Eu Wolverine

Eu Wolverine

Olá Quadrinheiro.

Eu, Wolverine - Abril

E o artigo de hoje é da história do Wolverine que me fez conhecer e me apaixonar pelo personagem logo de cara. Ná época que eu li, foi no formatinho da abril, em 4 edições. E esta história simplesmente revolucionou minha cabeça de uma forma absurda. Eu, criança, lendo apenas umas HQ’s mais leves do Homem-aranha e companhia. No ano de 1982, este formatinho me fez viajar de tal forma que eu só queria ser o Wolverine… rs… Lembro que eu peguei um colo de cartolina duro, que era o miolo do novelo de lã da minha mãe, uma fita crepe e colei uns gravetos de bambu de fazer pipa neles. Colocava aqui nos braços e tinha as garras do Wolverine pra brincar… hehehehe… Bons tempos… A gente não tinha Wii e nem Kinect, então, tinha que viver o Wolverine na pele. Claro que eu levava uma surra dos amigos. Enquanto todo mundo fazia espadinha de cabo de vassoura, lá estava eu com 6 garras retráteis de bambu, de curto alcance… mas certamente eu era o que mais me divertia ! Tudo graças à esta HQ.

1098925Esta mini-série do Wolverine definiu o personagem de tal forma pra mim, que pra tudo que eu li dele depois eu me referencio nela. Desde os traços, aos movimentos. O comportamento, o temperamento e as atitudes disciplinadas ou não. Ela foi de tal importância que, pra mim, o melhor uniforme dele é o marrom e bege e as garras dele sempre ficam mais bem desenhadas como laminas de espada ninja. Tudo nesta HQ é perfeita. A cena do urso no começo, acompanhada da frase que marcaria o personagem pra todo sempre ” Eu sou Wolverine. Eu sou o melhor no que eu faço. Mas o que eu faço de melhor, não é nada agradável.” é a melhor definição do Logan já publicada. Rapaz, perdi a conta das vezes que eu repetia esta frase a vida toda. Imagine ser um leitor de HQ numa época que ninguém lia. Imagine um tempo em que ninguém conhecia esta frase… Hoje em dia Wolverine e vários outros heróis estão na moda. Mas nos anos 80, meu amigo, ninguém entendia lhufas do que a gente dizia. E mais ainda, você era considerado um nerd crianção. Como se não bastasse as boas notas na escola. Acho que foi apenas quando ingressei o ensino médio ( na época, segundo grau ) que conheci mais umas 3 pessoas numa escola com mais de 500 que liam HQ’s. A sensação de solidão se foi ! ( louco isso, né ? hahahahahaha ) Ter com quem falar sobre paixão é tudo de bom. Aliás, penso que muito da febre de futebol, carnaval, e outros gostos populares que existem se propagam e crescem por isso. Para que as pessoas possam ter com quem falar. Mas eu nunca gostei de futebol e carnaval, menos ainda… além de nerd eu era Heavy Metal… ( caraca… sempre excluido socialmente, né… hehehehe… de boa ). Então, encontrar pessoas que curtiam heróis foi muito legal. 
13-wolverine1-1aEu, Wolverine
é uma HQ obrigatória. Mais do que isso, é uma das primeiras mini-series focadas no Logan, que mostravam mais de sua vida além X-Men e que começou a definir um caminho pra sua personalidade. Começa a mostrar as coisas que ele se importa e começa a tirar um pouco daquela imagem de baixinho nervoso ( dizem que baixinho é mais bravo, porque o sangue sobe mais rápido pra cabeça…hehehehe ).

Vamos falar um pouco sobre a série. Já começa com o Logan no Canadá sendo ele mesmo. Primeiro ele vai atrás de um urso que havia matado umas pessoas e descobre que o urso estava envenenado e por isso, fora de si. Pelo cheiro da flecha do caçador, ele encontra o cara em uma cabana. Esta sequencia já vale a edição. Sem exageros. Em seguida ele vai pro Japão para encontrar uma namorada ( que a gente nem imaginava que existia ) e descobre que ela é de uma família de mafiosos ligados ao Tentáculo, um clã de ninjas assassinos mortais ( sentiu o peso, né ? ).  O pai dela é o líder do Clã Yashida e quer casar a filha para aumentar o poder da família, e o Logan não quer aceitar isso. Aliás, a condução de cena das batalhas de espada entre Logan e Lord Shingen são obras primas. O drama das cores, das sombras… foco, mudança, movimento… uma dança conduzida pela morte, narrada pelo próprio protagonista: – ” Eu arranco wolverine1sangue. Ele arranca ainda mais de mim.” Por aí, você já sente a encrenca, né ? Uma das grandes idéias desta mini-serie é a introdução da Mariko Yashida e de Yukio, a ninja assassina. Yukio tem a missão de matar o Logan, mas acaba se apaixonando. Tudo que a gente lê nesta história tem ligação com o Japão e seus costumes. Gosto muito deste toque heterogêneo : De um lado a disciplina e valores orientais japoneses e do outro, a raiva caótica do mutante canadense de alma selvagem. Existem momentos que a selvageria toma conta e Logan curte isso, se solta, abre sorrisos… ele é uma máquina descontrolada que gosta disso. Mas ao final, o lado homem vence, o amor dele por Mariko vence o torna digno e humano, integro. Com controle sobre sua selvageria. Mais uma vez, a sabedoria oriental, se auto-conhecer para se tornar pleno, prevalece. Uma história muito notável, emocionante, inteligente, gratificante. Perdi a conta de quantas vezes eu li e reli esta história nestes anos todos… naqueles gibis pequenos, com a capa solta… remendada com durex por um desesperado menino que curtia muito preservar suas coisas. Você pode imaginar que, embora ninguém hoje em dia pague 1 real por esta edição de 1982, eu não vendo a minha nem por uma Ferrari. Não é o que temos, mas quem somos, que no diz quem somos. Suas atitudes terão peso no mundo e não suas posses. Eu vivo por princípios. Por mais demodê que isso possa parecer.

edd5554c6cb622cf4d54c0aacfaff9ffAssinando o roteiro está o magnifico Chris Claremont. Eu não sei se preciso falar algo dele. Pra mim é o maior de todos os escritores dos mutantes da Marvel de todos os tempos. Insuperável. Existe sim todo um sentimento nostálgico na minha afirmação, mas é aquele esquema. Este é um blog de opinião e não tenho obrigação de ser neutro. Sei que muitos outros redefiniram muito os mutantes depois dele, mas o que este cara fez nos mais de 12-13 anos à frente das revistas mutantes, é definitivamente superior. E todo o estudo que foi feito por ele pra esta revista, definindo seu background, seu passado recente. Aquela medida entre manter o mistério mesmo revelando muito. Ele soube fazer e fez bem feito demais. Seus diálogos são tão barbaros, inteligentes, relevantes e cabíveis… este cara fez uma revolução nas revistas em série. E tendo Frank Miller pra dar vida e movimento às suas idéias, não tinha como não aclamar esta HQ como uma das grandes dentre as grandes. Frank Miller se esbaldou em duelos e movimentos. Acho que esta HQ foi de grande auxilio pra preparar Cavaleiro das Trevas em termos de profundidade de roteiro. Mesmo ele não tendo escrito, apenas desenhado esta série, ela está nos primórdios das mudanças que culminaram em HQs como Watchmen, 300, Gilgamesh, Cavaleiro das Trevas, Ronin… parece que o universo estava se preparando e começou com Eu, Wolverine.

