Thunderbolts – Fé em Monstros

E aí, amigos Quadrinheiros.
 
Esta semana passou rápido e só agora consegui sentar pra escrever sobre mais um post, que no caso é sobre a edição número 57 da coleção oficial de graphic novels da Salvat, Thuderbolts – Fé em Monstros, que reúne as edições 110-115 da revista Thunderbolts americana, do ano de 2006.
Os eventos deste período se passam após a Guerra Civil, num momento que aparentemente os heróis haviam perdido o prestígio junto as pessoas normais e o governo resolveu unir uma equipe de vilões, dando um jeito de obrigá-los a trabalhar pra eles, prometendo uma recompensa após um período de tempo. A equipe liderada pelo ex-Duende Verde, Norman Osborn reunia vilões, alguns meio loucos, outros mais sãos, que deveriam fazer o trabalho de heróis em frente das câmeras pra trazer publicidade positiva para o governo após o desastre e destruição que ocorreram em Guerra Civil. ( Tá vendo ? O desastre que foi o arco Guerra Civil não ficou só aqui fora… lá no universo Marvel também foi destruidor… rs...
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Ok, a idéia não é muito ruim… mas a execução… hummmm… ( onomatopéia da minha pessoa torcendo o nariz… rs… ). Sei que um monte de gente gostou desta HQ, mas eu realmente não gostei. E com todo respeito a quem gostou, vou falar sobre o que eu senti e percebi ao ler este encadernado, ok?
Pra variar, juntar um arco de histórias em uma edição encadernada não é uma boa idéia ( salvo raras excessões ) e esta história, pra mim, ficou muito cansativa, enrolada, desnecessária.
ThunderboltsO roteiro de Warren Ellis é esticado, cheio de dramas, o que faz a gente ficar torcendo pra dois momentos da revista, que é quando aparece o Norman Osborn ( que parece que um parafuso se solta toda vez que se referem a qualquer coisa-aranha perto dele ) e o Mercenário, que é um vilão que eu adoro muito. Eu me amarro em vilão louco. ( Preciso ver com a minha terapeuta sobre isso… hahahaha ). Sério, vilões loucos, que mantam porque gostam de matar, são o máximo. Não tem nada que você possa dar a ele, não é ? Muito show ! Acho que o Ellis acertou mais em Extremis.
ThunderboltsOutra coisa que não curti foi o traço do Mike Deodato Jr. Aliás, nunca curti o traço dele… Tipo, ok. Não é que eu nunca curti, é que eu não vejo nada demais. Acho que as pessoas dele são artificiais demais. A única coisa que eu gostei mesmo é ele colocar uma participação do Jô Soares. Isso foi divertido e deve ter sido coisa dele, né ?
Uma coisa que eu achei legal é o Ollie Osnick aparecer, o Aranha de Aço. A última vez que eu vi uma história dele ele era um adolescente gordinho que era fã do Dr. Octopus e virou fã do Aranha após ter sido salvo por ele… uma história que ele e o Homem Sapo (?) se unem para ajudar o homem aranha… ele até usava óculos por cima da mascara… hahahaha… hilário… e eu não sabia que ele tinha crescido e continuado a ser um herói depois daquilo. Foi uma recordação bacana. 
ThunderboltsUma outra coisa que eu não entendi é qual é a deste novo Venom. Ele cresce quando fica nervoso ? Quando foi que o Eddie Brock deixou de ser o hospedeiro do uniforme negro ? Eu fiquei tanto tempo longe que não vi nada destas mudanças… e até onde eu percebi, perdi muito pouco nestes últimos 14 anos longe das HQ´s. Também não curti o novo visual do simbionte alienígena… e aqueles olhos no meio dos olhos… achei muito esquisito… mas, sei lá… como sempre falo, devo estar cada dia mais me tornando um véio ranzinza…
O que salva a edição, por incrível que pareça, é o capítulo bônus no final, com o recrutamento do Venom. Mais poderoso do que me lembro quando era o Eddie, já que o Gargan é muito mais louco também.
Bom, se você está fazendo esta coleção, compre. Se não está, eu achei Thunderbolts dispensável. Mas aí, é com você !
 
Abraços do Quadrinheiro Véio !
 
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Os Livros do Destino

Nunca mais olhos mortais vislumbrarão Victor Von Doom. Deste momento em diante, há somente o que me tornei… há apenas o Doutor Destino !”
Hoje falarei sobre Os Livros do Destino, uma publicação que eu gostei muito. Este encadernado que eu li, publicado pela Panini Books aqui no Brasil, reune a mini-série The books of Doom 1-6 lançado em 2006 nos EUA. E já posso te adiantar que gostei bastante do que eu li.
Como deve ter notado no post anterior, eu não costumo gostar muito de biografias que humanizam o personagem. Esta é uma exceção porque a origem do Doutor Destino sempre foi contada desta forma, porém esta versão dá uma aprofundada a mais e acho que, neste caso, é isso que deixou o argumento/roteiro muito bons.
Os livros do Destino são uma narrativa auto biográfica que o vilão faz durante as 6 edições encadernadas neste capa-dura e contam toda a história do tirano lativeriano desde seu nascimento até a tomada de poder de seu país natal, apenas alterando um ou outro fato conhecido ( como ter sido colega de quarto do Reed Richards do Quarteto Fantástico, por exemplo ), mas sendo justificado em seguida. E

eu adoro os vilões. Acho eles o máximo. Não se comparam aos heróis perfeitinhos. Talvez por este motivo que em meados dos anos 80 os anti-herois começaram a fazer sucesso. Acho que foi cansando dos heróis 100% corretos e tornando-os mais humanos e falhos. Acho que todo mundo concorda que o que fazia o Batman ser legal eram seus vilões, não é ? O que seria do Batman sem o Coringa ? Do Luke Skywalker sem o Darth Vader ? Ou mesmo Seyia sem o Saga ? rs…

Os vilões tem uma característica tão mais humana… e embora nos inspiremos nos heróis, nos identificamos com os vilões. Não foi o Harvey Dent quem disse que “Ou você morre herói, ou vive suficiente para ver você mesmo se tornar um vilão ?“. Pois então.
Algumas coisas curiosas nesta edição é ver como

