A História de Joe Shuster – Resenha

A História de Joe Shuster – O Artista por trás do Superman

Olá, Quadrinheiro.

Terminei uma leitura aqui que me deixou triste, feliz, assustado e maravilhado ao mesmo tempo. Um pequeno sentimento de revolta talvez, unido ao pensamento de que a sociedade está anos e anos distante do equilíbrio ideal. Equilíbrio este que pode nunca chegar, é verdade.

Mas o livro A História de Joe Shuster, de Julian Voloj e Thomas Campi chegou a mim por intermédio da minha amiga de game online, Fabiana Ferreira. Ela havia comprado, me comentou muito bem do livro e eu já estava bem curioso. Me emprestou, demorei pra ler, e ao ler, me surpreendi. Uma biografia em quadrinhos, exatamente como um mestre das HQ’s merece. 

História por trás da história dos Quadrinhos.

Sabe aquele segredos sombrios, sussurrados entre as pessoas quando ninguém pode afirmar ou confirmar nada ? Aquelas frases soltas, que sempre fui buscado não tocar no assunto nas rodas, com medo de represálias, ou mesmo, medo de ser realmente verdade ? Este livro traz isso pra gente. Saber como foi a história da criação de um dos maiores ícones de todos os tempos, é uma aventura digna. E pede coração forte. Ao menos, a meu ver.

Este livro conta a história de Shuster desde antes de nascer. Mostra sua origem super humilde, um judeu nascido no Canadá, de pai proveniente dos Paises Baixos e mãe Russa. Temos uma sequencia contada em primeira pessoa pelo próprio Shuster, baseada em histórias contadas por familiares, conhecidos, documentos e cartas. O mais bacana é que não parece apenas uma biografia do Shuster, mas como ele conheceu Jerry Siegel ainda na adolescência, boa parte do livro contempla a época em que ambos estavam juntos e eram amigos.

A vida não era simples pra eles. Tiveras seus problemas como qualquer pessoa e o surpreendente é o velho Shuster ter uma vida tão dura, chegando ao ponto de morar na rua, sendo criador de um personagem tão importante. O que fica muito claro segundo a biografia, é que os amigos Jerry e Joe não apenas criaram o primeiro e maior herói de todos os tempos, mas todo um gênero de quadrinhos, que depois viria a se tornar um gênero tão rentável em outras mídias, como cinemas, séries, livros e etc. Coisa que você provavelmente já notou.

Venderam o Superman por 130 dolares. Não perceberam isso de cara, que venderam os direitos vitalícios do personagem, e claro que a editora que comprou iria tirar proveito legal disso. Depois de muitos anos, conseguiram um bom acordo, mas ainda assim, uma vida injusta. Aliás, isso só prova mais uma vez o quanto as leis não são sempre justas. O que é certo continua certo mesmo que ninguém faça. O errado continua errado mesmo que todo mundo esteja fazendo. Demorou, mas a justiça prevaleceu sobre a lei. Injusto demais que criadores de algo tão lucrativo passassem as dificuldades que passaram.

Enfim…

Julian Voloj fez uma boa pesquisa e foi bem responsável ao escrever a história. Sensato, soube dar uma velocidade e profundidades nos momentos certos. O desenhista Thomas Campi tem um estilo artístico muito bonito, pintura diferenciada, leve, quase uma brisa. Expressões bem feitas, quadros e referências, cores… tudo equilibrado e contando uma boa história como se deve. Italiano, mora na Austrália, tem alguns prêmios na mochila. 

Complementando a história, e talvez historicamente a parte mais importante do livro, tem as notas dos editores nas páginas finais do livro. É legal demais saber de onde vieram algumas informações narradas na história, copias dos originais de alguns documentos, datas, e etc… eu adoro este tipo de coisa.

Acho que todo fã de quadrinhos, principalmente HQ’s de heróis, deveria conhecer a origem do gênero que ama. Entender que nem tudo são flores e que bastidores costumam ser sujos e cheios de suor, lágrimas e gritos. Leia este livro. É da editora Aleph, que sempre nos presenteia com ótimos livros de ficção.

Depois passa no canal, que vai ter vídeo por lá também.

Abraços do Quadrinheiro Véio !

 

 

Os Melhores do Mundo – Batman e Superman

Os Melhores do Mundo – Batman e Superman por Dave Gibbons e Steve Rude

Olá Quadrinheiro.

Melhores do MundoLembro me bem de quando eu li Os Melhores do Mundo na época que saiu aqui no Brasil em 1991. Comprei as edições nas bancas principalmente pela capa diferenciada. Mas nem imaginava o que teria ali dentro. Ainda era uma fase que eu era mais “cru” em quadrinhos, mesmo acompanhando a tantos anos. O melhor de tudo: Eu ainda tinha aquele “brilho no olhar” ao acompanhar os heróis. 

Em meio a super inflação, a mini-série basicamente aumentava de preço todo mês e as moedinhas de troco que meu pai me dava, mal dava para as revistas do mês. Mas esta era especial, formato maior, arte de capa com aparência aquarelada… era algo que empolgava o adolescente que eu era. 

E o bacana é que ainda não era comum tantos crossovers. Isso de juntar em uma mesma história dois personagens de cidades diferentes não era comum, então a gente queria ver o que acontecia. Haviam as histórias da Liga, mas era como se fosse um personagem a parte. Encontro do Batman com o Superman não era tão comum como hoje.

Aliás, rara é a história que não tem a participação de algum personagem de fora nos dias de hoje. Até porque hoje se questiona mais algumas coisas. Por exemplo: Como assim cai um meteoro na terra, numa história do Super-Homem e os outros heróis, como o Lanterna Verde não vieram verificar? A gente não questionava isso na época. Hoje, isso não passaria batido.

World’s Finest

Publicada originalmente em junho de 1990 numa mini-séria, esta história soa como uma homenagem à era de bronze apenas a poucos anos do começo da era contemporânea, marcada por Crise nas Infinitas Terras. Embora seja o começo dos anos 90, ainda soava muito mais como os 80. O Batman ainda caminhava pra se tornar o personagem dark que é hoje e o Super-homem apenas começava a ganhar sua alcunha de “símbolo da esperança“. Foi mais ou menos nesta época que esta divisão começou. Até então, eram apenas histórias. Tudo podia. Depois, aos poucos, isso foi mudando.