ImortalExistem várias passagens do filme Wolverine Imortal que são baseadas nesta mini-série. Uma pena que a adaptação pro cinema não tenha ficado tão boa. Eu gostei do filme, mas não empolgou. O que considero muito triste, já que a história e o personagem merecem, e muito.

Se você tem alguma dúvida da importância histórica desta revista, espero ter ajudado a situá-la pra você entre as grandes produções da época. Ela consegue ser atual nos anos 80 e se manter com a mesma atualidade nos dias de hoje. Ela não fica datada, mas entender o momento mundial é importante. Leia com tempo, sem pressa. Aprecie as ilustrações ( se você conseguir, pois o ritmo é frenético ). Se permita emocionar com os personagens e entender que emoção não é apenas chorar, mas rir, sentir raiva, medo e inspiração.

Abraços do Quadrinheiro Véio !

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Deus Ama, o Homem Mata – X-Men

Deus ama, o homem mata

Deus Ama, o homem MataEsta sim pode ser chamada de Graphic Novel com G maiúsculo. Até porque era assim na época em que Graphic Novels realmente eram uma obra-prima e não apenas uma coletânea de sagas de revistas regulares. Deu pra perceber que eu torço o nariz pra estas coleções de encadernados se auto intitularem Graphic Novels, né ? Não é a capa dura que faz uma Graphic Novel, mas seu conteúdo. Não entendam mal, gosto das coleções, não gosto de se auto denominarem como algo que não são. Soa mercadológico, enganador, cascateiro… parece que quer me enganar e isso não é preciso. Juro que não entendo o departamento de marketing de muitas empresas. Tem tanto profissional de marketing bom por aí que entende de mercados específicos e de produtos específicos, mas as empresas insistem em contratar pessoas por currículo, e estas fazem muitas besteiras em vários níveis. Bom, paciência… sou profissional de marketing e entendo bem isso, o que não me impede de ficar chateado. Ainda temos muito a evoluir, mas não é o caso neste post de hoje. De qualquer forma, se isso te der algo para refletir, já me sinto realizado.

Deus Ama, o homem Mata
“Humano?! Você ousa chamar aquela coisa… de humano?”

Em Deus Ama, o Homem Mata somos introduzidos ao cerne do que torna os X-Men o que são de verdade: párias de uma sociedade. Aquele lance de ” uma sociedade que os teme e os odeia por não os conhecerem” é tudo o que vemos aqui. Só que de forma magistral, como um mestre pode fazer. Coisas de Chris Claremont. Aliás, nunca houve e nunca haverá ninguém tão foda forte no título dos X-Men quanto Claremont. Ele definiu tudo. Ninguém conseguiu definir os X-Men tão bem quanto ele. Vieram muitos depois, causaram e descausaram… mudaram esteticamente, mexeram em essências e personalidades, fizeram um monte de besteiras ( pra não usar a palavrinha de 5 letras que começa com M ). Tentaram, mas sempre pecaram num dos principais pontos: Mudar a personalidade dos personagens. Claremont nunca precisou disso para escrever histórias marcantes. Nunca mudou nada em mais de 10 anos à frente dos mutantes da Marvel. 09As situações, aventuras, vilões… tudo mudou, mas a essência sempre se manteve. Porque a essência é o que faz você se identificar com o personagem e quando você muda isso, é quando você perde o leitor. Por que os X-Men ainda tentam fazer sucesso ? Porque cada vez que você abre uma revista dos mutantes, você tem uma esperança lá no cantinho do seu coração de que os X-Men estarão lá… e não esta miscelânea sem nexo que fazem nos dias de hoje. Tentei ler Wolverine recentemente e quase vomitei na revista… muito ruim. Agora você entende porque a Marvel vive fazendo as péssimas histórias que faz atualmente ? Deus Ama, o homem MataPorque idiotas como nós ( sim, me incluo em vários casos ), vão chegar nas bancas e comprar as revistas mesmo sabendo que vai ter porcaria, mas lá no fundo a gente acredita que uma hora ele irão trazê-los de volta. Aí quando o interesse do pessoal cai com as péssimas histórias, os editores dão um jeito de zerar tudo e resgatar a essência outra vez. Como tudo no mundo de hoje se tornou medíocre pela facilidade de acesso, os gênios ficam escondidos na multidão e por isso, fica mais difícil de encontrar escritores decentes. Mesmo pras grandes editoras. É um momento triste esta transição mundial do “jeito de ser das coisas” em que vivemos, e em tudo se percebe este reflexo, seja na política, na economia, na religião e porque não, nos quadrinhos e no cinema. Normal, percebe aí pra você ver.

Deus Ama, o homem MataEste post de hoje está bem cheio de revoltas e isso tem a ver com a própria história da edição que comento aqui. Afinal, o preconceito é o assunto principal da revista, e o mais legal é que ele fica em voga o tempo todo, mostrando todos os lados da questão. A genialidade do Claremont está justamente no fato de que ele não toma um partido. O “lado” não é dos humanos, ou dos mutantes, mas sim do quanto o preconceito é ruim, do quanto as massas são facilmente manipuláveis por falta de  cérebro. E se você observar muito bem, perceberá o quanto estamos longe de acabar com isso. Acho que o preconceito é algo inerente à espécie humana. Não é um problema social, mas biológico. Pode ser quem um dia venha a sumir com a evolução social, cultural e atinjamos o nível que Star Trek nos mostrava. Uma era em que não se veria nem cor de pele. Mas, como pode ver em “Deus Ama, o Homem Mata”, mesmo uma historia de 1982 continua super atual nos dias de hoje. O que mudou apenas é que ter preconceito era normal naqueles dias. Era comum se expressar com preconceito. Hoje as pessoas ainda tem os mesmos preconceitos e se baseiam neles pra suas escolhas e decisões, só que não expressam. Se escondem e, cá entre nós, melhor você sofrer preconceito direto, olhando na cara do monstro do que sofrer o preconceito velado, pelas costas, sem saber de onde veio a bala.