Victor era arrogante desde criança. Sempre sendo super dotado, e talvez por ser filho de uma ‘bruxa’ cigana ( que ele nunca leia isso…hehehe ), ele sempre foi diferente das outras pessoas. E isso é mostrado bem detalhadamente no livro. Fora que podemos seguir todo o pensamento dele, sua psique, sua condução com mão de ferro.Uma linguagem arrogante e convencida, mesmo quando está deprimido. Todo seu amor pela mãe culmina em sua primeira incursão ao mundo inferior, enfrentando um demônio vermelho ( que nesta série não é nomeado como Mefisto, mas somente como o demônio ) e com isso, após levar uma surra, seu rosto fica marcado, não pela explosão da máquina, mas sim pelo toque deste demonio. Aliás, dentre as mudanças que foram feitas, esta é uma que eu achei bem interessante. Sempre nos foi dito que a máquina havia falhado, que ele habitou o mesmo dormitório que o Reed e que ele apenas estudou nos EUA. Mas esta série mostra que ele

mal falava com o Dr. Richards e ainda trabalhou para o Governo Americano, que era quem bancava os estudos dele em troca de seu talento com engenharia e magia. Tudo nos leva a entender que a história se passa durante a guerra fria, uma época que eu acho muito rica pra se escrever algo político como é o fundo desta história. Claro que é preciso lembrar que quem conta a história é o próprio Dr. Destino e por este motivo, algumas coisas ele pode ter distorcido durante a narrativa, já que embora ele seja um altivo tirano, ele também é bem orgulhoso e tem a visão distorcida de um conquistador, que justifica seus

atos violentos como se fossem necessários para o ‘bem maior’. E cabe uma notinha curiosa, de que nesta edição ele não conclui a formação, e para ser um “doutor”, ele se auto-denomina após ver uma entrevista com o Reed Richards na TV. Um louco de pedra, mas um super louco de pedra. Ele não se considera um herói e nem um vilão. Ele é apenas o Dr. Destino e isso pra ele basta. Um homem que se considera acima do bem e do mal e onde tudo que ele fala e pensa não deve ser contestado por seres inferiores ( no caso, todo o resto do mundo ) É ou não uma figura magnífica ?

O roteiro é de Ed Brubaker que demonstra um domínio sobre a narrativa biográfica como poucos, a meu ver. O cuidado com a escolha das palavras é muito legal. Aliás, parabéns para a tradução, já que a dupla soube manter a característica arrogante e o palavreado erudito do personagem de forma muito bem feita. Ed nos dá uma história muito bem conduzida, lembrando muito o final dos anos 80, com muito texto, muito pensamento. E o melhor, não cansa ler tudo, porque é tudo relevante. Imagine que você lê 6 edições e não percebe que o roteiro é muito objetivo, mostra um monte de coisas de forma resumida e ainda assim aprofunda na psique de Victor Von Doom. Não sei se fui muito claro, mas é tipo isso.
Os desenhos são do argentino Pablo Raimondi, que eu particularmente não conhecia. E o cara é bom. Não é o melhor, o maior destaque e etc… mas o cara é bom. Bom na narrativa, no enquadramento, na definição emocional. Não impressiona, mas pra uma biografia, ele resolve muito bem. É um desenhista que, ao menos nesta mini-série, faz o básico bem feito, sabe assim ? Não percebi nenhuma genialidade, nenhuma conjectura ou mesmo referencias externas ou cuidado com uso de cores que fosse digno de nota. É um traço e cores que servem pra contar uma história que é brilhante pelo seu roteiro e não precisa de um suporte de imagem forte. Se fosse um conto apenas escrito já seria ótimo. Sendo HQ, ficou melhor ainda.
Acho que se você curte biografias de personagens, vale muito a leitura. E eu como um grande fã da personalidade do Doutor Destino, não poderia ficar sem ler. E ainda bem que li, pois gostei muito, me diverti e emocionei. E o melhor, sem humanizarem demais o personagem.
Abraços do Quadrinheiro Véio !

O Espetacular Homem-Aranha – A última caçada de Kraven

Aranha! Aranha ! Viva chama que as florestas da noite inflama. Que olho ou mão imortal poderia traçar-te a horrível simetria ?
Mais uma vez trago uma HQ do Aranha que eu acho que é uma das mais TOP´s que eu já li na vida. O ano é 1989 e uma mini-série em 3 edições abala as estruturas do então menino de 13 anos que vos escreve agora. Sério, esta época eu estava lendo melhor e começando a entender um pouco mais as coisas e ler uma história tão profunda e obscura foi mesmo muito forte. Não é apenas uma HQ em que um vilão toma o lugar do seu herói inimigo. É mais do que isso. É poesia, é propósito. Dentro da coleção da Salvat, está O Espetacular Homem-Aranha – A última caçada de Kraven é uma aventura, um arco fechado que pra mim está ao nível das grandes Graphic Novels  e mini-séries como O Cavaleiro das Trevas, Watchmen, Marvels, Odisseia Cósmica, Reino do Amanhã e outras… e considerando que é do Homem-Aranha, numa fase extraordinária, época que ele estava casado a pouco tempo, enfrentando muitos conflitos internos, foi muito bem colocada. Ver a fragilidade humana dos personagens, ver o tempo todo a poesia na cabeça do caçador, foi fantástico. Esta HQ, pra mim, coloca o Kraven numa posição que até então ele nunca esteve. Ele sempre foi fodão ( perdoe o palavrão, mas em 10 minutos pensando, não achei termo melhor ), porém aqui ele se supera de uma forma que poucos conseguiram chegar. A profundidade emocional do Sergei Kravinov ao provar pra si mesmo e pra mais ninguém que ele é melhor que sua caça é mostrada de uma forma que a gente não esperava. A HQ é toda escura, tudo acontece a noite, poucos momentos de dia, apenas o final. Todo um simbolismo envolvido. Parece que a HQ foi planejada passo a passo, cada quadro cuidadosamente pensado. Nesta mini-serie, Peter Parker usa a roupa preta, parece como se estivesse antevendo o que iria passar com o vilão, já que nesta fase ele alternava entre o vermelho e azul e o uniforme negro, pouco depois de ele ter se livrado do mesmo no laboratório do Sr. Fantástico Reed Richards. O Kraven aparece constantemente nu, representando a necessidade de se revelar como ele realmente é. As identidades em conflito, a simbologia da Aranha como o desafio interior que todos os humanos devem sobrepujar para serem livres. A animalidade humana na forma de Rattus. Todo o instinto em forma de um personagem que não tem consciência, apenas segue seus impulsos mais íntimos sem distinguir o que faz. É muito bacana ver a mudança de expressão do Kraven durante toda a HQ, saindo do desespero e da loucura pra serenidade, pra paz, pro término de sua missão em vida. Constantemente lembrando de sua mãe, que se suicidou… dizendo toda hora ” Disseram que minha mãe era insana.”. Acho que é um roteiro tão bem feito e os desenhos tão condizentes que chega a ser de um brilhantismo genial. Kraven, ao final, se regozija e comemora muito, afinal tudo deu certo e o Aranha não tinha como entender, porque não viveu isso ainda. É possível sentir o respeito que ele nutre pelo Aranha. Deu pra perceber que eu acho esta publicação fantástica, né ? Demorei pra escrever sobre ela porque ela pede o tom certo.