A história gira em torno de um plano do Lex Luthor pra conquistar mais espaço em Gotham. Lembrando que o Lex Luthor desta época era o empresário bonachão, e nem tanto um cientísta. Ele já havia perdido a mão devido ao envenenamento por kriptonita de se anel e era sempre bem visto pelas pessoas, porque sabia muito bem se esquivar da lei pra fazer seus planos criminosos nunca serem ligados a ele. E ele começa ao comprar dois antigos orfanatos e dar suporte a um terceiro, que ficava bem na divisa entre Metrópolis e Gotham. Para comprar o de Gotham ele se envolve com o atual dono: o Coringa. Nisso, é proposta a troca. Coringa ficaria 1 mês autorizado a atuar em Metrópolis e Lex iria conduzir seu plano de conquistar mais imóveis em Gotham. Quando Clark e Bruce ficam sabendo, replicam a proposta entre eles. Kent vai pra Gotham supostamente fazer uma matéria sobre a situação dos menos favorecidos e o Bruce fica em Metrópolis pra ampliar seus negócios. E ambos podem ficar de olho em seus inimigos. Eles eram os melhores do mundo. Apenas ainda não tinham percebido isso.

Gibbons sendo Gibbons

O que me chama bastante atenção nesta HQ é que a história tem arte. Arte na narrativa. Arte nos desenhos. Arte na idéia. É mais profunda do que a gente consegue perceber no começo. 

Dave Gibbons tem uma narrativa gradual. É possível perceber que sempre que Batman atua, os quadros são mais escuros. Quando entra o Super-Homem, Metrópolis, tudo é luz, claridade. Batman se apoia no medo, na paranóia, na vingança. Super-Homem sempre na esperança. Estas duas faces ainda não se viam como amigos. A amizade começaria ainda a ser forjada em uniões como esta, que ainda eram novidade. Não havia ainda a irmandade de hoje. O desenho de Steve Rude segue com poesia. As cores de Steve Oliff são inteligentes, trazendo predominância de cores azul em contraste com vermelhos, e a medida que a história caminha, o contraste vai diminuindo, até que ao final, está mais equilibrado. É como ver, sem ver, o equilíbrio sendo alcançado aos poucos. E uma homenagem aos famosos Stan Laurel e Oliver Hardy da serie de comédia ‘O Gordo e o Magro’ como era conhecida aqui no Brasil. Mais uma referência ao contraste.

Gosto da condução, gosto do mistério e gosto da seriedade da história. Não eram desastres cósmicos, não era o fim do universo. Era apenas o Lex Luthor usando seu poder econômico e um palhaço insano tentando conquistar mais poder enquanto os heróis procuravam formas de detê-lo. Sem grande estardalhaço, sem nada grandioso. Num roteiro simples, direto, sagaz e que te mantém entretido em um mistério para descobrir os reais planos que são revelados em dois momentos. Saudades deste tipo de narrativa. Faz tempo que não vejo nada assim atualmente. Não que o que temos hoje em dia seja ruim, mas noto que algo se perdeu no meio do caminho. Onde estão os Melhores do Mundo que não escrevem mais como antigamente ?

Também penso que os grandes escritores da época dos quadrinhos dos anos 80 e 90 se inspiravam mais em leituras e conhecimentos clássicos. É comum vermos citações a grandes obras da literatura antiga nos quadrinhos dos anos 70-90. Hoje, noto que a inspiração dos atuais quadrinistas são os quadrinistas desta época. Creio ( posso estar bem enganado ) que seja um dos motivos dos quadrinhos atuais serem menos profundos e mais copiados. A fonte original não foi consultada. Então, se torna tudo mais raso. Com um publico raso acompanhando, que prefere cinema à leitura, não poderia ser diferente.

Aço e Trevas

Se você está procurando algo bom pra ler e quer ter acesso a algo mais vintage, sem ser tão antigo assim, leia Os Melhores do Mundo. O encadernado atual tem capa dura e muitos extras interessantes. A Panini mais uma vez mostra de novo que conhece o que é bom e sabe dar isso pra gente. A transição é linda, historicamente e dentro do livro. Recomendo !

Abraços do Quadrinheiro Véio !

 

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METAL – Noites de Trevas – DC Comics Review

METAL – Noites de Trevas – DC Comics Review

Olá Quadrinheiro !

Terminei de ler METAL – Noites de Trevas ( conhecido como Batman Metal ) estes dias e precisamos conversar sobre isso. Antes de mais nada, vamos situar a obra. Iniciada em agosto de 2017 nos EUA, na edição Dark Days: The Casting e finalizada em Dark Nights: Metal 6 em junho de 2018. Aqui no Brasil, teve uma das campanhas mais legais de lançamento ( confira aqui ) e chegou em encadernados com capa especial, verniz localizado e efeito metalizado, com um mix 3 edições em cada volume, já na ordem certinha pra você ler. A Panini caprichou mesmo nesta mini-série.

Logo que chegou pra mim, eu fiz um primeiro post dando a impressão das duas primeiras edições. E agora, vamos fechar falando da saga como um todo.

METAL não é sobre HEAVY METAL

A saga é basicamente centrada no Batman. Como o mais forte integrante da Liga ( isso é, sim, opinião minha ), ele é o único capaz de subjugar todos os heróis por ser um estrategista brilhante. Dentro do conceito de multiverso, existe uma tal dimensão conhecida como “Multiverso das Trevas” que é de onde os Batman Sombrios vieram. De cada Terra deste universo sombrio, um Batman emergiu mau e tomou os poderes de um personagem da Liga e com isso, conquistou o planeta. Só que um ser sombrio chamado Barbatos, que faz parte do “mecanismo” da criação dos universos aparece por lá e diz a eles que existe um multiverso lindo todinho pra eles conquistarem se o ajudassem a ir pra lá também. E a chave desta passagem é o Bruce Wayne e o metal enésimo, sabe ? Aquele das armas tanagarianas do Gavião Negro e da Mulher Gavião. Que aliás, tem importante participação na história também.

A DC sempre viaja grande quando cria crises cósmicas, isso a gente precisa admitir. Quando o assunto é a possibilidade de fim do mundo ou do fim do universo, ela é capaz de criar acontecimentos incríveis. Tal como este conceito de multiverso das trevas, um Super-Monitor e estes Batman sombrios horripilantes.