img_0442Deus ama, o homem mata é pontual, afiada. Tem falas maravilhosas, cuidadosamente escritas para tocar fundo na alma. Numa época em que os mutantes eram amados por todos os leitores, vê-los sofrer preconceitos do mundo real foi doloroso e fez muita gente pensar no assunto. Eu acho confuso como que tem gente que ainda pensa que HQ’s são coisa de criança… ensinam mais do que muitos livros, porque os quadrinhos te fazem viver algo real, te colocam dentro da historia, fazem você sentir. Tem muita literatura por aí que é sim boa a seu modo, mas que não cria esta identificação com o leitor. E é por isso que hoje as pessoas se identificam tanto com os heróis do cinema. Eles são mais diretos. Assim como o Faroeste já foi um dia. Penso que a Panini deveria relançar esta edição em papel normal, com preço normal e fazer um favor a população ao torná-la acessível a todos. Ela  pode ajudar a nova geração super-protegida pelos adultos de hoje, a entenderem o que é o preconceito, seus diferentes níveis e suas consequencias.

ANX_21_Preview_1Uma coisa que gostei muito em “Deus ama, o homem mata” é que para ficar mais evidente como o preconceito funciona, Claremont se fez valer de artifícios inteligentes ao mostrar que mesmo uma pessoa doente pode guiar multidões com os argumentos certos, se estes argumentos se fizerem tocar de alguma forma com algo que se identifique dentro do outro. Isso não é diferente do momento político que vivemos em nosso pais. Aliás, não apenas aqui. Existe uma vertente de estudo que diz que 8% da população humana faz parte da solução, 2% faz parte do problema e 90% faz parte da paisagem. Imagine você que estes 2% fazem um baita estrago porque manipulam os 90% da paisagem e os 8% dos bons ficam ocupados tendo que corrigir esta paisagem o tempo todo, o que permite que os “cidadãos problema” continuem na vida boa… Pois é, pense aí onde você está localizado. Mas seja muito sincero com você mesmo. Porque é disso que esta HQ fala.

Deus Ama, o homem MataPode ser que este texto tenha ficado um tanto tenso, até pesado pra se falar apenas de uma HQ. Mas isso mostra que quando não uma pessoa se pronuncia sobre algo errado, o simples fato de que ela se cale, permite que o mau avance. E nesta Graphic Novel, o preconceito é o vilão. Não é o reverendo maluco, não é a religião, não é o Magneto, e não é a justiça. É o mal do julgamento sem razão/pensar. O julgamento sem coração. A ignorância levando ao medo, medo leva a insegurança, que leva a frustração, que leva ao ódio e este leva ao sofrimento. ( mestre Yoda ? ) O caminho é este. Este caminho ocorre dentro de cada ser humano, inconscientemente. E se não for levado ao consciente, se não for percebido com a atenção objetiva, ele domina nossos atos e nem percebemos. Aí, quando o pior acontece, quem você vai culpar? Os mutantes ? Os negros ? Os políticos ? Os ET’s ? As pessoas de olhos verdes ? Esta HQ também mostra o poder de indução de uma crença religiosa sendo abusado por uma única pessoa com o poder da oratória. Veja bem, religião não é problema. Religião é pura. A manipulação da fé alheia para atingir objetivos próprios é que são o verdadeiro mal. E isso é do ser humano, não do divino.

Deus Ama, o homem MataLeia esta HQ e pense, reflita sobre a tua vida, sobre os teus hábitos e na tua influência a sua volta. Não apenas leia por ler… não seja parte da paisagem, seja parte da solução do mundo. Creio que este seria o modo mais inteligente de agir no nosso mundo e torná-lo melhor. Porque pior pode ficar sim. Uma HQ de mais de 30 anos ainda é atual. Como você explica isso ? Lembra do livro/filme, a Máquina do Tempo ? As vezes penso que cada dia que passa, somos mais parecidos com os Elóis e nos permitimos e aceitamos ser capturados e devorados pelos MorlocksH.G. Wells era um visionário do começo do século, mas quem quer fazer algo a respeito ? Pois bem, este blog é uma das formas que encontrei, além das minhas atitudes do dia a dia… Fazer postagens por curtidas te leva onde ? Escrever o que todo mundo quer ler, te leva onde ? Reflita.

Como pode ver, Deus Ama, o Homem Mata leva a muito o que pensar. Eleva o pensamento, busca questões dolorosas dentro da gente. Apenas os fortes enfrentam a si mesmos. É a maior das lutas, a mais sangrenta das batalhas, e a verdadeira guerra a ser vencida. Os diálogos da HQ são muito fortes, inteligentes, profundos. É uma publicação inteligente. Precisa ter massa cinzenta pra sacar a amenidade, e olha que o Claremont fez de tudo pra ser o mais direto possível, pra que todo mundo entendesse… mas com o nível de cultura que vivemos hoje em dia, penso que é uma pena que muita gente apenas leia uma “historinha“… e isso explica a baixa qualidade das HQ’s de hoje.  

xmenglmk3Os personagens presentes nos X-Men são a melhor formação de todos os tempos ( segundo a minha opinião, claro… ): Wolverine, Ciclope, Tempestade, Noturno, Colossus e Kitty Pryde. Nunca houve equipe como esta. A mais coesa, mais irmã, mais realista. E é claro que ter o Carcaju no uniforme marrom só deixa melhor ( hehehe ). A participação do Magneto como o “outro lado da moeda” é muito densa, é bem orquestrada. Ainda mais com a situação em que o Xavier se encontra. A gente sempre ficou do lado do Xavier, mas nesta história, a gente começa a ver o Magneto com outros olhos. É quando começa todo a fase cinza nas HQs. É quando os vilões passam a ter motivações reais, plausíveis e questionaveis. É revista pra ler e dormir abraçado chorando pela honra de ter lido. Sabe assim ?

Deus Ama, o homem MataA Arte é de Brent Anderson. O cara tem o típico traço dos anos 80. Direto, orgânico, visceral. Muito bem desenhado, expressões diretas, sinceras, sem esta mania de “toda página é uma capa” de hoje em dia. Ele soube fazer a história ser algo sequencial. Cabe dizer que ele foi muito bem na substituição de última hora do Neal Adams. Aliás, tiro meu chapéu pra ele. Ele não se traiu por dinheiro. Ele seguiu a sua ética. Ele é um símbolo de caráter. No Brasil, chamam este tipo de pessoa de “idiota“. E são os “não idiotas” que estão pagando o preço desta crise causada por eles mesmos… se houvesse um mínimo de ética em nossa cultura, teríamos um pais diferente… mas, enfim. Reclamar não resolve, atitude, sim.