J M DeMatteis é um grande argumentista. Ele supera nesta publicação muitos outros e na minha opinião é muito pouco reconhecido por alguns de seus trabalhos. Pensa bem no tamanho do simbolismo que ele coloca nesta edição. Leia ou releia procurando as entrelinhas, a base psicológica por trás de uma aventura onde torcemos pelo vilão, podemos nos identificar com ele, sentir como ele e ao final, até achar que em algum momento poderíamos vir a nos tornar alguém assim. Não no sentido de ser vilão, mas no sentido de descobrir que é de verdade e de ter a coragem de fazer o que é preciso pra se encontrar. É uma pena ele se suicidar no final, porém não havia forma de tornar a história mais memorável ou coerente com o decorrer dos acontecimentos. Meus cumprimentos sinceros e gratidão eterna a este grande artista.

Os desenhos de Mike Zeck eu já gosto a anos… desde Secret Wars. É possível avaliar que é um grande desenhista e contador de histórias pela sua constância no traço, o cuidado com as expressões faciais, a climatologia e sequencia de imagens para dar movimento ou dramaticidade. Nao entendo muito bem, mas não é qualquer um que consegue fazer um drama tão existencial como este te arrepiar. Os planos de sequencia dele são ótimos. Sentimos nojo do Rattus, sentimos náusea com a MJ quando ela mata o rato… tropeçamos com o Peter quando ele sai da tumba. Mike é um dos caras que eu compro revistas só por ter o nome dele. E a coloração que faz toda a diferença é de Robert McLeod. Ele sabe dar o clima certo. Muito bom. De tudo isso eu tiro apenas que é uma revista que é obrigatória para qualquer leitor de HQ. Seja fã de DC ou de outros personagens da Marvel, A última caçada de Kraven é uma leitura fundamental e básica. Até pra não leitores, mas apaixonados por comportamento e psicologia humana vão se deliciar com a profundidade da publicação. Leia sem medo, e sem dó. Releia, reflita, pense. Seja mais como o Kraven e seja mais livre. Um épico !
 
Abraços emocionados do Quadrinheiro Véio.
 
 
 
 
 

 

 

 

 

 

 

 

Caveira Vermelha: Encarnado

Olá, Quadrinheiros !
Não sou muito fã de publicações que visam humanizar alguns personagens, dar um passado crível em que uma pessoa, mesmo com escolhas fáceis, se torna um vilão muito mau. E é o que esta série encadernada tenta fazer. O ano é 1923 em Caveira Vermelha: Encarnado, e vemos o jovem Johann Shmidt com 9 anos, morando em um tipo de orfanato-reformatório em meio a uma revolução em que Adolf Hitler inicia seu processo rumo ao poder e a crise econômica afeta o país que perdeu a primeira guerra. Algo bem legal é que se passa bem antes de Capitão América ou qualquer outro herói. É toda centrada e direcionada ao protagonismo de Shmidt.

Acho que a primeira coisa a comentar a favor desta HQ é o fator histórico. Particularmente, eu adoro momentos históricos. Gosto quando uma HQ se localiza bem históricamente e faz a gente aprender um pouco sobre história mundial, principalmente as guerras. Tem muita coisa que eu não sabia, algumas informações bem legais sobre este período. Após o começo em 1923, a estória vai se desenrolando até 1934, que ao final vemos o jovem de 20 anos já ao lado de Hitler. 
São tantas referencias históricas que eles dedicam várias páginas no final do livro pra explicar as passagens reais que acontecem e são citadas durante a HQ. Pra quem curte as guerras mundiais, é um prato cheio. Claro que se considerarmos um jovem crescendo em meio a tudo isso, ele vive conflitos e tudo o mais, mas não acho que os vilões precisem se humanizar. No meu gosto pessoal, claro, prefiro vilões que são loucos e maus e pronto. Sem esta de mostrar que ele era humano, perdeu as coisas, se virou pro mal e de repente, PUM, vilão sem volta. A série mostra que ele tinha tendencia pro mal o tempo todo, claro. Mas com um fundo mais egoísta e de sobrevivencia pessoal do que de ser mau como costumamos ver o Caveira Vermelha Adulto. Tirando isso, todo o resto é muito legal, interessante e inteligente.
O roteiro é de Gerg Pak, que sabe gerar drama e nota-se um ritmo bem daquela época mesmo. Lugares pouco populosos, a noite ainda é vazia, tensão economica e diversos pontos que fundamentam a época. E o traço de Mirko Colak é bem artistico, embora não seja sombrio como se esperaria de uma estória de origem de um cara como o Red Skull. É um traço bem limpo se observarmos com atenção. Acho que seria bacana se ele fosse mais limpo no começo e até o final, fosse ficando mais sujo. Mas… quem sou eu pra achar qualquer coisa, né ? ( hehehe… ) O olhar do Caveira é bem caracteristico em alguns quadros, principalmente quando ele tem atos ruins. É possível sentir sua raiva. Aliás, percebo que o sentimento principal é a raiva. Já as cores estão bem desbotadas, dando um ar retrô. Acho que como o traço não é sombrio, a coloração de Matthew Wilson resolve um pouco, dando o ar mais dramático e escurecendo um pouco. Mas é um escurecer sem cores escuras, saca ? Tipo isso.
Não tenho muito mais a dizer sobre este encadernado, exceto que eu recomendo a leitura. Ela é intrigante, lenta e profunda. Eu diria até que os desenhos, olhares, movimentos falam tanto quando os diálogos. É possível mesmo você sentir emoções estranhas lendo, porque tem umas reviravoltas que são esperadas e inesperadas ao mesmo tempo. Leia sim, principalmente se você é fã da época destes 20 anos retratados nesta publicação, sob o olhar do Caveira Vermelha.
Abraços do Quadrinheiro Véio !