Cabe situar você: O universo dos novos 52 foi basicamente desconsiderado neste momento e fatos “pré-52” são citados, tais como a “morte” do Batman e sua jornada ao passado. O Bebê Darkside também aparece. Mas não é nada que você precise conhecer pra entender a história.

Embora centrada no Batman, METAL é uma aventura da Liga como um todo. Batman é a chave/centro dos acontecimentos, mas envolve todo o universo DC. Por isso, chama-se “Metal – Noites de Trevas” e as edições centradas na família morcego e outros em separado, saíram aqui em duas edições especiais, chamadas de “Batman: METAL Especial”.

Gritos na noite – Batman Metal

A história é boa, tem um caminhar bem tenso e até o final, você não consegue ver a menor chance dos heróis vencerem. A narrativa é desesperante. Todos os passos dos heróis são previstos pelo Batman que ri ( personagem que reune e lidera os Batman Sombrios ). Este Batman é uma mescla do Bruce com o Coringa. Sim, é bizarro e tenebroso. Então, é possível imaginar toda a loucura e maldade do palhaço do crime aliada ao maior estrategista conhecido. Ele é bem perigoso. Fora que notei um retorno de algumas coisas que eu curtia nas HQs antigas. Tem a entrega de filosofias, tem o pensamento reflexivo e tem personagens que te fazem pensar e se colocar no lugar deles e refletir no que teria feito se você com você. A Liga tem um papel importante no decorrer da história, principalmente Flash, Cyborg e Lanterna Verde. Mas a trindade Batman, Super-Homem e Mulher Maravilha são os grandes finalizadores como sempre.

Existe apenas um pequeno incomodo pra mim nesta história, que é a forma como ela fecha. Aliás, cabe a ressalva de que tenho a impressão de que não é um problema apenas desta série, visto que “A Noite mais Densa” e “O Dia mais Claro” ( review aqui e aqui ) utiliza do mesmo recurso: A virada inesperada no final acontece de repente, rapidamente, e sem chance pros vilões, de forma milagrosa. É algo muito estranho. Imagine que você passou meses acompanhando a derrocada do mundo. Os heróis sendo derrotados e presos em cada edição. Um a um, seus planos de revide vão sendo derrotados e todos previstos pelo Batman que ri. E ao final, em uma edição, os mocinhos viram o jogo e vencem meio que do nada. O desespero é 6,5 edições de desespero quebrado repentinamente por uma virada rápida, sem profundidade, no final da saga. Isso é algo que realmente me incomodou bastante.

Dá a impressão de que ficou preguiçoso. Acho que pra ficar mais legal, deveriam ter ido mais devagar nesta virada. Heróis tendo pequenas vitórias, conquistando aos poucos e virando o jogo. Quando a virada é repentina, milagrosa e principalmente, baseada em fatos que aconteciam em paralelo mas que são reveladas ao leitor apenas no final, me parece que é como se faltasse “gabarito” aos escritores pra pensar em algo que poderia ser mais legal. É muito simples você vir criando algo só de um lado, no caso no mal, e depois no final, inventar algo do nada e virar tudo pro lado dos mocinhos. Sem respaldo da própria história. Eu senti que ficou um final “preguiçoso“, sabe ?

A jornada é linda, mas o final, nem tanto.

 

 

Quem fez ?

Os principais líderes de METAL são Scott Snyder e Gregg Capullo. Claro que eles não fazem isso sozinhos, tem uma penca de roteiristas e desenhistas que trabalham juntos, já que envolve muitos personagens e revistas solo durante estes meses de METAL. Snyder tem este problema de narrativa desde sempre. Sabe dramatizar, mas não sabe finalizar. Já Greg Capullo eu curto o traço desde Spawm e Homem-Aranha nos anos 90. Houve uma evolução no traço, mas seu estilo permanece nesta HQ. Jim Lee, John Romita Jr, James Tynion IV, Andy Kubert, Dan Abentt, Francis Manapul, Tony S Daniel, Brian Hitch, Jeff Lemire, Ethan Van Sciver, Frank Tieri, Carmine di Giandomenico, Grant Morisson, Doug Mahnke, Jorge Jimenez e Howard Porter são alguns dos nomes que assinam as 5 edições principais. É muita gente boa trabalhando junto e por isso a leitura é sim, muito boa. Minha queixa fica apenas com o final.

Então, se quer saber se é uma história que vale a pena ? Sim, vale muito. É uma das boas histórias que eu li recentemente e acho que, embora não deixe consequências, vale pela narrativa. Recomendo a leitura e eu mesmo penso em reler agora, de uma vez, pra sentir o drama.

Abraços do Quadrinheiro Véio !

Batmen Sombrios
Os Batmen Sombrios

 

Superman – Entre a Foice e o Martelo

Superman – Entre a Foice e o Martelo

Lembro-me bem do quão revolucionário foi o lançamento da mini-série Superman Red Son aqui no Brasil. A gente tinha ouvido falar de algo sensacional lançado e 3 anos antes nos EUA, em que o bebê Kal-el teria caído na União Soviética e não no Kansas como na história original. Mas só teríamos acesso a ela em junho de 2006, quando a Panini trouxe a mini-série em 3 edições pro Brasil.

Red Son explora uma das épocas históricas mais interessantes do mundo recente: a Guerra Fria. Desde seu início e de como o herói poderia mudar todo o rumo do mundo, ao ser a grande arma comunista, fiel à Stalin e seus ideais. Gosto sempre de pensar no impacto das histórias nos leitores, não apenas como uma aventura, mas como um formador de reflexões. Estes exercícios de pensamento, este universo “O que aconteceria se…“, que se leva a sério e tem começo, meio e fim, costumam apresentar grandes histórias, já que não se prendem a uma cronologia quase secular e limitante.

Gosto desta mini em especial porquê é raro ter coisas boas lançadas depois dos anos 2000 e Entre a Foice e o Martelo tem o melhor que os quadrinhos podem oferecer. Em termos de história, de arte e pensamento. Todo exercício criativo é importante e gratificante. E é como sempre cito nas minhas resenhas: a historia precisa te emocionar, te fazer sentir de verdade. Seja medo, alegria, tristeza, revolta, saudade, espanto… e tem tudo isso.

Superman formatado ?