Todo o roteiro do filme X-Men 2 foi baseado nesta HQ, mas nem de longe o filme chegou perto do drama da revista. O filme misturou alguns pontos desnecessários, embora tenha sido o melhor dos 3 primeiros filmes mutantes e o meu preferido. Se você não leu esta maravilha, está mais do que na hora de ler. Porque isso te dá cérebro, forma massa cinzenta, saca ? Tutano !

Vou ficando por aqui, possivelmente este é o post mais longo do blog até hoje. Agradeço a você que leu ele inteiro. Quem já sofreu algum tipo de preconceito vai entender esta edição como ninguém. Quem nunca sofreu, se for uma pessoa de baixa empatia, provavelmente não vai sacar o quanto ela é importante. ( Isso mesmo, é importante, no presente. Como já relatei acima, o quadro não mudou ).

Por favor, comente e compartilhe. Quanto mais pessoas lerem, melhor pro mundo das HQs.

Abraços do Quadrinheiro Véio.

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Wolverine Origem 2

Olá Quadrinheiro ! Wolverine Origem 2

Wolverine Origem 2Recentemente comentei aqui no blog sobre Wolverine Origem, ( não leu ? Pare de ler agora e clique aqui. Depois você volta.). E como disse, não foi uma historia que eu acho que deveria ter sido escrita. Em Wolverine Origem 2, temos a continuação da história anterior, com Logan vivendo com os lobos. Em uma vivida homenagem à mini-serie do Frank Miller, Wolverine enfrenta um urso polar, mas não foi tão fácil como da primeira vez, e este não estava enlouquecido pelas flechas envenenadas, mas sim por ter sido cobaia em experimentos loucos.

Podem haver spoilers aqui, ok ? Se for ler, siga sabendo disso.

Levaram 10 anos para escrever esta continuação. Lançada em fevereiro de 2014, Origem II desvela mais um pouco do passado misterioso do Carcaju atarracado, enquanto que tenta manter um pouco da sua mística. Acrescenta alguns personagens novos, uma família de Creeds e uma revelação de que Nathaniel Essex já havia cruzado o caminho do Wolverine anos antes de encontrar os X-Men e antes de ser aquele “Colossus” roxo com um losango vermelho na testa.

Wolverine Origem 2A história é boa, com uma boa dose de drama. Repetindo mais uma vez a “criativa” a ideia de Logan tentar mais uma vez se unir a civilização, virar uma cobaia de laboratório, fugir com uma mulher que ele acaba se apaixonando e esta estar com outro. Acho que, ou a criatividade do mundo acabou, ou eu estou velho mesmo… rs… será que não tem nada diferente pra fazer com ele ? Sei que tudo acontece em ciclos, que a humanidade vive se repetindo, reciclando os próprios erros até aprender com eles, evoluir e superá-los. A natureza é assim. Mas, poxa… a gente já leu isso com o Logan umas… sei lá… X vezes. De qualquer forma, é bem melhor do que a edição original. 

Wolverine Origem 2Wolverine Origem 2 tem seus momentos. O começo é muito, muito legal. O encadernado da Editora Panini que eu li traz os números 1 a 5 de Wolverine Origins 2. O numero 1 inteiro é muito bom. Segue muito bem a selvageria… sequências lindas de imagens bem desenhadas. Aliás o Andy Kubert se supera nesta edição. Experiência vai se acumulando mesmo. Traço preciso, expressões perfeitas. Emocional, rítmico… uma dança rítmica… literalmente, Logan “Dança com Lobos” ( tu-rum-tisssss) . A arte faz valer grande parte do investimento nesta publicação.

Wolverine Origem 2Outra coisa bacana é a quantidade de referencias. Tem muitas. Tem coisas que são como uma recompensa para leitores antigos como eu, menos obvias, mas igualmente interessantes. E não acho que tem referencias demais, não. Eu adoro referencias, gosto de ficar com um clima de saudosismo e com aquele sentimento de “puxa vida, eu lembro disso !”. Se mantiver a atenção, verá vários sinais sobre Essex, sua equipe de Carrascos ( acho que ele sempre gostou deste nome ), duas cores, seu laboratório e sua frieza excepcional em nome da ciência. Eu gosto deste personagem, não posso negar. Já a menina, Clara, que aparece eu não sei de onde ela veio. Ela é uma de 3 irmãos Creed e você passa a historia toda achando que o irmão que fica o tempo todo atrapalhando a vida do Logan é o Victor, mas depois fica entendido que não é, já que ele aparece no final da HQ numa imagem sensacional ! Está vendo ? Como eu disse, a historia é boa, mas tem momentos ótimos. Pena que são apenas momentos. Eu particularmente prefiro quando a historia é ótima com momentos bons. Mas, bom… é o que temos. O que me lembra que Clara era o nome da namorada do Doc Browm em De Volta para o Futuro 3. Seria uma referência ? Se bem que BTTF3 se passa em 1885 e Origem 2 em 1907. 

Origin_II_3_Preview_2Eu acho que Wolverine Origem 2 é menos desnecessária que Wolverine Origem 1. Mas, se fosse pra escolher uma delas, acho que poderiam e deveriam ter lançado apenas a sequencia. O passado do Wolverine é interessante enquanto fragmentos. Lembro que na primeira série de HQ’s do Wolverine pela Abril, em formatinho ainda, haviam umas histórias dele no passado que eram ótimas. Que valiam a pena ler. Wolverine funciona muito bem em historias soltas, com começo, meio e fim, sem precisar ficar seguindo uma onda seriada. Ele é um lobo solitário, mesmo que não curta isso. Uma série “Um conto de Wolverine” seria algo perfeito para o personagem. Ao menos, no meu ponto de vista.