Os Julgamentos de Loki

Oi Quadrinheiros.
Peguei na livraria neste final de semana um encadernado capa dura do famoso deus nordico da trapaça da Marvel, Loki, hoje tão conhecido por todos devido aos filmes do cinema, mas que até poucos anos atrás seria conhecido como “Lóqui quem ?” na boca da maioria das pessoas.
O mais bacana é que, assim como o Thor, Loki também precisou ser adaptado pela Marvel pra fazer parte dos quadrinhos e depois, mais adaptado ainda pra poder estar num filme de cinema. Penso que todo este sucesso dos filmes revela que o mundo está cada vez mais dependente de heróis e ilusões. Antigamente, filmes assim não faziam sucesso, porque o pensamento das pessoas de até uns 20 anos atrás, era de que suas vidas dependiam delas mesmas e não de heróis, e não de outros. Elas buscavam inspiração em heróis. Hoje, com esta mudança cultural no mundo e a forma como as pessoas estão sendo criadas em cima de ilusões e super proteção dos mais velhos, o inconsciente coletivo se volta pra heróis, pra pessoas que vão cuidar delas, de modo que elas mesmas não precisem cuidar de si mesmas. Heróis sempre existiram, desde a Torah, todas as mitologias e religiões tem seus heróis e deuses. Porém as pessoas se inspiravam neles, buscavam ser como eles, hoje, ao menos a meu ver e posso estar redondamente enganado, estas pessoas dependem deles. Não foram criadas pra serem heróis, mas para serem salvas. ( Aqui em nosso país, então, nem se fala, né? Prova disso é o governo fazer tudo que quer e o povo ainda deixar a vida nas mãos dos políticos, em troca de migalhas.) O que percebo é que com a globalização da comunicação, começa a existir uma equalização na informação e com isso, uma mudança cultural no mundo. Não acho bom e nem ruim, apenas acho que é uma mudança que, como todas que vivemos, precisamos estar prontos pra isso. Que nos iludimos desde sempre, pra minha pessoa, é fato.

Retornando a mini-série após este “momento reflexivo“, esta publicação da Panini Books, intitulada “Os Julgamentos de Loki” reúne a mini série “Loki” de 2010, onde vemos uma percepção dos deuses nórdicos, os aesires, de uma forma mais próxima a sua mitologia do que dos quadrinhos Marvel. Mesmo Thor, Odin, Sif, Balder e cia, todos os mundos, a árvore da vida, tem um direcionamento mais fiel a fonte original nórdica. Os elementos principais estão nesta mini e só por isso já merece atenção. Uma pesquisa muito bem feita por Roberto Aguirre-Sacasa, responsável pelo roteiro. Ele teve uma percepção sobre o Loki que, assim como no original, é mais “louco” do que mal. Loki era mal apenas nos quadrinhos, porque na época de sua criação, tudo deveria ser preto-no-branco. Vilão era mal, herói era bom e ponto final. O mundo via as coisas assim. O inimigo do Thor original é conhecido como o Trapaceiro, o Mentiroso, o que muda de forma, o Maldito, mas não tem essência má. Tem essência sombria, o que é diferente. O que vemos nesta série é um deus que sofre de inveja. É curioso como os antigos parabolavam ( existe isso ? ) o que não sabiam explicar. Entretanto a mitologia era toda reflexo deles mesmos.

Loki tinha inveja de seu irmão de criação, o “senhor perfeitinho“, aquele que toda pessoa imperfeita normal adora odiar. Thor não é deus do trovão só por comandar o clima, mas porque tem temperamento tempestivo, irado. Fora isso, é uma pessoa justa e boa. Loki é mais mental, mais planejador, porém sempre cresceu a sombra do irmão e isso forjou a fogo uma personalidade vingativa e cruel, com percepção distorcida dos atos próprios e dos atos dos outros. Este comportamento todo baseado nesta inveja. E este é o ponto central da publicação. Um filho adotado que passa a vida toda querendo brilhar aos olhos do pai. Pai este que enxerga o filho da mesma forma que o mais velho, mas na visão distorcida do Loki, não. Pro Loki, o pai sempre prefere o Thor. É possível entender a loucura do Loki, entender, não justificar, mas tem algo mais… e a magistral sequencia da HQ faz a gente até torcer pelo vilão em alguns momentos. E sentir pena dele no final. Mostra que o mundo que vemos é consequencia das escolhas que fazemos, não apenas nos atos, mas, antecendendo estes atos, as escolhas que fazemos no moldar de nossos pensamentos mais internos. Os pensamentos que achamos que são nossos, mas que as vezes andam sozinhos. Muito show, né ?

Os desenhos não são os que mais me agradam, mas confesso que o que mais valorizo em HQ´s são movimento e expressões. E o Sebastián Fiumara sabe fazer isso. A mudança de desenhista na edição 4 realmente não me agradou, é como perder a linha. É como ver o filme com um ator e no final o mesmo personagem ser outro. Não gostei. A coloração é muito bem feita, manchada, fria, e segue o calor de cada situação. É bem artística. Aliás, chego a dizer que o traço é bem mais de ilustrador do que de desenhista. Existe, pra mim, esta distinção.

Amigos, recomendo muito a leitura, principalmente aos leitores que procurem algo além do convencional e que gostem de mitologia. Muito da mitologia nórdica é citada corretamente neste encadernado e vale a pena ler com carinho e atenção. Os HQ´s sempre refletem a época em que são produzidos, e o nível de entendimento do mundo.
Sou um grande fã de mitologia. Desde Mitologia Grega, Romana, Britanica, Egipcia, Nordica, Inca, Americana e a Brasileira. São todas muito parecidas, apenas diferente nos detalhes, mas na essência, todas partilham da mesma estrutura. Isso é algo a se pensar, não ?
Abraços do Quadrinheiro Véio !!