O Super-Homem tem todo um estereótipo de escoteiro, de ser a pessoa que sempre faz o que é certo independente do sacrifício pessoal envolvido. Isso ao mesmo tempo que inspira, gera culpa. E mesmo quando ele é colocado do lado vermelho do mundo, numa época que isso era visto como nocivo pelos americanos pela forma como era imposta, ele se mostra comedido, correto, e disposto a fazer o que traz bons resultados, e nem sempre isso acontece dentro do que ele foi ensinado ou doutrinado. Ele tem sempre, não importa o mundo, o universo paralelo, a época, este senso de justiça e é sempre o grande salvador da humanidade. Reflete o melhor dos humanos, sendo ele mesmo alienígena. Quando pensamos em Super-homem, é isso mesmo que aparece na mente: Uma pessoa super ! Curioso que isso seja algo visto como tão impossível que foi necessário criar um alienígena pra ser o melhor de nós. Não é pra se pensar ?

Pense que nesta história

Entre a Foice e o Martelo começa com o aparecimento do Superman do lado russo. Com o uniforme em cores mais sombrias, ostentando em seu escudo a foice e o martelo comunistas. Embora lançada em 2003, ainda tínhamos uma sombra forte da época da guerra fria, mas já a víamos como algo distante. São 15 anos, mas pra quem viveu o medo da guerra nuclear nos anos 80, é muito marcante. 

Quando o escoteiro começa a demonstrar realmente a inclinação e a crença nos ideias soviéticos, é algo um tanto chocante. E fica mais ainda quando Lois está casada com Lex Luthor e que ele é o grande salvador da humanidade. Aqui temos realmente um embate de vida toda, entre o super poderoso alienígena versus o ápice da inteligência humana. Lex, neste caso, ainda fiel à sua paranóia anti-superman nunca desiste e a história se passa em 3 momentos da vida de ambos, envelhecendo contemporaneamente, nos mostrando os principais embates em sua juventude, fase adulta e já em idade mais avançada quando a história se fecha com muita classe e com uma grata surpresa ao final.

Aliás, acho que este final se torna muito criativo, uma vez que altera a própria origem do personagem ( e isso é permitido já que é uma história paralela em outro universo ) e surpreende pelo contexto bem engendrado, onde as peças se unem e conclui com toda classe.

Amazonas e Morcegos

Claro que em se tratando de universo DC, dificilmente hoje em dia é possível criar alguma trama planetária sem que os outros heróis apareçam. Foi-se a muito tempo a época em que ameaças globais eram combatidas apenas por um personagem.

Embora centrado no Superman e no Luthor, Batman, Mulher Maravilha e Lanterna Verde tem participações que ao mesmo tempo que são importantes, não o são. Não que sejam dispensáveis, já que a história faz bom uso de suas participações na trama e eles não roubam os holofotes. Está no devido lugar, com o devido peso e ao mesmo tempo faz com que o leitor não fique se indagando: Onde estavam os heróis americanos quando o Superman tomou o poder do mundo ? 

E é muito legal os uniformes desenvolvidos pra todos eles, desde os trajes do Clark ( que mostram a sua evolução, sua mudança gradual ) até os outros heróis. Gosto muito mesmo da forma que foi desenvolvido.

Ele de novo !!

Mark Millar ( de Kingsman, Velho Logan, Guerra Civil, etc… ) em uma de suas fases mais criativas é o autor deste livro. Habilmente conduz questionamentos, diálogos e situações como uma biografia muito bem engendrada. Ele sabe como prender a sua atenção misturando momentos de ação com backgrounds bem construídos de narrativa e condução, tornando a leitura fluída, dinâmica, rica e sem ser cansativa. A gente gruda no livro, que aliás foi relançada encadernada pela Panini novamente este ano.

O desenho de Dave Johnson é duro, seco, artístico e em tom de graphic novel, ao mesmo tempo que na parte seguinte tem Kilian Plumkett acompanhando o mesmo traço, mas com expressões mais detalhadas. Eu gosto deste preto-no-branco do desenho, ao mesmo tempo que as cores dão o tom, utilizando a dramaticidade de tons muito próximos, como se todo o cenário estivesse sendo iluminado por um celofane. Isso confere tensão maior ao texto e te mantém imerso.

Acho que Superman Entre a Foice e o Martelo merece sua atenção, e mais do que isso, merece sua obrigatoriedade. Tem poucas obras que eu considero tão boas quanto ela.

Abraços do Quadrinheiro Véio

Super-Homem – Paz na Terra

Super-Homem – Paz na Terra

Super-HomemLembro me bem quando esta edição especial do Super-Homem foi lançada aqui no Brasil em 1999. Alex Ross já tinha causado rebuliço com Marvels e Kingdom Come e tudo que a gente mais queria era ter mais histórias dele. Aquele formato enorme de revista, com uma coleção de pinturas era uma grande obra pra gente adquirir. Basicamente obrigatória. Super-Homem – Paz na Terra é icônica e atemporal. Não apenas pelo excelente trabalho visual do Ross, mas principalmente pelo grande poder de reflexão que a revista tão habilmente nos conduz. Tenho até hoje todas elas, enormes, na minha estante. 

Ele não precisa comer

Basicamente, Superman no Natal ajuda uma mendiga que desmaia por causa de desnutrição. E isso leva ele a refletir sobre como ainda nos dias de hoje, com tanta produção de comida e terra pra plantar, ainda morre gente de fome no mundo. Curiosamente ele até reflete consigo mesmo sobre a sua própria natureza. Ele não precisa comer e nunca vai saber o que é fome. Mas lembrando de seu pai, de como ele era um fazendeiro, seus ensinamentos sobre alimentar as pessoas e tudo o mais, ele pensa sobre tudo que faz pra ajudar a humanidade e como ele mesmo poderia dar o exemplo ao mundo, levando e redistribuindo a comida acumulada, e muitas vezes que vai estragar, em armazéns e até em colheitas que podem se perder se ninguém colher.

Com a permissão dos lideres mundiais, ele sai fazendo esta redistribuição por todo o planeta. E cada lugar, cada situação traz um pensamento, uma percepção, uma reflexão sobre os humanos e suas diferentes culturas. E é nestes momentos que esta história se mostra tão atual, tão bem escrita e planejada. 