O roteiro é de Kieron Gillen ( que eu não conheço ) e acho que ele foi bem melhor do que o Jenkins. Ele tem um ritmo de escrita que parece conhecer melhor a historia do personagem. Ele deve ter acompanhado e lido bastante sobre o Logan pra entrar mais na psique dele. Acho que a formula batida que eu cito no começo deve ter sido encomenda de editor chefe, sabe ? Lance comercial. Mas ele tenta ( e por vezes, consegue ) ser criativo e fugir um pouco disso as vezes e imprimir seu estilo. Gosto das historias mais antigas, porque a liberdade artística era mais respeitada. Hoje, os caras recebem as formulas e embora possam personaliza-las, a raiz essencial da historia já está mais ou menos encomendada pela editora. A arte perde como um todo. E não se é possível saber, se fosse permitido ao artista ser ele mesmo, se o resultado seria diferente. Pode ser que sim, pode ser que não. Estamos vivendo momentos muito massificados. A individualização se torna rara a cada dia. Ser “você mesmo” parece cada vez mais “errado“. Ao menos é o que eu sinto. Até bem pouco tempo atrás as pessoas de diferentes pontos do mundo eram muito diferentes. Hoje em dia, com a globalização e a internet, estamos cada vez mais iguais e a percepção é a de que a diferenciação entre culturas irá cada vez mais se perder, tudo se misturar e em poucos anos, quem sabe uns 100 anos, sejamos todos apenas um só povo da Terra, sem fronteiras de língua e cultura. Pode parecer viagem, mas faça uma projeção do futuro baseando-se no passado ? Star Trek tinha razão… os estrangeiros devem ser os ETs e não os Europeus. E isso em pouco tempo.

Wolverine Origem 2Bom, já tomei demais o seu precioso tempo. Deixo a você esta reflexão acima. E adoraria se comentasse o que pensa sobre isso.

Recomendo bastante a leitura, principalmente aos fãs de Wolverine. É bem melhor do que a primeira ( aqui ) e pode ser lida tranquilamente sem precisar da predecessora. Os desenhos são um deleite. Repito.

Abraços do Quadrinheiro Véio.

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Wolverine Origem

Olá Quadrinheiro !! Wolverine Origem

wolverine origemObrigado por ter a oportunidade de dividir com você a minha percepção sobre minhas leituras. Sei que leio muito de tudo a muito tempo, mas nem por isso consigo acompanhar tudo que é lançado. Mesmo assim, vou procurar sempre que possível, narrar aqui esta “paixão” que sinto pelos heróis. E a “bola” da vez é o mutante atarracado canadense, que teve a sua origem relevada em Wolverine Origem. A edição que irei comentar aqui no blog hoje é a que eu li na Coleção Oficial de Graphic Novels da Editora Salvat. Coleção esta que eu recomendo fortemente, pela qualidade e seriedade que a editora já demonstrou ter pelos seus clientes. ( Lembrando que esta editora não me paga UM CENTAVO sequer pra falar bem dela… mas bem que poderia me mandar umas edições para analisar… hehehe )

Wolverine Origem é desnecessária. Sério, na boa. Poderia ser um “What if” semwolverine origem maiores dores na consciência. É que nem Midi Chlorians em Guerra nas Estrelas ( Star Wars ). Vem pra responder uma pergunta que ninguém ousava fazer em voz alta, por medo de alguém tentar responder e falar alguma besteira. Pois é… alguém foi lá e fez. Sei que isso parece coisa de velho ranzinza e entendo que comercialmente algumas coisas são necessárias. É que na opinião deste “Véio que vos escreve“, a arte e narrativa sempre estarão na frente. E colocar isso como obra definitiva não quer dizer que é boa. Ter sido a revista mais vendida de 2003 não significa que seja algo bom, significa apenas que muita gente tinha curiosidade. A coisa é tão “estranha” que pouco se comenta sobre ela. Passa batido… origem que não precisava ser explicada. ( repito tantas vezes a mesma coisa, em palavras diferentes, que aposto que você está se sentindo lendo a um verbete do Aurélio ). E o Véio rabugento ataca novamente !! hahaha

Vamos lá, pode ser que apareçam alguns Spoilers durante o texto a seguir, ok ? Leia por sua conta e risco.

4cb1054d599fcA historia começa na infância do Logan e é dado a ele o nome de James. Tipo… James. Um garoto super bem cuidado, com uma infância feliz e alegre, superprotegido pelo pai e filho de uma mãe maluca. No meio do caminho, acontece uma tragédia entre ele e o filho do Jardineiro, este sim de nome Logan e o nosso herói acaba o matando com suas recém descobertas garras de ossos. Até aqui vemos que tudo vai se apoiando em uma historia mediana em cima da outra. Primeiro ao se apoiar na descoberta de que o Wolverine já tinha garras de ossos quando foi colocado o Adamantium, conforme foi revelado logo após o Magneto tirar o Adamantium dele em Fatal Atractions. Quando a gente vai ficando mais velho e de repente alguém vai lá e muda todo um passado de um personagem que você le a mais de 10 anos causa sim alguma estranheza pra se adaptar. Até este episódio da perda do Adamantium, era sabido que o Carcaju havia recebido aswolverine origem garras pela ciência no momento do implante do Adamantium. E de repente, ele descobre que tem ossos em forma de garras. Até aí, ok. Eu posso não ter gostado, mas entendo que estas adaptações fazem parte de uma linha editorial que precisa inovar e reinventar o personagem o tempo todo para garantir mais e mais vendas e a editora sobreviver… mas ainda assim, acho que ficar mudando origem é muito forte e pode macular essencialmente um determinado herói. Wolverine é mais forte do que seus editores, já que sobrevive a isso. Logo vemos que seu fator de cura vai além do corpo e se estende as HQs. Alguns personagens parecem sobreviver da consideração dos leitores que o conhecem de muito tempo. Porque ultimamente anda difícil dizer que o Wolverine é um personagem foda muito bom, lendo os materiais atuais e dos últimos anos. Isso é uma pena… me faz temer pelo futuro do mesmo. A revista atual dele em Marvel Now! está muito lixo, fraca demais… boba demais. Será que as editoras pensam que os novos leitores são tão superficiais e bobos como os argumentos atuais sugerem ? Viu como estou ficando ranzinza ?

4cbf36c9234cdEm seguida nosso amigo foge e vemos uma mudança sem explicação, daquela criança frágil e medrosa se tornando o “bicho bravo” que é hoje. A gente fica sem entender se é por instinto ou outro motivo, já que o simples fato de apanhar de um gordão o tempo todo na revista não me parece algo que faria este efeito. O mesmo quando ele começa a viver mais com lobos do que com as pessoas. Acho que deve ser pelo instinto mutante dele, por ser mais fera que homem em alguns momentos. Mas a meu ver não se justifica a mudança assim, apenas por acontecer. Entretanto, após um começo que eu não gostei muito e um “meio” morno, temos uma sequencia no final que faz valer a compra da edição. Não pelo seu fator histórico canônico, que isso é ruim mesmo, mas pela historia pela historia.