Guerras Secretas – Marvel Super Heroes Secret Wars

Oi amigos do blog. Guerras Secretas

Hoje falarei sobre uma das melhores ( pra mim, uma das TOP 5 ) estórias já lançadas pela Marvel: Guerras Secretas.
 
Esta tem um gosto mais especial, porque foi a primeira maxi-série que eu li na vidaGuerras Secretas. Estava na casa dos 9-10 anos de idade, começando a aventura de ler sozinho alí por 1985 e minha mãe aparece com a número 1 em casa, porque vinha com um álbum e figurinhas de brinde, e eu AMAVA colecionar figurinhas ( depois eu viria a saber que na verdade, o ato de colecionar se tornaria uma grande parte da minha vida…. :ppppp ). Aí, estou eu lá lendo e me maravilhando com a primeira parte e fico fissurado pra ler tudo. E o que tem de especial ? Apenas um dos melhores crossovers da Marvel de todos os tempos.
 
Situando: O ano é 1984 e a Mattel quer lançar uma linha nova de brinquedos e pra isso faz uma parceria com a Marvel. Como a editora já tinha vários pedidos de fãs a anos pedindo um encontro de vários heróis e vários vilões em uma estória só, acabam juntando e lançam a série, a principio de cunho comercial, Marvel Super Heroes Secret Wars. O mais bacana é que, embora o objetivo primário fosse uma ação de marketing em conjunto, a estória é tão boa que até hoje é referencia pra muita gente ( eu incluso ).
 
Vamos resumir um pouco a publicação, já que meu objetivo neste blog é comentar e não registrar as estórias. Ainda mais que pelo que eu sei, já foi publicada 4 vezes no Brasil e se não me engano, na Coleção de Graphic Novels da Salvat vai sair de novo… hehehehehe… Dada a importância da estória, acho que todo mundo já leu, né.
 
Guerras SecretasTudo começa com a aparição de um estranho aro gigante de aparência alienígena no meio do Central Park. E vários heróis vão lá pra descobrir o que é e acabam desaparecendo dentro dela. No momento seguinte são teleportados pra um confim da galáxia e percebem que estão em uma estrutura flutuando no meio do espaço. Em outra estrutura similar estão vários vilões, entre eles o Galactus, Dr. Destino, Homem Molecular, Ultron, Gangue da Demolição, Encantor e vários “peixes pequenos”. Do lado dos heróis vemos X-Men, Vingadores, Quarteto Fantástico, Hulk, Homem-aranha e um Magneto deslocado. Quando você está tão confuso quanto eles, aparece uma fenda no espaço que destrói uma galáxia inteira e cria uma estrela e um planeta feito de vários outros bem na frente deles. E uma voz:

Eu sou Beyonder, eu transcendo a simples existência. Destruam seus oponentes e todos os seus sonhos serão realizados. 
 
Galactus parte pra cima da fenda e o Dr. Destino o segue. De repente, os dois são rechaçados como se não fossem nada e a gente fica pensando em que tipo de “deus” está ali dentro da fenda. As máquinas se deslocam pro planeta em pontos diferentes e começa uma batalha. Acho que são vários momentos muito legais, é uma sucessão de bons momentos num roteiro muito coeso, avançado até se a gente parar pra pensar. Estão todos os personagens muito bem caracterizados. Temos um Dr. Destino incrivelmente diabólico, o Galactus como gostamos de ver, a interação entre todos os heróis, as divergências, discussões, acertos de conta entre os heróis e vilões, todo um fator humano, inteligente, heroico. Além disso, uma das cidades que foi usada pra formar o planeta é Denver. De onde vieram duas moças que o Dr. Destino deu poderes, a Vulcana e a Titânia.
Uma com poderes de calor e a outra com super força e uma arrogância maior ainda. Em um certo momento, a Titânia sai no braço com o Homem-aranha e leva uma surra do escalador de paredes… é um dos grande momentos da saga, que também tem direito a uma montanha inteira sendo jogada em cima dos heróis. Aliás, este era o número 4, que foi justamente uma das que eu quase fiquei sem. Na época que foi lançada no Brasil, nos idos de 1986, a periodicidade não estava certinha. Eu fiz meu pai correr tudo que foi banca da cidade pra poder encontrar. Lembro-me de fazer ele parar no meio do caminho de uma viagem pra casa dos meus avós em Minas Gerais pra eu consultar uma banca e, por sorte, achei. Fui lendo a viagem toda, feliz da vida ! ( e com as figurinhas… ). Lembrando também que a edição 12 foi bem complicada de achar… além de demorar muito pra sair, não foi pra todos os locais e eu levei meses pra conseguir saber o final da saga, já que não havia internet, né… :p Outras passagens que merecem destaque é quando o Homem aranha luta sozinho com todos os X-Men, quando o Thor peita os vilões sozinho e quase é desintegrado pelo Ultron que foi reprogramado pelo Dr. Destino pra ser seu guarda costas. Todos os heróis enfrentando Galactus para que ele não “coma” o planeta, e acaba indo absorver sua própria nave que tem o tamanho de um sistema solar. Dá pra imaginar isso ???
Vemos o retorno do Garra Sônica, a nova Mulher-aranha… muitos fatos que viraram canônicos. Inclusive o começo de uma nova fase solo do Coisa, já que ao final ele opta por ficar sozinho no planeta do Beyonder ( lá ele consegue mudar de aparência quando quer ) e pede pra Mulher Hulk ficar no lugar dele. A fase do Quarteto sem o coisa foi bem boa também, com direto a Zona Negativa e tudo o mais, mas é pra outro post.
 