O Vilão

Então, a história não tem vilão. Não tem Lex Luthor, Brainiac e ou qualquer ameaça sob a forma de violência física. Tem apenas o Super-Homem travando uma guerra impossível de se vencer. Curiosamente ele já começa pensando nisso, e conclui exatamente a mesma coisa. Porém a experiência ajudou-o a entender mais o que é ser humano. Lutar contra a fome pra um kryptoniano já é algo meio esquisito. Como ele pode ajudar a erradicar algo que ele mesmo nunca soube o que é ? Por mais que sua vivencia humana desde bebê em nosso planeta possa ter ensinado a ele como funcionamos, sem a verdadeira experiência, a gente fica sempre imaginando o que é e o que não é. Aprender é sobre fazer, e não sobre ver.

A atualidade da história se deve ao fato de que a essência humana é falha no sentido social. A racionalidade ainda não sobrepujou o instinto e como a maioria de nós apenas existe, dificilmente o problema da fome será resolvido. Ainda vive-se muito a ilusão do cada um por si. Gosto de leituras como esta, porque foi por este tipo de reflexão proporcionada pelos quadrinhos que eu sempre me mantive fiel à leitura. Hoje em dia são poucos roteiros que tem este tipo de coisa. Hoje tem tanta revista, que 90% é mais uma sequencia oca, sem ensinamento. Apenas entretenimento barato, acéfalo. Não te faz pensar, não te gera reflexão. Sem pensar, o que somos ? A automação do dia a dia, que a gente mal percebe e usa a desculpa do “Todo mundo faz, então deve ser o que deve ser feito mesmo. Se eu não fizer, ou vai fazer. ” Como é que faz nesta hora ?

Porém ao reler esta revista neste relançamento do encadernado “Os Maiores Super-Heróis do Mundo” que chegou às livrarias depois de 10 anos novamente, eu me recordei e percebi o quanto ler comics é reconfortante, mágico, inteligente e capaz de alimentar nossa mente com pensamentos maduros sobre o que é viver neste planetinha azul. Te faz querer fazer mais, te faz pensar em como pode colaborar mais pra que o mundo seja realmente um lugar melhor.  Não sei como é pra maioria dos leitores, mas pra mim a inspiração vem dos heróis. Não sou do tipo que se identifica com as vitimas. Toda a minha personalidade foi pautada nos mais altos valores de diversos personagens e sim, acho isso muito legal. Aceito e agradeço !

A dupla mágica

Esta série de revistas sem vilões mas com grande poder de reflexão, desenhadas pelo genial Alex Ross foi toda roteirizada pelo Paul Dini. Acho que o super poder do Ross não é apenas a qualidade de sua arte, mas sua incrível capacidade de se associar a roteiristas inacreditáveis. Kurt Busiek em Marvels, Mark Waid em Reino do Amanhã. Sacou que o cara é esperto ? Paul Dini deve ter se emocionado muito ao escrever estes títulos todos. Eu sei que me emocionei ao ler. Não apenas pelo enredo em sim, mas pela oportunidade de poder ter acesso a algo assim. Digo o mesmo de muitas obras grandiosas como estas, como Watchmen, 300, etc… Todas obras primas da arte das HQ’s que tem se perdido. 

Super-HomemA meu ver, tudo é mantido à dinheiro. Ok, isso não é de fato um problema. É a energia de troca. Sem isso, pouco se consegue produzir. A arte que um dia era algo apenas da alma do artista foi crescendo e foi se tornando mais e mais cara. Com isso, algumas prisões se formaram. E uma das principais é justamente a do custo pra se manter uma editora tão poderosa. Fatalmente, a arte se rende ao mercado. O artista deixa de expor o que pensa, para expor o que o público pede. E, aí… todos perdem: Público, artista, humanidade. Quem será o intrépido e ousado herói que vai tentar quebrar o status quo dos quadrinhos dos anos 2020 ?

Deixo pra você responder isso aí.

Quem sabe com estes relançamentos podendo chegar novamente às mentes jovens, estas reflexões mexam com mais gente como mexeu comigo. Às vezes penso que uma forma de as editoras mudarem o mundo é justamente tornando esta arte mais acessível a mais gente. Mas a gente sabe que com os custos de tudo atualmente, isso é complicado. Não creio na má vontade. Apenas não é algo tão simples assim.

Se você não encontrar em sebos, vale muito a pena pegar a edição encadernada com todos os volumes. Tem na loja.panini.com.br.

Comente aí o que você achou da história. Já leu ? Me conta !

Abraços do Quadrinheiro Véio !

Superman’s do Cinema e da TV

Superman’s do Cinema e da TV

No post anterior a gente mostrou um video sobre os Batman’s. E agora, entramos com este video com os Superman’s do cinema e das séries ! 

A gente discorre sobre todos os atores que fizeram Superman’s, mas sem os Superboys ( com excessão de Smallville ). Espero que goste !

Abraços do Quadrinheiro Véio !

Guia: Como começar a ler Quadrinhos DC Comics

Este post é uma novidade aqui no blog. Temos um convidado que eventualmente vai escrever aqui pra vocês: Danilo Gonçalves do Canal “Mestres do Universo“. Espero que goste !

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Olá, você é um fã de quadrinhos? Então em algum momento já te fizeram a seguinte pergunta: Como eu começo a ler quadrinhos? Por onde eu começo? Bom essa série de Posts tenta responder a essa pergunta, da melhor forma possível é claro! Teremos o Guia DC Comics de como começar a ler quadrinhos, o Guia Marvel, e também o guia de outras editoras que vale muito a pena conferir!

A indústria dos quadrinhos voltou com força total junto com o sucesso dos filmes de super-heróis que inundam as telas dos cinemas mundo afora, com isso novos leitores são atraídos 9° arte e uma das perguntas mais frequentes é essa, afinal, existe uma regra para se ler quadrinhos? Existe uma forma correta? A resposta é não, não existe uma forma correta ou uma regra, porém existem dicas que podem fazer com que essa sua primeira imersão nesse novo universo seja mais bem aproveitada!