Acho que a parte psicológica ficou muito fraca… não convence. O personagem quewolverine origem conheci nos anos 80/90 era mais forte e menos traumatizado. O Wolverine de “Origem” é muito frágil e até meio burro. Não diria nem inocente, mas muito manipulável e traumatizável demais. Você pode até dizer que é porque era ele no começo da vida, ainda não tinha toda a vivencia que ele tem mais adiante na vida, que é uma historia de origem, que vem humanizar o personagem, mas ainda assim eu te digo que historias de super-heróis precisam ser mais heroicas e menos “novela das oito“. Deixem as humanizações para os filmes e séries, nas HQ’s coloque heroismo do bom e do melhor. É o que eu digo… rs… Parece algo meio inflexível e exagerado, mas se você retornar e pensar em todas as HQ’s que você realmente gostou em todos os anos anteriores ao meio dos anos 90, vai perceber o que estou dizendo. E vai perceber que os grandes clássicos estão neste período também. Alguns personagens que são introduzidos parecem interessantes, como o Cão ( que lembra bem o Dentes de Sabre ) e seu pai Logan ( a-ha !! Eis de onde veio o nome que Wolverine adotou pra si, com um motivo bem esdrúxulo), que até fica meio “subentendido”que estava de caso com a mãe do garoto e é sem pinta de dúvida seu pai verdadeiro, a julgar pelo cabelo. Não adianta brigar comigo, eu avisei lá em cima que haveria spoilers aqui.

O traço é bom, Andy Kubert é um grande desenhista e sabe colocar emoção nos quadros. Basta analisar os olhares dos personagens, as posições de “câmera“, o movimento das lutas e a intensidade com que faz a gente sentir as “porradas”. Parece mesmo que estão doendo pra valer. Toda a coloração é como uma pintura, com sombras, nuances que lembram mesmo aquarela e traços de lápis de cor. Bonito de se ver, agradável de ler. Richard Isanove ( dito cujo que eu nunca havia ouvido falar ) é quem assina a pintura digital da edição. O roteiro é do Paul Jenkins que pra mim ficará marcado como ” O-cara-que-contou-a-historia-que-ninguém-precisava-saber-e-ainda-fez-mal-feita“.

Apesar dos pesares, recomendo a leitura. Acho que se você é fã do Wolverine, deve saber apagar da sua cabeça esta Wolverine Origem e ainda assim conseguir ser feliz.

No próximo post eu comendo sobre a continuação desta historia, muito mais bem escrita, em Wolverine Origem II.

Abraço do Quadrinheiro Véio !

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Wolverine – O Velho Logan

Eu simplesmente adoro estas edições de futuro alternativo, principalmente futuros apocalipticos em que os heróis perderam e o mundo virou um caos… hehehe… devo ter algum problema de caráter…rs…
Velho LoganEm Wolverine – O Velho Logan, temos isso. Mas isso em grande estilo e qualidade. Vou fazer um resuminho, me esforçando pra não liberar spoilers. Passaram-se 50 anos no universo Marvel após os vilões se organizarem e atacarem todos os heróis ao mesmo tempo e em massa, causando a morte da grande maioria esmagadora deles e os poucos que sobreviveram estão escondidos ou sendo mercenários. Pra ajudar, os líderes vilões dividiram os EUA em 4 reinos e é tudo um grande deserto, no mais belo estilo Mad Max. Tem um monte de dinossauros espalhados por aí, e filhos e netos de vilões e heróis espalhados, perdidos, sendo alguns mais vilões, outros mais heroicos. É muito interessante ver o que alguns vilões acabaram se tornando. E o que pra mim foi o mais importante: Coerência. O universo desta HQ é coerente. O Wolverine é coerente. Os vilões e o que aconteceu com eles é coerente. Gosto disso, acho que é uma forma de deixar a gente curioso e se sentir homenageado por não mudarem tudo o que vc passou uma vida lendo ( meu caso… principalmente pelo ódio que sinto de Novos 52 da DC ).
Velho LoganVocê sabe que é uma HQ muito bem feita, porque não consegue largar ela até acabar. E se emociona ao ler, fica instigado e ansioso. Tudo é revelado no tempo certo, os motivos do Logan não usar mais as garras e os motivos pra voltar a usar são autênticos. Ele é um herói na essência, mas parece que luta o tempo todo contra isso… é aquele lance de aceitação. E, poxa, desde que entrou pros X-Men láááá atrás, ele passa por este conflito interno. E podemos ver os conflitos dele, sentir dentro de nós.

Acho que é isso que deixa a gente mais identificado com algumas HQ´s: A habilidade do roteirista de te colocar dentro da HQ, sentir o que está lá como se fosse com você. Perceba que, pra mim, HQ tem que te fazer sentir, tem que fazer emocionar, vibrar, torcer muito. O Velho Logan faz você torcer por ele, sentir pena, ódio… não entender algumas ações dele até ele explicar e contar tudo que houve. E a batalha final ? Minha nossa… épica ! ÉPICA ! Não vou nem dizer com quem, mas digamos que seja linda a simetria. Eu diria que o título, O Velho Logan, seja mais do que um Logan velho, mas ter o bom e ‘velho’ Logan de volta.
O roteiro de Mark Millar é primoroso no sentido de condução da sua emoção e pensamentos. A gente fica se questionando, ficamos em diálogo interno o tempo todo, buscando entender e adivinhar o que vem em seguida. A cada destino de um herói que é revelado, a gente vibra. É uma delicia. E é ótimo ver que, mesmo raras, existem sagas e mini-series boas após os anos 90. Quem acompanha o blog sabe que eu tenho um certo problema com os anos 2000. Velho LoganOs desenhos de Steve McNiven constroem uma narrativa com quadros grandes, dando a dimensão do desastre o tempo todo. Os personagens envelhecidos, suas expressões, estão muito coerentes e bem feitos.
A riqueza de detalhes nos quadros nos localiza muito bem na história e complementa o diálogo. Segue abaixo algumas ilustrações da edição. Veja se estou exagerando. Ele tem um traço moderno, mas mesmo assim, pelo detalhamento e movimento, excelente !
Recomendo a leitura, leia mesmo. Permita-se. Emocione-se.
 
Abraços do Quadrinheiro Véio !
 