O clímax é o final, sem dúvida alguma. O Dr. Destino consegue roubar a energia do Galactus e parte pra enfrentar o Beyonder e quando você pensa que ele perdeu a batalha, já com duas amputações, ele revida e vence o onipotente ser, tomando todo seu poder pra si. A partir daí, desespero é pouco. Ver o Dr. Destino grandioso, poderoso e ainda humano, é gratificante. Genial. Obra de Jim Shooter, grande argumentista que também era o editor da Marvel na época. Os diálogos muito bem pensados, mas tem que ler em inglês, já que em português estão bem mudados e adaptados. Inclusive na edição de A Teia do Aranha, uma fala enorme do Sr. Fantástico com o Hulk quando estava soterrados pela montanha foi cortada e ficou fraco. Tomara que a Salvat revise tudo e seja mais fiel no relançamento. Acho que merece um cuidado especial traduções de HQ, mas as vezes parece que quem traduz não é do meio. Há quem critique os desenhos, que foram divididos entre Mike Zeck e Bob Layton, mas eu já gosto, acho muito bons, gosto da forma com que são retratados, alguns enquadramentos são muito legais. Também acho algumas das capas muito históricas, principalmente a 10. 

 Esta saga serviu também pra lançar o novo uniforme do Homem-aranha, que depois seria revelado como um simbionte alienígena, e por fim se tornaria o Venom ao se unir ao Eddie Brock algumas edições depois.

Guerras Secretas
O curioso é que na época, a Gulliver lançava os produtos Mattel no Brasil, e como aqui várias estórias ainda estavam com muita defasagem da americana ( algumas em 3 a 4 anos de diferença do lançamento nos EUA ), a abril precisou fazer várias adaptações na história, mudar diálogo, adequar páginas e desenhos, pra não estragar a cronologia dos personagens que já estavam diferentes, alguns até nem tinham aparecido aqui ainda. Então, a Capitã Marvel, o dragão Lockhead e a Vampira que estavam no original, foram limadas completamente da publicação. Assim como foi inventado motivos pro visual de alguns heróis, já que a Tempestade estava na fase punk, o Professor X estava andando, o uniforme do Homem-Aranha voltou ao normal ( ainda não estava na hora aqui no Brasil)  entre outras mudancinhas. Só que eu só viria a saber anos mais tarde, quando foi republicado na revista A Teia do Aranha em 1996, a versão completa e com diálogos revisados e adequados novamente. Uma nota especial cabe neste momento, sobre como as versões se modificam. Pra mim, em muitos momentos, parecia que eu lia outra estória, já que as mudanças foram enormes e eu havia decorado muitas frases da original dos anos 80. E também nesta época as revistas vinham com fichas dos personagens no final. Muito legal mesmo… tudo mágico pra um garoto de 10 anos. Pena que eu não tive os brinquedos. Meu primo teve… eu ganhei o Thundertank e um Lion-o que acendia os olhos. Gostei do mesmo jeito.
 
Uns 2 anos depois foi lançada uma continuação, chamada de Secret Wars II, em que o Beyonder vem a Terra pra viver a experiencia humana… um desastre absurdo de publicação… não chegou aos pés da primeira e nem faz jus ao nome. Pena…
 
Como percebem, tenho uma ligação emocional com esta saga em especial. E sinto orgulho disso.
 
Deixo algumas imagens mais legais abaixo, espero que gostem.
 
Abraços do Quadrinheiro Véio.
 
 
Guerras Secretas
  
 
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Guerras Secretas 

 

 
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Guerras Secretas

 

 
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Batman: Morte em Família

Escrever sobre o Batman é uma delícia. Pra mim, é simplesmente um dos melhores personagens já criados para os quadrinhos. É complexo e polêmico. É de tal profundidade e simplicidade que mesmo o mais certinho dos mortais se identifica com ele.
 
morte em família
Morte em Família é um arco de histórias dos mais importantes já feitos com o cruzado encapuzado de Gothan. É uma obra prima que revirou tudo numa época em que várias histórias na linha de reviravoltas e mortes importantes estava em alta. Matar um Robin era algo muito forte na época. Ainda mais o Jason Todd que era muito diferente do Dick Grayson. Jason era colérico, indisciplinado. Fora o ineditismo de deixar o final por conta de votação do público por telefone. Algo que até então não se fazia. Apenas muitos anos depois foi mostrada a página que seria lançada caso a votação fosse contrária, em 2006, em Batman Anual 25.
Sempre digo que o final dos anos 80 foram insuperáveis em termos de roteiros, argumentos e mudanças positivas nos quadrinhos. Não porque era meu comecinho de adolescência, mas porque realmente esta época foi o final das invenções… o começo dos anos 90, ali por 95 é marcado pelo começo das inovações, mas sem criações. Para pra olhar… pouca coisa foi inventada no mundo após esta época. Tudo é recriação e inovação. O mundo anda muito chato, né… hehehe…. ( Coisa de véio ).
 
morte em famíliamorte em famíliaEnfim, Morte em Família mostra a descoberta de Jason Todd para o fato de que sua mãe era viva e poderia ser encontrada. Ele fica obcecado por isso e parte pro mundo em busca dela com a ajuda do Bruce Wayne. Dentre 3 opções, sendo uma delas a Lady Shiva, eles viajam o mundo a procura. Entretanto ao encontrá-la descobre que ela está sendo chantageada pelo Coringa. E pra ajudar mais ainda, ela o trai, entregando-o ao vilão que o espanca sem dó. O marcante é o nível de violência do Príncipe palhaço do crime, é  muito forte, dramático, sufocante, ao ponto de ficar de olhos arregalados e se perguntando: ” Como assim ? “. E como se não fosse pouco, ao invés de matá-lo apenas espancado, ainda colocam ele vivo e absorvendo a explosão de uma dinamite para tentar proteger a mãe traidora. Acho que este é um dos pontos altos, ao se ver o quando o Jason é uma boa pessoa. A despeito de ter se tornado amargo e violento depois, quando retorna e com bom motivo, a essência dele ainda e a de ajudar mesmo as pessoas. E olha que esta rejeição materna, mesmo que devido a ela usar drogas, ser uma pessoa de mente fraca, escrava do emocional poderia e deveria pesar mais para a revolta de uma pessoa, mas no caso do Jason, apenas colaborou para que ele reforçasse seu compromisso em ser mais que um herói, mas um super-heroi. Ele ainda não é meu Robin favorito… aliás ele fica à frente apenas do detestável Damian ( que nunca deveria ter existido, convenhamos… ), mas é um Robin original.
 