A DIFERENÇA ENTRE AS MÍDIAS! (Quadrinhos e livros)

Se você é um leitor de livros, antes de tudo deve compreender a diferença entre as duas mídias e dessa forma não implementar a mesma forma de leitura aos quadrinhos, muitos de meus amigos desistiram da leitura de HQs por não compreenderem essa diferença! Livros transmitem quase que 100% de sua história através da escrita, descrevendo situações e ambientes, dissertando sobre as reações do personagem, enfim, a escrita é quase que o todo dessa maravilhosa mídia. Já os quadrinhos são mais complexos, além da escrita você tem a arte, as cores, as sombras, e dessa forma que locais, reações e situações são expressas nos quadrinhos! Por isso a forma da leitura não pode ser a mesma, lembre-se, quanto mais rápido você termina uma história em quadrinho, menos da essência dela você recebeu!

Tendo isso em mente vamos passar para o próximo ponto e realmente entender como começar a ler quadrinhos!

GUIA DC COMICS

GUIA: DC Comics.

As histórias em quadrinhos se perdem em meio a tantas sagas, reboots das editoras e diversas abordagens dos Super-Heróis, então não existe uma ordem cronológica que possa ser indicada que te faça conhecer todo um universo, então nessa série nossa tentativa é indicar uma sequencia de histórias que te faça compreender os heróis, suas limitações e compreender como cada uma das editoras aborda seus universos, sim, universos, você entenderá mais pra frente!

Então separamos 10 Histórias da DC Comics que te apresentaram aos universos da DC de uma forma que após essas leituras você possa ler qualquer material da DC sem estar tão perdido!

Batman – Ano 1: Escrito por Frank Miller, ilustrado por David Mazzucchelli, colorido por Richmond Lewis.

Batman-Ano-Um-Panini-2011No ano de 1987 a DC Comics convida Frank Miller para recriar as origens do morcego, após o enorme sucesso de Cavaleiro das Trevas um ano antes a missão estava certamente em excelentes mãos! E Frank Miller nos entrega uma história absolutamente fantástica, Batman ano 1, como diz o nome, conta o primeiro ano de Bruce Wayne como O vigilante de Gotham, um Gordon ainda jovem lutando contra o sistema enquanto o Homem-morcego se deparava com a máfia de Gotham, Ano 1 se tornou a origem oficial do Batman sendo assim uma perfeita história para quem quer começar a conhecer a DC Comics!

Superman – O Homem de Aço: por John Byrne e Dick Giordano.

1986-The-Man-of-Steel-b-670x1024Em 1986, John Byrne começa a recontar a origem do nosso bom samaritano em uma série fantástica, O homem de aço traz um Superman mais humano e mais heroico, uma nova abordagem que passa a transformar tudo que viria posteriormente a essa história, desde Lois Lane até os melhores vilões de Superman passando por um embate com o homem morcego. Uma das mais complexas séries do filho de Krypton que sem duvida é indispensável para qualquer leitor!

Biblioteca DC – Mulher Maravilha: por George Perez.

biblioteca-dc-mulher-maravilha1-600x917Sim, aqui chegamos a um ponto complicado, pouquíssimas histórias da Mulher Maravilha são publicadas no Brasil, e isso nos limita ao indicar boas leituras disponíveis da Amazona. A biblioteca DC apresenta uma excelente origem para a WW através da incrível arte de George Perez, batalhas épicas dentro de uma fantástica história. Finalizando assim a apresentação do trio mais conhecido e importante de Super-heróis da DC Comics.

A Guerra dos Anéis: Geoff Johns e Dave Gibbons e desenhada por Ivan Reis, Patrick Gleason e Ethan Van Sciver

LanternaVerdeGuerraAneis01Guerra dos Anéis ( pode ler mais aqui ) te apresentará de forma fantástica aos Lanternas Verdes e seus principais inimigos, um evento importantíssimo e com uma história brilhante criada por Geoff Johns um dos principais roteiristas da DC Comics, dentro de todo um contexto galáctico você se dará conta dos poderes dos Lanternas e de todo seu código para defender seus ideais!

Flash, Seguindo em frente: de Francis Manapul e Brian Bucellato.

FlashSeguindoFrenteApesar de ser uma história relativamente nova “Seguindo em Frente” nos apresenta a um Barry Allen cheio de conflitos e problemas passados o que o leva a utilizar seus poderes de maneira fantástica! Aqui percebemos a dimensão dos poderes do Flash e sem dúvida é uma excelente forma de começar com esse personagem e ainda é recheada de Fãs service para os antigos leitores!

Batman – O Cavaleiro das Trevas: por Frank Miller.

Batman-HQ-2Um dos mais fantásticos futuros alternativos nos é apresentado nesse arco de Histórias criado por Frank Miller em 1986, um novo Batman, mais violento e sem nenhum código de conduta chega para mudar, não só a visão do Batman, mas também a histórias dos quadrinhos, os anos 80 marcam a transição das histórias em quadrinhos para uma era muito mais sombria e histórias que se tornavam cada vez mais adultas! Sendo principal inspiração para o Batman que temos hoje no Universo da DC nos cinemas, Cavaleiro das Trevas está sem duvida, em minha opinião, no Top 3 de melhores histórias em quadrinhos já feitas! Além de ler uma obra de arte das histórias em quadrinhos você começa a se acostumar com as variações temporais das sagas que lhe são apresentadas, transformando sua imersão nesse universo ainda mais completa!

Reino do Amanhã: de Mark Waid e Alex Ross.

reino-do-amanha-edicao-definitivaAinda na pegada de futuros alternativos em 1996 Reino do Amanhã ( post exclusivo aqui ) chega as bancas impactando ainda mais os leitores de quadrinhos, vinte anos a frente os nossos conhecidos heróis estão aposentados e são obrigados a voltar a ativa pelas ações dos novos “Super-heróis”. Os novos heróis atuavam sem respeito pela humanidade o que faz com que o Superman e outros membros da Liga passem a realizar o trabalho! O Superman nessa história está absolutamente fantástico!!! Leia, e aproveite mais uma das melhores Hqs já feitas!

Liga da Justiça: Flashpoint: por Geoff Johns

Aqui somos enfim apresentados às distintas linhas temporais criadas pelo flashpointhcFlash, após voltar no tempo tudo muda e Barry Allen se vê sem os seus poderes e um presente em absoluto caos! Cara, vou falar pouquíssimo sobre a história por quê até em coisas pequenas você se surpreende em Flashpoint! As linhas temporais são exploradas e mais uma vez Geoff Johns arrebenta ao construir um roteiro impressionante! E é a saga que transforma o universo DC nos universo dos Novos 52.