 
 
 
 
 
 
 
Velho Logan

 

 

Velho Logan

 

 

Velho Logan

 

 

 

 

Velho Logan
 

Wolverine – Arma X

Wolverine Arma X

Recordo me quando eu li pela primeira vez esta saga… Lembro de ficar muito, muito perdido, de ler devagar, olhando cada detalhe. Wolverine – Arma X é uma das edições obrigatórias para qualquer fã de HQ´s. Sério. Na época que eu li, ela foi lançada num formatinho da Abril, Wolverine Extra 1. A capa dava medo, o nome do autor até então me era desconhecido e tive medo de ser uma bela porcaria. A verdade é que eu fiquei tão abismado com o ritmo, desenhos, narrativa e com a história em si que eu demorei um tempo, uns meses, pra descobrir se eu havia gostado ou não. Até que com um pouco mais de maturidade e lendo mais uma vez, acho que na época da faculdade, eu descobri como é uma HQ Fantástica. E agora acabei comprando na coleção de Graphic Novels da Salvat e não me arrependo nem um pouco. A qualidade to material é ótima e ter em capa dura faz toda a diferença.
Em Wolverine Arma X nos é apresentada uma versão da origem do Logan. Digo, não a origem dele em si, mas das garras e do esqueleto de adamantium. Nesta época o Magneto ainda não havia retirado o adamantium dos ossos dele, então ainda não haviam inventado que as garras já estavam lá feitas de osso, o que dá a entender que elas foram colocadas lá quando ele foi feito uma arma.
A narrativa é excelente. Como foi feita já no final dos anos 80, é visivel como tem o ritmo da época. A ciência envolvida é muito interessante e os traços são tão organicos, que parece que a carne está derretendo do corpo dele. O traço é visceral, vivo, respirando. Fora que as cores são tão fortes, tão vivas, que parece tudo psicodélico, com quadrinhos bem definidos, porém com algumas quebras, como se fossem os anos 70 dando adeus e a chegada dos desenhos mais loucos dos anos 90… mas sem perder a selvageria dos anos 80 sabe assim ? rs…
Fora que a HQ inteira é toda produzida pro um homem só: Barry Windsor-Smith. Este cara deve ser consumidor de LSD, cogumelo e tudo junto pra conceber tamanha complexidade de história. Ele consegue misturar ciência, psicologia, brutalidade, conspiração, drama e suspense de um modo que faz dele único. É como uma característica só dele. Cara, me arrepio com as HQ´s desta época. Nunca mais… diria que foi um dos momentos de auge da Marvel. Antes era tudo inocente, depois, tudo comercial. Neste entre-meios tivemos uma fase de pura arte. Se você é leitor novo, que começou a ler dos anos 2000 em diante, precisa dar um pulo num sebo e começar a pegar as revistas dos anos 80 até meados dos anos 90. Aí sim você vai entender o que eu estou falando.
Nesta revista, Logan é retratado de um modo de que, embora ele seja o protagonista, ele está lá apenas de fundo. O personagem principal mesmo é o processo, é a HQ. Vemos um homem que luta por sua humanidade, não deixando a fera tomar conta. Vemos um processo de busca de sua própria humanidade, mas sem ser clichê. Fora todo o sangue, amputações, assassinatos brutais… a essência do Wolverine, e não este cara manso dos dias de hoje. Este politicamente correto de uns 15 anos pra cá, que está acabando com a arte. Penso que a maior prova de que estamos evoluindo ao contrário é a necessidade de tantas regras sociais. Se não evoluímos por nossa própria consciência, não há evolução. Politicamente correto é o maior atraso de vida do ser humano, pode anotar aí… ;ppp
 Wolverine Arma XBom, é isso. Se quer ler algo bom, com desenhos bem doidos, narrativa inteligente e um Wolverine fiel a si mesmo, esta edição é o que você procura !
 
Abraços do Quadrinheiro Véio !!!
 
 
 
 
 
 
Wolverine Arma X

 

 

 

 

Wolverine Arma X
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Surpreendentes X-Men – Perigoso

Primeiro gostaria de dizer que estou muito grato por esta Coleção Oficial de Graphic Novels da Salvat por ter me resgatado como leitor de HQ´s. Esta edição dos mutantes é uma das gratas surpresas do que eu perdi da casa das idéias durante estes mais de 15 anos de ausência em minhas leituras. Pelo jeito a maioria dos lançamentos são pós anos 2000 e por isso está sendo bacana ter tanto ineditismo pra mim. O que vem antes de 98 eu li praticamente tudo, então, é bom ser atualizado e saber que, mesmo sendo poucas histórias, foram feitas sagas muito boas.
Supreendentes X-Men: Perigoso, é a continuação da edição ‘Superdotados‘ ( que você pode ver uma análise minha aqui ) é uma destas gratas surpresas boas. Não digo que é uma das melhores que eu já li, mas é uma edição que faz a gente sentir tudo que gostaríamos de sentir lendo uma história dos mutantes. Talvez eu seja um tanto ranzinza por achar um pouco ‘politicamente correta‘, ou até o Wolverine meio ‘manso‘, mas encaixou bem na saga. Sou do tempo em que o baixinho atarracado era nervosão e só o professor X segurava a onda dele. Acho que o Dentes de Sabre tem razão quando diz que ele está ficando manso…. hehehe.
Situando: esta história republica as edições 7 a 12 da revista Astonishing X-Men lançados em 2004/2005. Ainda acho que a editora enriqueceria um pouco mais dando informações sobre a época do lançamento. 
Esta edição está mesmo muito boa e faz a gente entender a anterior que foi a ‘cama’ pra isso. Acho até que seria mais justo com a gente se tivesse sido lançado apenas em uma edição, com as 12 revistas. Claro que a editora precisa ganhar dinheiro e sabemos como anda complicado viver de publicações impressas nos dias de hoje. Em ‘Perigoso‘ vemos uma aventura digna dos mutantes da Marvel. Tem menos embromação e blá-blá-blá mutante e mais ação. O tema ‘preconceito’ está lá, assim como os conflitos internos da equipe e um Xavier mais falho como tem sido nos últimos anos, porém tem algo mais. Tem o Ciclope, que sempre foi revoltado, deixando esta revolta tomar conta de si. Vemos o aflorar de um sentimento que ele deixou recluso por muitos e muitos anos e nota-se que é uma panela de pressão prestes a explodir. Tanto que a cena que eu atribuí equivocadamente na analise anterior, em que ele detona quase meia floresta com uma rajada ótica está nesta edição e não na anterior como eu havia mencionado. ( sorry… misturei. )