morte em família
morte em famíliaA história é bem detetivesca até chegar a este ponto, mas quando chega, esquecemos do resto todo.
Após a morte vemos um Bruce soturno, sentindo muita culpa, mais violento. Fazendo de tudo pra encontrar o Coringa. Aqui, vem uma das coisas mais geniais deste arco, pois ao encontrá-lo, o Batman descobre que ele se tornou Embaixador do Irã na ONU e não pode tocar num fio de cabelo dele. Até o Super-Homem é enviado pra ficar de olho no homem morcego.
 
morte em famíliaJim Starlin foi genial em Morte em Família. Soube escrever uma boa história do Batman. A pegada e o ritmo são mesmo bons, a cara da época mesmo, a época das grandes mudanças. Jim Aparo desenhou toda a série com a arte-final de Mike DeCarlo. E devo confessar que eu realmente adoro este visual dele, com o manto azul e a logo oval amarela. E uma das melhores representações do Coringa pra mim. Aquela boca enorme, rosto fino, queixudo, mau. Mas não o mau apenas por ser mau. Um mau doido, doente. Aquele doido varrido, psicótico. O “cachorro que corre atrás do pneu do carro, mas que não sabe o que fazer se conseguir pega-lo“. O bacana deste desenhista é o movimento, o começo de uma tentativa de quebra de quadros. Pode-se notar que ainda seguia-se muito os quadrinhos certinhos, mas em alguns momentos há esta liberdade de misturar. Era uma época em que as histórias eram contadas com mais detalhes, com mais diálogos, sem depender exclusivamente dos desenhos. Um detalhe muito legal é a coloração de Adrienne Roy, mais dura, sem degrades. Uma forma mais colorida, mais viva, mais desenhada, com menos preocupação de ser mais do que apenas uma história muito boa, sendo bem contada. O que dizer ? Adoro !
morte em família
 
Bom, se ainda não leu, leia. Vale muito. Existe uma edição encadernada, que inclusive traz como o Tim Drake se tornou o Robin e aproveite pra ver os Titãs quando ainda eram legais e o Cyborg não era exagerado como é hoje. Saudades do simples… hoje, parece que tudo é “muito muito“. Comentarei sobre este arco num post só dele, porque merece. Chama-se “Um lugar solitário pra morrer“.
 
Abraços do Quadrinheiro Véio.
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Little Friends – By Rawlsy

Little Friends by Rawlsy

Encontrei estas imagens e achei bem engraçadinhas, comparando os heróis de poderes parecidos da Marvel e da DC.
Sei que foge um pouco da proposta do blog, mas…

Divirta-se.

O Quadrinheiro Véio

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Homem-Aranha: De Volta ao Lar

Escrever sobre o Homem-aranha é tarefa bem fácil pra mim. Ele foi meu primeiro super-herói, foi onde comecei a ele quadrinhos e é minha porta de entrada pra este mundo fantástico. Recordo-me até hoje da minha primeira revista dele, Homem-aranha número 37, que vinha com um decalque de camiseta do Homem-aranha. Ganhei a revista da minha mãe. Eu estava na casa da minha avó e fiz ela colocar o decalque numa camiseta branca que eu estava usando… hehehe… Doces recordações de um quadrinheiro veio.
Mas, retornando ao assunto do post, acabo de ler a primeira edição da coleção de Graphic Novels da Editora Salvat. Edição esta que acabou de começar a ser distribuída em todo território nacional e que um leitor da nossa página do Facebook gentilmente me pediu pra comentar. Então, mãos a obra, já que não é trabalho algum.
Bom, inicio apenas dizendo que pra mim existe uma grande diferença entre Graphic Novel e uma passagem dos quadrinhos regulares. Pra mim, uma GN é uma edição feita pra ser assim, com começo – meio – fim, não necessariamente canônica, preferencialmente atemporal. E não apenas uma encadernação especial em papel diferenciado. Juntar 6 edições de uma revista regular numa edição de luxo, pra mim, é só uma encadernação, ok ? Jóia. Que bom que esclarecemos isso.
Esta edição Homem-aranha: De Volta ao Lar é tudo de bom. Sério. A muito tempo não lia algo com qualidade no Homem-aranha. E esta sequencia da revista foi bem escolhida. Deu um up, um retorno aos bons roteiros dos anos 80 que eu tanto sentia falta. Um Homem-aranha crível, um Peter Parker problemático e comum. Os anos 90 foram duros com o cabeça de teia. Saga do clone me fez parar de ler. Li ela inteira, li até o retorno do Peter após a morte do Ben Reilly. Mas a cagada foi tanta que perdi o tesão de continuar. Apenas pra situá-los, a história se passa após a separação do Peter e da Mary Jane Watson, e reune as edições 30-35 do segundo volume de “The amazing Spider-Man“, lançado a partir de junho de 2001. ( Não entendo porque a Salvat não coloca a informação de data original em seus encadernados… se tem, está bem escondido, pois procurei).
J Michael Straczynski é um gênio do roteiro e ritmo. Ele sabe pausar, sabe correr, sabe andar, sabe dar emoção. Ele sabe escolher as palavras, sabe como deixar curioso. Gosto de ler histórias dele. Mas não gostei muito de Babilon 5. ( Respeite, cada um é cada um, ok ? ). Acho que nos quadrinhos ele demonstra mais o que sabe, mais a sua produtividade criativa. Ele nos dá um Peter resgatado após tantos anos de roteiros porcaria ( o final dos anos 90 foram mais duros com o Peter Parker do que qualquer inimigo que ele já teve… ). Vemos o Parker livre, adulto, sofrido, evoluído com o tempo. Uma tendencia natural de um personagem que se torna velho e mais conhecido e atualizado aos tempos atuais, mas mesmo assim procurando manter a sua inocência e visão puras como um super-herói precisa ter. Para ser herói é necessário certo sacrifício e é o que ele começa a demonstrar. E uma das principais características do personagem, que é a persistência, é colocada a prova aqui, já que o vilão da edição é o Morlun, um vilão genial como a muito tempo não se criava. Um vilão frio, que faz a gente sentir medo, faz a gente ficar preocupado mesmo. Quando ele fala “não é nada pessoal“, é de gelar o sangue. Estou meio bobo com esta edição, confesso. :p
Arte do JR Jr. Clique pra ver maior !
A arte dispensa comentários, né… Qualquer um com Romita no nome deve ser lido por todo e qualquer fã de HQ. Sou fã declarado dos Romita e o John Romita Jr arrebenta. Ele tem uma forma de mostrar movimento muito pessoal e isso torna as habilidades do Aranha mais visuais. Quadros grandes, hachuras nas sombras, traços finos… expressões… são um legado e tanto deste artista que, pra mim, é do panteão dos melhores. Pode ver aí nas páginas que estou expondo se estou exagerando. Véio tem por hábito exagerar um tanto, né… mas não é o caso. Fora a tendência de achar que tudo de novo é ruim, o que neste caso também não é. Ah, e soube ontem pelo site Omelete que ele acabou de assinar com a DC, pra desenhar o Super-Homem.
Vale a pena adquirir a edição, mesmo que não pretenda colecionar todos os volumes. E o preço é bom também.
Abraço apertado do Quadrinheiro Véio.