Crise nas Infinitas Terras: Roteirizada por Marv Wolfman e desenhada por George Perez.

índiceEssa saga é tão importante que dividiu a história da DC em pré e pós crise! Crise nas Infinitas Terras explora ao máximo a questão do Multiverso da DC e apresenta eventos importantíssimos em uma saga absolutamente Fantástica! Mortes, lutas épicas, heróis no máximo de seus conflitos tudo isso em um roteiro absurdamente complexo e ilustrado majestosamente por George Perez, dada a importância de todos esses eventos crise das infinitas terras deve ser lida após a bagagem necessária ter sido adquirida com todos os volumes anteriormente indicados!

A morte do Superman: por Dan Jurgens

death-of-superman-vol-2-75-1993-coverEnfim chegamos a incrível história de 1992 “A Morte do Super-Homen”. Após uma luta épica com Apocalipse os dois acabam mortos nas ruas de Metrópoles arrasando a comunidade de Super-heróis! O incrível heroísmo do Super nessa HQ é de cair o queixo, com toda a liga abatida ele se levanta como último herói para enfrentar Apocalipse! A ilustração desse quadrinho é absurdamente linda, as páginas inteiras mostrando a luta de uma forma visualmente incrível. E posteriormente a funeral do Super que também leva o peso de um dos maiores momentos da DC Comics nos quadrinhos.

Essas foram as nossas 10 indicações no intuito de te levar a conhecer mais da DC através dessas histórias, muitos clássicos ficaram DE FORA, mas de forma intencional! Acredito que após essa sequencia de leituras você estará preparado para ler qualquer outra história da DC COMICS!

Se quiser conferir, também tem o video deste guia aqui, ó !

Semana que vem estamos de volta para falarmos sobre a Marvel Comics! Até lá!

Danilo Gonçalves, designer e fundador do Canal “Os Mestres do Universo”

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YouTube: http://www.youtube.com/c/OsMestresdoUniversomdu

Reino do Amanhã

Reino do Amanhã

Olá amigos !

Reino do Amanhã2016 começando e pra abrir com chave de ouro este ano que promete ser um dos melhores anos de todos os tempos para ser fã de quadrinhos, vou contar um pouco sobre como foi ler Reino do Amanhã na época do lançamento. Por ser a obra que é, não acredito que exista muita gente que ainda não tenha lido esta preciosidade atemporal sobre um futuro apocalíptico da DC Comics, magistralmente escrita por Mark Waid e pintada ( não podemos chamar aquilo de desenhos… são pinturas… ) pelo icônico Alex Ross.

Kingdom_Come_2Nos idos da primeira metade dos anos 90, acompanhando as edições regulares das HQ’s da época, lembro-me de comprar o jornal da minha cidade, o Valeparaibano, todas as terças por ter uma coluna sobre HQ escrita pelo Fabrício Grelet. Na época pré-internet a gente não tinha onde ter noticias sobre HQ’s de maneira tão fácil como hoje, e por isso esta coluna era como me mantinha informado ( bem pouco ) sobre o mundo dos quadrinhos. Foi por onde conheci Marvels e fiquei encantado pela proposta, ao ponto de encomendar com o próprio escritor da coluna as edições importadas, pois ainda não haviam sido lançadas no Brasil e ainda iriam demorar um pouco. Quando eu vi aquela arte eu fiquei maravilhado. A história era ótima e ainda tinha um desenho que eu nunca havia visto antes. Um “Q” de realidade incrível… uma humanidade tremenda. Imediatamente me tornei fã do artista. Aliás, leia meu artigo sobre Marvels aqui mesmo no blog. Logo em seguida, soube que ele estava visitando o futuro da DC Comics, após nos mostrar o passado da Marvel sob o olhar de uma pessoa comum. Agora, seria a vez da DC ter o seu olhar de “humano normal”, mas sobre um futuro sombrio, diferente. Reino do Amanhã nos apresenta um futuro onde os heróis perdem o controle. O símbolo da ordem se perde e tudo vida caos. Aliás, sem caos, sem super-heróis. É pelo caos que a ordem se faz necessária e da ordem o caos emerge. Então, sempre haverá este equilíbrio, este giro em torno do centro, inalcançável a não ser que seja atingido o derradeiro fim, onde a estática tomará conta de tudo e nada mais restará… ou não. Adoro filosofar sobre estas coisas malucas. Pontos de vistas paralelos que a cada dia mudam dentro da mesma pessoa.

KingdomCome1-1024x733Retomando, Kingdom Come chegou as bancas do Brasil em 1997 e eu mal podia esperar pra ter em mãos, pra ler algo produzido pelo Ross e ver o que ele faria. Ele que era um campeão de referências, de easter eggs e homenagens ao meu amado universo dos quadrinhos, era o que eu mais esperava ver. A arte na época estava dominada pelos traços finos e muito bem desenhados, um pouco exagerados em suas poses ( cada quadrinho parecia uma capa de revista ) e argumentos fracos. De repente aparece nas bancas uma revista ousada, desenhada como obras renascentistas, com um roteiro tremendamente bruto, diálogos afiados e pânico desenfreado. E o mais legal, em quatro edições quinzenais. A gente tinha que comer os dedos de ansiedade entre cada edição, já que as unhas haviam sido detonadas durante a leitura. E que leitura boa. As homenagens passeiam por todas as épocas, desde o desenho animado dos Superamigos, onde muitos dos fãs de heróis da minha época tiveram o primeiro contato com os personagens. Podemos ver a Sala da Justica da animação representada na imagem do prédio da Onu e no Gulag em forma de “nave da Legião do Mal”. A base da mascara do Batman é muito parecida com a base do capacete do Darth Vader, Aquaman representado como o “Rei Arthur” da távola redonda. A era de ouro e de prata representada no restaurante “Planet Krypton”, que tem na fachada um planeta explodindo e os garçons fantasiados como os heróis em seus traços clássicos. Fora isso, gaste um tempo olhando as imagens onde estão reunidos muitos personagens… como bares, ruas… sempre tem alguma referencia e é possível até encontrar um Logo meio barrigudo ao lado de um Vril Dox decadente, um rastejante bêbado… ou até um dos personagens que eu mais amo, que é o Krypto.