É difícil escrever sem soltar spoilers e prometo que vou me esforçar pra não falar nada inadvertidamente. O que acho gostoso nesta edição é o medo que a gente sente. Gosto quando o autor faz a gente achar que alguém pode morrer, ou que eles estão tão indefesos que desta vez vão perder feio. No caso dos X-Men as vitórias deles nunca são simples, sempre que vencem um adversário, existem perdas. Sejam de membros do grupo, seja na ideologia, seja uma decepção interna. Algo sempre acontece, e o Joss Whedon manteve

isso. Gosto do Colossus desde sempre. Desde que o conheci numa aventura dos X-Men enfrentando o Arcade e logo depois em Secret Wars. Eu comprava Super Aventuras Marvel ( SAM ) pra ler o Demolidor e o Justiceiro e acabei conhecendo os X-Men e aos poucos fui aprendendo a gostar da equipe. E como a maioria, a paixão pelo carcaju foi enorme, seguido pelo Colossus e Ciclope. Gostava quando não eram tanto mutantes. Nos anos 90 tinha tanto mutante que eu comecei a achar um exagero. Entendia a mensagem, mas não era algo que divertia como antes. Esta edição é divertida. O ‘Perigo’ é real e este nome tem um motivo. Não vou estragar a surpresa de vocês, porque eu adorei ter a surpresa e a sensação de tentar adivinhar o inimigo secreto é uma delicia. E que inimigo engenhoso. Que desafio mais intransponível. Se fosse tão inteligente quando racional, os mutantes não teriam a menor chance. Tem uma passagem que todos quase morrem que eu perco o folego. Whedon é um gênio da manipulação. Quem leu sabe o que to dizendo. 

Tem diálogos muito ricos, inclusive um muito bem bolado entre o Peter e a Kitty. Ela projeta nele seus medos e inseguranças. A única coisa que não ‘colou’ muito bem, ao menos pra mim, é como está sendo fácil pro Colossus, após tanto tempo encarcerado e sozinho, voltar pra equipe como se nada tivesse acontecido. Acho que ficou meio forçado.
Outra coisa que poderia ser mais explorada é a escola após os fatos desta edição. Eu realmente fiquei a fim de saber o que vem depois. Vou pesquisar.
Agora, realmente os desenhos não me agradam. John Cassaday segue o mesmo traço e perspectiva da edição anterior e poucos quadros me agradaram. Ele tem movimento, tem um sombreado bacana e tudo, mas não gosto dos rostos. Tirando o Colossus, que ficou bem legal. Que sorte a minha… hehehe…
As cores estão legais e acompanham o clima da HQ.
Acho que é uma edição imperdível. Se não pegou, corre na banca pra ver se ainda tem.
Abraços do Quadrinheiro Véio !

Surpreendentes X-Men – Superdotados

Leio X-Men desde sempre, e confesso que na minha infância e adolescência

eu e meus poucos amigos leitores de HQ´s pronunciávamos ‘xis-men‘( heheheh ), não sabíamos a pronúncia correta e líamos assim, bem como diversos outros nomes de personagens. Este ‘sempre’ foi interrompido no meio dos anos 90, quando parei de ler tudo. Mas o principal motivo de eu ter deixado os X-Men foi o dramalhão mexicano que os argumentos das HQ´s estavam se tornando. Estava cansativo e repetitivo e sem perceber, parei de acompanhar.

Acho que pode ter sido por isso que eu demorei tanto pra pegar este exemplar na minha prateleira e finalmente me permitir a leitura e vejo que pouca coisa mudou. Não me entendam mal, eu gostei da edição, mas não achei sensacional ou surpreendente. Talvez pra quem não os conheça possa até ser uma grande história, mas pra mim, achei boa e só isso. Vou me esforçar pra explicar este ponto de vista nas próximas linhas e perdoe-me se ferir o gosto e opinião pessoal de alguém. Como sempre digo, respeito e acho que todas as percepções são válidas e aqui eu compartilho a minha, ok ?
Bom, dito isso, Os Surpreendentes X-Men: Superdotados começa de modo bem nostálgico, aparentemente buscando resgatar alguns personagens e fazer um link com leitores mais antigos, bem como atualizar os mais recentes. Temos o retorno da Kitty Pryde à Mansão X e Joss Whedon tenta restabelecer a escola como uma instituição educacional de pessoas especiais. Digo tenta porque fica meio vago. Entendo que é apenas um “pano de fundo” pra história, mas acho que poderia ter mais detalhes. Ficou bem cinematográfico, mas não de uma forma que eu achei que encaixou bem em um formato de HQ. HQ´s pedem mais detalhes funcionais, enquanto cinema são detalhes referenciais, apenas pra situar quem assiste. De qualquer forma, só pela intenção dele já achei legal.
Esta Graphic Marvel reúne as edições 1 a 6 de Astonishing X-Men de 2004. Ao que me parece, ela vem após os acontecimentos de E de Extinção, em que, mais uma vez, os X-Men se veem precisando reunir uma nova equipe. Os mutantes já

apresentaram a tal “segunda mutação“, e o Fera está com aquela aparência felina ridícula, a Emma Frost transforma o corpo em diamante e talz… Mas fora isso, a história anda bem. Gosto do ritmo, gosto de rever os “amigos” de outrora como a Kitty Pride, Nick Fury branco e o Wolverine e também gosto muito de ver o Ciclope botando pra quebrar. Embora mais descontrolado do que o normal, é bacana ver o líder natural dos mutantes assumindo seu posto. Tem uma passagem interessante em que, após um ataque devastador de sua rajada ótica, Ciclope ouve de Logan que as vezes é bom lembrar porque ele é o líder da equipe.

Vemos alguns momentos também que acontecem passagens desnecessárias, como o Logan brigando com o Fera e uns blá, blá, blá mutantes de sempre, mas que imagino que isso esteja de algum modo preparando o terreno pras histórias posteriores. Mas o que mais gosto é de ver o Colossus de volta. O mutante russo capaz de transformar seu corpo em aço orgânico é um dos meus preferidos e é bom ver ele de volta e arremessando o Wolverine. Foi certamente um ‘momento delicia‘. ( hehehehe )
Os desenhos são de John Cassaday e pra mim, não vi nada de mais. Ele resolve, e só. Não achei nada de extraordinário ou digno de nota, aliás, é mais um que parece que tenta fazer cada quadrinho parecer um poster ou capa. Não gosto. Mas, como disse, resolve. Conta bem. Ao menos não incomoda.
Resumindo, só é épico porque é mais um re-start nas HQ´s mutantes e tenta mais uma vez resgatar a glória dos anos Claremont, mas na minha opinião, não consegue. Na coleção da editora Salvat ela tem uma continuação que irei escrever em outro post, e que já adianto, eu gostei bem mais do que desta introdução. Acho que a verdade é que estou ficando velho pra tanto “nhê-nhê-nhê” mutante… hehehe….
Abraços do Quadrinheiro Véio !