domingo, 16 de dezembro de 2018

Um Conto de Batman: De Volta à Sanidade

Olá Quadrinheiros !
 
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Bem vindo de volta. Hoje vou falar sobre uma série de mini-series que eu particularmente adorei acompanhar no meio dos anos 90, que se chamava Um Conto de Batman ( Legends of the Dark Knight ). Na época, saia em edições quinzenais, com 2, 3 ou 4 edições, contos individuais e de fora da cronologia do Morcegão, mas que em alguns casos se tornava canónico e em outros, não. Até mesmo porque em muitos casos era desnecessário, mas eram de tal forma bem escritos e marcantes que acabava deixando a gente muito pensativo depois, muitas vezes impressionado.
batman volta sanidadeEste é o primeiro de vários que eu pretendo postar no blog e isso aconteceu porque estive em uma feita de sebos de HQ e comprei uma que eu não tinha comprado na época ( ate porque era época de forte inflação, com os preços em tabelas que mudavam praticamente toda semana ) e a grana estava mais curta do que o normal.
Em De Volta a Sanidade ( Going Sane ), temos o vilão mor do Batman: O Coringa. E é uma história pra lá de interessante. Inevitavelmente você pode trombar com alguns spoilers aqui, ok ? Mas não é nada demais, prometo.
Eu acho genial quando as histórias tem um aspecto psicológico forte como aqui. E entra em debate um ponto mega importante: A dependência emocional do Coringa em relação ao Batman e vice-versa. Esta é uma das melhores representações do desequilíbrio mortal do palhaço e da loucura dele magistralmente retratada. Gosto quando o autor é criativo ao ponto de não precisar apelar para coisas mega grandiosas. É bacana ver o Batman enfrentando um cara tão mortal como o Coringa, enfrentando medos, pensamentos… vendo ele próprio no limiar da loucura. Sem comparação, batman volta sanidadequestionando seus atos, suas escolhas, suas reações… questionando a própria sanidade que nos faz pensar se o titulo se refere ao vilão ou ao Batman, servindo ao mesmo tempo para os dois, uma vez que em determinado momento parece que o maluco troca de lugar com o saudável. Acho que dramas psicológicos assim enriquecem demais e ao mesmo tempo que a trama é inteligente, prende a gente o tempo todo ao contraponto dos desenho serem bem caricatos, com um Coringa em traços exagerados, com queixo gigante que reforça muito mais seu sorriso maquiavélico e que quando ele passa por são deixaram imagem disforme, que não se encaixa. Neste roteiro de J. M. de Matteis vamos da raiva até a surpresa, chegando as lagrimas nos olhos quando uma inocente sente toda a tristeza de um relacionamento que, embora muito real pra ela, nunca existiu. Muito inteligente, uma historia triste e coerente, muita reflexão e muita exposição da alma verdadeira de um herói como só o Batman pode ser. Um lance meio o médico e o monstro, com pitadas de “two stories”. O paralelismo, o reencontro. Aliás fazer roteiros com forte teor de conflito psicológico parece ser uma das qualidades do autor, que também escreveu o excelente “A última caçada de Kraven”, que tem uma resenha só dela aqui.
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Os traços são do Joe Staton, e mesmo quem não gostar, precisa dar o braço a torcer pela narrativa, sequencia e expressão emocional dos personagens. Um traço aparentemente de qualquer jeito, mas todo pensado. É preciso entender que um bom artista se adapta à historia, se torna versátil para contar a historia, e não fica engessado apenas no seu estilo. Este desenho, cheio de achuras que parecem ter sido feitas as pressas, mas que na verdade era o que a historia pedia. Note que a própria achura varia dependendo do momento da narrativa. Tudo antagônico, tudo no contra ponto. Esta preocupação em narrar o inconsciente junto com o consciente, o invisível, junto com o visível, é de uma inteligência sinistra. Tudo em torno do Coringa e do Batman, sem nada mais.  Todo o resto é consequência, é pano de fundo, são apenas pessoas que não sabem porque estão ali, mas estão. Meros bonecos da trama, importantes apenas para dar cama aos principais e mesmo assim, batman volta sanidadedramáticos e necessários. Não é uma historia fácil de escrever. Crises e tramas gigantes cheias de protagonistas são fáceis de escrever, mas tramas assim, ricas na complexidade dramática e psicológica, não. Este cara, de Matteis, certamente bebeu dos livros de Jung e do Campbell. Tudo se resume a momentos, esta historia é um momento. Ela não muda nada na vida dos dois heróis, mas ao mesmo tempo muda muito a forma de pensarmos no relacionamento interior de ambos.
Sinto-me muito limitado a escrever sobre esta mini-serie porque senão revelaria muitos spans e acho isso tão desagradável, porque sem poder abrir mais da trama parece que estou tentando vender algo pra você e não é isso. Juro… rs… 
Então, se você gosta de ler uma boa trama e está meio cansado das historias rasas atuais, faça um favor a si mesmo e cave um sebo ou um scan pra poder ter acesso a isso.
Recomendo a série “Um Conto de Batman” de olhos vendados.
 
Abraços do Quadrinheiro Véio !
 

 

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