão que eu tenho é que ele fez por fazer. Não aprofundou nada. Não deu alma pra historia e os personagens são fracos. A história não se amarra, não convence, sabe ? Sei que cada herói teve sua edição própria e eu não li todas. Mas o que li era fraco também. Judiação… Lembro de me sentir enganado na época, porque era Stan Lee escrevendo e a expectativa estava bem alta. Mas, o bom velhinho das HQ’s está perdoado para todo sempre. Ele criou o meu predileto, então ok !

Liga da Justiça de Stan LeeO desenho é de Jerry Ordway e é bem competente, bem anos 90. É bem o traço dele mesmo. Levando em conta que a HQ foi publicada em 2002 aqui no Brasil, ainda pela Abril, e que hoje é fácil encontrar encalhada em qualquer sebo online ou offline. Aliás, eu diria que esta recriação é mais legal pelo visual dos personagens do que pela história. Gostei muito do visual do Lanterna Verde, Reverendo Darrk e da Mulher Maravilha. Ordway sabe dar movimento e drama aos personagens. Tenho a impressão que ele deve ter lido a história e pensado assim ” Preciso fazer isso ficar melhor, porque a história é fraca” e se esforçou para dar um visual bom pros heróis.

Como não é uma história tão boa, não vejo muito o que falar. Respeito muito seu tempo e não vou me estender mais. Se estiver com tempo e quiser ler por “valor histórico“, já que é escrita por Stan Lee, leia. Mas sem pretensão de ler algo “grande“.

Abraços do Quadrinheiro Véio !