Kingdom_Come_3Trabalhando de dia, fazendo faculdade de noite, tocando em banda de rock e ainda procurando manter a leitura de HQs em dia… que época mais boa para se viver… sem as distrações da internet. Eram os últimos anos em que as redes sociais se faziam nos bares, intervalos das aulas e nos cafés da empresa em que eu trabalhava. As redes sociais eram no mundo real. E poder comprar minhas revistas com meu dinheiro era uma atividade recente. Somando se a este cenário, aparece Reino do Amanhã abalando estruturas e fazendo com que as semanas ficassem mais longas durante dois meses. Ao termino de cada edição, o sentimento de pânico tomava conta. O que será que o Superman vai fazer agora que voltou ? Batman e Luthor unidos ? Capitão Marvel lobotomizado contra o Super-homem ? E agora que já terminou ? Todo mundo seguiu com a vida como ? Aliás, como vou seguir com a minha vida depois de tamanha obra ?

capas-lam-kingdom-comeEu digo uma coisa pra você: não troco minhas 4 edições por nada no mundo. Nada. ( ainda mais agora que Mr. Waid autografou a numero 1 pra mim na CCXP 2015 ). A experiência de ler uma obra em sua época de lançamento, ainda mais numa época de escassez de histórias boas como foi a segunda metade dos anos 90… indo buscar a edição na banca e começar a ler ela andando na rua, tropeçando nas guias… não tem preço. Não tem encadernado especial com extras que vá chegar aos pés de ler isso, de viver isso. Por isso que sempre afirmo aqui que hoje em dia podemos ler qualquer coisa em encadernados incríveis, bem produzidos, papel ótimo, lindas capas duras. Mas viver a emoção da estréia, de ler algo estando imerso em sua época de produção, é algo que não tem preço. E eu já havia falado isso em Watchmen, lembra ? As capas traseiras de Watchmen são o maior exemplo do que estou falando… Se você tem a minha idade sabe o que estou dizendo… aqueles ponteiros que iam aproximando a cada edição… o sangue descendo aos poucos. Tudo de bom !

Reino do Amanhã
Meu autografo de Mark Waid

Por isso que eu sempre digo que algumas obras mudam a vida da gente. Sério, sem exagero. Tem pessoas que tem a vida transformadas por novelas, por filmes… por livros… e porque não HQ’s ? HQs são uma forma de cultura, transmitem informações, conhecimento e valores. Criam interesses nas pessoas a partir de fatos que as vezes são simples citações. Lembro-me de ter meu interesse em ciências aumentado exponencialmente por causa do Quarteto Fantástico. Então, ler esta obra faz a gente querer saber mais sobre outras coisas também. E o envolvimento religioso, este fator de envolver profecias, misturar realidade com o fantástico universo de heróis ao ponto de levar você a fazer reflexões relevantes sobre a sua própria vida. Cara, a gente se sente incentivado a querer saber mais sobre o pano de fundo. Se você é um curioso, acaba se tornando um pesquisador.

ReinoDoAmanha_desA revista começa com um ensandecido e moribundo Wesley Dodds (Sandman) citando passagens da Biblia que representam suas visões. Seu pastor, reverendo ou pastor Norman McCay ( que é representado com o rosto do pai do Ross ), começa a narrar e nos localizar no “mundo” em que se passa a revista. Estas páginas são essenciais e é muito bom poder reler este começo todo após terminar de ler a série toda, pois ela basicamente conta tudo o que virá a seguir, mas de forma profética e codificada. Que genialidade do Waid. Ok… sou tiete do cara, mas poxa ? Estamos falando de Kingdom Come. Em seguida, o Espectro procura o pastor para que este seja seu juiz. Imagine que o próprio Espectro já não consegue mais julgar os fatos e precisa de um olhar humano pra isso. E este olhar foi representado em um personagem que está perdendo a sua fé não apenas em sua religião, mas na vida de modo geral. É tão profundo quanto as histórias do Sandman do Neil Gaiman. Talvez por isso se destaque tanto já que está com os super-heróis regulares. É uma dose cavalar de maturidade em meio as historias normais. Algo que se equipararia a Cavaleiro das Trevas, por exemplo. Todos os heróis que conhecemos estão afastados. Cada um em seu mundo, tentando viver neste novo mundo onde os mais jovens poderosos são irresponsáveis e se acham donos do mundo. Não valorizam a vida, não entenderam o valor que isso tem. E cabe aos “mais velhos” retornarem para educa-los. Mas aparentemente, já é tarde demais.

Batman-vs.-Superman-in-Kingdom-Come
Se você tirar tudo do Batman, sobra um homem que não quer mortes !

Então, quando o Caos chega em seu auge, é chamado o campeão da ordem pra colocar tudo no lugar. E é neste ponto que a história começa. Tem tanta homenagem embutida nas páginas desta minissérie que existem sites com artigos enormes só mostrando isso. Até as capas tem muitas referências simbólicas escondidas. O nível de tensão é tão grande que a revista quase solta faíscas. Para atingir o equilíbrio se faz necessário um grande embate. Uma anulação química. Forças opostas de aniquilando, apaziguando, se transformando… dando lugar a um terceiro estado. Um estado definitivo. O que está em cima é como o que está embaixo. A arte imita a vida. O ciclo se completa. Por um tempo. Existe uma edição especial que mostra como ficou o mundo após Reino do Amanhã. Você pode ler ela na integra aqui no blog.

Eu acredito que Kingdom Come seja uma leitura obrigatória. Mais ainda pra quem já tiver alguma bagagem com a DC Comics. É uma edição que dá mais peso para quem já conhece os heróis de larga data. Eu sou uma pessoa de sorte. Já conhecia os heróis a mais de 10 anos quando li a minissérie. A emoção foi tão grande na época quanto foi hoje ao relê-la para escrever pra vocês.

Eu não tenho a menor dúvida de dizer pra você: Leia Reino do Amanhã. Sim, vale a pena.

Abraços do Quadrinheiro Véio !

Eu e Mark Waid
Eu e Mark Waid

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Comic Con Experience SP 2015 – CCXP

Comic Con Experience SP 2015 – CCXP

Simplesmente um dos grandes momentos na vida de qualquer leitor de Quadrinhos. Se você levar em conta que sou leitor a mais de 30 anos, pode imaginar como deve ter sido estar presente neste evento dos sonhos !

Assista o video, comente e se gostar, dá aquela curtida no canal !

Abraços do Quadrinheiro Véio !

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