Capitão América : Tempo Esgotado e Soldado Invernal

Bom dia, amigos do Quadrinheiro Véio.
Hoje vou comentar sobre duas edições do Capitão América que foram lançados recentemente na coleção Marvel da Salvat:
Capitão América: Tempo Esgotado e;
Capitão América: Soldado Invernal
São as edições 44 e 45 da coleção e a lombada está certinha, a minha veio com apenas 1mm de diferença. Aceitável. 😀
Soldado InvernalSoldado InvernalBom, a primeira coisa a se considerar quando se lê sobre o Capitão América é que suas histórias são sempre sobre Guerras, sejam guerras abertas ou secretas, é sempre sobre espionagem, governo e liberdade. Tudo muito bonito, exceto que em sua maioria, no meu gosto pessoal, é muito chato. Entretanto como leio o Capitão desde que eu era um molequinho, achei muito bom este arco de histórias, que originalmente foi publicado no número de 1 a 14 do volume 5 de Capitão América. Nesta série vemos o Capitão em busca de deter ataques terroristas e percebe em certo momento que quem está por trás é um russo, resto da guerra fria, que tem como arma secreta o Soldado Invernal, que é uma lenda até então. Não vou contar mais detalhes do enredo, acho que é bacana você ler e ter a sua percepção pessoal, mas te digo que é boa. Não está entre as melhores do mundo, mas merece destaque pela importância.
Soldado Invernal

Acho bacana falar sobre ele já que em breve teremos o filme baseado neste arco, que mostra o retorno do parceiro adolescente do Capitão América, Bucky Barnes. E acho que o escritor Ed Brubaker foi muito feliz na forma que contou esta volta de um personagem que por muitos anos era considerado intocável assim como o tio Ben do Peter Parker. Soldado InvernalSendo bem sincero não está entre as melhores histórias que eu li do Capitão América, e nem o desenho merece tanto destaque assim. Alguns angulos são bem legais e a coloração é bacana, mas Steve Epting, embora um bom desenhista, não tem algo que destaque, ou chame a atenção digna de nota. É apenas uma boa história do Capitão com um acontecimento marcante pra caramba. Claro que convenhamos que o Capitão após seu retorno nos Vingadores nos anos 60 nunca foi um dos maiores da Marvel ( exceto atualmente, por conta dos filmes… ) como ele era na época original, da guerra mesmo, mas vale a pena a leitura porque o final é bom. A condução toda é meio cansativa, embora o escritor tenha se empenhado muito em dar um passado e preencher as lacunas do Bucky em todos os anos que ele esteve sumido e o preenchimento foi deveras excelente, criativo e crível, além de ser algo novo. Acho que a história toda serve muito mais como reset e referencial, algo para te localizar para o “grand finale” que é o retorno do Bucky no final.

O começo é chocante, já que logo de cara o Caveira Vermelha é morto. E temos uma visão mais clara do verdadeiro Cubo Cósmico, que não é a aberração inventada no filme dos Vingadores. Gosto muito do filme, aliás, vibrei em cada momento no cinema, mas não gosto quando mudam algumas naturezas… claro que tudo isso é a minha opinião e não acho que é melhor do que a de ninguém, é apenas a minha visão. E cada um tem a sua. 😉

 
Quem vemos também acompanhando o Capitão é o Falcão. O personagem está ótimo, verdadeiro, fiel. E também o Homem de Ferro, que ajuda pouco, já que a história se passa logo após o fim dos Vingadores e o Tony está meio ‘falido’. Também vemos o Ossos Cruzados, que de tão fiel ao Caveira Vermelha mesmo morto, vai buscar a filha dele que está sendo mantida em um quartel. Eu nem sabia que o Caveira tinha uma filha, e vemos que ela era mantida com a memória alterada. Apenas vimos este começo na história. Confesso que fiquei bem curioso pra saber o que viria a seguir sobre ela.
Soldado Invernal

Curiosamente eu conheci o Caveira Vermelha quando era criança, no desenho animado do Capitão América dos anos 70… lembro-me que demorei pra acostumar com o nome Caveira Vermelha, já que no desenho ele era chamado de Crânio Vermelho. Coisas de véio… Até tenho alguns episódios desta época em minha videoteka, mas acho que se procurar direitinho acha alguma coisa no Youtube. Acho curioso como tem coisa inútil no youtube e estas coisas clássicas que poderiam estar todas lá, não tem nada… youtube, facebook, falecido orkut… locais de centralização do umbigo pessoal de cada um, não é ? hehehehe… ( Olha quem está falando…. hahhahaha )

Recomendo a leitura, acho que vale a pena porque é uma história que vai se tornar um clássico. Foi tão bem feita que não precisou ser refeita com flashbacks depois, já que a base criada aqui foi sólida. Talvez por isso tenha entrado na coleção, não apenas por conta do frenesi do filme. Fazia anos que nada de importante acontecia ao Capitão e acho que este retorno deu uma grande renovada nele. É uma história de guerra, emoção, reencontro. É Capitão América como ele mesmo, fiel a si mesmo, como gostamos.

Abraços do Quadrinheiro Véio.
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